segunda-feira, 30 de maio de 2011

COMEMORAÇÕES DOS 2OO ANOS DA BIBLIOTECA PÚBLICA DO ESTADO DA BAHIA

“Apesar das comemorações pelos 200 anos, a Biblioteca dos Barris é cheia de erros grosseiros. Livros e leitores são prisioneiros da burocracia e da arrogância de muitos.”

Por Elenilson Nascimento


A literatura está, nesses tempos globalizados de informações rápidas, de celebridades fúteis e de falta de bom gosto e bom senso, não na dor experimentada ou sentida, mas no fingimento dela, apesar dos escritores partirem da dor real “a dor que deveras sente”. Não há arte sem imaginação, sem que o real seja imaginado de maneira a exprimir-se artisticamente e ser concretizado em arte. O momento é complicado mesmo, cheio de problemas, cheio de descasos, alguns deles os mais básicos em se tratando da educação e cultura do nosso povo.


Vou citar um exemplo: o novo filme do Harry Potter constante em 3D, cheio de sangue saltando da tela, com diálogos cheios de vocabulários próprios, com as varinhas de bruxos jogando feitiços pra lá e pra cá, além das “legendas” (desculpe a ironia), na verdade, indicações, nomes, setas, fotos, imagens enquadradas, tudo de um jeito a parecer moderno, mas não verdade consegue ser apenas didático – um pouco menosprezando a inteligência do espectador. É exatamente dessa forma que a literatura é tratada.


Mas o tal rapaz de óculos, metido a escritor, que gostou do filme do bruxo com um raio na testa, ficou irritado porque os jornalistas baianos não gostaram e, no debate com o diretor, mandou a tal frase de que críticos são cineastas frustrados. O primeiro argumento é simples: ele, como gostou do filme, não é frustrado? Como se bastasse isso, gostar ou não para ser ou não frustrado. Além disso, ele valoriza a própria opinião em detrimento da dos outros. A opinião dele, que gostou, é legal, as outras, quem não gostou, não prestam.

Posso confessar aqui – porque o blog é meu – sem nenhum pudor que adoro ser metido a jornalista. Desde o primeiro momento na minha vida, quando ainda era um espermatozóide, eu quis ser jornalista. Não quis ser cineasta. Nem doutor. Nem advogado (*como todo mundo hoje!). Mas se tenho uma frustração, é de não ter entrado numa boa universidade, de ter perdido o meu tempo tirando xérox e decorando frases de efeito para apresentar seminários inúteis para professores medíocres, de não ter frequentado mais bibliotecas ao invés do Google. E ainda de não ter escrito um livro excepcional – apesar de já ter lançado alguns, de gostar muito deles e continuar a escrevendo, que provém da interpretação com os meus leitores.


Porém, bibliotecas não são mais espaços de interação e descobertas, apesar de alguns esforços. E no último dia 13 de maio, marcado pela reflexão sobre a assinatura da Lei Áurea, em 1888, acontecimento histórico que pontua a abolição da escravidão em terras brasileiras, também foi pontuado pelas comemorações dos inacreditáveis 200 anos da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (BPEB), localizada no bairro dos Barris, Salvador (BA), e dirigida pela Fundação Pedro Calmon/SecultBA, foram comemorados com intensa programação.


Atrações artísticas e conferências revelaram a importância e a diversidade da primeira biblioteca pública do Brasil. A unidade que possui um acervo de 600 mil itens, dos quais 150 mil são livros, além de vídeos, imagens, obras de arte, documentos históricos, periódicos e obras raras e valiosas, apresenta uma extensa programação de debates a apresentações artísticas. Mas alguns especialistas defendem o título de Biblioteca Nacional da Bahia, coisa, ao meu ver, irrelevante, visto que a importância de uma biblioteca com a estrutura da Biblioteca dos Barris é algo muito maior.


Pensando nisto, representantes da comunidade negra de Salvador aproveitaram essas comemorações e organizaram um debate interessantíssimo no último dia 13/05, para refletir sobre as consequencias da Abolição da Escravatura, a importância de mantermos viva a nossa cultura e os atuais problemas vivenciados pelos negros desse país.


A ideia era pontuar um espaço de discussão sobre o dia seguinte a assinatura da Lei Áurea, os efeitos reais da libertação e outras pautas referentes a comunidade negra baiana com um grupo especial de artistas que falariam sobre a importância do livro e da biblioteca em suas trajetórias pessoais, marcadas por superação e desafios.

O debate começou – concorrendo com a atenção do povo na fila do acarajé – com um bate-papo com a simpaticíssima apresentadora do programa “Boa Tarde Bahia” (Band), Rita Batista, que falou sobre o seu vínculo com a biblioteca, a importância dos livros na sua vida (*apesar de ter afirmado que doou muitos deles por falta de espaço na sua casa) e sobre a sua vida escolar. Rita estava deliciosa, com um micro vestido que deixava de fora as suas pernas maravilhosas, o que, muitas vezes, deve ter tirado à atenção dos muitos presentes. Pelo seu Twitter, ela manifestou a sua satisfação: “O evento na biblioteca foi massa!”, escreveu.


Já o ator Jackson Costa – muito assediado – também falou da importância dos livros para a formação da sua vida como ator, do motivo que trocou a sua vida de celebridade em novelas da Globo por produções locais, das dificuldades de se produzir arte num país que não valoriza nada e das desventuras da sua profissão.

A vereadora Olívia Santana foi uma grata surpresa pra mim, pois nunca “na história desse país” presenciamos tanto alvoroço na psicosfera do medíocre cenário da política brasileira. Procuramos imantar todos os vieses para acreditar nos políticos que nos representam, mas à medida que nos inteiramos das nuanças políticas, a vergonha bate a nossa cara, e a desconfiança torna-se realidade. No écran infrutífero do Senado Federal e/ou da Câmara Municipal de Salvador alguns pontinhos conseguem ser vistos, como foi no caso do STF ter aprovado a união homoafetiva, mas no resto a pasmaceira e a roubalheira continuam.


Ao ver a Olívia Santana ao lado de pessoas que eu admiro, imaginei logo que deveria ser proibido políticos, sempre com um novo método de corrupção, abrirem as bocas num ambiente que exala cultura, pois, enquanto mais falcatruas e mentiras tomam dimensões insuperáveis, enquanto a presidente Dilma diz que atos vergonhosos são inerentes a democracia em que o país está inserido, continuamos sendo alienados (“A Bahia anda no caminho certo!”) como fantoches, e cheguei à conclusão e achei o azimute que nos direcionou para o porquê de tantas críticas aos governos dos militares. Mas a senhora vereadora me deixou pensativo. Contou da sua infância sofrida num bairro de periferia em Salvador, onde chegou ao ponto de perder tudo dentro de casa por conta de enchentes. Contou que começou a trabalhar como faxineira, mas que logo se viu como líder de movimentos negros. Fiquei muito impressionado com a oralidade e a formação da Olívia, mas, mesmo assim, isso não afetou em nada a minha opinião sobre os políticos.

O cantor Lazzo Matumbi foi a outra delícia da noite. Lazzo que é conhecido como “a voz da Bahia”, contou que começou a sua carreira em 1981 como atração do bloco Ilê Aiyê e arrastou multidões de baianos e turistas seduzidos pela sua forma única de cantar com a alma, dotada de swing, tal qual os cantores americanos de blues.


Lazzo, em alguns momentos, demonstrou o seu descrédito com a política, com a educação favelizada e com a segurança pública que, segundo ele, sempre renega ao pobre e preto o papel de “ladrão”. O cantor falou que enxerga com muita tristeza a atual situação do Carnaval da Bahia, de que a ideia que podemos resolver questões do Carnaval com algum dinheiro, não resolve e nem resolverá os problemas. E que também ficar acreditando em uma “política salvadora” por parte do governo para a população negra parece esgotada. “Aliás, o modelo é esgotado. Não funciona. É demasiadamente medíocre”, contou.

Vendo o Lazzo Matumbi falar, com aquele vozeirão, me fez ficar mais uma vez impressionado. Pois é difícil, muito difícil, saber da opinião de alguns artistas da Bahia, principalmente numa época onde ninguém tem opinião sobre nada, todo mundo é politicamente correto. E apesar disso, um retardado na plateia tentou deixar o cara desconcertado, fazendo algum comentário racista sobre o discurso do Lazzo, o que foi violentamente exposto pelo próprio artista que se sentiu incomodado. Mas, enfim, conversar com Lazzo e não ser interrompido a cada minuto por pessoas que querem tirar foto, cumprimentar e fazer todos os tipos de tietagens que grandes personalidades são acometidas é uma coisa quase que impossível. E, no meio do debate, Lazzo falou a respeito da saída do importante e reverenciado Bloco Coração Rastafari ao que recebemos atônitos a resposta de que o Coração Rastafari não vai sair mais por falta de patrocínio.


E, dessa forma, por total incompetência dos órgãos públicos, o cantor dos nossos amores e de tudo o que tem de dentro de nós não vai cantar. Mas como é que tem Carnaval sem a “Alegria da Cidade”, sem aquela voz forte, vibrante, doce e intensa quase a sussurrar no nosso ouvido estrofes poderosas como “A minha pele de ébano é, a minha alma é nua...” ou “Eu sou parte de você, mesmo que você me negue”. Como pode um cara como Lazzo não sair mais no Carnaval com a infra-estrutura necessária e parecer que está tudo normal. Não está. Temos a obrigação de fazer uma reflexão séria a respeito.

A noite terminou com um show da premiadíssima banda Rumpilezz – um outro elemento da cultura negra presente na comemoração dos 200 anos da Biblioteca Pública. A apresentação da Rumpilezz, criada em 2006, pelo maestro Letieres Leite e baseada na percussão de matriz africana, com influência do jazz, formada por cinco músicos de percussão (alabês) e 14 músicos de sopro, fez um sucesso enorme.


A orquestra de afro-jazz levou, em seu repertório, composições baseadas no universo percussivo baiano somadas às influencias no Candomblé e agremiações musicais da cultura negra, tais como o Samba do Recôncavo, o Ilê Aiyê e o Olodum. Apesar da chuva, as pessoas presentes se esbaldaram.


E a Biblioteca Pública do Estado viveu um dia de intensa movimentação nos seus diversos setores. O público teve oportunidade de conferir ainda “contações de histórias” no setor infantil, homenagens no setor Braille, exposição, música e teatro nos corredores, filmes no audiovisual e conferências, como a do excelente professor Ubiratan Castro, que deram mostra de como a biblioteca continua efervescente, dois séculos após a sua fundação, e apesar da falta de diálogo dos funcionários com os frequentadores, o que eu acho lamentável.


Não sei quanto dinheiro é gasto nessas campanhas de incentivo à leitura que de vez em quando o governo faz. O que eu sei é que não existe campanha publicitária barata. Livro barato até que de vez em quando se encontra, com paciência e sorte. Mas o que é barato para você pode não ser pra mim, segundo a teoria da relatividade. Enfim, as bibliotecas públicas estão aí para isso. Mas nem sempre é isso que encontramos. E não se pode falar em biblioteca pública em Salvador sem mencionar que os jovens hoje não freqüentam bibliotecas. E é por falar na BCB que eu devo dizer que, toda vez que entro lá para pegar um livro (empréstimo ou consulta), ler revistas ou jornais, fico pensando que todas as campanhas de incentivo à leitura do governo são dinheiro jogado fora.


O principal erro da BCB é supor que a relação com a leitura se dá – não com a descoberta dos livros – sempre com livros já conhecidos. Não existe, além dessas datas comemorativas, nenhuma tarde de autógrafos com autores novos e/ou consagrados, nenhum concurso cultural, nenhuma semana de cinema (*já que lá tem uma sala de cinema), nenhuma publicação de livros financiados pela instituição. É simplesmente uma loucura neste país de analfabetos e semi-analfabetos. Se preciso é, explico. É vergonhoso.


O incauto e inculto candidato a leitor vai à biblioteca, atendendo ao apelo do governo que pagou a propaganda para convencê-lo de que ler é legal e, quando chega, esbarra no muro de contenção que é o balcão de atendimento. Ali, um funcionário público típico faz a indagação: “Que livro você quer?” Pronto, perdemos um leitor. Não existe uma sugestão. Não existe um olhar acolhedor. Muitos funcionários da biblioteca exalam um fedor de arrogância que dói na alma de vergonha. E isso eu posso afirmar, pois já presenciei cenas bizarras, principalmente no setor de periódicos.

Mas pressupõe-se que todo mundo já sabe o que quer ler. É como alguém perguntar a um menino de sete anos qual é o nome da mulher peituda que será a mulher peituda da sua vida. Quem sabe pelamordedeus? Qualquer um que tenha uma relação mais ou menos íntima com livros sabe que o “prazer de ler” se dá de forma muito diferente. “A vida é a arte do encontro”. A gente futuca os livros, observa a capa, estranha o título, confere o tamanho das letras, etc. E muito depois escolhe. E depois troca. Às vezes após folhear apenas algumas poucas páginas. Às vezes um livro que parecia uma coisa se mostra outra. Às vezes um livro que não parecia nada muda toda a nossa vida. Mas na Biblioteca Central dos Barris, livros e leitores são prisioneiros. Não se pode nem ver a capa. Ou seja, é uma biblioteca para se fazer pesquisa de escola, para bater papo nos corredores ou na escadaria, não para quem quer ler por ler. Só espero que não demorem mais 200 anos para mudar essa situação.


Debate com o excelente professor Ubiratan Castro. Sou fã desse homi!

Performance de atores da Cooperativa Baiana de Teatro.

André Backer (sax) em parceria com o músico da Orkestra Rumpilezz.

Concorrência desleal: o debate quase não começa porque o povo estava na fila do acarajé.

O público teve que ficar de pé para assistir ao debate.

fotos: Ascom/Fundação Pedro Calmon

domingo, 29 de maio de 2011

FHC EM PROL DA MACONHA E DE UM PAÍS SEM TABUS

“O discurso hipócrita de FHC sobre a legalização da maconha na fantástica fábrica de democracia fernandista do ‘Fantástico’.”


Por Anna Carvalho


Começo esse texto com uma frase da Lucinha Araújo sobre a perda de Cazuza: “Nenhuma mãe deveria conjugar seu filho no passado”. Mas o meu texto fala de um artista que se deteriorou pelo seu abuso das drogas, enquanto FHC deu uma entrevista, ao “Fantástico” (Globo), onde se posicionou em favor da descriminalização da maconha, além de negar que o seu governo, em prol de uma “eliteque” manteve tabus. E falou também em quebra de tabus, onde muitas famílias que, negando ditados biológicos, perderam seus filhos para as drogas e que começaram “lindamente” ou “poeticamente” com a bendita/romântica maconha.


O engraçado foi que ele foi o presidente da manutenção de alguns tabus mesquinhos e chinfrins (*não teve competência para erradicar a pobreza, ou sanear a Educação pública) em relação a precarização da Educação, da economia de fachadas do real, do pensamento de elite, de uma direita conveniente, esnobe, beletrista e, agora, oportunista também, uma vez que, não estando mais no governo, só agora pode gerenciar uma cortina de fumaça ou de burrice sobre um país que agoniza diante de uma democracia fantasma.


Na época do seu governo, tal tabu não foi movimentado, agora, só agora, ele circula como títere dessa "nobre causa" para um país com tantos problemas crônicos: pobreza jamais erradicada, a crise eterna na saúde, a falta de moral de uma agenda política muito pouco atribulada, pessoas morrendo sem segurança, impostos marginais, direitos básicos negados e, vamos falar de tabus para descriminalizar maconha, um país que não consegue reduzir danos de uma Educação que ainda é mínima quando se fala de uma favelização moral e instituída do professor.


FHC, presidente dos dedinhos, talvez com a mesma moral de Gabeira, de Frejar, Marcelo D2, Tico Santa Cruz que, na morte de seu companheiro de grupo falava da burrice da violência, sem sacar que talvez ela viesse de alguém que também alimentava o desejo pela droga, todos deveriam ser os bedéis do governo autoritário e que o FHC criou mais para um estadista que viajava sobre um protocolo de embaixador para falar de coisas sérias num país que bestializa pensamentos com um padrão muito conhecido em quitandas que pregam anarquias disfarçadas de ditaduras de uma certa anarquia da moral.


Eu não faço apologia de discursos evasivos, mas não saberia conviver numa sociedade que fizesse propaganda de maconha como as de cerveja sempre desnudando uma mulher, mas é claro que são coisas opostas porque aqui repito: tratar de maconha sem tratar de traficante, tratar de marginal sem tratar de políticos marginais e que enriquecem misteriosamente com consultorias é minimizar muitos problemas mais urgentes e que se arrastam secularmente num arremedo de democracia ou de uma emergência de país que não se estabelece como povo que, além de pobre, é burro e que é incapaz de escolher nas urnas, incapaz de escolher em ter a dignidade de uma formação cultural que não seja tratada como benesse, sem saber, ao menos o significado da banalização do termo DROGA.



* O ex-presidente FHC preside a “Comissão Global de Políticas sobre Drogas” que reúne personalidades internacionais. A Comissão defende uma regularização das drogas de maneira semelhante ao que ocorreu com o tabaco e com o álcool e recomenda que tratamentos médicos sejam oferecidos às pessoas dependentes de drogas para que os danos individuais e sociais sejam reduzidos.


imagem: auto-retrato do artista plástico Gil Vicente matando FHC (carvão sobre papel 200 x 150 cm). "Série Inimigos" (http://www.gilvicente.com.br/), que causou muita polêmica no ano passado na Bienal de São Paulo.

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fonte: Clube de Autores


imagem 2: E. Silveste

sábado, 28 de maio de 2011

O LIMITE ENTRE O MEDIOCRE E A INTOLERÂNCIA

“Fotos produzidas pelo fotógrafo Alessandro Sagatto do poeta Araripe Coutinho nu em museu de Sergipe causam polêmica.”

Por Elenilson Nascimento


O avassalador poder da ditadura que negou ao povo brasileiro a espontaneidade do aprendizado das artes e de aprimorar o senso crítico endossou a falsa modernidade no eterno "país do futuro", mote usado pela gangue do PT para chegar ao poder e enriquecer, e conjuntamente a isto, trouxe o desespero da perseguição aos intelectuais, escravizou os intelectos, mediocrizou a Educação e deixou sequelas irremediáveis.


Dentro desta hecatombe de guerra social e política, surgiu um novo parâmetro de leis e decretos, que passaria a reger o aprendizado e alienar ainda mais as mentes no Brasil, criando-se novos cursos nas escolas e faculdades que substituiriam os antigos, e que já eram suficientes para a (desen)formação sócio-educacional nacional. Eu sei! Eu sei! Eu sei muito bem que as más línguas vão soltar o veneno e dizer que faço conchavo com Deus e tomo café com o diabo. Mas... que mal há nisso? Afinal, se Deus é mesmo brasileiro (*eu tenho as minhas dúvidas!), qual outra "Terra de Nosso Senhor” canta À merencória luz da Lua” e tem “coqueiro que dá côco”? E ainda tem mais: "Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza"? Ora, admitam se “todo mundo tá feliz, todo mundo pede bis", então, junto com o diabo, erguemos as mãos aos céus e cantemos: “Eu te amo meu Brasil, eu te amo. Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil. Eu te amo meu Brasil, eu te amo. Ninguém segura a juventude do Brasil”. E dançando funk, pagode, axé, sertanejo conforme a música e o cantor, bailemos ao som de um Bolero de Ravel, sempre afinado, ou de um gritinho de algum Luan Santana: “Levanta a mão galera e enfiar o dedo do cu...”, imprimindo o dom de ser só seu. E cada um de nós vivendo a sina de ser um legítimo "Brasileirinho".


Pois bem, os acadêmicos foram substituídos por ex-BBBs e outras estrelas da TV, e apesar destes sistemas de aniquilação do pensamento serem indicados propriamente ao acréscimo de conteúdo teórico, à base de "quilos de xérox" nas nossas universidades, substituiram totalmente os cursos que formavam artistas e pensadores por cursos que agora formam o indivíduo para o mercado de mão de obra barata, ficando a sociedade, então, sem nenhuma formação crítica, o que foi maravilhoso para o “PHoder da ditadura”, enfraquecendo amplamente a capacidade de discernimento do povo, o que gerou até a proliferação de igrejas (de todos os tipos e gostos), o que é algo ainda mais preocupante.

FALÊNCIA SOCIAL – O que vale a pena ressaltar aqui no LC é que os fatos não foram por acaso, pois “as artes ainda trabalham a sensibilidade do indivíduo, com seus símbolos e ícones, com o seu infinito poder de criar perspectivas e, com certeza, passar informações ideológicas ao povo com muita velocidade”. Contudo, entre a década de 60 e 80, começou a ocorrer uma falência total da nossa sociedade, estimulou-se a mediocridade artística, conjuntamente com o plágio e o autodidatismo. Criou-se então uma “organização oculta”, na administração de órgãos culturais que foi aos poucos monopolizando as normas de estética do país que antes mantinham um profundo valor de comunicação, passou-se a dar lugar a uma abertura maciça de “artes” desprovidas de informações ideológicas que satisfaziam perfeitamente ao sistema da ditadura (*os primeiros conceitos de arte contemporânea).


E como já se não bastassem as desventuras do ensino no país do faz-de-conta quando as escolas tinham que colocar professores, extremamente alheios ao conhecimento, para suprir as carências oriundas das suas frustrações e das suas péssimas formações, e as necessidades de conteúdos esquecidas e aplicadas apenas com métodos teóricos, agora será ainda pior, pois o ajustamento intelectual da nossa juventude já está se processando por um padrão da mídia, onde não se irá acrescentar muito ao aprendizado, além da tentativa de inserir centenas de teorias inúteis nas cabeças cinzentas nunca alcançará mais que 5% de conceitos em sua formação.


Hoje, é muito comum no Brasil escutar da boca de artistas plásticos a seguinte frase: “Eu jamais aprenderia Artes Plásticas em uma universidade brasileira, pois jamais poderia desenvolver o que faço, com os professores de Arte de hoje, que não sabem nem desenhar e nem pintar!”. E o mesmo se aplica aos alunos de outros cursos que já se dizem arrependidos, eu principalmente, quando descobrem que os cursos superiores já não os preenchem de conhecimentos práticos, e tudo o que resta a fazer é tentar descobrir a prática por si só, e para tal, estes não precisariam de nenhuma universidade.


Quase 50% dos alunos que estão realizando cursos universitários irão abandoná-los antes do seu término, e o ensino das artes e do senso crítico, por exemplo, vai continuar o seu ciclo de decadência, vivenciando uma arte sem prática e sem estímulo. O conflito existente entre os alunos do primeiro e o segundo grau é ainda maior (e isso eu posso afirmar, por ter perdido o meu tempo - durante dez anos - lecionando para essa clientela), pois individualmente eles necessitam de arte, de meios para descarregar as suas ansiedades intelectuais, e as experiências que tiveram foram apenas superficiais, em termos de práticas artísticas, e as receitas trazidas pelos “professores mal formados” lhes deram insegurança de valores estéticos, pois em certas escolas tiveram que ver “aberrações e mutilações de arte conceitual” como se fosse uma expressão de verdadeira ARTE.


MEDIOCRIDADE DA CRÍTICA – Essa semana, fotos sensuais do jornalista e poeta Araripe Coutinho (*vou entrevistá-lo aqui no blog em breve), de 43 anos, contemporâneo de Hilda Hilst, autor de “O Demônio Que É O Amor”, "Como Alguém Que Nunca Esteve Aqui", entre outros, tiradas dentro do Palácio Museu Olímpio Campos, "vestido" apenas com uma flor em meio a um mobiliário secular da antiga sede do governo em Aracaju, Sergipe, estão causando muita polêmica, talvez porque muitas dessas pessoas que se sentiram incomodadas passaram a buscar “novidades” para empilhar em suas estantes através do ímpeto desenfreado em achar que uma pichação é a mesma coisa que um grafites nas paredes, que copiar o estilo de vida de artistas em revistas de fofoca é o mesmo que viver de verdade, que visitar monturos, mausoléus pornográficos e necromaníacos existentes na internet lhes dariam mais lógica de arte do que as visitações aos museus e galerias.


As fotos, que foram parar na internet, produzidas pelo excelente, talentosíssimo fotógrafo e design gráfico Alessandro Sagatto (*que tem um blog bacana com artworks e remixes da Madonna), mostram o poeta Coutinho em poses na mobília secular do museu. Ele está nu nas imagens. O local, um dos mais importantes patrimônios do Estado, foi sede do governo sergipano nos séculos XIX e XX, mas, na época em que as fotos foram feitas, estava desativado. Coutinho diz que entrou pela garagem: "O museu é grande, e ninguém viu. Isso mostra como o patrimônio brasileiro é abandonado".


Segundo o poeta, as fotos estavam em seu computador e sem sua autorização elas foram colocadas na rede. Alguém teria retirado as fotos que estavam armazenadas em seu computador e as colocado na internet. Ele disse que não foi nada premeditado e que, a princípio, nem havia intenção de fazer as fotos: “Foi um ensaio belíssimo. Essas fotos foram tiradas no ano de 2005 e seriam utilizadas na comemoração dos 20 anos do meu trabalho, que eu não fiz por falta de patrocínio”, explicou.


E, numa atitude autoritária, o governo do Estado determinou a abertura de uma investigação para apurar quem autorizou as fotos. Mas se não procurarmos fazer uma analise profunda, desprovidos de preconceitos, das circunstâncias e do objetivo da produção intelectual dos nossos artistas que não estão presos a este sistema imperialista, afastando a corrupção administrativa, o puritanismo, a hipocrisia, nada poderá ter resultado positivo, e qualquer manifestação artística no Brasil será apenas um rosto sem personalidade, sujeito apenas às decisões do poderes ocultos de uma suposta intelectualidade medíocre.


Coutinho, por sua vez, disse que está sendo vítima de preconceito: “Não consigo sair de casa. Se fosse um cara musculoso ou a garota do Tchan, ninguém falava nada. Eu queria que as pessoas dissessem: o poeta está nu” – disse. Ele contou ainda que as fotos foram feitas para ilustrar um livro sobre ele. “Eu não quis macular o local. Quis apenas levar arte para as pessoas. As fotos ficaram lindas”, complementou o poeta.

ATÉ PESSOA SOFREU PRECONCEITOS – Até o poeta português Fernando Pessoa, em seus poemas, contou e chorou sobre a insatisfação da alma humana. A sua precariedade, a sua limitação, a dor de pensar, a fome de se ultrapassar, a tristeza, a dor da alma humana que se sente incapaz de construir e que, comparando as possibilidades miseráveis com a ambição desmedida, desiste, adormece “num mar de sargaço” e dissipa a vida no tédio.


Mas se para Pessoa, os remédios para esse mal eram o sonho, a evasão pela viagem, o refúgio na infância, a crença num mundo ideal e oculto situado no passado, a aventura do Sebastianismo messiânico, o estoicismo de Ricardo Reis, etc..., infelizmente, num mundo cada vez mais globalizado, com pessoas de pensamentos retrógrados e fúteis, todos estes “remédios” são apenas tentativas frustradas porque o mal é a própria natureza humana (*o outro nunca está satisfeito com a felicidade alheia) e o tempo a sua condição fatal. Se Pessoa tinha uma poesia cheia de desesperos e de entusiasmos febris, de náusea, tédios e angústias iluminados por uma inteligência lúcida – febre de absoluto e insatisfação do relativo.


SÁ-CARNEIRO TAMBÉM – Talvez, como disse o Coutinho, essa polêmica nazista esteja ocorrendo não pelo fato das fotos terem sido tiradas dentro de um prédio público que provavelmente nem as moscas estavam visitando, mas pelo fato do poeta ser gordinho e fora dos padrões. Mas se ele fosse um malhadão, bem nascido e roludo, todos estavam batendo palminhas. Esse caso me fez lembrar do Mário de Sá-Carneiro que, mesmo sendo dono de uma técnica inigualável, fez do conflito entre o eu lírico e o outro, da inadequação do que sentia ao que desejaria sentir, uma das grandes marcas de sua obra e, além de tudo isso, esse magnífico esquizóide, muito preocupado com o fato de também ser gordo e duvidosamente assexuado, pedia que batessem em latas, quando se finasse, que rompessem aos saltos e aos pinotes, que fizessem estalar no ar chicotes, que chamassem acrobatas e que o seu caixão fosse sobre um burro ajaezado à andaluza. Tudo volições respeitáveis e sumamente exequíveis, bem sabemos.


Mas o inferno apocalíptico vivido na insensibilidade artística do povo brasileiro, da crítica sem critérios dos críticos de bolas de sabão, dos esquizofrênicos de plantão, possui como herança, dois problemas graves: “a decadência do ensino e a adoção do imperialismo da moda estética”. Dessa forma, o gosto do povo passa a ser menos autêntico do que o de muitos outros países, mais educados e mais congruentes com a formação intelectual do seu povo, porque a formação artística lhes foi negada e o poder de decidir o prazer estético lhes foi arrancado na base do chicote.


Talvez a escolha da revista "Time", que elegeu o ex-presidente Lula como um dos 25 líderes mais influentes do mundo em 2010, seja um sinal de que temos o que merecemos! Talvez seja perda de tempo e energia discutir a famigerada frase de que críticos são artistas frustrados, mas vamos lá. A permissão é de que como não sabem fazer filme, não sabem escrever poemas em livros, não sabem fazer boa música, os críticos criticam. Isso, na opinião de muitos, valeria também para quem faz críticas literárias (*escritores frustrados), teatrais (*atores frustrados) etc.


Essa polêmica toda com as fotos do Coutinho demonstra o quanto a nossa sociedade brasileira vive um mundo de ilusões, pois os ânimos artísticos são bloqueados logo cedo, os padrões impostos pela educação atual, geram uma cultura hipócrita, e a sensibilidade estética do cidadão se desenvolve naturalmente por um caminho paralelo à educação oficial. Ou seja: estamos formando uma geração de “cabeças de merdas”!


Hoje ensinam que só devem seguir os moldes de arte das “escolas conceituais e das bienais internacionais”, mas para a maioria do povo, é bastante óbvio não ter sentido artístico, já que os valores são impostos por ditaduras oficiais com modelos contemporâneos, aberrantes e deprimentes em relação a beleza natural, agredindo a sensibilidade espontânea. Sendo assim, o Brasil é um dos poucos países do mundo a manter uma ditadura institucionalizada de padrões artísticos, a deturpação intelectual é muito visível para todos e só resta uma conclusão: a liberdade de expressão em nosso país não existe, ou se faz uma arte que é imposta pelo monopólio institucionalizado ou não se considera essa arte como verdadeira. Sendo assim: salve o artista autodidata, aquele que não segue as normas oficiais, pois poderá ser um grande representante da arte brasileira por que “A EDUCAÇÃO E AS ARTES NO BRASIL ESTÃO EM DECADÊNCIA!”. Mas eu prefiro continuar acreditando nos versos do Jorge Mautner, que ecoou na voz do Chico Science: “Que eu me organizando posso desorganizar. Que eu desorganizando posso me organizar. Que eu me organizando posso desorganizar”.

+ Veja repercussão na reportagem do Jornal Hoje (Globo) sobre as fotos tiradas por Alê Sagatto do poeta Coutinho nu em museu de Sergipe:

fotos: Alessandro Sagatto

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O POETA DI FREITAS MANDANDO SINAL DE FUMAÇA

Se tem algo revelador nessa primeira crise política do governo Dilma, envolvendo o ministro Palocci, é que as fronteiras entre os interesses públicos e privados, no mundo da política, continuam carentes de melhor definição e de argumentos. Embora, idealmente, compartilhe da necessidade de uma maior presença do comportamento ético na vida política e da sociedade, tento evitar análises moralistas que me impeçam de ver a realidade da política. Mas, mesmo com este “realismo” não acredito que seja justificável teses que naturalizam a corrupção como algo inevitável na política.


Dessa forma, o poeta matogrossense Di Freitas mandou, agora a pouco, uma mensagem bacana sobre a minha matéria do caso da professora Amanda Gurgel. Porém, pode até ser que essa podridão, que esse descaso dos poderes públicos, que essa vidinha miserável de brasileiro suburbano nunca acabe, mas, daí a naturalizar a ideia de que a corrupção é inevitável vai um longo caminho e, pior, pode servir para banalizar o ato de corrupção e, por fim, reduzir sua importância.


A gangue do PT com toda esta ampla maioria que possui no Congresso nacional, desprovida de valores éticos, bem que poderia fazer valer aquilo que defendeu durante todo o tempo em que era da esquerda e estava fora do PHoder: ÉTICA, disposição para investigar e punição à corrupção. Mas pelo jeito, com esse caso do Palocci, onde o Lula teve que ir lá para dize o que quem tem que fazer. Imagina isso, “nunca na história desse país” tivemos um ex-presidente que ainda manda nessa porra!


É impressionante como o “PHoder”, com todos os seus mimos e privilégios, faz desaparecer qualquer disposição para a luta contra a corrupção. Atitudes que pouco têm a ver com a democracia de fachada nesse país de bananas e sim com o paternalismo que infantiliza e idiotiza os indivíduos. Abaixo o sinal de fumaça do poeta Di Freitas:


“Mano véio, que dez!!! Essa matéria A VOZ DA PROFESSORA ECOANDO ficou excelente!!! “Reforma de população”, vc tá certo! Quando assisti o discurso da professora Amanda Gurgel no YouTube, logo pensei: -Essa mulher é o Elenilson disfarçado, ou é uma fã dele! Ainda bem rapaz que temos vc aí do outro lado, continue assim, falando somente verdades, mas do seu jeito. Parabéns sou seu fã de carteirinha!”

* Di Freitas é militar e poeta em Campo Grande (MS), além de escrever no blog PM Ação Solidária. E também faz parte dos "Poemas de Mil Compassos" da Coleção Literatura Clandestina (2009). Clique aqui e leia os trabalhos dele no blog oficial do livro. Contato: sid_neis@yahoo.com.br


fotos: divulgação

PRA QUE ESTUDAR?

“O Brasil, além de uma grande reforma política, precisa de uma reforma de população.”


Por Elenilson Nascimento


Ronaldinho Gaúcho recebe R$ 1.400.000,00 por mês, e ainda foi homenageado na Academia Brasileira de Letras. Tiririca recebe R$ 36.000,00 por mês, fora os auxílios e mordomias, e é Membro da Comissão de Educação e Cultura do Congresso. Piso nacional dos professores é de R$ 1.187,00, sendo que em alguns lugares temos casos de professores que recebem muito menos que isso. Eu já cheguei a receber R$ 300,00 no fim do mês, isso quando pagavam.


Moral da história: os professores ganham pouco, porque só servem para nos ensinar coisas inúteis como: ler, escrever e pensar. Sugestão: mudar a grade curricular das escolas, que passaria a ter as seguintes matérias: Educação Física (só com futebol); Música (sertaneja, pagode e axé); História (grandes personagens da corrupção brasileira, como Sarney, Maluf, Collor, Antonio Palocci (*atual ministro-chefe da Casa Civil, que agora se recusa a dizer como multiplicou, em quatro anos, seu patrimônio por vinte), ACM, FHC, Jaques Wagner, o prefeito mamão João Henrique (enquanto a cidade do Salvador derrete com as chuvas, ele fica em casa orando) e até o senhor agora palestrante Lula); Biografia dos heróis do Big Brother; Evolução do pensamento das "celebridades"; História da Arte de Carla Perez à Faustão; Matemática (multiplicação fraudulenta do dinheiro de campanhas); Cálculo Percentual de Comissões e Propinas; Português e Literatura, aliás, pra que essa matéria? E Biologia, Física e Química (excluídas por excesso de complexidade).


E segundo filósofo Roberto Romano, a opinião dos eleitores não causa preocupação aos corruptos. A prioridade é convencer os colegas políticos a continuar lhe dando base de sustentação. Foi o que a presidência fez quando veio a público o enriquecimento de Palocci. Dilminha Rousseff reuniu seus “melhores estrategistas” para blindar o ministro e muniu os petistas de argumentos de defesa. A presidente mostrou que, a exemplo de seu antecessor, levará a situação até o limite do suportável. Como se nada tivesse acontecido.


O Brasil, além de uma grande reforma política, precisa de uma reforma de população. Os conformados, que geralmente são os que vão com a maioria e os que aceitam “mimos” de políticos deveriam morrer. De preferência, em uma explosão atômica como em Hiroshima. Pessoas assim me dão asco, pois fazem merda, votam errado e são os primeiros a reclamar e, também, a falar que nunca votaram em “fulano”. A massa é burra e isso é fato. Os políticos sabem que eles não podem instruir a massa burra, pois se isso acontece, nunca mais voltam ao poder, mas isso é que seria o certo. Brasil é o 75º país em índice de percepção de corrupção, atrás de Chile e Uruguai. Mas merecemos tudo isso!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ENTREVISTA COM A BLOGUEIRA TAIZE ODELLI

Não sei se é o ensino universitário que decaiu ou se o interesse por um aprendizado melhor é que diminuiu. Antigamente, pelo menos vi isso através dos livros, as pessoas davam mais importância para a educação, para uma carreira, mas hoje parecem querer apenas um diploma.” (T.O.)


Por Elenilson Nascimento


Quase metade da população brasileira - 45% ou 77 milhões de pessoas - não costuma ler livros, jornais ou revistas, como revelou uma pesquisa do Ibope. Pesquisas apontam que os europeus e os norte-americanos são os maiores leitores do planeta, e neste (ainda) novo século, que parece que ainda não começou, o mercado editorial está entrando na era digital e a proposta é sempre conquistar novos consumidores. No Brasil, independentemente do avanço tecnológico, esse segmento ainda tem muito espaço para crescer.


A última pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada pelo Instituto Pró-Livro, entidade mantida por empresas do setor editorial, revelou que 66% das publicações editadas no país estão nas mãos de apenas 20% da população. O levantamento apontou que 8% dos brasileiros não têm nenhum livro em casa e 4% somente um. Entre os entrevistados, 67% disseram saber da existência de bibliotecas próximas à sua residência e 20% afirmaram não haver nenhum interesse nos livros.


Ao contrário da juventude cubana (“...apesar da ditadura, ou talvez por causa dela, jovens se mobilizam para gritar as suas insatisfações”), os jovens brasileiros, após a derrota de José Serra nas últimas eleições para presidente, a nobless da juventude estúpida da “massa cheirosa” desse país de bananas resolveu manifestar-se via Twitter, postando enunciados covardes e estúpidos. Um dos motes da detração social exposta no microblog ganhou força quando algum “gênio” afirmou que a presidente Dilma Rousseff venceu as eleições por causa dos coitados beneficiários do Bolsa Esmola, do Nordeste e do Norte. Esse episódio lamentável (*a estudante de Direito Mayara Petruso, que ficou famosa e se tornou um dos assuntos mais falados do Twitter após suas declarações) demonstrou que os deuses limitaram a inteligência de alguns, mas a ignorância parece não ter fim: faça-se uma análise simplória, e exclua-se os votos do Norte/Nordeste, para verificar que ainda assim a candidata petista venceria as eleições.


Mas ficamos sabendo desses fatos que, se não soubéssemos, teríamos mais tempo para curtir o nosso próprio umbigo numa boa, sem ficar indignado e preocupado com a situação atual de boa parte de nossa juventude. E a primeira observação que salta aos olhos na terrível chacina de Realengo, Rio de Janeiro, além do horror produzido pelo assassino que executou mais de dez crianças – meninas em sua maioria - em uma escola, é o próprio drama, que o noticiário não pôde esconder em torno da realidade escolar que vitima os filhos da classe pobre desse país. Basta comparar com as escolas dos ricos e salta aos olhos o tipo de escola que é oferecida aos filhos das classes proletárias, escola abandonada em todos os sentidos. São depósitos de crianças, sem as mínimas condições de ensino, professores mal pagos, salas onde se amontoam dezenas e dezenas de alunos, onde reina a violência sutil ou declarada, onde o ensino é de má qualidade, prevalecem relações autocráticas direção-aluno, a homofobia, o racismo e a total ausência de democracia escolar. Ou seja: a educação é jogada sempre a segundo plano.


E também, ao contrário dessa onda de falta de informação e ignorância, a entrevista de hoje é com uma figuraça que semeia justamente o oposto. A jovem Taize Odelli, de apenas 21 anos, estudante de Jornalismo, leitora voraz, que diz que “se meteu a fazer resenhas porque estava com vontade de escrever alguma coisa”, e que recentemente foi um dos destaques de uma excelente matéria da revista “Veja” sobre essa nova geração que anda descobrindo o prazer da leitura, é uma rara exceção de uma juventude cada vez mais alienada.


Taize, além do gosto pela leitura, gosta muito de ficar procurando coisas interessantes na internet. Diz que geralmente as encontra em fórum literários, mas também escreve resenhas para o Amálgama, Blog do Meia Palavra, Artilharia Cultural, Ambrosia, além do seu próprio blog, o já famoso R.izze.nhas. “Penso que se tivesse talento, viraria cantora, já que amo música e não consigo ficar um dia sem ouvir pelo menos uma. Mas no fim, literatura é o que mais me atrai”, escreveu.


Enquanto as editoras brasileiras – numa atitude equivocada – publicam muitos livros com pouca tiragem em vez de poucos livros de alta tiragem, como é feito no exterior, onde tal opção, além de sobrecarregar as livrarias, diminui a exposição dos autores e enfraquece tanto a promoção de novos escritores como o diálogo literário, a crítica, digamos assim, o clima do bate-papo com a Taize foi evoluindo para discussões de temas como o mercado editorial, a educação medíocre nas escolas e universidades e a crítica literária no Brasil.

Lamenta-se na entrevista também o desaparecimento desta crítica literária. O ponto importante a ser observado aqui é que os donos de jornais, de outras mídias e os governantes não percebem que estimular a discussão literária não é algo que gera prejuízo. Com um pouco de investimento e paciência é possível criar uma cultura de leitores e críticos. Embora este processo seja longo e gere, inicialmente, um certo prejuízo, no futuro este investimento terá retorno; afinal, por intermédio de uma cultura literária o mercado editorial brasileiro tem um potencial enorme, pode se tornar extremamente lucrativo. Infelizmente, poucos têm esta visão. Mas essa entrevista ficou muito bacana.


Elenilson – Você acha importante fazer disseminação de conhecimento em tempos de internet?

Taize Odelli – Mas para que serve a internet se não informação e conhecimento? Considero esse o princípio fundamental da internet, da interação entre as pessoas na rede, e não estaria fazendo um bom uso dessa plataforma se não fosse discutindo questões do meu interesse e divulgando outras coisas.


Elenilson – Existem vários níveis de leitura, mas não acredito que seja assim tão fácil fazer com que as pessoas saiam de casa para comprar livros. É bem comum encontrar comentários que dizem respeito da dificuldade de leitura e da falta de incentivo. Diante disso, muitos afirmam que é preciso decifrar o problema para que ele seja apreendido. Qual a sua opinião sobre isso?


Taize Odelli – Não digo que uma pessoa que não goste de ler tenha algum problema. Com um incentivo melhor talvez ela adquirisse o hábito pela leitura, mas a verdade é que nem todo mundo realmente aprecia ler - assim como não é todo mundo que gosta de vôlei, de novela, de cinema... E hoje não é nem preciso sair de casa para ir atrás de livros. Tudo se encontra na internet, seja em lojas online ou até conteúdo pirateado. Basta saber o que se procura. Uma boa orientação para a leitura faz com que a pessoa tenha mais chances de gostar de ler, mas isso não é um hábito que eu julgue ser obrigatório. As pessoas podem adquirir conhecimento de qualquer lugar, seja dos filmes cabeça ou de um clássico literário. Se hoje as pessoas leem menos do que o esperado é porque elas não têm uma visão mais "certa" do que é ler, não tem conhecimento da grande variedade de assuntos e abordagens que um livro pode ter. Essa é uma visão que pais e educadores deveriam ensinar para os filhos, e não ficar martelando apenas o que uma academia - formada por pessoas com nível alto de leitura e compreensão - julga ser melhor.


Elenilson – Como foi a repercussão da matéria da “Veja” sobre o seu blog?


Taize Odelli – Foi absurda. Logo no primeiro dia da publicação as visitas do blog triplicaram, várias pessoas entraram em contato comentando minhas leituras, elogiando o trabalho, dando sugestões e fazendo críticas. E depois o número de visitas e de contatos só aumentou, algo que nunca esperei. Foi muito bom ter esse retorno dos leitores da revista.


Elenilson – Qual a contribuição da crítica, de um modo geral, para a literatura? E para os escritores? Além disso, que repercussões você observa após a publicação de uma resenha?


Taize Odelli – A crítica bem fundamentada - aquela que aponta acertos e erros sem elogiar demais ou derrubar uma obra - é benéfica para qualquer tipo de arte. Para mim, o ato de "criticar" envolve perceber melhor a obra, procurar entender mais o que ela diz, sugerir mudanças que melhorem seu conteúdo. O escritor, leitor e crítico que sabe receber uma crítica e que reflete sobre ela só tem a ganhar. É o feedback que ele tem dos vários tipos de leitores que podemos encontrar: o acadêmico, o harder reader, o leitor moderado... É uma forma de ele perceber como o mesmo livro pode ter interpretações e aceitações diferentes. Não é sempre que algum escritor me retorna depois de uma crítica, mas vários já o fizeram elogiando resenhas, apontando coisas que eu não tenha percebido, agradecendo pela crítica e até discutindo comigo sobre a própria obra. Confesso que morro de vergonha quando sei que algum escritor leu minha opinião sobre seu livro, penso que ele deve ter considerado o meu texto sem sentido, ou que eu falei de coisas absurdas, mas no fim me acalmo, tudo não passa da minha interpretação do livro, e interpretações diferem de pessoa para pessoa.


Elenilson – Escrever uma resenha para mim é uma lúdica e deliciosa brincadeira com a linguagem, desconstruindo e reconstruindo as palavras, os livros e a visão dos seus autores. E para você?


Taize Odelli – Para mim é mais um exercício de memória. É minha maneira de relembrar tudo o que acabei de ler, de pensar melhor a minha opinião sobre o livro, é o momento de consultar minhas anotações feitas durante a leitura e confrontá-las com a visão geral do livro que estou "julgando". Antes das resenhas, tinha grande dificuldade em memorizar autores, títulos, personagens e enredos, com as resenhas eu consigo absorver melhor cada leitura e aproveitá-la mais.


Elenilson – Como articulista de um canal na internet, você aborda assuntos diversos sobre diversos livros. Dentro do tema bastante amplo que é a cultura, qual a posição que da literatura ocupa nas mídias voltadas para essa temática e qual a que você gostaria que ocupasse? E a poesia é mesmo a “prima pobre”, como afirmam alguns escritores e críticos?


Taize Odelli – Eu tento acompanhar publicações "oficiais" - jornais, revistas, etc. -, e vejo que a literatura é um dos últimos tópicos a serem abordados (talvez artes plásticas fique mais escondido ainda). Considerando o nível de produção literária que existe - mesmo levando em conta o número de obras irrelevantes que são publicadas -, a literatura poderia ter um destaque maior em coberturas. Mas não espero mais que uma sinopse marketeira em um jornal, afinal, o objetivo dele hoje é vender. Análises e coberturas mais completas ficam relegadas aos blogs de jornalistas, o que para mim até já está de bom tamanho. Mas o ideal seria dividir bem o espaço dos cadernos de cultura entre todas as artes. Se a poesia é pobre em ganhos financeiros, acho que a literatura toda o é. Se é pobre em produção, bem, hoje parece que todo projeto de autor quer escrever um grande romance, um romance que venda, e não poesia. Mas se é em grandeza de arte, posso tanto dizer que não sei, pois leio pouca poesia, quanto dizer que ela está além, já que não leio por pouco entendê-la.


Elenilson – Comenta essa frase de Nietzsche: "O pensamento nos ocorre não quando queremos e sim quando quer, de modo que a garantia não há, principalmente porque não somos determinantes na conjugação do verbo ‘pensar’”. O que você acha a esse respeito?


Taize Odelli – Sei lá como o cérebro humano funciona, mas parece realmente que não pensamos por querer pensar, e sim que as coisas entram em nossa cabeça e chegam até a consciência por conta própria. Como a vontade louca de tomar café que me veio agora - não estava nem de longe pensando em café!


Elenilson – Você acha que falta às autoridades abrirem os olhos e ver o quanto é importante a cultura para o país?


Taize Odelli – Primeiro educação, depois cultura. Sem educação não tem como apreciar realmente o que a cultura tem para nos dar. Podemos apreciar a música, mas não percebemos sua melodia, não avaliamos sua letra. Podemos ver de longe uma imagem e achá-la bonita, mas não percebemos seus detalhes. Antes de qualquer coisa, as autoridades têm que trabalhar em um sistema eficiente de educação, e dentro dela utilizar a arte como forma de aprendizado. Mas isso parece utópico demais para algum dia vir ser realidade.


Elenilson – O que você destacaria de melhor na literatura nacional brasileira? Quais novidades que mais te agradam e desagradam?


Taize Odelli – Sem nem falar dos clássicos brasileiros, que têm muita coisa boa (porque já é clichê, né), prefiro comentar o que li ultimamente e achei muito bom. Primeiro, um dos livros mais legais que li nos últimos anos foi “Areia nos Dentes”, do Antônio Xerxenesky. Foi o que me fez ter mais interesse pela produção nacional, uma boa surpresa mesmo depois de tantas indicações que recebi. Segundo, o “Projeto Portal”, uma revista de ficção cientifica que teve seis edições com contos de vários autores nacionais homenageando grandes obras da f.c. E terceiro, o “Ficção de Polpa”, série de livros que se baseiam nas pulps fictions dos anos 1930 - com diagramação e ilustrações inspiradas nas revistas da época - que trouxa bons textos de ficção também (e isso que só li a última edição, mas é uma recomendação que faço de olhos fechados!).


Elenilson – De uma maneira geral, quais são os melhores escritores de todos os tempos que mais te seduzem?


Taize Odelli – Melhores escritores e o que mais seduzem são coisas diferentes, mas já que foi tudo colocado junto, respondo misturado então: J. R. R. Tolkien, J. K. Rowling (foi aí que tudo começou, né!), Vladimir Nabokov, Fiódor Dostoiévski, Machado de Assis, Neil Gaiman, C. S. Lewis, Douglas Adams e temmuita coisa por vir, seja de autores já lidos ou outros que ainda vou ler mas já sei que vou gostar.


Elenilson – Muitas pessoas compram livros pela capa, qual foi o livro que você achou que fosse muito bom por causa da capa, mas que na realidade foi uma decepção?


Taize Odelli – Acho que nunca tive uma grande decepção por comprar um livro pela capa. Na verdade, posso achar a capa a coisa mais linda do mundo, mas o que vai me fazer comprar o livro é a sinopse. Se ela vender bem o peixe, vou levar pra casa.


Elenilson – Como a sensação de evoluir de um “Harry Potter” para Dostoievski ou Salman Rushdie (*adorei “Versos Satânicos”)?


Taize Odelli – É de satisfação. Nada melhor do que sair de um estado de acomodação e ir para coisas mais densas, diferentes. São mudanças assim que mudam nossa visão das coisas, que abrem os olhos para perceber mais detalhes, que melhora o modo como recebemos informações. Todos deviam passar por esse tipo de crescimento, seja nos livros, músicas ou qualquer outra arte.


Elenilson – Como foi feita a sua parceria com editoras com relação ao seu blog?


Taize Odelli – Basicamente através de conversas. Não fui atrás das editoras oferecendo minhas resenhas nem nada, e por isso mesmo valorizo as parcerias que eu tenho. Todas surgiram através de leituras e indicações do blog, o que significa que o que foi levado em conta foi realmente o conteúdo, o meu trabalho, e não um espaço qualquer onde uma metida a fazer resenhas (oi) pode divulgar algum livro. Algumas editoras chegaram de cara oferecendo parceria, outras sugeriram um livro ou outro e depois firmaram a parceria oficialmente... Ou talvez ainda nem seja oficial, mas estão lá, me ajudando.


Elenilson – Eu achei muito interessante a matéria da “Veja” sobre o prazer dos mais jovens com relação à literatura, mas em algum momento do texto achei também muito exagerado: “Nunca se produziu, traduziu e fez circular tanto livro para eles como agora e na lista de mais vendidos de “Veja”, na categoria ficção, eles figuram nas melhores posições”. Comenta.


Taize Odelli – Não tenho como saber como era a produção literária antes de eu começar a ler realmente. É aquele negócio: você só enxerga o que está acontecendo quando alguém vem e te diz que isso está acontecendo. Na minha concepção, depois de “Harry Potter” surgiram muitas outras publicações voltadas para o mesmo público, seja em edições mais antigas de livros consagrados reeditadas para esse público ou então novas obras. Se a publicação, venda e leitura aumentaram, não vejo porque a produção de conteúdo para essa faixa etária também não possa ter crescido.

Elenilson – Como você consegue resenhar, a cada mês, “dez lançamentos de quatro editoras nacionais” no seu blog, visto que, acredito eu, você tenha outras atividade da sua faculdade? Como é feita a direção das resenhas? É uma auto-direção?


Taize Odelli – Eu aproveito cada momento livre que tenho para ler (agora eu deveria estar lendo, risos). Como a reportagem diz, leio muito no trajeto de casa para o trabalho, mas agora consegui um emprego na minha cidade e nem dá para ler uma página no ônibus. Mas para compensar esse "tempo perdido", leio mais à noite e nos fins de semana. Aproveito qualquer intervalo nas aulas para ler também. E certamente não conseguiria atingir esse nível de postagens se não me regrasse para isso. Se fixo no calendário uma data X para postar uma resenha, me mato, perco o sono, não como, não namoro, não faço nada até conseguir atingir esse prazo. Claro que às vezes sou obrigada a deixar isso de lado, mas geralmente consigo terminar tudo sem problemas.


Elenilson – A decadência do ensino universitário no Brasil tem diversas causas, porém, a mais importante é a falta de uma orientação pedagógica didática nas instituições universitárias. Comenta.


Taize Odelli – Não sei se é o ensino universitário que decaiu ou se o interesse por um aprendizado melhor é que diminuiu. Antigamente, pelo menos vi isso através dos livros, as pessoas davam mais importância para a educação, para uma carreira, mas hoje parecem querer apenas um diploma. Estudo em uma boa universidade - para os padrões de uma faculdade de Jornalismo - e possuo ótimos professores, e temos aqui uma boa estrutura - laboratórios, estúdios, etc.. E o que mais vejo é gente não aproveitando essas aulas - eu mesmo não as aproveito como deveria -, seja porque estão de saco cheio ou porque acham que não vão realmente trabalhar com aquilo que estão estudando. Valorizam o diploma, e não o conhecimento.


Elenilson – Já no ensino médio a coisa é muito pior. As causas dessa decadência são: o erro pedagógico; as responsabilidades de muitos professores; o despreparo humanístico, vocacional e psicológico do estudante; o número excessivo de matérias destinadas aos alunos apenas marcarem X em provas de vestibulares; a desproporção numérica docente-aluno; os recursos humanos inadequados de docente e pessoal; os recursos materiais. Qual seria a solução para a problemática da Educação?


Taize Odelli – Se eu soubesse a solução provavelmente estaria rica por vender a minha ideia para o governo - se ele fosse colocar em prática ou não, aí é outra história! Mas falta verba, estrutura, cuidado, mais reconhecimento para o professor, falta "educação" vinda dos pais. Enfim, falta organização. Talvez se conseguissem organizar melhor e, principalmente, destinar a verba para a educação realmente para a educação as coisas pudessem melhorar um pouco.


Elenilson – O sistema educacional brasileiro de hoje favorece a um cara da periferia a querer ser crítico literário ou se dedicar á literatura?


Taize Odelli – O sistema educacional brasileiro mal consegue abrir as portas de uma escola, quanto mais a educar alunos para serem críticos, ou melhor, questionadores. Minha vontade de escrever sobre livros não veio da escola, assim como o gosto pela leitura não veio de lá. Claro que devam existir instituições que saibam incentivar - pelo menos sei de uma boa iniciativa, mas de fora do país. Mas não foi isso o que vivenciei em minha escola.


Elenilson – Eu não acredito mais em política e em muitas outras coisas. Não há reajuste de salário mínimo que faça o senso comum acreditar em falas políticas dessa natureza, quando o que se vê na TV é uma quadrilha de prefeitos presos por, literalmente, roubar comida de criancinha. Você ainda tem esperanças de que o Brasil venha tomar vergonha na cara e mudar de rumo?


Taize Odelli – Sinceramente, não. Muita gente reclama que sou pessimista, mas se não consigo ver alguma solução para os meus problemas, ou para o problema do país, para mim significa que essa solução não existe. Ou então é muito, mas muito difícil de acontecer.


Elenilson – Definir-se como crítica literária não soa pretensioso ou pejorativo num país como o Brasil?


Taize Odelli – Eu não me defino crítica literária. Quem fez isso foi a revista! hahaha Eu sou só alguém que gosta de comentar livros, falar sobre eles. Me falta estudo e muita leitura para poder ser realmente crítica, mas espero um dia chegar lá.


Elenilson – Deixa um recado para aqueles que querem se jogar na literatura também.


Taize Odelli – Se joga, ué. Se ficar com medo de ler porque acha que não vai entender, que não vai ser legal, nunca vai se ler na vida. Bom é procurar por algum assunto que te interessa, ir atrás de indicações para ver se é esse livro mesmo que você quer ler, se é indicado para o seu perfil, e ler. E, claro, ir evoluindo na leitura depois. Não adianta nada descobrir o gosto pela leitura com “Harry Potter”, mas não ler nada além de “Harry Potter” e seus derivados. Então, é isso =D

“A crítica bem fundamentada - aquela que aponta acertos e erros sem elogiar demais ou derrubar uma obra - é benéfica para qualquer tipo de arte.”

Taize na reportagem da revista Veja.

Pegando autógrafo do jornalista, escritor, roteirista de TV e cinema Tailor Diniz. Seu último livro, “Crime na Feira do Livro”, foi finalista do Prêmio Açorianos de 2010, na categoria Narrativa Longa.

Site: http://rizzenhas.com


Contato: t.odelli@gmail.com


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