Por Anna Carvalho
Vendo o programa “Esquentão!”, da Globo, apresentado por Regina Casé, um mosaico sazonal e temático, onde ela falando de um artigo da Folha de São Paulo em que apresentava uma nova modalidade de brasileiros que, pelo cair do preço de passagens aéreas, está viajando de avião. E alguns brasileiros modais (*aproveitando Elenilson), com um certo ar de formol, dizem que aeroportos lembram rodoviárias.
Eu, olhando para uma Regina velha conhecida e que realmente pleiteia uma opinião válida e democrática, mas eis que a entidade plasmada ou capturada pela programação da Globo dispara narrando cenas engraçadas do tipo: “as aeromoças agora não terminam os voos agradecendo a estada, mas dizendo ‘eu não falei que dava tudo certo, que tudo ia terminar bem’”. Mas depois arrematou com mais uma pérola de puro preconceito ou de ilustração do estereótipo do qual outrora falava: “e azeitonas, uns olham e imitam os outros que desprezam azeitonas e fazem a mesma coisa”. Ou seja, na falta de um gestual mais cerimonioso ou ritualístico pela coisa que rememora o rústico, a “decadência de tudo que seja gratuito e feio” (versos de Renato Russo), alguns menos avisados saem reproduzindo o comportamento de outros “descolados”.
Essa é a amostragem de um país perdido, de um país que pleiteia a mobilidade social, mas só um pouquinho; que discute a regulamentação de droga, mais só um pouquinho; que acha que regulamentação de maconha acabará com o traficante; que saliva por liberdade de expressão morrendo preso em torno de muros de ostracismo, de preconceito ou de ressaca de liberdade ou de ressaca de moralismo; falando do que vemos nas semanas que seguiram: a marcha pela liberação da maconha (disfarçada, oportunistamente como liberdade de expressão), seja pela marcha em torno de Jesus, enfim, de tanta liberdade o país vai gerar presídios, catapultas morais, excessos, falta de neutralidade e o limbo do politicamente correto sempre estabelecido pelas regras que regem grupos ou CONVENIÊNCIAS.
Daqui a pouco uma loja de conveniências para as diversas inquisições que sejam representantes truculentas de seus grupos: católicos (fogueiras, index), os da liberdade de expressão (um julgamento mediado pelo espectro de duendes ou de Bob Marley presidido pela toga hippie de Pedro Pedrada), evangélicos (um helicóptero do comandante Hamilton e o bispo Edir Macedo ascendendo aos céus e tripulando a arca para a condenação por fogo dos hereges).
Constrangedora aparição da ex-atriz, Myriam Rios, alguém que aparece banida de bom senso e que sai vomitando sentenças, ou do bispo Marinho que pleiteia substituir o prefeito evangélico baiano João Henrique; seja Soninha que quer cadeiras também na política, ou seja, pessoas usando das suas crenças, de seus feudos, de suas individualidades pelo bem público, esquecendo qualquer tipo de austeridade modal para esterilizarem mentes com as suas retóricas ou poder estético e eu pergunto que tipo de poder se apresentará de mãos tão subjetivas?
Cada vez mais me aproximo de Shakespeare que acreditava que o poder deveria ser exercido por mentes objetivas, sem sentimentalismos, mas, por isso, essa democracia se esvai cambaleante e cadavérica e sentindo falta de alguns arremedos de heróis dos livros ou de grupos: Tancredo (de elite), Ulisses (de direita), Luiz Eduardo (carlista), Lula (esquerda pouco canhestra), Pedro Pedrada (árcade de ocasião), e assim vão criando grupos e nessa modernidade de arremedo, grupos segmentados, fracionados e violentos (fundamentalistas) que condenam os tempos aos excessos de ditaduras de um futuro pouco futurista e até muito clichê.
foto: Rede Globo/divulgação





1 comentários:
Esse povo ignorante é como aquele mato tiririca.........Bem, como combater isso? Sejamos como a formiguinha, de boca em boca, à curto prazo, fazendo como tantas pessoas já vem fazendo, q não concordam com q essa senhora com idéias retrógrad...
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