terça-feira, 29 de novembro de 2011

VIDA DE UM ESCRITOR SEM MÍDIA

“Pensando em como sempre valem a pena todas as frustrações, amarguras e lutas que travamos para sermos o que o nosso âmago nos manda ser.”

Por Elenilson Nascimento


A situação é meio constrangedora e adoravelmente curiosa. E é claro que sempre aproveito para me mostrar de uma maneira caricatural. Não tenho um pingo de traquejo, o que me leva a sempre dizer o que penso, e isso é o principal gatilho das maiores situações constrangedoras que esse blog também explora, pois há constrangimentos para todos igualmente: judeus, árabes, negros, gays, gordos, lésbicas, jornalistas estrelinhas, estrelinhas decadentes do axé, etc.


Outro dia ganhei o apelido de “assassino social”, por causa da minha “franqueza” no texto sobre os jornalistas “chupa cu” de Salvador. Lembram? Pois alguns conhecidos não entenderam absolutamente nada do texto e começaram a me procurar para queimar o filme de algum pentelho pior do que eu, para dizer coisas terríveis na lata para pessoas que não teriam coragem de enfrentar. As situações chegam sempre ao limite do suportável e essa é a graça nervosa de alguns textos meus, mas que a Malu Fontes não gosta.


Hoje mesmo o meu amigo poeta e ator Luih Rocha – leia alguns poemas dele aqui escreveu quehá escritores que não deveriam escrever”, só para me provocar. Questionei e ele veio com essa: “Você sabe que não me refiro a você. Acho que ainda no futuro próximo, se assim eu não me for, faremos muitas coisas juntos... Porque vejo verdade em você. Obviamente não concordo com tudo e também detestaria que você concordasse com tudo que parte de mim. Sendo que a divergência é um ponto crucial para evolução”. Revelador isso não?


Respondi que espero não fazer parte desse grupinho de Pokémons de tintas para dementes lerem, pois a única coisa que eu ainda tenho nessa vidinha miserável é a minha escrita. E o Rocha responde: “Não estou muito bem, acordando pondo sangue pela boca e agora minha pressão está alta, já tomei remédio, mas continuo passando mal. Mas foda-se! O que é a vida senão um caminho à morte. Depois que você ler o que escrevi, verá o porquê das dores de cabeça, escrevo o que vivo e o que vivo existe. Forte abraço e até que a morte nos leve, nos separe... Porque você vai ao céu e eu ao inferno”. Imagina, eu no céu? Mas pelo menos ainda não estou botando sangue pela boca!


Outro dia, por exemplo, lá estava eu, sentado numa mesa da praça de alimentação de um shopping da vida (*concentrado na filosófica tarefa de comer salada com filé de frango) e uma voz, tímida, indaga: “Você me desculpa se eu perturbar um pouquinho?”. Ergo a cabeça e me deparo com aquele cara de meia idade e desconhecido, bandeja do McDonald's numa mão e sacolas de compras na outra, e com um ar notoriamente constrangido. Respondo, sorrindo: “Fique à vontade”.


Ele prontamente se senta junto a mim e vai sapecando: “Olha, desculpa mesmo. Você é escritor, não é? Já te vi na Feira de Livros tal e na Bienal tal várias vezes. Quando percebi que era você que estava aqui, fiquei nervoso, mas disse para mim mesmo: não vou perder a oportunidade de falar com ele. Tem certeza que eu não incomodo?”.


A salada e o frango para mim deixaram de existir totalmente. Tão tenso e constrangido quanto meu interlocutor, afirmo com total alegria: “Você não me incomoda de forma alguma. Muito pelo contrário. É uma satisfação”. E o cara de meia idade me fala que sonha em se tornar escritor, que toda vez que vê ou lê alguma matéria comigo sente que poderia ser ele também. Que ficaria enormemente feliz se eu pudesse ler os escritos dele e emitir uma opinião. Repasso meu e-mail, afirmo que será um prazer ler o que ele escreve. Ele se ergue, animado, exultante. Diz que só de receber esse meu retorno já se sente bem mais confiante. E parte, garantindo que me mandará em breve seus parágrafos. E eu? Encabulado, feliz, fico ali, alma refeita.


Pensando em como sempre valem a pena todas as frustrações, amarguras e lutas que travamos para sermos o que o nosso âmago nos manda ser. Penso em mim, tantas vezes triste e sozinho no meu quarto, vendo meus ídolos da arte de longe. Sonhando em conhecê-los. Hoje, alguns são meus conhecidos (*graças exclusivamente a internet). Mas a salada e o frango tornaram-se, então, iguarias com sabor sem par.

BAHIA ANTIGA (3)

“Imagens de uma Salvador da Bahia que não existe mais!”


Por Elenilson Nascimento


A imagem do Farol da Barra talvez seja, ao lado do Elevador Lacerda, uma das mais conhecidas em Salvador - BA. Mesmo quem nunca esteve na capital baiana é capaz de identificar, em uma foto de cartão postal, o monumento e sua localização. E se a Bahia começou em Santa Cruz de Cabrália, Salvador nasceu na Barra. Foi lá que o navegador Américo Vespúccio descortinou, em 1501, a Bahia de Todos os Santos. A posse foi oficializada com a colocação do marco da coroa portuguesa, onde hoje estão localizados o Forte e o Farol da Barra. A vocação turística de Salvador já se fazia presente naquele momento.


Como diria o inesquecível poetinha: “É bom... passar uma tarde em Itapuã/ ao sol que arde em Itapuã/ Ouvir o mar de Itapuã/ falar de amor em Itapuã”. Toquinho e Vinicius produziram um dos mais belos poemas (“Tarde em Itapuã”) à cidade da Bahia e a um dos seus mais bucólicos bairros, retratando na música todos os encantamentos do lugar: o mar, o bar, a preguiça de sua gente, o arco-íris, o ar, a água de coco, o sol, a pinga, a terra a rodar, o céu, a lua e o amor.


Mas hoje, Salvador não é mais a mesma, tanto pela falta de administração pública (falida pela incompetência dos seus gestores) quanto pelo próprio povo que não cuida da sua cidade. Desde a época colonial, Salvador era conhecida no Brasil e nas cartas dos viajantes europeus como uma cidade belíssima, repleta de encantos naturais, mas também extremamente suja, cheia de lixo e dejetos pelas ruas, inclusive humanos. Não só as ruas trafegadas por cavalos, charretes, carruagens e escravos carregando senhores em redes, mas nas encostas entre as cidades alta e cidade baixa o lixo era lançado livremente, sem controle ou pudor. Hoje em dia a coisa não é muito diferente.


Se o poema de Toquinho e Vinicius é perfeito, popular, bem ao gosto do poetinha que, na época dessa composição, nos anos 1970, embalado nos braços de Gesse Gessy, uma mulata da terrinha, tomou férias com seu olhar esquecido e tornou-se o divino bardo, o Dante de Itapuã, como gostava de assinar somente na correspondência para os mais íntimos, hoje – nestes tristes tempos – podemos admitir que do poetinha só restou mesmo o eufemismo. Trata-se de um autêntico e valoroso bardo.

Porto da Barra.

Marco do descobrimento, no Porto da Barra.

Farol da Barra.

Itapuã.

Farol de Itapuã.

Itapuã (*mais ou menos em frente à atual delegacia da Polícia Civil).

Itapuã (Igreja e Largo).

Itapuã (Pedra da Sereia).

Lagoa do Abaeté.


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fotos: internet

domingo, 27 de novembro de 2011

O RETRATO DE DORIAN GRAY

Eu irei ficando velho, feio, horrível. Mas este retrato se conservará eternamente jovem. Nele, nunca serei mais idoso do que neste dia de junho... Se fosse o contrário! Se eu pudesse ser sempre moço, se o quadro envelhecesse!... Por isso, por esse milagre eu daria tudo! Sim, não há no mundo o que eu não estivesse pronto a dar em troca. Daria até a alma!”, Oscar Wilde (1854-1900), in “O Retrato de Dorian Gray” – 1891.

A história do moralmente corrupto e belo Dorian Gray é literalmente jogada de qualquer jeito no cinema, numa produção cheia de efeitos especiais, mas carente do resto que tornou a obra de Oscar Wilde mundialmente conhecida. No livro, que também já resenhei aqui, os anos passam e sua beleza e juventude continuam a ser mantidas. Um retrato seu que ele mantém para si, escondido de olhos alheios, guarda seus segredos - à medida que os anos vão passando, o retrato vai exibindo sua feiúra interior.

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fonte: Comendo Livros

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

ELE SÓ FALTOU DIZER QUE É VÍTIMA DE BULLING

“Enquanto o retardado do Bolsonaro questiona a sexualidade da presidente Dilma, em Salvador, ministro Negromonte chora e diz ser vítima de preconceito.”

Por Elenilson Nascimento


Esses políticos são mesmo engraçados, para não chamá-los aqui de patéticos! Mas enquanto a ocupação medonha, com reação tenebrosa, da reitoria da USP é bem a cara dessa juventude brasileira que, só agora, alguém descobriu que é, de fato, patrocinada por um grupo de aloprados dementes, que atropelou o rito das assembleias realizadas até então e, num ato de desespero (*calculado?), fez rolar morro abaixo uma pedra que, aos trancos e barrancos, deveria ser endereçada para pontos mais altos da discussão lá no Congresso Nacional.


E mais uma vez que essa pedra rolou e rolou, como se viu, tudo desandou, vai continuar desandando e mostrando o quanto estamos perdidos nas mãos desses idiotas que agora mandam e dos futuros idiotas formados em nossas faCUldades. E absolutamente tudo o que se nota pela declaração infantil do ministro-pateta-incompetente-desorganizadordoENEM-candidato-a-prefeito (*algo como: bater em viciado pode, em estudante, não) e do governador (vamos dar aula de democracia para esses safadinhos), passando pela atitude da própria polícia (tão aplaudida como o caveirão do Bope que arrebenta favelas), de cinegrafistas (ávidos por flagrar os “marginais” barbudos de camiseta GAP) e de muitos, mas muitos mesmo, cidadãos que só esperam algum ataque aéreo dos japoneses em Pearl Harbor da Feira de São Joaquim para, em nome da legalidade, arremessar suas bombas atômicas sobre Hiroshima, digo, USP.


Mas o que esperar de uma população submissa? Num país como o nosso, onde a ignorância e o analfabetismo são motivos de supremo orgulho, fica mais fácil tal domínio. Difícil, na terra dos bananas, é encontrar quem se interesse por ler e pesquisar. As coisas funcionam na base do “por ouvir dizer” e “por ouvir falar”. Fácil e mastigado. Então, não esperem nada muito interessante do nosso futuro, que hoje se limita à Copa do Mundo e às Olimpíadas. E escrevam o que eu estou dizendo: O BRASIL VAI DAR UMA AULA DE INCOMPETÊNCIA. Mesmo que o Pelé e o Lula juntos vendam sorrisos!


Como é que pode, por exemplo, o dePUTAdo demente Jair Bolsonaro soltar mais uma de suas “pérolas” e não ser punido? Só num país como o nosso! O retardado homofóbico, durante um pronunciamento na Câmara dos Deputados, teria questionado a sexualidade da presidente Dilma. Questionado, o dePUTAdo desmentiu. Esse cara deveria ser preso!


Mas quando acho que essa corja já roubou, falsificou, representou e fudeu com o povo, ultrapassando todos os limites de compreensão, eis que um outro da mesma espécie surge no horizonte da mídia e encena mais uma. Dessa vez, a estrela do vergonhoso picadeiro da política desse país foi o ministro das Cidades (*para que serve esse Ministério mesmo?) que diz estar tranquilo sobre sua permanência no governo, mas, bomzinho, diz que entrega o cargo se Dilma quiser. Tá bom!


E o suprasumo do maniqueísmo de quinta aconteceu na manha dessa sexta-feira, 25/11, quando, pressionado pelas denúncias de fraudes em sua pasta, o senhor ministro Mário Negromonte, do PP da Bahia, chorou, isso mesmo, chorou durante solenidade de anúncio da segunda etapa do “Programa Minha Casa, Minha Dilma”, em Salvador. Lógico que todos os seus “amiguinhos” (*como o presidente da Assembleia baiana, Marcelo Nilo – PDT – e do presidente da União dos Municípios da Bahia, Luiz Caetano – PT), o apoiaram. Que lindo! "Quero dizer que você é um grande amigo", disse, antes de perder a voz. "Obrigado pela solidariedade. Fique certo que eu jamais irei decepcionar os amigos, o povo da Bahia ou meus familiares".


Segundo o ministro chorão, as denúncias vêm de parte da imprensa marrom, insatisfeita com o governo federal, interessada em esfacelar e enfraquecer a presidenta Dilma. “Existe discriminação com o nordestino também”, disse em referência a uma ilação com a “Festa do Bode”, onde Negromonte é acusado de tráfico de influência para ajudar a financiar o evento. “Se fosse a Festa da Uva ou da Maçã, certamente ninguém faria discriminação. Mas como é Festa do Bode, coisa de nordestino, e o ministro é nordestino, tome cacetada”. O coitadinho só faltou dizer que é vítima de bulling.


Mas como no Brasil, vive-se o “oba-oba” sem qualquer sentido, onde o analfabetismo domina todos os círculos, então vamos ignorando esses corruptos e ladrões (*amiguinhos do Lula), mas temos a doce ilusão que a quantidade de bacharéis e excelências presentes no dia a dia transmite fugidia impressão de credibilidade. Triste engano!


Se alguém se dispuser a entender com seriedade o que de fato acontece no Brasil do PAC, na acumulação indiscriminada de recursos financeiros por meia dúzia de bajuladores que dominam mercados financeiros, a política, os meios de comunicação e impõem normas, terá como leitura obrigatória o livro de Joseph E. Stiglitz, “A Globalização e Seus Malefícios”, que conta como foi efetuada a brutal transição da economia soviética para o capitalismo ocidental, devastando sua classe média e desestruturando a economia.

Da mesma forma que o Brasil, a Rússia já foi também elogiada e “promovida” e deu no que deu. E todos os insatisfeitos com a situação política brasileira caem no lugar comum de elogiar a situação econômica fantasiosa, onde a maioria sem ideia daquilo a que se refere. Basta conferir as imensas filas de desempregados nos SIMM da vida, enquanto ministro chora e dePUTAdo chama presidente de gay. Triste país! E como o Brasil da Copa do PAC terá condições de desenvolvimento, sustentando casas bancárias com juros extorsivos, entregando recursos minerais a preço de banana, doando de forma criminosa seu território amazônico e mantendo no PHODER homofóbicos, ladrões e ignorantes?


foto: divulgação

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A MISÉRIA CULTURAL BAIANA

“Se a miséria da cultura baiana é cristalina, a miséria da crítica cultural é, também, imensa. Que esmola pode ser dada para se acabar com ela?”

Foto maravilhosa da coleção do Setaro, datada de 1964. No registro, um dos cartões postais mais incríveis da sensacional cidade de Salvador, o Terreiro de Jesus.

Por André Setaro*

Diz-se que a Bahia já teve seu século de Péricles, uma alusão ao período efervescente que se situou nos anos 50 e na primeira metade dos 60, quando Salvador congregava o que havia de mais criativo na expressão artística. Estimuladas pela ação da Universidade Federal da Bahia, comandada, e com mão de ferro, pelo reitor Edgard Santos, as artes desabrocharam com o surgimento do “Seminário de Música”, da Escola de Teatro, do Museu de Arte Moderna, dos inesquecíveis concertos na Reitoria, da porta da Livraria Civilização Brasileira na Rua Chile, dos papos ao por do sol frente à estátua do poeta, no bar e restaurante Cacique, dos debates calorosos da Galeria Canizares (no Politeama), da "boite" Anjo Azul (na rua do Cabeça), entre tantos outros pontos que faziam da Bahia um recanto pleno de engenho e arte.

Na Escola de Teatro, por exemplo, que, inicialmente, foi dirigida por Martim Gonçalves, montava-se, lá, de Bertolt Brecht, passando por Ibsen, Eugene O'Neill, entre tantos, a Strindberg, com um rigor inusitado, e tal era a excelência de seus espetáculos que vinham pessoas do sul do país, e até do exterior, vê-los encenados "in loco". No curso de preparação de ator, o estudante levava alguns anos para poder participar de uma montagem teatral, iniciando a sua trajetória como um mordomo mudo ou de poucas falas. Somente ter o seu nome no programa da peça já era um prêmio, uma alegria, um consolo.


O livro “Impressões Modernas - Teatro e Jornalismo na Bahia”, de Jussilene Santana – (entrevista no LC aqui), analisa a configuração do teatro como temática na imprensa baiana em meados do século XX e, pela primeira vez, faz justiça a Martim Gonçalves, o responsável pela excelência das montagens teatrais, criador da Escola de Teatro (que hoje tem o seu nome), mas muito criticado na sua época e até mesmo denegrido pelos opositores. Após a leitura deste livro imprescindível, a conclusão é única e inequívoca: sem Martim Gonçalves não se teria um teatro baiano do nível a que chegou, ainda que, décadas depois, tenha perdido todo o seu vigor, transformando-se num grande proscênio destinado à proclamação de "besteiróis", honradas as exceções de praxe.


Cinquenta anos depois, meio século passado, a realidade cultural baiana é uma antípoda da efervescência verificada, uma época que foi chamada

, inclusive, de "avant garde" pela sua disposição de inovar, pela marca de vanguarda da mentalidade de seus artistas e intelectuais. Atualmente, a Bahia regrediu muito culturalmente a um estado, poder-se-ia dizer, pré-histórico, e o "homo sapiens" do pretérito se transformou no "pithecantropus erectus" do presente. Aquele estudante do parágrafo anterior, por exemplo, não existe mais.


Na Bahia miserável da contemporaneidade, qualquer um pode pular em cima de um palco, qualquer um se sente apto a dirigir uma peça, "mexer" com cinema, fazer filmes. Com as sempre presentes exceções de praxe, o teatro que se pratica na Bahia é um teatro besteirol, que faria corar aqueles que participaram da antiga escola de Martim Gonçalves.

A Bahia não está apenas mergulhada em bolsões de pobreza, na violência diuturna e desenfreada, com seu povo excluído de tudo - e até mesmo dos cinemas, mas do ponto de vista cultural a miséria é a mesma. Miséria cultural, descalabro, ausência do ato criador, apatia, desinteresse. Eventos existem para a satisfação de pseudo-intelectuais que não possuem as bases referenciais necessárias para a compreensão do que estão a ver ou a ouvir. O momento presente, se comparado aos meados do século passado, assinala uma regressão cultural sem precedentes. Como disse Millor Fernandes, a cultura é regra, mas a arte, exceção, o que se aplica sobremaneira sobre o estado atual da cultura baiana. Cultura se tem em todo lugar, mas arte é difícil, e a arte baiana praticamente não existe.

Coisas do arco da velha: Waldeloir Rêgo (antropólogo), Carlos Coqueijo Costa (advogado, compositor), Agnaldo dos Santos (escultor), Walter da Silveira (advogado, crítico de cinema), Vivaldo da Costa Lima (antropólogo), Mirabeau Sampaio (comerciante, escultor/ pintor), Virgílio de Sá (advogado e jornalista), [Carlito] Vasconcelos Maia (comerciante, escritor, diretor do turismo); anos 50, galeria Oxumaré, Salvador-BA.

Com o desaparecimento dos suplementos culturais e o advento de normas editoriais que privilegiam o texto curto, além da incultura reinante pela assunção do império audiovisual em detrimento da cultura literária (vamos ser sinceros: ninguém hoje lê mais nada), a crítica cultural veio a morrer por falência múltipla das possibilidades de exercício da inteligência numa imprensa cada vez mais burra e superficial.

Sérgio Augusto, crítico a respeitar, que militou nos principais jornais cariocas, em entrevista ao "Digestivo Cultural", site da internet (vale a pena lê-la na íntegra aqui), do alto de sua autoridade no assunto, afirmou que o jornalismo cultural está morto e enterrado, ressaltando que se fosse um jovem iniciante não entraria mais no jornalismo porque não vê, nele, perspectivas para a crítica de cultura (área de sua especialidade).

Dava gosto se ler o “Quarto Caderno” do Correio da Manhã com aqueles artigos copiosos, imensos, que abordando cultura e artes em geral, eram assinados por Paulo Francis, Otto Maria Carpeaux, Álvaro Lins, José Lino Grunewald, Antonio Moniz Viana, entre tantos outros. A rigor, todo bom jornal que se prezasse tinha seu suplemento cultural. Aqui mesmo em Salvador, vale lembrar o do Diário de Notícias e o do Jornal da Bahia (em folhas azuis). Atualmente, resiste o “Suplemento Cultural” de A Tarde (mas, mesmo assim...).
A inexistência da crítica de arte não diz respeito apenas ao soteropolitano. É uma constatação geral no jornalismo brasileiro. Mas, e os cadernos culturais e as ilustradas da vida?

Caracterizam-se pela superficialidade e servem, apenas, como guia de consumo, com suas resenhas ralas. Atualmente, os cadernos dois, assim chamados, são até contraproducentes porque elogiam o que deveriam criticar, colocando na posição de artistas personalidades que deveriam, no máximo, estar no departamento de limpeza de estações rodoviárias.

A crítica de arte serve justamente para isso: para, construtivamente, sem insultos, mas com argumentos sólidos, desmontar aquilo que não presta. Que falta não faz uma crítica de teatro séria, que, semanalmente, venha a apreciar o que se está a apresentar na cidade como literatura dramática! Ou uma crítica de artes plásticas. A interferência de um crítico faria corar muitos pintores que estão expondo na Bahia e posando como artistas. Assim também uma crítica de cinema que fosse menos paternalista com os "coitados' dos cineastas baianos cujas imagens são a de "franciscanos" em busca da expressão cinematográfica, mas cujos resultados, em sua grande maioria, remetem o espectador aos braços de Morpheu, quando não à aporrinhação.

Para se ter um pequeno exemplo: a emissora de tv de maior audiência da Bahia apresenta todos os dias, em seu noticiário, grupos de pagode, de arrocha, entre outros, que passam a impressão de que os soteropolitanos não possuem talentos musicais - o que não é verdade.

Se a miséria da cultura baiana é cristalina, a miséria da crítica cultural é, também, imensa. Que esmola pode ser dada para se acabar com ela?

Hoje, 23/11, 16 horas, na Rua Carlos Gomes, Salvador - BA. Viva João Henrique! Viva a Limburp! Beleza pura!

* André Setaro é escritor, professor e crítico de cinema. Entrevista exclusiva no LC aqui. Contato: setaro@gmail.com
foto 2: Jorge Amado e Zélia Gattai recebem Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir no inesquecível ano de 1960 na Bahia. Quando esteve em Salvador, o papa do existencialismo fez uma palestra na Escola de Teatro (dirigida por Martim Gonçalves) e, depois, disse que tinha vontade de andar de ônibus pelas ruas da cidade - de preferência em ônibus cheios e em pé. Achou engraçada a maneira de o cobrador dobrar o dinheiro entre os dedos - que não se usa mais na medíocre contemporaneidade.


foto 3: Voltaire Fraga


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

COMO PASSAR EM CONCURSOS PÚBLICOS?

“Quem quer crescer na vida aproveita a chance e torcer para ser sorteado.”

Por Elenilson Nascimento


Desculpe o trocadilho sem imaginação, mas “nem” seria preciso explicar quem é o traficante que está em todas as manchetes de todos os jornais e que é o campeão de audiência nas emissoras de TVs na semana em que o Brasil comemorou a proclamação da República. O cara foi o sucessor e herdeiro de uma estrutura de poder paralelo que durante 40 anos levou medo a um conglomerado de favelas encravadas num mesmo maciço: uma na encosta (Vidigal), outra no topo (Chácara do Céu) e a terceira num vale (Rocinha), todas com vista privilegiada para o mar do Rio de Janeiro “abençoado por Deus e bonito por natureza” — formando uma república com mais de 100 mil habitantes. Nem foi o último mandatário. Mandava matar inimigos, mandava expulsar moradores e mandava pagar propina a policiais.


E enquanto você estuda, trabalha, acorda cedo, paga infinitos impostos, pega ônibus cheio de baratas, é roubado por um bando de políticos e suas leis inúteis e ainda fica na esperança de um dia tudo melhorar, o bandido carioca comandava um selvagem esquema de produção e venda de cocaína e maconha que gerava um faturamento anual de R$100 milhões. Mas como é dura a vida de um facínora. Metade do que o “homi” ganhava ia direto para policiais militares, do 23º Batalhão, e civis, da delegacia da Gávea. Alguns podem chamar de propina, o traficante usava o termo “arrego”, mas não se engane: é mesmo desavergonhada corrupção policial.


O que nos resta então? Ficar sonhando que “estudando” vamos mudar o nosso futuro? Ou então, mentalizar que com “O Segredo” conseguiremos tudo na vida! Definitivamente não acho mais que estudando transformaremos a vida das pessoas neste país. Aliás, será que pode-se chamar o Brasil de país? Tenho minhas dúvidas. País é um território administrado por um governo que mantém a soberania sobre seu povo e suas fronteiras, garantindo assim o funcionamento e a ordem do fluxo de atividades que envolvem a sua economia e a sua sociedade. O nosso é o que mesmo? Uma lista de retardados que roubam descaradamente porque sabem que o povo é mesmo um bando de idiotas.


E quanto à ordem, administração e soberania sobre seu povo? Tudo isso é muito bonito nos livros e na Wikipedia, mas na prática, quem não “nasceu filho de”, “não casou com” ou “não deu para” vai ter uma visão bem diferente da realidade dos discursos fabricados por professores deslumbrados de faculdades ou de cursinhos pré-vestibulares. Eis que passo meses a fio estudando para um concurso público de assessoria de imprensa de uma cidadezinha no cu do mundo. Eis que gabarito todas as questões da prova. Isso mesmo: eu fechei a prova todinha! Eis que fico confuso ao ver minha colocação em décimo quinto lugar depois de conferir várias vezes o caderno de resposta. Eis que alguns meses depois, passo a centésimo quinto lugar por uma tal prova de títulos. E adeus cadeira pública!


Agora, não mais que de repente, o prefeito “mamão” de Salvador, digo, João Henrique, sancionou nesta última sexta-feira, 18/11, uma lei complementar nº 054/2011, que assegura aos afrodescendentes que se inscreverem nos concursos públicos municipais uma reserva de vagas em até 30%. Vale ressaltar que esse projeto de lei, aprovado por unanimidade na Câmara Municipal de Vereadores, em agosto, chegou até a ser vetado pelo prefeito “mamão” no início desse mês.


Uma outra inacreditável atitude de burrice democrática partiu da Secretaria de Educação da Bahia (SEC) que inscreve até o dia 30/11 para 7.844 vagas para cursos técnicos de nível médio. Mas burrice por quê? As vagas são para o primeiro e segundo semestres de 2012 e as oportunidades são para 49 cursos de níveo técnico (*a moda do momento), onde os interessados deveram ser selecionados através de sorteio eletrônico, isso mesmo, SORTEIO que será realizado no próximo dia 13 de dezembro às 15 horas. Mas os supostos aprovados ainda farão um teste de habilidade específica de caráter eliminatório para comprovarem que pelo menos sabem escrever. Ou seja, você quer mesmo crescer na vida aproveita a chance e torça com todas as forças para ser sorteado ou passar num concurso público em Salvador por ser negro.


Vale lembrar que não há lei nacional alguma sobre reserva de vagas em concursos para determinados grupos étnicos, apenas para deficientes físicos. Mas em estados como Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul há lei estadual que prevê cotas raciais em concursos dessa esfera pública. Mas alguns municípios do Rio Grande do Sul e Espírito Santo também já adotam a prática. Pode parecer tolo denunciar num blog que ninguém ler essa indústria do lugar algum ou o lado podre da polícia, no caso da prisão do Nem. Mas se um cara jovemzinho chegar pra mim e contestar sobre a necessidade de estudar, eu responderei como? Depois de tantos exemplos!


Se para o traficante carioca, depois de ter sido retirado de um humilhante esconderijo no interior do porta-malas de um carro, em cenas hollywoodianas documentadas por todas as redes de TVs, com aqueles policiais com jeito de Capitão América ou Rambo, nem perdeu o topete — o duplo sentido também cabe aqui — mesmo tornando-se um preso comum e de cabeça raspada, você acha mesmo que o jovemzinho sonhador vai querer me escutar para abrir um livro e se f... trabalhando como atendente de telemarketing? Quem estiver na lista de “arrego” do Nem, que se explique. Esse é o Brasil de todos nós!

domingo, 20 de novembro de 2011

QUE LIVRO FEZ A SUA CABEÇA?

Olha quem andou divulgando a antologia que eu organizei “Poemas de Mil Compassos” (2009): o ator e poeta famosão Fernando Diamantino – entrevista no LC aqui: “Tem procura, tem de amor, tem internet, tem protesto, tem vida, tem verdade e tem mais ainda – liberdade! Ah! Como é bom falar dela e viver ela! Ufa! Abaixo ao desejo de castração do poeta. Em “Poemas de Mil Compassos”, organizado por Elenilson Nascimento, não há temeridades, é fluidamente a seleção dos poetas e poemas. Há construção de uma ideia só, prezando as diferenças de cada um. Não choremos leites derramados, choremos as desgraças do mundo que insiste em não acordar para a poesia. Mas agradeçamos e também possamos sorrir toda vez que iniciativas particulares fizerem proveito de seres que pensam em evoluir de forma mais integrada ao mundo. Todos os poetas desta coletânea mostram isso, e mais do que isto, verdade em encarar uma folha em branco”.

O excelente ator e poeta Fernando Diamantino, que está no filme "Heleno" (*com o Rodrigo Santoro no papel principal), com o nosso livro "Poemas de Mil Compassos" (2009).


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fonte: Educar Para Crescer

sábado, 19 de novembro de 2011

A CABEÇA DE STEVE JOBS

No livro “A Cabeça de Steve Jobs” (*em inglês: “Inside Steve's Brain”), de Leander Kahney, lançado em 2008, retrata aspectos da vida e personalidade de Steve Jobs. Eu não li o livro, portanto, não tenho como fazer avaliações aqui. Mas, conforme sinopse da Livraria Cultura, o livro "é, ao mesmo tempo, uma biografia e um guia sobre liderança". Traduzido e lançado no Brasil em 2008 pela Editora Agir, o livro foi o sétimo mais vendido no Brasil em 2009 na categoria "autoajuda e esoterismo", conforme levantamento da revista Veja. Segundo Kahney, Jobs é um fascinante feixe de contradições. O autor destila os princípios que guiam Jobs ao lançar produtos arrasadores, ao atrair compradores fanaticamente fiéis e ao administrar algumas das marcas mais poderosas do mundo.


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fonte: Comendo Livros

CAMPANHA DA BENETTON TRAZ LÍDERES MUNDIAIS SE BEIJANDO

“Vejo com um intenso pesar essas manifestações idiotas que dizem que uma simples campanha publicitária esteja denegrindo a crença dos outros.”

Barack Obama, presidente americano, beija Hugo Chávez, presidente da Venezuela.

Por Elenilson Nascimento


Criada pelo polêmico fotógrafo Oliviero Toscani, a campanha publicitária 2011 da marca italiana Benetton, ganhou repercussão mundial devido ao seu conteúdo “impactante”, atual e demasiadamente real – uma nova campanha que promete ainda gerar muita polêmica entre os puritanos. Intitulada de “Unhate” (*“não odeie”), a campanha apresenta montagens de vários líderes mundiais se beijando na boca. A ideia inusitada tem como objetivo protestar contra a chamada “cultura do ódio”.


Há quem diga que religião, esporte, bunda e política são assuntos indiscutíveis. Ouvir isso até no meio acadêmico, onde o pedantismo ultrapassa as fronteiras do bom senso, mas isso porque nestes assuntos cada um tem a sua própria opinião e mesmo quando as preferências são as mesmas ainda podem existir (e normalmente existem) nuances que diferenciam os pontos de vista. Mas não se engane: você não deve ter opinião formada sobre nada. Tem que pensar igual a todo mundo.

O problema começa quando alguém quer convencer o outro que a sua opinião é a correta e as outras são as erradas. E, infelizmente, vejo isto com muita frequência nesses ambientes onde todo mundo baixa a cabeça e onde não existem questionamentos. Nisso, vejo, com certa incredulidade, formadores de opinião omitirem pontos de vistas totalmente deturpados com relação a essa nova campanha da Benetton. Conhecida por criar campanhas polêmicas com as fotos de Oliviero Toscani nos anos 90, a Benetton voltou a causar burburinho com o lançamento de “Unhate”, uma ação de protesto contra a “cultura do ódio”.


Nas “fotomontagens” – ao todo, são seis – o presidente americano Obama, por exemplo, aparece beijando o irascível Hugo Chávez, presidente da Venezuela e também Hu Jintao, presidente da China. Mas o estopim foi mesmo com a foto do Papa Bento XVI que aparece num singelo beijo com Ahmed Mohamed el Tayeb, imã da mesquita de Al Azhar no Cairo e também com o Mahmoud Abbas, líder palestino, beijando Benjamin Netanyahu, premiê israelense.


Revoltada, a Igreja Católica, como sempre, já se pronunciou. Em comunicado, o Vaticano considerou uma “falta de respeito, assim como ofensa aos sentimentos dos fiéis”, a “utilização inaceitável da imagem do Santo Padre”. A Igreja Católica deveria se sentir ofendida também com a banda podre que infesta o seu clero, ao invés de criar tumulto e tentar atrair atenção – se fazendo de vítima – para o suposto pecado de uma campanha publicitária. Lembram de Madonna com o vídeo “Like A Prayer” no final da década de 80? Foi a mesma coisa! Então, faça-se a luz. E a Dercy Gonçalves – sentadinha ao lado do Ser Supremo – ativou o interruptor.


Não acredito em Igrejas. Sei que isso pode ser uma coisa impensável para muitos dos leitores aqui do blog, mas é a verdade. E já escrevi isso várias vezes. Acho esse povo um bando de hipócritas e ordinários. Mas a nossa porca capacidade de entendimento do mundo permite que nós, reles seres humanos, fiquemos perdidos em meio ao universo, a vida e outros mistérios. E nisso a Santa Igreja Católica é uma expert em alienar os alienados, pregando toda essa ladainha sobre Deus, o amiguinho de toda a humanidade, o criador dos patos, pássaros, dinossauros e políticos(?) – veja bem, estou discutindo sobre a Igreja, e não sobre Deus – que não permite que o homem seja livre para escolher seu caminho e pensar como quiser.


Segundo esta Igreja, que se autodenomina a única verdadeiramente de Deus, todo mundo que não a segue está perdido em um mundo de pecado. Ui, tô dentro! Assim, podemos dizer que todo o oriente com seus “paganismos” tem destino certo: o fogo inferno! Are Baba! A inconsistência dessas ideias pobres em conteúdo e repletas de punições são tantas que recuso-me a tentar entender como as pessoas conseguem engolir tantas tolices. Porque ninguém questiona a Igreja com relação ao Deus assassino do Antigo Testamento?


Mas, voltando ao problema da Benetton, segundo os responsáveis pela campanha, o objetivo é promover “uma mensagem simples e poderosa de tolerância e paz”. Pois é. Existe também um filminho bem interessante que retrata o frágil equilíbrio entre o que leva ao ódio e as razões para o ser humano amar. E para estimular a participação do público, o site da campanha também traz o Kiss Wall, onde se pode fazer o upload de imagens.

A foto acima que despertou a ira do Vaticano deve, em breve, ser retirada pela Benetton. A fabricante disse em comunicado que sente que "o uso da imagem tenha ferido tanto a sensibilidade dos fiéis. O objetivo dessa campanha era apenas combater a cultura do ódio em todas as suas formas". O Vaticano, coitadinho, se disse ultrajado com a campanha e a condenou em termos fortes. "Isso mostra uma grave falta de respeito pelo papa, uma ofensa aos sentimentos dos fiéis e uma clara demonstração de como a publicidade pode violar as regras básicas do respeito às pessoas", disse o porta-voz do Vaticano, o reverendo Federico Lombardi, à agência France Presse (AFP). Me deixe viu!


Não estou aqui no blog com a menor intenção de descaracterizar nenhuma religião. Acho, mesmo não acreditando em religiões, que todas elas têm o meu mais profundo respeito. Mas vejo com um intenso pesar essas manifestações idiotas que dizem que uma simples campanha publicitária esteja denegrindo (*ainda posso usar essa palavra?) a crença dos outros. E quando os padres metem as suas rolas murchas em criancinhas cheirando a leite? Isso é permitido?

Se na teoria, a religião deveria ser um enorme freio para os erros humanos, pois a pessoa religiosa e temente a Deus normalmente deveria pensar em algo a mais antes de cometer erros e julgar os outros. E é exatamente nisto que deveria residir o lado bom de tudo isto. Mas, na prática, nem preciso explicar. Levanto aqui a bandeira da não disputa, principalmente dentro do meio religioso.

Se o nosso objetivo é sermos sempre melhores como seres humanos, e para isto existem muitos métodos, então vamos estudar mais, ler mais, observar mais, ser mais críticos, ao invés de sermos uma vaquinhas de presépios orquestradas por um bando de velhos sacanas. E no fim das contas seremos melhores se seguirmos o método que escolhemos e não os impostos por uma Igreja cada dia mais decadente. Se a partir disto começarmos a disputar qual o melhor método não vai sobrar tempo para praticar o método nenhum.

Campanha da marca Benetton levou para as ruas imagens dos líderes mundiais se beijando. O presidente norte-americano Barack Obama e o francês Nicolas Sarkozy são alguns dos retratados nas imagens.

O beijo do Papa Bento XVI, porém, deverá ser tirado de circulação em breve, devido a protestos do Vaticano.

Além das fotos, a marca ainda apresenta um vídeo, com o mesmo conceito de combater o ódio e a intolerância. O site da Benetton ainda traz um espaço no qual os internautas podem mandar suas fotos dando beijos, que serão montadas com imagens de pessoas aleatórias.

Até o Obama pode ser visto dando um beijo no líder chinês, Hu Jintao. População parou para registrar a campanha em loja em frente à Fonte di Trevi, em Roma.

Fotomontagens fazem parte da nova campanha “United Colors Of Benetton” chamada “UNHATE”. Nem a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy não ficaram de fora.

Quem quiser saber mais sobre Toscani é só acessar seu site: www.olivierotoscani.com – mas já vou avisando, é muito ruim esse site. Achei também algumas peças antigas de campanhas feitas pela Benetton, segue abaixo elas:

fotos: Agência France Press