Por Elenilson Nascimento
EU NÃO ACREDITO que o Brasil seja um país intrinsecamente corrupto. Não existe nos genes brasileiros nada que nos predisponha à corrupção, algo herdado, misturado abundantemente, por exemplo, no sangue, no ar, nos becos, nas camas. Se desenterrarmos os restos mortais dos primeiros que aqui “invadiram” talvez encontrássemos a origem do nosso mal nos desterrados portugueses.
O povo – por total ignorância – elege um Executivo falido, cheio de gente incompetente, muitas vezes manipulado por campanhas estrategicamente criadas por publicitários nas TVs manipuladas por uma mídia cada vez mais idiota e comprada, como se elegeu e reelegeu a corja que hoje domina a política e a opinião pública nesse país.
O povo elege um Legislativo absurdamente incompetente, hoje sabemos, através de campanhas manipuladas pelo Caixa Dois que, desde Cabral, alguns idiotas acreditam mesmo que foi o PT que inventou o Caixa Dois... Três... Quatro... O Judiciário o povo não elege... e desde que autorizaram no Supremo o linchamento liminar de alguns e o perdão da corrupção de outros, com base em denúncias provadas e comprovadas... a coisa fede pior do que os esgotos entupidos na periferias. A fedorenta política brasileira sempre se alimentou do dinheiro da corrupção. E como falar de ética e dignidade aos jovens de hoje se os exemplos que eles têm de lá são exatamente os opostos.
E enquanto grupos corporativos políticos, em Brasília e em todas as capitais, cada vez mais se assemelham a quadrilhas brigando de foice para tirar cada moeda possível dos cofres públicos no atual ritmo de preparos para garantir a infraestrutura para a utópica Copa do Mundo de 2014, no centro do pHoder, uns continuarem denunciando os outros. Tomará que haja derramamento de sangue entre “irmãos” e todos morram. Mas no chão desse país de lama quem está morrendo mesmo é a população desprovida de TUDO.
Somos, sim, um país onde a corrupção, pública e privada, é detectada somente quando chega a milhões de dólares e porque um irmão, um genro, um blogueiro, um professor, um jornalista ou um Zé ninguém botou a boca no trombone, não por um processo sistemático de auditoria, mas pateticamente indignado. País sede de Copa só tem isso para mostrar!
Não tenho mais nenhuma esperança com relação a esse país. Sou cético com relação ao futuro. Já estamos dentro da latrina prontos para descermos com o cocô. Aqui se estuda muito e não se consegue nem se empregar. Aqui ter opinião é sinônimo de você ser tachado de “mal comido”. Em países avançados colocam seus auditores num pedestal de respeitabilidade e de reconhecimento público que garante a sua honestidade, mas aqui os corruptos são tratados como coitadinhos pelos seus semelhantes. Aqui o povo não sabe de nada, não reivindica nada, não protesta por nada.
Nos últimos dias, mais um exemplo de “putaria bem feita” exibidos pela televisão estampou o quanto o mar de corrupção e as intrigas políticas geradas em torno dele se traduz no dia a dia na ausência do Estado na vida de quem precisa ou na prestação de serviços inclassificáveis. A inútil Câmara dos Deputados arquivou nesta terça-feira, 30/08, o pedido de cassação do mandato da deputada sorridente Jaqueline Roriz. Ela foi flagrada em vídeo, de 2006, recebendo dinheiro de Durval Barbosa, delator do esquema que ficou conhecido como o mensalão do DEM.
Em agosto, os telespectadores baianos foram assombrados por imagens de um exército de mais de 2.000 pessoas doentes derretendo de calor, cansaço e sofrimento físico em frente ao Hospital Ana Nery, indicado pelo poder público como o hospital de referência em cardiopatia. Embora nada justifique a presença de dois milhares de pessoas implorando por atendimento médico desde a madrugada até o meio da tarde para pegar esse perverso direito de voltar para casa com esperança de ser atendido um dia, ou seja, o direito à tal da senha para obter uma ficha, os responsáveis pela unidade vieram para a frente das câmeras explicar que havia ocorrido tão somente um erro no sistema de agendamento.
Para quem via as imagens e o desespero das pessoas no local era impossível aceitar a tese de que tudo poderia ser reduzido a um erro de sistema. Mas, ao contrário dos infelizes nas filas gigantes dos hospitais públicos, o placar final desse “evento de amor e amizade” à dePUTADA mostra bem como estamos sendo conduzidos por esse bando de filhos da puta: 265 votos pela absolvição, 166 pela cassação e 20 abstenções. Eram necessários 257 votos para tirar o mandato de Jaqueline. Além disso, votação foi secreta.
Nos últimos dias, Jaqueline se lançou numa campanha desenfreada para convencer os coleguinhas de Câmara a absolvê-la, rejeitando o parecer em favor da cassação aprovado no Conselho de Ética e apresentado pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). A senhora dePUTAda, agora com cara de coitadinha, apoiou sua defesa na alegação de que os fatos ocorreram antes do início de seu mandato, como se isso justificasse alguma coisa. Na avaliação de vários líderes partidários, o argumento levou os parlamentares a “optar” por não criar um precedente nesse sentido, votando assim pela absolvição.
Essa votação de absolvição da nova Joana D'Arc do Congresso Nacional mostra como os nossos parlamentares decidiram não abrir precedente algum, já que irregularidades aconteceram antes deste mandato, mas a Câmara – leia-se o Congresso – acaba de absolver a indelével mulherzinha do Roriz, a malfadada Jaqueline. E entre os parlamentares, prevaleceu o discurso do medo espalhado pela defesa de Jaqueline. Os nobres dePUTAdos acabaram absolvendo a coleguinha para se protegerem do futuro e por enxergarem em sua eventual condenação a possibilidade de virem a ser alvos de processos por fatos cometidos antes do mandato. Em suma, o melhor (para eles) seria lavar as mãos.
Apesar das poucas (*eu não vi nenhuma) defesas públicas, a maioria da Casa preferiu, como covardes que são, enfrentar a opinião pública a correr riscos. Mas a opinião pública também não vai expor nada. Somos uns babanas! E por mais inacreditável que essa historia possa parecer, o advogado de Jaqueline (*formado nessas escolinhas de forma corruptos), José Eduardo Alckmin, foi o responsável pela aposta nesta absurda tese da impossibilidade de se punir fatos anteriores ao mandato. "O que se quer é que todos os fatos da vida de um parlamentar possam ser julgados", disse filosofando o tal advogado.
ERRO NO SISTEMA – Esse mês, os telespectadores baianos foram assombrados por imagens de um exército de mais de 2.000 pessoas doentes derretendo de calor, cansaço e sofrimento físico em frente ao Hospital Ana Nery, indicado pelo poder público como o “hospital de referência em cardiopatia”. E embora nada justifique a presença de dois milhares de pessoas implorando por atendimento médico desde a madrugada até o meio da tarde para pegar esse “perverso direito de voltar para casa com esperança de ser atendido um dia”, ou seja, o direito à tal da senha para obter uma ficha, os responsáveis pela unidade vieram para a frente das câmeras das TVs explicar que havia ocorrido tão somente um erro no sistema de agendamento. Para quem via as imagens e o desespero das pessoas no local era impossível aceitar a tese de que tudo poderia ser reduzido a um erro de sistema. Talvez, então, o caso da senhora dePUTAda Jaqueline Roriz seja também um outro caso de “erro de sistema”.
A própria dePUTAda coitadinha e mal interpretada usou a sessão que definiu seu futuro para falar pela primeira vez sobre o episódio. Frustrando as expectativas, porém, ela não entrou no mérito do caso, mas derramou algumas poucas lágrimas de emoção. Jaqueline, é claro, preferiu atacar a imprensa marrom: “Lamentavelmente, vivemos um período em que a parcela da mídia devora a honra de qualquer pessoa". Aproveitou também para fazer ataques ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que a denunciou na semana passada.
Para a dePUTAda Jaque, o processo que enfrentou na Câmara deveu-se a "absoluto interesse político". Coitadinha! Em seu discurso de “puta arrependida”, em tom emocional (*deve ter aprendido em novelas da Globo ou com os seus coleguinhas também absorvidos nos últimos anos), ela afirmou ter sofrido muito junto com sua família e citou até o problema de um filho que sofre de hemofilia. E, pasmem, terminou o seu discurso pedindo aos colegas que não a condenassem de forma "sumária".
Bom, já que a senhora dePUTAda é rica e usou a doença do filho como desculpa, não vai precisar usar o argumento sempre usado pelo ajuntamento desumano de gente doente em porta de hospitais públicos que é o de que as pessoas, se doentes e sem possibilidades de atendimento, jamais devem ir para as capitais em busca de atendimento. O discurso é belo e aparentemente funcional: devem procurar as prefeituras locais, cadastrar-se em algum posto do SUS e esperar meses que estes providenciem o agendamento do atendimento. Quem acreditar na eficiência desse sistema ganha um quebra queixo delicioso e quiçá um vale-funeral. O povo, que de muito bobo só tem a aparência, sabe que a política pública de regulação do atendimento entre prefeituras e sistema único de saúde pode ser perfeitamente traduzível, com raríssimas exceções, por uma sentença do tipo: esperem, em seu município, passivamente, a morte chegar. Não venha tumultuar as portas dos hospitais com sua pressa por atendimento, pois não há vagas, não há leitos disponíveis. Essa é a tradução da regulação. E talvez tenha sido isso o que a senhora dePUTAda pensou!
E apesar do relator do processo ter tentado rebater a defesa argumentando que o fato só foi conhecido em 2011 e, portanto, teria de ser encarado como novo. "O ato indecoroso existe para que possamos extirpar do Parlamento aquele que praticou ato contra o Parlamento. Isso só pode ser discutido no momento em que o fato veio a luz", disse o relator, mas nada teve efeito. Ele citou ainda que a própria dePUTAda já tinha pedido a condenação de uma colega quando esteve diante de uma situação similar (*em 2009, a Câmara Legislativa do DF cassou Eurides Brito por ter aparecido em vídeo recebendo dinheiro de Durval. Na ocasião, Jaqueline foi à tribuna e chamou a colega de "cara de pau" e "mau caráter"), agora, a coisa mudou de figura!
É lamentável que os argumentos do relator tenha sido poucos para demover os dePUTAdos a proteger um dos seus e, com isso, a Jaqueline “coitadinha” Roriz foi absolvida e poderá agora "resgatar plenamente" sua capacidade política, como ela afirmou.
Em suma, no Brasil da corrupção descarada o capitalismo remunera quem trabalha e ganha, mas não consegue remunerar quem impede o outro de ganhar roubando. Há quem diga que não é papel do Estado produzir petróleo, mas ninguém discute que é sua função fiscalizar e punir quem mistura água ao álcool. Não serão intervenções cirúrgicas (leia-se CPIs), nem remédios potentes (leia-se códigos de ética), que irão resolver o problema da corrupção no Brasil. Precisamos da vigilância de um poderoso sistema imunológico que combata a infecção no nascedouro, como acontece nos países considerados honestos e auditados. Portanto, o Brasil não é um país corrupto. É apenas um país pouco auditado.
A última vez que a Câmara cassou um deputado foi no escândalo do mensalão. Naquela ocasião, foram cassados Roberto Jefferson (PTB), José Dirceu (PT) e Pedro Correa (PP). Naquele escândalo, outros seis deputados foram absolvidos em plenário. Coitadinhos! Talvez a solução fosse fazer o mesmo que o governador do Ceará que resolveu a eterna crise na Educação no seu Estado da seguinte forma: mandou os professores trabalhar por amor e não pelo $. E os políticos? Esse talvez seja o recado que boa parte de ministros, deputados e senadores mandam de Brasília. Justo Veríssimo é a tendência no Planalto Central.
Com água e sabão, manifestantes saíram em defesa da cassação da deputada flagrada em vídeo. Tudo em vão!









3 comentários:
"A pouco menos de três anos para a Copa do Mundo de 2014, começam a surgir os primeiros indícios de corrupção envolvendo as obras para o Mundial, que vai ocorrer no Brasil. O governo federal repassou 6,2 milhões de reais a um sindicato de cartolas do futebol para um projeto da Copa que nunca saiu do papel. Sem licitação, o Ministério do Esporte contratou o Sindicato das Associações de Futebol (Sindafebol), presidido pelo ex-presidente do Palmeiras Mustafá Contursi, para fazer o cadastramento das torcidas organizadas dentro dos preparativos para o Mundial. O contrato foi assinado no dia 31 de dezembro de 2010 e todo o dinheiro liberado, de uma vez só, em 11 de abril deste ano. O projeto, porém, jamais andou." (Veja)
Aqui: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/governo-paga-r-6-2-mi-por-projeto-fantasma-para-copa
Mas, apesar de eu adorar a internet, acho q a mídia de massa, incluindo ferramentas interativas de redes sociais, tornam as pessoas passivas, sem iniciativa, e contentes por assistir ao espetáculo da vida sentadas em um sofá ou pelos seus smartphones. Ninguem comenta e reage para essas coisas,mas ficar aqui falando mal da vida dos outros todo mundo faz...
é isso, parceiro, sempre foi e assim será, tto mais quanto menos educação, capacitação e cidadania tivermos_nem por isso desistiremos, afinal, desesperar, jamais. aprendemos muito nestes anos e, afinal de contas, não tem cabimento, entregar o jogo, no primeiro tempo_nada de correr da raia, nada de morrer na praia, nada de esquecer...
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