“Música é alimento. Ou pelo menos assim deveria ser com todo mundo. Mas estamos sendo ameaçados!”
Por Elenilson NascimentoEnquanto você acha que a atual
Música Popular Brasileira se resume à mediocridade de
“Nossa, nossa, assim você me mata. Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego...” ou à mesmice das baixarias do axé, funk e pagode, pela internet muita
gente (sem mídia) anda fazendo a nossa música renascer das tripas das cinzas.
Se
Nietzsche foi um medíocre na música, fraco poeta e um monstro na filosofia de
Schopenhauer, o que podemos esperar dessa
geração sem leitura e ávida por fama? Prova disso foi a edição 2011 do
excludente VMB, onde a outrora inteligente, mas hoje
patética MTV buscou nitidamente repetir o fiasco dos anos anteriores, quando deixa a votação na mão de seu público cada vez mais imbecil, formado por adolescentes desocupados integrantes de fãs-clubes de bandas coloridas ridículas, o que levou ao constrangimento de ter vencedores sendo vaiados pela plateia — né,
Restart? Até a
Wanessa Camargo, aquela que o
Rafinha Bastos, ex-CQC, queria comer junto com o bebê, já passou por isso. A bobinha MTV sempre acha que só existe gente fazendo música no eixo RJ-SP, por isso a saída boçal foi apelar para uma tal de "Academia MTV", aparentemente constituída por gente "formadora de opinião", segundo a própria deslumbrada emissora, com "jornalistas, artistas do último escalão e cineastas", todos devidamente especializados em ócio, e outros que ninguém sabe quem são. Esquisito isso, não é? Para quem teve a pretensão de se transformar na maior e mais respeitada premiação da música brasileira, não soltar os nomes de quem votou não me parece uma boa estratégia.

Mas o mercado de música passa por uma
transformação intensa, graças a Deus, e as pessoas não deixaram de ouvir canções. Porém, fala-se muito de pirataria na internet, que todo mundo tem baixado músicas e filmes de graça e tudo o mais. Mas eu lembro que
desde espermatozóide eu já jogava minhas músicas favoritas em
fitas cassetes e ninguém nunca me disse que eu estava fazendo algo ilegal. Qual a diferença então?
Nesse primeiro mês de 2012 estamos vivendo um tempo que já entrou para a história da internet, porque alguns dos principais serviços do mundo estão tendo um grande apagão proposital por estarem indo contra a maré das “novas-velhas” leis que o
governo de Obama (quem diria heim?) tenta aprovar.

O
Amazon, Google, eBay, Wikipedia, Yahoo, AOL e
Facebook (*que desligaram seus servidores no último dia 23/01 como uma forma de protesto) já teriam fechado algum tipo de acordo, onde todos eles tirariam seus sites e serviços do ar por 24 horas em uma escala global, em uma forma de protesto contra o
SOPA, uma lei que pretende derrubar sites que possuam conteúdo de terceiros ou mesmo hospedem eles, ou seja, o governo terá poder quase infinito contra todos. A coisa anda ficando muito feia para quem gosta de fazer downloads na internet, por exemplo, por que após o
fechamento do Megaupload, que parecia ser um ato isolado, vários outros sites que hospedam arquivos estão também com a faca na garganta. E todos os outros, que poderiam vir a tomar o lugar do Megaupload, estão sobre investigação e alguns já começaram a deletar arquivos para não acabarem na cadeia.

E enquanto
retardados discutem signos, BBBosta, vídeos engraçadinhos e tudo mais..., mal sabem que está rolando a maior
"Guerra Cyber" da história. O SOPA (Stop Piracy Act) e a PIPA (Protect Ip Act) consistem em tirar do ar, multar e prender (*com pena de cinco anos de prisão) os responsáveis por repassar produtos protegidos por direitos atuais em qualquer veículo da internet, incluindo blogs e perfis em comunidades sociais, fazendo com que aquele vídeo legal que você postou no Youtube com uma música que você gosta tanto possa te trazer a maior dor de cabeça do mundo.
Para os artistas independentes, por exemplo, distantes das grandes gravadoras e dos meios de comunicação, a internet tornou-se uma poderosa aliada, e a cada ano que passa aumenta o número de novos discos disponibilizados gratuitamente pelo próprio artista. O que interessa é ser ouvido, parece ser a frase de ordem de todos.

O carioca
Lê Almeida, responsável pelo selo independente
Transfusão Records, já lançou single em compacto de vinil, mas todos os seus discos (e de seu selo) estão disponibilizados gratuitamente na sua página oficial – incluindo
“Mono Maçã”, seu novo álbum. O mesmo fez
Cícero Lins, ex-vocalista da banda carioca
Alice, que
disponibilizou o disco “Canções de Apartamento”, um disco lindo sobre solidão e saudades, abandonos, fugas e paixões antigas. Já o cantor
Criolo lançou seu primeiro disco,
“Ainda Há Tempo”, em 2006. Mas o seu recente disco
“Nó Na Orelha” amplia o leque do rapper, que agora também canta bonitos sambas, reggae e baladas ´e também está disponível para
baixá-lo gratuitamente.

A banda de um homem só, do mineiro
Fabio Andrade, o
Driving Music já tinha liberado EPs e covers (de
New Order e
National).
“Comic Sans” é seu primeiro
álbum completo.
Já o prolífico compositor paranaense
Giancarlo Rufatto também tem em seu blog vários singles e
álbuns disponíveis para download.
“Compacto 2011” é seu mais recente lançamento, mas tente também
“Machismo”, bom disco do ano passado.
E para você que acha que na Bahia só existe as estrelinhas chatas do axé, enganou-se redondamente. Gente bacana como
Adão Negro, Vivendo do Ócio, Carla Visi, Gerônimo, Negra Cor, Magary, J. Velloso & Os Filhos de Jorge, Mariana Aydar, Marcela Bellas, Moinho, Davi Moraes, Jauperi, Ana Cañas, On The Floor, Rebeca Matta, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Vânia Abreu, Camisa de Vênus e muito mais anda fazendo a alegria de quem gosta de MPBoa .

Muitos desses artistas também disponibilizaram seus discos em suas páginas, como o cantor e compositor
Alexandre Leão, que recentemente gravou o seu primeiro disco
ao vivo –
“Ao Vivo na Varada do Sesi”; como o roqueiro
Maurício Zerk com o
excelente disco “Eu Me Repito Muitas Vezes e Te Comovo Muito Mais"; como a banda forrózeira
Virado no Moi de Coentro com o seu
som regional; como o solitário punk
Márcio Mello (*que acusa hit de
Michel Teló de plágio –
confira aqui) que disponibilizou todos os seus discos no
seu site; e também, queria frisar, o jovem
Bruno Mais com o excelente
“Quarto Capítulo”.Mas o fato é que agora há, realmente, uma liberdade ilimitada para todos os nossos artistas. Pelo menos os que querem viver de música num país que nunca incentiva à cultura, vão aos trancos e barrancos (e muito suor na fuça) tentando fechar suas contas no final do mês. Os que querem apenas fazer e disponibilizar música na internet, trabalham para isso.

Mas agora estamos ameaçados com o fechamento dos provedores. Mas como disse o autor do blog
Veia Urbana:
“Música é alimento. Ou pelo menos assim deveria ser com todo mundo. Mas cada um tem seu nível de envolvimento com música, que pode mudar vidas, acabar com algumas e fazer nascer tantas outras. (...) Música que tenho tanto gosto em ouvir, pesquisar, indicar”. Por isso mesmo, ele disponibilizou
50 discos lançados em 2011 e disponibilizados para download gratuito pelos próprios artistas. Muita coisa ficou de fora, pois, segundo ele, se fosse juntar tudo, esse texto não sairia antes do ano que vem. Atente-se para a diversidade e qualidade que temos em nosso quintal. E como eu escrevi lá no início: a música brasileira está cada vez melhor.

E se você acha que essa nota aqui no LC é fake, pesquise um pouco. O povo brasileiro é um dos menos informados do mundo sobre isso e ainda não se considera pessoas alienadas... Repassem a ideia, vamos contra essas leis idiotas que prejudicam nosso direito de ir e vir, compartilhe, avise os amigos... Não só eu agradeceria como o mundo inteiro que vai sofrer com essas leis porcas. Por uma internet livre.
fonte: Veia Urbana
1 comentários:
FALOU E DISSE.....TUUUDO.
GRANDE ABRAÇO.
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