quinta-feira, 30 de junho de 2011

AMOR E REVOLUÇÃO (Trilha)

“A novela ‘Amor e Revolução’ não passa de um sensacionalismo melodramático que promove o encontro entre o mau gosto e o realismo impostado, que lembra a encenação de crimes de sangue em teatro de circo mambembe, mas a trilha é muito boa.”

Por Elenilson Nascimento


É mesmo uma pena, mas a gente não desiste. A gente resiste e insiste. Toma na cara, mas não larga o osso. E não desliga a TV. Amor e Revolução”, produzida pelo SBT, é uma novela ruim demais pela qual vale a pena torcer para alguma coisa acontecer. Se há algo de que o Brasil precisa agora é, vamos usar aqui uma palavra pernóstica, "revisitar" os bastidores e os traumas da luta armada, aí incluída a dura repressão política.


Recomendo os livros “Batismo de Sangue - Os Dominicanos e a Morte de Carlos Marighella”, escrito pelo Frei Betto, e até mesmo o descomprometido, mas muito interessante e cheio de maconha, "Noites Tropicais", do jornalista e produtor musical “pegador” Nelson Mottaclique aqui e leia as minhas resenhas desses livros no COMENDO LIVROS, pois a tortura precisa aparecer na TV. O povo precisa acordar e saber das atrocidades que o governo f.d.p (de sempre) fez (e faz).

É bem verdade que já houve, na década passada, logo após a posse de FHC como presidente, não uma novela, mas a minissérie Anos Rebeldes”, na Globo, que falou dos guerrilheiros. Contudo, o tema da tortura recebeu um tratamento elíptico, distanciado. Agora, nas cenas de “Amor e Revolução”, apesar de trazer longas sequências de tortura, tudo parece um sensacionalismo melodramático que promovem o encontro entre o mau gosto e o realismo impostado, que lembra a encenação de crimes de sangue em teatro de circo mambembe.


Além disso, a direção da novela, querendo inovar com um tema já batido de “beijo gay”, resolveu cortar a cena em que Jeová (interpretado por Lui Mendes) e Chico (Carlos Artur Thiré) trocariam carícias e um caloroso beijo, por um beijo feminino entre as personagens Marcela (a ainda linda Luciana Vendramini) e Marina (a maravilhosa Giselle Tigre), que fez com que a emissora alcançasse pela primeira vez a Record no Ibope com a trama. Se bem que eu não achei nada demais!


O assunto repercutiu nas redes sociais e chegou aos TT’s, lista dos assuntos mais comentados. A postura do SBT foi elogiada, mas as críticas com relação à cena em si não passaram despercebidas. O movimento em que o pé de uma das atrizes insinua excitação, como se estivesse ensaiando um tango, soou cômico e foi bastante criticado. Além disso, o fato de Marina não ser homossexual também causou estranheza em parte do público. Veja a cena:

Quanto a ter trocado um beijo gay masculino por um feminino, o autor Tiago Santiago disse que a decisão partiu da própria direção do SBT e ele teve de acatar. "Há uma preocupação com a audiência mais conservadora. O beijo entre os dois rapazes seria um passo além do beijo lésbico", lamentou.

Mas o problema todo dessa novela nem é esse, mas que as cenas não são bem-feitas, estudadas, trabalhadas. Ao contrário, o valor estético é nenhum, mas sempre há o mérito, vá lá, de tocar no assunto. Não aguento mais aquelas duas meninas chatas lá na casa do general. Não aguento mais a indecisão de Maria de “dar ou não” para o cubano, pois ainda ficar pensando no José que vai “comer” a prima. Não aguento mais aqueles padres punheteiros que não sabem o que querem. E aquela companhia de teatro? O que é aquilo?

Daí a torcida para que o vexame não seja total nem totalitário. E conforme os capítulos avançam, a gente nota que não é por mal que a novela fala tão mal da luta armada – e aí vem a segunda impressão que nos envolve: não, não é por querer que “Amor e Revolução” vai apatetando a esquerda. E olha que eu já tinha citado isso logo que a novela estreou.


Aquilo que foi tragédia nos anos 60 agora volta como vexame de TV, mas, a cada nova cena, a gente mantém a esperança: esse vexame virá para o bem. “Amor e Revolução”, pode até ser uma merda, mas os depoimentos no final de cada capítulo estão valendo à pena e a trilha sonora também. Aliás, é justamente sobre a trilha que esse post é dedicado. A novela tem uma trilha irretocável com os maiores artistas brasileiros de todos os tempos e ainda novos talentos interpretando grandes sucessos da época da repressão política em nosso país, onde a expressão musical era uma das únicas formas possíveis de se extravasar o sentimento efervescente e naturalmente criativo daquela juventude. Imperdível! Tracklist: “Roda Viva” (MPB-4), “Menino Bonito” (Fernanda Takai), “Alegria, Alegria” (Caetano Veloso), “Cálice” (Indireto & Pitty), “O Que Será - A Flor da Terra" (Chico Buarque & Milton Nascimento), “Nossa Canção - Preste Atenção” (Banda Veja), “Este Seu Olhar” (Nara Leão), “London London” (Caetano Veloso), “Coração de Papel” (Angela Márcia & Sérgio Reis), “Gita” (Raul Seixas), “Viola Enluarada” (Marcos Valle & Milton Nascimento), “Apesar de Você” (Chico Buarque & MPB-4 e Quarteto em Cy), “José (Rita Lee), “Preciso Aprender a Ser Só” (Elis Regina), “Universo no Teu Corpo” (Taiguara) e “Vem Quente que Eu Estou Fervendo” (Ultraje a Rigor).


fonte do download: Som de Novelas

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O BRASIL VAI CONTINUAR FEDENDO A COCÔ!

“O Haiti é aqui... O Haiti é aqui...”

Por Elenilson Nascimento


“Quando você for convidado pra subir no adro/Da fundação casa de Jorge Amado/Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos/Dando porrada na nuca de malandros pretos/De ladrões mulatos e outros quase brancos/Tratados como pretos/Só pra mostrar aos outros quase pretos (E são quase todos pretos)/E aos quase brancos pobres como pretos/Como é que pretos, pobres e mulatos/E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados...” Quando Caê e Gilblack Gil lançaram essa música, lá nos anos 90, eu estava tendo aulas num pré-vestibular, já que a minha vida escolar havia sido um tremendo fracasso, e ninguém entendeu nada na letra da música. Hoje, depois de ter passado pelos bancos duros de faculdades, volto a afirmar: para que me servem os brioches, digo, canudos?


Vejo com muita tristeza e nenhuma esperança, que no nosso país nada é o que verdadeiramente deveria ser. E a Bahia é o estado da mentira! O governador Jacques Wagner, por exemplo, mente descaradamente quando divulga em suas propagandas que tudo está indo de vento em poupa, mas, na realidade, o Estado todo está sofrendo e o povo, abestalhado como sempre, nada diz ou faz. Em completo descaso com a educação, saúde, cultura, segurança pública, o galego paga um dos piores salários aos servidores públicos do Nordeste, e para piorar a situação, eis que o governo do agora “tem... tem... tem...” aprovou um decreto que acaba com a independência das universidades públicas.


Não só na Bahia, mas o Brasil inteiro carece de bons administradores. Mais por dor de cotovelo, por exemplo, causada pelos elogios feitos pelo Obama ao Brasil após oito anos de gestão do ator-palestrante-do-povo Lula, e menos por acreditar que palavras nesse tipo de visita a um país “amiguinho”, “sub-sub-desenvolvido” e eternamente chamado de “país do futuro” devem mesmo ser mais assertivas do que foram, a oposição ao governo do “presidente sem dedo” e a inexistência de uma oposição ao governo da Dilminha, aquela que não resolve problemas e barracos, é também algo muito preocupante.


E, enquanto a nossa juventude balançava a bundinha em festas privadas de camisas, do Brasil, o “amiguinho Obama” autorizou o ataque à Líbia, com 110 mísseis lançados de navios e submarinos situados nas águas do mar mediterrâneo. Lembra disso? Berlusconi, o presidente da Itália, se tivesse juízo, já teria fugido de suas festas bunga-bunga e estaria escondido embaixo de uma cama blindada num morro carioca (*Sérgio Cabral iria adorar!), pois, dos países aliados contra Kadaffi, a Itália é o que corre mais riscos reais, por estar pertinho da Líbia. Além disso, só para lembrar de novo, grande parte das armas que o ditador líbio acumulou nesses anos todos foi vendida pela própria Itália.

ESGOTO – Enquanto isso, nas TVs locais, com as suas programações medíocres, a nota dissonante perante o discurso ecológico e politicamente correto da proteção ao meio ambiente que vigora em tudo, e com uma capacidade e tanto para estragar até mesmo os irretocáveis filmes publicitários da Bahiatursa, foi uma matéria veiculada pela TV Bahia (Globo), feita pela jornalista-gata Georgina Maynart, mas com cenas capazes de assombrar até mesmo os mais brutos dos ditadores.


E num país “muito-muito-distante” uma lei foi aprovada para que a vetusta Voz do Brasil, um resquício da hipócrita ditadura getulista, não tenha horário fixo; a obrigatoriedade é que seja transmitida até 23h. Mas ela não deveria nem ser obrigatória, assim como o horário político ridículo e gratuito fora de período eleitoral.


Se FHC se queixava dos “fracassomaníacos”, Lula “palestrante que cobra R$ 500.000” da Silva vive disparando contra os que “torcem contra” o governo da sua pupila, sugerindo que a imprensa é um obstáculo entre a classe política e o povo, de acordo com o mais antigo ideário populista. E continuamos vivendo de fracassos. Os nossos, é claro!


Lula deve achar que a imprensa nunca dá boas notícias, mas isso é porque, como já confessou, não lê os jornais; no seu governo do “nunca na história desse país”, todo dia havia fotos suas, nas mais diversas situações e lugares, e ao menos um índice positivo nas primeiras páginas, em geral vindos de institutos encomendados públicos claramente a serviço da propaganda oficial. Contrário da sua pupila que nem quer aparecer para não manchar o legado.


Com toda a corrupção gerada no seu governo, a popularidade de Lula foi superior a 73%, e boa parte dela foi totalmente por causa da mídia, e não apesar dela. Afinal, se a imprensa é porta-voz da “zelite”, é porta-voz da indisfarçável felicidade de banqueiros e empresários com o governo Lula/Dilma.


Mas se na cultura não é saudável quando não há confronto, mesmo assim não se muda muito, imagina na política. Já ouvi de diversos artistas e diretores que “no máximo algumas ressalvas” são tudo que cabe ao jornalista fazer sobre uma peça, um disco, um livro ou um filme; caso contrário, ele é alguém que não quer que Shakespeare seja levado às massas…

Contudo, não sou muito de seguir cartilhas, e digo aqui que querem que nos esqueçamos dos nossos estudos, das nossas vidas, do nosso futuro, e que sejamos apenas escravos do sistema, que não tenhamos consciência sobre nossos atos. Que sejamos uns bobalhões! Uns macacos saltitantes, comedores de bananas em bestas de camisas! Querem que sejamos apenas ferramentas para aumentar a renda do Estado e diminuir a obrigação com eles.

Essa minha carta aberta pede que enviem para todos os seus contatos, pois muito poucos sabem, mas as quatro universidades estaduais da Bahia, por exemplo, estão em greve e os representantes do governo sequer aparecem nos encontros marcados para dar sua posição quanto às reivindicações e negociar as cláusulas da greve.

PEÇO QUE NÃO FIQUEM QUIETOS, NÃO DEIXEM O GOVERNO WAGNER (NEM O LULA/DILMA) NOS ALIENAR. NÃO É UMA CRÍTICA PARTIDÁRIA, É UMA CRÍTICA AO COMPLETO DESCASO DO NOSSO GOVERNO COM AS NOSSAS VIDAS! E continuamos vivendo de fracassos! E a Bahia, Terra de Todos os Santos dos Buracos, vai continuar descendo a ladeira. “O Haiti é aqui... O Haiti é aqui...”


foto 1: Paula Pitta


charge: divulgação

domingo, 26 de junho de 2011

TODOS CONTRA A INTOLERÂNCIA

“Raphael Álvarez, diretor do documentário ‘Dzi Croquette’, comenta sobre o caso da (intolerante) deputada Myrian Rios... mas o problema não é só as sandices dos nossos ‘representantes’, mas o vazio intelectual do nosso povo.”


Por Elenilson Nascimento


Dois caixões de papelão e uma faixa que dizia "Viva a liberdade de expressão, abaixo ao vazio intelectual" foram levados à Bienal de São Paulo, no ano passado, por um grupo de pouco menos de vinte artistas para expressar insatisfação com a 28ª edição da exposição e o completo marasmo cultural que no encontramos, mas essa mesma faixa também poderia ter sido usada contra as sandices ditas pela deputada do Rio de Janeiro, Myrian Rios, e contra os muitos outros “representantes do povo”, como os retardados do Silas Malafaia, José Bolsonaro, Bebeto, Marcelo Crivella, e outros – veja aqui a lista de alguns que votaram contra a PEC 23 (*Projeto de Emenda Constitucional 23/2007 – uma espécie de PL 122 do RJ), que não foi aprovado no RJ, numa segunda votação da Assembleia Legislativa, que aconteceu na última terça-feira, 21/06, e que gerou o lamentável discurso da Myrian Rios. A emenda visava mudar a Constituição do Rio de Janeiro, incluindo a “orientação sexual” no rol dos direitos e garantias fundamentais. Mas os nossos digníssimos “representantes”, como sempre, ignoraram e manifestaram os seus podres preconceitos.


Infelizmente vivemos no total absurdo e na era da “ode à ignorância”, com a maneira desastrosa como o espaço público foi usurpado pelos ditos políticos, cada vez mais preocupados com os seus próprios problemas e com os seus ganhos milionários. Sinto-me ofendido por viver num país de total descaso. Sinto-me ofendido por que não vejo respeito pelos outros e a dignidade sendo conduzida a favor dos meus pares. E o problema não é só as sandices dos nossos “representantes”, mas o vazio intelectual. É uma falta de respeito. Todas as instituições ligadas às artes, educação estão sendo perdidas. Os artistas não têm onde expor e é preciso pagar para mostrar os seus pensamentos. Não há um espaço coletivo para o debate sobre a arte, sobre sexualidade, sobre vida, sobre dignidade e isso que é o mais grave. Acho importante que se façam discussões saudáveis sobre quaisquer assuntos do interesse comum, mas não se pode sacrificar alguns em prol de interesses mesquinhos e dogmas ultrapassados desta forma.


E como o diabo, como se sabe, mora nos detalhes e adora brechas para urdir tramas, por isso mesmo o sempre simpático Raphael Álvarez, documentarista, fotógrafo – que só ontem eu descobri que fez parte do elenco, nos anos 80, da novela “A Gata Comeu” – e um dos diretores do maravilhoso documentário “Dzi Croquettes”, que também já deu entrevista aqui no blog, se manifestou:


“Um absurdo! A maneira com a qual a deputada e ex-atriz Myrian Rios irresponsavelmente usa as suas palavras para degradar a nossa sociedade e criando mais descriminação. Homossexualidade igual pedofolia? Contratar uma pessoa gay, vai fazer seu filho gay? Será que ela sabe que no nosso país três adolescentes de suicidam por serem homossexuais? Realmente espero que nenhum dos seus filhos sejam gays, pois é esse tipo de mentalidade, como a dessa senhora, que faz com que adolescentes tirem a própria vida... Nossa, será que uma pessoa que eu achava interessante pela sua trajetória nesse mundo possa ser tão ignorante? Mas, agora sim, vejo quem Myrian Rios realmente é... Uma pessoa racista, ignorante, discriminadora e que, provavelmente, decidiu ser deputada por não ter nenhuma outra opção na vida e não para melhorar a nossa cidade e o nosso país. Pare e pense, estude se eduque... Eu acho realmente hipócrita o fato que as pessoas se esquecem do próprio passado e se escondem por traz de igrejas e religiões e se sentem na posição de criticar e descriminar os outros. Será isso o que o Deus dela ensina? Será que ela acredita que Ele está orgulhoso com as mensagens que ela anda contaminando o mundo? Pense no mal que a senhora está fazendo à sociedade.. E a sua própria família.”

Raphael com a parceira Tatiana Issa, na divulgação do excelente documentário “Dzi Croquettes”, no “Programa do Jô”.

E diante de um folhetim macabro desse, com contornos trágicos, policialescos, preconceituosos, econômicos, políticos, partidários, religiosos e jurídicos, que seja longa a vida do jornalismo online, já que o impresso (e/ou oficial) pouco espaço comenta. E quando comenta, nada acrescenta. Os telespectadores de notícias não ficaram sabendo dessa missa a metade. Resta o questionamento nem um pouco impertinente: se os jornais e as TVs não abordam um fato como este sob todas as variáveis contidas nele, não o faz porque sua própria “natureza informativa” dificulta a tradução para o público médio ou por que os laços cabais da imprensa brasileira não são fortes apenas com as estrelinhas do axé, os donos de igrejas, os Marinhos e os Eikes da vida?


fotos: divulgação

O BRASIL, PAÍS DE UMA DEMOCRACIA EMERGENTE EM QUÊ?

“Essa é a amostragem de um país perdido, de um país que pleiteia a mobilidade social, que acha que regulamentação de maconha acabará com o traficante; e que saliva por liberdade de expressão morrendo preso em torno de muros de ostracismo, de preconceito ou de ressaca de moralismo.”

Por Anna Carvalho


Vendo o programa “Esquentão!”, da Globo, apresentado por Regina Casé, um mosaico sazonal e temático, onde ela falando de um artigo da Folha de São Paulo em que apresentava uma nova modalidade de brasileiros que, pelo cair do preço de passagens aéreas, está viajando de avião. E alguns brasileiros modais (*aproveitando Elenilson), com um certo ar de formol, dizem que aeroportos lembram rodoviárias.


Eu, olhando para uma Regina velha conhecida e que realmente pleiteia uma opinião válida e democrática, mas eis que a entidade plasmada ou capturada pela programação da Globo dispara narrando cenas engraçadas do tipo: “as aeromoças agora não terminam os voos agradecendo a estada, mas dizendo ‘eu não falei que dava tudo certo, que tudo ia terminar bem’”. Mas depois arrematou com mais uma pérola de puro preconceito ou de ilustração do estereótipo do qual outrora falava: “e azeitonas, uns olham e imitam os outros que desprezam azeitonas e fazem a mesma coisa”. Ou seja, na falta de um gestual mais cerimonioso ou ritualístico pela coisa que rememora o rústico, a “decadência de tudo que seja gratuito e feio” (versos de Renato Russo), alguns menos avisados saem reproduzindo o comportamento de outros “descolados”.


Essa é a amostragem de um país perdido, de um país que pleiteia a mobilidade social, mas só um pouquinho; que discute a regulamentação de droga, mais só um pouquinho; que acha que regulamentação de maconha acabará com o traficante; que saliva por liberdade de expressão morrendo preso em torno de muros de ostracismo, de preconceito ou de ressaca de liberdade ou de ressaca de moralismo; falando do que vemos nas semanas que seguiram: a marcha pela liberação da maconha (disfarçada, oportunistamente como liberdade de expressão), seja pela marcha em torno de Jesus, enfim, de tanta liberdade o país vai gerar presídios, catapultas morais, excessos, falta de neutralidade e o limbo do politicamente correto sempre estabelecido pelas regras que regem grupos ou CONVENIÊNCIAS.


Daqui a pouco uma loja de conveniências para as diversas inquisições que sejam representantes truculentas de seus grupos: católicos (fogueiras, index), os da liberdade de expressão (um julgamento mediado pelo espectro de duendes ou de Bob Marley presidido pela toga hippie de Pedro Pedrada), evangélicos (um helicóptero do comandante Hamilton e o bispo Edir Macedo ascendendo aos céus e tripulando a arca para a condenação por fogo dos hereges).


Constrangedora aparição da ex-atriz, Myriam Rios, alguém que aparece banida de bom senso e que sai vomitando sentenças, ou do bispo Marinho que pleiteia substituir o prefeito evangélico baiano João Henrique; seja Soninha que quer cadeiras também na política, ou seja, pessoas usando das suas crenças, de seus feudos, de suas individualidades pelo bem público, esquecendo qualquer tipo de austeridade modal para esterilizarem mentes com as suas retóricas ou poder estético e eu pergunto que tipo de poder se apresentará de mãos tão subjetivas?


Cada vez mais me aproximo de Shakespeare que acreditava que o poder deveria ser exercido por mentes objetivas, sem sentimentalismos, mas, por isso, essa democracia se esvai cambaleante e cadavérica e sentindo falta de alguns arremedos de heróis dos livros ou de grupos: Tancredo (de elite), Ulisses (de direita), Luiz Eduardo (carlista), Lula (esquerda pouco canhestra), Pedro Pedrada (árcade de ocasião), e assim vão criando grupos e nessa modernidade de arremedo, grupos segmentados, fracionados e violentos (fundamentalistas) que condenam os tempos aos excessos de ditaduras de um futuro pouco futurista e até muito clichê.


foto: Rede Globo/divulgação

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A MARCHA PARA JESUS E O DISCURSO RETROGRADO DA DEPUTADA MYRIAN RIOS DEMOSTRAM O QUANTO MUITOS AINDA SÃO INTOLERANTES

“Temas como legalização da maconha e criminalização da homofobia também pautaram o evento, que levou ao menos 1 milhão às ruas em SP.”

Por Elenilson Nascimento


O poder financeiro, político, midiático e a organização dos grupos evangélicos cada vez mais intolerantes continua na curva de crescimento dos últimos anos, somada a falta de organização, união e representatividade política nesse país de bananas, que nos levará nos próximos 10 anos a uma realidade social muito pior do que a vivida a 50 anos atrás. Esta informação poderia até provocar algum tipo de preocupação nas lideranças e instituições, mas o que verificamos é uma total falta de interesse e conformismo. A persistir essa curva de crescimento, em 2021 os evangélicos serão 100 milhões no país.


Segundo as pesquisas, 80% dos evangélicos participam ativamente das campanhas políticas, pois querem ter seus representantes em cargos públicos para atuarem na defesa das tidas “famílias” e de seus próprios “interesses sociais”. Contudo, se antigamente o passa tempo dos evangélicos era constranger e perseguir outras religiões rotuladas como “adoradores de demônios”, ou seja, Candomblé e religiões ligadas aos cultos afros, hoje, com o advento das comunicações, a ordem é perseguir qualquer um que não seja fiel seguidor das suas igrejas: homossexuais, prostitutas, dependentes químicos ou até mesmo os sem religião.


Acho corretíssimo, por exemplo, o movimento pela remoção dos símbolos teológicos das repartições públicas, como a cruz nos tribunais, face à laicidade do Estado, introduzida em 1890, pelos positivistas, discípulos de Augusto Comte, que sempre pugnaram pela separação entre a Igreja e o Estado, pois este não deve nunca privilegiar nenhum credo e não pode, portanto, exibir símbolos religiosos, independentemente de a maioria da população professar esta ou aquela religião, pois religião é assunto do foro íntimo e não da esfera dos poderes públicos.

Mas, como no Brasil as coisas nunca são o que deveriam ser, algo que tem me incomodado muito, ao longo de minha vida, é essa intolerância burra, que muitas vezes tenho visto em meio às igrejas (*não só nas evangélicas, quero logo salientar). Os religiosos, de modo geral, acham que são os donos da verdade, os detentores do saber e, conscientemente, adotam a "teologia do canudo divino": imaginam que Deus, lá nos céus, olha aqui para a Terra através de um longo canudo, em forma de uma luneta (ou se, preferirem, em forma de um biju ao contrário).


Essa imagem poderia até ser admissível, se não estivéssemos convencidos de que a parte larga do "canudo divino" abre-se, exatamente, sobre o teto das próprias igrejas, infectadas de podridão e mentiras. Infestadas de arrogância e prepotência. E, assim, os evangélicos, aliás, religiosos de modo geral, vão enganando as ovelhinhas com a falsa ideia de que “quem estiver sob a proteção de uma igreja, do canudo de Deus, é crente e está salvo. Quem estiver fora, está errado e, se não se converter, está irremediavelmente perdido”.

Dessa forma, obedecendo às nossas frágeis “tabuinhas da lei” e de “pregações diárias nas TVs”, feitas por senhores e senhoras cada vez mais alienados e alienantes, cada vez mais ricos, muitos são muito ágeis em apontar o dedo indicador e colocar na cadeira da ridicularização os réus a quem, muitas vezes, não merecem.


Um bom exemplo dessa discriminação foi a “19ª edição da Marcha para Jesus”, que aconteceu ontem, 23/06, em São Paulo, que, segundo eles próprios: uma das maiores manifestações religiosas do planeta (*humilde isso né?), que se transformou em um ato de afronta ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ameaças aos políticos por parte dessas lideranças evangélicas.

Apesar dos esforços dos organizadores para restringir o enfoque a temas religiosos, assuntos como a união civil de pessoas do mesmo sexo, homofobia e legalização da maconha acabaram dominando os discursos intolerantes de alguns líderes religiosos eufóricos, preconceituosos, desenformados e pretensiosos. "A marcha não deixa de ser um ato político", resumiu um dos muitos hipócritas e demagogos, o senador Marcelo Crivella, ligado à famigerada Igreja Universal do Reino de Deus. Mas o discurso mais radical foi mesmo o do patife e aliciador de ignorantes, com programa comprado na Band, o pastor Silas Malafaia. Com palavreado vulgar, usando termos como "otário" e "lixo moral", Malafaia atacou duramente a decisão do STF de legalizar a união estável entre pessoas do mesmo sexo. "O STF rasgou a Constituição que, no artigo 226, parágrafo 3º, diz claramente que união estável é entre um homem do gênero masculino e uma mulher do gênero feminino. União homossexual uma vírgula", disse tal pastor, que atualmente é idolatrado por milhares de seguidores.


Contudo, felizmente, nem todos pensam dessa forma. O meu jovem, educadíssimo e inteligentíssimo amigo Carlos Henrique, de São Paulo, tem uma opinião totalmente oposta à dessas lideranças religiosas: “Não posso também deixar de salientar o que acho de mais grotesco com relação aos evangélicos: comparar homossexualismo com desvio de conduta e com todas essas outras coisas horríveis como pedofilia? O que eles acham que os homossexuais são? Monstros? Isso realmente é um desrespeito com as pessoas! Eles também deveriam citar os meios de comunicação que colocam sexo em todo lugar. A propaganda que apela sempre para o lado sexual e as escolas que são principalmente a porta de entrada para esses assuntos com alunos que levam revistas pornográficas. Esses deveriam ser os assuntos debatidos dentro dessa igrejas, e porque somente eles abrangeram os homossexuais? Isso é uma forma clara de preconceito que vem empregando o povo religioso. Pensem nos seus filhos, se algum deles for homossexual, o que você irá fazer? Com certeza irá se afastar da igreja ou vai aceitar e começar a defender com todas as forças contra os princípios que dizia acreditar e ser o correto? Pense nisso”, disse Henrique.


Mas, como lidar, por exemplo, com a máquina alienante das igrejas quando temos que conviver com a opinião de um bostético Malafaia – que ainda é considerado um herói – que ataca a decisão do STF de liberar as marchas da maconha no Brasil? "Amanhã se alguém quiser fazer uma marcha em favor da pedofilia, do crack ou da cocaína vai poder fazer. Nós, em nome de Deus, dizemos não", pregou o milionário pastor das massas. E a multidão parasita, estimada pela PM em 1 milhão de pessoas (*como é que conta?) - e pelos organizadores em 5 milhões (*que diferença viu!) - foi ao delírio e respondeu com gritos de "NÃO, NÃO, NÃO..." com os braços levantados para o céu. Tão repugnante e imbecil quanto o Bolsonaro.

Para Arthur Andrade, num debate que promovi pelo Facebook: “Eles são como vampiros. Se fortalecem com seu sangue. Mas são também a anestesia do caos, a visão turva do status quo, parte do processo de desconstrução que vivemos” . E para a talentosíssima e simpaticíssima jornalista Lucia Correia Lima: “Até a Rede Globo tentou. Na verdade eles ficam melhor sendo enganados por falsos cristãos, que no bar bebendo...”. Mas o Malafaia já ameaçou orientar seus fiéis a não votarem em parlamentares que defendem o Projeto de Lei 122/2006, que criminaliza a homofobia no país: "Ninguém aqui vai pagar de otário, de crente, não. Se for contra a família não vai ter o nosso voto", ameaçou o pastor, com toda a elegância e pompa que Deus não lhe deu. "Quem defende essas bichas e a maconha está aqui a serviço de Satanás", disse também um tal Vander Pinho, também pelo Facebook, que disse ainda ter ido à “Marcha para Jesus” usando calça apertada, cinto de taxinhas e a tradicional franja emo.


Talvez o meu texto não ressoe tanto quanto esses carnavais fora de época – veja aqui o que eles fazem para Jesus nessa festas – contra essas manifestações evangélicas e intolerantes que infestam o país inteiro, com um bando de gente ignorante doutrinando as cabeças dos já sem cérebros. Essa tal de “Marcha para Jesus” virou um carnaval de crentes, com direito às menininhas quebrando em nome de Jesus e um monte de retardados gritando coisas que não sabem, por total desinformação, contra união homoafetiva, legalização da maconha e intolerância religiosa.


Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O “BBBosta”, por exemplo, é a pura e suprema banalização de tudo que deveríamos valorizar. A casa dos “heróis”, como são chamados pelo outrora competente Pedro Bial, é bem aquilo que se transformou o Congresso Nacional: um bando de idiotas querendo aparecer. Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.

Fora a inutilidade de gente na política, como Tiririca, Romário, Bebeto, a vereadora transexual Leo Kret, Roberto Dinamite e o prefeito de Salvador, João Henrique, que conseguem se eleger às custas da desinformação das massas, ainda temos que aturar a Myrian Rios, ex-mocinha inútil das telenovelas globais nos anos 80 que deixou a vida de atriz para casar com Roberto Carlos e, agora, não tendo nada mais útil a fazer, virou deputada no Rio de Janeiro e mais uma lesada que fala o que não sabe.

Myrian Rios discursou, dizendo-se indignada: "Não poder discriminar homossexuais é abrir uma porta para a pedofilia", disse a deputada. Mas eu aqui, preso na minha insignicância, não sei se fico perplexo ou se mando esse povo tomar no monossílabo! Até a escritora baiana Anna Carvalho escreveu sobre isso: “Ela tem razão, pois é uma personagem ridícula, espetacularizada e que a subutiliza, se é que ela tem mais para onde correr num mercado que tolhe atrizes mais velhas ou veteranas. Temos que nos contentar com a insossa da Cléo Pires dando uma de dublê de atriz, aliás, ridículo também é o Gilberto Braga subestimar a capacidade intelectual de brasileiros com uma trama mal passada e repetitiva, sem nenhum tipo de alternativa ou de drama. Cada vez menos opto por ídolos”, falou Carvalho.

Já no debate pelo Facebook, o Dirceu Factum disse: “Equivocada, desinformada, ultrapassada e preconceituosa. Obtusa por demais, esta senhora”. O que complementou o Sílvio César Tudela: “Acho melhor ela levar os filhos para a Igreja Católica para saber o que é pedofilia...” E a Aurora Vasconcelos foi além: “Essa bocó pensa que pedofilia é coisa de homossexual porque? Etá lesgilativozinho esse nosso...Que burra...”.

O Celso Santos disse: “A moral dessa ex-esposa do Roberto Carlos não atravessa a rua. É interessante como as pessoas tentam esconder o passado. Ela já fez gato e sapato...já posou nua tantas vezes. Isso deveria ser algo que ela se preocupasse em 'cuidar dos filhos'”. E o colunista do Correio da Bahia, Marrom, pontuou: “Que coisa mais patética essa Myrian Rios. Se como atriz era um desastre agora não tem nem como classificá-la”.

Já o premiado dramaturgo baiano Gil Vicente Tavares (foto acima) disse: “O Brasil vive numa Idade Merde-a. O avanço do país ainda está na mão dos reacionários e caretas, dos teleguiados pela imprensa e os exaltados em discursos rasos. Esses são sintomas de um povo atrasado, sem cultura e educação, coisas que demoraremos ainda um bom tempo pra resolver. (...) A legalização do aborto, o casamento homossexual e a descriminalização das drogas são pautas fundamentais para o avanço do país. E as duas primeiras vão além de seu valor prático, têm uma força simbólica que ultrapassa questões de saúde pública e direitos de família. (...) Ninguém deixa de ser homossexual porque é proibido o casamento. E a regulamentação do casamento gay seria um avanço significativo em várias frentes. Antes de tudo, precisa-se defender os direitos do parceiro, independente de sua opção sexual. (...) Além disso, seria um tapa de luva nas religiões, que insistem no preconceito com a opção sexual de cada um, a regulamentação da união homossexual. O Estado legitimaria a união gay como um direito civil e com isso trataria a questão do homossexualismo como uma conduta normal. Isso seria um conquista, uma derrubada de tabus e preconceitos religiosos, e seria um avanço significativo no respeito às diferenças. (...) Eu tenho vergonha de viver num país onde assuntos importantes são abandonados por conta da mentalidade tacanha, atrasada, careta e reacionária dos dogmas religiosos. Sofremos uma santa inquisição, digna da Idade Média. Precisamos sair da Idade Merde-a”, escreveu Tavares.


Mas o que esperar de uma nação em que o herói é a televisão e as igrejas, cujos parlamentares de atuações medíocres, Bolsonaro, Malafaia, Crivella, ganha apoio agora da ex-atrizinha Myrian Rios, com as suas declarações preconceituosas e sectárias, destilando os seus ódios e afetações contra negros e homossexuais. E por motivos que a própria razão desconhece – este episódio fora abruptamente suprimido pelos meios de comunicação.


E vamos continuar votando nesses nichos caros, enquanto, diga-se de passagem, com suas atuações medíocres no Legislativo; proclamando aos quatro cantos, cheios de sentimentos nobres pela terra, mas que não fizeram até hoje jus ao apreço que seu povo lhe dedicara, dando-lhes uma votação expressiva nas urnas. Como pagamento, o fazem sim, todos os dias, desfechando-lhes um golpe capcioso, arrancando todas as possibilidades de sonhar com um dia melhor ou sendo tratados como lixo. Viva a alienação no Brasil! Agora, confira o discurso da Myrian Rios (*até desejaram parabéns pela posição pública e “verdadeira”, e olha que ela prega o "amor" para todos viu!):

fotos: divulgação

terça-feira, 21 de junho de 2011

BAHIA DEGRADADA: OMISSÃO PÚBLICA TOTAL

“O Estado da Bahia está vivendo um dos piores momentos da administração pública, mas terá festas com atrações milionárias. É a Bahia rumo ao caminho certo!”

Por Elenilson Nascimento


Um dos aspectos mais degradantes do Estado da Bahia, e da pobre cidade do Salvador, que nos envergonha e incomoda, é o puro descaso dos poderes públicos. O tráfico tomou conta, o transporte coletivo não funciona, os engarrafamentos são quilométricos, os vereadores não prestam nem como manobristas de estacionamento, os passeios e calçadas por onde transita diariamente o sofrido soteropolitano estão numa buraqueira só, a educação é uma vergonha e a saúde inexiste. Em todos os bairros, desde os chamados proletários onde vive a maioria da população (*aqueles que nunca são mostrados nos cartões postais), até os mais tradicionais e valorizados como o Corredor da Vitória, a Barra, Ondina, Campo Grande, Pituba e o Comércio da Cidade Baixa, entre outros, o estado é deplorável.O curioso, ou melhor, incompreensível, é que absolutamente nada é feito, mas as propagandas nas TVs já passaram do ridículo. Enquanto na TV, a presidente Dilma Rousseff se esforça (*mesmo escondidinha) para agradar a classe média; Lula, o agora palestrante, vivia soletrando demagogias para agradar o “povão”. Conclusão: o governador de olhos azuis do Estado e os prefeitos vivem na mesma cartilha.


A terceira maior cidade do Brasil completou 462 anos no dia 29 de março, em meio a uma crise financeira sem precedentes, que afeta a prestação de serviços públicos, graças exclusivamente á incompetência absoluta e universal do seu prefeito mamão, João Henrique. A capital baiana fechou 2010 com um rombo de R$ 276 milhões em caixa, o equivalente a cerca de 10% da arrecadação do município. Ou seja, sem dinheiro para pagar obrigações financeiras de curto prazo, mas organizando concursos públicos só para garantir dinheiro em caixa.

Assim não vale a custumeira alegação, muitas vezes compreensível, da falta de recursos para justificar a omissão do poder público em cumprir com seus deveres e obrigações. No caso em questão, existe dinheiro para fazer propagandas em horários caros nas TVs, mas não existe dinheiro para as obrigações básicas que deveriam ter um custo razoável.


E os inteligentíssimos responsáveis pela retirada das barracas de praia de Salvador deveriam dar uma passadinha em Itapuã e ver em que se transformou a menina dos olhos de Vinícius, Dorival e Juca Chaves. Um dos maiores cartões postais da Bahia está uma bagunça só. No lugar das barracas, carros de som de motoristas mal-educados disputam quem tem pior gosto musical. Nas praias, freezeres ligados por ‘gatos’, espaço ocupado por ambulantes e as drogas atravessando de ponta a ponta as tardes de Itapuã com o sol que arde em Itapuã. Moradores das ruas J e K, principalmente, estão revoltados e colocando à venda suas casas. Ótimo cartão de visitas para os turistas que caírem na bobagem de conhecer o local. É de envergonhar qualquer soteropolitano.A prefeitura de Salvador gastou milhões, a propósito, com as famigeradas pedras portuguesas em algumas calçadas em áreas nobres da cidade, uma pavimentação absolutamente antifuncional, imprópria e inadequada à realidade, mas nunca tem dinheiro para pagar os seus próprios servidores. Infelizmente temos o vício cultural de copiar e muitas vezes copiar mal. Queremos repetir as calçadas de Lisboa, quase todas em pedra portuguesa compondo belos e bem elaborados mosaicos, agradáveis de se ver e por eles passear. Mas em Salvador, aliás, na Bahia toda, a banda toca diferente! Por pura incompetência da administração pública. Enquanto isso, Márcio Marinho já é o pré-canditado a prefeito do faz-de-conta de Salvador; o governador Jaques Wagner continua com os seus pensamentos modais; prefeitos fazem a festa, mas quem paga a conta é o povo; e o município de São Francisco do Conde vai ter muita festa, pouca educação!

charges: Sidney/Portal da Metrópole

CONSELHOS DE DRUMMOND PARA ELENILSON

Por Di Freitas*


Vamos, desabafe.


A política está perdida.


A Bahia está perdida.


Mas a sua poesia está viva.


O primeiro governo passou.


O segundo governo passou.


O terceiro governo passou.


Mas a esperança brota a cada dia.


Lembra-se daquele amigo que perdeu?


Fatalidades acontecem.


Não possui bens materiais


Mas é exageradamente rico em criatividade.


Fala o que gostaríamos de falar.


Às vezes com humor.


Às vezes com palavrão


Às vezes não tem jeito, essa é a única opção.


O mundo está do avesso.


Precisamos de sua voz


Foi assim desde o começo


Um herói para nós


Salga seu corpo no mar


As impurezas a onda leva


Deixa o vento te secar


Declama os versos que me reservas!

* Di Freitas é militar e poeta em Campo Grande (MS), além de escrever no blog PM Ação Solidária. E também faz parte dos "Poemas de Mil Compassos" da Coleção Literatura Clandestina (2009). Clique aqui e leia os trabalhos dele no blog oficial do livro. Contato: sid_neis@yahoo.com.br


foto: divulgação

domingo, 19 de junho de 2011

OS MACONHEIROS APÓIAM OS BOMBEIROS

“...num país em que seres humanos e ratos têm o mesmo valor e dividem o mesmo habitat.”

Por Anna Carvalho


Esse título no meu texto foi uma das frases exibidas na passeata orgulhosa pela “liberdade de expressão”, entidade infeliz que separa o Brasil e os brasileiros em dois grupos: os que têm voz e os que são calados -, por essa pátria em fezes, advertindo, em sua ditadura de silêncios, para coisas que são efetivamente importantes.


Nessa cena, me pergunto, o que deve estar acontecendo com o STF brasileiro e as suas liberdades de outrora? Liberdade para Pallocci, liberdade para Batisti, liberdade para os maconheiros e traficantes. Só não conseguiram ser eficientes no caso do menino Sean, mas são outras liberdades menores, a de agora se esboça pela orla com ares de madura e inofensiva e sem nenhuma apologia à droga (não se espantem se houver passeata para liberação do crack, das anfetaminas ou pela liberdade sexual do ursinho Pooh que quer ser ator pornô.


E fico pensando num país que não consegue dar liberdade para os seus idosos que, sob o véu de uma longevidade comemorada, não podem comemorar a democracia de um país mentiroso e calhorda que os prendem sem dignidade, sem amparo, sem direitos e só com reservas, mais em cima de uma liberdade mais ousada e talvez menos importante, liberdade para as pessoas do Norte do país morrendo feito moscas varejeiras pelos latifúndios em Humaitá, Boca do Acre. Brasileiros que morrem em nome de uma parca liberdade de expressão política e que nenhum ministro de coletes engraçados nem chegou perto em dar jeito.


País livre e que morre de inanição diante da sua própria ingerência poderia voltar para ditadura e para as suas viúvas, ou diretamente para a passeata no Rio e ver o ex-ministro e títere Mink (que não fez nada a não ser apologias de um discurso imbecil e de pouca ação quando era da pasta do meio ambiente) e, pelo contrário, ontem se refestelava na oportunidade que o país deu para que “maconheiros”- eles próprios se apresentam assim -, em se manifestarem de maneira oportunista ciceroneados elo ex-presidente dos dedinhos e da falência de alguns setores sem liberdade no país, FHC (*pena que o senhor oportunista não fez isso quando fazia parte do executivo).

Mais uma vez vamos dedilhar sobre o país de alguns sem liberdade de expressão, sem liberdade de saúde e que morrem sumariamente sem acesso a remédios contra doenças crônicas e, em tese, asseguradas pelo governo, faltando remédios para doentes com HIV, faltando liberdade para quem humildemente vive de lixo (país que ostenta dignidade em escarafunchar dejetos), aí alguns imbecis que, sendo pela paz só com as drogas, ficam muito violentos quando são vítimas de divergências vão dizer que planta não se fuma, que a Holanda está muito bem obrigada, que maconha é utilizada para tratamentos medicinais, mas não num país em que seres humanos e ratos têm o mesmo valor e dividem o mesmo habitat.


Vendo a passeata no Rio (*e de Salvador também), fico emocionada com a nossa perda de capacidade de discernimento de brincar com coisas tão sérias ou lutar pela banalidade num país que brinca com a vida de seus cidadãos, um país pouco sério e canalha com muitos que não têm direito de emitir qualquer opinião diante das falácias constitucionais de um país incapaz de discernir liberdade de dignidade, traficante de maconheiro, maconheiro de bombeiro de vândalo, brasileiros de imbecis.


Agora, um adendo retórico, ou papo cabeça (para alguns intelectuais que precisam de maconha para refletirem): a maconha, símbolo de uma contracultura ardilmente vigiada, agora se vê sendo entrincheirada pelo politicamente correto. Nunca pensei na minha vida que ícones da contracultura queiram ser legalizados. Caetano me ajude mais acho que alguma coisa está fora da ordem.


Seria bom que, agora, cidadãos de bem ou mães de filhos que começaram (sem vício, por esporte ou para relaxarem) com a maconha romântica, para terminarem como viciados e marginais roubando a própria casa, fizessem ver a sua liberdade de expressão nas ruas de uma cidade que já sofreu e sofre com as caríssimas UPPs que, não sei se alguns sabem, mantidas pelos cofres públicos e por alguns filhos de papai, seguidores de Jah, de Ponto de Equilíbrio (argh), Bob Marley, Carlos Mink e outros que sustentam e sustentaram incólumes o tráfico até agora, porque se a maconha for liberada, milagrosamente os traficantes irão sumir como ninguém nunca pensou nisso? Enfim, num país que confunde liberdade com IMBECILIDADE, pleiteio, sem nenhuma moral, liberdade para os meus neurônios... Viva Pedro Pedrada, nosso herói!

foto 1: Alucard Lopes


foto 2: Eduardo Enomoto/AE


foto 3: Herdeiro do Caos

sexta-feira, 17 de junho de 2011

MARCHA DA LIBERDADE EM SALVADOR

“A Marcha da Liberdade acontece neste sábado, 18/06, em Salvador.”


Por Elenilson Nascimento


O mundo da política é mesmo indecifrável, mentiroso e demagogo para o telespectador comum. Um bom exemplo foi a última palhaçada engendrada pelo governo no Caso Palocci. Se era para ser demitido, fingindo demitir-se, por que e para que, então, tanto salamaleque e postergação para dar a primeira entrevista para a televisão no dia anterior, quando supostamente explicaria seu enriquecimento? Esperou a crise explodir, a presidente “escondidinha” ficar com pecha de que Lula será uma sombra eterna em seu mandato, falou e não disse nada para no fim sair do mesmo jeito. Agora, de alguma forma, parece que o povo – ou alguma parte dele – acordou, e a “Marcha da Liberdade em Salvador”, é um bom exemplo disso, pois integra o movimento livre “Marcha Nacional da Liberdade”, que acontecerá em diversas cidades brasileiras simultaneamente


Neste sábado, 18/06, em plenos “festejos de pula fogueira” do São João, Salvador sediará um dos maiores movimentos livres, cultural e político brasileiro. Saindo do Teatro Castro Alves, no Campo Grande, às 14 horas, em direção ao Farol da Barra, a “Marcha da Liberdade” é apoiado por diversos coletivos e movimentos sociais e levanta bandeiras da liberdade de organização e expressão. O evento aborda ainda a necessidade de ampliar as discussões de dispositivos legais sobre temas considerados polêmicos em várias esferas, inclusive no Poder Judiciário.

Realizado com a participação da população, O movimento integra estudantes, coletivos artísticos e culturais, movimentos sociais, grupos acadêmicos e qualquer cidadão que apóie o objetivo da marcha: Liberdade – de expressão, de manifestação, de protesto e de pensamento, com ações pacíficas, lúdicas e fundamentadas na criatividade e na consciência comum. Os interessados ainda poderão contribuir com a confecção de cartazes, faixas e articulações para o movimento, às 10 horas no Passeio Público. Após a caminhada, atividades artísticas, culturais e discussões livres acontecerão no Farol da Barra.



+ Mais informações:
marchadaliberdadesalvador.wordpress.com
www.marchadaliberdade.org
Twitter: @salvadormarcha

quarta-feira, 15 de junho de 2011

SHARON JONES, ZIZI POSSI, DJAVAN & ALEXANDRE LEÃO ARREBENTAM EM SALVADOR

“Essa semana, em Salvador, teve o melhor da música com uma Zizi com problemas de coluna; o governador da Bahia sendo vaiado no show de Djavan; uma reencarnação das Supremes no TCA e um Leão rugindo cultura no Espaço Xisto.”

Por Elenilson Nascimento


Já repetimos diversas vezes aqui no LC como Salvador é carente de bons shows de "artistas de verdade". Ao mesmo tempo temos notado e registrado também como aos poucos alguns aparecem por essas bandas. Alguns produtores resolveram acordar e começam a apostar mais as fichas nesses tipos de atrações, fugindo da bagaceira de sempre do axé, pagodes e bandazinhas coloridas, e oferecendo boas oportunidades para o público baiano, carente de tudo, como sempre.

Se ainda não temos uma agenda constante e muito menos entramos no circuito dos grandes shows porque na Bahia nem tem espaços interessantes, alguns bons nomes sempre têm surgido agora. Após ficar cinco meses internada, a cantora Zizi Posse, por exemplo, voltou a Salvador para um super show no Teatro Castro Alves e falou sobre esse período que ficou afastada dos palcos.

Através de fontes seguras, fiquei sabendo que na entrevista de divulgação do show, dezenas de jornalistas aguardavam em silêncio até que Zizi se acomodasse na poltrona, muito lentamente, demonstrando que a sua coluna, amparada por um colete, ainda necessita de cuidados médicos. Apesar da aparente fragilidade, Zizi se mostrou animada, educadíssima, bastante comunicativa e feliz com a sua recuperação e a tão esperada volta aos palcos na capital baiana – após passar por três cirurgias.


No último domingo, 12/06, admiradores tiveram uma oportunidade única, no show de lançamento do DVD “Cantos e Contos, Vol. 1 e 2”, que comemora os 30 anos de carreira da Zizi. Neste show, dirigido por José Possi Neto e pela própria Zizi, que fez questão de assinar a direção, a diva da MPB e eterna interprete de “Per Amoré”, “A Paz” e “Caminhos Cruzados”, acompanhada pelo maestro Jether Garotti Jr (piano e clarineta), além de músicos nos teclados, violão e percussão, mostrou músicas românticas e suingadas de todas as fases da carreira.


Zizi mantém na internet o Blog da Zizi – espécie de diário virtual que a cantora mantém e por onde vem se aproximando dos fãs, fazendo amigos e dividindo suas experiências. “Não escrevo tanto quanto gostaria no blog, mas lá é um espaço onde trocamos experiências e carinhos. Uma vez por ano marcamos um encontro físico”, contou orgulhosa.


A filha, e também cantora, Luiza Possi foi uma das principais atrações do show da Zizi. Apesar das carreiras individuais, mãe e filha selecionaram algumas canções para fazerem um dueto especial, mas a base do show foi mesmo os sucessos mais marcantes. Confira algumas imagens da emocionada Zizi (*eu achei que ela está gordinha):

Quem também fez um show belíssimo no mesmo dia e horário da Zizi Posse foi o cantor e compositor Djavan, o alagoano fez esse show para lançar o último álbum "Ária" (*fraquíssimo disco de regravações), onde atua exclusivamente como intérprete, reunindo canções que compõem a sua memória afetiva e que o influenciaram na carreira.
No repertório do show na Concha Acústica do TCA, estavam clássicos como "Sabes mentir" (Othon Russo), "Disfarça e chora" (Cartola/Dalmo Castello), "Brigas nunca mais" (Vinícius de Moraes/Tom Jobim), "Fly me to the moon" (Bart Howard), "Palco" (Gilberto Gil) e "Oração ao tempo" (Caetano Veloso), além dos seus grandes sucessos como "Flor de Lis", "Pétala", "Açaí", "Álibi", "Acelerou", "Eu te devoro", "Lilás", "Oceano", "Samurai", "Sina", "Nem um dia", "Faltando um pedaço" e "Lambada de serpente".


E tudo corria às mil maravilhas no show de Djavan, num ambiente de puro deleite musical e harmonia perfeita entre artista e público, como em geral acontece em todas as apresentações do cantor em Salvador, em qualquer espaço que ele se apresente, até que, por um desses sopros com cheiro de enxofre fervente do demo, o cantor decidiu registrar a presença do governador da Bahia, Jaques Wagner.


Então, uma vaia sonora que se seguiu ao registro não só surpreendeu o homenageado, assessores e os puxa-sacos, mas que assustou o próprio Djavan, que cuidou de tentar amenizar o vexame. Em vão, vou logo avisando. E anunciou então a presença também, no show, da cantora Ivete Sangalo. Como em um passe de mágica tudo voltou ao que era antes: harmonia e muitos aplausos.


Mas parece que o som das vaias do último domingo segue causando incômodos, desconfianças e pesadelos. Tensos e muito preocupados, no palácio de Ondina e imediações do PHoder estadual, principalmente entre assessores e marqueteiros, queimam a pestana para tentar entender o que aconteceu no domingo, já que só para o governo a Bahia é puro “desenvolvimento” – “é bom e agora tem, tem, tem...” – em busca de uma explicação aceitável e menos incômoda para o que já está sendo chamado, entre quatro paredes e bastidores da política e do jornalismo (*uma vez que a chamada grande mídia baiana (*A Tarde quase falido, Rede Bahia e derivados) praticamente silenciou sobre o fato de “o grande vexame do ano na Concha Acústica do TCA”.

A cantora Ivete Sangalo também compareceu ao show de Djavan na Concha Acústica do TCA.

Ao final da apresentação, Ivete fez questão de ir ao camarim cumprimentar o cantor. Nessa foto, Ivete e Nara Gil (à esquerda), a produtora do show Irá Carvalho e Djavan.

Outra que também arrasou em Salvador foi a cantora Sharon Jones, apontada pela crítica especializada como a grande voz do soul na atualidade, que se apresentou pela primeira vez em Salvador, nesta segunda-feira, 13/06, também no TCA, abrindo a temporada de shows da “Série TCA 2011 – Ano 16”.

A cantora norte-americana lançou com sua excelente banda The Dap-Kings, em 2010, seu quarto e bem-sucedido álbum, intitulado “I Learned the Hard Way”. Com 55 anos, Sharon só começou a sentir o gostinho do sucesso há uns cinco/seis anos, quando a Amy Winehouse, que conhecia a música da americana, foi a Nova York e contratou a sua banda, os Dap-Kings, para acompanhá-la no maravilhoso disco “Back To Black”, que ganhou nada menos que cinco prêmios Grammy, vendeu 11 milhões de discos e abriu a porta para uma nova geração de intérpretes de soul.


Mas até chegar a ter essa forcinha indireta de Amy Winehouse, Sharon pegou trabalhos pesados para sobreviver: foi carcereira de penitenciária e segurança de carro-forte, por exemplo, como ela mesma falou no programa “Altas Horas”, do último dia 11/06, apresentado por Serginho Groisman (fotos abaixo) clique aqui e confira.

Nos anos 70, quando começou a carreira, Sharon não encontrou apoio nas gravadoras. Diziam que ela era gorda, que era feia, coisas estúpidas do tipo. Mas depois do fator Amy Winehouse, ela e The Dap-Kings já terem lançado dois discaços: “100 Days, 100 Nights” (2007) e “I Learned The Hard Way” (2010), esse último é maravilhoso e alcançou o 15º lugar na parada americana.


Os baianos amantes do funk, soul e rhythm and blues, enfim, puderam conferir essa atração americana. O repertório do show do TCA foi todo baseado no segundo disco, mas o que dizer de um grupo com o qual você fica alucinado até na apresentação dos músicos da banda, geralmente o momento mais entediante de um show?

O show de Sharon é nos moldes dos shows clássicos de soul, como se você estivesse vendo uma das The Supremes, como se fosse a um programa de rádio e com um MC, no caso o guitarrista Binky Griptite, conduzindo toda a apresentação. Sharon provou que é possível cantar horrores, dançar, balançar a bundona (*e não parecer vulgar), sapatear, fazer piruetas, tudo ao mesmo tempo, e deixou todo o público baiano completamente apaixonado. Não por acaso, com cerca de 30 minutos de performance, Sharon Jones e a sua banda já eram aplaudidos de pé pelo TCA praticamente lotado. Soul & funk de elevado quilate, o inferno e o paraíso ao alcance de olhos e ouvidos privilegiados.

Foram quase duas horas de alta vibração, dança e libido em estado puro, com músicos que têm domínio completo do que fazem (*sim, sem nada de soul retrô ou neo-soul), que têm a classe, som afinado e a elegância de quem vem disposto a tudo para incendiar o público e, ao mesmo tempo, sabem manter a atitude cool. Charme puro viu! E, além de tudo isso, uma miss Jones com Deus e o diabo na alma, vestindo a pele que passou pelo corpo de gente como Aretha Franklin, James Brown, Tina & Ike Turner e Edwin Starr. E em um festival de alegria num TCA embasbacado, Sharon Jones só pode acreditar num Deus que dance, de preferência, uma dança de groove intenso ao rasgar o corpo todo, elétrica, em movimentos contínuos de funk que foge dos clichês. Uma noite para ficar por muito tempo na memória.


Para mim foi muito emocionante ver os Dap Kings ao vivo, mas eles não devem aguentar mais contar a história do "empréstimo" da banda para a Amy Winehouse. Porém, não dá para negar que muita gente os conheceu por causa disso, inclusive eu. Mas o que importa é que a partir disso, felizmente, rolou todo esse resgate da soul music, que sempre foi o meu gênero favorito ao lado do rock, e sua apresentação pras gerações mais novas. Para os soteropolitanos que não viram a apresentação de Sharon, na abertura da Série TCA, uma boa notícia: os discos da cantora americana são igualmente fabulosos. Agora, a má notícia: quem não foi perdeu um dos melhores shows dos últimos anos em Salvador.


Após a apresentação a cantora foi conhecer o “samboroso” restaurante cozinheira Dadá, no bairro do Rio Vermelho, para brindar o sucesso da apresentação no TCA e celebrar o aniversário do músico Bar Barreno. No menu, Sharon provou e a provou o acarajé e moqueca de camarão. Mas além do show em Salvador, Sharon e a banda se apresentaram no “BMW Jazz Festival”, que aconteceu no Auditório Ibirapuera, São Paulo.

Sharon Jones e a cozinheira Dadá, no Rio Vermelho.

Jones, o músico Bar Barreno e Dadá.

Jones aproveitou a noite de Salvador e foi festejar o aniversário de Bar Barreno no restaurante da Dadá.

Outro que também arrasou ontem, 14/06, foi o meu amigo cantor e compositor Alexandre Leão. Leão começou a cantar e tocar profissionalmente ainda adolescente, aos 17 anos, sua primeira composição, "Paiol do Ouro", foi gravada por Maria Bethânia. A qualidade de suas canções fez com que Leão se tornasse um compositor requisitado e tenha sido gravado por intérpretes como a já citada Ivete, além de Rosa Passos, a Família Caymmi, o falecido grupo Lampirônicos, Marina Elali, Margareth Menezes, entre outros. Ganhador de prêmios como o Copene Cultura e Arte (BA) e o Troféu Caymmi (BA), Leão já gravou cinco CDs, sendo “Quatro Cantos” (2009), o mais recente, é o melhor de todos. Destaque nesse disco para a música “Calma”.
Leão fez um super show no projeto “DE 2 EM 2”, ao lado do também compositor e cantor Edu Alves. Esse projeto leva, uma vez por mês, ao palco do Espaço Xisto – Biblioteca Pública dos Barris – aquela mesma que censurou meu texto – dois músicos com trajetórias e estilos diferentes. E nesse quarto encontro da temporada 2011, Leão e Edu Alves dividiram o mesmo palco numa proposta de aproximar compositores, intérpretes, produtores e o grande público. Para conhecer mais o trabalho de Alexandre Leão, além de poder baixar seus CDs, clique aqui.fotos de Sharon Jones: Uran Rodrigues

fotos A. Leão: AL/divulgação


demais fotos: divulgação