quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ORAÇÕES PARA BOBBY

“Mas se Deus é tão poderoso e perdoa tudo, por que não salvou a vida de Bobby?”
Por Elenilson Nascimento
Acabei de assistir – depois de ter tentando baixá-lo umas 20 vezes – esse filme que é um dos melhores que eu já vi nos últimos tempos. “Orações Para Bobby” é um desses filmes que te pega de jeito, apesar da direção, por exemplo, ter sido muito simplista, sem ousadias – com alguns maneirismos estéticos irritantes e estranhos, principalmente em alguns enquadramentos (*essa coisa de câmera balançando é muito clichê). Mas, com certeza, se esse aspecto fosse mais contundente e menos convencional, o longa teria ainda mais impacto e seria muito mais comentado e assistido.
Todavia, esses defeitos ficam pequenos demais perto de uma história real tão certeira em suas emoções e verdades. Infelizmente vivemos em um mundo cheio de hipocrisia e mentiras, onde a condição do outro pouco importa nas nossas imensas listas de afazeres urgentes. Mas “Orações Para Bobby” não é um desses filmes da moda com final feliz, e sim, um filme que mostra que depois do final infeliz pode ainda haver algum recomeço. É um filme surpreendentemente para refletir e chorar muito!
O filme é baseado no livro homônimo publicado pelo jornalista Leroy Aarons, em 1995, que é fundador do “National Lesbian And Gay Journalists Association”, e abre uma discussão na trilogia “homossexualidade-família-Igreja”. Tanto o livro quanto o filme tratam da angústia do jovem gay Bobby (*na foto ao lado com a mãe Mary Griffith), que, desde os 16 anos, teve sua homossexualidade revelada para a família e diante de muita pressão psicológica, se suicida aos 20 anos de idade, no ano de 1979. Mas até chegar a este ponto extremo, Bobby enfrentou o preconceito dentro da sua própria casa e as intervenções religiosas da mãe para afastá-lo do pecado, ao ponto de ela dizer que ele iria queimar no inferno.
Um filme essencialmente dirigido para as mães de gays, especialmente aquelas que não aceitam seus filhos como eles são. Que elas tenham, ao final do filme, o mesmo pensamento de Mary: “Eu sei por que Deus não ‘curou’ o meu filho. Ele não o curou porque não havia nada de errado para ser curado”. Emocionante!
A relação maternal tumultuada entre Bobby e sua mãe Mary, interpretados pelos excelentes atores Ryan Kelley, 22, e a veterana Sigourney Weaver, 59, ela mesma de “Alien”, é mostrada de forma contundente: a própria mãe submete o filho a tratamentos médicos duvidosos, a maneira como a Igreja e a sociedade tratam as minorias e a falsidade e a hipocrisia como o tema é tratado.
Mas não pense você que é um filme apenas para levantar bandeiras e fazer chorar, pois não termina com a morte de Bobby, mas com tudo o que vem depois. E para a mãe Mary, o depois seria o inferno provocado pela sua intolerância, pois seu filho teria cometido o “pecado” de ser gay. “Eu não vou ter um filho gay”. Essa é a última frase que Mary disse para Bobby. A cena de ele pulando de uma ponte e acabando com sua própria vida com apenas 20 anos de idade é de fazer tremer qualquer um.
O filme faz questão de enfatizar que a mãe do garoto acreditava que gays são pessoas que fazem sexo em banheiros públicos, são depravados suscetíveis a qualquer tentação carnal, malditos, infectados de doenças, promíscuos e que são assim porque escolheram. E esse é o pensamento de boa parte das pessoas – inclusive de muitos educadores.
Angustiada, Mary questiona-se o tempo todo. Como poderia um garoto tão bonito, bom e puro de coração ir para o inferno? Querendo cuidar da alma do filho morto, Mary procura respostas na própria religião, mas não as encontra tão fácil, pois começa a questionar o que a Igreja trata como correto e ou não. Para muitos, pouco importaria saber se sua alma estivesse no céu ou não. Mas a sua maior preocupação era essa: saber para onde foi a alma do filho.
O filme faz questão de enfatizar o que a maioria das pessoas pensam dos gays: que são uns depravados suscetíveis a qualquer tentação carnal, malditos, infectados de doenças, promíscuos e que são assim porque escolheram.
Mary vasculha o quarto do filho para encontrar estas respostas, e se depara com um diário. Nele está escrito o que muitos gays sentiram, ou ainda sentem, quando se fala dos gays como algo distante do núcleo familiar, coisa pecaminosa e algo ruim. O diário mostra também a neurose em relação ao isolamento e do abandono das pessoas mais próximas, como a família e os amigos. “Eu não posso deixar que ninguém saiba que eu não sou hetero. Isso seria tão humilhante. Meus amigos iriam me odiar, com certeza. Eles poderiam até me bater. Na minha família, já ouvi várias vezes eles falando que odeiam os gays, que Deus odeia os gays também. Isso realmente me apavora quando escuto minha família falando desse jeito, porque eles estão realmente falando de mim. Às vezes eu gostaria de desaparecer da face da terra”, escreveu Bobby no diário.
A emocionante cena da morte de Bobby.
SUPERAÇÃO – Tal angústia materna supera e vence os ranços da falsidade religiosa, quebra paradigmas sobre a palavra de Deus e suas interpretações por parte dos intolerantes e homofóbicos. Principalmente no clichê de que Deus abomina o pecado, mas ama o pecador. Mas se Deus é tão poderoso e perdoa tudo, por que não salvou a vida de Bobby? É entre a palavra de Deus e a memória do filho que Mary tem que escolher. E o faz da forma mais humana, ainda que tardiamente.
E o cinema, ao meu ver, depois do excelente “Philadelphia” (1993) com Tom Hanks, nunca conseguiu realizar um filme sobre esse tema com tanta sensibilidade. Chorei horrores. E nisso incluo, também, o cultuado “O Segredo de Brokeback Mountain” (2004) e o mais recente e ganhador do Oscar “Milk – A Voz da Igualdade” (2010).
Uma pena que “Orações Para Bobby” tenha sido feito só para ser exibido na TV – ou seja, destinado a não ter grande repercussão. É um trabalho que, certamente, merecia um reconhecimento mais amplo, pois encontramos nele uma abordagem diferente sobre o mundo gay: trata puramente sobre as emoções, deixando de lado o tão explorado lado sexual. Um filme fundamentalmente importante, maravilhoso e emocionante! Baixe abaixo:
>>> baixe aqui <<<
Até a apresentadora americana Oprah Winfrey, uma das personalidades televisiva mais bem paga, segundo uma lista publicada pela revista Forbes, deve ter tomado muitos “Paracetamol” porque divulgou que a “sua cabeça chegou até a doer de tanto que chorou” assistindo “Orações Para Bobby”.
fotos: divulgação
download: Blog Cinema Cultura

13 comentários:

Katia Mota disse...

Oba...
Depois te conto...
bjs

eduardo disse...

Eu vou baixar AGORA! Não conhecia o filme. Acho que irei gostar.

Anônimo disse...

O filme é um tapa na cara de muita gente, com certeza. Mas ainda assim vejo umas bobeirinhas no roteiro e minha nota acaba sendo 8,0! Hahahahaha.

Elenilson, de fato, é impressionante aqui.

Abs!

fabio mendonça disse...

Estou curioso para ver esse filme – até por todas as indicações ao Emmy (também preciso conferir “Grey Gardens” o mais rápido possível).
Esse blog está cada vez melhor.

Mayara Bastos disse...

O filme parece ser ótimo. Será um prazer ver Sigourney Weaver com uma ótima perfomance que há tanto tempo não vimos, já que ultimamente andou participando de papéis coadjuvantes. ;)

bruno v. lemos disse...

Naum ouvi muita coisa sobre este filme, mas vale a sua indicação. Existe sempre uma pérola perdida nas locadoras a ser descoberta por nós cinéfilos, não? E Sigourney Weaver é demais!

ana disse...

Quero muito conferir este filme, até mesmo para ver a elogiada atuação de Sigourney Weaver. Pena que ela não deve ter a mínima chance de vencer o Emmy por causa da Jessica Lange e da Drew Barrymore.

Camila disse...

Olá! Assisti o filme esses dias atrás e me sensibilizei demais. Vi que aquilo que talvez a gente ache que passa sozinho é comum a outras pessoas. Espero que através desse filme, pessoas e mais pessoas se conscientisem de que Deus as AMA INCONDICIONALMENTE. o que precisamos fazer em troca é ter AMOR e demonstrá-lo (para as pessoas e para Deus principalmente). faço parte de uma igreja inclusiva chamada Amor Incondicional (www.iaicampinas.com). Entrem no site! vamos nos conhecer e falar mais desse amor!

Anônimo disse...

Melhor filme que vi sobre esse tema.
Filme que deveria ser acessivel a todos.
Talvez pq me identifico muito com o filme.
show mesmo …
Parabens

Anônimo disse...

Todos os pais deveriam assistir este filme. Homosexualismo não é escolha ou opção. Somente pode e deve ser entendido com muito amor. Pois como a fala de Mary"Deus não curou, pois não havia o que ser curado" maes, amem, amem e amem incondicionalmente seus filhos, sejam heteros ou homosexuais...o que importa é o caráter da pessoa. Acolha seu filho ou filha...ame...ame muito...é o que eu faço.
Uma mãe!

MininuBesta.com disse...

Meu nome é Pablo

Esse filme é esplendido...

me roubou muitas lágrimas..

o melhor temático que já assisti na minha vida.

Parabéns

Anônimo disse...

É um filme fantástico, mostra bem o ponto que muitos não conseguem enxergar, a dor de ter que esconder quem vc é,e as consequências disso.
Realmente emocionante, um filme obrigatório para muitos héteros, pois parece que as pessoas só enxergam a realidade através da arte.

dudu disse...

acabei de assistir NO YOTUBE
TEM O FILME INTEIRO LÁ..ASSISTAM!!É UM FILME QUE TODO MUNDO DEVERIA ASSISTIR SENDO GAY OU NÃO!SOMOS IGUAIS TODOS E TANTO SOFRIMENTO PODE SER EVITADO SE AS PESSOAS TIVESSES MAIS INFORMAÇÃO E AMOR NO CORAÇÃO!!