quarta-feira, 30 de março de 2011

BOLSONARO, TRISTE CARICATURA DO PRECONCEITO NO BRASIL

“Jair Bolsonaro critica ministra dos Direitos Humanos e ataca homossexuais no velório de José Alencar.”

Bolsonaro abriu seu álbum de família para comprovar que o peixe morre pela boca.


Por Elenilson Nascimento


Em pleno velório do ex-vice-presidente José Alencar, o intolerante deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), perdeu a oportunidade de manter-se calado, depois das declarações irracionais na TV e contra a cantora Preta Gil, atacou mais uma vez os gays e criticou a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que defendeu abertura de processo contra ele no Conselho de Ética da Câmara.


No discurso do senhor deputado, a questão da intolerância parece que já está resolvida, mas, no cotidiano, imiscui-se ainda a discriminação e o desprezo nas relações sociais, raciais, políticas, sexuais e religiosas. Nem sempre essa intolerância é declarada abertamente, poucos a admitem (*como no caso do Bolsonaro), e muitos a praticam ou apenas se calam, num conformismo covarde, mas muito conveniente.

Avançamos em tecnologias: os mundos se unem através de satélites e redes de computadores, comunicamo-nos com rapidez, divulgam-se velozmente os fatos e as imagens através de blogs na internet, mas o outro continua distante, quando não, inimigo. Para o filósofo Paul Ricoeur, o ser humano tem uma predisposição à intolerância, visto que cada um gostaria de impor suas próprias ideias e legitimá-las pelo poder. A intolerância, hoje, se traduz em vários aspectos, principalmente no religioso, mesmo camuflando desconfianças políticas, escondendo o racismo e interesses econômicos.


A religião e esses representantes que fazem desses programas mercenários nas TVs uma ideologia na cabeça desse povo cada vez mais ignorante e que, além de tudo, pregam ódio e preconceito, não é religião. Não aceitar discriminação de qualquer tipo não é defender gays, negros, drogados e sei lá mais quem. Dois componentes são necessários à intolerância: a desaprovação das crenças e das convicções do outro e o poder de impedir que esse outro leve sua vida como bem entenda. E isso o senhor Bolsonaro está muito longe de compreender. Qualquer um tem até o direito de não gostar deles, porém não podem discriminar, porque é ilegal. São coisas completamente distintas, não vou comentar o que essa figura folclórica da política nacional falou, ele só vale uma palavra: LAMENTÁVEL! Veja só:




imagem: revista Piauí

terça-feira, 29 de março de 2011

O BRASIL É UM PAÍS HOMOFÓBICO SIM!

"Os relacionamentos sexuais e afetivos são de foro exclusivamente íntimo e desde que estabelecidos entre indivíduos adultos e livres, não deve sofrer qualquer ingerência do Estado. Qualquer proposta ao contrário é fascismo ou o pior dos totalitarismos.”

Por Elenilson Nascimento


Ficou chocado com a foto-montagem de Harry Potter e o seu amiguinho acima? Acho que não, afinal de contas são artistas. E parece que artistas podem tudo. Mas ainda fico abismado com as notícias de que um homossexual é assassinado a cada dois dias no nosso país “abençoado por Deus e bonito por natureza”, onde o Brasil passou a ser considerado o país mais homofóbico do mundo. O México vem em segundo no ranking, com 35 casos no ano passado, e os Estados Unidos, em terceiro com 25 assassinatos.


Eles não cometeram nenhum crime. Mas a decisão de assumir a homossexualidade perante os outros bastou para que fossem condenados. Em Salvador, por exemplo, moradores de favelas e baixadas, pretos, pobres, periféricos, gays, lésbicas, travestis e transgêneros vêm sendo caçados por traficantes e milicianos nas comunidades onde moram. Espancados e humilhados em público, e muitos acabam assassinados. Outros, com um pouco mais de sorte, são “apenas” expulsos das suas comunidades — após sessões de tortura. E o que a Justiça, o MP, a mídia fazem? NADA!


Mas discriminar alguém por sua opção sexual no Brasil poderá se tornar crime, de acordo com projeto que tramita até hoje no Senado Federal. Isso se aprovarem! A proposta tem causado polêmica principalmente entre os parlamentares da chamada “bancada evangélica”. A bancada da “moralidade” e da hipocrisia que impera nesse país. Os senadores Marcelo Crivella e Magno Malta são os mais ferrenhos adversários da proposta. O caminho para coexistência é longo. E a bem da verdade é que falta vontade de nossos parlamentares atuais trabalharem no sentido de mudar tal cenário.


Enquanto isso, a Fundação Perseu Abramo divulgou o resultado de uma pesquisa que tinha por objetivo identificar a homofobia no território brasileiro. Foram entrevistadas 2.042 pessoas nas cinco regiões do país. E o resultado é alarmante e dá uma medida e explicada ao fato da população LGBT contar com poucos mecanismos no que diz respeito às leis. Vejam alguns dos números berrantes da pesquisa: 52% dos entrevistados são contra a união gay; 58% consideram a homossexualidade pecado; 41% acreditam serem as relações homossexuais fruto de uma doença; 84% acham que a forma ideal de união é entre homem e mulher para reproduzirem; 99% possuem algum tipo de homofobia; 72% não gostariam de ter filhos gays; 72% não se importam em ter vizinhos LGBT; 92% acreditam que há preconceito contra os LGBT, dentro desse número: 72% dizem não ter preconceito diretamente contra gays e 71% contra lésbicas.

Com tais números, o que podemos pensar? Sim, o Brasil é um país intolerante, atrasado, dominado e regido por dogmas religiosos ultrapassados e hipócritas, os pais ainda não estão preparados para ter filhos homossexuais. E, ser gay no Brasil é considerado uma vergonha.
É necessário investir em uma educação quanto à diversidade sexual e investir mais ainda em cultura, para assim propagar conhecimento e esclarecimento, pois o número de pessoas que não compreendem, ou não aceitam os gays é muito grande e isso faz explicar por que tantos LGBTs morrem no Brasil, apontado como um dos que mais mata homossexual.

ATÉ NAS PROPAGANDAS – Essa semana foi divulgada em sites estrangeiros uma propaganda que sugere aos pais o “consumo de cachaça como forma de aceitar a homossexualidade do filho” que tem causado muita polêmica lá fora. A peça apareceu no portal "Ads Of The World" e no “Gawker”, um dos maiores sites noticiosos dos EUA, onde foi chamada de "O anúncio mais homofóbico da semana".

Em inglês, a propaganda da cachaça “Magnífica”, fabricada em Miguel Pereira (RJ), mostra a planta de uma casa. No sofá, quadradinhos coloridos identificam "Your son" (seu filho) e "Your son's buddy" (o camarada do seu filho). Uma legenda indica que os dois estão vendo "O Segredo de Brokeback Mountain", filme muito bom sobre o amor entre dois caubóis gays, do cineasta Ang Lee. Abaixo, há uma foto da cachaça “Magnífica” e a frase: "If you gotta be strong, we gotta be strong" (*Se você tem de ser forte, nós temos de ser fortes).


Propagandas existem desde sempre para fazerem os canais de TVs ganharem muito dinheiro, além de encherem o nosso saco. RedeTV, SBT, Globo e Band, batem recorde de propagandas idiotas. Mas, essa propaganda de péssimo gosto da cachaça “Magnífica” superou todas as expectativas do preconceito. Segundo a Agência 3, de onde o anúncio partiu, ela foi passada ao site por uma dupla de criadores sem autorização e sem a marca saber. Mas esse tipo de propaganda só faz promover mais preconceito. Há alguns anos, a cachaça "Cura Veado" também causou controvérsia entre a militância gay.

OUTRO CASO PATÉTICO – Ontem, 28/03, após ser acusado de racismo e homofobia depois que sua participação no programa "CQC", apresentado pelo Marcelo Tas, foi ao ar na noite desta segunda-feira, o deputado federal preconceituoso Jair Bolsonaro (PP-RJ) disse que não quis ofender a cantora Preta Gil, filha do ex-ministro e compositor Gilberto Gil.

Resumo da ópera: na última segunda-feira (28), o "CQC" exibiu a participação do deputado Jair Bolsonaro no quadro “O Povo Quer Saber”, no qual pessoas fazem perguntas ao entrevistado. A Preta Gil fez uma pergunta para o deputado, que já havia respondido outras a favor da ditadura e evidenciando preconceito racial e de gênero.


A última questão, de Preta, foi se o filho do deputado namorasse uma mulher negra, o que ele faria. Bolsonaro respondeu com todas as palavras que isso seria “promiscuidade da parte do filho”, e completou: "Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu".


Preta Gil declarou em seu Twitter que deve processar o deputado pelas declarações. "Advogado acionado, sou uma mulher Negra, forte e irei até o fim", escreveu. Processe mesmo, Preta!

Depois de saber que vai ser processado, Bolsonaro afirmou: "O que eu entendi, na pergunta, foi 'o que você faria se seu filho tivesse relacionamento com um gay'. Por isso respondi daquela maneira", disse. "Não sou racista. Apesar de não aprovar o comportamento da Preta Gil." Apesar disso, o deputado disse que não vai telefonar para a cantora para explicar o mal-entendido.


Por linhas tortas, todos os cenários do mundo e das sociedades escancaram aos otimistas e aos puros que nunca fez sentido acreditar no maniqueísmo de um mundo moral bipolar dividido entre os muito bons e os muito maus, onde ser gay é vergonhoso, é uma coisa de segurança pública. E se o presidente “mais boa praça e mais família dos Estados Unidos” até aqui, e diga-se, de novo, pela importância do título, um Nobel da Paz, o carismático e bem formado primeiro afro-descendente a ocupar o cargo mais poderoso do mundo, fosse gay? Será que o mundo e, principalmente, muitos desses brasileiros e as criancinhas que choraram de emoção só por terem sido tocadas por ele no Palácio do Planalto iriam tratá-lo da mesma forma? Acho que não! Mas ele, num telefonema protocolar, autorizou porta-aviões entupidos de mísseis a cuspir fogo contra as tropas aliadas do caricato Muamar Kadaffi. Contra elas e somente contra elas, as tropas de Kadaffi, e sempre em nome da proteção do povo líbio. De novo, um presidente dos Estados Unidos incorporando a figura do chefe da polícia do mundo se mostrou muito macho. Abaixo o vídeo do acéfalo deputado (*como é que as pessoas ainda votam nesse homem) Jair Bolsonaro no CQC:



fotos: reprodução

domingo, 27 de março de 2011

CIBELE DORSA (SUPOSTAMENTE) COMETEU SUICÍDIO

“Esse ato da atriz, na minha humilde opinião, diz muito sobre o mundo estranho em que estamos vivendo.”
Por Elenilson Nascimento


Suicídio sempre foi um tema bastante delicado, mas muito familiar para mim. Em medicina, classicamente, ainda é considerado uma “atitude covarde” de uma pessoa fraca que diante dos problemas da vida escolhe “fugir de forma drástica” em vez de enfrentá-los. Porém, ao contrário do que pregam os otimistas, em algum momento da vida, diante de situações difíceis, algumas pessoas podem experimentar o desejo de morrer. Já passei por isso também. E ontem até estava “tentando” convencer um amigo, pelo Facebook, que isso é uma perda de tempo. Mas a complicação começa quando o desejo de morrer está associado ao desejo de se matar. Coisas muito diferentes entre si, pois, nesse caso, a pessoa deve passar o quanto antes pela avaliação de um psiquiatra que entenda realmente do assunto e que irá dizer se o paciente pode permanecer em casa, ou não.


Se puder, os familiares têm de não só guardar as facas, mas também remédios, cordas e lençóis. Mas nem sempre eles estão dispostos à observar indícios. São situações delicadas e muito complicadas, mas que trazem muita satisfação quando se consegue resgatar a pessoa e ouvi-la dizer: Puxa! Ainda bem que estou fora! Já perdi alguns amigos queridos dessa forma e também já escrevi sobre o assunto em “Clandestinos” (2010), mas, confesso, é um tema ainda muito pesado pra mim.

A proximidade de alguém que decida dar cabo à vida sempre deixa todos perplexos e perguntando se nada poderiam ter feito para evitar um gesto tão tresloucado. Escrevi uma resenha no COMENDO LIVROS sobre uma obra que fiquei muito impressionado, o livro “Stephen Vive - Meu filho Stephen: Sua vida, Suicídio e Vida após a Morte” da autora Anne Puryear, sobre a curta trajetória do garoto Stephen – de apenas 15 anos – e a forma pela qual ele voltou a se comunicar (espiritualmente) com sua mãe.


Mas hoje, 27/03, abri a internet e li num portal de notícias sobre a morte da atriz e escritora Cibele Dorsa. Segundo informações, a moça pulou do sétimo andar do prédio onde morava, em São Paulo. Na última sexta-feira, véspera de sua morte, Cibele havia postado em sua página do Facebook um vídeo em homenagem ao seu noivo Gilberto Scarpa, que morreu em 30 de janeiro, aos 27 anos, após (*também supostamente) cair do 7º andar do mesmo prédio onde a atriz morava e que também caiu. A atriz usou até como trilha a música “Praise You In This Storm” (Te Louvar Nessa Tempestade) do Casting Crowns.


Até então, eu não sabia absolutamente nada sobre essa atriz. O nome não me era familiar, assim como o seu rosto. Mas me chamou a atenção a sua beleza, a sua sensualidade, e a pinta a la Cindy Crawford em cima da boca. A atriz tinha apenas 36 anos, namorou o diretor da Globo Marcos Paulo, foi casada com o cavaleiro Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda – hoje casado com a übermilionária Athina Onassis, posou para a “Playboy” em fevereiro de 2008. No momento, trabalhava numa peça infantil chamada “O Castelo das Princesas”, fazia a Bela Adormecida. Estava noiva do empresário Gilberto Scarpa, sobrinho de Chiquinho Scarpa – e que há dois meses havia se jogado do mesmo apartamento. E ao que tudo indica ele tinha sérios problemas com drogas. A atriz ainda tinha dois filhos. Um menino de 13 e uma menina de 10.

No dia em que o noivo se matou, Cibele tuitou: “Meu noivo se suicidou essa noite, com ele morto eu me sinto morta. Prefiro ir com ele, minha força não faz mais sentido. Quero ir encontrá-lo”. E também antes de se matar, por mais estranho que possa parecer, Cibele também tuitou: “Lamento, eu não consegui suportar a morte nos meus braços, mas lutei, até onde eu pude”.


Tuitar antes de morrer me pareceu algo muito estranho. Mas pensei: é comum suicidas deixarem bilhetes. Em vez de lápis e papel, ela usou a internet. Hoje, a medicina entende o suicídio dentro de um contexto absolutamente diverso. Sabemos que o cérebro funciona às custas de uma série de substâncias químicas que são liberadas para integrar os circuitos de neurônios chamadas neurotransmissores e que têm importância muito grande no ato final do suicídio, mas sabemos também que as estatísticas, no Brasil, não são muito confiáveis.


Segundo as indicações da Organização Mundial de Saúde, nosso país ocuparia o 70º lugar mundial em número de suicídios. O que se observa, entretanto, em São Paulo, é que a própria OMS defende que as faculdades de psicologia em todo o país deveriam começar logo a dar maior importância e assistência psicoterápica às pessoas com depressão, como também àquelas que usam drogas a fim de reduzir o número de suicídios.


Mundialmente, o suicídio é a sétima causa mortis na população adulta. Entre os adolescentes, é a terceira, embora em alguns lugares seja a segunda. Pensar que uma pessoa jovem e cheia de vida de repente decida que não quer mais continuar viva preocupa muito. Entendeu senhorito Guto Angelico? Fora que muitas vezes, os médicos e os próprios familiares banalizam as queixas do paciente. A classe médica precisa estar atenta, a família também e a própria pessoa precisa estar atenta. Não é demérito confessar que não nos sentimos bem seja por depressão, por uso de drogas ou por doença. Um diagnóstico de câncer, de Aids, ou de um problema cardíaco pressupõe a busca de alternativas. Da mesma forma, quando tratadas da depressão, as pessoas deixam de querer encurtar a vida.


DRAMA DA ATRIZ – Agora a pouco, olhando sites de notícias, me deparei com uma informação que realmente me chocou: a Cibele também deixou uma carta, acreditem, com a bizarra revista “Caras” – símbolo maior da exposição e sanguessugas de celebridades. No texto, pede perdão aos filhos, critica o ex-marido por ter levado seus filhos para o exterior e explica a solidão que sentia desde que perdeu o noivo.


Nesse caso, é bom pensar que talvez a atriz não estivesse conseguindo dialogar de forma mais natural e direta com os mais próximos e recorreu justamente à essa moeda. De qualquer modo, se em algum momento a pessoa diz que está querendo morrer, é preciso não desconsiderar esse aviso, especialmente se não é feito repetidas vezes, pois 90% das pessoas que de fato se mataram, assim o fizeram. E no mundo efêmero das artes a coisa não é muito diferente.

Todos nós estamos (infelizmente) acostumados a ver capas de revistas de famosos em que artistas e pseudoartistas posam com rostos consternados depois do fim de um relacionamento ou de algum fracasso. E num mundo onde você é obrigado a ser sempre jovem, lindo, rico e famoso isso tem suas consequências. Também vemos fotos exclusivas de casamentos “íntimos” e até da lua-de-mel de celebridades, que depois de um ano, ou até menos – vide o caso de “amor eterno” da Danielle Winits. Mas dar uma exclusiva para ser noticiada depois da própria morte eu nunca tinha visto.


Em suma, que Cibele Dorsa descanse em paz. Agora ela será sempre a Bela Adormecida. Que os filhos dela consigam superar esse trauma. Mas seu ato, na minha humilde opinião, diz muito sobre o mundo estranho em que estamos vivendo.

fotos: divulgação

sábado, 26 de março de 2011

A PLATEIA ADESTRADA NA VISITA DE OBAMA AO RIO

“Enquanto esteve visitando o Cristo Redentor, muitos líbios já estavam sofrendo com a ordem de Obama, mas o que importa para a mídia é que o “imperador do capital” estava curtindo as paisagens exóticas cariocas.”
Por Elenilson Nascimento


A primeira visita do presidente norte-americano Barack Obama ao Brasil aconteceu num momento delicado nos EUA, que apesar disso ainda é a maior economia e a maior potência militar do planeta. No plano interno, o presidente estadunidense tem tido dificuldades de levar adiante sua agenda, ou pelo menos a agenda que foi prometida na campanha. Os EUA seguem invadindo Iraque e Afeganistão, e não conseguiu implementar um sistema público de saúde universal, duas de suas principais bandeiras de campanha, que me fez ficar muito otimista quanto ao futuro – clique aqui.


Mas depois de ter passado o “fuzuê” dessa primeira visita do Obama ao Brasil, onde a maioria das publicações da chamada “grande imprensa” brasileira analisou os anos iniciais da administração do primeiro negro a presidir os Estados Unidos, em especial a revista “Carta Capital” – sempre ao lado contrário da “direita” – que concordou com os seus próprios adversários políticos, ao enfatizar que, até agora, Obama é um desastre monótono por completo, também aproveito aqui para manifestar a minha opinião.


Obama chegou à presidência dos Estados Unidos em 2008 depois de uma propaganda eleitoral que pregava “mudanças”, em oposição ao belicismo e à desastrosa administração na economia realizada por seu antecessor, W. Bush. Eu até escrevi em 2009 – aqui – que o Obama seria a grande esperança de mudança de mentalidade na econômica e no processo de evolução do planeta, além de ser uma das figuras históricas e de grande relevância no cenário internacional, não só por ser um negro há ocupar um dos cargos mais importantes, mas por ser um símbolo de resistência. Porém, as principais promessas de campanha até agora não foram cumpridas e, de fato, a situação não é das melhores, literalmente. Obama não só não conseguiu agradar, como foi ainda mais longe, ao desagradar as duas principais vertentes políticas do seu país, democratas e republicanos.


Ao desembarcar no Brasil, em sua primeira visita oficial, agora sob a presidência de Dilma Rousseff, para restabelecer as relações com o Brasil, após os últimos anos de atritos com o então presidente Lula (*talvez tenha sido por isso que o Lula não compareceu ao jantar), especialmente por se opor à política norte-americana no tratamento dispensado ao maluco do Amahdinejad, líder político do Irã, onde as “grandes potências” não têm domínio.


PURPURINA – Desde o embarque no Air Force One (*avião presidencial exclusivo), em Washington, até a sua partida para o Chile, no dia 21/03, depois da visita de dois dias no Brasil, Obama foi recebido aos gritos eufóricos pela população brasileira e reverenciado pela imprensa, especialmente pela baba-ovo da Rede Globo. Até em Washington, que respira política, a visita de Obama ao Brasil foi o assunto na cidade. O noticiário da rede CBS, na semana passada, foi quase todo sobre a viagem do presidente ao Brasil. Eles mostraram imagens “lindas” do Rio de Janeiro, do Cristo Redentor e terminaram com uma apresentação da bateria da Portela. Foi, de certa forma, até emocionante ver o Brasil com esse destaque todo na mídia americana, mas alguma coisa a mais se esconde nessa cortina de amabilidades.


Obama, que foi o 14º presidente norte-americano a visitar o Brasil, trouxe em sua bagagem assuntos que poderiam fortalecer as relações entre os dois países, que há bem pouco tempo estavam em um quase “litígio comercial”, causado primordialmente pela guerra fiscal gerada no período pós-crise internacional. No Brasil, mesmo com a imprensa não divulgando, movimentos sociais – como o “Cebrapaz” e as entidades que integram a “Coordenação dos Movimentos Sociais” (CMS) – manifestaram repúdio à visita de Obama, além de terem considerado o presidente como persona non grata. Segundo eles, o que os Estados Unidos têm feito na América Latina é um mau exemplo.


E apesar do “discurso lindo”, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que deve ter emocionado muitos alienados com os apelos estrategicamente engendrados (*citando Jorge Ben, Paulo Coelho e a trajetória da Dilma - tudo pesquisado pelos assessores), quem tem o mínimo de “leitura crítica do mundo” sabe bem que os EUA não nos veem como amigos, mas como terra para explorar, dominar e saquear.

Querem saquear recursos naturais, controlar os nossos mercados e dominar nossos povos (*da América Latina toda). Por isso, os povos latino-americanos ainda buscam outros caminhos de independência e soberania. Nossa história foi escrita com muito sangue e sofrimento, com ditaduras, invasões militares, complôs patrocinados pela CIA, assassinatos de presidentes. E a história do Brasil, em particular, testemunha a truculência e a força bruta do imperialismo norte-americano em nosso território. E isso a “grande imprensa” manipula e estagna por total incompetência. Ou seria competência?


Enquanto isso, até as “engraçadas” propagandas da Bombril, seguindo a sua linha de anúncios com paródias de personalidades famosas, apresentou um Obama “todo sorrisos”, interpretado pelo competentíssimo Carlos Moreno, garoto propaganda da BomBril, seguido do mote “Se você também quer a casa branca, use Good Bril”.


Mas dentre as questões que pautaram o encontro de Obama com as autoridades brasileiras, estavam assuntos que poderiam gerar, mais facilmente, consenso entre os governos, já que se tratavam de uma reaproximação entre os dois países. As apostas de especialistas consideravam abordagens envolvendo o pré-sal brasileiro - já que os conflitos no Oriente Médio estão se agravando a cada dia - o que dificulta ainda mais o acesso dos norte-americanos ao petróleo.


A reconstrução do Haiti poderia também estar na pauta, juntamente com a crise no Japão e a meta brasileira de obter assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, mas nada foi discutido. Havia também a possibilidade de estreitamento comercial entre os dois países e um outro ponto crucial: a relação entre os EUA e alguns países da América Latina, como Cuba e Venezuela. Mas Obama se limitou a mostrar sorrisos e discursar para meia dúzia de convidados escolhidos a dedo.


ESPAGUETE DE PALMITO, PUPUNHA E MÍDIA – Nada de churrasco, nem feijoada, Obama parece que pediu comida “vegan”. Ou seja, o presidente da nação conhecida por se entupir de hambúrguer, deu instruções para que a sua dieta no Brasil fosse a mais radical que a vegeteriana: nada do que tenha origem animal entrou na alimentação. Nem carne, nem leite, nem ovos. O “veganismo” é uma filosofia que observa o direito dos animais pelo ângulo da ética e os adeptos dela não admitem qualquer exploração ou abuso sobre os exemplares da fauna, seja qual for à espécie.

Além de tudo isso, a visita de Obama contou com uma forte ação midiática que objetivava sensibilizar o nosso povo. Coisa não muito difícil quando a Rede Globo investe nesse tipo de ação. O site da embaixada pediu até que os brasileiros enviassem mensagens de boas vindas e prometia presentear as melhores dessas mensagens com camisas, livros e outros presentes. Eu até mandei uma: “Obama, eu tenho uma prima que queria ficar com você. Topa?”. Mas eu acho que não iria ser selecionado com essa!

Outra coisa que me chamou muito atenção foi que muitas corporações de mídia foram contratadas – ou você acha mesmo que a cobertura que vimos pelas TVs seria apenas reflexo da simpatia? – para divulgar, diariamente, a visita de Obama. Tudo com muito entusiasmo e leveza, dando um ar “cool” ao mega-evento e fazendo parecer que se trata de uma grande oportunidade oferecida, gratuitamente, pelos sempre benevolentes vizinhos do norte. A visita ganhou ainda contornos de mega-evento, com direito a show musical, estelinhas globais, políticos e tradução simultânea. Dilma agradeceu as “palavras gentis” que Obama proferiu no discurso do Rio de Janeiro, dizendo que considerou a visita um marco nas relações entre os dois países e destacou a importância de se prosseguir nas discussões para que a relação Brasil-Estados Unidos tenha resultados ainda mais positivos, e afirmou ainda que tem interesse em visitar os Estados Unidos.

OBAMA EVASIVO – Fiquei prestando muito atenção num dos temas mais aguardados no discurso de Obama: a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O Brasil reivindica há anos um assento permanente. Havia uma expectativa muito grande de que Obama defendesse a inclusão definitiva do Brasil no Conselho de Segurança, mas ele foi totalmente evasivo: defendeu a participação do país na reforma do órgão, mas o fez de forma dúbia. “O Brasil vai ajudar a tornar o Conselho de Segurança mais eficaz”. Pois é. Na prática não rolou absolutamente nada.


A ação midiática teve sua razão de ser. Quando Bush visitou o Brasil, em 2007, milhares de pessoas protestaram no Brasil inteiro. Pude acompanhar pela tevê as manifestações que aconteceram no Rio de Janeiro, onde consulado estadunidense ficou todo pintado, assim como bancos ianques. O lado triste é que nossa polícia, composta por gente do nosso povo, agrediu os manifestantes.


E foi exatamente isso que aconteceu quando Obama esteve ao Rio, mas a grande mídia, para não sujar a festa, não mostrou nada. Se milhares saíram às ruas da capital fluminense quando Bush esteve em Brasília, e o mesmo não aconteceu na visita do Obama pelo simples fato do governo de braços dados com essa imprensa medíocre terem trabalhado justos. É certo que Obama não é Bush, mas se os ideólogos ianques estivessem tranquilos não haveria necessidade de investir tanto em ações midiáticas.


Mas esse é o tipo de relação que o imperialismo tem com os povos latinos americanos é uma tentativa de humilhar e repete a estratégia dos colonizadores, que davam miçangas, vidros coloridos e espelhos, ao mesmo tempo em que levavam em troca as nossas riquezas, como o ouro, o diamante e o pau-brasil. O povo brasileiro perdeu a oportunidade de demonstrar de que parte expressiva da população não aceitava a política de guerra preventiva, Guantánamo e Abuh Graib de Bush. Mas parece que a aliança foi mantida agora, quatro anos depois, pois o fenômeno político que teve mais relevância no último dia 20/03 foi de uma plateia inebriada pelas palavras doces, sorrisos e imagens sedutoras das corporações de mídia.

DETONANDO A LÍBIA – É realmente incrível a banalização da violência feita pelo governo do Obama. E tranquilamente, enquanto a dona Michele, linda e elegante, visitava uma escola numa favela carioca, com as filhas, entre uma reunião e outra, o Obama deu a ordem para navios americanos mandarem uma chuva de mísseis sobre a Líbia, que certamente mataram centenas de pessoas inocentes, e depois, sorridente, continuou sua agenda.

No último domingo, 20/03, enquanto esteve visitando o Cristo Redentor, muitos líbios já estavam sofrendo com a ordem de Obama, mas o que importa para a mídia é que o “imperador do capital” estava curtindo as paisagens exóticas cariocas. E isso me faz lembrar um filme brasileiro, "Matou a família e foi ao cinema". Obama, para ser minimamente decente, deveria ter voltado aos Estados Unidos depois da importante decisão de atacar um país soberano, despertando a possibilidade de retaliações que podem dar ensejo a uma guerra de proporções em todo o Mediterrâneo. Gente boa esse Obama... Viva à democracia!

fotos: reprodução

quinta-feira, 24 de março de 2011

ARROGÂNCIA: TER OU NÃO TER? EIS A QUESTÃO!

“Comparação com Amaury Jr. não agrada Wagner Moura.”

Por Elenilson Nascimento


Estou só aguardando as respostas da entrevista que eu fiz com o excelente dramaturgo baiano Gil Vicente Tavares, louco para saber o que ele acha sobre uma coisa que me deixa muito chateado: a maneira como muitos artistas da Bahia tratam (*de forma ríspida) aqueles que querem divulgar e/ou mostrar consideração pelos seus trabalhos, pois muitos são extremamente arrogantes.

E quem não assistiu “Tropa de Elite”? Todo mundo né. O Wagner Moura, por exemplo, depois desse filme passou a ser considerado um dos “bam bam bans” do cinema nacional, tanto que esta para ser lançado nas telonas, acho que na próxima semana, o filme “VIPs”, sobre um cara que não consegue viver com a própria identidade, o que faz com que assuma a dos outros. Irônico viu!
Para muitos, o difícil mesmo vai ser ver Moura fazendo outro papel sem ser o Capitão Nascimento. É difícil escrever aqui de maneira racional e precisa o que o filme “Tropa de Elite 2” desperta no espectador. Eu, por exemplo, tive crise de pessimismo que me doía a alma em vários momentos. Saí transtornado. Triste demais suportar tanta realidade assim na veia. A cena da aula do jiu-jitsu é de matar. O filme foi forte, mas necessário. E parece que o cara está tão bem contado que ainda teremos outro filme nesse ano, a comédia romântica “O Homem do Futuro”, previsto para 02 de setembro.

E como alguns atores brasileiros estão muito bem na fita lá fora, fica aqui registrado os casos mais notórios e recentes como Alice Braga, em “O Ritual” e “Ensaio Sobre a Cegueira”, Rodrigo Santoro, em “O Golpista do Ano” e “300”. Agora, Moura também foi convidado para estrelar em Hollywood, como um vilão na ficção científica “Elysium”. Não se sabe muito ainda, mas já foi divulgado que será com a direção de Neill Blomkamp. O baiano interpretará um personagem do mal com um senso de humor totalmente maluco e vai contracenar com Matt Damon, na pele de um ex condenado.
EGO ALTERADO – Mas como o sucesso sobe a cabeça de muitos antes mesmo de mostrar para que veio, durante a pré-estreia do filme “VIPs”, em São Paulo, Moura foi questionado por um jornalista presente, se ele se inspirava no apresentador da Rede TV, Amaury Jr., quando era repórter de celebridades de um programa na Bahia.


De acordo com o portal R7, o ator baiano não gostou do questionamento e respondeu com rispidez a pergunta. “Amaury nunca foi uma referência para mim. Eu entrevistava celebridades por dinheiro, porque precisava”, pontuou. Ainda de acordo com o site, o ator já é conhecido por ter o mal costume de destratar fotógrafos, repórteres e fãs. O mais curioso é que nesse filme “VIPs”, Amaury Jr. faz uma participação e aparece entrevistando o personagem de Moura, que é o protagonista da história. E para quem não sabe, o ator é graduado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia e chegou até a trabalhar com a colunista social Michelle Marie, em seu programa exibido pela TV Bahia.


Mas o que podemos esperar das estrelinhas da Bahia, já que temos como a manifestação da total alienação a premiação do “Troféu Dodô e Osmar”, que esse ano, graças à total burrice de produtores e organizadores de uma premiação (*o mais do mesmo), tem como cantor revelação o Marques (da banda Oito7Nove4, patrocinada pelo papai Bell “lisinho” Marques) e hits do Carnaval como a péssima “Liga da Justiça” (LevaNóiz) e “Tchubirabirom” ( do bombado da Parangolé)? Essa é a Bahia cheia de criatividade. Me poupe viu.


+ Abaixo, você pode conferir mais uma cena lamentável de falta de respeito do Wagner Moura. Na entrada do Auditório Ibirapuera, ele caminhou ignorando os pedidos de entrevistas. Um jornalista reagiu com um comentário ("Tá muita estrela, hein?", disse a Moura). O ator ouviu, parou, fez um olhar fulminante e voltou em direção ao repórter para disparar: "Eu não vou falar com você nunca mais", afirmou, sacudindo a cabeça e fechando os olhos, em tom teatral. O ator já interpretou Hamlet nos palcos, mas pelo visto a educação não foi captada também.

fotos: divulgação

quarta-feira, 23 de março de 2011

O BUCÓLICO BUKOWSKI

“Um pequeno conto miserável sobre as observações (e privações) de um cara que vive em dois mundos. Ficção ou realidade? Você decide!”

Por Elenilson Nascimento


Vocês estão lendo agora as linhas tortas de um cara que já tem trinta e uns anos porque não teve coragem de matar-se aos quinze, por isso arrasta-se por esse mundo louco, com família ausente, sem Deus presente, sem futuro, sem amor; questionando todas as atrocidades dessa sociedade excludente e negociante; odiando Gagas, Fiuks, Restats e o “foge fode” da Mulher-Maravilha, mas amando jazz, Beethoven, Sade, Dostoievsky, Nelson Rodrigues; aceitando Marx; influenciando-se pela barata de Kafka, Sá-Carneiro, Pessoa com o seu “inexorável céu aceso”, Guimarães, Graciliano, Mário de Andrade, Jorge Amado, Drummond, Vinícius; duvidando de toda a história mal contada sobre Judas, bebendo suco de b***** e despejando mingau de p****, e recomendando à juventude ser menos alienada e idiota e ser também contra os policiamentos interiores e exteriores, e, sobretudo, achando que o cristianismo deveria suicidar-se.


Em seus mais recônditos sonhos obscuros ele tinha medo e vergonha de falar que não queria ter com quem para quem se dar. Escondia isso a todo custo. Não falava, não escrevia por e-mail e nem comentava com ninguém pelo Orkut. Fazia-se de forte. Fazia-se de destemido. Fazia-se de inteligente. Mas temia essa sensação como um borra botas. Temia gostar muito de alguém, pois não acreditava que aquela felicidade vendida nas propagandas de margarina poderia ser sua. Não confiava na família. Não confiava nos poucos amigos. Nunca se sentiu amado.

E ao lado do futuro-suposto-hipotético metrô de Salvador que, depois de mais de dez anos, ainda não havia ficado pronto, achava que também deveriam erguer um outro monumento imponente de inutilidade, com jardins suspensos, torres residenciais com apartamentos para os mais diversos estilos de vida, torres empresariais e uma escola 24 horas para atender os filhos dos privilegiados que não são loucos de saírem do lado de lá para correr riscos nas ruas fedidas da capital baiana, numa ode ao mundo da grana e da falta de amor, do lado de cá.

E nesse paraíso em construção, para marcar com ênfase o signo da riqueza, haveria também um shopping exclusivo de alto luxo, com grifes internacionais nunca antes aportadas na história da Bahia, e heliporto, para os pobres mortais estressados que não suportam mais carros e trânsito caótico da Rótula do Abacaxi. Uma metonímia. Mas ele achava que as coisas mais simples da vida não lhe pertenciam. E, no mais absurdo delírio, policiais militares travestidos de capitães do mato ou de capangas de Lampião, viriam roubá-las a qualquer instante. Ele já tinha os vira nas fotos do Museu de Arte, no Corredor da Vitória. Seus espectros desbotados e descolados das retinas formando um exército de sombras ensandecidas e sedentas de sede de sangue, como sanguessugas, queriam violentá-lo e em seguida devorá-lo. E agora todos eles já estavam ali no seu quarto quadrado cheio de livros velhos e empoeirados. Realmente, Deus é uma fraude!

Paredes não eram empecilhos para a manada armada cinzenta de insanos que havia chegado do Inferno para fazer justiça com as próprias mãos. “O paraíso não lhe pertence!” – gritava aquele que parecia ser ainda o mais nítido e vivo dos fantasmas, com jaleco e pó de giz nas mãos, apontando a arma tosca e enferrujada, mas sem dúvidas, capaz de ceifar mesmo os sonhos escondidos nos sonos mais profundos e obscuros dentro da sua cabeça, da mesma forma que a Vida já havia o feito, pois ele não acreditava em amores de estação nem em receituários perfeitos de livros de autoajuda. O máximo que poderia acontecer é ter o seu cérebro despedaçado com um tiro na cabeça.

E da mesma forma que a quase totalidade dos empreendimentos em Salvador que prometem distância da pobreza e dos riscos que ela representa é batizada com nomes de inspiração anglo saxã, francesa ou italiana, no máximo, ele via o que os outros não viam. Mentiras em comerciais! Profecias em jornais! E pulam nomes como Manhattan, Privilegge, Village, Square, Prime, Ville e que tais. E ele lá morando num apartamento de classe Z na Estrada das Barreiras rodeado de baratas, putas velhas e velhas putas.


Mas lá, do outro lado da cadeia alimentar, dentro desses verdadeiros parques de serviços de lazer e conforto, onde há “de um tudo” (*cinemas, shopping centers, escritórios, agora escolas, espaço gourmet, piscina, ou melhor, swimming pool, lounge), e o melhor de tudo: a total falta de necessidade de cruzar o portão de saída para encontrar essa gente maltrapilha que insiste em transitar por aí.


E sobre esse desejo crescente e endêmico de afastar-se dos pobres maltrapilha a qualquer custo, um dado primoroso: ele quando passa de carro pela Avenida Centenário após a reforma e acha “fofa” a pracinha construída ao longo de todo o canal de esgoto que há pouco corria a céu aberto, não se atrevia a pensar que a obra contava com o apoio massivo da parte rica da avenida. Alguns moradores dos amplos apartamentos de um dos lados da via estão putos da vida, certos de que, agora coberto, o ex-canal tornado praça bucólica se transformou mesmo foi numa ponte que encurtou o caminho para atrair os indesejáveis moradores do Calabar e do Alto das Pombas à outra margem do PIB, nas bandas da Graça.

Mas, em um único golpe acordou suado, gemendo, esperando o grito seco que não escapara da garganta. Abraçou o lado seco do travesseiro com tanta força e desespero, mesmo sabendo que a matéria-prima de que teciam o seu idílio era liquefeita e impossível de ser contida em um par de braços, em um par de penas, ou num cu. Ainda podia sentir as presenças indeléveis dos coriscos vesgos e dos jagunços mortos. Sabia que nada poderia demovê-los dos seus eternos destinos de justiceiros cegos e alienados, como evangélicos doutrinados por mercenários pedófilos. Mas preferiu sonhar de olhos abertos, abraçado ao seu antiherói de mangá, desenhado em tênues traços de nanquim numa estória vivida nos anos 80. E manteve-se assim até que a luz do dia lhe desse alguma garantia de que a brigada dos sertões tivesse dado ao menos uma trégua. Tudo em vão. Aos inconformados, resta correr para a incorporadora mais próxima, comprar um passaporte para um desses paraísos artificiais à prova de pobres e sair cantando o novo hino do axé: "Tchau/I have to go now", pois amores não existem. Amores são apenas gozos molhados em camas quentes. E o máximo de romantismo que ele ainda acreditava era de que um dia todos estariam mortos, pois a morte é o verdadeiro pacto romântico.


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terça-feira, 22 de março de 2011

OS ANÔNIMOS HÉROIS KAMIKAZES JAPONESES

“A tragédia só não foi maior porque aconteceu no Japão, país que possui uma consciência político-social, uma estrutura e um preparo real voltado para acontecimentos desta natureza...”

Por Elenilson Nascimento


E o que mais chama a atenção, além da quantidade de mortos, são os chamados “50 de Fukushima”, o pequeno grupo de funcionários que ainda permanece trabalhando no local da usina nuclear – ainda que provavelmente haja agora o dobro de pessoas trabalhando ali – que estão sacrificando as suas próprias vidas pela população do mundo todo. Existe prova de amor maior do que essa? Até o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, já rendeu tributo aos envolvidos nos esforços para estabilizar a usina nuclear, descrevendo-os como pessoas que ''estão fazendo o máximo de esforço sem pensar duas vezes nos perigos a que estão expostos''.

Mas só depois que essa crise acabar, algumas das histórias de heroísmo começará a emergir do limbo dessa tragédia. Já sabemos que muitos dos que estão batalhando para resfriar esses bastões de combustível se feriram, e mesmo assim continuam lá expostos à radiação. O mais difícil deve ser para suas famílias, que têm de aguardar e esperar em casa, sem saber a que perigos as suas pessoas amadas estão sujeitas. Infelizmente, todos eles serão mais alguns números nas estatísticas das misérias da humanidade.

E ainda fico me perguntando que com tantas tragédias aqui mesmo no Brasil, com essas chuvas nessas cidades brasileiras de verão, com tantos deslizamentos de terra e enchentes que ceifam vidas, o governo brasileiro vai viabilizar atividades humanitárias de atendimento emergencial à população atingida pelo terremoto e tsunami ocorrido no Japão, além de uma polpuda doação de US$ 500 mil para viabilizar atividades humanitárias de atendimento emergencial. Não que isso não seja uma forma válida de ajudar aos nossos irmãos, mas outras tragédias acontecem todos os dias aqui mesmo e ninguém se mobiliza para nada.

segunda-feira, 21 de março de 2011

AS EDITORAS NÃO QUEREM PUBLICAR AUTORES INDEPENDENTES

“O problema da burocracia e dos burocratas do meio editorial, qualquer imbecil sabe, é a falta de argumentos sustentáveis, aliada à repetição papagaiada de respostas ocas, desprovidas de sentido e escoradas em regras e critérios que ninguém entende ou explica.”

Por Elenilson Nascimento


Uma matéria assinada pelo jornalista Durval Feitosa, sobre a importância do livro e a difícil relação das editoras com “novos autores”, publicada no “Caderno 2”, do jornal “Estado de Minas”, neste último sábado, 19/03, que também usou na ilustração a capa do meu livro de crônicas “Olhos Vermelhos” (2006), descreveu a via crusis de vários autores brasileiros “sem mídia”, no qual fui elegantemente citado. A reportagem citou também a discussão referente à “aventura cultural da mestiçagem na literatura”, que confirma o discurso do secretário Auto Filho e o descaso do Ministério da Cultura.

Na matéria, aproveitei para colocar em público, mais uma vez, o preconceito existente contra os autores independentes: “Boa parte da imprensa e das editoras não estão empenhados em, de alguma forma, por exemplo, fazer uma ‘bienal de livros com autores desconhecidos’ para mostrar que no Brasil existe muito mais do que a lista de autores que as revistas semanais mostram. Não se trata evidentemente disso. Nós não podemos, em circunstância alguma, ser penalizados pelo fato de sermos autores ainda desconhecidos do grande público, cada vez mais conduzidos a consumir literatura da moda. Somos também excelências com os nossos textos, mas infelizmente, totalmente rechaçados em detrimento de autores da moda, assuntos comum de todos e vampiros e lobos bonzinhos”.

Contudo, segundo um dos “empresários” do ramo, que nem vale à pena citar o nome aqui, de uma das maiores editoras do país, não existe boicote nenhum “contra os autores independentes em relação aos grandes nomes de mercado”: “Quando calhou desses nomes atenderem a isso (o projeto da Bienal), eles foram convidados. Por exemplo, se pensarmos na representação de Angola, vamos ter um nome bem conhecido - que é o Agualusa, que é dono de uma editora (a Língua Geral). Ele não está aqui por ser um nome conhecido, mas pelo que desempenha dentro deste processo conceitual”, disse o mercenário, digo, empresário das letras.
Mas poder-se-ia pensar, ainda, em outra dificuldade: o que tais autores independentes, como seus livros de tiragem pequena, podem oferecer ao grande público? Boa parte deles é ainda inédita no Brasil e carece de distribuição, mas eu mesmo, apesar de já ter alguns livros editados, não consigo expor meu trabalho numa grande livraria. E se formos continuar mantendo este raciocínio, muitos autores independentes bons, como Elenilson Nascimento, Albarus Andreos, Giovani Iemini, Ana Lúcia Merege, Flávio O. Ferreira, M. M. Soriano, Artur Gomes, Jéssica Balbino, Alexandre de Castro Gomes, Daniel Matos, Andréa C Migliacci, Marcelo Nocelli, Eliane Silvestre e muitos outros, jamais seriam publicados em lugar algum. Estamos conscientes do risco, mas procuramos minimizá-lo publicando em blogs, em pequenas tiragens e divulgando por conta própria pela internet e em feiras de literatura.

As editoras, antes de somente divulgar o mais do mesmo, deveriam revelar as diversas culturas dentro dos vários Brasis, reconhecendo os seus hábitos, costumes e a sua própria cultura e comprometer-se com a democratização e mobilização do acesso universal ao livro, à leitura e à produção literária. Mas, não é isso o que acontece. Cadê vez mais somos bombardeados com livros de autores da escola BBB e cia. E numa entrevista recente a um jornal cearense, um curador de uma dessas bienais da vida declarou ter escolhido os autores - brasileiros e estrangeiros - para o encontro no ano passado, levando em conta a "qualidade da obra" e a "diversidade estética e geracional". Mas quais foram os escolhidos? Resposta: Fiuk, Bruna Surfistinha, Ana Maria Braga e etc. E a estranheza que se possa ter em relação à maior parte dos nomes não é demérito da parte deles e sim reflexo de nosso descompasso cultural.

O problema da burocracia e dos burocratas do meio editorial, qualquer imbecil sabe, é a falta de argumentos sustentáveis, aliada à repetição papagaiada de respostas ocas, desprovidas de sentido e escoradas em regras e critérios que ninguém entende ou explica. Porque não investir em novos autores? Porque é muito difícil fazer com que o leitor abra a cabeça para outras letras e esse é o tipo de argumento equivalente ao cachorro que corre atrás do próprio rabo e não sai do lugar. Portanto, desacomodem-se, descruzem os braço, gritem e erguei-vos todos os bons autores!

Até o bruxo-mago-autor-imortal Paulo Coelho mandou um sinal de fumaça nos dando uma força. Mas porque as editoras não querem publicar autores (ainda) fora da mídia?


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quinta-feira, 17 de março de 2011

COMENDO LIVROS: TWAIN, BANVILLE E LOBÃO

Minhas últimas resenhas lá no COMENDO LIVROS estão bombando. Você pode conferir a resenha do livro “Dicas Úteis para uma Vida Fútil – Um Manual para a Maldita Raça Humana”, de Mark Twain, com textos breves sobre moda, etiqueta, alimentação, turismo, educação e vida doméstica; “50 Anos a Mil” a biografia de Lobão, em coautoria com Claudio Tognolli, onde o músico conta sua trajetória na música, nas drogas e no rock nacional; “O Pecado de Christine”, o surpreendente romance policial de John Banville; e muito mais.
fonte: Comendo Livros

terça-feira, 15 de março de 2011

O ENEM NUM PAÍS DE EDUCAÇÃO SEM NÍVEL

“Serei colocada no front demagogo daquela que não vê o ENEM como uma forma democrática de acesso...”Por Anna Carvalho
Na prova do ENEM, vemos duas cadeiras que foram criadas em espaços temporais distintos (visto pelo seu design, se é que isso pode ser definido sem mencionar o elemento retrô de algumas manifestações artísticas) em que a sua definição aparece simplificada em design, onde o exame que nivela por baixo sim, tem uma proposta muito boa em termos de reconhecimento de habilidades ditas de maneira menos estanques, mas é pífia em na formulação das questões, das proposições, das limitações do enunciado, e faz com que o estudo seja visto de maneira anacrônica e pouco sistêmica, uma vez que eu desmobilizo o conteúdo, em Português, pois um analfabeto funcional reponde às alternativas pífias e a produção de leitura de obras não é cobrada, onde o que se vê é um compromisso mínimo de adequação da educação aos ditames das políticas públicas.
Fico trêmula com a possibilidade de os vestibulares serem extintos para se viabilizar, mais uma vez, de cima para baixo, o que a matilha populista e impostora do governo de esquerda blinde e que baixe de uma forma espetacular o nível da educação, nivelando, minivelando a educação (em níveis privado e público) num só hiato, na qual a educação vai ser exterminada/sepultada em sua estrutura, vai ser deformada, se dá na dita prova de acúmulo de conhecimento sistêmico superficial, com os conteúdos sendo pasteurizados numa prova simplista e reducionista, ou seja, o ensino médio com três anos e um esquema processual vai ser pulverizado em matérias como Língua Portuguesa, porque não se cobra nada em termos mais profundos de estética, de sua fruição, de produção de leitura como elemento que disponibiliza humanidades, mas vou talhar a estética considerando a imagem de cadeiras que eu determino serem de tempos diferentes e nego a imaterialidade da arte num ponto de vista menos reducionista do retro, da pop art, da pop cultura.
Claro que nesse momento Anna Carvalho será colocada no front demagogo daquela que não vê o ENEM como uma forma democrática de acesso, pois já estou acostumada com posturas em dita front, ou seja, se acontecer alguma coisa no INEP com a prova, se os meninos não poderem entrar no site, a culpa será minha.
Ou seja, a mentira revolucionária de números de que a educação pública vem melhorando, vai sendo maquiado para haver a “rinha”, outras formas de tiranias, o “rancamento” da educação em nível pífio e sazonal (muitos publicados em revistas de enfoque nacional), como as provas de embuste propostas pelo MEC de Haddad, o advogado que celebra a Educação como forma de um nivelamento social entre escolas públicas e privadas.
E lendo o texto “A cortina de burrice”, de Cláudio de Moura e Castro, vejo o que aos revolucionários mais sórdidos fizeram com os seus projetos libertários e com causas pouco humanitárias, vide Cuba e seus príncipes pós revolucionários e mediados por Coldri e um nacionalismo selvagem para poucos. Jogaram, armaram, ludibriaram, inviabilizaram a educação pública e agora vão inviabilizar a educação privada (e não posso ter o medo de colocar a minha revolta com medo que alguns imbecilizem o discurso, o deduzindo como vindo de uma mulher de elite, isso funciona em filmes como “Edukators”), vão fazer pilhagem humana e proporem mais uma formação de exército específico de trabalhadores braçais para que o sistema triunfe em seu próprio lúpus, e eis o projeto do ENEM como saída para a Educação sumária do Brasil em fazer pilhagem humana da forma mais perversa do mundo e assim esperarmos com lenços na mão, mais um filho do Brasil sem canudo, com sorte e muitas boas intenções.
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RITA NA HEBE

“‘Seus convidados devem se ajoelhar e beijar sua mão, afinal, você é uma rainha’, fala Rita enquanto se ajoelha em frente a Hebe.”
Por Elenilson Nascimento
Que Rita Lee é uma artista única, todo mundo sabe. Num tempo onde as bandas de música preferem vender roupas coloridas em carinhas de putas mal fodidas, Rita continua sendo referência na atitude e nas ideias. E a cantora, mais uma vez, resolveu dividir com os seus fãs e internautas, na sua página no Facebook, as fotos da visita que a apresentadora Hebe Camargo fez à sua casa, em São Paulo, na semana passada.
Rita disse que, como Hebe a conhece e sabe que ela não gosta mais de fazer televisão, por isso ela foi até sua casa. Ao que parece, Rita vai ser uma das entrevistadas do novo programa de Hebe na péssima “RedeTV!”, a primeira entrevistada do programa, que estreia hoje, 15/03, às 22h.
Antes mesmo da entrevista começar, Rita parabenizou Hebe pelo recomeço na nova emissora e perguntou como a apresentadora estava se sentindo com a nova fase. "Estou começando minha vida novamente e muito feliz. Me sinto jovem para começar tudo de novo", completou Hebe, animada e com muita disposição.
De biquíni verde e muito bronzeada, Rita levou a “louruda” para a beira da piscina e ali conversaram bastante. Roberto de Carvalho, parceiro musical e marido da roqueira, fez as fotos e publicou no Facebook. Rita falou sobre o início da carreira nos Os Mutantes, e contou curiosidades da vida pessoal. E entre os temas, os selinhos (*marca da apresentadora, que a Hebe disse ter decidido abolir para sempre, mas não foi isso que vimos no Carnaval de Salvador), Rita comentou que concorda com a decisão da apresentadora de parar e foi além: "Seus convidados devem se ajoelhar e beijar sua mão, afinal, você é uma rainha", fala Rita enquanto se ajoelha em frente a Hebe.
Rita ressaltou o seu amor pelos animais e falou das dificuldades na luta para protegê-los. "Muita gente acha que defender os bichos é coisa de gente desocupada. É difícil". As duas ainda falaram sobre o uso de ferramentas da internet, como o Twitter e outras mídias sociais e conversaram sobre vaidade. "Estou amulatando-me, mas gostaria de ser mais vaidosa e dar up na minha pele", revelou Rita. A cantora ainda contou como surgiu a ideia de transformar um texto do jornalista Arnaldo Jabor na música de sucesso, “Amor e Sexo”.
A roqueira Rita Lee recebe Hebe Camargo em sua casa, de biquíni, em São Paulo.
Rita, de 63 anos, falou da preocupação com Izabella, única neta: “Fico pensando como será a vida dela quando estiver com a minha idade. Ela vê o mundo de uma maneira tão diferente de mim. Afinal, criei três homens e ela veio ao mundo com uma visão feminina”. Mas Hebe quis saber se Rita é vaidosa: “Estou amulatando-me, mas não nego que queria ser mais vaidosa e cuidar mais da pele”.
E depois do papo, elas foram para a cozinha preparar um bolo de laranja em comemoração ao aniversário de 15 anos de Mike, um dos cachorros de Rita, que é cego e surdo. Só para lembrar, as duas se conhecem desde os anos 60. E, recentemente, a rainha da TV gravou ‘Saúde’, composta por Rita e Roberto, em seu CD.
A imprensa divulgando a entrevista de Rita na Hebe.
+ Presentinho para os fãs: sempre irreverente, Rita resolveu também disponibilizar sua discografia completa para streaming (*que pena que não pode baixar!) em seu site oficial (acesse aqui). Lá os admiradores do trabalho da cantora terão acesso aos álbuns de sua carreira solo e com os Mutantes. As músicas podem ser ouvidas em faixas individuais acompanhadas pela letra. Atualmente, a roqueira está em estúdio gravando mais dois novos trabalhos. A entrevista completa vai ao ar na estreia do programa Hebe, dia 15 de março, às 22h, pela RedeTV!
fotos: reprodução/Facebook de Rita Lee

O MUNDO ESTÁ MUDANDO ENQUANTO VOCÊ PERDE TEMPO VENDO “BBBOSTA”

“Vivemos numa sociedade onde a regra básica é ser um total idiota condenando assim, o pobre coitado, ao total ostracismo aqueles que não entram nessa máquina de moer bons modos.”
Por Elenilson Nascimento
A crítica sempre foi mal vista na cultura brasileira. Nos momentos em que as coisas aparentemente correm de forma aparentemente civilizável, é ainda mais. Qualquer pessoa que destoe do coro otimista, medíocre e comum de todos é vista como um chato, um estraga-prazer, um empata foda, um antipatriota. Disso deriva a noção amplamente estabelecida de que a imprensa só deveria servir para divulgar informações, para prestar uma espécie de serviço público, não para externar opiniões e instigar debates.
O fato é que em muitas culturas há esse desconforto com o senso crítico, mas num país que se acha predestinado à alegria tudo se complica. E isso se reflete na expectativa de um jornalismo que, afora tragédias naturais e crimes bárbaros, apenas ecoe os dados positivos, como se isso realmente existisse.
E enquanto você perde o seu tempo assistindo as sandices de uma turma de imbecis escolhida “a dedo” pelo imbecil-chefe-diretor da Rede Globo para entreter as suas noites com a mediocridade de todos os dias, provando o quanto essa juventude está tão desprovida de valores e de moral, os exemplos de absurdos se multiplicam em todas as áreas.
Na Justiça, há muitas decisões que dão mais importância a formalidades políticas do que à premissa de que a sociedade deve saber o que é feito com seu dinheiro. E depois do fim do Carnaval. De volta ao trabalho de coisa alguma em Brasília. As caldeiras já foram reabertas. E os gastos inúteis estão de volta. Parece que a Esplanada dos Ministérios ficou pequena demais para a quantidade de funcionários e assessores desses f.d.p. que, de fato, nada fazem e ainda acham que o povo tem mais é que morrer na miséria. Para abrigar as novas pastas, o governo da Dilminha aluga prédios noutras partes de Brasília. Alugueis que custam cerca de R$ 9 milhões por mês. Mais de R$ 100 milhões por ano. E quem paga essa conta? Os panacas cidadãos que não conseguem nem lembrar os nomes dos ministros.
E nesse país de faz-de-conta, pastas são ocupadas por senhores e senhoras do Nada do Lugar Algum, quem tenta olhar enxerga o Abismo de Inutilidades. É como se não houvesse corpos nas cadeiras. Mas embora invisíveis, eles têm um custo muito alto. Tome-se o exemplo do Ministério da Pesca. A atual titular da pasta, Ideli Salvatti (PT-SC), dá expediente na Esplanada, junto com 67 assessores.
Longe dali, outros 374 servidores (*será que aconteceu concurso?) ocupam um prédio de 14 andares. Alugado, custa R$ 575 mil por mês em aluguel – R$ 7 milhões por ano. Criado pelo ex-presidente Lula, o Ministério da Pesca começou com um orçamento anual de R$ 11 milhões. Decorridos oito anos, gasta agora R$ 803 milhões. O salto orçamentário não se refletiu na produção nacional de pescado. Era de 990 mil toneladas há oito anos. Hoje, permanece no mesmo patamar num país que já teve 12 ministérios. Na época de FHC, o número de pastas foi a 26. Mas o Lula criou mais 11, legando para Dilminha 37 ministérios. E para que isso tudo mesmo? E como se fosse pouco, a presidente está na bica de criar mais duas pastas: o da Micro e Pequena Empresa e o da Infraestrutura Aeronáutica.
Mas como vivemos num país demagogicamente democrático, onde veículos como TVs e rádios são proibidos de emitir juízo sobre candidatos durante as eleições, onde colunistas de jornais e blogs clandestinos são proibidos de usar este ou aquele termo para se referir a uma personalidade pública, somos levados á acreditar que vivemos à época da moralidade e da democracia. Tudo mentira!
Até o momento, quase 1.600 pessoas já morreram por causa do terremoto e pelo tsunami da última sexta-feira, 11/03, no Japão.
TRAGÉDIA NO JAPÃO – No Japão, faixas litorâneas, cidades, embarcações e veículos sofreram os efeitos destruidores de mais uma catástrofe inevitável, com milhares de vítimas, desaparecidos, desabrigados e mutilados. O nordeste japonês foi sacudido por um grande terremoto, com magnitude de 8.9 na Escala Richter, originalmente construída para detectar os tremores dos movimentos do interior da Terra. Até hoje, o maior fenômeno nessa ordem de movimento natural da Terra alcançou 9.0 da Escala Richter e foi registrado na Indonésia.
O povo japonês aprende a se defender dos terremotos na escola, desde a primeira infância. Os grandes centros urbanos são dotados de abrigos subterrâneos destinados a acomodar os grupos humanos ao primeiro sinal de risco de sua manifestação. O elevado grau de educação do povo facilita a proteção. Mesmo assim, nada disso serviu para evitar a morte, até o momento, de quase 1.600 pessoas, causada pelo terremoto e pelo tsunami da última sexta-feira, 11/03, enquanto mais de 10 mil pessoas continuam desaparecidas. Se fosse aqui no Brasil, sem educação, sem planejamento, sem proteção, sem assistência, sem os poderes públicos tomarem partido de nada, eu nem quero imaginar.
Portanto, continue perdendo o seu tempo assistindo aulas de etiqueta em reality shows em que, em meio às bebedeiras antológicas, onde mocinha com cara de virgemzinha indefesa tirou a calcinha para conquistar o seu macho, homem dormindo sem cueca e acordando excitado, um outro insano – totalmente chapado – chamando um outro lá de gay, como se isso fosse uma maneira de ridicularizá-lo, além de um outro, que infelizmente é baiano, ser dessa fauna de sem cérebros comentando que “as mulheres hoje não valem nada”. Vivemos numa sociedade onde a regra básica é ser um total idiota condenando assim, o pobre coitado, ao total ostracismo aqueles que não entram nessa máquina de moer bons modos.
fotos: divulgação