terça-feira, 30 de novembro de 2010

TEXTO PUBLICADO NO “A TARDE” SOBRE A MORTE DO GAROTO CAPOERISTA

“Quando não se tem esperança de um futuro melhor, a violência pode parecer um caminho interessante e mesmo uma oportunidade de negócio e poder. E o Brasil não está longe disso!”
Por Elenilson Nascimento
Para intervir mais um pouco aqui no LC sobre essa onda de violência que arrasa não só o Rio de Janeiro, como a Bahia e todos os outros estados, mas que o s Poderes Públicos fecham os olhos e fingem que nada é tão inoportuno, como também é preciso dizer que o número médio de vítimas da violência, no entanto, não corresponde a uma distribuição igualitária na população ou no espaço das cidades: a maior parte das pessoas mortas é composta por homens jovens, negros, de baixa escolaridade, com profissão pouco qualificada, moradores de bairros de condições sócio econômicas mais precárias. Ou seja: uma parte da população que as autoridades simplesmente ignoraram.
As informações referentes à violência no Brasil, porém, encontram-se fragmentadas, são precárias em termos qualitativos e quantitativos, são produzidas com distintos critérios (*o que gera BOPE, digo, IBOP e/ou vende jornais são as coisas para serem comentadas) e geralmente são apresentadas agregadas para grandes assuntos comum à todos, ou seja, atualmente, a limpeza nos morros cariocas é o assunto principal para mostrar ao mundo que as autoridades no Brasil estão trabalhando unidas em prol da Copa do Mundo de 2014.
Porém, esse estado de coisas impede que se tenha uma compreensão mais clara do problema e que se use a informação para orientar intervenções mais adequadas para um fenômeno que se distribui, nas suas diversas expressões, de forma muito desigual e que anda exterminado boa parte da nossa juventude.
Na Bahia, um bom exemplo da falta de interesse do Estado com relação aos cidadãos foi o recente e lamentável caso dos nove policiais militares que participaram de uma ação de repressão ao tráfico de drogas no bairro pobre do Nordeste de Amaralina, em Salvador. Nessa ação desastrosa por total falta de preparo dos policiais, o garoto Joel da Conceição Castro, de 10 anos, morreu atingido na cabeça por uma bala perdida.
Os policiais que integram a 40ª Companhia Independente foram acusados pela própria população de terem chegado ao bairro atirando e de serem os responsáveis pela morte do garoto. Contudo, os policias afirmam que "trocavam tiros com criminosos e que os disparos que atingiram a casa onde estava o estudante teriam partido de uma arma encontrada na frente de uma casa no bairro". As pistolas usadas por eles foram entregues à corporação e estão passando por perícia. E como sempre acontece: até que o inquérito sobre a morte do menino seja concluído, os policiais cumprirão atividades administrativas.
E, como numa novela mexicana que todos já sabemos o final, os nove policiais militares participantes da operação que resultou na morte do menino Joel simplesmente não compareceram ao depoimento que seria prestado na manhã desta segunda-feira, 29/11, na Delegacia do Nordeste de Amaralina, onde ocorreu a ação. A delegada responsável pelo caso avisou que não tem previsão de nova data para os tais depoimentos. Em um primeiro momento, os militares disseram que o menino foi baleado por traficantes da localidade. Ou seja: a mentira e o esquecimento vão ser usados mais uma vez pela (IN)Justiça baiana.
Em matéria no jornal “A Tarde”, 29/11, referente a esse caso, também expus os meus comentários: “Pois é, talvez eles estejam resfriados. Tal situação vergonhosa tem nome e sobrenome: internacionalismo financeiro e, seu apanágio, a ideia de um "Estado mínimo", onde a retirada das responsabilidades e ações do Estado junto à sociedade é baseada num novo paradigma de gestão de Estado gerenciado pela gangue de políticos cada vez mais descomprometidos e totalmente desprovidos de preocupações sociais ou estratégias efetivas de gestão pública”.
Na verdade, o problema da violência exige uma abordagem que integre diferentes políticas públicas e níveis de governo. Há fortes evidências de que o crescimento econômico tem forte impacto sobre a violência e o crime, mas não é por acaso que os países mais pobres do mundo são também os mais sujeitos a guerras civis - 73% da população dos países que reúnem os 980 milhões de pessoas que se tornaram aprisionadas na pobreza esteve recentemente em guerra civil ou ainda está. Quando não se tem esperança de um futuro melhor, a violência pode parecer um caminho interessante e mesmo uma oportunidade de negócio e poder. E o Brasil não está longe disso!
Moradores protestam pela morte do garoto Joel.
>>> clique aqui e leia a matéria.
fonte: A Tarde
imagens: reprodução

domingo, 28 de novembro de 2010

JUSTIÇA À QUEIMA ROUPA

“Acompanhar a vitória do poder oficial sobre o poder paralelo do tráfico é ver o quanto somos minimalistas para resolvermos questões mais profundas...”
Mulher olha carro em chamas na Barra da Tijuca. (foto: Eduardo Castro/AFP)
Por Anna Carvalho*
Agora uma cena lamentável, entre tantas outras durante esta semana e nos últimos dois dias, um pai levando um filho traficante para se entregar à polícia, numa escala de maldade a qual fomos expostos pela tela da TV, mas este é um bom bandido que se entrega e deve ser nesta escala a que somos expostos um dos menos piores. E o fato é que a bandeira do Brasil hasteada no alto do Morro do Alemão deflagra uma política de “sucesso” do Rio de Janeiro ante aos bandidos do tráfico, isto é um fato, fechado, como se fosse um índice que nós vamos ter para dormirmos em paz nas nossas camas.
Esses bandidos também foram criados por um Estado conivente, parcimonioso e que define que as favelas devem estar resignadas sob lado da sua insignificância, onde milhares de jovens, de homens, de mulheres, de bandidos, ferozes e de bestas que foram aliciadas no poder paralelo se estabelecem também pela lacuna do Estado. E como num passe de mágica quando esses bandidos decidem incomodar, mostrar a sua ferocidade nos asfaltos de uma cidade em faxina para a Copa, estes vão ser enquadrados pela lei que define as distâncias de um país e no seu limite de ordem em casas de bacanas.
E o que se viu: milhares de bandidos correndo numa área remota, armados até os dentes e a visão me parecia um Alcatraz rememorando Palmares, uma série de homens negros à parte como devem ficar, abaixo da linha de fogo, do lado de lá de uma navalha que sempre explode em relações maniqueístas em que o Estado decide qual o lado bom e qual o lado mal. E todos nós caíndo feito patos, cidadãos aliciados numa cortina de burrice e com um controle zapiado esta justiça implacável. Mas e Brasília? E os esgotos de Brasília? Os staffs de Brasília? E os belos da Globo que alimentam o crime como usuários banais?
Pessoas correm durante operação policial no
Complexo de Favelas da Vila Cruzeiro.
(foto: Agência Estado)
Nesta Justiça de arremedos eles ficam de um lado de lá para que os cidadãos do crime que foram colocados ali porque o Estado permitiu fiquem mais uma vez alijados de um processo. E, para alguns leitores essencialistas, não dou álibi para o marginal, mas também não dou álibi para quem mantém o traficante em baladas sofisticadas no Leblon, por exemplo.
O problema do tráfico é mais amplo do que reunir forças de um Estado e consentir uma Paz também truculenta. E não vou muito além e falo mais uma palavra de exame e de pressentimentos: as milícias, que representam uma força deste subpoder e que também implode as relações que o Estado consente.
Acompanhar a vitória do poder oficial sobre o poder paralelo do tráfico é ver o quanto somos minimalistas para resolvermos questões mais profundas, mais enigmáticas do que uma violência episódica, sumário e feita em tempo real nas telas, nos acostumam a um poder falso de que estamos momentaneamente salvos até que a próxima realidade nos assalte neste enigma de democracia que nos cerca, colocarmos a realidade em lados é bom, mas bem incompetente, e isso a gente resolve diante das telas de cinema, batendo palmas ao final de um filme de ação.

+ Desde o último domingo, dia 21/11, o Rio de Janeiro vive uma onda de violência, que segundo a Secretaria de Segurança Pública, é uma reação de criminosos à implantação das UPPs (*Unidades de Polícia Pacificadora) que tiraram o território do tráfico, impactando em seus lucros. Porém, as cenas de uma Guerra Civil geram repercussão internacional, especialmente na cidade que “supostamente” sediará a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. A seguir mais imagens do caos urbano:
Mulher passa em frente a muro com aviso do Comando Vermelho, na Vila Cruzeiro,
localizada no Complexo do Alemão.
(foto: M
arcelo Carnaval)
Traficantes incendeiam caminhões para formar barricadas contra a invasão
da polícia na favela Vila Cruzeiro.
(foto: Ivo Gonzalez)
Homem mostra cédula de dez reais achada em uma Van queimada
por bandidos no bairro de Santa Cruz.
(foto: Marcia Foletto)
Policiais durante uma operação na favela do Jacarezinho. (foto: Sérgio Moares/ Reuters)
Ônibus incendiado por bandidos em Santa Cruz,
na zona oeste do estado.
(foto: Jadson Marques/
AE)
Profissionais da imprensa tentam se proteger atrás de veículos durante ação do Bope em um dos acessos do Complexo de Favelas da Vila Cruzeiro, na zona norte do estado. (foto: Alvino Duarte/AE)
Cerca de duas toneladas de maconha apreendida durante as operações do Bope nas comunidades do Complexo de Favelas d
o Alemão. (foto: Wilton Junior/AE)
Veículo policial patrulha a favela do Jacarezinho. (foto: Antonio Scorza/AFP)
Vista de uma janela de cabine à prova de balas da polícia na sequência
de ataques de traficantes em Benfica.
(foto: Antonio Scorza/AFP)
* Anna Carvalho é professora de literatura em Salvador e co-autora de Elenilson Nascimento em “Clandestinos” (2010) e “Diálogos Inesperados Sobre Dificuldades Domadas” (2005). Contato: carvalhoanna141@gmail.com

sábado, 27 de novembro de 2010

AINDA RESTA UMA ESPERANÇA!

“A nova corregedora do Conselho Nacional de Justiça Eliana Calmon diz que é comum a troca de favores entre magistrados e políticos. E aparece agora com a nossa única esperança contra a impunidade.”
Por Elenilson Nascimento
“Quando não há classe média e o número de pobres é excessivo, os problemas aparecem e o poder logo chega ao fim". Assim, Aristóteles sintetizou, há mais de 2 mil anos, a causa primeira da falência do que ele chamava "Politeia" - a costituição política das cidades gregas -, algo parecido com o atual conceito de Estado. Porém, os últimos acontecimentos bárbaros e tradutores do grau incompreensível a que pode chegar a intolerância de pessoas tidas socialmente como “normais” foram amplamente noticiados nos telejornais durante as últimas semanas.
O comentário ou advertência de Aristóteles bem poderia ser aplicado à atual situação de desespero e esquizofrenia coletiva por que passa o Brasil e que hoje encontra-se em estado assustador de desagregação social e falência política, além da marca de ódio cego, burro, animalesco e indistinto que estamos presenciando.
Tal situação vergonhosa tem nome e sobrenome: internacionalismo financeiro e, seu apanágio, a ideia de um "Estado mínimo", onde a retirada das responsabilidades e ações do Estado junto à sociedade é baseada num novo paradigma de gestão de Estado gerenciado pela gangue de políticos cada vez mais descomprometidos e totalmente desprovidos de preocupações sociais ou estratégias efetivas de gestão pública. É o que alguns urubus da máfia da administração pública chamam de "governança", conceito imbecil imposto goela abaixo aos nossos funcionários públicos por traduções mal feitas de documentos estrangeiros. Uma visão tacanha que vê o Estado como uma empresa, com objetivos voltados para o lucro dos seus chefes, a que chamamos de governantes, e o conjunto de indivíduos da sociedade apenas como um mercado de ratos, não como cidadãos.
VIOLÊNCIA – No último fim de semana, em São Paulo, três rapazes foram brutalmente agredidos. Foram chutados, espancados e tiveram os seus rostos talhados por cacos pontiagudos de lâmpadas fluorescentes retiradas do lixo por cinco adolescentes de classe média, em plena Avenida Paulista. Os agredidos: rapazes em quem os agressores bárbaros enxergaram “signos de homossexualidade”, razão considerada suficiente para despertar as agressões (*muito comum até mesmo em ambiente acadêmico); os agressores bárbaros: cinco garotos bem nascidos, bem criados, alunos de boas escolas privadas e com ódio a homossexuais, sentimento declarado explicitamente durante os ataques, sem motivos, segundo testemunhas.
No péssimo trânsito de Salvador, um motorista de uma BMW, ao ver os fundos amassados por um caminhão, encarnou o “acertador de contas” e, com uma daquelas pedras que a igualmente péssima Prefeitura adora mandar pintar de branco para contrastar com a grama verde, enfrentou o caminhoneiro estilhaçando-lhe o vidro. O tal, por sua vez, desceu armado de um facão, perseguindo o opositor, produzindo cenas inverossímeis para a TV, captadas por câmeras de segurança existentes nas imediações do conflito.
Ainda em Salvador, um caso chamou a atenção da opinião publica sempre sem opinião: a morte das duas adolescentes que foram encontradas decaptadas clique aqui – supostamente depois de terem sido aliciadas pela internet. Mas se realmente o Estado, a família, a Escola dessas jovens assassinadas tivessem cumprindo o seu papel, elas não teriam caído nesta cilada, pois saberiam dos riscos que correriam se relacionando com pessoas estranhas através das redes sociais disponíveis na internet. Por outro lado, se o policiamento suficiente estivesse presente nas diversas localidades carente - coisa que passa longe da situação real - não estaríamos todos expostos diariamente ao risco de sequestro, assaltos a mão armada, até por bandos, em áreas até mesmo bastante movimentadas e nobres da cidade.
E a morte do menino capoeirista Joel da Conceição Castro, de 10 anos, morto com um tiro na cabeça, disparado supostamente por policiais que participavam de uma operação na região de Amaralina (*bairro pobre de Salvador)? E essa onda de conflitos entre polícia e traficantes que atinge o Rio de Janeiro? Ninguém prioriza respostas! São os mesmos “inteligentes” que advogam a terceirização de serviços públicos, privatização-doação de empresas públicas e coisas do gênero. Por isso, eles ainda acreditam que a máquina estatal deva servir apenas para facilitar os lucros das empresas, em especial dos bancos e das multinacionais. As operadoras de telefonia que bem devem saber disso! Apadrinhadas pelo governo tiram todo o dinheiro dos cidadãos iludidos com os serviços de nível duvidoso. Ou seja, a esfera pública, na visão dessa gente, nunca foi tão privada, no sentido de que o Estado é, hoje, um verdadeiro condensador de capitais públicos para o setor privado externo, pois vem aumentando o universo de contribuintes (*o “novo” imposto do cheque já está vindo aí!) e aumentando as taxas e impostos, mas não dando qualquer retorno ao conjunto dos brasileiros (aí inclusa a área de segurança). É a velha socialização das perdas e capitalização dos lucros elevadas às últimas consequências. E tudo isso acontece porque somos um bando de ignorantes e desinformados enclausurados nos nossos mundinhos de merda!
ESPERANÇA – Mas, só agora vejo uma remota esperança lá no fim do túnel na figura da ministra Eliana Calmon (foto acima) que é muito conhecida no mundo jurídico por chamar as coisas pelo que são. Há onze anos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon já se envolveu em brigas ferozes com colegas — a mais recente delas com então presidente César Asfor Rocha. Recém-empossada no cargo de corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ministra passa a deter, pelos próximos dois anos, a missão de fiscalizar o desempenho de juízes de todo país. A tarefa será árdua, mas depois de ter lido muito coisa ao seu respeito e ter conferido uma entrevista que ela conferiu à Rádio Metrópole FM (Salvador-BA) fiquei muito animado com a sua postura profissional.
Recentemente também, em entrevista a revista “Veja”, Eliana Calmon mostrou o porquê de sua fama de “durona”. Ela disse que o Judiciário está contaminado pela politicagem miúda o que faz com que juízes produzam decisões sob medida para atender aos interesses dos políticos, que, por sua vez são os patrocinadores das indicações dos próprios ministros.
Mas essa eterna crise na Segurança Pública, por exemplo, em todas as esferas do Estado nacional, é sintomática e está diretamente relacionada com tais concepções. Os políticos associados a essa hecatombe mentem descaradamente. Procuram mostrar indignação a cada desgraça que acontece, como o recente assassinato do prefeito do PT em São Paulo ou o cômico lançamento do tal Plano Nacional de Segurança criado a toque de caixa para salvar a impopularidade do FHC há algum tempo. Ou a bolinha de papel na careca do Serra, nessas últimas eleições. Ou seja, só fazem jogo de cena, simplesmente porque não governam coisa nenhuma, não têm a menor noção do que seja Segurança Pública, não sabem para o que foram eleitos, são apenas títeres de forças exógenas que vêm vilipendiando nosso país há muito tempo.
Porém, segundo a Eliana Calmon: “Não há lei que resolva isso. É falta de caráter. Esses políticos tinham de ter estofo moral para saber disso. Normalmente, eles nem sequer fazem uma sustentação oral no tribunal. De modo geral, eles não botam procuração nos autos, não escrevem. Na hora do julgamento, aparecem para entregar memoriais que eles nem sequer escreveram. Quase sempre é só lobby”, disse a corregedora do CNJ. Porém, tentam passar uma ideia de que a criminalidade é resultado da eficiência, capacidade de organização ou ousadia dos bandidos, como se, de repente, os criminosos passassem a ter poderes sobrenaturais, quase invencíveis, é uma grande tolice!
“Nós, magistrados, temos tendência a ficar prepotentes e vaidosos. Isso faz com que o juiz se ache um super-homem decidindo a vida alheia. Nossa roupa tem renda, botão, cinturão, fivela, uma mangona, uma camisa por dentro com gola de ponta virada. Não pode. Essas togas, essas vestes talares, essa prática de entrar em fila indiana, tudo isso faz com que a gente fique cada vez mais inflado. Precisamos ter cuidado para ter práticas de humildade dentro do Judiciário. É preciso acabar com essa doença que é a "juizite"”. Espero realmente que a senhora Eliana Calmon seja mesmo a diferença nessa fedentina.

+ Ouça uma entrevista muito boa com a ministra do STJ Eliana Calmon:
podcast: Portal da Metrópole
fotos: divulgação

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

É HORA DE RENOVAR A ESTANTE!

"Na 12ª Feira da USP, muitos livros com descontos que começam em 50%. Aproveitem!"

Livros bons, novos e muito baratos: assim é, basicamente, a "12ª Feira da USP". Em sua 12ª edição, ela abriu as portas desde o dia 24/11 no Saguão do Prédio do Departamento de Geografia e História da FFLCH (Av. Professor Lineu Prestes, 338 – Cidade Universitária – São Paulo/SP) com uma novidade. Além das tradicionais editoras que montam suas bancas lá e dão excelentes descontos – de pelo menos 50%-, a feira contará, pela primeira vez, com a participação da Companhia das Letras. Ela vai levar vários títulos de ciências humanas, mas também alguns de ficção. A feira vai até o dia 26 e funciona das 9h às 21h. Não precisa ser aluno da USP para participar. Fica aí a dica para quem quer renovar a estante de livros ou adiantar alguns presentes de Natal. Por tanto, aproveitem!

PREPARANDO O RJ PARA A COPA DE 2014


charge: Maurício Ricardo

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

MUITA CHUVA EM BH E O DESCASO DOS PODERES PÚBLICOS

“E desde 2006, quando a delinquência se consumou e se reproduz feito coelhos no cio, onde as sucessivas evidências mostram de que o Brasil já não se limita a absolver pecadores. Mas também pune inocentes.”
Por Elenilson Nascimento
Tenho uma convicção (*ou obsessão) de que a disseminação de ideias na rede contra essa falta vergonha dos Poderes Públicos é a mais importante frente de ação a ser ativada por cidadãos comprometidos com o bem comum, no sentido de construir um Brasil sem corrupção. Mas também acho uma coisa impossível falar de mudanças num país medíocre como o nosso – e isso frequentemente assusta pelo descaramento dos bandidos (eleitos por esse nosso povo cada vez mais imbecil) que participam das roubalheiras.
As desgraceiras publicadas diariamente pela imprensa comprovam a forte contaminação – dos Poderes Públicos e da sociedade brasileira – por quadrilhas dos mais diversos tipos. A “máfia do Panetone”, em Brasília, é somente um sintoma, mesmo que chocante, do processo de mafialização que se espalha pelo país inteiro. Tal processo é sustentado por várias fontes, com seus mandatários engravatados.
DESAFIO CIDADÃO – Encontre um único brasileiro capaz de responder, DE MANEIRA AUTÔNOMA E PRÁTICA, às seguintes perguntas: 1. Os serviços de saúde são eficientes? Quantas luvas e seringas foram consumidas, no semestre anterior, pelo hospital público mais próximo de sua casa? De quais empresas foram compradas? Quais foram os preços? Quem lucrou? 2. Você tem como descobrir se existem (ou inexistem) empresas fantasmas que, para roubar o dinheiro do povo, usam endereços falsamente localizados no bairro em que você mora? Exemplo de empresa fantasma: a empresa está, teoricamente, na rua ABCDE, número 1500 de Cabral. Mas o número 1500 de Cabral não existe. Ou existe, mas é um terreno baldio. Ou é a residência da Tia Chiquinha da Silva, que nunca soube que, em sua casa, funcionava uma fábrica de geladeiras.
3. Você consegue verificar se, em sua cidade, existem (ou inexistem) empresas alaranjadas, que, para roubar o dinheiro do povo, estão registradas em nome de laranjas? Exemplo comum: a empresa alaranjada faz negócios de milhões por mês, mas seu proprietário oficial é uma pessoa humilde, que nem sabe que seu nome aparece como dona da empresa. E por aí vai. Em resumo: se quisermos reverter o processo de mafialização em andamento, é essencial nos aprimorar e nos educar.
CHUVA EM BH – Contudo, os alagamentos, interrupções de ruas e rodovias, famílias desabrigadas, prejuízos materiais e mortes – resultados do temporal que atingiu BH desde a madruga desta segunda-feira, 22/11 – é mais uma prova do descaso dos Poderes Públicos.
Esse ano eu pude comprovar de perto tragédias que poderiam ter sido evitadas se houvessem, pelo menos, um saneamento básico decente na grande maioria das capitais desse país. Nesta tarde voltou a chover aqui em MG e a maior preocupação da população está nos barrancos e bueiros.
O prefeito Marcio Lacerda visitou várias áreas atingidas pelas chuvas perto da rotatória do Bairro Primeiro de Maio, Região Norte de BH. A chuva que atingiu MG durante mais de nove horas desta terça-feira, já matou várias pessoas (*dados não divulgados para não alarmar a população) e deixou muita destruição na capital mineira. A água invadiu ruas e avenidas e pessoas ficaram ilhadas em diferentes pontos da cidade.
Ontem, um entregador de gás, de 36 anos, morreu de madrugada, no bairro Ouro Minas, na região nordeste de BH. Ao voltar à sua residência para pegar seus animais domésticos, ele foi arrastado pela água. Antes, ele também teria avisado aos vizinhos que deixassem suas casas. No início da manhã, bombeiros resgataram passageiros de um ônibus que subiram em seu teto para fugirem da inundação e um helicóptero da Polícia Militar teve que resgatar um homem que subiu em uma árvore para se proteger. E eu sigo perguntando: cadê os Poderes Públicos?
No Brasil, uma das fontes importantes dessa carnificina e favelização dos nossos bens comuns, provavelmente a mais importante, é a falta de um controle social, minimamente eficaz, sobre os órgãos públicos. Por CONTROLE SOCIAL entende-se o conjunto de mecanismos que permitem ao cidadão acompanhar os gastos públicos na execução do Orçamento. E isso ainda é pior quando assistimos atônitos subir para 21 o número de mortos no confronto com as polícias Civil e Militar, na reação do governo do Estado aos ataques incendiários por parte do tráfico de drogas que está acontecendo no Rio de Janeiro.
Ou então, as mortes de jovens em Salvador por causa do trafico de drogas, como foi o caso das adolescentes decapitadas, ou do garoto capoeirista morto em mais uma ação desastrosa da polícia. Esse ceticismo vem sendo alimentado pelo governo do Lula e sua gangue. E desde 2006, quando a delinquência se consumou e se reproduz feito coelhos no cio, onde as sucessivas evidências mostram de que o Brasil já não se limita a absolver pecadores. Mas também pune inocentes. Viu-se a alma e viu-se também a cara, em sua sórdida inteireza, do Brasil que absolve os Paloccis e castiga os Francenildos. Triste país. Triste povo!
+ Abaixo fotos da chuva castigando BH:
fotos: EN/divulgação

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

JUVENTUDE TRANSVIADA E ASNEADA

“Então, não sabemos mais quem é bandido, quem está do lado de lá, quem é mau de fato, uma vez que todos temos culpa, o país tem culpa em seu estado de demência e de arrogância...”
Luis Alberto, ferido por duas lâmpadas fluorescentes por jovens
inconsequentes e homofobicos, em Sã
o Paulo.
Por Anna Carvalho*
Passamos de um estado de letargia total da juventude que aceita tudo e, em alguns momentos, é acéfala para o estágio de pequenos marginais bem criados em estufas de casas de classe média. E não vou muito além, lembro dos jovens de Brasília que, na falta do que fazer, entediados com seus brinquedos de controle remoto, numa cidade planejada, queimaram um índio vivo, agora, projetos e staff de marginais pegam lâmpadas e atacam covardemente homossexuais em São Paulo.
Outros imbecis sem causa e provavelmente criados com todo o mimo e irresponsabilidade tascam, laceram tapetes molhados em transeuntes. Meninos no Sul estupraram uma garota e filmaram o crime, meninas também pilantras rindo da cara das pessoas em carros que, ao invés de saírem para as baladas, saem para surrar pessoas, provavelmente pobres, trabalhadoras e honestas, sendo atacadas por uma juventude preconceituosa, essencialista e de classe média, provavelmente criados em lares que têm os pais como reféns da sua própria tolerância, irresponsabilidade ou medo apenas.
Pais com medo dos seus tiranos filhos pequenos que precisam ser amparados pela polícia, uma vez que os pais não dão mais jeito e eles saem dos seus playgrounds das suas turmas de apartamento e vão para as ruas tiranizarem em busca de limite. Aliás, violência sumária agora virou MOLECADA.
E aí pergunto: de quem é a responsabilidade desta imbecilidade de pouca idade e muita maldade respaldada num país que “de menor” não é bandido, mas tem maldade de bandido? A sociedade brasileira feita por uma elite ilustrada e talvez emergente que tem advogado para tudo agora vai ditar normas para o Estado, aliás, o Estado não atinge tal camada, a lei é morna para quem, em seu carro, sai como vândalo covarde em bando como uma matilha para hostilizar, aí os programas de televisão recrutam psicólogos, educadores (*sempre convocados quando o país não dá certo e tão desrespeitados pelo Estado que aliena) para cobrarem destas pessoas respostas.
A violência atinge picos críticos em Salvador: duas meninas foram degoladas,
após terem sido sequestradas por indivíduos que conheceram pela internet.

Lembro-me de um que falava de abraço, mas acho que é por sobra de abraço que estamos nesta salmoura, enxugando as feridas postas, os olhos do menino que devem estar sangrando com o pó da lâmpada, para quem estes jovens perniciosos estalaram as suas esporas covardes e caem em sua própria armadilha tirana.
A “Malhação ID” com seus projetos de malandros, agora numa cena um pequeno marginalzinho, mentiroso e essencialmente perverso propunha um abaixo-assinado para conter a violência de que uma jovem foi vítima, aí pensam, mas é um programa que também educa, mas também deseduca quando propõe a lógica do bando, da maldade concedida em capítulos.
E os jovens da minha geração, sem nostalgia, também tinham problemas, desvio de caráter, os ranços de uma humanidade em extinção e que está posta, mas tinham respeito, tinham limite, agora eles são os pais de agora e que destravaram os códigos morais de uma sociedade que cria pequenos tiranos que querem ir para festa, querem o iPod, querem carro, querem notas altas, querem festas, não querem o “não” e fazem a sociedade de refém da sua própria covardia.
Ainda em Salvador, mais uma ação desastrosa da polícia mata Joel da Conceição Castro,
10 anos, que queria ser mestre de capoeira, mas teve seu sonho abortado pela violência em Salvador. O menino foi atingido no rosto por uma bala perdida quando
estava na janela de sua casa e se preparava para dormir.

Ainda me lembro de uma novela que havia um casal de indolentes materialistas que criava em sua estufa de mau-caratismo, o filhinho playboy e ele barbarizava em grupo, ou melhor, em bando, por outro lado a Internet, os sites de relacionamento viraram pocilgas, lixeira para que estes imbecis postem os seus pedidos de socorro, os seus pedidos de atenção, ou simplesmente o seu pedido de pai, de mãe que lhes faltam, então o terrorismo vira de vitimador para o vitimado de sua própria negligência, destes órfãos com babás eletrônicas e silêncios modorrentos em casas bem aparelhadas, com aparelhos de todas as ordens, mas desaparelhadas da vigília, da atenção e em silêncios seculares.
Então, não sabemos mais quem é bandido, quem está do lado de lá, quem é mau de fato, uma vez que todos temos culpa, o país tem culpa em seu estado de demência e de arrogância, aliás, ontem, lendo um prefácio de Jabor ele falava de “mentira revolucionária”, aliás quase na mesma prateleira, o livro de Geisy Arruda, cujo título: “Vestida para causar”, também me chamou à atenção. E o que eu fiz agora, apenas plantei mais uma mentira revolucionária, pena que tudo o que eu escrevi seja uma verdade inconveniente, além de sumária.

+ Assista abaixo à campanha publicitária da Bahiatursa, na qual Joel da Conceição Castro, aparece ao lado do pai, o Mestre Ninha:

fotos: divulgação

sábado, 20 de novembro de 2010

O PRÊMIO JABUTI, O ENEM E OUTRAS FALÁCIAS BRASILEIRAS

“Vitória de Chico Buarque, contestada com petição na web, motiva discussão sobre Livro do Ano e viés político do prêmio.”

Por Anna Carvalho*
Como se não bastasse na política o Brasil ser um balcão de negócios espúrios, de depravação, nepotismo ideológico, conchavos convencionados, o Prêmio Jabuti, agora, é a moeda política da vez. Há muito que sabemos do ostracismo das editoras em vilipendiar talento novos, genuínos, em detrimento de nomes que aparecem com um kmow how questionável, mas por ser um nome de peso, às vezes, até o mundo artístico sabota, e dá um nocaute em nomes que ainda não se estabeleceram nesta babel de mercantilismo ideológico.
E eu, assertivamente, atesto de que este país não se respeita, não tem competência, é uma terra em que acaso demarca sentenças, basta ver um livro de Chico Buarque, no caso “Leite Derramado” (*que gerou até o descontentamento de alguns por causa do texto “Críticos são como eunucos num puteiro” de Elenilson Nascimentoclique aqui), que eu li e não vi nada de inédito, a não ser de uma literatura melancólica meio Rivotril e decrepta (*unanimidade, mas já disse que sou de dissonância). A polemica é tanta que a decisão da Editora Record de abandonar o Prêmio Jabuti, anunciada na semana passada, chamou a atenção para a “farsa” da festa, promovida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). E o protesto que motiva a petição online Chico, devolve o Jabuti! segue o mesmo raciocínio.
Sei que vou causar polêmica porque as pessoas se contentam em se tratando de um velho em leito de morte num coma e cuspindo anedotas de cunho familiar e as editoras se eximem de mandar seus títulos por saber que este prêmio, mais uma vez, sabota, escamoteia, apostando em feudos de jargão. Não vou muito longe e falo de Zélia Gattai que tomou assento da cadeira do marido. Aliás, o peso de um livro não se dá por encabeçar a sua autoria, mas pelo seu desamparo. O livro de Chico não desamparou, pois é mais um clichê nevrálgico de que o Brasil ainda deve moedas a sua elite familiar... Estão, lendo Chico, pensando estarem lendo “Raízes do Brasil” (sem tom ficcional).E vivemos sentenças de batermos continência por pessoas que já estão fazendo parte de uma elite ilustrada que sempre dominou e vai dominar a cena deste país de poucos consentimentos, pois a educação é mais um sintoma desta república anã em sua vocação para grande nação, mas ficamos relegados depois do Zimbábue e não tem texto ou retórica do Fernando Hadad que vá desmistificar e que vai dizer que o Enem é um sucesso. É um sucesso de incompetência, de medidas judiciais e caberia um boicote de o estudante não fazer a prova cheia de mais desculpas do que lisura. Um bando de incompetentes que brincam com a vida de brasileiros que ainda postergam a moralidade e o elemento ético em extinção.
Vergonha nacional que não haja uma disputa de posições, de oposições, porque não há disputa porque não há lisura, não há honestidade, e as editoras que sabem dos seus jogos sórdidos deveriam deixar mais claras as suas regras, as suas tiranias, mas o fato é que neste país quem tem nome pode chiar esporas, colocar dedos entre ladrilhos, pode dedilhar teorias de medalhões, pode açoitar as costas dos outros em plena vocação do país por não viver a sua alforria.
Como o Enem que é outra sentença de morte para um país que esnobe por excelência, que tem presidente pobre como uma sentença legitimada para ser um Dom Quixote lutando contra moinhos de ventos, mas quem paga essa conta, o mercado editorial que nem precisa de censura neste índex de arremedo, nada nesta pocilga é justa, sempre com notas de interesses e vou muito além e digo aqui que o Chico Buarque deu o seu quinhão público a Dilma, sem mencionar a cruzada particular de Laurentino Gomes muito consagrado, mas engrossar as fileiras de uma guerra mercadológica um pouco mais desonesta neste país em que ser desconhecido é mais um score, um sintoma sem tratamento, nesta república de Bananas (estou subsidiando o meu quinhão) para que a nossa opinião valha a pena, mas o fato é que nesta desordem tão ordenada para poucos a única coisa que se derramou foi o líquido fetal esta república temporã que já nasce velha, de mais uma vergonha brasileira, neste momento não tenho orgulho de mais esta sentença.

Laurentino Gomes no Programa do Jô.
+ Autores como Laurentino Gomes e Cristóvão Tezza, laureados em edições anteriores, defendem regras mais claras para a escolha do vencedor de Livro do Ano, entregue para “Leite Derramado” (Companhia das Letras), de Chico Buarque, que havia ficado em segundo lugar na Categoria Romance na primeira fase do prêmio, atrás de "Se Eu Fechar os Olhos Agora" (Record), de Edney Silvestre. Contestada, a vitória motivou a criação de uma petição online, intitulada “Chico, devolve o Jabuti!”, com quase seis mil assinaturas – clique aqui.
+ A colunista de livros Milly Lacombe comenta a polêmica gerada pelo prêmio dado a Chico Buarque – clique aqui.
+ Ouça também a jornalista Malu Fontes falando sobre preconceito, intolerância e violência de uma juventude cada vez mais asneada.
>>> ouça aqui <<<
+ E o escritor Joaci Goés comentando sobre a nossa Educação que está entregue ao "Deus dará".
>>> ouça aqui <<<
* Anna Carvalho é professora de literatura em Salvador e co-autora de Elenilson Nascimento em “Clandestinos” (2010) e “Diálogos Inesperados Sobre Dificuldades Domadas” (2005). Contato: carvalhoanna141@gmail.com
imagens: reprodução
podcasts: Portal da Metrópole

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

UM DOS MOMENTOS MAIS BACANAS NA TV BRASILEIRA

Por Elenilson Nascimento
Hoje eu tive a oportunidade de falar com o simpaticíssimo ator Marcos Caruso – pelo programa “Roda Baiana” (Rádio Metrópole) –, cada vez mais a cara do médico Dráuzio Varella, do José Serra e do Burns do desenho “Simpsons”, que está em Salvador interpretando o fotógrafo Robert Kincaid, personagem do best-seller “As Pontes de Madison”, escrito por Robert James Waller e imortalizado no cinema por Clint Eastwood e Meryl Streep, sobre as três cenas da TV brasileira que eu considero de maior relevância (*entras as muitas que eu gosto):
1. A Escrava Isaura (Lucélia Santos) no tronco.
2. A Sônia Braga dançando em “Dancin' Days”.
3. E o Marcos Caruso metendo a porrada na Regiane Alves em “Mulheres Apaixonadas”.
Aposto que muitos queriam bater na arrogante Dóris quando a novela estava no ar, pois a moça só sabia destratar seus fofíssimos avós: Flora (Carmem Silva) e Leopoldo (Oswaldo Louzada). E tudo porque ela queria ter um quarto só dela! Hoje eu vejo essa cena e concluo que se os pais fizessem o mesmo não teríamos universitárias mandando afogar nordestinos em rios, muito menos inconsequentes agredindo passantes nas ruas com lâmpadas. Depois ainda querem falar de leis da palmada. Relembre a cena antologia:

foto: divulgação

QUE INVEJA VIU!

“Zeca Camargo entrevista Paul McCartney.”
“Maca” e Zeca: entrevista na Inglaterra.
Por Elenilson Nascimento
Que inveja da p..., viu Zeca! Agora a pouco, no programa da Ana Maria Braga, o Zeca Camargo contou como foi a sensação de entrevistar o Paul McCartney, direto dos estúdios de Londres, onde o “Maca” falou sobre os shows aqui no Brasil, as gravações da época do Band On The Run (*onde ele até foi assaltado) e da sua homenagem secreta que fez ao Lennon. A entrevista foi gravada no dia 29 de outubro e será exibida no próximo domingo no sempre péssimo “Fantástico”, e eu aqui me “comendo” de inveja – clique aqui e leia o texto no blog do Zeca.
Quando o Paul veio pela primeira vez ao Brasil, em 1990, entrou no Guinness, o livro dos recordes, por colocar mais de 184 mil pagantes no Maracanã. Dois anos depois que bateu esse recorde foi a Madonna, no mesmo estádio. Mas, na segunda passagem de Paul por aqui, em 1993, ele tentou se esconder em um condomínio fechado no Guarujá, mas equipes de TVs se infiltraram com barcos e helicópteros na isolada área residencial e f... Em 2010, o panorama parece que não foi muito diferente: em pouquíssimo tempo a organização local da “Up And Coming Tour” viu 180 mil entradas evaporarem rapidamente, compradas por fãs ávidos. Gostaria de ter ido!
Estante de livros na cozinha de “Maca”.
Entre as três passagens, algo em comum: a chama do “fanatismo/amor/devoção/admiração” que o ex-beatle ainda consegue manter acesa (*mesmo que não intencionalmente). Na entrevista exclusiva ao Zeca, concedida no mês passado, antes do desembarque por aqui, “Maca” falou ainda sobre o grande desafio de se manter humano em um mundo que teima em elevá-lo ao status de lenda.
Zeca Camargo viajou para a Inglaterra com o objetivo de entrevistar “Maca”. O músico está em turnê no Brasil, onde o primeiro show aconteceu domingo passado, 07/11, em Porto Alegre. A entrevista de Zeca rendeu duas reportagens: uma para o "Fantástico", que vai ao ar no próximo domingo com a entrevista, e outra para o canal Globo News, exibida no sábado, 06/11. Essa turnê "Up And Coming Tour" tem ainda dois shows no Brasil: nos dias 21 e 22 de novembro, em São Paulo. Os ingressos para os três shows já estão todos esgotados.
Zeca nas dependências da pequena casa anexa ao moinho de Paul McCartney.
E o ex-beatle na capa da edição de novembro da revista “Rolling Stone”.
fotos: divulgação

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

BALADA LITERÁRIA 2010

Que escritor não passou pela experiência de estar diante de uma página em branco? Grandes autores escreveram e reescreveram a primeira frase de um livro várias vezes. E começar a contar uma história, disse o baiano Elenilson Nascimento, é como passar uma “cantada” numa pessoa inteiramente desconhecida.
Por isso, de 18 a 21 de novembro alguns desses “novos” autores estarão debatendo sobre o papel da literatura, traçando um mapa e processando a gênese de várias experiências, desconstruindo textos de importantes escritores, analisando os métodos utilizados para cativar os leitores e tecendo comentários sobre as estranhas e sedutoras formas pelas quais tais autores iniciaram suas obras.
Nessa “Balada Literária” já está confirmada as presenças de Odair Velloso Sampaio, Elenilson Nascimento, Paulo Lins, Sérgio Alcides, Fernando Bueno, entre outros. Contamos com a presença de todos.
Local: Balcão Cultural, Shopping Vila Rica
Rua Barão de Iguape, s/nº
Araxá – MG (entrada gratuita)
A partir das 18 horas.
imagem: divulgação

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

URGENTE – PROCURA-SE CRIANÇA DESAPARECIDA!

O amigo Laércio Garcia procura desesperadamente pelo seu filho de três anos desaparecido desde 21/06/2010. AJUDEM POR FAVOR, A DIVULGAR A FOTO DELE NA NET... “Peço ajudas a todos que, por favor, divulguem estas fotos dele na net. Pois ele sumiu da cidade de São Carlos, interior de São Paulo. Ele nasceu no Rio de Janeiro. Vindo com ele para minha terra natal, onde eu jamais poderia imaginar que eu passaria por este pesadelo. A polícia não tem nenhuma informação concreta sobre seu paradeiro. E esta sendo um mistério a forma de como este anjinho sumiu. Peço encarecidamente que orem a Deus por ele. Desde já grata a todos”, escreveu Garcia.

>>> Qualquer informação: (11)8687-5361.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

QUALQUER MISÉRAVEL AGORA TEM CARRO!

Comentário infeliz do jornalista(?) Luiz Carlos Prates, com seu cabelo ridículo pintado, na RBS/TV Globo de Santa Catarina. Para o senhor que "tudo sabe" Prates, a culpa pelos acidentes é dos pobres que, agora, vivem em "gaiolas, que eles chamam de apartamentos e por isso, frustrados, saem nos seus carros para matar pessoas". Deplorável comentário. Assista ao comentário exibido no "Jornal do Almoço", em 05/11. O senhor Prates, do alto da sua sabedoria, fala sobre o aumento no número de acidentes nas estradas catarinenses. Patético! E o pior é que essas pessoas ainda ganham para cuspirem "merdas" nas TVs.

I ENCONTRO DE ESCRITORES BAIANOS INDEPENDENTES

s vezes me questiono sobre o papel do escritor como observador. O verbo “observar” implica pôr-se para fora de (ob-servar) e não me vejo de fora para escrever. Me incluo, me corto, sofro, minto, bebo veneno, coloco minhas unhas pra fora. Sou menos um observador do que um participante da vida diária, na mesma medida em que ela participa de mim. E eu dela. Mas sofro muito por isso. Não acredito em visões de mundo como se pudéssemos, em algum momento, sairmos para observá-lo à distância e olhá-lo, descobri-lo em sua completude. Não acredito mais em muitas coisas. Poucas pessoas me atraem. Muitas tenho verdadeira repugnância. Acredito em visões no mundo. Mundos diversos. Desse modo, não o reproduzo nos meus livros. Não damos conta deste todo que ainda não é tudo, se há sempre algo mais, invisível, infinito, em retirada. A cada instante, inventamos a vida – nos inventamos – quando ela, também, a todo tempo se terá inventado (nos terá inventado) sem que jamais se deixe apreender: reproduzir coisas. Somente na constatação de que nunca somos iguais ao que fomos e ao que seremos é que nos fazemos iguais à vida bandida-partida-fudida; isto é, porque somos completamente diferentes – não apenas uns dos outros, mas de nós próprios nas peripécias do tempo. O que da vida se reproduz em nós é esta sua recusa à reprodução, à cópia, à repetição de si mesma, em nome da originalidade de lugar de cada instante, do instante de cada lugar.” (Elenilson Nascimento)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SHOW DO ALEXANDRE LEÃO NO TCA

“O tradicional evento desta vez aconteceu na Sala Principal do TCA, com a participação do Alexandre Leão.”
Por Elenilson Nascimento
São tantos shows que o meu amigo Alexandre Leão anda fazendo ultimamente que eu me perco na quantidade de informações que recebo e encontro na rede. Fora aqueles que nem ficamos sabendo, dos que foram ou dos que ainda vão rolar. Mas o Leão é sempre atencioso, educado e gentil, mas isso quando eu não pego ele naqueles dias que parece que ele acorda de ovo virado. E foi assim – todo poesia – que ele se apresentou ontem, 14/11, no “Sarau do João” no antológico Teatro Castro Alves, Salvador (BA).
João Américo é um dos especialistas mais respeitados e requisitados quando se trata de sonorização profissional. Seu nome, que virou sua marca, é sinônimo de excelência na comunicação do som, seja amplificando ou reunindo música nos palcos ou em casa. João é apaixonado por música e por músicos.
Alexandre Leão arrasando no palco do TCA.
Essa versão matutina do tradicional “Sarau do João”, com a participação de diversos artistas da Bahia, foi uma belíssima edição do projeto “Domingo no TCA”, que aconteceu na manhã desse último domingo, a partir das 11h, na Sala Principal do TCA. Do forró ao chorinho, do jazz à bossa nova, o espetáculo, com direção do maestro e compositor Tom Tavares, teve uma diversidade musical bem ao gosto do público baiano.
E o que eu e, provavelmente, vocês estamos mega curiosos para saber é como foi o show versão 2010 turbinado com uma galera talentosa e animada da Bahia. E assim-assim, como a animação acompanha à tecnologia (*viva a internet!) vêm evoluindo drasticamente, temos a chance de saber tudo aqui no blog, graças a Deus e a Iemanjá. E segundo o próprio Leão: “O show foi muito bonito, foi um dia muito feliz. Era visível a alegria e emoção de todos nós. A magia do encontro. Adorei. Vou mandar várias fotos. Quem as tirou foi Renata, esposa de Andrezão. Pra variar, fizemos um bom samba no camarim. Comigo estão Cello Costa (viola), Mestre Cacau do Pandeiro, Dudu (cavaquinho), Milton Candeias (violão), Roberto Carvalho (marcação) e João Américo. Mando mais na sequência. Abs, Leão”.
Nos bastidores, esquentando a garganta.
Com o maestro Tom Tavares, nos ensaios.
Com pose de roqueiro, na saída do TCA.
>>> Clique aqui e confira tudo o que rolou nesse show no TCA no blog oficial do Alexandre Leão.
fotos: divulgação

domingo, 14 de novembro de 2010

COMPLEXO DE TUPINIQUINÓIDE

“E vivemos sempre em arenas, somos convocados para os gigantes do Brasileirão, mas nos apequenamos em jogos mortais de uma eterna inconsciência que faz com que a nossa força se dê com uma mistura muito incompetente: cerveja, alegria e primeira divisão...”
Por Anna Carvalho*
Lembrando de um livro de Mário de Andrade, “Amar Verbo Intransitivo”, em que ele discorria a fragilidade emocional latina numa disputa de egos entre uma alemã e um brasileiro, sobre a questão de um expressionismo sórdido – e até recalcado – em busca de uma “ninguedade”, na fala de Darcy Ribeiro, ou ainda no Macunaíma, o mix de uma falta de retórica, de uma mistura indefinida, cáustica e até ingênua, da busca pela entidade política desta nação que se misturava entre o exótico cabralino à persistência voraz de uma nação cuja alegria é bem pontual, embora dramaticamente montada para que nada se mude. E caímos mais uma vez na pilha da Globo para torcermos na final de vôlei feminino.
Tentando não corresponder as máximas que catapultam a competência, a articulação ou até mesmo um trabalho psicológico ou patológico de times brasileiros que se agigantam, mas quando estão na frente, no placar, e estamos analisando não o segundo lugar perdido para a garra, mas pelo silêncio, porém a nossa vocação pelo segundo lugar -, e a incompetência das meninas do vôlei que deram apagões, hiatos, se silenciaram e perderam para o gelo da Rússia, nos defrontamos mais uma vez, portando, nesta moral tupiniquim tácita e incompreendida por nós mesmos, mas muito divulgada na alegria que se espera do Brasil.
Contudo, muito mais perguntas do que respostas nos rebelam: por que estes hiatos sempre em jogos decisivos? Por que o país investe tanto num esporte e ainda se vê anacronicamente um discurso repetido pela ausência de fibra, ou puro medo para aquele que representa tiranicamente um frio em nossa cara, em nossa dissonância transatlântica? O que fazer quando se agiganta uma certa arrogância em país que só se agiganta ante placares e se doa muito pouco? Ou o que é pior, vemos o narrador da Globo como se fosse um termômetro, aliciando opiniões e comportamentos do espectador, não somos interlocutores, assinamos sentenças.
Não dá para negar que haja competência, mas há uma competência sagrada e absoluta dos nervos latinos, operacionais e que desestabilizam como nos pênaltis das Copas que o Brasil sempre perdia, pois parece uma entidade plasmada num país que vive por acordar, mas nunca com salvos de perseverança e de enfrentamento.
E nesta emergência de que nunca sobe efetivamente, vemos brasileiros torcendo por outros que, talvez não acreditem em si mesmos ou o que é pior sentenciam que este país precisa de derrotas para que se assome uma vocação consentida, nossa e histórica, ou mais do que isso, para que se esclareça a síndrome do segundo lugar, e não do vice-campeonato e que não é demérito se a gente não visse a falta de brio ou até uma certa arrogância de uma pouco concentração para ver se decide na hora.
E mais do que isso, em nossos jogos sociais, cujo placar sempre nos desfavorece a parece que este nos desfavorecer deixa sempre fortes para as porradas futuras, é preocupante quando os outros jogos (aqueles que servem de válvula de escape, com placar eletrônico) de fato nos correspondam tão fielmente, uma vez que aqui esporte é um celeiro de alienação das massas de um nacionalismo em episódios e que se mobilizam para nos desmobilizarem em casos mais importantes, sociais.
E vivemos sempre em arenas, somos convocados para os gigantes do Brasileirão, mas nos apequenamos em jogos mortais de uma eterna inconsciência que faz com que a nossa força se dê com uma mistura muito incompetente: cerveja, alegria e primeira divisão e também faço mea culpa, mas as reflexões também deveriam fazer parte deste nosso pouco ou parco legado e que este contentamento cabralino nos faça um pouco mais fortes em arenas mais perversas e antes que eu me esqueça: Valeu BAÊEEEEEEEEEEEAAAAAAAAA!!!
A alienação estrapola as fronteiras da demência: Claudia Leitte de Mulher-Maravilha para comemorar que o time do Bahia ganhou um jogo.
* Anna Carvalho é professora de literatura em Salvador e co-autora de Elenilson Nascimento em “Clandestinos” (2010) e “Diálogos Inesperados Sobre Dificuldades Domadas” (2005). Contato: carvalhoanna141@gmail.com
fotos: Lúcio Tavora