sábado, 29 de janeiro de 2011

DE VÍTIMA A IGNORANTE

“Uma população que não gosta de teatro, museus, artes plásticas e cinema, entre outras modalidades, nada mais é senão o produto mastigado, engolido e deglutido pelos poderes públicos...”
A cantora Claudia Leitte, com dois "Ts", apenas mais uma que aliena o povo com o seu produto de fácil digestão, orquestrando uma massa cada vez mais acéfala.
Por Malu Fontes*
Quando uma pesquisa revela que a população de Salvador não tem como hábito ou prioridade frequentar espetáculos culturais, certamente a primeira tentação dos bem intencionados defensores da alta cultura é adjetivar o universo dos pesquisados da maneira mais óbvia: um bando de ignorantes.
Entretanto, adjetivar negativamente uma população por seu desinteresse pelos chamados produtos da média e alta cultura equivale ao mesmo equívoco cometido quando se atribui à mocinha vestida numa microssaia a responsabilidade pelo estupro do qual foi vítima.
Uma população que não gosta de teatro, museus, artes plásticas e cinema, entre outras modalidades, nada mais é senão o produto mastigado, engolido e deglutido pelos poderes públicos que sempre lhe destinaram uma educação de péssima qualidade e também das elites econômicas que preferem ter ao seu dispor espécimes humanas de cordeiros dóceis, incapazes de refletir sobre o modo como são tratados. Sim, pois não dá para dissociar a capacidade e a habilidade de entregar-se à fruição proporcionada pela arte sem expandir a consciência de si e sem desenvolver posturas críticas diante das mazelas sociais de que se é vítima.
O fato é que a mesma elite que torce o nariz para a turba ignara que não vai ao teatro é a mesma que se regozija por as coisas serem assim, pois, se o comportamento cultural fosse diferente, isso produziria efeitos críticos devastadores nos modos desse público confrontar-se com a própria elite. A arte revolve e estimula a reflexão. Ou alguém acredita que é coincidência o fato de esta cidade investir tanto e tão somente em práticas culturais que mobilizam apenas os baixos instintos?
Já as autoridades públicas que reagem com declarações paternalistas são ainda mais perversas, pois a indiferença da população às artes é tão somente efeito colateral de uma educação de eficácia mínima que essas mesmas autoridades lhe negaram a vida inteira.
Além de ser injusto e abaixo do vulgar responsabilizar e tachar de ignorante quem não vai ao teatro, ao cinema, ao museu, vale lembrar outros detalhes tão grandes deste estado de coisas. A quase totalidade dos museus não abre aos domingos e feriados e, durante a semana, a maioria trabalha ou vai à escola (sim, para continuar sendo tábua rasa). E a que horas são encenados a maioria dos espetáculos de teatro?
E onde ficam localizadas as salas de espetáculos senão em bairros centrais? Se os trens do subúrbio não funcionam nem mesmo para levar as pessoas para o trabalho e trazê-las de volta, se o poder público não consegue, em 12 anos, colocar um metrô para funcionar, como querem que as pessoas voltem para casa à meia noite, após assistir uma peça de teatro? Para o Muquifest, as empresas de transporte coletivo destinam um esquema especial de ônibus...

* Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas e professora da Faculdade de Comunicação da UFBA.
foto: divulgação

COMPRE NOSSOS LIVROS!

>>> Promoção de 25% de desconto direto com a editora, até amanhã, 29/01. Clique aqui ou mande e-mail direito para a editora Clube de Autores: clubedeautores@clubedeautores.com.br

ANTES DA FAMA, MADONNA FOI REJEITADA POR GRAVADORA

Jimmy Ienner, presidente de gravadora na década de 80, disse considerar que Madonna ainda não estava pronta. Antes de se tornar um sucesso mundial, Madonna foi rejeitada por gravadoras. O site Perez Hilton publicou nesta quinta-feira, 27/01, uma cópia de uma carta recebida pela cantora antes da fama, em que Jimmy Ienner, presidente da gravadora Millennium Records, diz considerar que ela ainda não estava pronta.

"Gostei de ouví-la. Ela é bem forte. Não me parece que ela já esteja pronta, mas eu consigo ouvir as bases de uma grande artista. Eu rejeito por agora, mas espero mais", diz o executivo. Pelo jeito, ele deve ter se arrependido... Veja a carta:

fonte: EGO/ Madonnarama

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

TWITTAÇO CONTRA AUMENTO DAS PASSAGENS DE ÔNIBUS

“A proposta do movimento nacional “Movimento Exu Tranca Ruas” surgiu em Salvador e, como tudo começou nas redes sociais, esta foi a melhor forma de entrar em contato com os estudantes de outras cidades.”
Por Elenilson Nascimento
“Nós, do movimento ‘Revolta do Buzu 2011’, enxergamos que os transportes públicos na região metropolitana da cidade do Salvador, desde alguns anos, enfrentam processo de sucateamento e precarização, fato que dificulta a mobilidade e locomoção da sociedade soteropolitana. Várias reivindicações foram feitas anteriormente e a prefeitura teve conhecimento delas, prometendo melhorias que não se concretizaram. Soma-se a isso o fato de se ter o aumento da passagem de ônibus de R$ 2,30 para R$ 2,50, sem que houvesse consulta à população, encarecendo um serviço público de péssima qualidade”, divulgaram os representantes dos estudantes de Salvador (BA) do “Movimento Exu Tranca Ruas”.
No início desse mês de janeiro, centenas de estudantes tomam as ruas de Salvador contra o aumento das passagens de ônibus aprovada estrategicamente pelo incompetente prefeito João Henrique durante as férias escolares. A tarifa foi elevada para R$ 2,50, sem qualquer diálogo ou consulta com a sociedade bahiana, o que terminou por ocasionar essa mobilização.
E até Anna Carvalho escreveu sobre o assunto aqui no LC: “E, como de costume, a prefeitura de Salvador, uma das mais incompetentes e inoperantes do País, aproveita de maneira oportunista e calhorda as férias dos estudantes e, agora, vem na sua costumeira atitude de conveniência e arrogância, aumentar as tarifas de um serviço falido”, enquanto os estudantes produziram até um manifesto, junto com algumas fotos do ato, como divulgação.
Originada em redes sociais, a “Revolta do Buzu 2011”, ou “Movimento Exu Tranca Ruas-SSA”, parece que anda tomando dimensão nacional (*em outras capitais brasileiras, como São Paulo e Recife já está acontecendo manifestações semelhantes). Porém, na manhã desta sexta, 28/01, como uma forma de unificar e divulgar ainda mais o movimento, os estudantes baianos organizaram um twittaço — espécie de panelaço virtual — que, com a hashtag #contraoaumento, foi o assunto mais comentado no Twitter brasileiro.
Desde às 10h, horário marcado para o twittaço, os estudantes – aproveitando as férias – estiveram mobilizados e os argumentos contrários ao aumento das tarifas foram os mais distintos. E, o que tudo indica, a medida foi tomada durante as férias, justamente para enfraquecer um possível movimento de estudantes.
A Internet, neste momento, ajuda a mobilizar os estudantes, mas a boa parte do alunado continua acomodada em seu mundinho. Em São Paulo, por exemplo, a tarifa aumentou de R$ 2,70 para R$ 3 em dois anos (*é a tarifa mais cara do país) e, ontem, 27/01, cerca de 4 mil estudantes protestaram no centro da capital paulista.
De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal dos Transportes e Infraestrutura (Setin), não foi criada nenhuma comissão para rever a tarifa que continua custando R$ 2,50. A LC tentou contactar a assessoria do prefeito João Henrique, mas, como sempre, não obteve sucesso.imagens: divulgação

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

VERGONHA

“Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível.”
Por Luiz Fernando Veríssimo*
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço... A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

* Luiz Fernando Veríssimo é jornalista e escritor brasileiro, filho de um outro grande escritor, Érico Veríssimo.

>>> Leia mais sobre o que o LC já publicou sobre a alienação do BBB:
+ “Prezado senhor Pedro Bial” - Carlos Augusto Lordelo Almeida.
+ “Você acha mesmo que não existe preconceito no BBB 10” - Elenilson Nascimento.
+ “O que leva uma gata ser eliminada do Big Bosta Brasil 10” - Elenilson Nascimento.
+ “A educação apodreceu e o BBB é a escória do pensamento humano” - Elenilson Nascimento.
+ “As vassouras da moralidade e a vaca” - Malu Fontes.
fonte: enviado por Najara Alves
imagens: reprodução

BAIXE TODOS OS CD’S DE MÁRCIO MELLO

“Como cantor, muitas vezes me sinto cover de mim mesmo. Já o Márcio Mello artista é o que pinta o cabelo, faz farra, gosta de desconstruir o que está estabelecido. Gosto de ir pelo caminho inverso das coisas." (M.M.)
Por Elenilson Nascimento
Para aqueles que não conhecem o “bizarro punk mais bacana” da cena rock pop nacional, eis um pouco da história do Márcio Mello. Sua carreira pode ser divida em dois momentos: o de artista e o de compositor, muito bem conciliados durante estes já 25 anos. Como compositor, aliás, o cara é um dos brasileiros mais talentosos e mais tocados em Portugal.
Na década de 1980, Márcio liderou a banda Rabo de Saia, grande revelação pop baiana, junto com a Lan Lan (*percursionista da banda de Cássia Eller) e outros. O grupo se instalou no Rio de Janeiro e vivenciou uma das fases mais importantes do rock nacional. De volta a Salvador, o cantor participou de alguns dos eventos mais exóticos e cultuados da cena alternativa baiana - nada de p. de axé! Coisa que faz falta até hoje!
Apesar de ser mais conhecido por sua fase roqueira, Márcio não está preso a um estilo e não deixa de flertar com outros ritmos. Com essa versatilidade como artista e compositor, agrada em cheio. Foi assim com Daniela Mercury, com a qual teve um afair no tempo do “pão com ovo” e gravou “Nobre Vagabundo”, “Santa Helena” e “Beat Lamento”. Com a Cássia Eller ele teve a canção “Amor Destrambelhado” num dos últimos trabalhos da cantora (*puxa como Cássia faz falta!); e, mais recentemente, a banda Moinho, comandada pela já citada Lan Lan e Emanuelle Araújo, com a contagiante “Esnoba”, além de tantas outras. Belô Veloso, Nando Reis, Alexandre Leão, Caetano Veloso, Maurício Zerk, Vânia Abreu e o Grupo Malícia também já se renderam às suas composições. Até a escrota música “Mulher de 23” foi gravada por Chorão, do Charles Brow Jr.
Autografo no meu CD “Solitário Punk”.
Eu também tive a honra de tê-lo na antologia “Poemas de Mil Compassos”, que organizei em 2009, com a participação de poetas e artistas do Brasil e de Portugal – clique aqui e veja algumas coisas publicadas do Márcio no blog do livro – além de ele já ter dado uma entrevista bem bacana aqui no LC em 2008 – clique aqui, provando o quanto é desapegado e generoso quanto à sua arte. Incrível nos dias de hoje.
E prestes a comemorar 25 anos de carreira, Márcio Mello empreende mais um projeto: a gravação do seu primeiro DVD. O registro ocorreu onde há 15 anos Márcio anima “sua galera” e rende homenagens à Rainha do Mar, próximo à praia da Paciência, no tradicional bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Agora, vendo a inutilidades das lojas convencionais de discos, visto a luta inglória contra a pirataria, o cara liberou TODOS os seus discos para a galera poder baixar.
Aproveite e baixe desde o seu primeiro disco “Pop Chumbado” (1987); passando por “Toneladas de Amor” (1998); “Bizarro” (2000); “Tosco” (2002); “Punk Love” (2003); a raridade “Vinil” (2003); “Poeta Extraordinário” e “Poeta Extraordinário II” (2004); “Coletânea Love” (2006); os sensacionais “Um Punk, Uma Voz, Um Violão – Ao Vivo” e “Um Punk, Uma Voz, Um Violão – Estúdio” (2007); o original que eu ganhei recentemente graças a gostosa da Rita Batista (Band), “Solitário Punk” (2009); e o último trabalho “Ao Vivo no Rio Vermelho” (2010). Portanto, aproveitem e baixem tudo!
fotos: divulgação

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

“CLANDESTINOS” ENTRE OS DEZ MAIS

Foi publicado hoje, 26/01, no Jornal da Tarde, de São Paulo, no Caderno de Variedades, uma lista dos dez “produtos culturais” mais interessantes lançados no ano passado. E olha quem entrou na lista! “Nada mais merecido do que um reconhecimento real. Lembro-me de como plasmávamos em praças de alimentação, a inserção na cultura ou no mercado com o preço nada barato da dissonância, do dissenso e você conseguiu. Não é fácil o trabalho "incorrespondente", insubordinado proposto pelo LC que corre à margem de uma sociedade despolitizada propondo que Lázaros saiam do seu sono conveniente. Mas, você é um laureado ideal e real”, escreveu Anna Carvalho, co-autora de “Clandestinos”.

fonte: Jornal da Tarde

PRECISA-SE DE ATENTENDES DE TELEMARKETING

“Semana passada, fui numa seleção de emprego acompanhar um amigo para um cargo que, mesmo sendo um trabalho humilhante e que paga mais baixo do que salário de gari, está sendo atualmente o sonho de 99% dos universitários: atendente de telemarketing.”
Por Elenilson Nascimento
Eu tenho um amigo punk, cujo nome, por muitas razões, não posso dizer aqui no blog, conhecido como o mais doce dos punks. Punk no visual, punk nas emoções, punk nas palavras: punkésimo. Inteligentíssimo. Formado em três cursos, falando quatro línguas. E muito articulado. Nós conhecemos há muito tempo, mas imagino que, quando ainda não haviam punks na face da Terra, ele já era punk. Igual ao Sid Vicious, do Sex Pistols. Igual ao Márcio Mello.
Do alto de sua punkice futurista, lá no nosso segundo grau, nos anos 90, deveria olhar com soberano desprezo para aquela extensa legião de paz e amor de axé, trocando flores de plástico e fitinhas do Senhor do Bonfim, vestida de roupas coloridas, cantando músicas idiotas, cheia de esperança com o ensino de “merda” que tivemos e descendo na boca da garrafa.
Pode parecer ilógico, mas o mais punk dos meus amigos é também uma das pessoas mais engraçadas que conheço nesse mundo. Do tipo que diz que vai passar um fax quando entra no banheiro. Do tipo que deita na minha cama e pergunta por que a cama está forrada desse ou daquele jeito. Do tipo que implica com a minha coleção de CDs de Madonna ou da Sade e, em seguida, pede para eu gravar tudo para ele em Mp3.
Eu me acabo na risada do humor dele – humor punk, claro. Uma vez esperávamos para subir o Elevador Lacerda, exaustos no fim da tarde, quando de repente ele revirou os olhos, encostou a cabeça na parede, suspirou bem fundo e soltou essa: “Ai, Elen, minha única esperança é que uma jamanta passe por cima da gente...”. “Deus é mais!”, respondi. E subimos o elevador rindo feito hienas.
Semana passada, fui numa seleção de emprego acompanhar esse meu amigo punk para um cargo que, mesmo sendo um trabalho humilhante e que paga mais baixo do que salário de gari (*R$ 500,00 na Contax e, pasmem, R$ 400,00 na Atento, eu só não sei o porque o Ministério Público ainda não pediu explicações para essa exploração!), está sendo atualmente o sonho de 99% dos universitários: atendente de telemarketing.
Depois de passarmos por mais de 1 hora de espera, sermos avaliados com uma prova de português, matemática e conhecimentos gerais de nível fundamental onde cerca de 80% dos concorrentes foram eliminados, provando, mais uma vez, a ineficiência das nossas escolas, fomos feitos de produtos de prateleiras. Devíamos ter ido logo embora, junto com aquela imensa massa de iletrados reprovados, mas foi uma daquelas tardes geladas, propícias aos conhaques e às abobrinhas, não para fazer testes inúteis em empresas que exploram a condição de miséria dos outros para depois encher a paciência por telefone de mais alguns milhares.
E numa avaliação medíocre, feita por dois rapazes como caras de atores de “Malhação” (*que experiências esses caras tem com RH?), fomos obrigados a elaborar frases otimistas com o intuito de rasgar elogios à empresa em questão, no caso, a Contax, além de contar as experiências profissionais – que a maioria ali não possuía por ser o primeiro emprego – e às expectativas (*de ser mais um escravo) com relação à empresa. Percebi, não querendo cortar o barato do meu amigo punk, que os “adestradores” não paravam de olhar para nós dois. Eu porque estava muito agitado, insatisfeito, descrente e pessimista quanto ao resultado daquelas avaliações. E isso parecia estampado na minha cara. E ele, por ser punk (*mas o cabelo estava arrumadinho e ele não estava usando aquelas roupas de mendigos viu!), e, acima de tudo, por ser negro. Resultado final: apenas três candidatos foram aprovados e o resto da turma (eu incluso viu!) reprovados por não fazermos parte do perfil da empresa, ou seja, não éramos lindos, bombados, não possuíamos experiência de telemarketing, não havíamos trabalhado com produção cultural, etc e tal.
O que vi naquela tarde na Contax foi um grupo interessantíssimo de jovens e outros não tão jovens assim, competentíssimos, cheios de energia de pegar “qualquer coisa”, mesmo se submetendo a um trabalho medíocre numa empresa mercenária, mesmo ganhando um salário de fome, completamente desolados e sem esperança. Muitos ali deixaram de ser convocados para esse emprego de atendente de telemarketing porque não correspondiam ao perfil dessa empresa. Faz-se um bando de testes inúteis, bota-se um grupo grande para se digladiar verbalmente e se escolhe alguém para a tal função. Claro que algum método de seleção deve ser montado, mas o que algumas empresas brasileiras fazem não é apenas violência: é burrice!Saímos de lá meio dopados, cansados e cada vez mais desacreditados com relação ao futuro nesse país de bagaça. Tomamos um conhaque num bar. E imaginamos uma história mais ou menos assim: você anda só, cheio de tristeza, desamado, duro, sem fé nem futuro. Aí você liga para o F.D.P. Express e pede: "Por favor, preciso de uma jamanta enorme às 15h15, na esquina da Rua Chile com a Rua Carlos Gomes. O cheque da Caixa estará no bolso esquerdo da minha calça".
Às 15h14, na tal esquina (*uma ótima esquina, que tem até o Espaço Unibanco ali perto), você olha para esquina de cima. E lá está - maravilha! - parada uma enorme jamanta reluzente e pesadona, soltando fogo pelas ventas que nem um dragão de história infantil. O motorista espia pela janela, olha para você e levanta o polegar, ou, na mais remota situação, o dedo médio. Você levanta o polegar: tudo bem. E começa a atravessar a rua. A jamanta arranca a mil, pneus guinchando no asfalto. Pronto: acabou. Um fio de sangue escorrendo pelo queixo, a vítima geme suas últimas palavras: "Morro feliz, seus f.d.p. Era tudo que eu queria..."
fotos: reprodução

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

MINHAS MÃES E MEU PAI

“Tratar um casal lésbico sem o peso do lesbianismo e ver esse casal em cenas íntimas, idílicas de paixão, utilizando a estratégia de assistir a filmes pornôs masculinos, como todo “casal hetero”, também é outro mérito...”
Por Anna Carvalho
Dois irmãos adolescentes, Joni (Mia Wasikowaska) e Laser (Josh Hutcherson), são filhos do casal homossexual Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening), concebidos através da inseminação artificial de um doador anônimo. Contudo, ao completar a maioridade, Joni encoraja o irmão a embarcar numa aventura para encontrar o pai biológico sem que as "mães" soubessem. Quando Paul (Mark Ruffalo) aparece tudo muda, já que logo ela passa a fazer parte do cotidiano da família.
Um filme bom, leve, que não traz a discussão de um casal homossexual com o peso do discurso de gênero, com lemas ou algemas do politicamente correto e traz ainda um casal com a composição maravilhosa da indicada, Annette Bening, mas que também compõe um discurso absolutamente machista ou num tom crível demais.
Não pretendo lançar discussões em torno de verborragias politicamente aceitas, mas o filme, talvez por tratar o casal de maneira tão despretensiosa, tão informal, componha o charme que não traz nenhuma discussão ensimesmada na ortodoxia ética ou esperada para um tema que ainda traz polêmicas para as sociedades demagogas e que são ainda movidas por experiências triviais, onde este filme vem para lançar um tema e o faz.
Tratar um casal lésbico sem o peso do lesbianismo e ver esse casal em cenas íntimas, idílicas de paixão, utilizando a estratégia de assistir a filmes pornôs masculinos, como todo “casal hetero”, também é outro mérito, ademais sinto que a personagem “do pai”, tratado de maneira exógena à família, como um efetivo doador de esperma, como uma pipeta, é tratado como um limbo da ciência, ficando o conceito inédito de família com amor, problemas de relação, filhos com atitudes de qualquer adolescente e seus problemas com o trato da vida, enfim, o filme com mérito de colocar a causa sem efetivamente ser uma causa, isso numa sociedade chata, perversa e que estatiza discussões, pois esse foi o ponto crucial a ponto de ser indicado ao Oscar.
Um detalhe menor, a crise de idade ou de mentalidade conjugal em uma das parceiras a ponto de ela ter dúvidas em ser homo e ter um caso com o pai, para mim um ponto negativo do filme, ali o caminho trilhado brilhantemente por um filme que transitava leva, inflexível, que tinha uma narrativa moderna, involui e quase cai num ostracismo da incredibilidade ou da lógica das gavetas normativas. Depois deste momento, o amor do casal fica em xeque, mas após a tensão comum nos filmes, a reposição de um cenário de reafirmação do conceito de família, agora estruturada sob outra lógica. Que bom!
O filme ótimo por não transitar em terreno tão árido e ríspido dos consensos, do machismo, do feminismo adotando uma postura de sociedade efetivamente moderna, líquida, sem ter qualquer demérito em colocar temas que, em dissenso, sejam obrigatórios sem pesos, sem maniqueísmos, sem movimentos tirânicos/bipolares e em ondas de discussões e de oratórias.
Uma família de uma Nova Era que tem na festa do Oscar a possibilidade de só concorrer já é um avanço, embora haja filmes mais competentes e mais estruturados, em termos forenses ou de estrutura formal para ganhar a estatueta, mas o avanço está na discussão não só no hall ou no front na horizontal, compondo um lar, uma família, um núcleo não necessariamente patriarcal ou essencialmente essencialista para politizar esta sociedade de arremedos e de poucas evoluções.
Uma nota ou adendo: É bom ressaltar que não tenho nenhum desejo de ter um tom laudatório ou épico e que este artigo é o delito opinião, não tendendo a agradar, por exemplo, aos anônimos, sem nome, aliás, estes deveriam estar no limbo de suas personalidades recalcadas, mas o blog LC também se alimenta de amenidades, são boas para que a gente incomode até moinhos de vento.
As excelentes atrizes Julianne Moore e Annette Bening
numa cena do surpreendente “Minhas Mães e Meu Pai”.

>>> Presentinho para os leitores da LC. O drama das lésbicas Nic e Jules que têm um casamento estável, mas a relação é virada de cabeça para baixo quando seus filhos, Joni e Laser, resolvem trazer Paul, o pai, doador de esperma, de volta para suas vidas, agora, para vocês baixarem. Diretora: Lisa Cholodenko, idioma: inglês, legenda: português, duração: 1h e 41min, formatos: RMVB/AVI, qualidade: DVDrip, tamanho: 367 mb/574 Mb e servidor: Multiupload.
DVD 1
>>> Parte única <<<
DVD 2
>>> Parte única <<<
ou
AVI
>>> Parte única <<<
fotos: divulgação
download do filme: Mina/Laranja Psicodélica

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

CULTURA BAIANA EM NOVAS MÃOS

“A Bahia não está apenas mergulhada em bolsões de pobreza, na violência diuturna e desenfreada, com seu povo excluído de tudo...”
Por Elenilson Nascimento
Quem ainda “perde tempo” lendo informações sobre a política nacional nos jornais e/ou vendo William Bonner com aquele cabelo estrategicamente ficando branco, certamente deve estar sem entender qual a relação que tem a dança da Ângela, o Marco Aurélio Garcia, a Marta Suplicy, o mensalão, o dinheiro na mala, na cueca, nas meias, o MST derrubando árvores, a defesa do Sarney, as pizzas do Arruda, com o agora filósofo-pensador Lula que vai cobrar R$ 200.000,00 para discorrer a sua verve de "salvador da humanidade" em palestras encomendadas, com todas as coisas que vivo escrevendo aqui na LC.
Diz-se que a Bahia, por exemplo, já teve seu Século de Péricles, uma alusão ao período efervescente que se situou nos anos 50 e na primeira metade dos 60, quando Salvador congregava o que havia de mais criativo na expressão artística. Coisa que perdemos e muito nos últimos anos, principalmente depois dessa última gestão do secretário da Cultura Marcio Meireles.
Na Bahia miserável da contemporaneidade, qualquer um pode pular em cima de um palco, qualquer um se sente apto a dirigir uma peça, "mexer" com cinema, fazer filmes. Com as sempre presentes exceções de praxe, o teatro que se pratica na Bahia de hoje é um teatro besteirol, que faria corar aqueles que participaram da antiga escola de Martim Gonçalves.
A Bahia não está apenas mergulhada em bolsões de pobreza, na violência diuturna e desenfreada, com seu povo excluído de tudo - e até mesmo dos cinemas, mas do ponto de vista cultural a miséria é a mesma. E foi justamente sobre a “miséria cultural” da Bahia que a dramaturga Aninha Franco – que está devendo uma entrevista aqui no LC –, desabafou no seu recente comentário na Rádio Metrópole FM, falando sobre o descalabro, ausência do ato criador, apatia e desinteresse da gestão do Márcio Meireles.
Eventos existem para a satisfação de pseudo-intelectuais que não possuem as bases referenciais necessárias para a compreensão do que estão a ver ou a ouvir. O momento presente, se comparado aos meados do século passado, assinala uma regressão cultural sem precedentes. Como disse Millor Fernandes, a cultura é regra, mas a arte, exceção, o que se aplica sobremaneira sobre o estado atual da cultura baiana. Cultura se tem em todo lugar, mas arte é difícil, e a arte baiana praticamente não existe. Baixe esse comentário muito pertinente de Aninha e confira.
>>> ouça aqui <<<
podcasts: Portal da Metrópole
foto: divulgação

sábado, 22 de janeiro de 2011

IMAGENS DA FESTA DA LAVAGEM DO BONFIM

“Mas a falta de estrutura e a incompetência dos Poderes Públicos ainda escondem belezas e ameaça turismo em Salvador...”Por Elenilson Nascimento
Salvador nunca esteve tão despreparada para acolher os turistas – já que os nativos da terrinha têm pouca (ou nenhuma) importância – durante a estação mais quente do ano. E quem garante isso não sou eu, antes que os “otimistas de propagandas de margarinas” venham encher os espaços dos comentários com frases feitas copiadas dos livros de Paulo Coelho, mas sim a Associação Baiana das Agências de Receptivos da Bahia (Abre), que fez um alerta dias atrás sobre o estado de abandono dos pontos turísticos da cidade.
No ano passado, tanto os “soteros” e turistas escolheram, por votação pela internet, os sete pontos mais significativos para representar a cidade. As localidades foram denominadas de “Pontos Mágicos” (*em quê só Deus sabe), e receberiam prioridade e atenção especial, como cuidados especiais e revitalizações, para melhor atender os visitantes. Pois é. Só para os turistas viu!
Apesar de serem reconhecidas como as mais atrativas para o turismo da capital, Barra, Baía de Todos-os-Santos, Comércio, Centro Histórico, Península de Itapagipe, Itapuã e Dique do Tororó ainda sofrem com carências de cuidados e conservação. A falta de segurança e de infraestrutura, além do grande assédio aos visitantes por parte de pedintes, baianas travestidas, figuras típicas e vendedores ambulantes, integram a lista das queixas feitas não apenas pela Abre, mas por visitantes e profissionais da área de turismo.
Mesmo com esses “Sete Pontos Mágicos” para fazer propaganda “bonitinha”, faltam ações efetivas para torná-los ideais. E o que falta em Salvador é um planejamento sério e isso é algo que não se faz de uma hora para outra. Contudo, Salvador ainda tem os seus encantos. E foi atrás disso que o meu amigo artista Erivan Morais (*o cara é uma delícia de figura!), que tem uma rica trajetória como fotógrafo e que também já cedeu uma entrevista bacana aqui no LC – clique aqui – fez umas imagens sensacionais da última festa da “Lavagem do Bonfim”, em 13/01 (*dia do meu aniversário), as quais divulgamos com o maior prazer aqui.
>>> clique aqui e confira mais imagens.
fotos: Erivan Morais

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

ROBERTO DAMATTA NO “RODA VIVA”

“No fundo, no fundo, a declaração-confissão do Lula de que, quando tenta ler alguma coisa, tem azia é chocante e descabida para o Brasil como um país, mas é sincera e perfeitamente compreensível para o Brasil como sociedade.” (R. DaMatta)Por Elenilson Nascimento
No último dia 10/01, o programa “Roda Viva” (TVE) recebeu um dos intelectuais que mais entende de Brasil, e isso há pelo menos 40 anos. O “delicioso” antropólogo Roberto DaMatta – que é meu autor predileto desde os tempos de faculdade até hoje – foi o convidado do programa. Com mais de uma dezena de livros publicados no país e no exterior ele é professor emérito da Universidade Notre Dame, nos Estados Unidos e da PUC do Rio de Janeiro.
“Os professores são os formadores do Brasil de amanhã. Os alemães encararam essas reformas no século XVIII, e no Brasil estamos lá, até hoje, esperando”, disse DaMatta.
“O brasileiro possui uma vivência negativa com a igualdade”, provocou DaMatta, apontando esse comportamento como uma das raízes do problema do sistema educacional público. Em entrevista ao “Roda Viva”, ele deu a sua visão sobre a escola brasileira, defendeu um espaço escolar mais democrático e explicou também como a herança escravocrata ainda prejudica o sistema de ensino no Brasil. “Precisaríamos também rever a educação dos educadores. Os educadores precisam ser educados para uma percepção melhor da dificuldade de criar ambientes e situações igualitárias em uma sociedade que foi construída numa base que não é igualitária”, argumentou.
DaMatta já escreveu sobre índios, carnaval, futebol, mulher, comida e até jogo do bicho. E dentro desses assuntos e de muitos outros, sendo sabatinado por Marília Gabriela, Paulo M. Leite, Paulo Lima, Carlos Marchi e Consuelo Dieguez, além de participação do chargista Paulo Caruso, ele sintetizou o pensamento do brasileiro de ontem, hoje e de amanhã. Um programa maravilho na imensidão de “merdas” e BBBostas que a TV brasileira nos faz engolir todos os dias. Confira o Bloco 1 do “Roda Viva” (*assinta todos os blocos do programa no YouTube):

foto 3: Correio da Bahia
fotos: Cleones Ribeiro/TVE
charges: Caruso

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

SALVADOR EM RUÍNAS (Part II)

*Retrato de mais um drama doméstico.
Por Anna Carvalho
O Brasil está terrivelmente afetado pela política néscia neste início de ano e as políticas públicas estão sendo mudadas por força das circunstâncias, se não fosse assim não seriam mudadas, mas em Salvador a situação é ainda pior pela incompetência demonstrada do órfão partidário, João Henrique Barradas Carneiro, que faliu a prefeitura e vários outros serviços que estão parados: SAMU (serviço público de ambulâncias que não têm médico e quem receita, quem salva vidas são assistentes de enfermagem), o Elevador Lacerda, todos os trens municipais, o metrô que nem se fala mais, as empresas terceirizadas que não estão recebendo verba para pagamento de salários e ele próprio (o prefeito sem cérebro) que foi expulso ontem, 18/01, do PMDB pelo então aliado de outrora Geddel Vieira Limaclique aqui e leia a entrevista do ex-ministro Geddel no LC.
E não é de hoje que se sabe que a prefeitura de Salvador está em franca derrocada e a caminho da falência moral, uma vez que o senhor prefeito a utiliza como um celeiro de nepotismo religioso, onde quem manda é a sua mulher e ele é apenas uma peça. Mas para espanto dos soteropolitanos, ontem o incompetente prefeito vendo tudo desmoronar, disse que não foi expulso, que ele apenas saiu do partido. E aí surge mais fofoca: ele não está administrando bem porque teve que se “afastar” em termos ideológicos do governo do PT do senhor Jaques Wagner, por isso o governo do dito “senhor”, SABOTA os projetos da prefeitura.
Engraçado que na política os esquemas se repetem sistematicamente, Wagner, numa recorrência a ACM, agora persegue quem se afasta das suas convicções e com isso quem sofre é a cidade que, por enquanto, está subsistindo aos esquemas sórdidos de verão. Tratando mais uma vez de um governador que fecha escolas e quer abrir presídios e cursos profissionalizantes, eis aí mais um esquema do PT.
Eu tenho uma tese de que gente que não é da praça que administra não deveria nem concorrer a cargos públicos e falo diretamente do senhor Wagner que nem baiano é, e é de uma arrogância, cinismo a toda prova, a ponto de se achar no direito de perseguir o prefeito que é incompetente enquanto gestor, péssimo administrador, inseguro e que todos sabem que é um títere na prefeitura. Um sórdido esquema que já se registra a possibilidade de Impeachment do dito prefeito ou bode expiatório da vez, mas o que é mais vergonhoso nisto tudo é que as cidades do Brasil ficam reféns de políticos inescrupulosos que governam com sanha, em PATOTA (*quase em esquemas tão infantis como os nossos quando crianças na hora do recreio, onde o dono da bola escolhia o time).
Já a cantora Gal Costa, pelo Twitter, usa o seu tempo para fala mal da “preguiça” dos baianos: "Como na Bahia as pessoas são preguiçosas! Técnico do ar-condicionado não pode terminar o trabalho por que está com dor de cabeça. Essa é a Bahia!", escreveu. Após ser criticada por vários seguidores, reagiu: "Não é racismo, meu filho, é realidade!" Gal decidiu, então, encerrar o assunto: "Gente, chega! Acabou o assunto da preguiça. Não se pode falar nada aqui que tudo vira polemica. Sou baiana e falo por que posso. Vou sair. Tchau."
Hoje em dia, em política, você precisa ver o partido para que as ovelhas manifestem a sua ideologia orquestrada, sem ineditismo, pois a política virou esquema de “quadrilhas” bem barateadas, por isso que hoje precisa se eleger times, não se pode votar em um candidato só para que as ideologias, se certas ou não, sejam aprovadas pelas unanimidades, gerando isso: impunidade, truculência e uma cidade abandonada (em níveis municipal e estadual) e que, provavelmente, vai sofrer e muito com as chuvas de verão. E torço para que nenhum turista morra, baiano é fichinha, pode morrer, pois no Brasil gente de fora tem que se dar bem, brasileiro, não.
A política de hoje é ainda mais vergonhosa e falo de um sistema, de conchavos anedóticos, de corporativismo, de incompetência, de inoperância, de uma máquina de mídia também capturada pela ideologia de uma família conhecida em Salvador, uma ditadura complexa e que quase nunca sai de suas marcas, ditadura desfigurada por uma liberdade excessiva, mas que se repete, as raposas salivam por suas presas, sendo que as presas são cidadãos honestos, também culpados uma vez que são alienados também por interesses menores, que o diga a família de Joel da Conceição, morto pela truculência de PMs, por uma cidade em que a violência cifra dados, números.
Um país que não é para iniciantes na fala de Tom Jobim, um maestro, músico, artista que soube decifrar este enigma com mais precisão do que os cidadãos que são servidos em bandejas para uma máquina pública como se esta fosse às esporas ou feudos particulares para uma turma de espectadores que acompanham a tudo como se não tivessem nada com isso, uma novela episódica, uma VERGONHA.

Turistas levam péssima impressão sobre o estado da área em frente ao
Farol da Barra: sem receber cuidados, por incompetência da prefeitura,
a grama desapareceu e a tubulação fica exposta.
Lixo estraga cartão postal da Cidade Baixa (Salvador),
na Av. Constelação, orla de Mont Serrat.
Terminal de ônibus no bairro da Calçada, na Cidade Baixa,
vira abrigo para moradores de rua.
foto 1: Correio da Bahia
foto 2: reprodução Twitter
foto 3 e 4: João Alvarez /A Tarde
foto 5: Elói Corrêa/A Tarde

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

COMO ESSE PAÍS MATA GENTE!

“País das ribanceiras, do desrespeito, da burocracia assassina, da impunidade, pois nenhum político vai responder por esta catástrofe que agora não remediada é natural ou por culpa da natureza, das chuvas.”Por Anna Carvalho
Algumas perguntas que agora são incompreensíveis diante da tragédia anunciada do Rio de Janeiro: por que se pagar IPVA, emplacamento de carro, a burocracia cobrada em IPTUs, toda a ordem de impostos que este país lesivo cobra (*vide o Impostômetro) que não parou enquanto praticamente 700 pessoas morreram? As autoridades, até então, embernando, ficam neste limbo utilitário, agora dão uma de “estarrecidas” pelo número improvável de mortos, de órfãos, de maldade complexa que o país de agora apresenta.
Um país que retroalimenta a sanha indecente, criminosa, bandida e infalível dos juros bancários, dos gastos ridículos desde a Casa da Dinda até o Palácio do Planalto, a Granja do Torto, com arrecadações por meio de impostos lesivos que chega a quantia orçada em praticamente 300 milhões. Desculpas pela minha síndrome de abstenção de riqueza, BILHÕES.
A enchente no Rio de Janeiro que foi absolutamente democrática no sentido de ali morrerem ricos e pobres, quem tinha e quem não tinha condições, desde aras à casas populares, e as autoridades agora, numa máxima de ser brasileiro, fazem uma série de contenções que se não houvesse este holocausto anunciado, nada, nada seria admitido ou reformulado.
O Brasil é um país que quer porque quer um assento definitivo e por mérito na ONU, que acena para ser um país rico, produtivo, o paraíso ou complexo do Novo Mundo, mas que é um asceta ou néscio no caso de requerer cidadania para o seu povo, e digo povo no sentido mais amplo, desde aqueles que pagam religiosamente seus impostos, desde aqueles que não têm dinheiro para pagar seu alimento diário.
País das ribanceiras, do desrespeito, da burocracia assassina, da impunidade, pois nenhum político vai responder por esta catástrofe que agora não remediada é natural ou por culpa da natureza, das chuvas. E quem vai pagar por isso? Por outro lado, a burocracia precisa ser cumprida agora para que cidadãos que alija, que exploram, que lesam, não lesem mais uma vez aos que, sendo éticos, pagam mais uma vez neste sistema de crise moral que também é marca do povo brasileiro.
País que espera turistas, que se preocupa com a estada segura de turistas, que é um pai para turistas, sendo um calhorda com seus cidadãos, com as suas vítimas. E o povo que goza, que tem uma atitude fálica para gozar quando sofre, para que se mantenha de pé ou simplesmente subsista, nesta quitanda macro, com sonhos populistas megas, que elegeu um “herói demagogo” e que também teve culpa, pois ele saiu para que uma “monossilábica assuma e silente” mantivesse esta máquina irrisória quando o caso seja manter vidas.
Não consigo orçar 700 vidas perdidas, não consigo ver mais sentido em nada que se proponha e que envolva alegria. Não consigo parar de pensar que este país mata quase no mesmo tom que o filme “Turistas”, sendo que agora ele comete incesto e mata brasileiros. Quantos mais morrerão para que este país pare de blefar com a vida alheia, com a irresponsabilidade de manter a corrupção passiva ou ativa em vielas, em Brasília, em lajes, em terraços, em hotéis, em pousadas, em orfanatos, em casarios, num país que está de luto até que os dias apaguem a parca memória tupiniquim que saliva por mais catástrofes.
charges: divulgação