Por Elenilson Nascimento
Sempre me perguntou o porquê de Jesus ter passado pelo que passou. Uma fuguraça entre os ignorantes e um cara extremamente triste. E nessa época de Páscoa me bate uma tristeza inacreditável, porque nos seus últimos dias, no martírio, ele parece ter sido o mais solitário e o mais injustiçado dos homens. E isso é uma contradição sem tamanho.
E já que polêmicas são uma das coisas que movem o mundo, esse post é mais do que necessário. Escrevi um texto para um jornal de MG, em 2008, que, por causa dele, muitas pessoas deixaram de falar comigo, perdi o emprego fajuto no tal jornaleco e a minha lista de “inimigos mortais” – que se dizem cristãos – aumentou.
“Todo mundo sabe que a Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Segundo a Bíblia, depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas. E, só para contrariar, a coisa que o Vaticano soube explorar como ninguém foi a figura de Jesus como garoto propaganda – nem a Coca-Cola pensou nisso, uma joga de marketing genial”, escrevi na época. Abaixo o link para quem quiser ler o texto completo. 
E quase como a edição da portuguesa da “Playboy” que trouxe em sua capa uma imagem de Jesus em um bordel, junto com uma mulher nua (*segundo os editores, a ideia era homenagear o escritor José Saramago, autor de "O Evangelho Segundo Jesus”, onde a publicação trouxe imagens de lebianismo, onde Jesus aparece com um olhar voyeurista, além do polêmico ensaio, a revista ainda colocou uma entrevista feita com Saramago dias antes de sua morte), esse meu texto também polemizou os mais comodistas.
Uma exposição chamada “American Jesus”, do fotógrafo David LaChapelle, também nasceu polêmica: logo depois da morte de Michael Jackson, em junho de 2009, ele criou uma série de quadros que colocam o “rei do pop” como um santo, em imagens que trazem até Jesus, o demônio e uma santa. Agora, ele reúne essas obras e as exibe no Paul Kasmin Gallery, em Nova York (EUA).
No Rio de Janeiro, um Jesus negro, morador de uma favela carioca, morto queimado por traficantes, tem tudo para entrar também na lista das polêmicas. Uma das histórias mais encenadas no planeta, o auto da vida de Cristo terá versão que promete nesta Páscoa. O espetáculo “Outra Paixão” adapta passagens do Evangelho para os dias atuais tendo a criminalidade do Rio de Janeiro como pano de fundo. Montagem da Companhia de Teatro Provocação, formada por jovens moradores de comunidades carentes do Rio, a peça será apresentada hoje, 22/04, e no Sábado de Aleluia, no Ciep João Batista, na Cidade de Deus.
Na sinopse de “Outra Paixão”, o protagonista Messias é um jovem que tenta evangelizar dois amigos envolvidos com o tráfico de drogas. Mas acaba traído, acusado de estar diminuindo o lucro da venda de drogas, recuperando usuários. Azul, um policial corrupto que fornece os entorpecentes para os bandidos da comunidade, condena Messias à morte. Em vez de pregá-lo na cruz, Azul o mata no “micro-ondas” – quando a vítima é queimada viva presa a pilha de pneus. O idealizador do espetáculo, o diretor Adilson Dias, diz que sua intenção é humanizar a história de Cristo. “Dois mil anos de Jesus Cristo santo não deu jeito na humanidade. Precisamos acreditar em um Jesus mais humano, próximo da nossa realidade”, argumentou.
>>> clique aqui e leia ou releia a minha crônica impagável e, dessa vez, pelo menos reflita.
fonte: O Rebate, 17/03/08






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