quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ROCK IN RIO DEVIDAMENTE CLONADO COM GRINGOS PARA BRASILEIROS SALIVAREM

“O comportamento do público que vaia algumas aparições brasileiras parece convergir para a parcimônia do povo que legitima tudo que vem de fora.”

Por Anna Carvalho


Hoje recomeçou o Rock In Rio com uma homenagem ao Legião Urbana e que notificou a ausência de Renato Russo. Nem o Rogério Flausino, Pitty, Herbert Viana, Tony Platão e Dinho Ouro Preto foram capazes de juntos retomarem a ausência de Renato, uma crise na modernidade.


Muito bom o clipe ao fundo com um monte de denúncias de que o Brasil tem a mesma trilha sonora da época de Collor, essa genética da corrupção continua retroalimentando a veia de país que ainda rasteja cambaleante em torno de sua própria identidade ou talvez falta de verdade que mova o povo contra a corrupção, ao som de “Que país é esse?”. O espectro do Brasil da década de oitenta se apresentou como uma entidade pragmática de si mesmo, enfim, celebramos mais essa ausência, a ausência de uma voz de dissonância e de divergência.


Aliás, falta um Renato Russo para ser maestro de uma juventude que se acostumou a ver Lula recebendo título de honoris causa, a corrupção herdada por Dilma do governo do seu antecessor e que, por um milagre, as pessoas descolam de Lula essa aparição de pequeno ditador e com uma representação de direita na sua forma arrogante de governar. Parece até que os ministros que caíram não vieram do governo do suserano do PT.


Renato talvez puxasse para quem quisesse ver um coro como ele puxava para tratar de outro pequeno tirano, Collor. Engraçado que ali Lula seria um Dom Quixote com seus moinhos de vento, mas a gente se acostumou a se acostumar (poesia de Colassanti) e conviver com o pior do Brasil: um país de todos que parece cada vez mais com os ascetas que escolhem poucos.


Por outro lado, o comportamento do público que vaia algumas aparições brasileiras parece convergir para a parcimônia do povo que legitima tudo que vem de fora, basta ser gringo para que haja um acesso, um livre acesso ao que chamamos de ovação oportuna. Claro que Joss Stone arrasou com sua voz e com seu soul, mas a educação e subserviência cultural quase provinciana e conveniente faz com que o público goste dos falsetes em língua estrangeira.


Palmas para o Slipknot que reduziu a modernidade vendendo o macabro, a contracultura com máscaras horrendas e um show visceral, vendendo elementos de um satanismo de vitrine, mas que altera uma compreensão da fama, do rosto da fama, desse mundo de spots que faz com que todo mundo seja igual, buscando as mesmas coisas. Um monte de mascarados que vende a ideia do clown, dos medos, daquilo que a gente não queira ver.


Mas volto naquilo que parece ser uma sabatina de autorização do palco principal estar devidamente clonado com uma cultura de fora para que os brasileiros salivem e autorizem que um show seja mecânico ou motor ou um show visceral ou ainda um show com uma apresentação irremediavelmente metódica para que eles (os gringos) saiam com a impressão de que o público brasileiro seja ardente, mas só para eles, com as estrelas daqui qualquer desafinar, qualquer deslize é motivo para que um ritual de falta de educação sumária se faça presente.

imagens: reprodução

VIOLÊNCIA FRIEZA REVOLTA

É uma vergonheira desconcertante essa política de bajulações e troca de favores entre os ditos jornalistas e empresas de comunicação na Bahia. Mas, enfim, essa é a imprensa que temos. E a opinião pública nacional, se é que existe, eu duvido muito, é tratada como titica de galinha, com solene desrespeito. Não sem razão, alguns espertos locais copiam o LC em seus blogs e sites e nem citam a fonte. Depois ainda fazem ceninha e mandam bloquear o blog. Isso já virou baderna. Abaixo, o comentário do meu amigo ator Marcos Galdino, o Barrabás da “A Paixão de Cristo”, também deixando um recado à medíocre imprensa baiana.
“Quanto mais violência, mais frieza e mais revolta... daí, muito mais violência! É possível fazer um jornalismo que lhes deem o mesmo ou até, um melhor retorno sem "incentivarem" a violência? Essa educação está pelo avesso! Como pelo avesso estão as posições das coisas, a imprensa denuncia e a escola educa! O avesso é o que tem acontecido, a imprensa educa e a escola...cadê a escola? Sobrou para imprensa mesmo, educar, mas se vocês continuarem educando dessa forma nossa gente, principalmente os mais humildes que não tem acesso a outros entretenimentos, serão cada vez mais frios, se revoltarão com tanta violência e injustiça e darão mais notícia! Acima de profissionais, faço esse apelo ao ser humano jornalista para que tenha mais consciência com o que escreve, edita e divulga! Precisamos achar uma boa saída para a melhor degustação de todas as partes! Bom trabalho para vocês!” (Marcos Galdino, ator baiano)

MADALENA - O ÚLTIMO TABU DO CRISTIANISMO

Um dos muitos tabus envolvendo as mentiras da Igreja está relacionado com a figura da Maria Madalena que se tornou objeto de especulação. E antes de você ser enganado por fábulas fascinantes, deve se entender que muitos dizem coisas infundadas sobre o gnosticismo, filosofia que exalta a figura de Madalena, como, por exemplo, que nega a perfeição do Criador, dizendo que Jeová, e não o homem, causou a imperfeição e o sofrimento no mundo. Contudo, se você não for mais um bitolado ignorante frequentador de missas e cultos ultrapassados e decorador de frases feitas vai perceber que o gnosticismo não nega em parte alguma a doutrina fundamental de salvação pelo sangue de Jesus, mas diz que essa suposta salvação não vem só pela fé, e sim pelo CONHECIMENTO.


No livro Madalena - O Último Tabu do Cristianismo” (2005), o excelente escritor Juan Arias, renomado jornalista e especialista em temas bíblicos, apresenta essa polêmica e apaixonante história de amor e mentiras. Nem prostituta arrependida, nem mulher vulgar e endemoninhada. As lendas criadas desde as origens do cristianismo em torno de Madalena são absurdamente falsas, afirma o escritor. Então, clique aqui e leia a minha resenha no COMENDO LIVROS.


fonte: Comendo Livros, 10/09/11

FACEBOOK PARA JORNALISTAS? OU PARA JORNALEIROS?

“Essa é uma gentil homenagem aos competentíssimos colegas jornalistas da Bahia que nos fazem refletir todos os dias sobre o quanto o Jornalismo é útil para a sociedade com suas matérias cada vez mais... instigantes!”

Por Elenilson Nascimento


A repercussão negativa de um polêmico artigo de Anna Carvalho no LITERATURA CLANDESTINA, em que a competentíssima escritora afirmou que a Bahia anda muito ruim das pernas e, posteriormente, a postagem de uma ingênua imagem de um “Cristo se drogando”, onde a ideia era gerar algum tipo de debate sobre a posição das Igrejas e religiões, em várias comunidades para jornalistas baianos em redes sociais, me fez atentar para uma coisa bem pior do que aquilo que eu já sabia: a grande maioria dos jornalistas na Bahia não passa de bajuladores. O artigo e a imagem provocaram uma grande quantidade de comentários negativos e respostas nada a ver, alguns com ofensas e mesmo ameaças – até o LC acabou sendo hackeado , então decidi por um ponto final nisso e “me deletar” de TODAS essas comunidades idiotas cheias de gente deslumbrada, mas não antes de homenagear todos os jornalistas parasitas da Bahia. Resolvi então postar esse texto “suave e delicado”, colocando alguns pontos nos “is” e respondendo aos jornaleiros, digo, jornalistas mais furibundos e mal comidos.

Geralmente em cidades pequenas, províncias fedendo a cocô, tipo a minha, onde todos se conhecem e sabem da vida de todo mundo, é muito difícil de achar “jornalistas de verdade”, aqueles formadores de opinião (*mesmo sem diplomas, pois faculdades não formam mais ninguém), referências e tudo mais! O que temos hoje, principalmente na Bahia, são sempre aquelas mesmas pessoas que sabem um pouco mais da vida de fulano, bajula cicrano e fornece o monossílabo para beltrano e aquelas outras que sabem um pouco menos do que as primeiras sobre aquilo que não leva a lugar algum, e esses são os que assinam as colunas dos jornais. Mas o que pouca gente sabe é que quando os assuntos são política, matérias investigativas de verdade ou bajulações entre os próprios profissionais da imprensa, existem apenas dois tipos de jornalistas em Salvador, que são os “Lambe Cu” e os “Chupa Cu”, confira as características de cada:
O jornalista lambe cu:
É aquele ser hibrido que se acha acima do bem e do mal, que defende com todas as garras a sua classe, não importa muito se o colega for um beócio frequentador de festas de camisas de estrelinhas decadentes do axé ou um copiador de notas da internet, pois de todas as classes de trabalhadores do Brasil, quicá, do universo, só os jornalistas são perfeitos em tudo: a roupa que veste sempre é a melhor, a marca do cigarro é a que solta a fumaça mais longe, o perfume colorido é o mais cheiroso, a cor da cadeira da sala climatizada de redação é a mais bonita e seus belos quadros com a cara de Che pendurados na parede são os mais bem pintados. Defende sempre o projeto que faz, nunca tem erros, independente da pauta. Mas defende também o projeto que não faz, não fez e nunca fará, pois é incabível e inconstitucional. Seus textos nunca são monótonos e suas verves merecedoras de uma cadeira cativa na ABL. Todas as suas opiniões são licitas e defendidas por TODOS os “amiguinhos” de diploma empoeirado conseguido à base de seminários utópicos na UFBA. Se algum alienado, como eu, entrar sem querer em suas religiosas comunidades no Orkut, Twitter e Facebook para questionar alguma coisa, nem que seja para reclamar de política, será literalmente banido, execrado e chamado de deselegante, pois TODOS OS LAMBE CU buscarão razões plausíveis e convencedoras, além de todas as justificativas possíveis para mostrar o quanto são mais inteligentes e sociáveis entre si. E você não caia na besteira de dizer que algum LAMBE CU pré-histórico na comunidade é um grande imbecil, pois ele pode se rebelar e se fazer de vítima para que os outros imbecis saiam em sua defesa. Se um dia você estiver num carro oficial do jornal e o jornalista perfeito “peidar”, dirá que o cheiro é maravilhoso. Mas não esqueça: se você conseguir entrar numa comunidade virtual de jornalistas da Bahia, solte rojões quando algum desses seres híbridos manifestarem as suas opiniões incríveis sobre a cor da calcinha da Ivete ou sobre a nova cor de cabelo da Cláudia Leitte. Estenda um tapete vermelho! Diga o quanto os textos no “A Tarde” ou no “Correio da Bahia” são incríveis! Melhor ainda é dizer que a “Muito” é muito boa e que o “Massa” é muito massa! Ri das piadas infelizes e cheias de frases feitas copiadas do Google e coladas na comunidade, mesmo que sejam completamente sem graça, é como dar um upgrade na sua permanência entre a nata do jornalismo moderno da Bahia. Mas concordar com todos os LAMBE CU e com todas as conversas chatas sobre o quanto a moça da TV Bahia é linda é THE BEST.

O jornalista chupa cu:
Já essa segunda categoria de jornalistas infesta TODAS as comunidades existentes na rede, passa o dia inteiro procurando desafetos para desqualificar as suas vítimas e acha que valorizar o passado, mesmo que este seja medonho, é o máximo. Um famoso qualquer disse um “Oi”, lá estão os jornalistas CHUPA CU mandando beijinhos e contando “causos”. Tudo o que um herege postar, principalmente se cair na besteira de postar uma imagem de um Cristo drogado, será motivo de chacota. Os CHUPA CU não perdoam, defecam em cima! Seu lema é sempre “Si és de qualquer outra área, sois contra”. Mas jamais sem perder a ternura. Qualquer deslize e falta de compostura na hora da bajulação entre eles é motivo de ser chamado de “asco”, “coisa”, “alienado” e “deselegante”. Mas tudo com muita erudição, pois tudo é motivo de notícia e sem apuração, doa a quem doer. Jornalistas CHUPA CU odeiam aqueles que gostam de escrever, talvez porque eles não escrevem nada, só copiam. Os CHUPA CU nunca produzem absolutamente nada, não gostam de livros, não gostam de música (só ouvem Chico), vivem de glórias momentâneas do passado e se alto valorizando. Se você foi numa festa na periferia, querem logo saber que tipo de festa foi, se teve muita gente feia e pobre e se você foi assaltado. Todos os cargos valorizados por jornalistas são aqueles ligados maternalmente às tetas. Mas se essas forem do próprio governo, através de seus editais de cultura que beneficiam somente as panelinhas, melhor ainda. E nas campanhas pelas redes sociais é “a coisa”, depois que está com a Máquina é Rei Absoluto. Se bem que tetas são sempre tetas! Jornalistas CHUPA CU dizem sempre que o prefeito mamão, digo, João vai para as igrejas para ver e ser visto, ou assediar o pastor ou o padre, mas evitam publicar uma notinha sequer sobre a inoperância dos poderes públicos para não se comprometerem. Jornalistas CHUPA CU adoram postar aqui e ali que o governado Wagner é um baba ovo do PT – se bem que ele é mesmo – que ficou rico porque fez Caixa 2 e que se fosse o verdadeiro dono da Rádio Metrópole, o Mário Kertész e o Aragão seriam apenas laranjas. Mas se tudo der errado na minha vida literária, acho que vou virar jornalista de verdade!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

RESPOSTA AOS ATAQUES DA “ELITE” DO JORNALISMO BAIANO

“Não somos professores frustrados, mas o país nos frustra com uma espécie de limbo, alienação que nos permite ficar silenciados com esquemas sórdidos de alienação...”

Por Anna Carvalho


Nada tão suntuoso como a resposta de Bush a Bin Laden, mas vamos ao que vou chamar de “elite intelectual baiana” a que emberna no verão e se programa para as famigeradas lavagens, feijoadas e que talvez passe pela Avenida Contorno e veja o quanto de bucólico exista nas imediações das Docas: famílias inteiras desespetacularizadas e à margem de todas essas discussões. Mas seria melhor discutirmos outros problemas como a expectativa futurista de um governo que faz da cidade um plano de concreto a espera do que vai chegar (*que um berimbau nos “conte”).


LEITURA – Não somos professores frustrados, mas o país nos frustra com uma espécie de limbo, alienação que nos permite ficar silenciados com esquemas sórdidos de alienação e deslumbrados com o que Salvador oferece no verão. E educação falta a essa mesma “elite” que incorpora defesas passionais diante da Boa Terra, sendo incapaz de ver que o texto problematiza uma outra questão: esse jeito de ser meio egocêntrico que ultrapassa o direito do outro.


É só ver como o baiano se comporta nos finais de semana. Ponto. Liberdade de Expressão também para professores frustrados com a incapacidade de leitura de alguns. Um problema tratado com um tema: “analfabetismo funcional”. Mais respeito com o professor, por isso alguns (dessa “elite em questão”) ainda sobrevivem marcando essa cidade que morre a cada inverno e o que é pior, morre em plena alegria.


ELITE INTELECTUAL – Parece que somos uma província de um país que nos entende como um “parque temático” e que só vive no verão enquanto o resto se dane imerso numa “deseducação” progressiva. E aqui vislumbro o Pós Modernismo como mecanismo de ilustração retórica, inacessível para alguns, numa deseducação que oculta essa cidade que não deu certo e que se faveliza impunemente diante de Poderes Públicos refestelados de poder, fundamentalismos e “Pão e Circo”.


É legal vender uma Salvador que deu certo em vinhetas solares e com um multiculturalismo cromoterápico em fevereiro, mas falar de um jeito que ostenta as mazelas de uma cidade suja, sem administração e omissa em cicatrizes também faz parte da questão levantada no artigo: o baiano se movimenta em torno de si próprio.


ESPETACULARIZAÇÃO – É necessário que Salvador se oriente, sazonalmente, essa mesma cidade que se apresenta ocupando módulos policiais porque, provavelmente, não pode mais ficar no entorno da Fonte Nova sendo “remodelada” para o que de mais importante se apresenta. Então, faça com que o texto que problematiza o ser baiano entre no bedel de uma teoria de mediocrização, mas que não funciona como agente.


Essa retórica de defesa do jeito cordial do homem da Boa Terra que vai receber bem o turista e se virar no verão é para gente que vive nessa farsa. É, sem dúvida, nos falta diplomacia. É como se tudo isso fosse resolvido nos quadris ao som de qualquer som que nos feneça coisa alguma.


O LADO B – Chamaremos de um lado que troca feridas por amenidades: a cidade precisa estar sintonizada com essa “elite” que vai achar lindo e divulgar o Carnaval mais democrático da Terra, todo mundo em seu lugar, devidamente separado nesse “apartheid melancólico” que a Boa Terra oferece junto com essa bendita alegria nesse jeito de ser que nos delega lugares, como parte de um latifúndio ou manutenção de feudos. Para terminar, ao contrário de muitos ascetas, fui elegante e não atingi classe de “professores frustrados” com essa política canalha de “Pão e Circo”. Mais respeito com professores!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

LETIERES LEITE: “EMPRESÁRIOS DE ARTISTAS PRETOS DA BAHIA SÃO TODOS BRANCOS”

Em entrevista à coluna "Entretenimento", o músico e arranjador Letieres Leite, líder da aclamada Orkestra Rumpilezz, critica a indústria cultural na Bahia, a qual, conforme considera, encontra-se na mão de uma oligarquia difícil de ser desafiada. Segundo ele, cerca de cinco famílias comandam o mercado de entretenimento local e os casos de independência desse pequeno círculo são muito raros. “Os artistas pretos tudo têm empresários brancos. (...) Artistas negros independentes são chacotados. São considerados gênios, mas malucos. [É o caso de Carlinhos] Brown”, afirmou Letieres. Percussionista e saxofonista responsável pelos arranjos de alguns dos maiores sucessos de Ivete Sangalo, como “Festa” e “Abalou”, o músico comentou a relação da artista com os subalternos e deu seu pitaco sobre o processo movido por Toninho Batera, que pediu R$ 5 milhões em indenização trabalhista à estrela. Letieres Leite e sua “big band” abrem a quarta edição do “Rock In Rio 2011” nesta sexta-feira, 23/09, no palco Sunset, espaço dedicado a representantes da música brasileira em ascensão.

fonte: João Gabriel Galdea/Bahia Notícias

DEPOIS DE TER SIDO ENTREVISTADA NO LITERATURA CLANDESTINA, CHEGOU A VEZ DE APARECER NO PROGRAMA DO JÔ

Tammy Luciano é escritora e atriz e acaba de lançar o livro “Sou toda errada”, em que conta as aventuras de Mila, personagem que inferniza a vida do ex-namorado. E depois de ter sido entrevistada no LITERATURA CLANDESTINA, chegou a vez de passar pelo sofá do Programa do Jô.

A entrevista foi ao ar na última quarta-feira, 21/09, onde ela falou sobre as diversas pontas que fez na TV, principalmente no extinto programa “Linha Direta” onde morreu várias vezes. A escritora também falou dos vídeos que faz para a internet e comentou o mais popular, “Não Refica” em que dá dicas pras mulheres não ficarem de novo com um cara que tenha pisado na bola com elas.

Temos de ter muito orgulho de mais essa escritora querida que merece todo o sucesso do mundo! Ah, e podem aguardar novidades porque ela acaba de anunciar que vai lançar seu próximo livro pelo selo Novo Conceito Jovem. Minha querida, todo o sucesso do mundo para você. Sucesso hoje e sempre!

Autografo do gordo.

Nos bastidores.

Os entrevistados da noite.

>>> clique aqui e confira o vídeo da entrevista no Jô <<<

fotos: TL/divulgação

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ROCK IN RIO É ROCK IN ROLL?

“Se eu não bocejar, talvez traga mais notícias de bastidores para vocês.”

Por Elenilson Nascimento


Mesmo tão pequeno e com fortes inclinações para a música infantil e para o Menudo (risos), posso dizer que tinha um gosto sofisticado também e considerado muito bom para quem tinha tão pouca idade. Lembro bem do "Rock In Rio", que foi um sucesso na sua primeira edição, em 1985.

A grande fama do festival da música deveu-se ao fato de que, até sua realização, as grandes estrelas da música internacional não costumavam visitar a América do Sul. Ali o público teve a primeira oportunidade de ver de perto os ídolos do rock e do pop internacionais.


Depois de dez anos fora do Brasil, faltam apenas algumas horas para o retorno do maior festival de “entretenimento do mundo” para o país onde foi criado. O “Rock In Rio 2011” começa nesta sexta-feira, 23/09, e deve atrair mais de 700 mil espectadores com um feito inédito: todos os ingressos foram esgotados em pouco mais de dez horas! Eu, como sempre, fiquei decepcionadíssimo com as atrações, mas deixa quieto!


Nessa quinta-feira, a movimentação em torno da Cidade do Rock, palco das atrações do festival, já era grande e conta com fãs e curiosos em saber o que se passa atrás dos portões. Logo no primeiro, o Palco Mundo terá a honra de receber “Sir” Elton John. E, na mesma noite, duas jovens vão se apresentar: a chatinha da Katy Perry e a gostosa Rihanna. O Brasil será representado pela nada a ver da Claudia Leitte.


No sábado, 24/09, é a vez dos californianos do Red Hot Chili Peppers serem a atração principal, depois dos brasileiros NX Zero (*meu Deus do céu!) e Capital Inicial, e dos britânicos do Snow Patrol. Fãs da banda americana já acampam no Rio de Janeiro, principalmente na Praia da Macumba, em uma tentativa de curtir o festival sem gastar muito. Para encerrar o primeiro dia do “Rock in Rio 2011”, os americanos do Metallica tocarão para as mais de 90 mil pessoas que já garantiram seu ingresso. Durante a tarde de domingo, 25/09, haverá show das bandas brasileiras Angra, Sepultura e Matanza, no Palco Sunset. À noite, Slipknot e Motorhead, além do próprio Metallica, são os destaques. O segundo final de semana do “Rock In Rio” começa na quinta-feira, 29/09, com Stevie Wonder como atração principal. Mas não fica por aqui: um show especial de abertura está sendo planejado com muitos músicos e artistas convidados. ISSO QUE É ROCK! Se eu não bocejar, talvez traga mais notícias de bastidores para vocês. Puxa, que saudade do Queen, Ozzy, Van Halen, Genesis e Kiss.


E se a lista do palco principal ficou muito aquém do esperado – só falta agora para essa edição 2011: a Sandy, Padre Marcelo e o Parangolé – alguns artistas brasileiros e internacionais de “alta qualidade” vão tocar também em palcos menores. Haverá encontros entre Bebel Gilberto e Sandra de Sá, Ed Motta com o grande bluesman português Rui Veloso, e o guitarrista Andreas Kisser. Confira abaixo na coluna de Nelson Motta:


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A EDUCAÇÃO É UMA MENTIRA

“Cansei dessas mentiras propagadas em propagandas lindas com carinhas felizes crianças melequentas, enquanto não se faz quase nada. Só falar já gastou, já cansou, já desiludiu, já perdeu a graça.”

Por Elenilson Nascimento


Temos, segundo o governo do PT que não nos deixa esquecer nem por um só minuto, o maior programa de distribuição de renda do mundo — chupa essa Obama! — ou, pelo menos, é assim que a máquina de propaganda oficial descreve o Bolsa Família, Bolsa Miséria, e o Bolsa não sei mais o quê. Esse governo nos garante, também, que nenhum país do mundo é melhor que o Brasil no combate à fome e a miséria. Os poços de petróleo brasileiros no mar são os mais fundos do mundo, e o Brasil é o país que mais ganhou Copas no futebol mundial. Por tanto, se há uma coisa que o Brasil tem de sobra hoje em dia são os títulos de mais, melhor ou maior do mundo. Puxa, impressionante!


Contudo, temos também o maior exame para avaliar a maior educação fracassada do planeta, quiçá, do universo. O último ENEM deixou bem claro que a nossa educação não passa de mais uma área esquecida pelo poder público, por mais que o governo invista milhões em publicidade enganando a população dizendo que se tem melhorado a educação desse país.


Há quem diga que sou pessimista demais. Posso até ser mesmo. Há quem diga que sou alarmista demais. Posso até ser mesmo. Talvez eu tente apenas ser mais uma pessoa observadora deste país. Um colunista de blog clandestino com temas repetidos. Mas como eu posso ficar quieto vendo esse governo mentiroso alienando ainda mais esse povo abestalhado.


Para o governo é muito mais fácil dar uma péssima educação em faculdades particulares e públicas e bancar estudantes com “bolsas de estudos de ficção”, assim, agradam aos empresários da educação e ganham votos desses alunos “retardados universitários e comedores de cocô em festas de camisas” que só conseguem chegar a uma universidade por esse meio, pois nunca tiveram uma educação de qualidade que os capacitassem a concorrer de igual para igual. Se bem que concorrer a uma vaga numa universidade federal, por exemplo, dessa forma, é uma utopia.


Aqui no Brasil é assim, o pobre estuda em escolas podres e públicas e ingressam em universidades particulares e caras com o Prouni; os ricos estudam em escolas particulares e caras e ocupam as universidades públicas e cheias de greves. Ainda hoje fala-se muito, grita-se muito, escreve-se muito, publica-se muito, posta-se muito, bosta-se muito e haja teorias das conspirações e reclamações ao vento. Ação que é bom? Muito pouca, que eu perceba. E os males foram-se acumulando de tal jeito que é muito difícil reorganizar o caos.

Esse é o nosso país da Copa de 2014, aonde se investe milhões em programas assistencialistas para tapar buracos, se desvia bilhões com corrupção e se aplica muito mais em publicidade para disfarçar tudo isso.


Há coisa de dez anos, eu ainda estava entediado nos bancos da UCSAL, cursava Letras, desmotivado, achando tudo aquilo de uma inutilidade só e cheio de professores deslumbrados com a sua situação de cuspidores de ócio. Já naquela época, percebia que os meus colegas de curso, assim como eu, (*futuros professores comedores de pó de giz e limpadores de narizes de criancinhas melequentas), na sua grande maioria, alunos saídos de escolas enfraquecidas pelas providências estrategicamente negativas do governo.


Fala-se muito que a economia melhorou, que o Brasil não vai sofrer com a crise mundial, enquanto que os países que sofrem muito mais que o nosso, tem, sem dúvida, uma educação muito mais elevada do que a nossa. Mas, no nosso país, a diferença principal entre a escola particular e a escola pública é que, na pública você não paga para crescer burro. Na particular, você paga para ser um pouco menos burro. Tiraram a possibilidade de pensar da meninada melequenta, tiraram latim, tiraram francês, tiraram filosofia, tiraram poesia, tiraram literatura, tiraram os próprios livros, tiraram as boas cabeças de professores e foram tirando a seriedade, o comprometimento, a alegria, a determinação e o trabalho, pois tudo virou a moda do “aprender brincando”.


Agora sai na imprensa um relatório alarmante. Metade das crianças melequentas brasileiras na terceira série do ensino elementar não sabem ler nem escrever. Não entende para que serve a pontuação em um texto, muito menos um livro. Mesmo assim, ainda dizem que nosso país está evoluindo, mas na verdade nosso país caminha por uma estrada que levará a incompetência intelectual. Tem uma pequena quantidade de pessoas que consegue se destacar, mas poderia muito mais, contudo não é com bolsa esmola qualquer coisa não, mas sim, com direito a igualdade.


Faxinar a miséria é um louvável desejo da nossa presidenta, é essencial para nossa dignidade. Mas faxinar a ignorância – que é uma outra forma de miséria – exigiria muito mais do que falas grandiloquentes sobre educação. Cansei dessas mentiras propagadas em propagandas lindas com carinhas felizes crianças melequentas, enquanto não se faz quase nada. Só falar já gastou, já cansou, já desiludiu, já perdeu a graça.

Não há dinheiro suficiente, muitos engravatados dizem. Se os quebra-quebra lá em Londres são reflexos de uma juventude cada vez mais dependente, insatisfeita e ressentida, criada pelos excessos de políticas estatais assistencialistas, o que podemos esperar dos jovens do lado de cá? Votação pela internet para a gostosa da vez ficar no BBBosta?


Mas políticos f.d.p. aumentam seus salários de maneira vergonhosa, a máquina pública gasta nem se sabe direito onde, enquanto preparamos gerações de ignorantes, incapacitados e alienados, que os profissionais da educação dizem: “devem aprender brincando”. O Glauber um dia falou que o melhor era ter "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça". Hoje todo mundo tem celulares com câmera, mas onde estão as ideias? A educação brasileira, como tudo no Brasil, continuará, como agora, escandalosamente reprovada e alienada.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

ENTREVISTA COM O MÚSICO MAURÍCIO ZERK

Conheço muita gente do meio musical aqui de Salvador, mas nunca recebi muita atenção pelo fato de não ser famoso ou muito comentado. Um bando de falidos que não grava nada e que quando grava, faz merda.” (M.Z.)


Por Elenilson Nascimento


Depois de meses esperando essa entrevista, sob os braços, o rabo e bênçãos de Iemanjá, enfim, o músico baiano Maurício Zerk tomou coragem para esse bate papo aqui no LC. Ele se considera um autodidata, gravou a primeira demo em 2004 com a banda Via Dupla, já participou de vários festivais de música e também já fez parte de várias bandas de rock em Salvador, além de participar da antologia “Poemas de Mil Compassos” (2009) e ter lançado o excelente álbum “Agosto”, em 2010.


Avesso à imprensa, o cantor e compositor contou um pouco como tudo começou, as influências, a mudança em sua vida depois do ótimo disco “Agosto” e seus singles cheios de covers de John Lennon e Madonna, apesar de ter se recusado a responder várias perguntas. Mas ainda tivemos tempo para falar sobre o processo de composição, internet, fãs e sua timidez.


Zerk ainda abriu o jogo sobre as suas parcerias, soltou o verbo contra a mesmice que infesta a capital baiana, contou mais sobre o seu último trabalho "Eu Me Repito Muitas Vezes e Te Comovo Muito Mais", com uma mistura de pop e rock – baixe aqui –, que resultou num disco autobiográfico. Divirta-se, imperdível para os fãs de rock de boa qualidade e de conversas descontraídas.


Elenilson – Fale um pouco desse conceito que envolve esse novo álbum principalmente sobre o tema das faixas "Descontínio" e "Para não sentir".


Maurício Zerk - Trata-se de um conjunto próprio de concepções. O disco é sobre amor, sobre o que melhor sei dizer, sobre o cotidiano... Não existe nada muito específico. Dei prioridade à sonoridade. Para mim é fundamental se criar bons arranjos que, na maioria das vezes, acabam ofuscando as letras, ainda mais no meu caso que não escrevo tão bem assim.


Elenilson – A introdução da música “1993” é perfeita. Essa música fala de sonhos, ou melhor, da falta deles. Essa canção é autobiográfica?


Maurício Zerk - Sim, o disco é autobiográfico. Tudo que escrevo é. Cada verso é uma parte de mim, um evento, um acontecimento. "1993" fala sobre o encontro com a vida, relata uma busca desesperada por um amor confuso que se foi. Eu tinha acabado de reatar com meu namorado e fomos juntos para o estúdio nesse dia finalizar as vozes... e na viagem acabei mudando a letra da música.


Elenilson – “Morrer de amor ao pé da tua boca...” Está apaixonado Maurício?


Maurício Zerk - Não necessariamente. Essa letra é da Maria Tereza Horta e foi amor a primeira visão. Estava com a música pronta e não conseguia escrever nada e escolhi essa letra da Maria porque a acho uma poetisa de mão cheia. É minha predileta. Foi feita no susto, em 5 minutos.


Elenilson – Algumas músicas de "Eu Me Repito..." mostram bumbos e até harpa e um peso que eu diria que torna esse disco mais maduro do que o seu anterior. Tem umas músicas pesadas e cheias de veneno que faz lembrar os bons tempos do Angra. Você concorda com isso? Teria sido apenas uma boa influência nesse novo disco?


Maurício Zerk - Bom, o meu som é reflexo do que ouço no dia-a-dia. Existem várias influências nesse disco. Tive mais tenho para terminá-lo do que o disco anterior que foi feito em apenas três meses. Ouço de tudo que você possa imaginar. Do Chico Buarque ao samba-reggae do Ilê Ayê. Da Madonna ao som indie e maravilhoso da PJ Harvey que é uma das minhas maiores influência, então, quando vou compor e criar involuntariamente acabo criando um estilo próprio. Nunca me apego ao um estilo ou som específico. Crio.


Elenilson – Porque “Boas Novas”, do Cazuza, foi escolhida para ser apresentada ao público antes do lançamento do disco? Você acha que ela resume a sua nova fase, algo como um carro-chefe?


Maurício Zerk - Sempre gostei do Cazuza, cresci ouvindo seu som desde a época do Barão. Muita gente não gostou da minha versão, mas eu a adoro. Escolhi como carro chefe simplesmente pelo fato de ser uma canção bonita e para homenageá-lo.


Elenilson – Como está sendo a resposta às novas músicas, principalmente pessoas da imprensa?


Maurício Zerk - Nossa, eu não imaginava que as críticas ao disco seriam tão empolgantes. Até agora só li boas críticas. Claro que existem sempre um e outro que torce o bico, que me chamam de maluco por fazer um som tão indie nessa cidade que valoriza tanto outros estilos musicais. Mas não me apego a esses comentários e críticos desocupados.

Elenilson – Como foi trabalhar com um cara antisocial e difícil como Elenilson na música “Viciado”? Como foi o processo de escolha da canção? E como é transformar um poema em música?


Maurício Zerk - É sempre bom trabalhar com o Elenilson. Desde que musiquei seu primeiro poema me apaixonei pela sua forma de escrever. Ele é super liberal e compreensivo quando encontro dificuldades. Existem caras que não permitem que você “corte” nada na letra, por exemplo. Com o Nascimento não, ele sempre deixa a “faca” em minhas mãos. “Uma Visão Contemporânea” é uma das minhas canções prediletas. Fui feliz fazendo aquele som. Foi meu mantra durante muito tempo.


Elenilson – Contando com todo o exagero da resposta, enfim... Normalmente as pessoas acham que pelo fato de você ser músico, não faz mais nada além de escrever. Não come, não fode, não defeca. Comenta.


Maurício Zerk - A única coisa que diferencia o Maurício Zerk artista das outras pessoas é que disponibilizo um tempo há mais da minha vida para fazer aquilo que eu diria que é meu elixir. Adoro sair à noite, principalmente com meus cachorros. Bebo quase todos os dias com meus poucos amigos... um baseadinho de vez em quando também faz muito bem a saúde mental.


Elenilson – Cite umas bobagens que surgem no meio da madrugada entre um trago e um afago num viralatas...


Maurício Zerk - É nessas horas que nascem “canções hits”. As minhas melhores canções apareceram nessas madrugas entre esses tragos e afagos que sempre estarão no meu dia-a-dia.


Elenilson – A música “Aviso Prévio” (que é dividida em duas partes) mostra dois elementos distintos: influência da música brasileira e ao mesmo tempo passagens progressivas. Lembrei tanto do último disco do Cranberries. Achei linda. Uma das melhores do disco. Primeiramente, fale sobre as suas influências que aparecem nesse disco.


Maurício Zerk - Já respondi isso antes né. Tudo que ouço é reflexo do crio e vice-versa.


Elenilson – A outra questão se refere ao fato de os elementos progressivos estarem mais em evidência. Em diversas músicas do seu disco existem passagens bastante modernas e progressivas. Em outras, parece um disco dos anos 60. Poderiam comentar um pouco sobre isso?


Maurício Zerk - Durante a criação do disco ouvi muita coisa da Marina Lima, principalmente seus últimos dois discos. PJ Harvey, Amy Winehouse e The Queen Of... também estavam lá. Ouvi muito os discos do Tim Maia dos anos 70 e acabei levando um pouco de cada para o “Eu Me Repito…” Tenho medo de finalizar um disco e o ouvinte ter a impressão de ter escutado a mesma música do inicio ao fim. Eis aê a minha preocupação em relação à sonoridade!


Elenilson – Especialmente em “Acesso”, percebe-se o uso de bateria eletrônica numa balada jazzística bastante técnica. Você poderia falar um pouco sobre isso?


Maurício Zerk - A princípio seria um disco de jazz/blues, mas acabei me perdendo no meio do caminho. Conheci uma banda de trip hop que me deixou louco e acabei criando “Descortínio”, por isso o disco todo navega com esse estilo, mais calmo, sem deixar trazer o peso do rock in rool.


Elenilson – Zerk, seu vocal tem ficado em destaque absoluto em todas as músicas desse novo álbum. O que você acha que mudou e/ou se destacou tanto neste álbum?


Maurício Zerk - Para dizer a verdade, meus recursos são muito poucos. Gravo tudo em casa, mas nesse disco preferi gravar as vozes em um estúdio profissional. E o que mudou... não sei. Tentei melhorar mais a minha dicção que antes era um terror. Gritava muito e as pessoas reclamavam que não conseguiam entender direito o que eu falava. Fiz algumas aulas de técnica vocal em casa mesmo, com curso a distancia e acho que me dei bem. (risos)


Elenilson – Você já se arrependeu de alguma escolha?


Maurício Zerk - Em relação à música sim. Odeio “Olha Só” do disco “Agosto”. Me arrependo amargamente de ter colocado ela no disco, assim como meu cover para “Ray Of Light”.


Elenilson – Como é você lidar com esses dois lados: sucesso e deserto?


Maurício Zerk - Hoje lido muito bem com isso... Quando encontro pessoas na rua que curtem meu som é aquela coisa. Nos shows então... Tudo vem com seu ônus e o bônus. No início eu tinha depressão pós- show. Batia um vazio terrível sempre que eu terminava um espetáculo. Vê todo aquele movimento e logo em seguida me via sozinho num quarto de hotel... era aterrorizante. O segredo é buscar o equilíbrio.


Elenilson – Sabe-se que a maior dificuldade da produção cultural num país como o Brasil é despertar o interesse e fazer acreditar num projeto. O que chama muito atenção é a falta de criatividade e de profissionais de talento para inventar novos atrativos. Muitos profissionais acabam recorrendo a modelos que já inspiram sucesso em outros lugares. Exemplos: festas de camisas, feijoadas, lavagens, etc. Por onde anda a criatividade brasileira tão difundida na sociedade?


Maurício Zerk - PERDIDA! Existe muita gente boa fazendo um som muito bom, mas como disse antes, acabam sendo ofuscado por esse mercado que está aê. Eu, por exemplo, foco meu tempo no que é meu, no meu som e consequentemente coisas acontecem, pessoas acabam se encontrando naquilo que faço. Seguir padrões não rola comigo... ando desconectado dessa panelinha.


Elenilson – Você disse numa entrevista que “o Brasil é um arquipélago de artistas e que temos um panorama rico e múltiplo”, mas, afinal, onde estão todos esses artistas?


Maurício Zerk - Escondidos, trabalhando e fazendo o melhor que sabem. Acho que sou um bom exemplo, não?


Elenilson – Como você vê a movimentação (ou não) de músicos, autores, atores e vários outros artistas anônimos na internet?


Maurício Zerk - A internet foi tudo nesse aspecto. Até convites para fora do país eu já recebi depois do meu último disco. Mas o ideal é tocar seja lá onde for... qualquer buteco, qualquer esquina... não existe nada melhor. Não existe melhor divulgação.


Elenilson – Sua poética revela sempre algo de visceral. Até que ponto você é mais vísceras que cérebro?


Maurício Zerk - Ah... não sei se deveria dizer que sou mais um do que outro. Tudo, as ideias, cada passo é “fabricado” aqui, no cérebro, onde tudo é visto e revisto.


Elenilson – Uma coisa que me irrita muito nesse meio cultural de Salvador são as panelinhas. Eu sou amigo de fulano que é amigo de sicrano e não quero trocar ideias com o anônimo que não é amigo de ninguém. Comenta.


Maurício Zerk - Isso te irrita? Eu já estou acostumado. Conheço muita gente do meio musical aqui de Salvador, mas nunca recebi muita atenção pelo fato de não ser famoso ou muito comentado. Um bando de falidos que não grava nada e que quando grava, faz merda. Sou muito mais comentado no Sul do que aqui na terra do axé. Na verdade, o que rola mais é esse estereótipo que todos nós já conhecemos e eu, felizmente, não me enquadro nele.


Elenilson – Olhando as suas capas de discos e singles, as artes plásticas são fonte de inspiração para sua poética?


Maurício Zerk - As capas de disco, assim como a música e minha poesia, refletem quem sou, o que estou e pra onde quero ir. (risos)


Elenilson – De que forma a sua poesia também dialoga com a música?


Maurício Zerk - Digamos que de forma cênica. A música de alguma forma traz satisfação a quem está a ouvindo. Sendo assim, já que a música está intimamente ligada à poesia, tento fazer tudo que um poeta faz: contar histórias e estórias.


Elenilson – Trocar ideias com pessoas fora da área te excita?


Maurício Zerk - Claro que sim. Tudo é informação. Sou uma espécie de esponja que vai sugando tudo que acho interessante. Tudo aquilo que pode ser usado no meu som assim como no meu cotidiano. Tenho muito mais amigos escritores do que músicos, por exemplo, e nossos encontros são sempre extasiantes. Adoro o Eduardo Penteado, escritor carioca, nossas trocas de figurinhas acabam sempre em ideias musicais.

Elenilson – Em que lugar você se coloca nesse debate em torno dessa política cultural incompetente implantada por Marcio Meirelles?


Maurício Zerk - Não acho que o Meireles foi incompetente. Como já citei, o país é precário em cultura e educação. O que falta é prioridade nesse setor.


Elenilson – Recentemente uma ex-BBB (*já que isso agora é profissão) disse que o “mundo gira em torno deles”, então, muito solidária, diz que vai posar nua para ajudar a população carente. Com você encara essas sub-celebridades que chamam muito mais atenção da mídia do que os poetas?


Maurício Zerk - Bom, é isso o que a cultura de massa proporciona, portanto, sempre haverá alguém para usufruir e consumir disso. Queria eu ter a sorte de ter tanto com tão pouco. No entanto, prefiro continuar remando contra a maré.


Elenilson – O vale-cultura é como o Bolsa Família, me apavora muito. Mas todo mundo está achando uma beleza. O vale funciona, mais uma vez, como uma espécie de bônus, de prêmio, e isso me assusta. Não sei se isso vai virar moeda, se as pessoas vão comprar arroz, feijão, com o vale. Como iniciativa é interessante, mas a prática não funciona… Comenta.


Maurício Zerk - Acho super interessante. É uma forma de incentivar e facilitar o encontro das pessoas de forma mais fácil e direta com a cultura do país. Alguns amigos da área veem como uma espécie de esmola, porém, facilitar o acesso ao cidadão de baixa renda “AO CINEMA NOSSO DE CADA DIA” é plausível. Tudo é válido. Afinal de contas, como já dizia os Titãs, “a gente não quer só comida... agente quer COMIDA, diversão e arte.”


Elenilson – Depois de ver e ouvir o resultado do seu CD, e refletir sobre o tudo que você passou e passa com relação à falta de patrocínio, você acha que seria a hora de dizer que "há males que vem pra bem"?


Maurício Zerk - Claro que sim. É revigorante quando leio alguma crítica favorável ao disco. É ter certeza que não usei meu tempo em vão. Quando começo a trabalhar num disco, coloco minha audição como prioridade. Se caiu bem aos meus ouvidos o resto é conseqüência... ver pessoas que se encontram quando ouvem meu som é certeza de que estou no caminho certo. Enquanto aos patrocínios, esses eu busco.


Elenilson – Quais os planos daqui pra frente? As datas da tour no Brasil já estão praticamente fechadas?


Maurício Zerk - Estou fechando alguns shows pela cidade e interior. Sampa e Rio somente no fim de dezembro... E como patrocínio por aqui é muito difícil para meu som, vou indo devagar. Recebi pedidos essa semana de mil cópias do disco novo para uma loja em São Paulo e estou super feliz de ver que ainda é capaz de se colher frutos fazendo boa música nesse país, principalmente em Salvador.

“Tudo é informação. Sou uma espécie de esponja que vai sugando tudo que acho interessante.”

Compondo e sobrevivendo na selva da música na Bahia.

"Mais um dia desses, vou fugir de casa. E não volto! E não volto! Vou bater as asas, Só vou levar comigo o retrato do meu gato" (Rita Lee). Foto massa!

“Escrevo aqui para que seus olhos possam se lembrar de mim quando sua mente me esquecer!” ( F. Costa)

"Eu Me Repito Muitas Vezes e Te Comovo Muito Mais" (2011).

Os álbuns e singles.

fotos: MZ/divulgação

domingo, 18 de setembro de 2011

INRI CRISTO PARA MINISTRO DA CULTURA!

“Aproveitando o seu novo sucesso na internet, a versão mística de “Judas” da Lady Gaga, queria lançar aqui a candidatura de Inri Cristo para ministro da Cultura.”


Por Elenilson Nascimento


“Não creria nos Evangelhos, se a isso não me visse obrigado pela autoridade da Igreja”. Essas são palavras de Santo Agostinho. Santo viu! Se fosse eu quem as tivesse proferido, os crentes e simpatizantes de um livro só já estariam me jogando no fundo do abismo do Inferno. Contudo, Agostinho, com sua cultura e inteligência, poderia hoje estar no bloco dos que não creem e polemizando um pouco mais do mais do mesmo na rede.


Mas quando os ditos crentes são confrontados sobre a existência de Jesus, logo, sem argumentos, usualmente apelam mais para as emoções do que para a razão, para os gritos e não para a lógica, falam mais do demônio do que de Deus, e tentarão – aos berros – te deixar embaraçado só por perguntar sobre a historicidade de Jesus.


A resposta habitual é qualquer coisa do gênero de “negar a existência de Jesus não é como negar a existência de Júlio César, da Rainha Isabel ou do Michael Jackson”. Uma variação popular desta resposta, usada especialmente contra os judeus é “negar a existência de Jesus não é como negar o Holocausto?”. Então aponte que há amplas fontes históricas que confirmam a existência de César, da Isabel, do Michael ou de qualquer outro que for nomeado, enquanto que não existe evidência alguma correspondente para Jesus, além dos textos manipulados publicados na Bíblia.


E, ao contrário de todos, sempre que é indagado de como veio a terra, Inri Cristo, relata que “reencarnou” em uma pequenina aldeia do interior do Estado de Santa Catarina chamada Indaial, no ano de 1948, e ainda acrescenta que a terra em que ele nasceu era somente Catarina e a palavra Santa veio à frente, porque era a terra em que ele nasceria. Inri, sempre quando questionado tem argumentos bem melhores do que os assessores do governo da Dilma. Talvez na mente desse homem a mistura de histórias como a de Abraão que saiu da sua parentela depois de ouvir a voz do Senhor fosse um escape para aprimorar a sua própria história "divina".


Mas, enquanto tudo parece águas plácidas no governo Dilma, onde somente a sempre caladíssima ministra da Cultura, Ana de Hollanda, parece fadada ao falatório associado a quedas em médio prazo, no tempo em que os milhões de Palocci ainda não estão brilhando nas manchetes policiais dos jornais, talvez o Inri Cristo fosse uma solução para o Congresso Nacional: uma farsa e midiático!


Inri talvez prometesse que a sua pasta da Cultura (ou talvez Turismo) não teria pela frente apenas o desafio de contribuir para a arrumação da Casa falida para receber o público gringo da Copa do Mundo de 2014, cheia de obras gigantescas destinadas a engordar ainda mais as contas-correntes da gangue dos governadores e respectivos assessores. Ou você acha mesmo que essas obras feitas com cuspe servirão para algo mais do que o pão e circo de sempre?


Talvez o maior desafio do Inri fosse manter-se no cargo já tendo estreado no Congresso com o nome e a reputação associada às surubas com as suas inrizetes bancadas pelo contribuinte. Mas isso não é mais nenhuma novidade, graças ao Pedro Novais! Contudo, talvez para uma presidente dita durona, um subordinado desse devesse ser um fardo e tanto.


E passados mais de sete meses, entre quedas e quedas de outros ministros cujas permanências no governo eram tidas como certas e seguras quando do começo da gestão, estoura outro escândalo nas cercanias de “Seu” Cristo, desta vez envolvendo a prisão de todo o primeiro escalão do seu ministério, na “Operação Jesus Crucificado”. Mas o “filho do Pai”, no entanto, continuaria “apregado” na cadeira da Cultura. E isso tudo nos deixaria mais convictos de que ele é ou sempre será o verdadeiro Cristo no país dos bananas!


Mas o próprio Deus, conhecedor de que um mandato duvidoso de ministro de seu filho num país cheio de corruptos e ladrões poderia trazer o ceticismo a vários blogueiros clandestinos, resolveria tomar rédeas da situação, com devidas precauções. E após prometer o resgate para a humanidade, declararia que Inri Cristo nascera de uma mulher virgem; nascera como qualquer outro bebê brasileiro numa clínica do SUS, com infecção hospitalar e ainda adquiriu uma falha numa das pernas por causa de erro médico no seu parto. E que depois de velho resolveu colocar mega hair só para suavizar ainda mais os seus traços finos.


E, de uma mulher, como já foi dito, ele nasceu, o que de fato realça ainda mais o seu nascimento místico, pois, como todos já sabem, não houve relação sexual, mas o Espírito Santo a envolveu gerando Inri em seu ventre. Também o filho do Pai não poderia ter nascido de um pai de família assalariado. Por isso que Inri só fala de seus pais adotivos, mas não fala de sua mãe legítima. Será que o suposto pai José manteve relação sexual com a suposta mãe Maria em estado de sonolência? Em Mateus tem o seguinte: “Mas não a conheceu até que ela deu a luz um Filho. E ele lhes pôs o nome de Jesus”. Será isso mesmo?

Mas definitivamente Inri Cristo é o melhor Jesus das redes sociais de todos os tempos! Tendo em vista que é o único, ele até que está bem colocado no ranking das bizarrices, então daria um ótimo ministro de qualquer coisa nesse Congresso Nacional de faz-de-conta. Se já temos Tiririca, Romário, Popô, Miriam Rios e Bolsonaro, porque não podemos ter o Inri?


Tosco ao extremo essa nova paródia mística do filho do Pai já está começando a ficar forçada demais, principalmente agora, mas acho que valeu só pelo Inri pagando uma de “motoqueiro fantasma”. Olha só a moto do “homi”, digo, do filho do Pai, que não é algo que se vê todos os dias. As inrizetes abobalhadas Asusana, Alara e Assinoê interpretam “LIBERDADE LIBERTAR”, versão mística de “Judas”, da Lady Gaga. E para divulgar ainda mais a sua divindade, vamos ao que interessa, a análise desse clipe…que, antes de começar, é BEM irônico Jesus fazer uma paródia da música “Judas”, não?


Logo na abertura do vídeo, todos poderão “contemplar” o sorriso sacana de MonaInri para a câmera, quase tão misterioso como quando você limpa a bunda e não tem sujeira alguma. Perceba que ele esta rindo 90% internamente e 10% para o mundo que, segundo Lair Ribeiro: o calculo da felicidade!


Mas, assim que a música começa de verdade, ele já não esta rindo tanto assim pois claramente esta sendo enforcado pela Alara (*sim, eu sei o nome de todas as inrizetes). A frase “Aos dogmas diga não, diga sempre não” tem uma mensagem subliminar contra a masturbação. Essa turma do Inri realmente pensa em tudo!


Realmente Inri é o novo Barry White Snoop Doggy Jackson Gaga brasileiro! Sente o ritmo com a barba! Isso se chama: autoconfiança amigo! AUTOCONFIANÇA! As toscas propagandas do Marlboro jamais conseguiram reproduzir uma cena com tanta liberdade como essa. Jamais!


E quantas vezes duas mulheres já lavaram os seus pés com cerveja? Só me responda isso antes de falar mal do Inri! Ele cura micose, trombose, artrose, com o que você bebe no final de semana! (*acho que é água benta enlatada, é uma possibilidade remota). O filho do Pai de motoqueiro abençoando a galera. Em que outro lugar você veria isso se não fosse na internet? Abençoada seja a internet! Lady Gaga que me desculpe, mas essa paródia esta muito melhor que o clipe original. Eu sei que você visita o blog diariamente, não fique triste comigo, mas a verdade realmente liberta. Só acho que as inrizetes poderiam ter ficado nuas. Mas isso é o de menos.



fotos: reprodução

sábado, 17 de setembro de 2011

ELENILSON NA PRIMEIRA EDIÇÃO DA FESTA LITERÁRIA DE CACHOEIRA

“Cachoeira deve receber cerca de 20 mil pessoas, para a primeira edição da FLICA: programação inclui muitos lançamentos, debates e música.”

É só falar em Bahia que muita gente pensa logo em festa e batucada, mas quase ninguém lembra que na Bahia também é feita muita literatura. E de boa qualidade! A FLICA (Festa Literária Internacional de Cachoeira) foi um dos 19 projetos baianos contemplados pelo edital OI Futuro 2011, divulgado em março. Em sua 1ª edição, o evento já estava marcado desde o mês de agosto deste ano, na cidade de Cachoeira, Recôncavo Baiano, logo após a tradicional Festa da Boa Morte. Mas, infelizmente, como tudo no Brasil, não bastava querer!


Inspirada em festas como a FLIP, de Paraty, no Rio; e a Fliporto, de Porto de Galinhas, em Pernambuco, a proposta é promover o encontro entre autores e leitores, debates de temas relevantes e, claro, festejar a literatura. A programação ainda conta com 15 shows musicais realizados num palco montado sobre o Rio Paraguaçu, com repertório diversificado de atrações.

E para tanto, entre os convidados estão nomes como Fernando Moraes, um dos biógrafos mais respeitados do país; o americano Bob Stein, pioneiro em estudos sobre e-books; os escritores e agitadores culturais Marcelino Freire e Elenilson Nascimento; o sambista Nei Lopes, um dos grandes estudiosos brasileiros da africanidade; e o crítico literário português Pedro Mexia.


Então, no próximo mês, porém, será muito difícil separar as duas palavras por aqui: CULTURA e LITERATURA. Isso porque, de 11 a 16 de outubro, acontece, enfim, a Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), na cidadezinha a 110 km da capital. E em seis dias do evento, que será gratuito – basta se inscrever no site oficial - a cidade histórica do Recôncavo será o palco de uma festa que reunirá 33 autores nacionais e internacionais, divididos em 16 mesas de debate. Eventos paralelos espalham livros por todos os cantos e, para completar, atrações musicais se apresentam diariamente. Portanto, PARTICIPEM!

Moraes, Stein, Freire, Sanches Neto, Lopes e Leandro Narloch entre os destaques.

fotos: divulgação
fonte: iBahia/Cultura.ba