Por Elenilson Nascimento
É mesmo uma pena, mas a gente não desiste. A gente resiste e insiste. Toma na cara, mas não larga o osso. E não desliga a TV. “Amor e Revolução”, produzida pelo SBT, é uma novela ruim demais pela qual vale a pena torcer para alguma coisa acontecer. Se há algo de que o Brasil precisa agora é, vamos usar aqui uma palavra pernóstica, "revisitar" os bastidores e os traumas da luta armada, aí incluída a dura repressão política.
Recomendo os livros “Batismo de Sangue - Os Dominicanos e a Morte de Carlos Marighella”, escrito pelo Frei Betto, e até mesmo o descomprometido, mas muito interessante e cheio de maconha, "Noites Tropicais", do jornalista e produtor musical “pegador” Nelson Motta – clique aqui e leia as minhas resenhas desses livros no COMENDO LIVROS, pois a tortura precisa aparecer na TV. O povo precisa acordar e saber das atrocidades que o governo f.d.p (de sempre) fez (e faz).
É bem verdade que já houve, na década passada, logo após a posse de FHC como presidente, não uma novela, mas a minissérie “Anos Rebeldes”, na Globo, que falou dos guerrilheiros. Contudo, o tema da tortura recebeu um tratamento elíptico, distanciado. Agora, nas cenas de “Amor e Revolução”, apesar de trazer longas sequências de tortura, tudo parece um sensacionalismo melodramático que promovem o encontro entre o mau gosto e o realismo impostado, que lembra a encenação de crimes de sangue em teatro de circo mambembe.
Além disso, a direção da novela, querendo inovar com um tema já batido de “beijo gay”, resolveu cortar a cena em que Jeová (interpretado por Lui Mendes) e Chico (Carlos Artur Thiré) trocariam carícias e um caloroso beijo, por um beijo feminino entre as personagens Marcela (a ainda linda Luciana Vendramini) e Marina (a maravilhosa Giselle Tigre), que fez com que a emissora alcançasse pela primeira vez a Record no Ibope com a trama. Se bem que eu não achei nada demais!
O assunto repercutiu nas redes sociais e chegou aos TT’s, lista dos assuntos mais comentados. A postura do SBT foi elogiada, mas as críticas com relação à cena em si não passaram despercebidas. O movimento em que o pé de uma das atrizes insinua excitação, como se estivesse ensaiando um tango, soou cômico e foi bastante criticado. Além disso, o fato de Marina não ser homossexual também causou estranheza em parte do público. Veja a cena:
Quanto a ter trocado um beijo gay masculino por um feminino, o autor Tiago Santiago disse que a decisão partiu da própria direção do SBT e ele teve de acatar. "Há uma preocupação com a audiência mais conservadora. O beijo entre os dois rapazes seria um passo além do beijo lésbico", lamentou.
Mas o problema todo dessa novela nem é esse, mas que as cenas não são bem-feitas, estudadas, trabalhadas. Ao contrário, o valor estético é nenhum, mas sempre há o mérito, vá lá, de tocar no assunto. Não aguento mais aquelas duas meninas chatas lá na casa do general. Não aguento mais a indecisão de Maria de “dar ou não” para o cubano, pois ainda ficar pensando no José que vai “comer” a prima. Não aguento mais aqueles padres punheteiros que não sabem o que querem. E aquela companhia de teatro? O que é aquilo?
Daí a torcida para que o vexame não seja total nem totalitário. E conforme os capítulos avançam, a gente nota que não é por mal que a novela fala tão mal da luta armada – e aí vem a segunda impressão que nos envolve: não, não é por querer que “Amor e Revolução” vai apatetando a esquerda. E olha que eu já tinha citado isso logo que a novela estreou.
Aquilo que foi tragédia nos anos 60 agora volta como vexame de TV, mas, a cada nova cena, a gente mantém a esperança: esse vexame virá para o bem. “Amor e Revolução”, pode até ser uma merda, mas os depoimentos no final de cada capítulo estão valendo à pena e a trilha sonora também. Aliás, é justamente sobre a trilha que esse post é dedicado. A novela tem uma trilha irretocável com os maiores artistas brasileiros de todos os tempos e ainda novos talentos interpretando grandes sucessos da época da repressão política em nosso país, onde a expressão musical era uma das únicas formas possíveis de se extravasar o sentimento efervescente e naturalmente criativo daquela juventude. Imperdível! Tracklist: “Roda Viva” (MPB-4), “Menino Bonito” (Fernanda Takai), “Alegria, Alegria” (Caetano Veloso), “Cálice” (Indireto & Pitty), “O Que Será - A Flor da Terra" (Chico Buarque & Milton Nascimento), “Nossa Canção - Preste Atenção” (Banda Veja), “Este Seu Olhar” (Nara Leão), “London London” (Caetano Veloso), “Coração de Papel” (Angela Márcia & Sérgio Reis), “Gita” (Raul Seixas), “Viola Enluarada” (Marcos Valle & Milton Nascimento), “Apesar de Você” (Chico Buarque & MPB-4 e Quarteto em Cy), “José (Rita Lee), “Preciso Aprender a Ser Só” (Elis Regina), “Universo no Teu Corpo” (Taiguara) e “Vem Quente que Eu Estou Fervendo” (Ultraje a Rigor).
fonte do download: Som de Novelas







1 comentários:
Não assisto .Não posso comentar .Mas o tema é OTIMO .A glogo devia fazer uma novela com o tema ....acredito que a repercução seria maravilhosa .....Não sabemos nada a respeito ....eu peguei o fim da ditaura e só ficava pela Paulista gritando sem saber porque ..só pra fazer número ...srsrs a maioria da minha geração foi assim.Éramos adolescentes.
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