quarta-feira, 31 de agosto de 2011

SOMOS UNS BANANAS NO BRASIL DA CORRUPÇÃO!

“Graças aos ‘amiguinhos de gangue’, Jaqueline Roriz mantém mandato na Câmara dos Deputados. Isso é o Brasil do presente futuro!”

Por Elenilson Nascimento


EU NÃO ACREDITO que o Brasil seja um país intrinsecamente corrupto. Não existe nos genes brasileiros nada que nos predisponha à corrupção, algo herdado, misturado abundantemente, por exemplo, no sangue, no ar, nos becos, nas camas. Se desenterrarmos os restos mortais dos primeiros que aqui “invadiram” talvez encontrássemos a origem do nosso mal nos desterrados portugueses.


O povo – por total ignorância – elege um Executivo falido, cheio de gente incompetente, muitas vezes manipulado por campanhas estrategicamente criadas por publicitários nas TVs manipuladas por uma mídia cada vez mais idiota e comprada, como se elegeu e reelegeu a corja que hoje domina a política e a opinião pública nesse país.


O povo elege um Legislativo absurdamente incompetente, hoje sabemos, através de campanhas manipuladas pelo Caixa Dois que, desde Cabral, alguns idiotas acreditam mesmo que foi o PT que inventou o Caixa Dois... Três... Quatro... O Judiciário o povo não elege... e desde que autorizaram no Supremo o linchamento liminar de alguns e o perdão da corrupção de outros, com base em denúncias provadas e comprovadas... a coisa fede pior do que os esgotos entupidos na periferias. A fedorenta política brasileira sempre se alimentou do dinheiro da corrupção. E como falar de ética e dignidade aos jovens de hoje se os exemplos que eles têm de lá são exatamente os opostos.


E enquanto grupos corporativos políticos, em Brasília e em todas as capitais, cada vez mais se assemelham a quadrilhas brigando de foice para tirar cada moeda possível dos cofres públicos no atual ritmo de preparos para garantir a infraestrutura para a utópica Copa do Mundo de 2014, no centro do pHoder, uns continuarem denunciando os outros. Tomará que haja derramamento de sangue entre “irmãos” e todos morram. Mas no chão desse país de lama quem está morrendo mesmo é a população desprovida de TUDO.

Somos, sim, um país onde a corrupção, pública e privada, é detectada somente quando chega a milhões de dólares e porque um irmão, um genro, um blogueiro, um professor, um jornalista ou um Zé ninguém botou a boca no trombone, não por um processo sistemático de auditoria, mas pateticamente indignado. País sede de Copa só tem isso para mostrar!


Não tenho mais nenhuma esperança com relação a esse país. Sou cético com relação ao futuro. Já estamos dentro da latrina prontos para descermos com o cocô. Aqui se estuda muito e não se consegue nem se empregar. Aqui ter opinião é sinônimo de você ser tachado de “mal comido”. Em países avançados colocam seus auditores num pedestal de respeitabilidade e de reconhecimento público que garante a sua honestidade, mas aqui os corruptos são tratados como coitadinhos pelos seus semelhantes. Aqui o povo não sabe de nada, não reivindica nada, não protesta por nada.


Nos últimos dias, mais um exemplo de “putaria bem feita” exibidos pela televisão estampou o quanto o mar de corrupção e as intrigas políticas geradas em torno dele se traduz no dia a dia na ausência do Estado na vida de quem precisa ou na prestação de serviços inclassificáveis. A inútil Câmara dos Deputados arquivou nesta terça-feira, 30/08, o pedido de cassação do mandato da deputada sorridente Jaqueline Roriz. Ela foi flagrada em vídeo, de 2006, recebendo dinheiro de Durval Barbosa, delator do esquema que ficou conhecido como o mensalão do DEM.

Em agosto, os telespectadores baianos foram assombrados por imagens de um exército de mais de 2.000 pessoas doentes derretendo de calor, cansaço e sofrimento físico em frente ao Hospital Ana Nery, indicado pelo poder público como o hospital de referência em cardiopatia. Embora nada justifique a presença de dois milhares de pessoas implorando por atendimento médico desde a madrugada até o meio da tarde para pegar esse perverso direito de voltar para casa com esperança de ser atendido um dia, ou seja, o direito à tal da senha para obter uma ficha, os responsáveis pela unidade vieram para a frente das câmeras explicar que havia ocorrido tão somente um erro no sistema de agendamento.

Para quem via as imagens e o desespero das pessoas no local era impossível aceitar a tese de que tudo poderia ser reduzido a um erro de sistema. Mas, ao contrário dos infelizes nas filas gigantes dos hospitais públicos, o placar final desse “evento de amor e amizade” à dePUTADA mostra bem como estamos sendo conduzidos por esse bando de filhos da puta: 265 votos pela absolvição, 166 pela cassação e 20 abstenções. Eram necessários 257 votos para tirar o mandato de Jaqueline. Além disso, votação foi secreta.

Nos últimos dias, Jaqueline se lançou numa campanha desenfreada para convencer os coleguinhas de Câmara a absolvê-la, rejeitando o parecer em favor da cassação aprovado no Conselho de Ética e apresentado pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). A senhora dePUTAda, agora com cara de coitadinha, apoiou sua defesa na alegação de que os fatos ocorreram antes do início de seu mandato, como se isso justificasse alguma coisa. Na avaliação de vários líderes partidários, o argumento levou os parlamentares a “optar” por não criar um precedente nesse sentido, votando assim pela absolvição.


Essa votação de absolvição da nova Joana D'Arc do Congresso Nacional mostra como os nossos parlamentares decidiram não abrir precedente algum, já que irregularidades aconteceram antes deste mandato, mas a Câmara – leia-se o Congresso – acaba de absolver a indelével mulherzinha do Roriz, a malfadada Jaqueline. E entre os parlamentares, prevaleceu o discurso do medo espalhado pela defesa de Jaqueline. Os nobres dePUTAdos acabaram absolvendo a coleguinha para se protegerem do futuro e por enxergarem em sua eventual condenação a possibilidade de virem a ser alvos de processos por fatos cometidos antes do mandato. Em suma, o melhor (para eles) seria lavar as mãos.

Apesar das poucas (*eu não vi nenhuma) defesas públicas, a maioria da Casa preferiu, como covardes que são, enfrentar a opinião pública a correr riscos. Mas a opinião pública também não vai expor nada. Somos uns babanas! E por mais inacreditável que essa historia possa parecer, o advogado de Jaqueline (*formado nessas escolinhas de forma corruptos), José Eduardo Alckmin, foi o responsável pela aposta nesta absurda tese da impossibilidade de se punir fatos anteriores ao mandato. "O que se quer é que todos os fatos da vida de um parlamentar possam ser julgados", disse filosofando o tal advogado.

ERRO NO SISTEMA – Esse mês, os telespectadores baianos foram assombrados por imagens de um exército de mais de 2.000 pessoas doentes derretendo de calor, cansaço e sofrimento físico em frente ao Hospital Ana Nery, indicado pelo poder público como o “hospital de referência em cardiopatia”. E embora nada justifique a presença de dois milhares de pessoas implorando por atendimento médico desde a madrugada até o meio da tarde para pegar esse “perverso direito de voltar para casa com esperança de ser atendido um dia”, ou seja, o direito à tal da senha para obter uma ficha, os responsáveis pela unidade vieram para a frente das câmeras das TVs explicar que havia ocorrido tão somente um erro no sistema de agendamento. Para quem via as imagens e o desespero das pessoas no local era impossível aceitar a tese de que tudo poderia ser reduzido a um erro de sistema. Talvez, então, o caso da senhora dePUTAda Jaqueline Roriz seja também um outro caso de “erro de sistema”.

A própria dePUTAda coitadinha e mal interpretada usou a sessão que definiu seu futuro para falar pela primeira vez sobre o episódio. Frustrando as expectativas, porém, ela não entrou no mérito do caso, mas derramou algumas poucas lágrimas de emoção. Jaqueline, é claro, preferiu atacar a imprensa marrom: “Lamentavelmente, vivemos um período em que a parcela da mídia devora a honra de qualquer pessoa". Aproveitou também para fazer ataques ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que a denunciou na semana passada.


Para a dePUTAda Jaque, o processo que enfrentou na Câmara deveu-se a "absoluto interesse político". Coitadinha! Em seu discurso de “puta arrependida”, em tom emocional (*deve ter aprendido em novelas da Globo ou com os seus coleguinhas também absorvidos nos últimos anos), ela afirmou ter sofrido muito junto com sua família e citou até o problema de um filho que sofre de hemofilia. E, pasmem, terminou o seu discurso pedindo aos colegas que não a condenassem de forma "sumária".

Bom, já que a senhora dePUTAda é rica e usou a doença do filho como desculpa, não vai precisar usar o argumento sempre usado pelo ajuntamento desumano de gente doente em porta de hospitais públicos que é o de que as pessoas, se doentes e sem possibilidades de atendimento, jamais devem ir para as capitais em busca de atendimento. O discurso é belo e aparentemente funcional: devem procurar as prefeituras locais, cadastrar-se em algum posto do SUS e esperar meses que estes providenciem o agendamento do atendimento. Quem acreditar na eficiência desse sistema ganha um quebra queixo delicioso e quiçá um vale-funeral. O povo, que de muito bobo só tem a aparência, sabe que a política pública de regulação do atendimento entre prefeituras e sistema único de saúde pode ser perfeitamente traduzível, com raríssimas exceções, por uma sentença do tipo: esperem, em seu município, passivamente, a morte chegar. Não venha tumultuar as portas dos hospitais com sua pressa por atendimento, pois não há vagas, não há leitos disponíveis. Essa é a tradução da regulação. E talvez tenha sido isso o que a senhora dePUTAda pensou!

E apesar do relator do processo ter tentado rebater a defesa argumentando que o fato só foi conhecido em 2011 e, portanto, teria de ser encarado como novo. "O ato indecoroso existe para que possamos extirpar do Parlamento aquele que praticou ato contra o Parlamento. Isso só pode ser discutido no momento em que o fato veio a luz", disse o relator, mas nada teve efeito. Ele citou ainda que a própria dePUTAda já tinha pedido a condenação de uma colega quando esteve diante de uma situação similar (*em 2009, a Câmara Legislativa do DF cassou Eurides Brito por ter aparecido em vídeo recebendo dinheiro de Durval. Na ocasião, Jaqueline foi à tribuna e chamou a colega de "cara de pau" e "mau caráter"), agora, a coisa mudou de figura!

É lamentável que os argumentos do relator tenha sido poucos para demover os dePUTAdos a proteger um dos seus e, com isso, a Jaqueline “coitadinha” Roriz foi absolvida e poderá agora "resgatar plenamente" sua capacidade política, como ela afirmou.


Em suma, no Brasil da corrupção descarada o capitalismo remunera quem trabalha e ganha, mas não consegue remunerar quem impede o outro de ganhar roubando. Há quem diga que não é papel do Estado produzir petróleo, mas ninguém discute que é sua função fiscalizar e punir quem mistura água ao álcool. Não serão intervenções cirúrgicas (leia-se CPIs), nem remédios potentes (leia-se códigos de ética), que irão resolver o problema da corrupção no Brasil. Precisamos da vigilância de um poderoso sistema imunológico que combata a infecção no nascedouro, como acontece nos países considerados honestos e auditados. Portanto, o Brasil não é um país corrupto. É apenas um país pouco auditado.


A última vez que a Câmara cassou um deputado foi no escândalo do mensalão. Naquela ocasião, foram cassados Roberto Jefferson (PTB), José Dirceu (PT) e Pedro Correa (PP). Naquele escândalo, outros seis deputados foram absolvidos em plenário. Coitadinhos! Talvez a solução fosse fazer o mesmo que o governador do Ceará que resolveu a eterna crise na Educação no seu Estado da seguinte forma: mandou os professores trabalhar por amor e não pelo $. E os políticos? Esse talvez seja o recado que boa parte de ministros, deputados e senadores mandam de Brasília. Justo Veríssimo é a tendência no Planalto Central.

Com água e sabão, manifestantes saíram em defesa da cassação da deputada flagrada em vídeo. Tudo em vão!
fotos: divulgação

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

RELIGIÃO = ALIENAÇÃO

“Texto de Elenilson provoca a ira dos católicos e evangélicos na rede. E ainda a poeta Eliane Silvestre escreve sobre esse falso moralismo cristão.”

É impossível ser inteligente; morar no Brasil; não ser alcoólatra (ou drogado); ficar sabendo que o sacana do Sarney ganha R$ 72.000 para fuder com a vida da gente; ter ainda que ouvir o Ricky Martin mandar o povão “tirar o chão do pé”; ser mal interpretado por religiosos cristãos e evangélicos alienados e não querer se matar!


Recentemente fiquei sabendo que um texto meu anda provocando a fúria dos católicos sem cérebro na rede. O texto O Novo Rei do Pop Católico, publicado no LC, em 07/03/09, e em diversos sites na rede, tem feito muitos carolas criticarem (sem refletir) os argumentos expostos, comprovando mais uma vez que religião nada mais é do que uma ferramenta para podar pensamentos e escravizar as massas. Todo mundo tem que pensar igual, agir igual, adorar essas músicas religiosas ridículas e amar o próximo enquanto ele estiver bem longe. Até a poeta Eliane Silvestre teceu algumas linhas sobre a tal polêmica: “Falta estudo, leitura, informação. Fé cega não presta. A quem entrou aqui desmerecendo o olhar critico do Elenilson pedirei a Deus em minha oração que os perdoe e que Deus me perdoe também se em algum momento cometi alguma injustiça.”

fonte: O Rebate

PITTY NO “PROVOCAÇÕES”

“O que eu faço não é popularesco.” (Pitty)

Por Elenilson Nascimento


Eu gosto muito da Pitty, muito mais da figura do que do som. Apesar de achar a música “Me Adora” muito linda – tanto que eu praticamente obriguei o meu amigo massa Alexandre Leão a regravá-la. Ela nasceu em Salvador (BA), mas foi criada em Porto Seguro. Seu pai, músico e dono de bar no bairro do Rio Vermelho, tocou muito rock dos anos 60 e 70, por isso foi acostumada desde cedo com as bandas baianas de rock independente.


Os invejosos e bajuladores diziam há cerca de sete anos que Pitty “tomou” o lugar de Rita Lee e que a Bahia passou a mandar na cena. Eu até já havia assistido a Pitty muitos anos atrás, antes mesmo de ficar famosa, fazendo covers de Oasis, Madonna e Cyndi Lauper. E seguindo o gosto musical do pai, longe das bagaceiras que infestam as músicas na Bahia, hoje, aos 33 anos, ela se tornou uma das roqueiras mais influentes no Brasil – mesmo que muitos ainda não tenham parado para prestar mais atenção nessa tatuada.


Em 2010, comemorando os dez anos, o programa “Provocações” recebeu essa “baiana elétrica” – eu só descobri esse programa graças a minha amiga Zora Ansarah Zaccharias – apresentado pelo maravilhoso Antônio Abujamra. Logo no início da entrevista ela deixou bem claro: “Eu sou bastante provocadora! O rock me possibilitou viver com dignidade”, respondeu (toda cheia de atitude) a pergunta do Abujamra se o rock a tinha deixado rica.


A baiana declarou também que durante os anos 90, quando vivia na Bahia, houve um “bombardeio” da axé music e sua válvula de escape para esse ritmo popular que estava surgindo na época foi o rock. “Eu encontrei no rock esse elemento... é por aqui que eu vou escapar. Foi minha válvula de escape, de fato". Abujamra aproveitou e perguntou qual seria a diferença entre o Sudeste e o Nordeste em relação ao rock e ela responde dizendo que os meios de comunicação no Nordeste não dão espaço para ritmos alternativos. Confira uma parte da entrevista:Antônio Abujamra - Pitty está agora por cima da carne seca. O que é e como é estar por cima da carne seca?
Pitty - Rapaz...eu não tenho a menor ideia, mas já que eu to por cima da carne seca, me mande uma farinha que aí a gente, neh, já faz um mexido.
Antônio Abujamra - O rock já te deixou rica?
Pitty - O rock me possibilitou viver com dignidade, pagar as minhas contas, que é algo que eu sempre tive muito medo durante a vida inteira com essa história de optar por viver de música.
Antônio Abujamra - Você estudou em colégio de freira. Você é religiosa?
Pitty - Não. Hoje em dia? Eu sou pagã, nem batizada eu fui.
Antônio Abujamra - E na época que você estudava lá?
Pitty - Na época isso me era imposto, neh, a gente precisava rezar uma ave maria e um pai nosso todo dia antes de entrar na sala.
Antônio Abujamra - Você rezava com convicção?
Pitty - Eu rezava porque decorei. E nessa idade a gente também, a gente acredita, neh, por osmose, a gente não sabe muito bem.
Antônio Abujamra - O que você acha que vai encontrar ao morrer além de um enorme e silencioso nada?
Pitty - Eu espero encontrar uma mega festa. Eu quero encontrar uma festa com todos os meus amigos, com todas as pessoas que eu admiro que já morreram...Me esperem aí...
Antônio Abujamra - Como é que você acha que você vai morrer?
Pitty - Eu não sei, mas eu sei como eu quero.
Antônio Abujamra - Como você quer?
Pitty - Dormindo.
Antônio Abujamra - Mas assim, com aquele negocinho no hospital, todo mundo olha?
Pitty - Não. Eu não quero, eu já falei isso, o meu maior medo não é morrer, é morrer em vida, é ficar em cama de hospital ou precisar de alguém pra me trocar as fraldas geriátricas, eu não quero. Vou fazer que nem Virginia Woolf, na hora que eu ver que o bicho tá pegando, eu vou e sei lá, me pico...
Antônio Abujamra - O que é a vida?
Pitty - A vida é uma aventura que tem que ser vivida, não tem jeito.
Antônio Abujamra - Uma aventura que você domina ou é uma causa perdida?
Pitty - Uma aventura que você tem que se jogar.
Antônio Abujamra - Se vingar da vida?
Pitty - Não eu acho que você não tem que ter medo, estar aberto ao acaso.


Veja mais vídeos:


>>> Provocações - Pitty – Parte 2 <<<


>>> Provocações - Pitty – Parte 3 <<<


fotos: divulgação


http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/

domingo, 28 de agosto de 2011

BLOG DO TÃO GOMES PINTO

O excelente jornalista Tão Gomes Pinto, que já fez parte das equipes que criaram o "Jornal da Tarde", em SP, e das revistas "Veja" e "Isto É", além de já ter trabalhado na "Manchete", "Imprensa", "Folha de S. Paulo", entre outros canais, além de já ter me dado uma entrevista bem bacana (Part 1Part 2) – republicou o meu texto “Ah, os canalhas, o desejo dos canalhas: Dilma arqueada! (LC, 25/08) sobre a total falta de respeito do jornal Estadão com relação à presidente Dilma. Mas, segundo Tão:


“Pessoalmente, acho que o jornal não teve nenhuma segunda intenção ao publicar a foto. Como eu não teria motivo algum para reproduzi-la senão como “curiosidade fotográfica”. À ‘tia’ Dilma, se ela sentiu agredida, peço desculpas. Eu sou ‘dilmista’ de carteirinha. Mas creio que ela também deve ter visto a foto como um “achado” do fotógrafo. Digo isso sem entrar no mérito das considerações de natureza política feitas pelo leitor, um jovem impulsivo e talentoso escritor baiano, Elenilson Nascimento, meu amigo…” Pelo menos ele disse que eu sou “impulsivo e talentoso”. Chupa essa Paulo Coelho!


fonte: Blog do Tão


imagem: Marcelo Bélico

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ENTREVISTA COM O ATOR MARCOS GALDINO

"Televisão não é arte. É produto. (...) E apesar da minha hipocrisia natural, eu digo abertamente que quero uma oportunidade lá, isso me daria uma bela alavancada e me deixaria viver pelo menos por um bom tempo, somente com a arte." (M.G.)


Por Elenilson Nascimento


Dependendo do ângulo em que é observado, o ator, arranjador, engenheiro de áudio (acústica e sonorização), locutor e músico multiinstrumentista baiano Marcos Galdino, de 39 anos, exibe uma desconcertante semelhança física em uma mistura de Matheus Nachtergaele e Enrique Diaz, mas seu trabalho nunca está só vinculado com comédias.


Apesar de volta e meia estar presente nas telas e nos palcos, Galdino afirma nessa entrevista exclusiva que os convites não surgem por acaso. Segundo ele, a batalha é diária e a cada dia tem que matar um leão, ou seja, tem que levar seu currículo, fazer testes e esperar ser chamado. Conhecido pelo público baiano por sua maravilhosa participação no espetáculo teatral “A Paixão de Cristo”, com direção de Paulo Dourado, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador (BA), em 2011, interpretando o personagem Barrabás, Galdino ganhou as plateias e a crítica. E apesar de ter dito aqui que “tem medo dos elogios, pois têm mais chance de serem falsos”, esse “Barrabás moderno” tem um feeling interessantíssimo e ainda vai se tornar um dos melhores atores desse país.


Galdino atua desde 1987 em comerciais publicitários audiovisuais (ator, dublador, locutor, arranjador e diretor musical), e já foi diretor e arranjador musical do espetáculo “Guernica”, de Fernando Arrabal, em 2007. Protagonizou o curta “As Faces”, de Amael Oliveira, em 2008. Participou no longa “O Senhor do Labirinto”, do diretor Geraldo Motta, com lançamento previsto para 2011. E também conta com uma participação no longa “Aos Ventos que Virão”, do diretor Hermano Penna, com lançamento previsto para 2012. Além de tudo isso, foi diretor e arranjador musical dos programas de TV e rádio da campanha eleitoral gratuita do ex-presidente e hoje conferencista Lula e do atual governador incompetente da Bahia, Jaques Wagner, em 2006 e 2010.


Elenilson – Quais os trabalhos você destaca na sua trajetória de ator, locutor e músico multiinstrumentista?


Marcos Galdino – Bom, eu gostei muito de participar dos longas "O Senhor do labirinto de Geraldo Motta" (fiz o guarda Geraldo) e "Aos Ventos que Virão de Hermano Penna" (fiz o Ataniel). Tivemos um bom tempo para trabalhar nossos personagens nestes filmes, além da tranquilidade de trabalhar com estes diretores tão sensíveis, destaque especial ao querido Sergio Penna que nos preparou para "Aos Ventos..." No teatro, protagonizei por seis anos consecutivos, em São Paulo, o espetáculo "Mário Mário","A Paixão de Cristo”, de Paulo Dourado, um mega espetáculo na Concha Acústica do TCA, onde tive o prazer de experiênciar meu personagem (Barrabás) literalmente dentro da multidão de cinco mil pessoas por dia. Isso foi impagável, emocionante, pero, desgastante até a alma, sempre levava uns tapas dos mais empolgados! Como músico eu destacaria a trilha sonora que criei e arranjei para o espetáculo teatral "Guernica - de Arrabal", com direção de Ronaldo Magalhães. Foi uma composição muito gostosa de se fazer. Acho que deu para emocionar. Tem também a área publicitária onde faço diversos jingles, trilhas e spots... Aí, eu gosto de várias peças. E tem também várias locuções para o governo, a maioria pra Central do Carnaval, Pequena Notável. A resposta ficou uma Bíblia porque você perguntou muita coisa em uma só! (risos)

Elenilson – Qual dos seus trabalhos lhe deu mais prazer?


Marcos Galdino – Aquele que não é contra o tempo onde posso trabalhar com tranquilidade! "Aos Ventos que Virão" foi um desses! Todos eles eu trabalho com muito prazer porque sou um sortudo que trabalha com o que gosta!


Elenilson – Como foi o processo de iniciação da sua carreira de ator?


Marcos Galdino – Brincando de faz de conta quando criança, daí veio uma coisa e outra e fui aprendendo e ganhando experiência com os trabalhos, fiquei mais maduro depois que tive o grande prazer de conviver e aprender com a maravilhosa atriz Andrea Villela. Todos os dias eu bebo da sua sabedoria, bem como do esplendido ator Narcival Rubens. Realmente sou um agraciado, abençoado por Deus! Cada dia uma lição! Nunca deixarei de ouvir, armazenar e usar!

Elenilson – Todo artista é ou já foi rotulado de “louco” por ser questionador, por provocar ou sugerir novas possibilidades de tocar a vida... Isso, de alguma forma, te incomoda?


Marcos Galdino – Não, nunca incomodou, só acho chato ainda sermos marginalizados, mas se olharmos por outro ângulo, se fossemos tratados como pessoas "normais" talvez não seríamos mais artistas, a arte nos deixaria!


Elenilson – Você é ator por formação? Já foi chamado de louco por ter investido numa carreira tão tortuosa no Brasil?


Marcos Galdino – Graças a Deus eu não sou o único ator que não fez faculdade de artes cênicas, senão seria bem embaraçoso responder a esta pergunta! (risos) Não, fui chamado só de louco como também, preguiçoso, vagabundo e por aí vai!


Elenilson – Galdino, a sua atuação em “A Paixão de Cristo”, na Concha Acústica de Salvador, nesse ano, foi umas das melhores performances. O que representa o Barrabás para a sua carreira?


Marcos Galdino – Obrigado pelo elogio, mas prefiro trocar melhor performance por disciplina, entrega mesmo! Falsa modéstia! (risos) Todos nós gostamos de ter o retorno do público! (mais risos) Mas meu ego tem uma boa educação para trabalhar bem com as críticas, gosto das destrutivas e tenho medo dos elogios, pois têm mais chance de serem falsos! Barrabás representa uma forte figura que me possibilitou entrar no mercado baiano, ganhar a confiança dos meus colegas e de bônus ganhei também belas lesões nos meus joelhos! (mais risos)

Elenilson – Diante da condição marginal do personagem Barrabás, o que representa a sua a missão ou o seu dever na história do Cristo?


Marcos Galdino – Fiz o personagem conforme o pedido de Paulo Dourado que o experimentou de algumas formas e depois aprovou um ser que ficou como definido. Barrabás foi um revolucionário da época, foi um Cristo que foi para o caminho da guerrilha e da vingança usando a violência! Mas um revolucionário preso e torturado, quando é solto acaba levando com ele muitas sequelas né, acredito que ele mal tinha noção da realidade, principalmente aquela, da liberdade.


Elenilson – Chega a ser utópico, mas se você comparar o povo daquela época do Cristo com os alienados e conduzidos de hoje não existe tanta diferença, apesar de toda a informação que temos. Comenta.


Marcos Galdino – Olha, acho que a humanidade nunca muda, a religião faz ou prova o hipócrita. As formas de sobrevivência sempre são cruéis e a autodestruição é de nossa natureza, por outro lado temos o futuro com a gente, os sonhos nos fazem ir em frente, e acho que isso tem haver com a fé que confundimos com a esperança. Então acredito que nunca mudaremos não conseguimos viver o presente, só vivemos o futuro e o passado! Somos diferentes dos pássaros, e logo seremos extintos!


Elenilson – Falando em teatro, como é sua relação atual com Fernando Guerreiro, considerado um dos melhores diretores do teatro baiano, ao lado de Aninha Franco e Luiz Marfuz? O teatro baiano vai bem ou não conseguiu sair da boa onda de "A Bofetada", “Siricotico” e congêneres?


Marcos Galdino – Eu considero Fernando um poço de inteligência, do qual ainda quero ter a oportunidade de jogar minha canequinha e beber um pouco e sambar ali perto! Marfuz é também o meu sonho de consumo, o senhor Beckett (sem querer rotular, é claro), um ator no limite! Se é que existe o limite nesse caso! Aninha, seria um presente divino estar em um de seus trabalhos. Vem cá, você só colocou os deuses dionisíacos baianos né? Na moral! (risos) Mas não tive ainda a chance de uma relação mais próxima com eles, acho que nem me conhecem... Também, eu tenho uma dificuldade terrível de me promover, chegar mesmo nas pessoas! Mas vamos levando, né?! Devemos respeitar nossa natureza, nada forçado funciona! Vejo o teatro baiano numa nova fase, as fases são assim, nasce, cresce e amadurece. Acho que estamos na parte do amadurecimento dessa nova fase! O público aqui na Bahia está começando a curtir drama também, nem só de comédia vive o povo, né?! “Pólvora e Poesia”, “As Velhas”, “Uma Vez Nada Mais”, “Sargento Getúlio” que para mim está sendo uma obra primíssima de Carlos Betão com a direção de Gil Vicente (*entrevista com o Gil Vivente aqui). Quem não assistiu, DEVE assistir! Considero uma maravilha esse incentivo que a Vivo tem dado ao nosso teatro. Deus iluminou uma alma empreendedora lá dentro que tem contribuído para a qualidade da arte na Bahia.


Elenilson – “Eu tô ficando com a cabeça podre”, diz o personagem do Bertrand Duarte em “SuperOutro”. E você, quem é ou o quê é “SuperOutro” na sua vida?


Marcos Galdino – Vixe! Tá ficando cabeça demais! O “SuperOutro” na minha vida é ser pai, não aceitar imposição do sistema e lutar com todas as forças para que meus filhos vivam e saibam fazer suas próximas gerações viverem também sendo eles mesmos, brasileiros e não cowboys ou rappers norte americanos, deixe isso com eles. Luto para que meus filhos sejam autênticos em sua essência.


Elenilson – Fazer cinema e teatro na Bahia e no Brasil – ontem e hoje. Quais são os principais desafios de ser ator no Brasil?


Marcos Galdino – Conseguir mostrar seu trabalho dentre os colegas não generosos e os sem talento (o talento da interpretação). Costumo dizer que muitos conservatórios musicais formam digitadores que copiam músicos. Tire a partitura da frente e tudo pára! Como irão formar os Beethovens, os Mozarts, os Jobins, Villa Lobos? Como se ensina talento, dom? Até parece que está em uma prateleira da loja de talentos do Senhor Sabe Tudo! O mesmo vale para o teatro, cinema e tal! Sou contra a instituição "Escola de Arte Dramática" e a favor de "Centro de Experiências Dramáticas ou Teatrais" onde as pessoas trocam experiências vividas com seu talento de interpretação dramática! Acho que talento não se aprende só podemos descobrir e aguçá-lo. Tem muita gente que tem talento para o estudo, se forma sabe tudo de teatro, mas não tem o talento para interpretar ou maquiar e tal, pega seu diploma, tira seu DRT e se convence de que é ator ou, “o ator”! Quando na verdade seu talento é para outra coisa, mas sua vontade foi para aquele talento que não lhe pertence! No fim das contas é ele quem acaba sendo mais respeitado e recebe as prioridades de trabalhos por conta do respeito hipócrita ao bacharel da área e a instituição formadora! A concorrência fica muito grande! Acho que acabei de perder as chances que me restavam de emprego! (risos)


Elenilson – O que mais te atrai no universo do teatro?


Marcos Galdino – No teatro a energia do aqui agora, a deliciosa entrega e o universo criado dentro daquele espacinho! No cinema é a brincadeira de criança, o faz de conta, que também é fundamental no teatro, mas nem precisei citar isso antes, né! O cinema é o olhar, é intimista, é o fundo dos olhos, o registro disso tudo!


Elenilson – Ainda se faz distinção entre "ser um ator" e "ser um ator da Globo"?


Marcos Galdino – Sempre, claro! Vemos bons atores e atores medíocres na Globo, assim como vemos a mesma coisa fora desse veículo. A grande diferença é que um ator da Globo tem o poder de valorizar seu trabalho, tem visibilidade e consegue viver só da profissão de ator, os de fora não! Apesar da minha hipocrisia natural, eu digo abertamente que quero uma oportunidade lá, isso me daria uma bela alavancada e me deixaria viver pelo menos por um bom tempo, somente com a arte.


Elenilson – Ainda é muito frequente a transformação de modelos e ex-frequentadores de "reality shows" em atores (sobretudo de telenovelas da Rede Bobo), sendo que alguns conseguem superar os preconceitos e se tornar, ao menos, atores medianos. Você é a favor dessa "invasão" ou, ao contrário, é absolutamente academicista?


Marcos Galdino – Acho que a academia deve existir somente para aperfeiçoamento do ator em vivências com outros na mesma situação, bem como, o enriquecimento teórico! Essa invasão tem quer ser assim, por um simples motivo, a Globo é uma indústria do entretenimento, sendo indústria é claro que eles pensam como indústria! A garota começa num reality já contratada para revista masculina, ganha fãs, faz as merchans todas do reality depois continua dando lucro para a indústria passando a atuar em novelas ou apresentando programas. Ciclo e reciclo, torce, torce e tira tudo o que aquela matéria prima tem pra dar ainda à indústria, por fim, seu bagaço vira combustível! E quando conseguirem aproveitar a fumaça, isto também será explorado, entendeu?!


Elenilson – Por falar em TV, há um recente - e ainda tímido - movimento de valorização dos negros nas telenovelas brasileiras. Mas, até agora, somente nomes como Lázaro Ramos e Taís Araújo ganham destaque nas produções nacionais com papéis relevantes – um fato impensável há poucos anos trás. Lázaro, inclusive, não é o galã convencional, mas desfruta de um grande prestígio na Rede Globo. Como você vê esse processo da participação do negro na TV brasileira? Acha que é apenas a “política de cotas” do politicamente correto?


Marcos Galdino – Acho que é a “indústria viciada na Barbie” imposta pelos estadunidenses no nosso modo de vida! Você vai ao shopping, ao terminal de ônibus, e vê gente de todas as cores com o cabelo esticado pintado de loiro. Quando as próximas gerações entenderem que o mundo não gira em torno de um só país e que cada país deve resgatar e preservar seu próprio modo de vida aí acaba essa história de racismo, discriminação, cotas e tal!


Elenilson – "Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas. Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha, nem desconfia que se acha conosco desde o início das eras. Pensa que está somente afogando problemas dele, João Silva... Ele está é bebendo a milenar inquietação do mundo!" Eu amo esse poema do Quintana e sinto o mesmo desespero e desesperança com relação a essa inquietação do mundo. Você acha que os homens deixaram de olhar o olhar do outro ou que isso tudo que o Quintana escreveu é apenas um devaneio?


Marcos Galdino – Atualmente só quem olha o olhar do outro é o ator! (risos) Volto a falar das influências de costumes que deixamos Tio Sam engessar na gente. Você chega nas cidades do interior de qualquer parte do Brasil, ou nem precisa ir tão longe, basta ir num bairro onde as pessoas não tem acesso a TV a cabo, internet... As únicas emissoras que funcionam na TV são Globo, SBT, Record e Band, e tais emissoras só transmitem filmes americanos violentos, transmitindo o ensinamento de ser o melhor, o bonzão, competição, vingança, força, bullying, estética com padrão de beleza Barbie, loirinha, magrinha, bombadinha e que só quer casar com homem rico, guerra de comida na merenda escolar, cuecão... Aí você olha ao seu redor, na cidade, e vê os jovens fantasiados de rappers, jogadores de basquete, fazendo street dance, homens querendo tunnar carro e competindo nas ruas como “velozes e furiosos”, violência extrema, pessoas tentando ser o que não são... E você percebe que todos estão fora da sua natureza. Somos brasileiros, temos nossa cultura, não somos vingativos, não somos egoístas e temos a sacanagem, a malandragem. Temos a nossa própria cultura! Não podemos ser o que não somos, não é natural, desequilibra tudo de tudo quanto é jeito e sempre estaremos buscando a felicidade! Devemos parar de ficar absorvendo modas e passar a mostrar a nossa própria moda, os “hollywwoodnewyorktexanos” só são assim, têm esse poder todo porque souberam impor seus costumes, e nós comemos tudo isso. Falando nisso deu vontade de comer burguer king! (risos) Pense bem, os Estados Unidos não têm nome e nós chamamos de americanos! Isso é um absurdo! Americanos somos nós, brasileiros da América Latina! Deixamos que eles tomassem a América como nome próprio, isso no mínimo é doideira!


Elenilson – Vou bater na mesma tecla de sempre. A infra-estrutura financeira para você fazer uma montagem e manter em cartaz uma peça ou um filme é muito difícil. Vide os “Filhos de João”. As pessoas não têm ideia do quanto é caro fazer teatro, um livro ou um filme. eu vejo que as pessoas envolvidas têm que manter diariamente uma equipe em ação que tem que ter uma remuneração mínima. Mas, muitas vezes, nem isso acontece. Todos os dias têm os atores em cena, maquiador, cenotécnico, contra-regra, operador de som, operador de luz, pauta do teatro, divulgação e programa que temos que imprimir para distribuir. Na Bahia, a bilheteria não sustenta o teatro. Mesmo que você lote o teatro todos os dias isso é impossível. Então, como o teatro se sustenta?


Marcos Galdino – Seguindo os padrões de gostos impostos pela televisão brasileira com o "teatro comercial" para que as empresas tenham interesse de patrocinar. Dura e triste realidade! Se Paulo Dourado ao invés de "A Paixao de Cristo", propusesse a "A Paixão de Judas Iscariotes", você acha que teria o patrocínio da Vivo? O ator que quer montar um espetáculo fora dos padrões do público da TV tem que bancar sua produção, exemplos: meu amigo Ricardo Castro com o “1,99”, Gil Vicente com as peças de Tchékhov e também com o “Sargento Getúlio”! É assim, o amor ao que nos move.


Elenilson – Você, ao longo desses anos, tem atuado em defesa da classe artística? De que forma?


Marcos Galdino – Não, nem um pouco. Acredito que o artista se defende com a sua própria arte, não acredito em outro meio de arte, ele, de alguma forma, usa o que tem lá dentro para berrar lá fora, assim nasce a arte. Se você colocar um artista num mundo perfeito, que arte vai sair dele? Como será a comunicação íntima dele para o universo? Agora eu defendo sim cada um fazer a sua parte, por exemplo, a Prefeitura de Salvador, deveria cuidar da cultura na cidade de Salvador, oras! Você sabe o nome do secretário de Cultura da prefeitura? Pergunte a cem pessoas que duzentas lhe responderão que não sabem e pelo menos cento e cinquenta mal sabe que "existe" tal Secretaria ou setor ou secretário ou birô na repartição! Fomos mal acostumados pelo carlismo que só cuidava da sua própria casa, onde colocava polícia militar estadual para cuidar de seus luxos pessoais, aí cobramos do governo! O governo deve cuidar do Estado e a prefeitura DEVE cuidar da cidade! Você conhece algum teatro municipal aqui? Conhece algum incentivo da prefeitura? No Rio de Janeiro, pelo menos a prefeitura faz questão de facilitar outdoors e anúncios diversos para espetáculos teatrais e cultura no geral, aqui nem isso! Nem uma forcinha! NADA!


Elenilson – Mas onde estaria o maior problema? Na economia, na educação, na política?


Marcos Galdino – Na cabeça, o maior problema está na cabeça oca de quem bota cabeças egoístas no poder administrativo de seu lugar ao sol. Na verdade, o problema de montagens é generalizado, é ficar aqui páginas e mais páginas apontando problemas, então tudo deve ser organicamente executado como tem sido, assim temos mais arte porque estamos na raça, na gana, na cara e na coragem. Mas devemos enfiar cobrança na prefeitura e parar de se acomodar e só cobrar do governo! Imagine você, o governo dispõe R$ 15.000,00 bruto para montagens, pense se a prefeitura em parceria com o governo oferecesse mais R$ 15.000,00 que com certeza pode oferecer este recurso para montagens. Matemática, 15 mais 15 é igual a 30. Deixaríamos de viver só de migalhas, não acha!


Elenilson – Quais planos povoam a cabeça do ator Marcos Galdino neste momento?


Marcos Galdino – Boa pergunta, porque quebrou minha irritação na resposta anterior! Bom, tenho alguns projetos. Também não quero ficar aqui em Salvador rotulado de Barrabás, né! (risos) Estou em dois projetos de teatro, se tudo der certo estreamos ainda este ano, estou com um curta para ser lançado no início do ano que vem. Tem duas oportunidades de longas além do teste de um que está rolando aqui, vamos ver. Eu amo fazer teatro e amo fazer cinema, não sei dizer qual dos dois eu mais gosto. Tenho também um projeto que venho planejando para daqui uns quatro ou cinco anos porque é muito complexo e imagino que o tempo será esse também. Está vendo como só vivemos o futuro e o passado! (mais risos) No mais, vamos tocando, compondo, levando, gerundiando...


Elenilson – E então, ainda está com medo de mim?

Marcos Galdino – Cara medo de você não, mas sempre pensei em cuidar e de não deixar as pessoas magoadas! Você parece ser um cara legal, pode ser um bom amigo, apesar de meus amigos ficarem putos comigo porque eu não sou de ligar, de sair e tal, mas sou amigo! Então é isso, estou de boa com o amor, de boa com meus filhos de 16 e 17 anos, de boa com a vida, pirado com o financeiro... e assim vai! Mas você é mesmo uma figuraça! Sorte e que tudo de certo para você, e sempre se apaixone pelas pessoas certas, esqueça o Walt Disney que nos pregou desde criancinhas o príncipe encantado, a princesa encantada, a mulher da nossa vida.. Isso não existe, o amor se constrói de qualquer pessoa para qualquer pessoa, vai por mim! Abração...

Teste de maquiagem Barrabás, em “A Paixão de Cristo”, Salvador 2011.Com Marcelo Prado, em “A Paixão de Cristo”. Pilatos ou Barrabás?

Marcelo Prado (Pilatos) Andrea Villela (Cláudia) e Galdino (Barrabás) (foto: Shirley Stolze)

Com Regina Dourado. Ave Regina...

“Barrabás foi um revolucionário da época, foi um Cristo que foi para o caminho da guerrilha e da vingança usando a violência! Acredito que ele mal tinha noção da realidade, principalmente aquela, da liberdade”, disse Galdino sobre o seu personagem em “A Paixão de Cristo”.

Barrabás “vai onde o povo estar”. E a propaganda do governo (ridículo) da Bahia está lá na fitinha separando a massa. (foto: Shirley Stolze)

No intervalo com Jesus, digo, Jackson Costa.

Em “Aos Ventos que Virão”, de Hermano Penna.

Em “O Senhor do Labirinto” - longa premiado como Melhor Filme Juri Popular no Festival do Rio. Galdino, como o guarda Geraldo, e Flávio Bauraqui, como o bispo do Rosário.

Gravando jingles comerciais.

Essa foto é fantástica: elenco de “A paixão de Cristo” agradecendo ao público baiano, na Concha Acústica do TCA, em Salvador. (foto: Uarlen Becker)

Contatos de Marcos Galdino

fone: (71) 8845 3200

somarcosgaldino@gmail.com

fotos: MG/divulgação

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

AH, OS CANALHAS, O DESEJO DOS CANALHAS: DILMA ARQUEADA!

“A espada, as alianças e o futuro.”

Por Elenilson Nascimento


A total falta de respeito para com a autoridade máxima desse “país de bananas” é uma coisa absurda. O Estadão, esse jornaleco marrom, é a cara desta elite hipócrita, indigna, fria e cruel, que não tolera ver uma mulher “aparentemente competente” administrar com um certo sucesso o Brasil, fato que essa gente não conseguiu, apesar de décadas no poder.


A semana novamente começou com nuvens de chumbo para a cúpula nada confiável do PMDB. As novas denúncias que vazaram na imprensa contra o agora ex-ministro Wagner Rossi e contra o ministro do Turismo, Pedro Novais, levavam os peemedebistas a imaginar que a presidenta ia operar um triplo strike no seu Ministério. Demitiria Rossi, Novais, e afastaria ainda Romero Jucá da liderança do governo no Senado – foi o irmão de Jucá, Oscar Jucá Filho, o Jucazinho, que fez as primeiras denúncias contra o Ministério da Agricultura em entrevista à revista Veja. Mas parece que a coisa já mudou de figura. A faxina acabou?


Agora, surge uma foto que está (ou estava) na página da edição impressa do Estadão, onde a presidenta Dilma aparece levemente arqueada, e a espada de um cadete parece trespassar o seu corpo. Abaixo da foto, o título “Honras Militares” – e um texto insignificante, sobre a participação da Dilma numa cerimônia militar. Faço minuciosamente a descrição da foto, pois, estranhamente, não encontro a foto original no site do Estadão. Talvez apareça naquela versão digital para assinantes…


Mas este jornaleco (minúsculo), no mínimo deve receber uma chamada do serviço de segurança da Presidência ou, até ser processado pela ousadia de incitar a violência contra a presidenta, de forma banal, cruel e desrespeitosa, sabendo-se de seu martírio, quando, ainda muito jovem, derramando seu sangue em defesa do Brasil.


Contudo, o senhor editor deve ter achado genial mostrar a presidenta como se estivesse sendo golpeada pelas costas. Coisa que não vai demorar muito! Então, prevendo o golpe fatal, jogou a chamada metáfora de imagem. Mas, expliquem-me: qual a metáfora nesse caso? O que a foto tinha a ver com a solenidade de que fala o jornal? Há, no meio militar, quem queira golpear Dilma pelas costas? O jornal sabe e não vai dizer né? Ou, quem sabe, a turma do Estadão tenha achado graça em “brincar” com a imagem. No mínimo, um tremendo mau gosto com uma mulher que já passou por tortura na mão de militares, e hoje é a “presidenta” de todos os brasileiros.


Sintomático que a foto não apareça ao lado da mesma notícia na edição digital. Alguém deve ter pensado melhor e concluído: não ia pegar bem. Por isso tudo, sou levado a pensar que só Freud talvez explique a escolha da foto: a mão militar, na imagem, cumpre a função de eliminar a “presidenta”. E, com isso, talvez agrade a certa parcela dos leitores do jornal.


Mas passeando pelo site do Estadão, é muito comum ver a presidenta chamada de “terrorista”. Mas a Dilminha tá fazendo certinho, adulando um pouco os milicos, aí eles se derretem todos e se dobram ficando de quatro para a ex-terrorista. Para essa gente, terroristas não foram os que mataram, torturaram e impediram o país de viver em regime democrático? Parece que não! Para eles, “terroristas” são os que lutaram contra a ditadura? Parece que não! A foto do jornal cumpre o seu único papel de agradar essa gente.

Então, palhaços brasileiros e brasileiras, vamos continuar trabalhando para pagar os inúmeros impostos! Para sustentar esses vagabundos de “merda” de Brasília! Para sustentar seus parentes e amantes! Para sustentar seus amigos! Para sustentar seus cúmplices! Para sustentar seus laranjas! Cadê a porra da UNE? Cadê a população protestando nas ruas? Ah, esqueci, o Lula comprou todo mundo com sorrisos! Vamos reagir. Isto não pode se repetir. Vamos boicotar este jornal desprezível. Repassem!


foto: reprodução

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ELENCO BAIANO FAZENDO SUCESSO EM “CORDEL ENCANTADO”

“Muita gente não faz ideia de que existe muita gente boa fazendo arte de qualidade na Bahia!”

Por Elenilson Nascimento


Um sonho (ainda) muito distante para a grande revolução brasileira: se tornar uma nação para todos os seus filhos! Esse ideal aparece ao longo dos séculos em situações diversas, conhece avanços e retrocessos, mas continua sendo apenas um ideal utópico na boca dos governantes. Concretizá-lo é o nosso destino. Mas quando?


Não poderia ser muito diferente com relação à educação e cultura. Impossível pensar em grandes transformações sem uma noção ampliada e coerente, capaz de absorver conceitos e práticas que se espalham pelo nosso território, definindo-o de forma clara. Cultura como direito de todos os cidadãos, isso está fora da pauta de entretenimento das massas para o governo. E o papel das mídias nesse artesanato de democracia, suas concessões e seus conteúdos, sua capacidade crítica, os direitos autorais e coletivos, a memória, o diálogo com o mundo, as cadeias produtivas das artes... tudo... tudo.. ainda é um sonho distante!


Contudo, a Rede Globo surpreendeu no meio da sua grade de bobagens, produzindo uma novela interessante, ambientada no Nordeste, mesmo sendo cheia de fantasia, e com cinco atores da Bahia no elenco, e todos saídos da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia. E, sem dúvida, a novela “Cordel Encantado” é um sucesso. Tanto que a Globo, exploradora como sempre, já solicitou às autoras Duca Rachid e Thelma Guedes mais uma sinopse para uma nova produção.


Ontem, 21/08, o grupo de atores da Bahia foram destaque no programa “Rede Bahia Revista” (TV Bahia, filial da Globo). Parabéns aos atores pelas colocações coerentes na entrevista com a Wanda “chata” Chase. Num papo descontraído, como numa mesa de bar, mas que é preciso ser dito e é muito esquecido de ser lembrado: Salvador não conhece Salvador!


É constante ver um público comum, que não é da área, que não é consumidor de cultura, que, ao gostar muito de uma peça, de uma interpretação, pergunta: "Esse grupo é da Bahia, esse ator é de onde?". Muita gente não faz ideia de que existe muita gente boa fazendo arte de qualidade na Bahia!


Muitos de nós, artistas, imprensa, e, mais que tudo, o grande público, todos deveriam valorizar mais a nossa qualidade e competência, talvez a Bahia saia daquele espírito que Otávio Mangabeira falava - terra onde se paga 50 pro outro não ganhar 20 - e possa acontecer a revolução cultural que está latente em diversas áreas, mas ainda amarrada e sufocada pela província...