sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

P/ TODOS OS MEUS AMIGOS:

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O MAIS DO MESMO PARA 2011

“A expectativa é que em algum momento a presidente eleita Dilma demonstre ter as rédeas de seu próprio governo.”
Depois do projeto de cantor Fiuk ter sido eleito por uma revista “importante” uma das personalidades mais influentes de 2010, destacamos aqui no LC o Tiririca, deputado eleito mais votado do Brasil. “Pior do que está vai ficar!”
Por Elenilson Nascimento
Quem está no poder quer continuar, quem já foi quer voltar, e muitos são os que querem a ele chegar. E no Brasil de nossos dias, cantor de axé e pagode, jogadores de futebol, banqueiros falidos, ex-BBBs e políticos estão entre as atividades mais rentáveis. Pergunte a algum universitário o que ele quer ser quando crescer. Resposta: jogador de futebol. Pergunte a alguma universitária o que ela quer ser quando crescer. Resposta: dançarina de banda de pagode. Então, não espere mudanças vindas da nossa juventude, pois poderá se frustrar amargamente.
Já na política, a cada quatro anos aumenta o número de aspirantes a cargos legislativos. A Câmara dos Deputados é a que atrai o maior número de candidatos, que o próprio Lula certa vez disse ser composta por 300 picaretas. E entre os candidatos mais bizarros, vale destacar o comediante Tiririca, que confessou (descaradamente) desconhecer o que faz um deputado e cujo lema era “pior do que está não fica” e que acabou sendo o candidato mais votado nessas eleições de “coisa alguma”, destaque na imprensa e, agora, a estrelinha preferida do seu partido.
Lula, todavia, já afirmou que a Casa Civil é o posto mais importante do Executivo brasileiro, depois do de presidente, é claro, e que a sua Dilminha praticamente governou de braços dados. Um lugar que já teve José Dirceu como titular da área, não se poderia esperar nada melhor do que um Tiririca. Mas que a ilustríssima presença de papai, digo, do presidente Lula no Ministério do governo da presidente(a) Dilma Rousseff está sendo maior do que se previa, isso todo mundo já sabe. Ninguém duvidava que a interferência do Lula “tudo-sabe” seria grande, mas começa a passar da conta e das cotas.
O Lula está faltando três dias para sair do governo, mas ainda não se enfraqueceu, apesar de que esse seu último ano de mandato não passou de campanha para a sua protegida e de passeios ao redor do mundo. E agora ele quer por quer uma vaguinha na ONU porque, como todo mundo já sabe, ele tem a sabedoria mais do qualquer outro de como governar um país com projetos sociais de tapa buracos do PAC e governar o país foi "gostoso".
PATO MANCO – Os americanos adoram usar a expressão “pato manco” para um político em vias de deixar o cargo, após a eleição do sucessor, mas que ainda assim tenta mostrar serviço. No Brasil, a brincadeira que se faz é que no final nem o garçom do Palácio do Planalto serve mais o cafezinho. Mas um dos fatos inéditos é que o Lula preservou sua força mesmo neste finalzinho de governo, e pela nomeação de um ministério com a sua cara, mais do que com a cara da própria presidente eleita, ele extrapola seu mandato. Ou seja: Lula foi o mais brilhante “ator” que já passou no Congresso.
Contudo isso, não pode “desencarnar”, para usar uma expressão do próprio Lula, quem faz tanta questão de manter tudo à sua imagem e semelhança no mandato subsequente ao seu. E não se engane se já a partir de 1º de janeiro o Lula entrar em campanha eleitoral para as eleições de 2014. Mesmo assim, precisamos expandir a ideia de um país novo de verdade, com cabeças e caras novas não só na política, que precisa urgente deixar seu complexo de inferioridade. Mas ainda acho que isso está muito longe de acontecer. Sempre a mesma corja dando nó de cachorro nas nossas forcas.
É historicamente conhecido que da cadeira de presidente fortalece quem se senta nela, por isso a expectativa é que em algum momento a presidente eleita Dilma, no patamar das suas escolhas de “amiguinhos da turma” para ocupar vagas nos ministérios (*lembrando aqui que o Lula encheu o governo de “amiguinhos” e deu no que deu: CPIs inúteis de tudo o que foi nome), demonstre ter as rédeas de seu próprio governo. Talvez isso aconteça ao longo do mandato, mas só quando ela reduzir a presença extravagante das pessoas de confiança estrita do Lula em seu governo.
Enquanto isso, a UNE – outrora contestadora e hoje baba ovo do governo – ganha até prédio de treze andares para as suas festinhas e gincanas; o piso dos senhores deputados e senadores teve um reajuste de 61,8%, enquanto o salário mínimo de fome do pião continua a mesma “merda”. Uma pena eu não acreditar que isso venha a acontecer, pois nunca vamos encher o copo e recriar o impossível. Engano pensar que só nas tiranias nascem tiranos. Também nas democracias. E vamos continuar elegendo analfabetos, mentirosos e mercenários para ocupar cargos públicos! Então, não espere grandes mudanças em 2011!
fotos: divulgação

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

THE BEST OF 2010

Adoro fazer listas de “melhores de qualquer coisa”. E esse ano de 2010 – mesmo com total falta de grana e etc e tal – eu consegui aumentar a minha coleção com raridades de tudo e todos no campo musical, então, como de praxe, resolvi me adiantar a fazer logo a a minha lista dos melhores discos de 2010. Detalhe: o critério não é de lançamento, mas de importância.
01. ARNALDO ANTUNES – Ao Vivo Lá em Casa (Mp3 áudio do DVD). Em setembro desse ano, o maravilhoso Arnaldo Antunes completou 50 anos, publicou o livro de poemas “n.d.a.”, faz sucesso com o projeto infantil “Pequeno Cidadão” (*que eu também já baixei o CD) e acabou de lançar o CD/DVD “Ao Vivo Lá em Casa”, gravado no terraço de sua própria casa. Esse seu novo projeto é o resultado de um ano de um artista que poderia já ter colocado o pé no freio, mas, longe disso, prefere não parar de acelerar. “Ao Vivo Lá em Casa” é um especial feito para o canal pago VH1, é uma espécie de coroamento de um dos principais anos da carreira do ex-titã, com um repertório renovado com o seu último CD “Iê, Iê, Iê” e com antigos sucessos. Pela laje de Arnaldo passaram convidados como Erasmo Carlos e Jorge Ben Jor, todos ídolos do músico. Um disco maravilhoso. Saiba mais aqui.
02. RITA LEE – Biograffitti (Mp3 áudio do DVD). Tia Rita dá uma geral em sua carreira nessa caixa “Biograffiti”, com três DVDs maravilhosos dirigidos por Roberto de Oliveira, para a Biscoito Fino – mas que no meu caso, eu só tenho os áudios desses DVDs. A caixa reúne imagens de shows, programas de TV e depoimentos ao longo de quase quatro décadas de rebeldia, amor e rock´n´roll. O primeiro DVD, “Ovelha negra”, destaca as origens de Rita, em sua São Paulo natal, fala de seus pais, visita seu antigo colégio Liceu Pasteur onde costumava “horrorizar” os menos avisados com sua irresistível tendência à iconoclastia, sem jamais perder a doçura. “Baila Comigo”, o segundo DVD, enfatiza a vida na estrada. Rita fala sobre o prazer de compor, da sua afinidade com o público e de como surgiram algumas canções. A base do programa é o show realizado por Rita na Praia de Copacabana, no dia 20 de janeiro de 2007, data do padroeiro da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Há ainda o registro de Rita e Roberto gravando uma demo da nova canção "Dinheiro", que tem tudo para transformar-se em um novo sucesso, em tempos de pouca grana e muita diversão. O terceiro episódio, “Cor de rosa choque” aborda a relação de Rita com o universo feminino. Criada num ambiente onde ‘pra fazer rock tem que ter culhões’, Rita mostrou ser mais trangressora fazendo-o com ‘útero e ovários’. Ao que Rita, bem ao seu estilo, proclama: ‘toda mulher é maluca’. A abençoada loucura feminina é tema de "Pagu", "Todas as mulheres do mundo", "Cor de rosa choque", "Doce de pimenta" com participação de Elis Regina e "Luz del fuego" com Cássia Eller.
03. ALEXANDRE LEÃO – Songs From Studios & B-Sides (Mp3). Baiano de Salvador, Alexandre Leão começou sua carreira ainda adolescente. Aos 17 anos, teve a primeira canção gravada por Bethânia. Desde então suas músicas estão presentes em discos de intérpretes como a Família Caymmi, Margareth Menezes e Rosa Passos, com quem dividiu o palco várias vezes. O show desse CD “Songs From Studios & B-Sides” – com nome em inglês e tudo! – guarda a fumaça dos velhos cabarés no Pelourinho, mesmo com o público sendo obrigado a baixar só aqui no seu blog oficial. Mas depois disso, ainda tonto, é só tragar e tragar e tragar o Leão. Ouvindo nesse disco um Leão descompromissado em “agradar parceiros”, você consegue perceber, no repertório de escrita passional, que o cara não teme a transitar pelo “perigoso” caminho entre as pegadas de um cão deliciosamente vadio e um gosto chique, refinadamente incomum em solo baiano.
04. MARISA MONTE – Infinito Ao Meu Redor Ao vivo + The Remixes (Mp3 Duplo)
05. CÁSSIA ELLER – Com Você Meu Mundo Ficaria Completo... Ao vivo (Mp3 áudio do DVD)
06. ANGELA RÔ RÔ – Escândalo/Escândalo Ao vivo (Mp3 Duplo)
07. BABY DO BRASIL – Ao vivo In Montreux (Mp3)
08. MAURÍCIO ZERK – Agosto/eu queria ser John Lennon/Há um Circo Lá Fora (mp3)
09. ON THE FLOOR 2010
10. ERIKA MACHADO – Bem Me Quer Mal Me quer (Mp3)
11. MARIA GADU – Multishow Ao vivo (Mp3 duplo)
12. PATO FU – B-SIDES (mp3 triplo)
13. GILBERTO GIL – Bandadois Ao Vivo (mp3 áudio do DVD)
14. RITA LEE – The Remixes (Mp3 Duplo)
15. GAL COSTA – Divino Maravilhoso Gal Interpreta Caetano + B-Sides (Mp3 Duplo)
16. DAVI MORAES – Orixá Mutante (Mp3)
17. GAL COSTA – Programa Ensaio 1994 + B-Sides (Mp3 Duplo)
18. MARIA RITA – Segundo Ao vivo + Toca do bandido (Mp3 Duplo)
19. ROBERTO CARLOS – Raridades & Remixes (Mp3 duplo)
20. TRIBUTO LEGIÃO c/ L. Pinheiro & Célia Porto (Mp3 Duplo)
21. DJAVAN – Milagreiro Ao vivo (Mp3 Áudio Do DVD)
22. FERNANDA ABREU – The Remixes (Mp3)
23. GAL COSTA – Fatal A Todo Vapor Ao vivo (Mp3)
24. JAUPERI – Afrodisíaco (Mp3 Duplo)
25. NANDO REIS – A Letra A (Mp3)
26. PAULINHO MOSKA – Muito & Pouco + Móbile + Vontade (Mp3 duplo)
27. KARNAK – Ao vivo (mp3 duplo)
28. LÉO JAIME – Interlúdio (Mp3 duplo)
29. MARCIA CASTRO, ANA CANÂS & MARCELA BELLAS (Mp3 Duplo)
30. MARIA BETHÂNIA – Amor Festa Devoção (Mp3 Duplo)
31. MARIA RITA – Ao vivo + B-sides (Mp3)
32. NANDO REIS – Sim e Não + Bailão do Ruivão (Mp3 Duplo)
33. NÓS 4 – No Canto da Sala Ao Vivo (Mp3)
34. PAULINHO MOSKA – Zoombido para se Fazer Uma Canção + zoombido II Ao vivo (Mp3 duplo)
35. ROBERTA CAMPOS, MARIANA AYDAR & RICARDO CHACON (Mp3 Duplo)
36. TITÃS – B-Sides & Remixes (Mp3)
37. PATO FU – Fábrica de Brinquedo + b-sides (Mp3 Duplo)
38. CARLINHOS BROWN – Diminuto + A Gente Ainda Não sonhou + Adobró (Mp3 Duplo)
39. TRIBUTO A ODAIR JOSÉ (Mp3)
40. FREJAT – Intimidade entre Estranhos (Mp3 Duplo)
41. NASI – Onde os anjos não ousam pisar (Mp3 Duplo)
42. LULU SANTOS – Acústico MTV 2 (Mp3)
43. MARIENE DE CASTRO – Abre Caminho + Santo de Casa Ao Vivo (Mp3 Duplo)
44. MARINA LIMA – Duetos (Mp3)
45. MAURÍCIO ZERK – Infinity While Last The Album (mp3)
46. MAYSA – Quando Fala o Coração (Mp3)
47. VIVENDO DO ÓCIO (Mp3)
48. MONA GADÊLHA & ANA CAÑAS (MP3)
49. VANESSA DA MATTA – Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias (Mp3)
50. RONEI JORGE E OS LADRÕES DE BICICLETA (Mp3 duplo)


01. ALANIS MORISSETTE – The B-Sides & Rarities (Mp3 Duplo). Alanis é uma grande cantora, compositora, produtora e até atriz canadense, vencedora de 16 Prêmios Junos e 7 Grammys. Desde 1991 já vendeu cerca de 72 milhões de cópias em todo mundo. E nesse disco duplo - feito por fãs – está o melhor de Alanis em versões remixes como "Thank You", "Everything", "Sister Blister", ao vivo e raridades de studios. Alanis pode ser considerada uma das melhores cantoras da atualidade e já está no hora de lançar um disco novo viu!
02. DOLORES O'RIORDAN – No Baggage + Live Zombie (Mp3 Duplo). Não teve jeito, o novo CD da Dolores O'Riordan "No Baggage" vazou na internet. Os links começaram a aparecer em todos os lugares para desespero da gravadora e eu até pensei que fosse um disco fake. Hoje, a maioria dos links já estão "quebrados", mas se você fizer uma busca por Torrent, com certeza irá encontrar. Sim, Dolores O’Riordan é aquela mesma vocalista do The Cranberries, banda da década de 90 que ou você amava ou odiava. Agora, em carreira solo, ela lança seu segundo álbum e o sentimento não é muito diferente. Mas eu adorei o disco. Ela continua uma boa ‘frontwoman’, tem estilo, atitude e uma voz bastante característica. Como foge dos padrões, há quem ache lindo e há quem se irrite. Mais ou menos como acontece com a Alanis Morissette. Felizmente na carreira solo ela está menos “afetada” e soa ainda melhor do que no ‘debut’ “Are You Listening?”, de 2007. “No Baggage” traz um repertório pop rock acessível, mas maduro, adulto e “internacional”, com elementos folk e até um aspecto de world music. Ou seja, são canções fáceis e simples, mas não ingênuas nem simplórias. É claro que em alguns momentos dá para lembrarmos do The Cranberries, mas Dolores não se prende ao passado e isso é um ponto bastante positivo. “The Journey”, “Throw Your Arms Around Me” e “Switch Off The Moment” são alguns dos pontos altos, junto com a bela “Lunatic”, só de piano e voz. Destaque ainda para a competente, coesa e criativa banda que acompanha a cantora.
03. MICHAEL JACKSON – Michael póstumo + Memorial Funeral (Mp3 Duplo). Muita gente criticou o álbum, montado a partir de faixas inéditas do cantor, muitas incompletas e outras descartadas pelo próprio. Entre os que não gostaram, estão a família do “Rei do Pop” e will.i.am, do Black Eyed Peas. Ouvindo o álbum, muitos fãs devem dar razão a eles. “Michael” é um disco mirrado, uma junção de cacos, numa discografia onde pairam gigantes perfeccionistas como “Thriller”, “Bad” e “Off The Wall”. O disco começa em modo ultra-meloso com a já conhecida “Hold My Hand” (*adorei o clip). O convidado Akon cai muito bem aqui, com seu timbre caramelado. Depois é a vez de “Hollywood Tonight”, onde Michael anima com um batidão funkeado e ofegante. A letra fala de uma aspirante a estrela que faz de tudo para vencer em Hollywood. Uma das melhores músicas do disco é “Monster”, onde a doçura e delicadeza de Michael se contrapõe com a carranca e agressividade de 50 Cent. Quando o rapper entra, as batidas soam como rajadas de metralhadora. Pena que sua intervenção seja curta. Apesar de todo blá blá blá, eu gostei muito do disco e até coloquei faixas extras no meu com remixes e um disco bônus com o show do Funeral. Macabro? Pode até ser, mas não ia deixar o Lionel Rietch de fora com a bela canção “Jesus Is Love”.
04. COLDPLAY – B-sides & Live (Mp3)
05. SADE – Diamond Life + Deluxe Remixes & Lounge Mix (Mp3 Duplo)
06. U2 – Live In Dublin (mp3 Duplo)
07. MADONNA – The Playlist’M Collection (Mp3 Duplo)
08. ALANIS MORISSETTE – Singles (Mp3 Duplo)
09. ANNIE LENNOX – Annie's EurythMix X + Live TV (Mp3 Duplo)
10. CYNDI LAUPER – Memphis Blues (Mp3)
11. SADE – Grammy Winner Nigéria Live (Mp3 Duplo)
12. MADONNA – Celebration Party (Mp3 c/ DVD)
13. SADE – Smooth Jazz Tribute to Sade (Mp3)
14. THE CRANBERRIES – MTV Unplugged 1993 + Lives & Remixes (Mp3 Duplo)
15. CARLA BRUNI (Mp3 Duplo)
16. ACOUSTIC LOVE (Mp3 Duplo)
17. ALANIS MORISSETTE – The Remix Collection (Mp3 Duplo)
18. COLDPLAY – Tribute Jazz To Coldplay + Singles (Mp3)
19. GEORGE MICHAEL – The Remixes (Mp3)
20. MADONNA – Just... Madonna! by DJ KJota Provocative Set Mix (mp3)
21. SHERYL CROW – A Change Would Do You Good Live (Mp3)
22. THE CRANBERRIES – Mediolanum Forum Milan Live (Mp3 duplo)
23. JOHN LENNON – Discografia 69-75 (Mp3 Seis Volumes)
24. MADONNA – A Tribute To Madonna Through The Wilderness (Mp3)
25. PET SHOP BOYS – The Best of Saint Ken Remixes (Mp3 Duplo)
26. ROBBIE WILLIAMS – Life Thru A Lens (mp3)
27. SINEAD O’CONNOR – Grave Lullabies X (Mp3 Duplo)
28. MR. LONELY COLLECTION (Mp3)
29. ELTON JOHN – Elton John Dancing In The Present X (Mp3)
30. GRAMMY NOMINEES 2010 (Mp3)
31. JON SECADA – Stage Rio Live (Mp3)
32. LADY GAGA – Paparazzi + Lady Gaga vs Madonna (Mp3 Duplo)
33. MADONNA – Hard Candy Remixed 3 (Mp3)
34. WHITNEY HOUSTON – I Look To You (Single Mp3)
35. RICKY MARTIN Unplugged + Live MTV (Mp3)
36. QUEEN – Chill Out Tribute To Queen (Mp3)
37. NEW ORDER – 80 X 80 80 MEGAMIX (Mp3)
38. CRYSTAL WALTERS – 100% Pure Love (Mp3)
39. MADONNA – The Dance Floor Ring My Bell MegaMix (mp3)
40. JOHN LENNON – Double Fantasy (Mp3)
41. ALANIS MORISSETTE – Wunderkind + Ao vivo in Altas Horas Acústico (Mp3)
42. ACOUSTIC & LIVE 12 (Mp3)
43. OASIS – Greatest Hits (Mp3)
44. MADONNA – A Tribute To Madonna They Are Not Madonna (Mp3)
45. MICHAEL JACKSON – Chill n' Michael -+ You Mix My World by DJ KJota Memorial Honor Set Mix (mp3 duplo)
46. PLAYLIST’M DIVAS (Mp3 duplo)
47. MADONNA – Drive Me Wild The Blond Ambition Tour Live In The U.S.A (Mp3)
48. ANNIE LENNOX – MTV Uplugged (Mp3)
49. CULTURE BEAT – The Best Of (Mp3)
50. AMY WINEHOUSE – Back To Black The Deluxe Edition (Mp3)

fotos: divulgação

SEUS DIAS DE FARTURA ESTÃO ACABANDO*

“Neste Natal, ficou o resto dos dias do ano, de cansaço, de lutas diárias para viver numa sociedade sem limite, amoral, esteta, hermeticamente planejada para nos perderemos nela e que confessa que é escória.”
Por Anna Carvalho
Neste final de ano, o senhor de vermelho se recusou ou se eximiu de dá-me o ar da sua graça e o mundo da modernidade atingiu com força a minha casa naquilo que eu acreditava e a educação ficou mais órfã, o dogma perdeu lugar para outro paradigma: a falta de liberdade, a massificação, as retóricas limitando indivíduos, fundamentalismos senis que ditam normas e alguns professores que sobem no tablado e ao invés de libertarem anunciam um belo assalto: consciência ao alto.
A sociedade e sua modernidade atacou mais alto e assomou um Natal em que caridade, espírito crítico, o sentido de Cristo e sua natalidade perdem o sentido para aqueles que eximem e se mantêm em ceias programadas, sintomáticas e que orientam o que as famílias querem: distância de todo o resto. As alegrias, os risos, os simulacros de relações ideais são expostas nestes museus patriarcais e quem não tem nada disso se ressente com a falta de espírito natalino.
Por outro lado, os dogmas daqueles que são alternativos e criam regras, portanto, não sendo alternativos escravizam em suas seitas libertinas jovens que querem questionar tudo isso sem escolhas. Os Racionais, por exemplo, os cantores de reggae que questionam os sistemas, mas vivem na Babel que tanto questionam, ursufruindo daquilo que negam com as suas vidas alternativas, com regras alternativas e que geram outros sistemas.
Isto é que dá elegermos falsos profetas, um deles (este não era do darkside, viveu de fato, não apenas pregou feito um ator narcisista) foi pregado na cruz entre ladrões e o seu nome é dito em vários desertos de carnificinas, mas o seu sentido de pregação de amor é esquecido quando trocamos ideologia em torno do que pequenos reis querem, líderes, por isso odeio heróis, porque eles nos tornam frágeis, nos eximimos de nossos pecados, duelos e esperamos que alguém faça por nós. Neste Natal, ficou o resto dos dias do ano, de cansaço, de lutas diárias para viver numa sociedade sem limite, amoral, esteta, hermeticamente planejada para nos perderemos nela e que confessa que é escória.
Neste Natal fiquei com os que faltaram na ceias da classe média, bebi com eles, sentei e parafraseei a ceia de Leonardo, e vi que tudo é muito complexo porque é prático, pois a maldade está em cada vitrine lhe impelindo “oi consumo”, um Papai Noel barbudo com jeito de pai orientando o que se deve fazer em natais silvícolas e que acontece em pleno verão e a gente se contenta com esse Papai Noel das renas, do Pólo Norte.
Neste Natal eu tive contato com a minha raiz, com o meu consumo, com o meu filho e vi o que eu não queria ver: a vida dá medo e por isso a gente se defende a cada vez que alguém como num passe de mágica lhe sentencia quase como ameaça, enquanto o mundo não lhe consente e admite realidades admitidas: Feliz Natal, ô, ô,ô, ô...
* retirado do filme “Edukators”
foto: divulgação

sábado, 18 de dezembro de 2010

"CLANDESTINOS" NO MURO

imagem: divulgação

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

CRÔNICA INÚTIL SOBRE A POLÍTICA DE M. DESSE PAÍS DE FAZ-DE-CONTA

“Em votação relâmpago, Senado aprova aumento de salários no Legislativo e Executivo.”
Vergonha: apenas o Bassuma foi o único deputado baiano a votar contra o aumento de salário dos f.d.p. no Congresso.
Por Elenilson Nascimento
Em época de política, temos arduamente de observar um bando de urubus se escondendo por detrás de palanques, envoltos com seus ternos caros e suas maquiagens de grifes e panfletos de propagandas, envoltos – todos eles – de mentiras e engodos.
Por um lado, essa lei de m. (*que somente beneficia aos ricos e poderosos) sugere que os eleitores estúpidos na sua imensidão de estupidez optem por homens de reputação ilibada, que não têm a dever à Justiça e íntegros nas suas verdades. Mas será que realmente esta lei se aplica a todos os políticos desse país? Será que ficamos protegidos por uma égide infalível?
Nos verões fedendo a mijo das cidades litorâneas brasileiras, sempre um sol envergonhado chega e vai logo embora. Quando teima em ficar no céu, parece observar, puto da vida, que somos governados por esses f.d.p. cada vez mais descomprometidos e vaidosos. As tardes ficam cobertas por uma bruma poluída que saem dos carros e ônibus sujos sobre as poucas árvores secas que ainda teimam em viver no asfalto. As poucas folhas verdes caem devagar, como nobres e tontas lágrimas douradas, e vão fazem companhia ao lixo das ruas.
Ora, senhor escritor clandestino, se liga, tornemos à realidade, que é cruel, e parece que não existe mais saída nessa p... toda. Cansei em buscar respostas baseadas em dados simples, ainda que muito forçosos. Por exemplo, tentei selecionar o melhor partido político pela seriedade dos seus membros e depois tentei ainda reconhecer o melhor candidato não apenas pelos seus feitos, mas pela forma como refletia acerca da sociedade, da família, da economia e da justiça. Tudo em vão. Todos eles são uns f.d.p. mesmo!
PUTARIA – E em menos de cinco minutos, nessa semana, o Senado Federal da Corja Brasileira, aprovou nesta quarta-feira, 15/12, o projeto que aumenta o salário dos deputados, senadores, presidente, vice-presidente da República e dos ministros de Estado para R$ 26,7 mil.
De acordo com o texto, deputados e senadores terão um reajuste de 61,8%, uma vez que recebem atualmente só R$ 16,5 mil, além dos benefícios (*coitadinhos!). No caso do presidente da República e do vice, que recebem atualmente R$ 11,4 mil, o reajuste será de 133,9%. O aumento dos ministros será maior ainda, já que eles recebem apenas R$ 10,7 mil.
Que eu saiba, a inflação no período foi inferior a 20%. O PSOL foi o único partido a manifestar posição contrária. Aprovado em votação simbólica, na surdina, o texto foi criticado pelos senadores Marina Silva, Álvaro Dias e José Neri (*os quais eu faço questão de colocar seus nomes aqui). Apenas com o aumento dos f.d.p. eleitos, diga-se de passagem, pelo povo, a previsão é de um efeito cascata de aproximadamente R$ 1,8 bilhão. Mas, com esse aumento de salários, espera-se que governadores e prefeitos também trabalhem pelos seus próprios reajustes.
Entretanto, entre os representantes dos baianos no Congresso, apenas o deputado federal Luiz Bassuma se posicionou contra o imediatismo da votação. O deputado ACM Neto votou a favor da urgência do projeto de aumento de salário. E Geddel Vieira Lima nem lá estava para opinar alguma coisa. Ambos já deram até entrevista aqui no LITERATURA CLANDESTINA.
Uma vez, Maria Antonieta disse que se o povo não tinha pão comesse brioche. Também não havia brioche para comer. Comeram o reino dela, o pescoço dela, do marido dela, da família dela. Só restou o rei sobre seu cavalo, na frente do palácio. E a nevoa desmanchando a tarde e compondo a noite, como o tempo que desmanchou a eternidade deles. Como seria bom se o povo dessas bandas de cá do Inferno comessem o c... desses f.d.p.
Mas hoje, infelizmente, as alamedas quentes das cidades brasileiras estão cheias de faróis acesos preocupados com as compras do Natal e de turistas tarados querendo “comer” algum brioche na próxima esquina. Só faltam mesmo, aqui, os salões, quartos, pátios e corredores imensos, os reis e seus nobres de roupas complicadas e cabelos encaracolados. E também uma guilhotina bem afiada. Em suma, termino essa crônica que muitos nem vão se dá ao trabalho de ler, com o pensamento da semana do filosofo Sérgio Cabral: “Quem é que não teve uma namoradinha que teve que abortar?”. Fica a dica então...
imagem: reprodução do Jornal da Metrópole

LENDO "CLANDESTINOS"

Olha o que o leitor Mário Fernandes, de São Paulo, mandou:
foto: M. Fernandes

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

PROJETO RIBANCEIRA PARA OS GRINGOS VEREM

“Comenta-se à boca pequena e nas entrelinhas das redações dos jornais que alguma caneta poderosíssima no exterior estava por deletar o Brasil como acolhedor dos jogos da Olimpíada e da Copa...”
Por Elenilson Nascimento
Como todo mundo aqui já sabe das minhas opiniões com relação ao teatro da política neste país, então, não vou me alongar nesse texto, mas as relações de incompatibilidade dos representantes desse governo de faz-de-conta do PAC com a imprensa mais uma vez, pegando o episódio da invasão nos morros do Rio de Janeiro, destoa num padrão inaceitável de condutas e mentiras.
A violência em todo o país tem demonstrado um erro gritante de cálculo entre o planejado e o efetivado. Mas, na verdade, para os bons observadores, o Comando Vermelho, por exemplo, foi se transformando ao longo dos anos num segmento que está perdendo sua hegemonia sobre a organização do crime no Rio de Janeiro. Quem está avançando, ao longo do tempo, são as milícias em articulação com o Terceiro Comando.
Só podemos analisar a história do Rio de Janeiro, fazendo um retrospecto da história, da geografia e da inoperância dos Poderes Públicos. O PCC, em São Paulo, tem uma trajetória muito diferente das facções cariocas, tanto que a estrutura do PCC se dá dentro dos presídios. Quando a mídia noticia que os traficantes cariocas presos estão operando os conflitos, leia-se, por trás disso, que a estrutura penitenciária do Estado se transformou na estrutura organizacional do crime. Como em todo o Brasil. Não estou apenas dizendo que o Estado foi corrompido. Estou afirmando que o próprio Estado em si é o crime.
Pessoas totalmente incompetentes gerenciando uma máquina administrativa, cada vez mais sucateada. O mercado do crime e o Estado incompetente são os grandes problemas da sociedade brasileira. O mercado do tráfico de drogas articulado com o mercado da (in)segurança pública, e o mercado do roubo com o próprio sistema financeiro brasileiro, é quem tem interesse em perpetuar tudo isso.
E por que só agora o Estado resolveu usar a sua “Tropa de Elite” (*agora o nome é esse!) para invadir morros e criar um clima natalino? Comenta-se à boca pequena e nas entrelinhas das redações dos jornais que alguma caneta poderosíssima no exterior estava por deletar o Brasil como acolhedor dos jogos da Olimpíada e da Copa, devido à violência e consequente da insegurança. Mas, de repente, não mais que de repente, o Capitão Nascimento, digo, o governador Sérgio Cabral, unindo “todas as forças militares” dos Comandos em Ação, todas as estratégias de invasão, todos os armamentos e veículos de guerra, ocuparam-se territórios que havia décadas pertenciam aos criminosos.
E a mídia, deusa dos analfas e alienados, com a sua onipresença, nos faz crer – sobretudo a Rede Globo está empenhada nisso – que há uma luta entre o bem e o mal. Entre os heróis fardados da Tropa de Elite e os bandidos horrorosos “comedores de criancinhas” (*como foi mostrado no “Fantástico” domingo passado). O bem é a força da Segurança Pública e a polícia do Rio de Janeiro, agora, vista como competente e essencial, e o mal são os traficantes que estão sendo combatidos e mostrados toda hora “fugindo” pelos canos de esgotos e galerias pluviais, alguns poucos capturados, a maioria certamente espalhando-se por favelas próximas ou distantes, preparando seu contragolpe ou continuando seus fazeres mortais que nós estimulamos, alimentamos, a cada baforada de maconha, cheirada de pó ou injeção de outro veneno na veia. Mas, na verdade, isso tudo é uma falácia. Não existe essa realidade. O que existe é essa reorganização da estrutura do crime.
Não quero ser maledicente aqui no blog, como muitos acham que eu sou apenas um “crítico do mundo”, mas a ideia não me parece insensata demais. Seja como for, me parece muito estranho (*mesmo, por um breve momento, de se orgulhar) ter homens e mulheres brigando assim por nós lá no Rio de Janeiro. Mas isso tudo é apenas uma “política midiática de visibilidade de segurança” para que o mundo todo veja a competência do Estado na luta contra a violência e o tráfico no Rio de Janeiro.
A presidente eleita – que tem feito escolhas para os Ministérios sem critérios nenhum – quase transformou as UPPs na política de segurança pública do país em soldadinhos de jogos de videogames. Mas UPP é uma grande farsa. Nas favelas ocupadas por essas UPPs ainda podem ser encontrados ex-traficantes que continuam operando, mas com menos intensidade. A desigualdade social permanece (*mesmo com o Luciano Huck indo fazer turnê no morro e levar um grupo de adolescentes para ser paparicado por jornalistas na redação da Globo), assim como o não acesso à saúde, educação, propriedade da terra, transporte.
A polícia está lá para garantir o não tiroteio, mas isso não garante a não existência de crimes. A meu ver, até agora, as UPPs são apenas formas de “fachada de uma política de segurança e econômica de grupos de capitais dominantes na cidade para estabelecer um novo projeto e reconfiguração dessa estrutura”. As operações da Tropa de Elite foram anunciadas durante quase 24 horas antes de ocorrem, alguma coisa me deixou desconfortável com essa estratégia, mas pode ser apenas inexperiência e ignorância e descrédito meu nos Poderes Públicos.
Contudo, propaganda demais, autoelogios demais, celebração demais quando sabemos que os que fugiram estão instalados em outras favelas, e que enquanto consumirmos drogas eles continuarão donos da festa, isso tudo me deixa com uma coleção de purgas atrás das duas orelhas. Não tenho cacife nenhum para comentar tudo isso aqui (*como provavelmente os amantes e otimistas do governo vão dizer), mas aqui o faço como observador comum.
Mas ainda acho que cantamos vitória cedo demais, houve até quem quisesse declarar esse dia o dia da “refundação do Rio de Janeiro”. Me poupe! A trabalheira que há pela frente é quase uma Guerra do Afeganistão. Levaremos anos para que o Rio de Janeiro seja considerado uma cidade limpa de novo. Há muitos morros a serem ocupados, muitos traficantes a serem presos, muita droga a ser encontrada, junto com armamento pesado e o resto. Então, o combate no Complexo do Alemão é meramente simbólico nessa disputa. Por isso, invadir os morros não vai acabar com o tráfico no Rio de Janeiro. Há vários pontos onde as milícias e as diferentes facções estão instaladas. O mais drástico é que quem vai morrer nesse confronto é a população civil e inocente, que, como sempre, não tem acesso à comunicação, saúde, luz…
Há todo um drama social que essa população vai ser submetida de forma injusta, arbitrária, ignorante, estúpida, meramente voltada aos interesses midiáticos, de venda de imagens e para os interesses de um projeto de política de Segurança Pública que ressalta a execução sumária. No Rio de Janeiro a execução sumária foi elevada à categoria de Política Pública pelo atual governo. E o resto dos estados onde também impera o trafico e a violência?
fotos: divulgação

MEU CORAÇÃO

Composição: Arnaldo Antunes*

Meu coração, bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Meu coração, bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender


Quem sente agora está ausente
Quem chora agora esta por fora
Quem ama agora esta na cama doente
Só corre nunca chega na frente
Se chega é pra dizer vou me embora
Sorriso não me deixa contente


E todas as pessoas que falam pra me consolar
Parece um bocado de boca se abrindo e fechando
Sem ninguém pra dublar
Eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar
Não sirvo pra quem da conselho
Quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar


P.S. Tô louco pra comprar, pra baixar, pra roubar, digo, pra ganhar esse DVD do Arnaldo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SEXO, DROGAS E MUITA POESIA

“Peça dirigida pelo Fernando Guerreiro retrata o caso de amor (conturbado) dos poetas Rimbaud e Paul Verlaine.”
Por Elenilson Nascimento
Lembro que toda a minha adolescência foi lendo e relendo esses trechos: “Traguei um bom gole de veneno. — Seja três vezes abençoada minha resolução! — Minhas entranhas ardem. A violência do veneno contrai-me os membros, desfigura-me, arroja-me ao chão. Morro de sede, sufoco, não posso gritar. É o inferno, as penas eternas! Vede como o fogo se levanta! Queimo-me, como convém. Vai, demônio!”, do livro “Uma temporada no inferno” de Rimbaud.
E lendo a obra de Rimbaud chego a uma triste conclusão, mas absurdamente verdadeira: a grande maioria das pessoas passa por esta vida inteira imersa na multidão, cumprindo prazos, trabalhando, comprando, vendo TV, pagando contas, morrendo de medo do futuro e idealizando um passado remoto que é na maioria das vezes uma montoeira de sequelas inúteis. Outros (*muito poucos, loucos e raros) desafiam, desafinam este coro de contentes descontentes engravatados. E são neles que eu me espelho.
E foi justamente em Rimbaud lá no séc. XIX e em Jim Morrison no séc. XX, entre outras almas solitárias e radicais, que chegaram à beira do abismo e resolveram experimentar que gosto tinha o pulo, que eu bebo da fonte. Precursor do modernismo, surrealismo e influenciador de multidões de artistas posteriores, Rimbaud é hoje o poeta francês mais lido em todo o mundo. Até mesmo entre aqueles que nunca leram uma única linha de um livro e mesmo assim se dizem amar Rimbaud (*tive inúmeros alunos desse espécime).
VERLAINE – Não esquecendo aqui – e não menos importante – a obra de Paul Verlaine que também no final do século XIX foi incluso pelos críticos entre os chamados "poetas malditos", como Rimbaud. A expressão, aliás, é do próprio Verlaine, eleito em 1894 o "Príncipe dos Poetas", ao final de uma vida desregrada por Paris, Rethel, Bruxelas e Londres. Que inveja viu! O máximo que eu viajo é aqui no Brasil mesmo, na ponte Arembepe-São Paulo-Rio de Janeiro-Bahia. Que humilhante viu!
Mas de volta a Paris, Verlaine se habituou à "fada verde", o absinto. Começou então a estudar Direito. Empregou-se numa companhia de seguros e, em seguida, na Prefeitura. Mas nada lhe interessava e ele passou sete anos entediando-se nos cafés, onde escreveu versos e conheceu os parnasianos. Muito parecido com o que eu ando fazendo. Não exatamente nessa ordem e local. Em 1866, sua coletânea "Poemas Saturninos", editada e financiada graças a sua prima Elisa, fez com que ele fosse notado pela crítica. Em sua poesia de musicalidade lírica e singular, Verlaine expressava os arrebatamentos da alma, transpondo seus sentimentos em impressões, através de paisagens nostálgicas e refinadas.
O poeta se casou (por conveniência) com Mathilde, que não tinha mais do que dezesseis anos, numa tentativa de acomodar-se a uma vida familiar, simples, tranquila e sem problemas financeiros. Escreveu "A Boa Canção" inspirado na esposa. Mas em setembro de 1871, um jovem que o fascinava, Rimbaud, lhe escreveu e dias mais tarde, chegou a Paris para acomodar-se na sua casa. Tempos depois já se tornaram amantes.
Logo Mathilde não aguentou a situação e pediu a separação. Para acalmar a esposa ultrajada, o poeta afastou Rimbaud. Mas o adolescente foi mais persuasivo e eles pegaram a estrada para Bruxelas. Depois seguiram para Londres para continuarem com o seu tórrido caso de amor. Enquanto Verlaine trabalhava em "Romances sem Palavras", Rimbaud publicou algumas páginas que revolucionaram a literatura moderna: "Uma temporada no inferno".
Depois de várias rupturas e reconciliações, em 1873, Verlaine deu um tiro de pistola que perfurou a mão de Rimbaud, em Bruxelas. Verlaine foi preso e condenado, passando dois anos na prisão. Ao sair, foi para a Inglaterra, onde deu aulas durante dois anos. Em 1880 fixou-se em uma fazenda perto de Rethel, com seu novo amante Lucien Létinois, um ex-aluno da instituição em que Verlaine ensinou durante dois anos e de onde eles foram expulsos por causa de sua "amizade particular". Mais uma vez o amor se rompeu e o poeta naufragou no álcool. No ano seguinte, Verlaine voltou a viver com sua mãe em Paris, onde morreu aos 52 anos.
PÓLVORA E POESIA – Agora, esse confronto entre a razão, a paixão e a vida desregrada desses dois poetas maravilhosos e transformadores de seu tempo são retratados no espetáculo "Pólvora e Poesia", dirigido pelo baiano Fernando Guerreiro, com texto do aclamado Alcides Nogueira - vencedor do Prêmio Shell 2001.
Esse amor tempestuoso, marcante e intenso de uma juventude (*apenas cinco anos) regada a absinto, loucuras variadas, escândalos e um rumoroso caso de amor entre Verlaine e Rimbaud é o foco de “Pólvora e Poesia” que, além de tudo isso, retrata um período da vida de dois dos maiores poetas de todos os tempos, no qual, conectados pela arte e pela carne, se atraem e se afastam.
As vidas, escritos, conflitos e sentimentos dos poetas se estabelecem em uma grande cumplicidade, que, aos poucos, se transformam em algo muito maior: a intensa paixão que explode entre eles. Do outro, a quebra das regras e uma vida com toda sua intensidade. Esse confronto de ideologias e modos de vida é abordado com afinco na peça.
Caio Rodrigo, como Verlaine, e Talis Castro, como Rimbaud,
no espetáculo “Pólvora e Poesia”, em Salvador - BA.
Mas para quem, como eu, não se encontra em Salvador, segue abaixo o igualmente excelente filme “Eclipse de uma Paixão” (1995) que conta justamente essa história do relacionamento conturbado entre Rimbaud (Leonardo DiCaprio) e Verlaine (David Thewlis). No filme, impressionado pelo talento e espontaneidade do jovem Rimbaud, o já veterano Verlaine se aproxima do rapaz.
Em noites regadas a absinto, os dois estreitam a amizade, descobrem o amor entre eles e escrevem alguns de seus poemas mais famosos. Porém, as amarras da sociedade e a própria intensidade da paixão entre eles começam a minar o relacionamento.
Em cena, momentos decisivos da vida destes poetas. Envoltos na melhor poesia que se produziu no século XIX, e que influenciou diretamente toda a produção literária até os dias atuais, a montagem vai além das biografias e fatos que ocorreram durante dois anos de vida em comum de Rimbaud e Verlaine. Mesclando a história aos poemas de ambos, a peça traça um paralelo entre a vida e a obra poética deles, mostrando como um influenciou diretamente a escrita do outro. Diretor: Agnieszka Holland, áudio: inglês, legendas: português, duração: 110min, qualidade: RMVB, tamanho: 363MB e servidor: Megaupload (parte única).
>>> baixe aqui <<<
“Pólvora e Poesia” - 4 a 19 de dezembro
Sextas e sábados às 20h, domingos às 19h
R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Espaço Cultural Barroquinha: Praça Castro Alves, s/nº,
Barroquinha, Salvador – BA
Tel: (71) 3334-7350
http://www.polvoraepoesia.com.br/
fonte download: Glauber Rocha/Laranja Psicodélica
fotos: divulgação

domingo, 12 de dezembro de 2010

OUTRA MENTIRA REVOLUCIONÁRIA

“A culpa de muitos dos nossos intelectuais e artistas reside em seu pecado original; não são autenticamente revolucionários." (Che Guevara)
Por Anna Carvalho
O meu artigo de opinião de hoje se debruça sob um aspecto revolucionário muito em moda no Brasil, colocar-se todos que se opõe ao governo Lula como intelectuais ou grupos de elite que não concordam com a dinâmica que o governo deu ao povo em seu tratamento digno.
Falar de revolução ou do quê revolucionário, na frase de Che no início deste post, é suscitar alguns fundamentalistas de que a revolução pretendida pelo médico argentino, que a sua revolução de cunho populista, embernava no ritual demoníaco e violento, tirano, de abater as suas vítimas com um requinte de crueldade de poucos, mas isso feito diante da deposição de um tirano fica extremamente bem vindo, poético, um álibi para quem quer dominar com a excusa de um povo.
Ontem, em plena Salvador, os baianos se esqueceram da morte precoce de um baiano genuíno, Joel, que morreu assassinado e se preparando para dormir no casebre que teve as suas janelas afetadas pela ingerência populista do Estado. Irônico, pois este menino foi usado na propaganda da Bahiatursa para “vender” a Bahia utópica das propagandas tópicas do Estado narrada como um celeiro da boa esperança. Ontem, Lula, seu governador e artistas locais celebraram o “Programa Topa” que alfabetiza, desculpa, celebra, na verdade, o semi-letramento de pessoas pobres que têm a sua dignidade reposta assinando o seu nome.
Lindo, poético, utópico, ver Mariene de Castro, rebolativa e com a sua voz épica cantando a honra de alguns que estavam sendo agraciados pela fala de Lula. O sarcasmo do governador da Bahia e seu riso de canto de boca, que ontem estava menos esdrúxulo ao lado do seu reitor para aplausos emocionados de mais este blefe.
E a minha preocupação que estes “pulos dentro dos muros” um dia vão saltitar os retrocessos para uma parte de fundamentalistas que estufam o peito e dizem: “é um governo que deu chance aos pobres”. E a elite não aguenta quando alguém do povo dá certo. Esqueci-me dos sons laureados dos violinos celebrando esta máxima ao lado da ária de José Dirceu, Palocci, entre outros que se locupletaram sob a alcunha de “companheiros”.
Vamos agora nos debruçar sobre o semi-letramento de Tiririca que tenho a impressão ser a massa de manobra de intelectuais de “direita” para questionarem este sistema inglório e perverso, pois não há espaço para se questionar Tiririca, se não se questiona mais esta benesse de distorção de números, uma vez que o Brasil, mesmo melhorando, ainda está em coma no programa de Educação, aliás, programas são ações descentralizadas de um Sistema, quase emergenciais, e se pararmos para analisar as pessoas que já estão jogadas no mercado de trabalho informal e que trocam o polegar pelo lápis, igualmente anônimo, igualmente desconhecido, igualmente imóvel nesta democracia de fachadas e de favores, aliás, vide o texto “A Cortina de Burrice” de Cláudio de Moura Castroclique aqui – e tire as suas conclusões
Aliás, eu sou alguém da elite que vê o Brasil espelhado na Educação da qual os professores de escolas públicas são vítimas de envenenamento, de espancamento, de violência sumária, de ter que lidar com toda a sorte de desamparo e ter que ver em jornal de horário nobre pó feudo do PT disfarçado para dar certo. Para alguém que não fala verdades, este é mais um sintoma da pura inveja de quem celebra o feudo diante da imensidão de um país feito para um grande pecado original: a crença na mentira revolucionária de alguns.fotos: divulgação

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

ENTREVISTA COM O MÚSICO JOTA VELLOSO

“Muitos jornalistas publicam o release na íntegra enviado pelos produtores ou suas opiniões são sugadas de outros veículos de comunicação daqui do Brasil ou de fora do país.” (J.V.)
Por Elenilson Nascimento
Antes de mais nada, eu queria deixar bem claro aqui que achei o Jota Velloso uma simpatia. Considerado um dos melhores compositores baianos da atualidade, tanto que suas canções estão nas vozes de artistas como Bethânia, Gal Costa, Alexandre Leão, Daniela Mercury, Joana, Zezé Mota, Vânia Abreu, Saul Barbosa (*falecido esse ano – clique aqui), Belô Velloso, Roque Ferreira, Mariene de Castro, entre outros.
Também um grande produtor que já faturou vários prêmios, como Prêmio Sharp de melhor disco de samba, em 1998, pelo CD “Diplomacia” do sambista baiano Batatinha, o Prêmio Tim de Música, em 2003, pelo CD “Dona Edith do Prato e Vozes da Purificação” de Dona Edith do Prato e o Prêmio Tim de Música, em 2004, pelo excelente CD “Abre Caminho” da Mariene de Castro (*que me enrolou e não me deu entrevista nenhuma!), além de ter as indicações ao Grammy Latino, pelo CD “Humanenochum” do sambista Riachão, em 2000 e ao Prêmio Tim de Música, pela composição da canção “Kirimurê”, em 2007.
Mas como cantor ele tem superado todas as expectativas. Lançou em 2004 de forma independente o CD “Aboio para um Rinoceronte”, na Bahia, e se apresenta atualmente em casas de espetáculos, teatros e bares, com seu novo show: “Jota Veloso e Os Cavaleiros de Jorge”, um espetáculo que mistura o tradicional do recôncavo baiano, elementos do candomblé, da MPB e do POP brasileiro. Confira abaixo essa entrevista bem bacana:
Elenilson – Um traço marcante do seu pensamento, da poesia em sua música é a ternura – exageradamente marcante e não muito comum nesses tempos de pagodes e axés de gostos duvidosos. E o seu pensamento crítico sobre o Brasil, conquanto sempre exigente, é impregnado dessa ternura. E eu acho isso incrível. Você sempre se refere ao povo santamarense (*Santo Amaro da Purificação, na Bahia, cidade natal da família Velloso) como "povo doce e moreno". No entanto, há indícios de mudanças significativas nesse êthos coletivo: o agravamento da miséria, a hostilidade entre classes sociais distintas, o caráter não pragmático da violência, entre outros. Você acha que o Brasil está perdendo a ternura nessa guerra?
Jota Velloso – O mundo vem perdendo a ternura a cada segundo, tem horas que questiono a mim mesmo a importância da ternura e quando me dizem que sou terno eu fico preocupado comigo, pois pago um preço alto por ser assim. Queria um mundo mais manso e mais tranquilo, mas ele anda em outra direção e sintonia. E o melhor na natureza, o que tem mais chance de ser vitorioso (feliz), é o que está mais bem adaptado ao meio em que vive, por isso que eu não desejo que ninguém puxe a mim.
Elenilson – E com relação à competência do seu próprio trabalho? Como encara a sua arte?
Jota Velloso – Encaro como paixão e isso é outro problema, pois as paixões trazem muitas coisas além da alegria e da felicidade, mas abraço ela com carinho e respeito, da mesma forma como abra
ço as pessoas que amo. Hoje a música me estimula muito a querer estar vivo.
Elenilson – A caravana dos Cavaleiros de Jorge foi uma das coisas mais legais que já vi. Como foi esse processo de criação?
Jota Velloso – Foi um desejo de cantar além do de compor, e na hora para batizar esse encontro decidimos, Luzia, Toni e eu, por esse nome, com o qual eu já tinha batizado o selo de música que criei com Maurício Pessoa, pois demonstra a importância e o reconhecimento de uma equipe. É um encontro onde o prazer está acima de qualquer coisa, pra fazer parte dessa turma precisa entender e sentir dessa forma, por sorte nossa a turma é grande, vem aumentando e nos dando muitas alegrias...
Elenilson – Seu blog – clique aqui – é cheio de fotos e informações. É você mesmo que atualiza ou assessores?
Jota Velloso – Não. É a Luzia Moraes que na realidade quem faz na maioria das vezes, ela é a outra metade de mim nesta empreitada de cant
ar e de dar fôlego para eu poder sonhar com música, ela conduz isso tudo dentro dos critérios que combinam comigo, com muito carinho e competência, mas sempre estou junto, mas assinamos embaixo o projeto J. Veloso... (risos).
Elenilson – Como foi o processo de criação do livro e CD "Santo Antônio e Outros Cantos"? Eu vou ganhar um exemplar?
Jota Velloso – Foi a partir do convite de Fernando Oberland (que trabalha no marketing do Banco Capital), nunca pensei em fazer um livro, mas a ideia de ter algumas letras minhas e ao lado delas uma pequena explicação de como elas surgiram me animaram. No início Fernando pensou em ser um livro só com minhas letras religiosas, mas depois decidimos em mostrar também o meu lado profano, que é muito mais forte hoje, mas no CD, que possui sete faixas (seis são inéditas), só uma é profana, e ela tem o nome de “Calmaria”, imagine!!!???
Elenilson – Mudando um pouco de assun
to, o que você achou da repercussão crítica do livro “O Mundo Não é Chato” de Caetano? Você acha que há uma espécie de resistência oficial ao seu pensamento crítico dele? Uma espécie de correlato do velho problema que certos discursos eruditos, acadêmicos e ultrapassados têm em relação à legitimação do vigor, da radicalidade, da inventividade e do caráter crítico da canção popular?
Jota Velloso – Vejo em Caetano u
m marco para o Brasil. Depois do Tropicalismo, o nosso país pôde assumir com coragem sua identidade e originalidade e a ousadia para o futuro, a arte tem poderes sobrenaturais, minha geração teve a sorte de ter esses artistas para direcionar nossos olhos e corações, hoje somos corajosos e temos a estima elevada, e todas as conquistas positivas do nosso Brasil, pós Tropicalismo, podem ser associadas a esse movimento que é mais do que um movimento musical, por isso devemos estar sempre atentos às opiniões e posições de Caetano, nem precisamos segui-las, mas nunca esquecê-las. E canção popular brasileira é uma das maiores riquezas do nosso país.
Elenilson – Ainda sobre Caetano, quando ele lançou o filme “O Cinema Falado” houve também uma resistência prévia ao filme, que revela, necessariamente, um fisiologismo enfadonho de defesa de território. Você acha que, assim como alguns cineastas tentaram não dar o direito de Caetano de fazer um filme, há forças intelectuais no Brasil que não lhe dão o direito de exercer uma prosa crítica?
Jota Velloso – Adoro esse filme, ele me toca tanto quanto “Araçá Azul”, e toda vez que assisto me emociono mais e gosto mais, e isso parece ir andando em uma escalada crescente infinita, quanta a resistência sobre essas coisas isso é normal, só não há resistência ao que é previsível, mas Caetano, por si só, não precisa que ninguém conceda a ele o direito dele pensar e de se exprimir do jeito que ele quiser, ele ensinou o Brasil a ousar e para isso não lhe faltou ousadia e inteligência para espalhar sua criatividade e su
as provocações de várias formas. Quando comecei a compor senti de alguns uma certa desconfiança, parecia que eu não poderia fazer nada com música, mas fui fazendo, principalmente porque não imaginava que iria chegar aqui onde estou.
Elenilson – O que você acha desses muitos "pseudo-intelectuais de miolo mole" (*jornalistas de quinta, revistas que ganham muito dinheiro fofocando sobre a vida de famosos, críticos negativos de artes e etc.)?
Jota Velloso – Acho que faz parte da sociedade, um percentual enorme se interessa por fofocas, por ter carro para abrir o fundo e colocar músicas bem alto, de arrumar uma forma pra compreender o jabá, de assistir “Vale tudo por dinheiro”, de aceitar os preconceitos, etc... Disso tudo eu tento me afastar, o que não é fácil, mas meu estilo é: “Não Universitário”.
Elenilson – O que você pensa sobre a música popular brasileira de hoje? Volta e meia dizem que o momento está fraco. Até o Chico Buarque alertou, numa entrevista à “Folha de S. Paulo”, a hipótese de que a canção talvez seja uma forma histórica acabada. Você acha que a canção acabou ou está acabando?
Jota Velloso – Quando esses caras falam é bom ouvir e prestar muita atenção, na hora me revoltei e achei sem sentido o que Chico falou, mas agora concordo com ele, infelizmente concordo. Vejo que vivi muitos momentos marcantes da humanidade a partir do Brasil, acho que o romantismo estava incutido em tudo, quando falo aqui em romantismo não é a atitude melosa e sofrida, não, falo do sentimento intrínseco de acreditar mais na ética, na honestidade, na criatividade, no talento, etc... mas agora é lucro, lucro, lucro... e... novamente, lucro, lucro, lucro... Por isso compor com ideais artísticos está acabando. O dinheiro a cada dia se valoriza mais, se torna mais importante, mais do que o homem, é a criatura vencendo o criador.
Elenilson – A erudição não é mais uma condição fundamental na música brasileira, em especial, na música baiana. Eu, por muitas vezes, sinto uma “vergonhazinha”
ao ligar o rádio e ouvir coisas de nível a baixo do lixão de Canabrava, mas que a mídia, a imprensa e o público teimam em valorizar. Como você encara esse fato?
Jota Velloso – Já toquei nesse assunto indiretamente respondendo a outras perguntas, mas se todos os espaços dos meios de comunicação são comprados, e todos hoje convivem com naturalidade com isso, não poderia ser diferente, mas isso alguns tentam explicar que é a falta de educação das classes menos privilegiadas, o que é uma inverdade, é simplesmente a imposição cruel de uma indústria fonográfica de sucesso dentro dos parâmetros de hoje. Mas isso não é só na Bahia, ir ao Sul do Brasil e só ouvir sertanejo universitário ou ir ao Nordeste e só ouvir forró universitário é terrível, é mil vezes melhor ouvir axé music que tem muita coisa boa.
Elenilson – O que te interessa mais na canção popular atualmente?
Jota Velloso – Lenine, Los Hermanos, Arnaldo Antunes, Luciano Bahia e Tahthi.

Elenilson – O que pensa sobre a crítica musical brasileira?
Jota Velloso – Varia muito, tem umas que gosto, mas poucas são independentes ou sem amarguras, mas tem muita gente boa. Temos aqui Paquito que admiro e adoro as opiniões de Nelson Mota. Muitos jornalistas publicam o release na íntegra enviado pelos produtores ou suas opiniões são sugadas de outros veículos de comunicação daqui do Brasil ou de fora do país. Mas seria bom que críticos conhecessem melhor a diversidade da música baiana, eu, por exemplo, não preciso que um artista faça sucesso para eu ter uma opinião sobre o trabalho dele, aqui os críticos falam mais de festas do que o que ocorre de interessante na cidade e assim muita coisa fica sem ser exposta, fica escondida de quem poderia gost
ar.
Elenilson – É certo que com essa nova geração formada pela TV (*assistind
o coisas tipo “Malhação”), a cultura brasileira vai se tornando menos letrada e cada vez mais dominada pelos signos visuais (faz sucesso que é muito gato e “come fulano ou cicrano”). E nesse processo a literatura é esvaziada, a música perde espaço para os rebolativos, o cinema para as animações em 3D e a nossa cultura perde força nesse jogo mercenário. Como você acha que isso se manifesta na MPB? Você pertence a uma geração que levou (e ainda leva) a aproximação entre a literatura e a canção às mais inventivas consequências. Como percebe, hoje, a relação entre literatura e canção popular, sobretudo nos compositores mais jovens?
Jota Velloso – A cada dia que passa isso menos acontece, o que é uma pena, conheci o mundo através da música popular brasileira, ela foi uma escola muito importante para muitos, pois era para todos, agora “para todos” é jogo de bicho.

Elenilson – Você leu o livro “Leite Derramado” do Chico? O que achou do fato desse livro ter ganho – clique aqui – o Prêmio Jabuti desse ano só por ser um livro do Chico?
Jota Velloso – Foi o único dele que ainda não li, gostei muito de todos, e mesmo sem ter lido “Leite Derramado”, mas me baseando pelos outros, posso dizer de princípio que acho injusto se dirigir a um artista como Chico Buarque de Holanda como alguns fizeram.
Elenilson – Na política, nas eleições passadas, com quem você flertou?
Jota Velloso – Com ninguém... (risos). Mas votei em Marina e gostei de Dilma ter sido eleita, fico impressionado com Lula, mas adoro o trabalho de Juca Ferreira.
Elenilson – Como você vê o Brasil atualmente?
Jota Velloso – Como nunca pensei de ver, vi a ditadura, passei por ela, e até o país entrar nos trilhos demorou, pra quem só tem uma vida parece muito tempo, mas historicamente as coisas estão andando rápido. Tenho esperanças, mas a falta de cuidado com o meio ambiente me preocupa. Educação e a sa
úde pública nem se fala, isso o Brasil tem de dar um jeito. E a impunidade? Esse câncer tem de ser extirpado. Mas tudo isso para melhorar precisa de ter pressão popular, caso contrário as coisas não acontecem.
Elenilson – Somos um país de dimensões continentais, cujo povo fala português nas Américas, com uma população altamente miscigenada... São muitos fatores estranhos... O português é considerado assim o "túmulo de espírito". O que é uma "originalidade fatal"?
Jota Velloso – Adoro a língua portuguesa, adoro sua sonoridade, e só sei ela, as outras escuto como música sem letra, mas gosto do som do idioma italiano, do francês e do espanhol, nossas irmãs latinas, mas sei das dificuldades da nossa língua, e fico com pena em saber de quanto o mundo deixa de saber da gente através das nossas palavras, principalmente do nosso povo mais simples.
Elenilson – Quando é que você vai me convidar para uma parceria?
Jota Velloso – Essa entrevista já foi a primeira parceria, depois vamos ver as outras. Abraço.

Um grande artista baiano. (foto: Lara Lins)
Com Bethânia. (foto: Aless
andra Benini)
Com Jorge
Ben Jor.
Com Boghan do Bit Gaboot.

Co
m a cantora Ludmillah Anjos. Essa menina tem futuro!
O escritor Jota Vellos
o em noite de autógrafos. (fotos: Rosilda Cruz)
Com Jorge Portugal. (fot
o: Márzia Lima)
Com Moreno Velloso. Eu ainda tenh
o a disco do Trem da Alegria viu!
Com o sambista Riachão. (foto: Lara Lins)
Com Adelmo Casé.
Dando uma de turista nas Cataratas de Foz do Iguaçu (PR).

Com a Luzia Moraes no lançamento do Calendário 2011 –
Abraçando a Vida – Crianças com AIDS.
(foto: Marce
lo Mendonça)
Arrasando no palco.
+ Confira mais um pouquinho do trabalho do Jota Velloso e seus Cavaleiros de Jorge cantando “Medo”, além de algumas imagens do Rio Vermelho, no Ensaio no Espaço Cultural Casa da Mãe, Salvador (BA):

Contatos: www.myspace.com/jvelloso
demais fotos: divulgação

CLANDESTINOS

imagem: divulgação

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

UMA LEMBRANÇA QUE NUNCA VEIO

“Deus é um conceito pelo qual medimos o nosso sofrimento.” (John Lennon)
Por Anna Carvalho
Vendo um idiota, Mark Chapman, que disse que queria matar Elizabeth Taylor e acabou matando John Lennon, vejo que o John não poderia ficar velho, não poderia chegar aos setenta, não poderia estar senil, estaria preso por catapultas de fãs às cadeias de sonho dos seus fãs. E a ele não foi permitido nem o direito de ficar velho pisando na terra como um mero mortal.
Assinou a sua sentença de ser genial e partiu antes que ficasse velho, antes que ficasse bêbado pela trivialidade de ser pai, ser esposo de Yoko Ono, ser mais um neste universo iconoclasta que insiste em simbolizar, engavetar pessoas, escravizar ideologias. E vejo que na pós-modernidade a gente está órfão de algo muito novo e revolucionário: talento.
Fazer um texto sobre o trigésimo ano da morte do ex-beatle é ver que o mundo ficou mais feio, intolerante, esgotado, frívolo e que expulsa homeopaticamente as figuras que se negam a ser absolvida por ele. Uma a uma. E ficamos sozinhos no escuro de nós mesmos.
Falar da sua morte é tratar da falta de alteridade, da falta de respeito, da falta de tolerância no mundo, um mundo de babacas que se empantufam de overdose de senso comum, de contas na esferográfica para não terem a desculpa de morrerem.
E vivemos por admirarmos pequenos talentos, pequenas coisas ambulantes, episódicas, pequenos clichês que blefam por serem grandes talentos. E vivemos por tomar parte de lamentos e por sermos nostálgicos dos sonhos dos outros, de não deixarmos que alguns eleitos não morram: Renato Russo, Cássia Eller, Lennon, Ghandhi, Neruda e vivemos torcendo para continuarmos vivos e celebrando grandes lembranças que nunca virão, até que outro sonho acabe e a gente responsabilize Deus dando o ar da sua graça fazendo-nos medir sofrimentos (*tenho fé) nesta capacidade pouco neológica de celebrar, de apostar no futuro e estarmos presos ao passado como uma senha de um futuro quase protocolar e que se recusa a vir novo e içarmos os velhos modos, a dor e o sonho de ter John Lennon embalando novos sonhos com os seus versos que nunca envelhecem.
Por um minuto a estada do homem no espaço ficou pequena em sua pretensão de fazer xixi nas estrelas diante de “Across The Universe” que assalta a incapacidade positivista dos homens em explicarem as coisas com sua verborreia sem empatia, se sacada em nome de uma letra que nos faz enlouquecer de tão tristes e incompetentes, vivendo de máximas dos outros, incapazes de nos reinventarmos.
Falando demais desta saudade, faço reverência a tudo aquilo que não temos e que perdemos para talvez achar justificativa para continuar buscando o intangível, inatingível ou justificando apenas o nosso medo.
John Lennon in Havana.
+ Aproveite e baixe Os EUA contra John Lennon” - um documentário (muito bom) que cobre o período entre 1966 a 1976, uma década fundamental na evolução artística e espiritual de John Lennon, que de grande artista musical torna-se um ativista convicto (e sucessivamente um ícone) contra a guerra. O filme faz um grande paralelo da trajetória do músico com o governo dos Estados Unidos da mesma época. Direção: David Leaf e John Scheinfeld, áudio: inglês, legendas: português e duração: 90 min.
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E baixe também o single do maravilhoso cantor baiano Maurício Zerk, “Eu Queria Ser John Lennon”, que por sinal a canção título foi tirada do livro “Palavras Faladas Fadadas Palavras” (2002) de Elenilson Nascimento.
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fonte do download: Mina/Laranja Psicodélica
fotos: divulgação