sábado, 30 de julho de 2011

ALEXANDRE LEÃO DEDICA MÚSICA PARA ELENILSON

O cantor e compositor baiano Alexandre Leão acabou de postar no YouTube um vídeo especial para o seu blog oficial da música “Paiol do Ouro” (A. Leão e Olival Mattos), sua primeira canção gravada, em 1989, por Maria Bethânia. E o melhor: o vídeo é dedicado para... Confira:

MINHAS RESENHAS POLÊMICAS SOBRE O LIVRO “OS CEM MELHORES CONTOS BRASILEIROS DO SÉCULO”

“O problema dessa antologia é que, na verdade, o que mais contou foram os nomes e não as obras. Até a polêmica fascista da proibição judicial da distribuição dos "Os Cem Melhores Contos..." para alunos da rede estadual reacendeu a hipocrisia envolvendo sexualidade, censura e educação.”

Por Elenilson Nascimento


Finalista do Prêmio Jabuti, a antologia "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século" (*615 páginas), organizada por Ítalo Moriconi, foi pautada por critérios não muito definidos, mas que poderíamos induzir que o que contou mesmo foi a fama dos seus autores, mesmo que muitos tenham alto nível e representem muito bem a nossa produção, ainda acho que a repetição de alguns autores demonstrou a falta de pesquisa na inclusão de outros menos famosos, mas valeu por apresentar uma galeria de textos (ficção curta) há muito esquecidos ou ainda não descobertos.


Contudo, me deliciei principalmente com os contos: “Dois corpos que caem”, de João Silvério Trevisan; “Um discurso sobre o método”, de Sérgio Sant’Anna; “Aqueles dois”, de Caio Fernando Abreu; “Aí pelas três da tarde”, de Raduan Nassar; “Felicidade clandestina”, de Clarice Lispector; “Feliz ano novo”, de Rubem Fonseca; “A maior ponte do mundo”, de Domingos Pellegrini; “A força humana”, de Rubem Fonseca; “O moço do saxofone”, de Lygia Fagundes Telles; “Viagem aos seios de Duília”, de Aníbal Machado; “Tangerine-Girl”, de Rachel de Queiroz; “Pai contra mãe”, de Machado de Assis; o divertidíssimo “O bebê de tarlatana rosa”, de João do Rio; “A nova Califórnia”, do excelente Lima Barreto; “A caolha”, de Júlia Lopes de Almeida; “Negrinha”, de Monteiro Lobato; “Gaetaninho”, de Alcântara Machado; e “Baleia”, de Graciliano Ramos.


Como também, achei inadmissível a ausência de muitos outros autores que nem foram citados, como Nelson Rodrigues, Nelson Luiz de Carvalho, Ferréz, Drauzio Varella, Alessandro Buzo, Luiz Alberto Mendes, Sacolinha e Rodrigo Ciríaco. Mas fiz questão de resenha no COMENDO LIVROS todos os cem contos escolhidos para essa antologia. Porém, a recente polêmica-ignorante-burra proibição judicial da distribuição dos "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século" para alunos da rede estadual de ensino reacendeu a hipocrisia envolvendo sexualidade, censura e educação. Até eu recebi alguns comentários ofensivos por ter escrito que gostei muito dos textos em questão.


Mas, para alguns educadores e escritores, a medida é arcaica e desnecessária. Na visão de alguns alunos e pais, parte do conteúdo da publicação é muito pesada para quem tem entre 11 e 17 anos. Os contos citados com "problemas" foram "Obscenidades para uma Dona de Casa", de Ignácio de Loyola Brandão, "Flor de Cerrado", de Maria Amélia Mello e "Olho", de Myriam Campello. Todos os três maravilhosos e inclusos numa polêmica fascista justamente por um povinho que não deve ter nem passado perto da capa do livro.


E como disse o meu amigo escritor baiano Moacir Eduão, que participou da antologia (que eu organizei) “Poemas de Mil Compassos” (2009): “Essa geração não pode ser chamada de geração, Elenilson. Precisa ser chamada de Gera Não. Ninguém comenta livros aqui, porque não lê acolá. Há umas raridades de leitores. Só que, mesmo leitores, parece que quando aparecem aqui é para ficar livre das intelectualidades. O pior é que "out line" também não encontramos muitas pessoas interessadas em conversar sobre livros. Com os investimentos em Educação e Cultura que temos, hoje, vamos continuar no ranking como um dos piores em interpretação de texto, em produção textual, e ganhando prêmios de melhor interpretação do "tchan tchan tchan", etc. Ler é conversar consigo mesmo, ter que interpretar a si, e isso é cansativo para os bichos-preguiça da contemporaneidade. Só tolero, ainda, por causa do poder que percebo da literatura infantil na garotada. Meu exercício para não perder a esperança está seguindo essa possibilidade: Ler para as crianças, para que elas não "morram" maduras e sem doce. É como regar. Estou pensando em escrever para as crianças. Escrever como elas, para que não se percam". Pois é. Agora, pelo menos leiam as minhas resenhas no COMENDO LIVROS – divididas em seis longas partes:

E confira também uma matéria sobre a “polêmica” com o conto do livro "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", distribuído pela Secretaria Estadual de Educação para alunos do 2º grau. O único conto identificado na reportagem foi o “Obscenidades para uma Dona de Casa", de Ignácio de Loyola Brandão, porque os outros, provavelmente, eles nem leram. “Um texto pornográfico e depreciativo”, disse uma inspetora de alunos de uma escola de Votorantim, São Paulo, avó de uma estudante de 17 anos. Embora não queira aparecer, a inspetora diz que a sociedade deve discutir a forma que o Estado está educando os jovens.


Acostumada ao ambiente escolar, ela diz que mesmo os alunos do antigo 3º colegial, entre 15 e 17 anos, não têm maturidade para compreender aquele tipo de leitura. O conto retrata uma mulher casada, que recebe cartas anônimas descrevendo atos sexuais. Mas para a inspetora, mesmo com toda informação que existe hoje, “é preciso analisar de que forma as coisas serão passadas. Além disso, há o constrangimento na sala de aula e o fato de que o livro não ficará restrito a esses alunos, podendo chegar às mãos dos mais jovens”. O que ninguém comenta é que além desse conto do Loyola, outros textos no livro provocam o leitor com termos que este conhece e sabe muito bem que existe, mas não quer ouvir. Penso que antes de ir atacando uma obra literária como se ela fosse uma ideia perigosa, os pais e os professores deveriam discutir a questão da sexualidade com os adolescentes, de forma mais aberta e crítica, como deveriam, também, discutir a miséria, a fome e a destruição do planeta. Lamentável. Observem a reação do povo:

fonte: Comendo Livros

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A TURMA DE BOLSONARO CONTRA O QUIOSQUE DE SUELI

“Há muito tempo que todo novelão das oito que se preza tem que ter um merchandising social, uma bandeira ativista em favor de algum tipo de vítima, pois a indústria do bem está cada vez mais na moda...”

“A Globo resolveu jogar um balde de gelo nos gays de "Insensato Coração". Além do corte das cenas, os autores foram instruídos a não carregarem bandeira política. Na foto, Eduardo (Rodrigo Andrade) e Hugo (Marcos Damigo).”

Por Malu Fontes*


Acabou a festa e a alegria no quiosque de praia de Sueli, em “Insensato Coração”. Lá, todos os gays do Rio de Janeiro são lindos, jovens, malhados, bem sucedidos, felizes e tanto moram quanto trabalham a poucos metros da praia, com expedientes de trabalho que parecem começar só após as 10 e terminar antes das 16, pois só assim para todos eles encontrarem-se todas as manhãs e fins de tarde para tomar sol, bater uma bolinha e paquerar no quiosque, todo decorado com bandeirinhas do arco-íris gay. Tudo ia muito bem, tanto com a clientela segmentada de Sueli quanto com o merchandising social da causa antihomofóbica adotada pelos autores da novela, capitaneados por Gilberto Braga, ele mesmo homossexual do tipo que nunca viveu em armários e que mantém há décadas um casamento sólido com o arquiteto Edgar Moura Brasil.


Há muito tempo que todo novelão das oito que se preza tem que ter um merchandising social, uma bandeira ativista em favor de algum tipo de vítima, pois a indústria do bem está cada vez mais na moda, apesar de as criancinhas pobres da África continuarem com fome mesmo com tanta gente boníssima querendo ser igual a ou santificar Angelina Jolie e Bono Vox. No campo das causas sociais adotadas pelas novelas, a própria Globo já passeou por dependência de drogas, alcoolismo, racismo, violência contra a mulher, imigração clandestina, pedofilia, violência contra idosos e inúmeros outros temas. Em "Insensato Coração", era a vez da bandeira antihomofóbica, o que vinha mais do que em boa hora, pois o povo parece se informar mais com telenovela do que com livros e revistas, já que não os lê, e o Brasil continua com índices alarmantes de assassinatos e agressões físicas e morais contra homossexuais. E bastou a um pai do interior de São Paulo abraçar um filho de 18 anos para ter a orelha decepada por talibãs locais que viram na cena um diagnóstico de homossexualidade.


DENTADURA - Quem, afinal, poderia ser contra o levantamento de bandeiras a favor de causas e grupos sociais que são vítimas de preconceito, violência, sofrimento ou tudo isso junto? Quando se trata de abordar a questão homossexual, parece que muita gente é contra, sim. Quisera o otimismo dos defensores da diversidade que Jair Bolsonoro fosse uma exceção. Ele é tão somente o mais barulhento e falastrão. Talvez mais danosos que o deputado caricato sejam aqueles que escondem sua intolerância com o silencio, pois sequer têm coragem de dar a cara a tapa para serem confrontados.


Pois bem. Parece que a entidade que atende genericamente pelo termo família brasileira, representada majoritariamente tanto pela nova quanto pela velha classe média, ainda não está disposta a trazer para a sala de casa, nem sob a forma superficial de narrativa ficcional teledramatúrgica, a questão homossexual. Como a Rede Globo precisa manter a liderança de audiência para continuar vendendo para essa familia anúncios publicitários de selante de dentadura, leite em pó, geladeira, carro e absorventes, uma luz vermelha foi acesa para os autores de “Insensato Coração”. E por falar em anúncio, a mocinha dessa novela, a pretexto de divulgar um absorvente que causaria menos reação à vagina, o anuncia como um produto que faz "bem à pele" e o exibe com uma fluidíssima lavanda verde metaforizando o fluxo sanguíneo menstrual. Sim, é verdade também que, antes deste que optou pelo verde, todos os outros absorventes mostram na TV que o fluxo menstrual é azul. E sim, a família brasileira há anos acha natural ver na TV que a mulher publicitária menstrue azul. Mas duas pessoas do mesmo sexo namorando?! Ora, isso não é nem um pouco natural. E quem há de lhe contrariar?

BEIJO GAY- Daqui para a frente, não se verá mais viv'alma gay no quiosque de Sueli ou gays sendo gays em qualquer outro lugar de “Insensato Coração”, muito menos qualquer personagem criticando violência contra homossexuais. De gayzice, só sobrarão as gagues de Ronie, o fiel escudeiro, confidente e personal tudo da doidinha Natalie Lamour. Mas gay caricato na TV é redundância, chuva no molhado, todo mundo sabe.


A ordem para fazer desaparecer de uma vez tanto a bandeira colorida quanto a discursiva da causa gay da novela das nove foi dada diretamente pelo alto comando da Globo aos autores e diretores há uma semana, conforme noticiou em primeira mão a Folha de S. Paulo. Aos autores, diretores e elenco foi pedido ainda silêncio absoluto sobre as novas diretrizes em entrevistas à imprensa. Como parte dos telespectadores brasileiros desenvolveu uma fixação em torno da perspectiva de ver em uma telenovela o primeiro beijo gay masculino, a frustração foi antecipada. Nesse aspecto, merece destaque uma aparente contradição, carregada de significados culturais, ocorrida recentemente na cena jurídica brasileira. Coube ao Poder Judiciário, especificamente ao Supremo Tribunal Federal, comumente considerada como uma esfera atrasadíssima em relação aos comportamentos sociais do seu tempo, permitir que fosse ao ar, no programa mais canônico e um dos mais engessados da TV brasileira, o primeiro beijo gay masculino da televisão brasileira.


O fenômeno, para quem não se deu conta, foi veiculado em um telejornal, e não em uma telenovela, considerada como um produto de maior flexibilidade para a abordagem de temas delicados ou cercados de tabus. Desta vez, quem diria, a novela ganhou bolor e o Supremo agiu com arejamento e adequação à vida como ela é do lado de fora dos cenários do Projac. Goste-se ou não, o fato é que a turma de Bolsonaro parece mil vezes menos hipócrita que o pedido feito pelo comando da Globo aos autores de “Insensato Coração”. Essa rodada, os bolsonarianos venceram. E a Rede Globo, com seu Big Brother onde se pode tudo e mais um pouco, mostra, assim, que continua a mesma senhora hipocritamente austera dos tempos em que mandou explodir um shopping center na novela “Torre Babel” só para matar e excluir da trama um casal de lésbicas. Como agora, a emissora o fez também a pedido da família brasileira e para preservar a audiência conservadora pela qual seus anunciantes lhe pagam volumes astronômicos de dinheiro. Gilberto Braga deve estar em cólicas.

* Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. Contato: maluzes@gmail.com

fotos: divulgação

LEVANDO GAL PARA PASSEAR

“Artista plástico que mora em Salvador carrega os discos de Gal Costa para todos os lugares. O passeio só terminará quando a cantora lançar seu novo disco, previsto para o mês de setembro.”

Por Elenilson Nascimento

O artista plástico bonitão Arthur Scovino (*nasceu no Rio de Janeiro, mudou-se para Salvador há dois anos para estudar na Escola de Belas Artes da UFBA) é um “doente” por Gal Costa. Vocês acreditam que o cara passeia pela cidade esburacada de Todos os Santos com um monte de discos da Gal debaixo do braço?


Segundo ele, numa matéria recente na revista Época: “Um dia, ao sair do curso, passou pela Praça do Campo Grande, área nobre de Salvador, e viu uma aglomeração de fãs em frente ao prédio da cantora Ivete Sangalo. Scovino lembrou que no mesmo prédio também mora Gal Costa. Segundo ele, a ideia de levar os discos debaixo do braço, na verdade uma performance artística, nasceu ali”. Que louco!


Os discos de Gal já passearam também por cidades como Campinas (interior de São Paulo) e Santo Amaro da Purificação (Bahia). Os amigos de Scovino também abraçaram a causa e costumam tirar fotos dos LPs por onde passam. Aliás, essa é a ideia do artista: incentivar as pessoas a fazer parte de sua performance. Quanto mais, melhor. As fotos são postadas no seu blog Levando os Elepês de Gal para passear. Eu achei tudo bem louco, mas não deixa de ser uma ideia interessante, tanto que chamou a atenção da Época.

Na bizarra Cruz Caída, na Praça da Sé.

Com o artista Bule Bule, na Biblioteca dos Barris.

A capa de “Profana” em meio à religiosidade de uma capela em Mairi, no interior da Bahia; o artista e os discos na Ponta do Humaitá, na Cidade Baixa; e a capa de “Gal Canta Caymmi” na grade da igreja do Bonfim, em Salvador.

fotos: divulgação

terça-feira, 26 de julho de 2011

ENTREVISTA COM O JORNALISTA TÃO GOMES PINTO (Part 1)

“O que aconteceu é que Tancredo temia que, se não fosse empossado, com direito à faixa e tudo, os militares poderiam dar um golpe dentro do golpe.” (T.G.P.)


Por Elenilson Nascimento


Tão Gomes Pinto é um raro exemplo de jornalista brasileiro que consegue conversar com o mundo para além dos muros da academia e das redações de jornais cheias de egos inflados. Jornalista, fez parte das equipes que criaram o "Jornal da Tarde", em SP, e das revistas "Veja" e "Isto É". Trabalhou ainda na "Manchete" e "Imprensa", foi colunista da "Folha de S. Paulo", entre outras atividades. No outro lado do balcão, foi Secretário de Imprensa do governador Franco Montoro, do Ministro Roberto Gusmão, do prefeito de Campinas, Jacó Bittar e mais recentemente trabalhou com o senador Delcídio Amaral.


Seja nos seus textos, seja em livros, seja na sua expressiva coluna semanal na Rádio Metrópole FM (Salvador-BA), ele sabe se comunicar com o grande público sem baratear suas ideias. Mais rara ainda é a sua disposição para criticar certezas e lugares-comuns bem estabelecidos entre seus pares.


Ele já circulou entre presidentes, ministros, altos executivos. Viaja constantemente pelo país e para o exterior e não sai das caóticas pontes aéreas. Visto assim, à distância, o cotidiano do Tão Gomes, amigo íntimo do Arnold, parece ser puro glamour. Mas é feito de suor, estudo e disciplina, como ele mesmo conta nessa entrevista exclusiva (*que eu quase pensei que ele tinha desistido).


Alguns amigos dizem que o Tão Gomes é um dinossauro do jornalismo. Ele rebate à altura: "Dinossauro é marca registrada do Joel Silveira. Eu, no máximo, sou um elefante, um bicho que se lembra de suas vidas passadas". Para ele, cada trabalho é uma "experiência renovadora". E elas são muitas, já que começaram no ano de 1962. Tão é um crítico feroz da cultura brasileira que conseguiu definir ironicamente o espírito dos tempos descrevendo um cenário comum na classe média intelectualizada, conversa com se estivesse num jantar inteligente, no qual os comensais da morte, entre uma e outra taça de vinho chileno, se cumprimentassem mutuamente por sua “consciência social”. Diz Tão Gomes: “Se você admitir que tudo o que disse ali, naquela análise aprofundada de um fato político, não passa de um besteirol em linguagem erudita, eu até respeito você. Agora se você leva a sério o que escreveu, então a besta é você”. Em suma, é uma honra imensa aqui no LITERATURA CLANDESTINA receber uma das melhores cabeças desse país, então acompanhe essa entrevista com o Tão Gomes Pinto – dividida em partes – e comprove que o porque o cara é muito bom! Respondi? Mais ou menos, eu acho...


Elenilson – O seu livro “O Elefante é um Animal Político” traz crônicas sobre esse Brasil vendido nos “discursos para analfabetos do Lula” como o “BraZil contemporâneo do futuro”. Futuro esse que desde quando eu era espermatozóide eu ouço falar. Você já foi assessor parlamentar, conviveu e se divertiu com todas as picaretagens feitas por esses “manobristas de bagaça”. O que o “Elefante” do Pinto traz de inédito, já que muitos tentam ser divertidos, mas quando o assunto é política, a coisa parece que degringola?


Tão Gomes Pinto – O assuntou degringola porque, no Brasil, política não pode ser levada a sério. Então, já que não é sério, deixa rolar, degringolar, virar do avesso, contar história de frente para trás, vale falar e fazer qualquer coisa, quando se trata de política. Você pode até tratar o assunto em profundidade, mergulhar em análises e prospecções, escrever artigos de página inteira e publicá-los no Estadão, no Globo, no Correio Braziliense ou num veículo supostamente independente, entre aspas, como, digamos, a Caros Amigos... Se você admitir que tudo o que disse ali, naquela análise aprofundada de um fato político, não passa de um besteirol em linguagem erudita, eu até respeito você. Agora se você leva a sério o que escreveu, então a besta é você. Respondi? Mais ou menos, eu acho...


Elenilson – Brizola, FHC, Lula, Maluf, a ascensão e queda de Collor (*eu perdi o meu estágio num banco por causa desse f.d.p., ups, escapoliu!), o recém morto Itamar Franco, etc. Você estava no centro de tudo isso. Como avaliar agora, passado esse tempo todo, o que esses “camaradas” queriam realmente?


Tão Gomes Pinto – São pessoas como a gente (eu, você, etc...) que tiveram a sorte, ou o azar, de entrar na política e, estavam destinados, por instinto (ou pelo destino simplesmente), a ocuparem postos de responsabilidade. Aí, cada um agiu conforme a sua educação, consciência, influência de amigos, etc... e foram levando a vida cada um com a sua vocação. Ou tendência (o DNA deve funcionar no caso). E já que o destino reservou para eles um lugar de proeminência – e eles chegaram lá – imaginaram N maneiras de se perpetuar no cargo. Talvez, da turma que você menciona, só escape o Itamar, mais desapegado do exercício do mando. Tanto que chegou a presidência sem maiores esforços. Um amigo dele, o falecido deputado Raul Belém, falava sempre da sorte do Itamar... Ele dizia que às vezes era preciso ficar batendo na janela do quarto onde o Itamar dormia e dizer: "Acorda Itamar... acorda... vem ver tudo o que Deus decidiu fazer de bom pra você hoje... vem ver rapaz...". Às vezes o Itamar acordava. Em outras, virava pro lado e continuava dormindo. Respondi? Mais ou menos, eu acho...


Elenilson – Os vários planos econômicos que esse país já teve foram necessários mesmo? O que de errado aconteceu no meio do caminho para que a coisa fosse levada dessa forma?


Tão Gomes Pinto – Essa história de plano econômico foi uma espécie de febre, onde os economistas praticamente tomaram o poder, no caso brasileiro. Essa subordinação abalou a saúde do país por várias décadas. Agora passou... mas já há no horizonte sinais de que pode voltar. É como a maleita ... que sempre um dia volta. Eu assisti (com estes meus olhos) duas cenas, em dois momentos diferentes (portanto, dois planos econômicos diversos) o então ex-ministro Delfim Netto, que já foi chamado de Czar (ou Tzar) da nossa economia, pegar uma nota e ficar olhando para ela com a perplexidade de um homem primitivo. Foi durante a tentativa de um plano que pretendia acabar com a inflação por decreto. Acho que era o Plano Collor. Depois de pegar a nota, revirá-la, tornar a examinar, o Czar me disse uma frase inesquecível: "Eu acho que a inflação é um fenômeno que acontece dentro da moeda...". Ou seja, escapava ao entendimento de nós, simples seres humanos. Outro momento, que eu diria inolvidável, foi o dia em que eu vi o presidente Sarney pegar no braço do Edilson Varela, então um dos diretores do Correio Braziliense e comentar: "Pois é, Edilson, inflação nunca mais...""Não existe almoço grátis. Sempre alguém está pagando a conta". Por isso não há plano que funcione. Os planos quinquenais da antiga URSS, o consenso de Washington, etc... todos se esquecem que alguém está pagando a conta. Em geral, são os mais pobres que pagam, sejam pessoas ou países. Não me recordo qual o plano econômico que vigorava na época. Mas voltando ao Delfim Netto, uma frase dele, que serve para qualquer regime político ou sistema econômico é a seguinte:


Elenilson – No meu romance “Clandestinos” que, depois de dez anos na gaveta, enfim, saiu em 2010 por uma editora, uma personagem na estória questiona a morte de Tancredo. Neste ano de 2011, no mês da morte de Tancredo Neves, a Rede Globo e todas as outras mostraram reportagens especiais sobre o assunto. Eu era muito pequeno, mas ainda lembro da comoção pública que foi a morte do presidente que não conseguiu receber a faixa. Até hoje não acredito naquela história para livros escolares. Conversando com um professor de História ouvi a história de assassinato, então eles inventaram esse conto de “diverticulite”, que agora vem sendo questionado e a Globo tenta manter as aparências de seu passado militar. O que sei é que no dia de sua posse, na missa celebrativa (*Catedral de Brasília), acabou a luz e ouviu-se um tiro (ou algo parecido). Dias depois foi divulgado que Tancredo teve uma crise e estava na UTI, no caso ele já estaria morto, mas os militares que por sinal apoiavam Sarney, encobriram a notícia e deixaram para divulgar sua morte no dia 22/04, coincidência com Tiradentes? Não fizeram isso pensando na comoção nacional? Diz-se ainda que a repórter Gloria Maria, presenciou a cena, e teve que ir fazer umas “reportagens” bem longe dali, por alguns anos na Finlândia. Tudo isso pode ter acontecido ou devemos, como cidadãos de bem (eu não viu!), deixar tudo enterrado? Você não acha que Tancredo poderia ter sido a melhor coisa que nesse país em matéria de dignidade política e, sabendo disso, os manda-chuvas providenciaram tirar o cara do mapa? Comenta.


Tão Gomes Pinto – Delírio puro... É incrível como essas histórias fantásticas, absurdas, sem pé nem cabeça, prosperam... Eu estive, não no centro, mas muito perto desses acontecimentos como assessor do Roberto Gusmão, na época um dos principais articuladores da candidatura Tancredo Neves, via Colégio Eleitoral. Teria dados minuciosos para desmentir essa versão, que reputo alucinada, sobre a morte de Tancredo. O que aconteceu é que Tancredo temia que, se não fosse empossado, com direito à faixa e tudo, os militares poderiam dar um golpe dentro do golpe. Ulysses Guimarães era um nome que os militares não admitiriam de jeito nenhum assumisse a presidência. Tancredo, Montoro, o pessoal bem informado sabiam disso. Ulysses eleito... Um golpe militar dentro do governo militar... Tancredo trabalhou sua aproximação com os militares desde o momento em que percebeu que ele seria o único nome da oposição que seria aceito pelo chamado “sistema”. Ele e alguns militares de boa cabeça sabiam que o chamado “sistema” se exaurira. Os milicos (os de boa cabeça, perceberam isso muito antes da campanha das Diretas-Já. Tancredo também percebeu. Tanto que 1983, ele era governador de Minas, mas já tinha um time de políticos trabalhando por uma candidatura de civil. E que, dentro dos nomes que seriam palatáveis para o regime militar, estava o de Tancredo, embora ele fosse do MDB, partido de oposição. Então, governador de Minas Gerais, Tancredo fazia contatos com militares e esses contatos ele não delegava a ninguém. Eram conversas diretas (e secretas, naturalmente) com os representantes do “sistema”. Os políticos que se entusiasmaram com a possibilidade de um civil da oposição chegar ao poder trabalhavam também muito discretamente. Entre eles estava o meu chefe na época, Roberto Gusmão, o Fernando Lyra, em Pernambuco, o próprio governador Montoro, o grande animador da campanha Diretas-Já. Os cabeças dessa campanha, que visava a aprovação da emenda Dante de Oliveira, sabiam que a aprovação a emenda (ela previa que as próximas eleições presidências fossem diretas) não passaria no Congresso, como de fato não passou. A mobilização das Diretas Já, patrocinada pelo Montoro, serviria no entanto trazer para a candidatura de Tancredo via Colégio Eleitoral, o chamado apoio popular. Esse apoio foi considerado necessário para legitimar, digamos assim, a candidatura de Tancredo pela via indireta, o que se conseguiu brilhantemente com a campanha Diretas Já empolgando multidões. No entanto, durante essa delicada costura política alguém teria que botar o guizo no pescoço do Ulysses Guimarães. Explicar para ele: 1 - A emenda Dante de Oliveira não passa no Congresso e nem pode passar. Se passar, os militares fecham o Congresso no dia seguinte. Então, caro Ulysses, não há hipótese de eleições diretas. 2 - Nas eleições indiretas, pelo Colégio Eleitoral, se você for candidato e ganhar, repete-se a cena. O Congresso é fechado e retomam-se as cassações de mandatos e tudo o mais que os militares sabiam fazer. Quem explicou isso tim-tim-por-tim-tim ao Ulysses, foi o Franco Montoro, na época em que eu era Secretário de Imprensa do governador. Mas essas conversas nunca transpiraram, nem poderiam, caso contrário o esquema, bordado com linha finíssima, se desmancharia por completo. Chegamos ao dia da eleição do Tancredo, já consagrado, a priori, como salvador da pátria pelo povão... Inclusive o Maluf chegou ao Colégio Eleitoral sabendo que iria perder. Mas não podia admitir isso publicamente porque estaria, de qualquer forma, desmanchando a costura toda. E o Maluf sabia mais. O Maluf teve acesso a ficha médica do Tancredo onde já havia o diagnóstico de diverticulite e a recomendação para operar Tancredo o quanto antes. Informação essa que ele não usou na campanha das indiretas porque o Paulo Maluf sabia que seria acusado de desestabilizador da redemocratização em curso. Acabaria sendo ele o grande culpado por uma eventual desistência de Tancredo ou sua improvável (naquela altura) derrota no Colégio Eleitoral. Mais ainda, Maluf teve acesso aos boletins médicos de Tancredo feitos pelos médicos do Senado, já eleito pelo Colégio Eleitoral. Tancredo, em visita ao Senado, teve uma crise, com fortes dores no abdômen. Enquanto dois senadores simulavam uma acalorada discussão, ameaçando chegar às vias de fato, para atrair a atenção de jornalistas e fotógrafos, Tancredo entrou sem ser notado no departamento médico do Senado. Saiu de lá com o diagnóstico: operação necessária e urgente. Mas ele embarcava para tradicional viagem dos pré-presidentes brasileiros à Europa no dia seguinte. Se observarmos as fotos dessa viagem, constataremos que, na maioria delas, Tancredo aparece com as mãos protegendo um dos lados da região dolorida. Na véspera da posse, eu estava com o Roberto Gusmão e notei-o absorto e distante. Então ele me disse: "Dr. Tancredo está com apendicite. Estão levando ele para o Hospital de Base". Ali começaria a tragédia da posse, com deputados que se diziam médicos, invadindo a UTI, gente entrando e saindo, e deixando no ar micróbios e bactérias da infecção generalizada da qual Tancredo não sobreviveria. Essa é a história real. O resto, como você diz, é romance. Mesmo com Tancredo internado, foi mantida a recepção no Itamaraty ao qual eu compareci. E vi com os meus próprios olhos o neto de Tancredo, Aércio, tocando no piano as músicas “Como pode o peixe vivo, viver fora da água-fria...” e “Ó Minas Gerais, quem te conhece...” Estava ali presente todo o “staff” que trabalhara para a eleição de Tancredo e a felicidade e alegria eram gerais... Ou esse pessoal disfarçava a gravidade da cirurgia de Tancredo, ou não sabiam dela. A cirurgia em si, era simples. Impossível foi controlar a infecção generalizada e o sofrimento de Tancredo, que acabariam, por pura coincidência, no dia 21 de abril.

*Essa entrevista continua em breve.


fotos: divulgação


podcast: Portal da Metrópole

segunda-feira, 25 de julho de 2011

AMY WINEHOUSE, A DIVA E SEUS DEMÔNIOS (UM CONTO NÃO CONTADO)

“E naquela tarde de sábado, em Londres, não chovia e não havia luz suficiente para que ela pudesse permanecer na sala, na vida, no palco, vendo as cores dos vidros desdobradas em outras sobre os objetos.”

Por Elenilson Nascimento


Ela está apaixonada e no topo das paradas. Agora, precisa sobreviver a isso tudo. Mas, como todos já sabem, fracassou! Imagina só a cena: Draco Malfoy e Harry Potter estão prestes a travar uma batalha sangrenta, com pauzinhos nas mãos e raios saindo pelos olhos, quando o arqui-inimigo do "menino que sobreviveu" e que usa um óculos que não descola nem quando ele está nadando ou até de cabeça para baixo, faz pose e começa a mandar uma letra do O Rappa: “Bom dia passageiros. É o que lhes deseja. A miséria S.A. Que acabou de chegar...”, usando a varinha como microfone para as suas rimas. E quase se engasga. Quem o salva é o Palocci, renascido das cinzas do esconderijo que a Dilma criou e que o tablóide The Sun, em um tom que não deixa claro o quão sério ele seria, descreveu como sendo um megaempreendimento de autopromoção.


Mas enquanto os fãs brigam pelo Twitter, revoltados com a morte precoce da Amy Winehouse e culpando o ex da cantora, Blake Fielder-Civil, parente distante do Lord Voldemort, aquele que não se pode dizer o nome (agora já falei!). Igual ao Zé Dirceu. Igual ao Severino Cavalcante. Igual ao João Henrique. Fielder e Voldemort se juntaram para azucrinar a vida da Amy. “Maluca, você teme a morte?”, disse Voldemort, observando a garota pálida e magricela amarrada à uma lápide, no cemitério de Little Hangleton, perto da Estação da Lapa, em Salvador, Terra de Todos os Santos e Bruxos e Políticos.


“Lógico que não! Eu até já disse até que NO NO NO”, disse a menina de peruca em resposta, juntando toda coragem possível em seu corpo miúdo. “Nunca temeria. Vivo entre o abismo e os meus medos. Um dia irei morrer mesmo, não é?”, questionou Amy. “Pode ser hoje mesmo ou depois do impeachment da Dilma”, disse o homem, fitando-a com desprezo. “Você pode morar dentro de um desses casarões no Pelourinho. Ou numa casa confortável em Londres. Eles são muito são bonitos! Não são?” – perguntou Voldemort aos Comensais da Morte, vultos encapuzados que formavam um círculo em volta deles e que vivem perambulando em Brasília e assessorando os políticos brasileiros.


Mas os vultos riram, mostrando prazer em ver o que poderia acontecer depois. Os vultos riram de desprezo. “Você está prestes a morrer, Amy. E morrerá aos meus pés. A garota-que-sobreviveu a um passeio no Pelourinho, morta aos pés de Lord Voldemort. Estou curioso para ver como a comunidade bruxa no Orkut, no Twitter ou no Facebook reagirá. Você, a única que sobreviveu ao Centro Histórico de Salvador, morta por mim mesmo. Não será interessante?”, disse Voldemort.


“Cometi o maior erro da minha vida ao usar heroína na frente da minha amiga Elaine Silvestre. Eu a apresentei a heroína, crack e automutilação. Mas a Eliane não quis. Me disse que eu ia me fuder! Eu sei que o crack é a pior das drogas. É baratinho, mas é foda! Você fica paranóica, descompensada e totalmente desconfiada dos outros. Você pode ficar dependente rapidamente. A primeira vez que usei crack, Eliane me pediu pra largar. Mas eu, roqueira, digo, funkeira, digo, musa do soul e do jazz, disse NO NO NO...”, disse Amy, choramingando.


E ao lado da Fundação da Casa Jorge Amado, uma das “menores” popstars do mundo estava agachada perto de uma lata de lixo, com um lápis de olho e tubos de rímel nas mãos. E enquanto a Amy Winehouse vagava pelas imediações do Pelourinho à procura da sua sacola de pano de bunda, inscrito “I Love Bahia”, que ela havia comprado no Mercado Modelo, para guardar seus cosméticos, Blake Fielder-Civil, o homem que foi apresentado a ela pelo Lula e Dona Marisa, se tornaria seu noivo naquela tarde na praia de Itapoan - mas, inexplicavelmente, com a ajuda dos Comensais da Morte, se tornaria seu marido cinco dias depois. Amy fumava um cigarro e parecia entediada. Blake Fielder, ou "Baby Boy Putão", gesticulava em direção à lata de lixo. "A Coca-Cola dela caiu dentro da Louis falsa", ele esclareceu, apontando para a imitação surrada da bolsa Louis Vuitton em cima da lata de lixo da Limpurb. "Ela tem essa bolsa há séculos".
E Amy gostava de perambular anônima pelas ruas de Salvador, já que nessa cidade todos só têm olhos para as estrelinhas decadentes do axé. Gostava de permanecer ali sentadinha nas areias sujas da Lagoa do Abaeté nos raros dias iluminados, sobretudo ao cair da tarde, quando os últimos raios de sol varavam os vidros das janelas dos bares para espalhar cores sobre os objetos.


“São muitas coisas nessa cidade, tantas que frequentemente penso que daqui a algum tempo será difícil movimentar-me aqui dentro, no espaço que se reduz, quase todos ignorados por aqueles que deveriam preservar essa cidade. Em Londres não tem acarajé. Em Londres não tem piriguetes com bundão. Em Londres ninguém fica “a migué". Em Londres não tem ‘Olha pra frente, pra frente Cintura, cabeça tchu bira biron...’. Aprendi até a ‘abrir o gás’ para ficar em ‘água-dura’!”, disse Amy, quando o seu amigo de farra Alexandre Leão foi buscá-la para comer um cacetinho com mortadela, na Varanda do Sesi, no Rio Vermelho.


“Como já disse painho, pouco saio, tenho uma certa renda sobre as vendas dos meus discos. Mas é pouca coisa viu! Não se iluda achando que vai me dá o golpe! Não sou woman de cair duas vezes num esparro! Mesmo porque você é casado!”, disse Amy. “Mas eu só tô convidando você para comer alguma coisa, sua cara de cara-de-fuinha!”, reclamou Leão.


Mas como todo mundo já estava sabendo da má fama da Amy por causa das suas aparições públicas em que estava sempre alcoolizada, incluindo aí uma vez em que ela saiu correndo do palco para vomitar ou numa premiação no Reino Unido, onde ela cutucou Bono, do U2, durante seu discurso de agradecimento com um sonoro: "Cala a boca, porra! Não tô nem aí!". E sempre embriagada, ela estava sendo um mal exemplo, mesmo sendo um grande talento. E o Leão sabia disso.


Amy deveria ter descoberto, já faz algum tempo, que as mãos se opõem à cabeça, que vivemos um cenário diferente, que a mídia constrói e destrói, que os fãs não são confiáveis, e quando você movimenta aquelas, esta pode parar. Não sei se isso seria uma grande descoberta para ela, afinal, ela era rica, famosa, mas de bunda chulada, mas de qualquer forma gosto quando a cabeça pára o maior tempo possível, caso contrário enche-se de temores, suspeitas, desejos, memórias e todas essas inutilidades contemporâneas que as cabeças guardam para deixar vir à tona quando as mãos estão desocupadas.


Mas a Amy entregou os pontos. Largou o Leão em Salvador e voltou para Londres. Voltou para lá e entregou-se ao Voldemort. E a notícia da sua morte espalhou-se na internet como o rastilho de uma bomba, com internautas, anônimos e famosos comentando o seu fim. O mundo pode estar em crise, em África vive-se uma crise humanitária, a Noruega chora as vítimas de dois atentados, mas a morte de uma figura pública em decadência acaba sempre por atrair mais as atenções de quem está colado ao mundo virtual.


Não era nenhuma novidade que Amy já estava com os dias contados, sua atitude em relação à vida não era a das melhores e suas escolhas erradas acabaram por encerrar sua carreira promissora no auge da sua juventude. Morre aos 27 anos, entrando para o seleto e mórbido grupo “27 Club”, junto com Robert Johnson, Brian Jones, Jean-Michel Basquiat, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain e Frederico.


E o que fica mesmo são as músicas – “Tentaram me mandar pra reabilitação. Eu disse "não, não, não". É, eu estive meio caída, mas quando eu voltar. Vocês vão saber, saber, saber...” – as longas tiras de pano colorido na peruca negra ou os pôsteres pendurados no teto. Mas agora as portas pendem cortinas, longos fios de contas dos orixás que ela nem conheceu ou sementes enfiadas em cordões que ainda balançam emitindo sons nas poucas vezes em que ela abria as janelas da casa para que entrar o vento.


O que restam agora são os restos de manequins, braços e pernas e troncos e cabeças que costumava recolher nas latas de lixo quando saia para caminhar nas ladeiras do Pelô, nas horas em que não havia mais ninguém nas ruas, onde os cacos de louça, garrafas cheias de água de muitas cores, pedaços de caixotes que agora pinto aqui no meu texto para que não pareçam demasiado crus. Mas agora é que todos vão dizem que a amava. Que Ivete, Daniela ou a Zélia vão gravar algumas versões de músicas dela. E ainda vamos ver os recortes das suas fotos ou velhas fotografias quando criança que vamos colando pelas paredes, montes de palha, fitas, flores secas, sobretudo rosas, sobretudo vermelhas, cujas pétalas depois de mortas ganhariam uma tonalidade de sangue coagulado. Isso só para pacificar.

E naquela tarde de sábado, em Londres, não chovia e não havia luz suficiente para que ela pudesse permanecer na sala, na vida, no palco, vendo as cores dos vidros desdobradas em outras sobre os objetos. Amy tinha caminhado pelo Pelô procurando algo para fazer. Chegou a pensar em pintar os seus casarões velhos na porta do andar inferior do seu hotel, aquele que dá para o pátio interno, mas só depois de preparadas as tintas, as águas, os pincéis, mas já percebemos que não ela gostaria de permanecer ali sentada, vendo a morte chegar, vendo as poucas plantas incharem com a água da chuva e o caminho de pedras que leva até o tanque cobrindo-se de folhas caídas. Não há mais tempo!

sábado, 23 de julho de 2011

SAUDADES DE AMY WINEHOUSE

“Acreditamos ficar tristes pela morte de uma pessoa, quando na verdade é apenas a morte que nos impressiona.” (Gabriel Meilhan)

Por Anna Carvalho


A ideia do mito acaba de ser configurada com a morte da diva Amy Winehouse. A primeira vez que ouvi “Rehab”, não pude deixar de ver ali o lado patente de uma mulher maravilhosa, alegre e triste, depois as peças se encaixaram ao ouvir “Back To Black” e a caixa se fecha impunemente e recolhe essa mulher com um quê de diva, de mito, de demônio, de estrela, ou simplesmente de alguém que não conseguiu conviver com o seu próprio espelho ou martírio.


A modernidade cumpre seu rito de deixar essa “porcaria de mundo” mais normal, quem peita, geralmente não fica impune. Por outro lado, se discute esse coquetel tedioso de gente com talento hibernar diante da drogas e de si próprio.


No palco, alguém macérrimo quando mentia a voz que exibia um anacreonte talento de emocionar e de convencer que ali, naquele corpo, aquela voz não seria capaz de ser retida e Amy se eternizou diante de uma mídia de escolta e que a ilhou numa gaveta de problemas, de drogada, de mulher fatal ou simplesmente de alguém que deveria ser esquecida, por outro lado, a modernidade enterra mais um talento. E vamos nos conter com dejetos de especulações, de mistérios ou simplesmente de orfandade. Ou seja, o talento ficou represado diante de uma mídia que só escarafuncha desastres anunciados.


Se pensarmos que pessoas conviveram com Sartre, Godard, Amelia Ehart, Simone de Beavoir, Focault e, agora, a gente vive com as suas letras, mas incapazes de personificá-los diante da imaterialidade dessa morte que ri sarcástica diante daquilo que ela apaga ou não nos deixa, o fim se deu em cander, no isolamento de uma mulher que transitou brevemente entre spots de si mesma e quando viu que as luzes se apagaram, resolveu sucumbir diante de si mesma, assim como aconteceu com Marilyn, há pessoas que não cometem a gafe de envelhecerem. Eu ficarei com a sua voz que sempre que ecoar vai dar um tapa na cara da morte (que sempre se anunciando a Amy será incapaz de sublimar o seu talento ou legado da sua voz).


A vida triste de uma caixa que se fecha diante de uma modernidade líquida, que engaveta e pasteuriza a vida numa série de furos de reportagem ou de ineditismo até muito pouco inédito, rápida e que se esgota sem que a gente perceba. Ficaremos com os restos dos ídolos, uma vez que essa vida se arrasta sem presunção e NORMAL, definitivamente não era um bom cenário para Amy Winehouse, mais uma jovem estrela da música que morre aos 27 anos, entrando neste sábado, 23/07, para o seleto grupo “27 Club”, como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison e Kurt Cobain. Além de Frederico, em “Clandestinos”.

fotos: divulgação

QUAIS FORAM OS 100 MAIORES MOMENTOS DA TV? OS INTERNAUTAS ESCOLHERAM!

Em uma votação aberta on-line, o excelente blog “Monet”, em parceria com o LITERATURA CLANDESTINA, os internautas escolheram os 100 momentos que tiveram maior impacto no mundo e na sociedade brasileira até a presente data. Fatos, vidas, ficção e entretenimento transmitidos por um aparelho cuja influência não encontra fronteiras. Confira o que disseram os que participaram da votação:

1 – Queda das Torres Gêmeas - 11 de setembro de 2001, Nova York – EUA
. Um dos mais poderosos e terríveis ataques terroristas ocorreu na manhã do dia 11/09/01 (exatamente às 8h48m e 9h03m locais), atingindo as duas torres do maior conjunto comercial do mundo, o World Trade Center, em Nova Iorque, que veio abaixo horas após ter sido parcialmente destruído por duas aeronaves comerciais Boeing 767, com um total de 157 passageiros a bordo. Eles haviam decolado de Boston (às 7h58m com 65 passageiros e às 7h59m com 92 passageiros e ambos com destino a Los Angeles). Logo em seguida outra aeronave Boeing 757 da American Airlines, que havia decolado às 8h10m do Aeroporto de Dulles em Washington, com destino a Los Angeles, com 64 ocupantes (58 passageiros, 4 comissários e 2 pilotos), atingia em cheio o prédio do Pentágono, destruindo parte do conjunto e matando muitos funcionários do governo federal americano (exatamente às 9h43m). Outra aeronave Boeing 757, que havia decolado do Aeroporto de Newark em Nova Iorque às 8h01m com destino a São Francisco, foi sequestrada e derrubada, às 10h10m, caindo em Shanksville, a 130 quilômetros ao sul de Pittsburgh, na Pensilvânia, com 38 passageiros, 5 tripulantes e 2 pilotos (45 pessoas). No total foram quatro sequestros simultâneos, todos perfeitamente estudados e friamente consumados por terroristas árabes, provavelmente bancados pelo milionário saudita Osama Bin Laden, que hoje vive no Afeganistão e possui uma fortuna pessoal estimada de US$ 300 milhões (R$ 1,1 bilhão se convertido à época). Foi um momento único, mesmo você não estando nos Estados Unidos, você podia sentir a dor, o medo e o desespero de cada americano, enquanto Bush filho estava numa escolinha fazendo visitinha. Na época, eu estava dando aulas num dos piores colégios que já trabalhei na minha vida. Salvador, nesse dia, estava em greve da polícia e tive que voltar para casa antes do horário, passei numa locadora para pegar uns filmes e vi as reportagens com o WTC em chamas, mas pensei que fosse mais algum filme do Bruce Willis. Sabendo dos fatos, senti-me em um início de guerra, onde cada queda, cada sirene, fazia com que me sentisse um cidadão que precisava ajudar, mas não podia. Foi um momento em que o mundo inteiro estava perplexo e não acreditava no que estava acontecendo. A televisão era praticamente o meio que levava informações para os parentes de pessoas que estavam nas torres, assim como apresentava ao resto do mundo a fragilidade da vida humana. Assistimos estarrecidos a um dia histórico e vivenciamos aquele momento onde o mundo inteiro via centenas de pessoas morrendo ao vivo. Não vejo acontecimento mais significativo. Não só para os americanos, mas para toda a humanidade. Tenho um poema chamado “A batalha da lucidez ou o poema das epifanias”, que entrou no livro “A Nova Literatura Virtual”, editora Litteris, em 2003, ficando em 1º lugar no concurso literário, que fala justamente desse momento histórico:

“Destroçado está meu coração —

Como destroçados estão milhares de corpos soterrados,


Mutilados e mortos sobre toneladas de destroços destroçados


De um forno dialetal e desmesurado onde subjazia muito mais

Que uma cândida ausência de moral, seguida por um fragmento

Sem consciência e sem coerência

O ódio envenenou o coração do homem

A tecnologia gerou a ambição

O homem cultiva um coração turvo e desmesurado.

Seguido por um estilhaçamento — um destroço — da consciência

Em um maldito jogo de inveja e interesse

A ciência tornou-nos cínicos — destroçados

A nossa inteligência (inteligência?) fez-nos burros e iletrados

O mundo está chocado com as imagens do dia 11 de Setembro

Então, neste momento, aproveite e faça um minuto de silêncio

Em homenagem aos 2.823 (só isso?) americanos mortos traiçoeiramente

Pelos TERRORistas no World Trade Center e no Pentágono

Já que você está em silêncio, fique quieto mais 13 minutos

Em homenagem aos 130.000 civis iraquianos mortos em 1991

Coloque mais 20 minutos pelos 200.000 iranianos mortos pelos iraquianos

Com armas e dinheiro fornecidos a Hussein pelos mesmos americanos

Que mais tarde virariam sua artilharia contra ele —

numa ditadura de fé agnóstica

Mais 15 minutos pelos russos e 150.000 afegões mortos pelo Taliban,

Também com armas e dinheiro americano — numa realidade incognoscível

De homens fortes que, com seus nomes, só pensam em guerras e fome

Mais 10 minutinhos pelos 100.000 japoneses mortos direta e indiretamente

Em Hiroshima e Nagasaki — também por ação direta da águia

Você já está no deserto do silêncio 1 hora —

1 minuto pelos americanos e 59 por suas vítimas

E se você ainda está perplexo, fique mais 1 hora em silêncio

Pelos 1.000.000 mortos na guerra do Vietnã — sem a proteção da ágnus-dei

Da qual os americanos não gostam de ser lembrados

Extasiados pelo poder da notícia, comentaristas políticos comemoram

seu percentual de acertos...”

(trechos do poema de Elenilson)


2 – Primeira vez que o homem pisou na Lua - 11 de julho de 1969. Por ter simbolizado a conquista do espaço, sonho da humanidade desde sempre. A partir daí a televisão estaria presente nos grandes acontecimentos históricos mundiais, rompendo todas as fronteiras de um modo jamais imaginado.

3 – Morte de Ayrton Senna - 1º de maio de 1994, Ímola – Itália. Foi uma das cenas mais marcantes e emocionantes que vimos nos telejornais. Na época, eu trabalhava na Casseb, como auxiliar de contabilidade. Apesar de ter sido num domingo, onde eu estava sendo explorado, estávamos vendo a corrida quando aconteceu o acidente. Quando deram a notícia de sua morte de Senna, lembro que todo o setor ficou abalado. Lamento sua morte até hoje, foi uma grande perda pra nós, brasileiros.

4 – Queda do Muro de Berlim - 9 de novembro de 1989, Berlim – Alemanha.

5 – Ursinho Misha chorando na festa de encerramento das “Olimpíadas de Moscou” – 1980, Rússia.

6 – Morte de Odete Roitman em “Vale Tudo” - dezembro de 1988, Brasil.

7 – Apresentação dos Beatles no “Ed Sullivan Show” - 9 de fevereiro de 1964, EUA.

8 – Resgate dos mineiros da mina de San José - 5 de agosto de 2010, Chile.

9 – Milésimo gol de Pelé - 19 de novembro de 1969, Rio de Janeiro – Brasil.

10 – Casamento Real de Charles e Diana - 29 e julho de 1981, Londres – Inglaterra.

11 – Abertura dos “Simpsons” - desde 1989.

12 – Morte do personagem de Larry Hagman, na série “Dallas”.

13 – Assassinato do presidente americano John F. Kennedy – 1963, EUA.

14 – Mandela assumindo a presidência da África do Sul – 1998, África do Sul.

15 – Gol de mão de Diego Maradona nas quartas de final da Copa – 1986, México.

16 – Jack abrindo os olhos no início de “Lost”.

17 – Videoclipe “Thriller”, de Michael Jackson, no “Fantástico” – 1983. 18 – Desconhecido enfrentando fila de tanques sozinho na Praça da Paz Celestial - 05 de junho de 1989, China. Naquele momento vimos um jovem sozinho defrontando com uma das maiores forças militares e ditatoriais dos nossos tempos. Foi um momento marcante, para mim é um dos maiores momentos de coragem.

19 – Madonna beijando Britney Spears e Christina Aguilera na Boca durante apresentação no “MTV Video Music Awards” – 2003, EUA. 20 – Movimento dos Caras Pintadas - 1992, Brasil. Um momento de relevância e importância da força do povo brasileiro, expressando seu protesto nas ruas, representado fortemente pela juventude. 21 – Cena final de “Friends”. A série “Friends” foi um marco na história da televisão mundial, durou 10 anos e não há quem não goste, e continue assistindo as reprises até hoje. Mesmo já assistindo o último episódio muitas vezes, não há quem não se emocione todas as vezes que assiste. 22 – Sequestro do ônibus 174 - junho de 2000, Rio de Janeiro – Brasil. Virou até filme. 23 – Tina Fey caracterizada como Sarah Palin, no “Saturday Night Live”. 24 – Morte de Michael Jackson - 25 de junho de 2009, EUA. Além de sua morte bater recorde de audiência mundial, Michael foi e é o maior músico e dançarino de todos os tempos, e dono do álbum mais vendido da história. Sem contar que era o Rei do Pop!

25 – Discurso de Martin Luther King, no Lincoln Memorial - 23 de agosto de 1963, EUA.

26 – Sequestro da equipe israelense durante as Olimpíadas de Munique – 1972, Alemanha.

27 – Sônia Braga tentando pegar uma pipa em uma cena da novela “Gabriela” (Rede Globo).

28 – Ocupação do BOPE no Complexo do Alemão – 2010, Rio de Janeiro – Brasil. Foi um momento em que muita gente entrou em êxtase, vendo “justiça” fora dos filmes de ação, ao vivo e a cores. Foi catártico, principalmente para o povo brasileiro, que não vê os policiais com bons olhos. Apesar de que, até hoje, muita coisa não foi muito bem explicada. 29 – Sinéad O’Connor rasgando uma foto do papa João Paulo II, no “Saturday Night Live” – 1992, EUA.

30 – A descoberta do cadáver de Laura Palmer, no início de “Twin Peaks”.

31 – Saque indefensável de Marcelo Negrão, na final do vôlei masculino nas Olimpíadas de Barcelona – 1992, Espanha.

32 – Ellen DeGeneres saindo do armário em cadeia nacional – 1997.

33 – Atentado sofrido pelo Papa João Paulo II - 13 de maio de 1981, Vaticano.

34 – Último capítulo da novela “Irmãos Coragem”. Recorde de audiência.

35 – Manifestação pelas eleições diretas em frente à Igreja da Candelária – 1984, Rio de Janeiro – Brasil. Liberdade, democracia e a união do cidadão comum na luta por direitos iguais, pelo direito de votar..certo ou errado, não importa..mas o direito de escolha. 36 – Carlos Alberto Torres levantando a taça Jules Rimet na Copa – 1970, México.

37 – Primeiro beijo inter-racial da TV brasileira na novela “A Cor da Sua Pele” – 1965.

38 – Explosão do ônibus espacial Challenger – 1986. A história sendo feita ao vivo, décadas antes dos atentados de 11 set 2001. 39 – Ex-padre irlandês agarrando o corredor brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, durante prova das Olimpíadas de Atenas – 2004, Grécia.

40 – Vitória do Brasil sobre a seleção americana de basquete no Pan-Americano – 1987, EUA.

41 – Marlon Brando se recusou a receber o Oscar de Melhor Ator por “O Poderoso Chefão” – 1973, EUA.

42 – Cafu erguendo a taça de campeão na Copa – 2002, Japão.

43 – Posse de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente – 2003, Brasil.

44 – III Festival de Música Popular Brasileira – 1967, Brasil.

45 – Primeira apresentação de Susan Boyle, no "Britain’s Got Talent" – 2009, Inglaterra.

46 – Goleiro chileno Rojas fingindo ter sido atingido por sinalizador luminoso nas eliminatórias da Copa – 1989, Rio de Janeiro, Brasil.

47 – Uri Geller demonstrando como entortar talheres – 1976.

48 – Terremoto e tsunami no Japão - março de 2011, Japão.

49 – Roberto Baggio errando o pênalti na final da Copa – 1994, EUA.

50 – Resgate de uma mulher segurando um cachorro durante enchente – 2011, Rio de Janeiro.

51 – Guga desenhando um coração no piso de saibro usando sua raquete - 10 de junho de 2001, Paris – França.

52 – Dr. Gregory House (Hugh Laurie) sendo internado para fazer desintoxicação – 2009.

53 – Paulo Autran e Fernanda Montenegro, na clássica cena do café da manhã na novela “Guerra dos Sexos” – 1983.

54 – O presidente Barack Obama comunicando a morte do terrorista Osama Bin Laden - 1º de maio de 2011, EUA.

55 – Bussunda encontra-se com Ronaldo Fenômeno na Copa do Mundo da Alemanha – 2006, Alemanha.

56 – Ataque histriônico de Tom Cruise no programa da Oprah - 23 de maio de 2005.

57 – Primeiro debate político entre Richard Nixon e John Kennedy - 26 de setembro de 1960, EUA.

58 – Promulgação da Constituição da República - 5 de outubro de 1988, Brasil.

59 – Ronaldo sofre a contusão mais grave de sua carreira - 12 de abril de 2000, Itália.

60 – Primeiro episódio de “24 horas” - 6 de novembro de 2001.

61 – Roberto Jefferson durante a CPI dos Correios - 14 de junho de 2005, Brasília – Brasil.

62 – Derrubada da enorme estátua de ferro de Saddam Hussein - 9 de abril de 2003, Bagdá – Iraque.

63 – Airbus A320 da US ARways fazendo o pouso forçado sobre o Rio Hudson - 15 de janeiro de 2009, Nova York – EUA.

64 – Corinthians Campeão Paulista - 13 de outubro de 1977.

65 – Dez minutos finais do último episódio da série “A Sete Palmos”.

66 – Terremoto no Oceano Índico provoca tsunami de enormes proporções - 26 de dezembro de 2004, Indonésia, Índia, Sri Lanka, Tailândia.

67 – Zagallo disparando a frase “Vocês vão ter que me engolir!” - Copa América de 1997, Bolívia.

68 – Justin Timberlake expondo o seio de Janet Jackson no “Super Bowl” - 1º de fevereiro de 2004, EUA.

69 – “Especial Cazuza” na Rede Globo – 1989.

70 – Narração de Cléber Machado na frustrante “derrota” de Rubens Barrichello no GP da Áustria – 2002.

71 – Esquete “Dead Parrot”, do programa “O Circo Voador do Monty Python” – 1969.

72 – Carlinhos Brown sendo recebido com uma chuva de garrafas de água mineral no “Rock in Rio III” - 14 de janeiro de 2001, Rio de Janeiro – Brasil.

73 – Tancredo Neves eleito presidente do Brasil - 15 de janeiro de 1985.

74 – Saudação dos Panteras Negras no pódio das Olimpíadas do México - 16 de outubro de 1968.

75 – Capítulo final de “M*A*S*H” - 28 de fevereiro de 1983.

76 – Richard Nixon anunciando sua renúncia - agosto de 1974.

77 – Casamento do Príncipe William com Kate Middleton - 29 de abril de 2011, Londres – Inglaterra.

78 – Queen tocando “Love of My Life”, no Rock In Rio - 12 de janeiro de 1985, Rio de Janeiro – Brasil.

79 – Bem Johnson quebra o recorde dos 100 metros rasos - 24 de setembro de 1988, Seul - Coréia do Sul.

80 – Camila raspa a cabeça em “Laços de Família” - 11 de dezembro de 2000. Não há quem não tenha chorando junto com Camila naquele momento. Ao descobrir que tinha câncer e começar com a quimioterapia, seus cabelos começam a cair. Visando acabar logo com aquela parte do sofrimento, ela resolve cortá-los. Carolina Dickeman, que a interpretava, podia ter usado aqueles artifícios para esconder o cabelo, mas não esqueço de uma entrevista em que ela diz ter feito aquilo pelas pessoas que normalmente passam por isso, e que foi este pensamento que a fez chorar de verdade na cena. 81 – Exilados políticos voltam ao Brasil, após a Lei da Anistia - setembro de 1979.

82 – Confisco das poupanças no governo Fernando Collor - 16 de março de 1990.

83 – Mike Tyson morde a orelha de Evander Holyfield - 28 de junho de 1997.

84 – O.J. Simpson sendo perseguido pela polícia.

85 – Zico perde pênalti contra a França - 21 de junho de 1986, México.

86 – Carlão (Francisco Cuoco) morre baleado no último capítulo de “Pecado Capital” - 5 de junho de 1986.

87 – Ayrton Senna e Alain Proust se chocam na primeira curva do GP do Japão - 21 de outubro de 1990.

88 – Joaquin Phoenix no talk show de David Letterman - 11 de fevereiro de 2009.

89 – Incêndio do Edifício Joelma - 1º de fevereiro de 1974, centro de São Paulo.

90 – Jogo de vôlei entre Brasil e União Soviética, em pleno Maracanã - 26 de julho de 1983, Rio de Janeiro – Brasil.

91 – Apresentação dos Rolling Stones na praia de Copacabana - 18 de fevereiro de 2006, Rio de Janeiro – Brasil.

92 – Estreia de Beto Rockefeller (Luís Gustavo) na TV Tupi - 4 de novembro de 1968. Inovação, originalidade e sucesso caminharam juntos durante a produção de Beto Rockfeller, a primeira novela a adotar uma linguagem cotidiana e a fazer merchandisings. Beto Rockfeller, criada por Cassiano Gabus Mendes, contava a história do personagem homônimo (Luís Gustavo), pertencente à classe média baixa, que se passava por milionário e frequentava a alta sociedade. A novela ia ao ar às 20h00, entre 04 de novembro de 1968 a 30 de novembro de 1969. Teve ao todo 298 capítulos. No ano de 1973 foi feita uma continuação - a primeira novela a cores da TV Tupi, intitulada “A Volta de Beto Rockfeller”, que não obteve o mesmo êxito da primeira.

93 – Nadia Comaneci conquista a primeira nota 10 na história dos Jogos Olímpicos - 18 de julho de 1976, Montreal – Canadá.

94 – Derek Shepard (Patrick Dempsey) é baleado, no final da sexta temporada de Grey’s Anatomy - 20 de maio de 2010.

95 – Grade da arquibancada do Maracanã cedendo, na final do Campeonato Brasileiro - 19 de julho de 1992, Rio de Janeiro – Brasil.

96 – Retorno de George Clooney a “ER” - 11 de maio de 2000.

97 – Retirada de Saigon - 30 de abril de 1975, Vietnã.

98 – Maratonista suíça Gabriela Andersen-Schiess praticamente se arrasta até a linha de chegada - 5 de agosto de 1984, Los Angeles – EUA.

99 – Ana (Isabela Garcia) dá à luz no carro de Tonico (Tony Ramos), no primeiro capítulo de Bebê a Bordo - 13 de junho de 1988. 100 – Rogério Ceni marca seu centésimo gol - 27 de março de 2011. Nunca ninguém iria imaginar que um dia um goleiro faria 100 gols. E o revolucionário Ceni tratou de nos presentear com esse momento histórico, único no mundo. Temos o maior artilheiro do mundo (Pelé) e o maior goleiro artilheiro do mundo (Rogério), provando que o brasileiro gosta de atacar, mesmo sendo goleiro.


fonte: Blog Revista Monet


fotos: divulgação