sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ENTREVISTA COM O ATOR MARCOS GALDINO

"Televisão não é arte. É produto. (...) E apesar da minha hipocrisia natural, eu digo abertamente que quero uma oportunidade lá, isso me daria uma bela alavancada e me deixaria viver pelo menos por um bom tempo, somente com a arte." (M.G.)


Por Elenilson Nascimento


Dependendo do ângulo em que é observado, o ator, arranjador, engenheiro de áudio (acústica e sonorização), locutor e músico multiinstrumentista baiano Marcos Galdino, de 39 anos, exibe uma desconcertante semelhança física em uma mistura de Matheus Nachtergaele e Enrique Diaz, mas seu trabalho nunca está só vinculado com comédias.


Apesar de volta e meia estar presente nas telas e nos palcos, Galdino afirma nessa entrevista exclusiva que os convites não surgem por acaso. Segundo ele, a batalha é diária e a cada dia tem que matar um leão, ou seja, tem que levar seu currículo, fazer testes e esperar ser chamado. Conhecido pelo público baiano por sua maravilhosa participação no espetáculo teatral “A Paixão de Cristo”, com direção de Paulo Dourado, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador (BA), em 2011, interpretando o personagem Barrabás, Galdino ganhou as plateias e a crítica. E apesar de ter dito aqui que “tem medo dos elogios, pois têm mais chance de serem falsos”, esse “Barrabás moderno” tem um feeling interessantíssimo e ainda vai se tornar um dos melhores atores desse país.


Galdino atua desde 1987 em comerciais publicitários audiovisuais (ator, dublador, locutor, arranjador e diretor musical), e já foi diretor e arranjador musical do espetáculo “Guernica”, de Fernando Arrabal, em 2007. Protagonizou o curta “As Faces”, de Amael Oliveira, em 2008. Participou no longa “O Senhor do Labirinto”, do diretor Geraldo Motta, com lançamento previsto para 2011. E também conta com uma participação no longa “Aos Ventos que Virão”, do diretor Hermano Penna, com lançamento previsto para 2012. Além de tudo isso, foi diretor e arranjador musical dos programas de TV e rádio da campanha eleitoral gratuita do ex-presidente e hoje conferencista Lula e do atual governador incompetente da Bahia, Jaques Wagner, em 2006 e 2010.


Elenilson – Quais os trabalhos você destaca na sua trajetória de ator, locutor e músico multiinstrumentista?


Marcos Galdino – Bom, eu gostei muito de participar dos longas "O Senhor do labirinto de Geraldo Motta" (fiz o guarda Geraldo) e "Aos Ventos que Virão de Hermano Penna" (fiz o Ataniel). Tivemos um bom tempo para trabalhar nossos personagens nestes filmes, além da tranquilidade de trabalhar com estes diretores tão sensíveis, destaque especial ao querido Sergio Penna que nos preparou para "Aos Ventos..." No teatro, protagonizei por seis anos consecutivos, em São Paulo, o espetáculo "Mário Mário","A Paixão de Cristo”, de Paulo Dourado, um mega espetáculo na Concha Acústica do TCA, onde tive o prazer de experiênciar meu personagem (Barrabás) literalmente dentro da multidão de cinco mil pessoas por dia. Isso foi impagável, emocionante, pero, desgastante até a alma, sempre levava uns tapas dos mais empolgados! Como músico eu destacaria a trilha sonora que criei e arranjei para o espetáculo teatral "Guernica - de Arrabal", com direção de Ronaldo Magalhães. Foi uma composição muito gostosa de se fazer. Acho que deu para emocionar. Tem também a área publicitária onde faço diversos jingles, trilhas e spots... Aí, eu gosto de várias peças. E tem também várias locuções para o governo, a maioria pra Central do Carnaval, Pequena Notável. A resposta ficou uma Bíblia porque você perguntou muita coisa em uma só! (risos)

Elenilson – Qual dos seus trabalhos lhe deu mais prazer?


Marcos Galdino – Aquele que não é contra o tempo onde posso trabalhar com tranquilidade! "Aos Ventos que Virão" foi um desses! Todos eles eu trabalho com muito prazer porque sou um sortudo que trabalha com o que gosta!


Elenilson – Como foi o processo de iniciação da sua carreira de ator?


Marcos Galdino – Brincando de faz de conta quando criança, daí veio uma coisa e outra e fui aprendendo e ganhando experiência com os trabalhos, fiquei mais maduro depois que tive o grande prazer de conviver e aprender com a maravilhosa atriz Andrea Villela. Todos os dias eu bebo da sua sabedoria, bem como do esplendido ator Narcival Rubens. Realmente sou um agraciado, abençoado por Deus! Cada dia uma lição! Nunca deixarei de ouvir, armazenar e usar!

Elenilson – Todo artista é ou já foi rotulado de “louco” por ser questionador, por provocar ou sugerir novas possibilidades de tocar a vida... Isso, de alguma forma, te incomoda?


Marcos Galdino – Não, nunca incomodou, só acho chato ainda sermos marginalizados, mas se olharmos por outro ângulo, se fossemos tratados como pessoas "normais" talvez não seríamos mais artistas, a arte nos deixaria!


Elenilson – Você é ator por formação? Já foi chamado de louco por ter investido numa carreira tão tortuosa no Brasil?


Marcos Galdino – Graças a Deus eu não sou o único ator que não fez faculdade de artes cênicas, senão seria bem embaraçoso responder a esta pergunta! (risos) Não, fui chamado só de louco como também, preguiçoso, vagabundo e por aí vai!


Elenilson – Galdino, a sua atuação em “A Paixão de Cristo”, na Concha Acústica de Salvador, nesse ano, foi umas das melhores performances. O que representa o Barrabás para a sua carreira?


Marcos Galdino – Obrigado pelo elogio, mas prefiro trocar melhor performance por disciplina, entrega mesmo! Falsa modéstia! (risos) Todos nós gostamos de ter o retorno do público! (mais risos) Mas meu ego tem uma boa educação para trabalhar bem com as críticas, gosto das destrutivas e tenho medo dos elogios, pois têm mais chance de serem falsos! Barrabás representa uma forte figura que me possibilitou entrar no mercado baiano, ganhar a confiança dos meus colegas e de bônus ganhei também belas lesões nos meus joelhos! (mais risos)

Elenilson – Diante da condição marginal do personagem Barrabás, o que representa a sua a missão ou o seu dever na história do Cristo?


Marcos Galdino – Fiz o personagem conforme o pedido de Paulo Dourado que o experimentou de algumas formas e depois aprovou um ser que ficou como definido. Barrabás foi um revolucionário da época, foi um Cristo que foi para o caminho da guerrilha e da vingança usando a violência! Mas um revolucionário preso e torturado, quando é solto acaba levando com ele muitas sequelas né, acredito que ele mal tinha noção da realidade, principalmente aquela, da liberdade.


Elenilson – Chega a ser utópico, mas se você comparar o povo daquela época do Cristo com os alienados e conduzidos de hoje não existe tanta diferença, apesar de toda a informação que temos. Comenta.


Marcos Galdino – Olha, acho que a humanidade nunca muda, a religião faz ou prova o hipócrita. As formas de sobrevivência sempre são cruéis e a autodestruição é de nossa natureza, por outro lado temos o futuro com a gente, os sonhos nos fazem ir em frente, e acho que isso tem haver com a fé que confundimos com a esperança. Então acredito que nunca mudaremos não conseguimos viver o presente, só vivemos o futuro e o passado! Somos diferentes dos pássaros, e logo seremos extintos!


Elenilson – Falando em teatro, como é sua relação atual com Fernando Guerreiro, considerado um dos melhores diretores do teatro baiano, ao lado de Aninha Franco e Luiz Marfuz? O teatro baiano vai bem ou não conseguiu sair da boa onda de "A Bofetada", “Siricotico” e congêneres?


Marcos Galdino – Eu considero Fernando um poço de inteligência, do qual ainda quero ter a oportunidade de jogar minha canequinha e beber um pouco e sambar ali perto! Marfuz é também o meu sonho de consumo, o senhor Beckett (sem querer rotular, é claro), um ator no limite! Se é que existe o limite nesse caso! Aninha, seria um presente divino estar em um de seus trabalhos. Vem cá, você só colocou os deuses dionisíacos baianos né? Na moral! (risos) Mas não tive ainda a chance de uma relação mais próxima com eles, acho que nem me conhecem... Também, eu tenho uma dificuldade terrível de me promover, chegar mesmo nas pessoas! Mas vamos levando, né?! Devemos respeitar nossa natureza, nada forçado funciona! Vejo o teatro baiano numa nova fase, as fases são assim, nasce, cresce e amadurece. Acho que estamos na parte do amadurecimento dessa nova fase! O público aqui na Bahia está começando a curtir drama também, nem só de comédia vive o povo, né?! “Pólvora e Poesia”, “As Velhas”, “Uma Vez Nada Mais”, “Sargento Getúlio” que para mim está sendo uma obra primíssima de Carlos Betão com a direção de Gil Vicente (*entrevista com o Gil Vivente aqui). Quem não assistiu, DEVE assistir! Considero uma maravilha esse incentivo que a Vivo tem dado ao nosso teatro. Deus iluminou uma alma empreendedora lá dentro que tem contribuído para a qualidade da arte na Bahia.


Elenilson – “Eu tô ficando com a cabeça podre”, diz o personagem do Bertrand Duarte em “SuperOutro”. E você, quem é ou o quê é “SuperOutro” na sua vida?


Marcos Galdino – Vixe! Tá ficando cabeça demais! O “SuperOutro” na minha vida é ser pai, não aceitar imposição do sistema e lutar com todas as forças para que meus filhos vivam e saibam fazer suas próximas gerações viverem também sendo eles mesmos, brasileiros e não cowboys ou rappers norte americanos, deixe isso com eles. Luto para que meus filhos sejam autênticos em sua essência.


Elenilson – Fazer cinema e teatro na Bahia e no Brasil – ontem e hoje. Quais são os principais desafios de ser ator no Brasil?


Marcos Galdino – Conseguir mostrar seu trabalho dentre os colegas não generosos e os sem talento (o talento da interpretação). Costumo dizer que muitos conservatórios musicais formam digitadores que copiam músicos. Tire a partitura da frente e tudo pára! Como irão formar os Beethovens, os Mozarts, os Jobins, Villa Lobos? Como se ensina talento, dom? Até parece que está em uma prateleira da loja de talentos do Senhor Sabe Tudo! O mesmo vale para o teatro, cinema e tal! Sou contra a instituição "Escola de Arte Dramática" e a favor de "Centro de Experiências Dramáticas ou Teatrais" onde as pessoas trocam experiências vividas com seu talento de interpretação dramática! Acho que talento não se aprende só podemos descobrir e aguçá-lo. Tem muita gente que tem talento para o estudo, se forma sabe tudo de teatro, mas não tem o talento para interpretar ou maquiar e tal, pega seu diploma, tira seu DRT e se convence de que é ator ou, “o ator”! Quando na verdade seu talento é para outra coisa, mas sua vontade foi para aquele talento que não lhe pertence! No fim das contas é ele quem acaba sendo mais respeitado e recebe as prioridades de trabalhos por conta do respeito hipócrita ao bacharel da área e a instituição formadora! A concorrência fica muito grande! Acho que acabei de perder as chances que me restavam de emprego! (risos)


Elenilson – O que mais te atrai no universo do teatro?


Marcos Galdino – No teatro a energia do aqui agora, a deliciosa entrega e o universo criado dentro daquele espacinho! No cinema é a brincadeira de criança, o faz de conta, que também é fundamental no teatro, mas nem precisei citar isso antes, né! O cinema é o olhar, é intimista, é o fundo dos olhos, o registro disso tudo!


Elenilson – Ainda se faz distinção entre "ser um ator" e "ser um ator da Globo"?


Marcos Galdino – Sempre, claro! Vemos bons atores e atores medíocres na Globo, assim como vemos a mesma coisa fora desse veículo. A grande diferença é que um ator da Globo tem o poder de valorizar seu trabalho, tem visibilidade e consegue viver só da profissão de ator, os de fora não! Apesar da minha hipocrisia natural, eu digo abertamente que quero uma oportunidade lá, isso me daria uma bela alavancada e me deixaria viver pelo menos por um bom tempo, somente com a arte.


Elenilson – Ainda é muito frequente a transformação de modelos e ex-frequentadores de "reality shows" em atores (sobretudo de telenovelas da Rede Bobo), sendo que alguns conseguem superar os preconceitos e se tornar, ao menos, atores medianos. Você é a favor dessa "invasão" ou, ao contrário, é absolutamente academicista?


Marcos Galdino – Acho que a academia deve existir somente para aperfeiçoamento do ator em vivências com outros na mesma situação, bem como, o enriquecimento teórico! Essa invasão tem quer ser assim, por um simples motivo, a Globo é uma indústria do entretenimento, sendo indústria é claro que eles pensam como indústria! A garota começa num reality já contratada para revista masculina, ganha fãs, faz as merchans todas do reality depois continua dando lucro para a indústria passando a atuar em novelas ou apresentando programas. Ciclo e reciclo, torce, torce e tira tudo o que aquela matéria prima tem pra dar ainda à indústria, por fim, seu bagaço vira combustível! E quando conseguirem aproveitar a fumaça, isto também será explorado, entendeu?!


Elenilson – Por falar em TV, há um recente - e ainda tímido - movimento de valorização dos negros nas telenovelas brasileiras. Mas, até agora, somente nomes como Lázaro Ramos e Taís Araújo ganham destaque nas produções nacionais com papéis relevantes – um fato impensável há poucos anos trás. Lázaro, inclusive, não é o galã convencional, mas desfruta de um grande prestígio na Rede Globo. Como você vê esse processo da participação do negro na TV brasileira? Acha que é apenas a “política de cotas” do politicamente correto?


Marcos Galdino – Acho que é a “indústria viciada na Barbie” imposta pelos estadunidenses no nosso modo de vida! Você vai ao shopping, ao terminal de ônibus, e vê gente de todas as cores com o cabelo esticado pintado de loiro. Quando as próximas gerações entenderem que o mundo não gira em torno de um só país e que cada país deve resgatar e preservar seu próprio modo de vida aí acaba essa história de racismo, discriminação, cotas e tal!


Elenilson – "Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas. Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha, nem desconfia que se acha conosco desde o início das eras. Pensa que está somente afogando problemas dele, João Silva... Ele está é bebendo a milenar inquietação do mundo!" Eu amo esse poema do Quintana e sinto o mesmo desespero e desesperança com relação a essa inquietação do mundo. Você acha que os homens deixaram de olhar o olhar do outro ou que isso tudo que o Quintana escreveu é apenas um devaneio?


Marcos Galdino – Atualmente só quem olha o olhar do outro é o ator! (risos) Volto a falar das influências de costumes que deixamos Tio Sam engessar na gente. Você chega nas cidades do interior de qualquer parte do Brasil, ou nem precisa ir tão longe, basta ir num bairro onde as pessoas não tem acesso a TV a cabo, internet... As únicas emissoras que funcionam na TV são Globo, SBT, Record e Band, e tais emissoras só transmitem filmes americanos violentos, transmitindo o ensinamento de ser o melhor, o bonzão, competição, vingança, força, bullying, estética com padrão de beleza Barbie, loirinha, magrinha, bombadinha e que só quer casar com homem rico, guerra de comida na merenda escolar, cuecão... Aí você olha ao seu redor, na cidade, e vê os jovens fantasiados de rappers, jogadores de basquete, fazendo street dance, homens querendo tunnar carro e competindo nas ruas como “velozes e furiosos”, violência extrema, pessoas tentando ser o que não são... E você percebe que todos estão fora da sua natureza. Somos brasileiros, temos nossa cultura, não somos vingativos, não somos egoístas e temos a sacanagem, a malandragem. Temos a nossa própria cultura! Não podemos ser o que não somos, não é natural, desequilibra tudo de tudo quanto é jeito e sempre estaremos buscando a felicidade! Devemos parar de ficar absorvendo modas e passar a mostrar a nossa própria moda, os “hollywwoodnewyorktexanos” só são assim, têm esse poder todo porque souberam impor seus costumes, e nós comemos tudo isso. Falando nisso deu vontade de comer burguer king! (risos) Pense bem, os Estados Unidos não têm nome e nós chamamos de americanos! Isso é um absurdo! Americanos somos nós, brasileiros da América Latina! Deixamos que eles tomassem a América como nome próprio, isso no mínimo é doideira!


Elenilson – Vou bater na mesma tecla de sempre. A infra-estrutura financeira para você fazer uma montagem e manter em cartaz uma peça ou um filme é muito difícil. Vide os “Filhos de João”. As pessoas não têm ideia do quanto é caro fazer teatro, um livro ou um filme. eu vejo que as pessoas envolvidas têm que manter diariamente uma equipe em ação que tem que ter uma remuneração mínima. Mas, muitas vezes, nem isso acontece. Todos os dias têm os atores em cena, maquiador, cenotécnico, contra-regra, operador de som, operador de luz, pauta do teatro, divulgação e programa que temos que imprimir para distribuir. Na Bahia, a bilheteria não sustenta o teatro. Mesmo que você lote o teatro todos os dias isso é impossível. Então, como o teatro se sustenta?


Marcos Galdino – Seguindo os padrões de gostos impostos pela televisão brasileira com o "teatro comercial" para que as empresas tenham interesse de patrocinar. Dura e triste realidade! Se Paulo Dourado ao invés de "A Paixao de Cristo", propusesse a "A Paixão de Judas Iscariotes", você acha que teria o patrocínio da Vivo? O ator que quer montar um espetáculo fora dos padrões do público da TV tem que bancar sua produção, exemplos: meu amigo Ricardo Castro com o “1,99”, Gil Vicente com as peças de Tchékhov e também com o “Sargento Getúlio”! É assim, o amor ao que nos move.


Elenilson – Você, ao longo desses anos, tem atuado em defesa da classe artística? De que forma?


Marcos Galdino – Não, nem um pouco. Acredito que o artista se defende com a sua própria arte, não acredito em outro meio de arte, ele, de alguma forma, usa o que tem lá dentro para berrar lá fora, assim nasce a arte. Se você colocar um artista num mundo perfeito, que arte vai sair dele? Como será a comunicação íntima dele para o universo? Agora eu defendo sim cada um fazer a sua parte, por exemplo, a Prefeitura de Salvador, deveria cuidar da cultura na cidade de Salvador, oras! Você sabe o nome do secretário de Cultura da prefeitura? Pergunte a cem pessoas que duzentas lhe responderão que não sabem e pelo menos cento e cinquenta mal sabe que "existe" tal Secretaria ou setor ou secretário ou birô na repartição! Fomos mal acostumados pelo carlismo que só cuidava da sua própria casa, onde colocava polícia militar estadual para cuidar de seus luxos pessoais, aí cobramos do governo! O governo deve cuidar do Estado e a prefeitura DEVE cuidar da cidade! Você conhece algum teatro municipal aqui? Conhece algum incentivo da prefeitura? No Rio de Janeiro, pelo menos a prefeitura faz questão de facilitar outdoors e anúncios diversos para espetáculos teatrais e cultura no geral, aqui nem isso! Nem uma forcinha! NADA!


Elenilson – Mas onde estaria o maior problema? Na economia, na educação, na política?


Marcos Galdino – Na cabeça, o maior problema está na cabeça oca de quem bota cabeças egoístas no poder administrativo de seu lugar ao sol. Na verdade, o problema de montagens é generalizado, é ficar aqui páginas e mais páginas apontando problemas, então tudo deve ser organicamente executado como tem sido, assim temos mais arte porque estamos na raça, na gana, na cara e na coragem. Mas devemos enfiar cobrança na prefeitura e parar de se acomodar e só cobrar do governo! Imagine você, o governo dispõe R$ 15.000,00 bruto para montagens, pense se a prefeitura em parceria com o governo oferecesse mais R$ 15.000,00 que com certeza pode oferecer este recurso para montagens. Matemática, 15 mais 15 é igual a 30. Deixaríamos de viver só de migalhas, não acha!


Elenilson – Quais planos povoam a cabeça do ator Marcos Galdino neste momento?


Marcos Galdino – Boa pergunta, porque quebrou minha irritação na resposta anterior! Bom, tenho alguns projetos. Também não quero ficar aqui em Salvador rotulado de Barrabás, né! (risos) Estou em dois projetos de teatro, se tudo der certo estreamos ainda este ano, estou com um curta para ser lançado no início do ano que vem. Tem duas oportunidades de longas além do teste de um que está rolando aqui, vamos ver. Eu amo fazer teatro e amo fazer cinema, não sei dizer qual dos dois eu mais gosto. Tenho também um projeto que venho planejando para daqui uns quatro ou cinco anos porque é muito complexo e imagino que o tempo será esse também. Está vendo como só vivemos o futuro e o passado! (mais risos) No mais, vamos tocando, compondo, levando, gerundiando...


Elenilson – E então, ainda está com medo de mim?

Marcos Galdino – Cara medo de você não, mas sempre pensei em cuidar e de não deixar as pessoas magoadas! Você parece ser um cara legal, pode ser um bom amigo, apesar de meus amigos ficarem putos comigo porque eu não sou de ligar, de sair e tal, mas sou amigo! Então é isso, estou de boa com o amor, de boa com meus filhos de 16 e 17 anos, de boa com a vida, pirado com o financeiro... e assim vai! Mas você é mesmo uma figuraça! Sorte e que tudo de certo para você, e sempre se apaixone pelas pessoas certas, esqueça o Walt Disney que nos pregou desde criancinhas o príncipe encantado, a princesa encantada, a mulher da nossa vida.. Isso não existe, o amor se constrói de qualquer pessoa para qualquer pessoa, vai por mim! Abração...

Teste de maquiagem Barrabás, em “A Paixão de Cristo”, Salvador 2011.Com Marcelo Prado, em “A Paixão de Cristo”. Pilatos ou Barrabás?

Marcelo Prado (Pilatos) Andrea Villela (Cláudia) e Galdino (Barrabás) (foto: Shirley Stolze)

Com Regina Dourado. Ave Regina...

“Barrabás foi um revolucionário da época, foi um Cristo que foi para o caminho da guerrilha e da vingança usando a violência! Acredito que ele mal tinha noção da realidade, principalmente aquela, da liberdade”, disse Galdino sobre o seu personagem em “A Paixão de Cristo”.

Barrabás “vai onde o povo estar”. E a propaganda do governo (ridículo) da Bahia está lá na fitinha separando a massa. (foto: Shirley Stolze)

No intervalo com Jesus, digo, Jackson Costa.

Em “Aos Ventos que Virão”, de Hermano Penna.

Em “O Senhor do Labirinto” - longa premiado como Melhor Filme Juri Popular no Festival do Rio. Galdino, como o guarda Geraldo, e Flávio Bauraqui, como o bispo do Rosário.

Gravando jingles comerciais.

Essa foto é fantástica: elenco de “A paixão de Cristo” agradecendo ao público baiano, na Concha Acústica do TCA, em Salvador. (foto: Uarlen Becker)

Contatos de Marcos Galdino

fone: (71) 8845 3200

somarcosgaldino@gmail.com

fotos: MG/divulgação

2 comentários:

Wanda disse...

Adorei essa entrevista. Uma simpátia ele!

Anônimo disse...

Pena q ele nao criticou a falta de investimento na cultura da Bahia.