Por Elenilson Nascimento
A imagem do Farol da B
arra talvez seja, ao lado do Elevador Lacerda, uma das mais conhecidas em Salvador - BA. Mesmo quem nunca esteve na capital baiana é capaz de identificar, em uma foto de cartão postal, o monumento e sua localização. E se a Bahia começou em Santa Cruz de Cabrália, Salvador nasceu na Barra. Foi lá que o navegador Américo Vespúccio descortinou, em 1501, a Bahia de Todos os Santos. A posse foi oficializada com a colocação do marco da coroa portuguesa, onde hoje estão localizados o Forte e o Farol da Barra. A vocação turística de Salvador já se fazia presente naquele momento.
Como diria o inesquecível poetinha: “É bom... passar uma tarde em Itapuã/ ao sol que arde em Itapuã/ Ouvir o mar de Itapuã/ falar de amor em Itapuã”. Toquinho e Vinicius produziram um dos mais belos poemas (“Tarde em Itapuã”) à cidade da Bahia e a um dos seus mais bucólicos bairros, retratando na música todos os encantamentos do lugar: o mar, o bar, a preguiça de sua gente, o arco-íris, o ar, a água de coco, o sol, a pinga, a terra a rodar, o céu, a lua e o amor.
Mas hoje, Salvador não é mais a mesma, tanto pela falta de administração pública (falida pela incompetência dos seus gestores) quanto pelo próprio povo que não cuida da sua cidade. Desde a época colonial, Salvador era conhecida no Brasil e nas cartas dos viajantes europeus como uma cidade belíssima, repleta de encantos naturais, mas também extremamente suja, cheia de lixo e dejetos pelas ruas, inclusive humanos. Não só as ruas trafegadas por cavalos, charretes, carruagens e escravos carregando senhores em redes, mas nas encostas entre as cidades alta e cidade baixa o lixo era lançado livremente, sem controle ou pudor. Hoje em dia a coisa não é muito diferente.
Se o poema de Toquinho e Vinicius é perfeito, popular, bem ao gosto do poetinha que, na época dessa composição, nos anos 1970, embalado nos braços de Gesse Gessy, uma mulata da terrinha, tomou férias com seu olhar esquecido e tornou-se o divino bardo, o Dante de Itapuã, como gostava de assinar somente na correspondência para os mais íntimos, hoje – nestes tristes tempos – podemos admitir que do poetinha só restou mesmo o eufemismo. Trata-se de um autêntico e valoroso bardo.

Marco do descobrimento, no Porto da Barra.
Itapuã (*mais ou menos em frente à atual delegacia da Polícia Civil).

Itapuã (Igreja e Largo).
Lagoa do Abaeté.















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