quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

SALVADOR VAI SE MOVER EM 2012?

“Se o caminho dos impostos que paga não for fiscalizado, eles continuarão desviados da estrada coletiva para os atalhos particulares.”
Por Aninha Franco*
Portugal escondeu o Brasil durante três séculos. Livros que enumeravam suas riquezas foram destruídos. Era proibido visitar o país até 1808, quando D. João VI abriu os portos a uma nação “mui amiga”, a Inglaterra, para onde já iam nosso ouro, açúcar, fumo e pau-brasil. Com a República (1889), os portos se abriram e as riquezas foram expostas, mas quem apresenta um lugar são seus artistas, atletas, historiadores, que, por ausência secular de políticas inteligentes, continuam devendo ao mundo um Brasil verossímil. O planeta desconfia que somos uma selva onde cobras, onças, índios, o Rei Pelé, Carmen Miranda e mulatas seminuas interagem ao som de "Garota de Ipanema". Os intelectuais conhecem Machado de Assis e Jorge Amado, Glauber Rocha, Walter Salles e Fernando Meirelles. E, com esses componentes, apenas, nem o Brasil conhece o Brasil.
A sociedade brasileira ainda não assimilou que é um conjunto de indivíduos que vive em território comum, obedecendo às mesmas leis e costumes, e começa, só agora, a digerir isso, lentamente, desenroscando-se do berço esplêndido em que dorme, uns nos camarotes, outros nas ruas, individualista e alheia ao coletivo. Há sinais do entendimento de que público e privado são conceitos diversos, e que se ela, sociedade, não limitar isso, sua política, extrato dela, continuará fazendo desses antônimos, sinônimos, em proveito de alguns espertalhões. Que se o caminho dos impostos que paga não for fiscalizado, eles continuarão desviados da estrada coletiva para os atalhos particulares, sistematicamente.
A cidade da Baía se move para transformar a pele política, como o Brasil, e neste ano tem a oportunidade de eleger uma câmara de vereadores para fiscalizar o prefeito, e um prefeito para gerenciar suas necessidades. Os políticos já estão em campanha, com obras em movimento, o metrô, a Avenida Vasco da Gama, o Pelourinho, e outros banhos de insensatez, tentando mostrar serviço. Não nos enganemos. Serviços públicos são estado permanente de limpeza, transporte, educação, segurança e eficiência, que realizados apenas em ano de eleições só servem para eleger.

* Aninha Franco é escritora, advogada e agente cultural. Em 2006, ela assinou o prefácio da antologia “Contos Perversos” da Coleção Literatura Clandestina. E aproveite e leia uma entrevista exclusiva com ela no nosso blog. Contato: aninha.franco@grupoatarde.com
fonte: Revista Muito

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