
Por Anna Carvalho
Hoje recomeçou o Rock In Rio com uma homenagem ao Legião Urbana e que notificou a ausência de Renato Russo. Nem o Rogério Flausino, Pitty, Herbert Viana, Tony Platão e Dinho Ouro Preto foram capazes de juntos retomarem a ausência de Renato, uma crise na modernidade.
Muito bom o clipe ao fundo com um monte de denúncias de que o Brasil tem a mesma trilha sonora da época de Collor, essa genética da corrupção continua retroalimentando a veia de país que ainda rasteja cambaleante em torno de sua própria identidade ou talvez falta de verdade que mova o povo contra a corrupção, ao som de “Que país é esse?”. O espectro do Brasil da década de oitenta se apresentou como uma entidade pragmática de si mesmo, enfim, celebramos mais essa ausência, a ausência de uma voz de dissonância e de divergência.
Aliás, falta um Renato Russo para ser maestro de uma juventude que se acostumou a ver Lula recebendo título de honoris causa, a corrupção herdada por Dilma do governo do seu antecessor e que, por um milagre, as pessoas descolam de Lula essa aparição de pequeno ditador e com uma representação de direita na sua forma arrogante de governar. Parece até que os ministros que caíram não vieram do governo do suserano do PT.
Renato talvez puxasse para quem quisesse ver um coro como ele puxava para tratar de outro pequeno tirano, Collor. Engraçado que ali Lula seria um Dom Quixote com seus moinhos de vento, mas a gente se acostumou a se acostumar (poesia de Colassanti) e conviver com o pior do Brasil: um país de todos que parece cada vez mais com os ascetas que escolhem poucos.
Por outro lado, o comportamento do público que vaia algumas aparições brasileiras parece convergir para a parcimônia do povo que legitima tudo que vem de fora, basta ser gringo para que haja um acesso, um livre acesso ao que chamamos de ovação oportuna. Claro que Joss Stone arrasou com sua voz e com seu soul, mas a educação e subserviência cultural quase provinciana e conveniente faz com que o público goste dos falsetes em língua estrangeira.
Palmas para o Slipknot que reduziu a modernidade vendendo o macabro, a contracultura com máscaras horrendas e um show visceral, vendendo elementos de um satanismo de vitrine, mas que altera uma compreensão da fama, do rosto da fama, desse mundo de spots que faz com que todo mundo seja igual, buscando as mesmas coisas. Um monte de mascarados que vende a ideia do clown, dos medos, daquilo que a gente não queira ver.
Mas volto naquilo que parece ser uma sabatina de autorização do palco principal estar devidamente clonado com uma cultura de fora para que os brasileiros salivem e autorizem que um show seja mecânico ou motor ou um show visceral ou ainda um show com uma apresentação irremediavelmente metódica para que eles (os gringos) saiam com a impressão de que o público brasileiro seja ardente, mas só para eles, com as estrelas daqui qualquer desafinar, qualquer deslize é motivo para que um ritual de falta de educação sumária se faça presente.
imagens: reprodução





3 comentários:
Não gostei muito da escalação de muita gente, como a nossa conterrânea Cláudia Leitte. Ela enfrenta críticas sobre sua inclusão dentro da grade da programação da quarta edição desse o início do evento. A polêmica sobre a escalação de uma cantora de axé no line-up de um evento que carrega o rock no nome cresceu a ponto de Rita Lee se manifestar via Twitter: “Não assisti Claudia Leitte. Meter o cacete no conforto do anonimato é fácil. Apresentar-se em ninho estranho não é para maricas”, escreveu a veterana do rock.
Agora a pouco, a Leitte postou um texto em seu blog comentando os últimos acontecimentos. “Não gostar de Axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Google sobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus”.
Mas ainda acho que essa edição do Rock In Rio ficou muito a desejar.
Somos dois, detestei axe no festival mas, não gostei tb de muitos outros. como vc achei que deixou a desejar e muito. inclusive os de fora tb. Até entendo que é difícil agradar a gregos e troianos. Em parte tb o pessoal não conseguiu trazer os artistas. Ficou tudo bonito, mas infelizmente, não gosto de dizer mas sinto na hora do show que alguns fazem pouco caso, e não fazem um bom show. O atraso, cantar fora do tom, como Rirhana...
Nesse espaço não pediu e mail. Não tenho conta no google então comento como anonimo.
Tudo bem invasão cultural. Mas, começando dos artistas, passa pelos simples mortais como eu,todos valorizam as coisas de fora. E por ai vai, temos de aprender tudo com o pessoal la de fora. Aplicar aqui metodologia nas escolas que vem de fora. Todos aprendendo, violência, comportamentos adolescentes ditados pelos filmes de Hollywood.
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