quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A EDUCAÇÃO NA BAHIA É UMA PALHAÇADA!

“Tão cheio de falhas, quanto as falésias do Nordeste e com profundas diferenças sociais e de ordem econômica, como um furico norueguês, é a nossa Educação.”

Por Elenilson Nascimento


O campeão de votos nas últimas eleições, o palhaço-deputado Tiririca (PR-SP), também responsável, acreditem, pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara, mas que até hoje não fez um único pronunciamento no plenário da Casa, é bem a cara de como as autoridades tratam o tema Educação nesse país infeliz.


Eleito com 1,3 milhão de votos, Tiririca até hoje diz que ainda está aprendendo a atuar no novo ambiente de trabalho. “Eu realmente sei o que um deputado faz. Trabalha muito e produz pouco. O regime da Casa é engessado. Dentro do regime é complicado. Hoje estou dando baile, aprendendo para caramba. Mas foi mais difícil”, disse certa vez.


Agora, na Bahia, a filial do Inferno, a Secretaria da Educação do Estado da Bahia, abrirá processo seletivo para a contratação, através do Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), 3.302 profissionais, sendo que 1.093 vagas para professores, com exceção da área de Língua Portuguesa (*com salários que variam de R$ 779,20 a R$ 976,78) e 2.209 vagas para a área administrativa para ganhar salário mínimo.


A escola que atende a classe média atualmente está falida e tornou os próprios pais, leigos, únicos responsáveis pela educação dos filhos. E quanto aos alunos de colégios públicos? Ai, esqueci, os pais destes nem têm tempo de coçar o saco quanto mais saber o que seus filhos estão aprendendo nas escolas fedorentas do governo com estagiários e/ou professores descomprometidos do REDA. É isso que a gangue do PT quer? Provavelmente! Quanto mais gente burra saindo das escolas, mas gente burra para alienar.


Se a Educação sozinha não transforma uma sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. E o Brasil nunca via sair do buraco do ostracismo dessa forma. Esse novo concurso para arrecadar fundos é uma total falta de respeito com as pessoas que se propuseram a prestar concursos. Quero saber sobre o pessoal que fizeram o último concurso e que passaram? Essa é a nossa opção progressista e democrática?


Falar sobre educação num Brasil sem oportunidades, torna-se quase que uma missão impossível. Só mesmo os professores deslumbrados da UFBA que acham que com essa Educação de latrina – num país desigual e desumano como o nosso – tudo vai ser resolvido. Dizer que a taxa de desemprego caiu nos últimos meses é uma mentira deslavada. Caiu porque as pessoas não estão mais buscando empregos no SIMM ou Sine (*dois chiqueiros humanos) e não por falta de qualificação. Temos um governo passivo, mal constituído, arcaico e cheio de vícios que em vez de aprimorar-se e aculturar-se, acaba por se omitir das suas responsabilidades. Bolsa-família resolve? Então tá!


Tão cheio de falhas, quanto às falésias do Nordeste e com profundas diferenças sociais e de ordem econômica, como um furico norueguês, é a nossa Educação. Se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, não temos outro caminho senão viver plenamente a nossa opção de questionar e não só lamentar.


Aprender por aprender é tão comum, quanto a pulga em cachorro, mas competir com o aprender sem o conhecer é o mesmo que correr a pé num circuito de Fórmula I. Se a Secretaria da Educação da Bahia abre novamente seleção para vagas, onde está a polícia que prende esses asquerosos irresponsáveis? Isso é uma quadrilha! Arrecadação de dim-dim da população nestes concursos gerenciados por quadrilhas de gestores públicos.


E como se explica um profissional de nível superior receber salário miserável de R$ 779,20 a R$ 976,78 para ser professor? Metodologias de ensinos são insuficiente para explicarem o que ocorre no Brasil – esse imenso retrocesso, sem sentido e sem rumo, que acaba por levar todos a um ledo engano educacional aonde todos perdem. Quem sabe aprenderemos a diferença entre o certo pelo duvidoso.


O que falta é a devida conscientização da população de que educar não é alfabetizar mal quem não sabe ler e escrever, e depois lançá-lo no mercado altamente competitivo para uma vaga de telemarketing como alfabetizado e com um salário de R$400,00. Mas sim ensinar e direcionar o cidadão a tomar rumos certos, sem que venha ser considerado alfabetizado, mal sabendo escrever o teu nome ou mesmo compor um texto. Encarar a Educação com mais seriedade deveria ser um projeto de lei, diminuindo assim a distância entre o que dizemos e o que fazemos. Mas o que podemos esperar do nosso futuro sem educação e sem Justiça?


+ Meu comentário original no jornal A Tarde aqui.


imagem: reprodução

1 comentários:

Denis disse...

E cadê o Sindicato dos Professores? Por não que não reúne os aprovados do concurso para uma manifestação em frente ao Gabinete desse governador? Vocês deveriam entrar com uma ação no MP para impedir mais este desmando... A Bahia precisa deixar de ser esta triste província, onde cada um acha que é dono da lei, a começar pelo próprio governador, que, no apagar das luzes, "arma" um esquema desses...