quarta-feira, 30 de junho de 2010

DEUS COMANDA A SELEÇÃO

“Deus sempre está bem na foto. Já Dunga, chamado de anão moral porque permaneceu com uma mão do bolso enquanto a outra cumprimentava o presidente Lula, escalou um time evangélico, proibiu sexo na concentração e levou à África do Sul uma equipe sem arte.”
Por Aninha Franco*
Uma única coisa paralisa 190 milhões de brasileiros. Semicerra as casas dos banqueiros. Esfria a campanha política iniciada há mais de ano, que começará em sete de julho. Interrompe sonhos e sagas. Diminui a violência porque assaltantes, ladrões e traficantes param pra ver. Convive com a digital, analógica, grande, pequena, P&B ou colorida. Está nas casas, casebres, mansões e edifícios. E faz do Brasil, quando ganha, o melhor do mundo em alguma coisa, aumentando a autoestima. Hoje, Dunga e Deus, de letras iniciais idênticas, estão na voz do povo. Dunga malfalado, Deus, a serviço da esperança de seus conterrâneos, brasileiros como Ele, nascido na Bahia. Único capaz de fazer o Brasil vencer com esta escalação.
Deus sempre está bem na foto. Já Dunga, chamado de anão moral porque permaneceu com uma mão do bolso enquanto a outra cumprimentava o presidente Lula, escalou um time evangélico, proibiu sexo na concentração e levou à África do Sul uma equipe sem arte. Tudo é perdoável, à exceção de uma equipe sem arte, como a Bahia, a cidade do Salvador, que parou de escalar artistas pela Secult municipal e pela Secult estadual, provocando um bolão de apostas no apuro de qual das duas é a pior.
As duas são péssimas e estão apelidadas de Sepult – secretarias de sepultamento cultural, porque funcionam distantes dos artistas criadores e dos espectadores consumidores. A estadual gastou 35 milhões de reais para exibir cópias de Rodin bichadas e, recentemente, explicou que elas chegaram de Paris assim. E nós com isso? No Rodin, existe uma consultora científica com salário de R$ 22 mil mensais, que tem que saber, ao menos, receber cópias de Rodin(s) limpinhas e sem ferrugem. A municipal adquiriu 16 milhões de livros da Editora Aymará, paranaense, sem licitação. E Salvador que precisa de cultura e que, sem ela, é cidade-dormitório, parou duas vezes: a normal, para assistir à Copa, e a exasperante, promovida pelas Sepults. Se vocês ouvirem algum candidato às próximas eleições declarar que a cultura baiana vai bem, não lhe deem votos. A Bahia merece muito, e eles, como se vê, estão satisfeitos com nada.

* Aninha Franco é escritora, advogada e agente cultural. Afastada temporariamente da função de programadora artística do Teatro XVIII, essa guerreira das artes na Bahia promove programações culturais há cerca de 15 anos em Salvador (BA). Em 2006, ela assinou o prefácio da antologia “Contos Perversos” da Coleção Literatura Clandestina, e eu quase morro de tanta felicidade. Contato: aninha.franco@grupoatarde.com
fonte: Revista Muito

I PRÊMIO CLUBE DE AUTORES DE LITERATURA CONTEMPORÂNEA

“Vote nos meus livros aqui para que eles participem da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty e para que recebam selos com menções honrosas nas suas páginas. Portanto, clique abaixo e vote para que os livros ganhem mais reconhecimento e mérito.”Por Elenilson Nascimento
Todo mundo já sabe (eu acho) das dificuldades que nós, autores independentes, temos de editar e distribuir nossos trabalhos. Mas já é notória a condição do Nobel como o maior prêmio literário mundial, tanto que o Lula quer ganhar a todo custo o Nobel da Paz! Menos notório é o significado real dessa condição: o Nobel é o maior prêmio porque tem a maior premiação, em torno de 1 milhão de dólares. Fora isso, tudo é duvidoso. A começar do fato de o Nobel de literatura ter-se transformado, de maneira mais ou menos confessada, em um prêmio rotativo multiculturalista. O que não é absolutamente uma homenagem às literaturas nacionais premiadas como crêem os ingênuos, mas uma profunda (des)homenagem, pois fica implícito, pela própria rotatividade do prêmio, que quem ganha em primeiro lugar são as supostas “amizades” estabelecidas.
Como eu ainda não tenho “amizades” estabelecidas nesse meio, vou galgando degraus aqui mesmo. Pena que os prêmios nunca são em dinheiro, mas em livros. Mas a Gisele Bündchen recebe sapatos e roupas como pagamento pelos desfiles? NÃO! Rubens Barrichello recebe gasolina como prêmio quando ganha uma corrida? NÃO! David Beckham recebe chuteiras como prêmio do Milan, da Itália, pelos seus gols? NÃO! O Guga recebia bolinhas de tênis quando jogava? NÃO! A Ivete e os pagodeiros recebem CDs como pagamento pelos seus shows? NÃO! Mas a maioria dos autores “sem mídia” recebe livros! Não que isso seja uma coisa ruim. Mas bem que poderia rolar uma premiação em grana!
Portanto, amigos leitores e ledores, o meu recém-lançado romance “Clandestinos” (2010) está concorrendo ao “I Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea”, criado pela editora Clube de Autores e afiliados. Além dele, outros três livros meus estão concorrendo na mesma categoria:
O reeditado “Palavras Faladas Fadadas Palavras” (2010) – meu primeiro livro de poemas; “Memórias de um Herege Compulsivo” (2009) – meu livro de contos; e a antologia de poemas que eu organizei “Poemas de Mil Compassos” (2009). Em suma, vote em todos os QUATRO e mande todos os amigos e inimigos votarem também até o dia 30/06.
O “I Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea”, criado em conjunto com a comunidade autoral e editora Clube de Autores, está dividido em duas etapas:
Na primeira (que vai até o final de junho), todas as obras inscritas serão submetidas a votação popular pela capa e sinopse. As 10 que receberem melhores notas e votos irão para a segunda e última etapa, com análise (também popular) do primeiro capítulo da obra. Indo até o final de julho, esta segunda etapa coroará o vencedor com uma tiragem de 50 exemplares, revisão ortográfica e gramatical e espaço para lançamento de sua obra na Flip - Festa Literária Internacional de Paraty. Tanto os finalistas quanto o vencedor levarão selos com menções honrosas nas páginas dos seus livros. Portanto, clique abaixo e vote para que os livros ganhem mais reconhecimento e mérito.
P.S. Em suma, clique no link abaixo, entre no site da editora, clique nas QUATRO CAPAS e vote para que os meus livros ganhem mais reconhecimento e mérito. Pô gente, me ajuda a espalhar isso na rede. Coloque nos seus blogs, Orkuts e Twitters e etc...
fonte: Clube de Autores

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A DOR DOS OUTROS E A MORTE COLETIVA DE CIDADES

"Quais os efeitos, sobre o telespectador das cenas de guerra, da busca por sobreviventes, do drama de quem perde tudo, se, em seguida, o fluxo narrativo, sobretudo no caso específico da televisão, o convida a seguir adiante para ver o quanto a população local está mobilizada para as comemorações do São João, para o próximo jogo do Brasil na Copa do Mundo e para acompanhar os bastidores de tudo o que acontece na África do Sul?”Por Malu Fontes*
Entre a cobertura onipresente da Copa do Mundo e seus bastidores e a mobilização da população das capitais do nordeste para as comemorações do São João, o telespectador foi surpreendido por uma tragédia traduzida em imagens apocalípticas só comparáveis em dimensão às cenas do terremoto do Haiti e do soterramento dos moradores do Morro do Bumba, em Niterói, no Rio de Janeiro. Pelo menos 17 cidades dos estados de Alagoas e Pernambuco foram quase que completamente destruídas por enchentes desde o início desta semana. Em Branquinha, Alagoas, mais de 90% de toda a estrutura urbana, incluídas residências, ruas e todos os órgãos administrativos, foram destruídas, numa escala jamais vista no Brasil.
Tsunamis, Katrina, terremotos no Haiti, no Chile, na China. As enchentes em Santa Catarina, São Paulo, no Paraná, em Minas e no Rio Grande do Sul. Os desabamentos de terra e soterramentos em Angra dos Reis e no Morro do Bumba, no Rio de Janeiro. A destruição em série de pequenas cidades de Alagoas e Pernambuco justamente num período em que as lentes das TVs estão voltadas para o Nordeste por conta do São João. A sucessão das tragédias ditas naturais vem se dando em um fluxo tão intenso que, à medida que se repetem traduzidas sob a forma de imagens chocantes na tela da TV, contribuem, paradoxalmente, para a banalização da dor dos outros.
CRIMES SEXUAIS - Em uma das obras mais importantes do século XX para a compreensão do impacto, do choque causado pelas imagens que estampam a cada um de nós as dores alheias, de gente tão distante da maioria dos indivíduos que consomem essas cenas, a ensaísta e escritora Susan Sontag, falecida em 2004, aborda exatamente esse aspecto: em que medida a sucessão de imagens trágicas contribui para que o espectador destas sensibilize-se ou acostume-se anestesiadamente à dor dos outros, ao ponto de consumi-la como um elemento de mobilização à ação ou apenas como um espetáculo a mais? Quais os efeitos, sobre o telespectador das cenas de guerra, da busca por sobreviventes, do drama de quem perde tudo, se, em seguida, o fluxo narrativo, sobretudo no caso específico da televisão, o convida a seguir adiante para ver o quanto a população local está mobilizada para as comemorações do São João, para o próximo jogo do Brasil na Copa do Mundo e para acompanhar os bastidores de tudo o que acontece na África do Sul?
Embora o terremoto do Haiti, em termos cronológicos, seja algo tão recente, no contexto do fluxo ininterrupto e da velocidade com que são consumidas as informações de todo o mundo via televisão, é fato que a tragédia parece, sim, já algo distante, esmaecendo-se no tempo. No entanto, para os moradores do Haiti, as conseqüências do terremoto continuam tão ou mais insuportáveis quanto no dia seguinte. Os principais jornais internacionais e as redes de televisão que ‘cobrem’ o mundo noticiam a explosão da prostituição, sobretudo infantil, como forma de sobrevivência das famílias que sobreviventes, e dos alarmantes índices de crimes sexuais ocorridos. Mas, quem no mundo se importa mais com o Haiti. Na TV, o tempo e a velocidade, urgem e rugem, de modo que o que aconteceu ontem, mesmo que continue promovendo conseqüências hoje, vai para a caixa do centro de documentação e só importa para, no máximo, a construção da narrativa de uma ‘reportagem especial’, quando muito.
“...É tempo de Copa do Mundo e, quanto mais o Brasil ficar bem na fita da bola, maiores os riscos de as vítimas serem esmaecidas pela festa.”
KUDUZELAS E DUNGA - Neste contexto, em que a dor dos outros entra em cena num fluxo onde o espetáculo e a dor podem ter relevância e impacto iguais, o que se viu de trágico sobre a população das cidades de Pernambuco e Alagoas nas edições noturnas dos telejornais brasileiros de terça e quarta-feira, corre o risco de, para o resto do país, tornar-se tão somente um punhado de conteúdo de realidade espremido no sanduíche formado pelo som das vuzuzelas, kuduzelas e pelos fogos de São João. Vale lembrar que, a favor disso, ou seja, da tendência ao esquecimento acerca de tamanha tragédia, acumulam-se fatores: trata-se do Nordeste, sempre considerado a periferia esquecível do Brasil rico, são cidades pequenas sobre as quais pouco ou nada se ouvia falar, é tempo de Copa do Mundo e, quanto mais o Brasil ficar bem na fita da bola, maiores os riscos de as vítimas serem esmaecidas pela festa.
Como a desfaçatez do mundo político não conhece limites, quando dezenas de mortos eram anunciados e mil pessoas eram anunciadas nas contas iniciais como desaparecidas, ou seja, poderiam estar mortas, a Presidência da República anuncia uma ‘ajuda’ imediata que deveria ser traduzida claramente para a população como algo para além do mau gosto e do cinismo: o governo vai liberar o FGTS das vítimas sobreviventes para que elas reconstruam suas casas e suas vidas. Em que mundo vive a classe política? Quanto, de FGTS, têm famílias de pequeníssimas cidades do interior do Nordeste? Anunciar como ajuda aquilo que já é a última coisa que, poucas, raríssimas entre aquelas vítimas, têm beira à mentira, já que o FGTS não pertence ao governo, mas ao próprio trabalhador. Afora isso, o apelo do imbróglio Globo versus Dunga é por demais tentador. Entretanto, em nome de Branquinha, a prioridade da abordagem naufragou.

+ O chatérrimo programa da família brasileira, o “Fantástico”, mostrou ontem, 27/06, numa das poucas reportagens que valessem a pena, cenas dessa tragédia anunciada no Nordeste. Imagens impressionantes, que revelam a força da água e a incompetência dos Poderes Públicos. Várias cidades foram destruídas e no caminho, vários deslizamentos de terra, estradas intransitáveis e mais chuva.

* Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. Contato: maluzes@gmail.com

sábado, 26 de junho de 2010

ESTÁTUA DE MICHAEL JACKSON É INAUGURADA EM MORRO CARIOCA

Por Elenilson Nascimento
Por essa a Bahia não esperava. Lembram que eu postei aqui na LC, tempos atrás, que a vereadora de Salvador (BA), Leo Kret, por total falta do que fazer, quer homenagear Michael Jackson com o “Título de Cidadão Soteropolitano" e ainda inaugurar uma estátua em sua homenagem no Pelourinho? - clique aqui e leia o insano da insana. Pois o pessoal do Rio de Janeiro passou na frente. O Morro Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, inaugurou neste sábado, 26/06, uma estátua em bronze do cantor Michael Jackson. A imagem desenhada pelo cartunista Ique foi fixada na mesma laje onde o astro do pop gravou parte do clipe “They Don’t Care About Us”, em 1996.
A estátua, que reproduz um Michael com a camisa do Olodum rasgada, assim como no clipe gravado na comunidade, emocionou muita gente. Os moradores da favela acreditam que a estátua vai ajudar a deixar a comunidade ainda mais conhecida no exterior. Outros famosos como Madonna, Alicia Keys, Beyoncé, o ator Hugh Jackman e Bono Vox também já visitaram o local. Só acho estranho que só depois da morte de um famoso é que esse povo acha de prestar homenagens. Me poupe viu!foto: divulgação

FOREVER, MICHAEL!

“Junto com os Beatles, Dylan, Elvis, a própria Madonna, Michael Jackson foi um dos nomes mais importantes da música no século 20. Teve um papel revolucionário e com o seu “Thriller” norteou gerações inteiras. E da mesma forma que foi criado pela indústria do pop, foi destruído por ela.”Por Elenilson Nascimento
Há cerca de um ano atrás, em 25 de junho de 2009, o mundo da música perdia um dos seus maiores ícones do pop, Michael Jackson. Os rumores sobre a morte do popstar começaram a aparecer na internet de maneira confusa. É incrível que já tenha se passado um ano desde que Michael morreu. É incrível também como ainda parece mentira. Talvez por causa desse fato, a música de Michael tenha estado tão presente e justamente tem feito com que pareça que ele não se foi.
Mas o rei do pop que mudou o mundo com seu ritmo e danças exuberantes, autor do sucesso “Thriller”, música que dá título a um dos discos mais vendidos da história - 100 milhões de cópias -, está morto, vítima de um ataque cardíaco. Tinha apenas 51 anos. Chegava ao fim a carreira do cantor que começou ao lado de seus quatro irmãos, nos Jackson Five, um grupo de garotos que encantou o mundo inteiro nas décadas de 1960 e 1970, com sucessos como “I'll Be There”, “I Want You Back” e outros.
Um artista cuja biografia polêmica incluía as inúmeras cirurgias plásticas, o branqueamento da pele, o longo processo por assédio a um menor, acusação da qual foi inocentado (e que, provavelmente, tudo não passou de uma “armação” dos pais mercenários do garoto), a vida reclusa no rancho Neverland em meio a um parque de diversões e um zoológico, e as famigeradas dívidas.
Eram tempos difíceis para alguém que era aclamado no mundo todo como o “Rei do Pop”. E afundado nas dívidas, Michael se preparava para uma série quase absurda de shows que aconteceriam em Londres, que a Globo vai transmitir amanhã, 27/06, o especial “This Is It", em homenagem a Michael, após o chatérrimo do Fantástico. O filme contém cenas de ensaios, tipo o que Madonna fez nos anos 90 com o “Na Cama com Madonna”. Mas no caso de Michael, como todo mundo sabe, os shows acabaram não acontecendo por conta da morte do artista. Recentemente, até a cantora Lady Gaga afirmou que abriria as apresentações de Michael.
“This Is It” estava marcado para estrear em Londres em 13 de julho do ano passado. A série de 50 concertos em diversos países do mundo marcaria a última turnê do artista e também seu retorno dele aos palcos depois de quase oito anos sem apresentações públicas.
O retorno do maior ícone da música não poderia ser diferente, teria que ser triunfal. Mas, do lado de cá, os fãs recebiam notícias de que Michael estava morto. E entre boatos, notícias desencontradas e muita comoção, sites, jornais e TVs americanas corriam para confirmar o que não queriam. Até aqui na LITERATURA CLANDESTINA o poeta Alfredo de Morais escreveu uma crônica sobre o assunto, incluindo também a morte da eterna pantera Farrah Fawcett: “Já Michael Jackson, com sua mágica e suas esquisitices, fez com que muitos viajassem em seus passos da Lua e na sua busca pela eterna juventude. Michael era a personificação do Peter Pan, e junto com ele vivemos em sua Terra do Nunca.”clique aqui e leia a crônica completa.
E segundo o meu amigo poeta e ator Fernando Diamantino: “Ídolos nascem com a mesma força que morrem. Trajetórias de inclusão, de reconhecimento público, de oportunidades, onde o talento salta e soma ao “dom” que vem de Deus. Escolhidos – entram em casas, arrastam multidões, fazem chorar, rir e despertam a idolatria nos seres ditos comuns. Cantar com a alma: Frank Sinatra, Piaf, Callas, Elis, Elvis... indiscutivelmente estão além de qualquer suspeita, de emoção e de qualidade. Michael Jackson misturou tudo isso a história de vida, dom, talento, qualidade, lirismo e solidão. O sucesso o fez querer ser menino para sempre, agir como se fosse eterna criança. Não posso julgar, posso apenas falar do olhar, tudo que me chegava e me emocionava. Pouco importa os escândalos, porque não sabemos de nada – se procedem ou se a mídia se beneficiava de tanto sucesso. A mídia faz e desfaz qualquer movimento, qualquer pessoa. E se ela vê que não consegue porque é tanto sucesso ela parte para a difamação. Notório escândalo pessoal: se transformar em “branco” e tantas escolhas pessoais que afetaram seus desempenhos e saúde. Ele pagou e paga até hoje por suas escolhas. Não se julga mais. Ídolo não se contesta! Viver é a mais fácil tarefa. Administrar dinheiro, fama, paparazzi, privacidade, liberdade, cuidado pessoal, espiritual tudo isso é uma tarefa quase que impossível. Há aqueles que conseguem, mas há também aqueles que são puro amor e que falta habilidade para administrar-se. Estes quase sempre escolhem viver, porque viver é melhor do que sonhar. Michael Jackson viveu, para muitos de forma estranha, e o que é estranho? O limite é não matar, é não roubar, é contribuir para o bem e isto inegavelmente ele o fez”.
E nessa comoção generalizada, até a rainha suprema do pop, Madonna, sua companheira de reinado e 13 dias mais velha do que Michael - ambos nasceram em agosto de 1958 -, disse à revista “People” à época que não conseguia parar de chorar desde que recebeu a triste notícia. Ela e seus fãs em todo o mundo, que se reuniam em lugares públicos, depositavam flores, fotos, ouviam e cantavam as canções de Michael entre lágrimas. Exagero? Pode até ser. Mas, uma coisa temos que concordar: junto com os Beatles, Dylan, Elvis, a própria Madonna, Michael Jackson foi um dos nomes mais importantes da música no século 20. Teve um papel revolucionário e com o seu “Thriller” norteou gerações inteiras. E da mesma forma que foi criado pela indústria do pop, foi destruído por ela.
E um ano após a sua morte, as homenagens também se multiplicam, na calçada da fama, em Los Angeles e no cemitério Forest Lawn Memorial Park, que recebeu cerca de 2 mil fãs e onde os administradores armaram uma estrutura para comportar flores, fotos e cartões perto do túmulo de Michael, apesar de o mausoléu estar fechado. No ano passado, grandes homenagens foram prestadas em 7 de julho, durante um memorial realizado no palco do Staples Center, onde ele ensaiava o show da turnê, em Los Angeles, com participação de Mariah Carey e Trey Lorenz cantando “All Be There”, Stevie Wonder cantou lindamente “I Never Dreamed You'd Leave in Summer”, além de depoimentos emocionados da amiga Brooke Shields, Bernice A. King e Martin Luther King III, filhos do líder Martin Luther King, entre outros artistas.
Hoje, 26/06, acontecerá um evento em Los Angeles chamado "Forever Michael", que não foi aprovado pelos representantes legais do cantor, mas sim por sua mãe, e que servirá para apresentar oficialmente o livro "Never Can Say Good Bye: The Katherine Jackson Story". Os atos em memória de Jackson vão se estender pelo fim de semana em shows pela Europa. E aqui na LITERATURA CLANDESTINA também fazemos a nossa parte. Para todos os fãs e admiradores do trabalho de Michael, esse disco exclusivo “You Mix My World”, produzido pelo DJ KJota. Forever Michael!
+ Confira aqui também uma edição bem bacana do filme "A Roda da Fortuna" (1953) com o Fred Astaire e com a trilha de "Smooth Criminal" (1988) de Michael Jackson, feita por um fã.
fonte do disco: Net Music Sets by Dj Kjota
fotos: divulgação

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O POLITICAMENTE INCORRETO

“Os politicamente incorretos não são “ignorantes” e a sua genialidade é professada pelo tênue detalhe certo entre o humor a inteligência, coisa que falta à equipe de Marcelo Tas.”
Por Anna Carvalho*
O humorista Danilo Gentili postou a seguinte piada no seu Twitter:
"King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loura. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?"
Depois mais outras asneiras “politicamente incorretas”:
“Mas o que quero dizer é que, na verdade, não sei qual o problema em chamar um preto de preto. Esse é o nome da cor não é? Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta. Se querem igualdade deveriam assumir o termo "preto", pois esse é o nome da cor. Não fica destoante isso: "Branco, Amarelo, Vermelho, Negro?”. O Darth Vader pra mim é negro. Mas o Bill Cosby, Richard Pryor e Eddie Murphy que inspiram meu trabalho, não. Mas se gostam tanto assim do termo negro, ok, eu uso, não vejo problemas. No fim das contas, é só uma palavra. E embora o dicionário seja um dos livros mais vendidos do mundo, penso que palavras não definem muitas coisas e sim atitudes”.
Bem, alguém deveria dizer para este rapaz que para ser politicamente incorreto tem que ser genial, e ele não o é, como o seu programa CQC que é uma grosseira imitação do Pânico na TV (OUTRA COVARDIA QUE VIVE PARA DENIGRIR A IMAGEM DE PESSOAS COMUNS, DE ARTISTAS E DELES MESMOS), aliás, nada na TV brasileira é original, são copistas.
Algumas coisas no país recitam uma desordem por tanta busca do politicamente correto, mas é degradante que um imbecil desse não preste atenção que, por ser atenção de muita gente na TV, não pode sair desconsiderando a causa de milhares de brasileiros que são vitimados pela história, pela retórica opressora das elites, e olha que é uma loura de cor de olhos recessivo quem escreve, mas como diria Michael Jackson: “Não quero viver sob uma cor”. E como no nosso país racismo é covardemente velado por posturas arrogantes como a sua, isso é no mínimo necessário, como é necessário se caracterizar que este país não sabe discutir questões sérias e a metáfora infeliz libera o formol de uma ditadura estética, esquizofrênica que ecoa nas berlindas da elite brasileira.
Aliás, concordo quando Danilo diz que ser comparado a uma girafa o denigre e entre uma girafa e um macaco, a girafa é a metáfora pior. Para a girafa (com certeza) ser comparada com alguém da sua estirpe, agora isto acena para um país que não resolve problemas, mas os esconde em debates velados e cromoterápicos, segmentados, com as políticas afirmativas e a discussão étnica sendo vítima do oportunismo barato de alguns. LAMENTÁVEL!
E, talvez esse rapaz deva entrevistar jogadores de futebol (que também provam que ser brasileiro é uma questão de oportunismo, vide os diplomatas da seleção burocrática do jogo contra Portugal) e bater continência para eles porque os programas humorísticos da TV aberta estão confundindo inteligência, humor rápido com grosseria, com empáfia, com falta de educação e escracho, aliás, o Casseta e Planeta está aí para não me deixar mentir, esses “palhaços” modernos não fazem o humor fino como forma de alegrar ou de simplesmente causar o riso inofensivo, os de hoje fazem o escracho e a zombaria, com a baixeza, o torpe e ainda se acham politicamente incorretos.
Detalhe: politicamente incorretos não são “ignorantes” e a sua genialidade é professada pelo tênue detalhe certo entre o humor a inteligência, coisa que falta à equipe de Marcelo Tas. Mas uma coisa eu acho necessária: falar dos melindres com que as discussões nos levam a estarmos reféns de circunstâncias do politicamente correto lamentável, porém o Brasil não alforriou os seus negros, brancos, mamelucos, silvícolas, mulheres, classe média “rapaziada” de Gonzaguinha, uma vez que anda estamos à mercê de um país que degreda sem o assinte sintomático de um navio negreiro. Ah! Palavras definem muitas coisas, inclusive o humor que vocês fazem: “COVARDE” (POR FAVOR, COM SIGNIFICADO LITERAL NO VELHO E BOM DICIONÁRIO).

* Anna Carvalho é professora de literatura em Salvador e co-autora de Elenilson Nascimento em “Clandestinos” (2010) e “Diálogos Inesperados Sobre Dificuldades Domadas” (2005). Contato: carvalhoanna141@gmail.com
fotos: divulgação

TRAGÉDIA NO NORDESTE

“Me emocionei. Primeiro por ver aquela situação. Depois por ver a gratidão do povo. Um cidadão que estava ali com o pé enfiado naquela lama fedida poderia estar xingando o presidente e o governador, mas, não, estavam ali agradecendo”, disse o Lula pouco depois de visitar a praça principal de Palmares (PE), uma das cidades mais atingidas pelas enchentes no Nordeste.
Por Elenilson Nascimento
Como sempre, só depois das tragédias despontarem no horizonte, é que o presidente Lula vai se lembrar que aqui também existem pessoas, além de possíveis eleitores. Lula, no alto da sua sabedoria, disse nesta quarta-feira, 25/06, que os moradores de Alagoas e Pernambuco atingidos pelas chuvas "foram vítimas de uma coisa que não tem explicação". A coisa sem explicação citada pelo nosso presidente foi o temporal já matou 44 pessoas nos dois Estados.
Mas por que as “Cristiane Torloni da vida” não se preocupam com o que acontece no Nordeste? Por que não se faz vigília ou movimentação pelos flagelados das chuvas do Nordeste? Por que as “Cristiane Torloni da vida” não se preocupam também com as famílias de brasileiros pobres de Roraima, que foram expulsos da Raposa/Serra do Sol, onde moravam há séculos ou com os mortos e desabrigados de Alagoas e Pernambuco? Por que a grande mídia não se preocupa com o Nordeste como se preocupou com Santa Catarina? Por que o governo federal quer doar R$ 25 milhões para a Palestina, justamente agora que o Nordeste afunda na lama e o Rio Grande do Sul sofre com a seca?
"Foi uma tromba d'água que choveu em um dia o que não chovia em um mês", foi só o que o disse Lula sobre a tragédia no Nordeste, em Luziânia (GO), durante discurso na cerimônia em que assinou a medida provisória que cria o programa "Cinema Perto de Você", que tem como objetivo incentivar e ampliar o acesso ao cinema no país. Enquanto isso, o Maranhão continua sendo castigado pelas fortes chuvas que estão acabando com a região. Tudo porque nesses oito anos de crescimento propagandeando pelo governo, absolutamente NADA foi feito de eficiente nas regiões mais pobres desse país. Segundo a Defesa Civil já são 8,5 mil pessoas atingidas e 3 mil desabrigados. As escolas estão sem aulas, pois servem de alojamento para os desabrigados que não têm para onde ir.
Cidades inteiras no Nordeste correm o risco de ficarem sem alimentação, pois a principal estrada responsável pelo tráfego de caminhões está quebrada (*como quebrada se o governo vive divulgando os investimentos nas estradas?) e já começam a faltar alimentos nos supermercados da cidade. Nesse eminente caos, há aproveitadores que andam roubando as casas alagadas. A polícia deveria estar dando segurança, fazendo rondas. Segundo fontes, as cidades de Caxias, Peritoró, Dom Pedro, Bacabal, Tumtum, Coroata, Imperatriz e outras, além de Codó, estão debaixo da água. Ontem, do alto de uma caçamba de camionete, cercado por uma multidão de “admiradores alienados” atolados no barro, o presidente Lula aproveitou para fazer mais campanha para a mãe do PAC e também, para contemplar o lamaçal em que se transformou a Praça Paulo Paranhos e chorou. Chorou muito. Talvez lembrando do pouco que deve ter feito aqui dentro ao invés de ficar viajando e fazendo amizades estranhas
Na trajetória que o levou de Caetés, distante apenas 120 km de Palmares, ao Palácio do Planalto, Lula sofreu na pele o drama das enchentes. Ao longo de quase oito anos de governo, ele repetiu muitas vezes as dificuldades enfrentadas na Vila Cruzeiro, em São Paulo, onde ajudava a mãe a levantar os móveis da casa e tinha que ir descalço até o ponto de ônibus para não sujar o único par de sapatos nas enchentes constantes do bairro. Tá, Lula! Mas agora, o que será feito?
Agora a pouco, na manhã desta quinta-feira, Lula apareceu na televisão calçando um par de botas de borracha e enfiando o pé na lama para ver de perto a situação das vítimas da chuva. A visita presidencial ao centro Palmares não estava no roteiro da visita que previa apenas um sobrevoo às áreas atingidas e uma conversa com os responsáveis por controlar a situação.
Para desespero dos assessores, Lula insistiu em dar uma volta no centro da cidade para ver de perto os estragos causados pela chuva. “Vi muitas fotos e filmes, mas nenhum mostra o que vimos aqui hoje”, disse. No lamaçal que um dia foi a praça central de Palmares, em vez de cobranças, Lula disse só ter ouvido agradecimentos e aplausos.
E com uma camisa vermelha de mangas longas enlameada nas costas, o presidente não se contentou em apenas ver. Lula calçou um par de botas de borracha e foi andar no brejo sujo. Melhor propaganda impossível! Ladeado por dois governadores candidatos à reeleição (lógico!), Lula, que não tem medido esforços para alavancar a candidatura da sua ex-ministra da Casa Civil e a mãe do PAC, Dilma Rousseff, pediu aos prefeitos da região que não deixem a disputa eleitoral contaminar os trabalhos de socorro às vítimas e reconstrução das cidades atingidas. “Não permitam que as eleições de 3 de outubro atrapalhem este trabalho”. Pois é. Agora, eu só quero saber o que o governo vai fazer além de chorar na lama?
Número de desabrigados, pessoas que perderam suas casas, ultrapassa os cinquenta e dois mil. (foto: Evaristo Sá/AFP)
Lula sobrevoou de helicóptero área atingida pelas enchentes. (foto: AFP)
Militares das forças armadas chegaram à região para ajudar na distribuição dos donativos. (foto: Evaristo Sá/AFP)
Estragos causados pelas chuvas às margens do rio Mundaú, em União do Palmares, na Zona da Mata de Alagoas, nesta quarta-feira. (foto: Agência Estado)
Forte enxurrada "varreu" cidades e Alagoas tem 22 municípios afetados pelas chuvas, sendo 15 em estado de calamidade pública. (foto: Agência Brasil)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A FÓRMULA FÁCIL PETISTA

“A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” (Paulo Freire)
Por Anna Carvalho*
Vi ontem com total desconfiança, descrédito e muito desencantada, como professora que sou, o governo populista petista se propondo a fazer lobby com a educação, viabilizando o frágil e inexorável ENEM para ser um certificado de conclusão para o ensino médio para adultos com dezoito anos completos.
Claro que não vou desdobrar sobre a formação moral, política fundamentalista do ministro da educação, Fernando Haddad, advogado de formação e marxista por vocação pletora ou demagógica, dedilhando teses sobre a educação, sucateando o que o governo já faz com muita incompetência. Falando de formação de professores, mas não vendo o que este governo (todos os governos) não faz com a educação pública, implementando a formação de analfabetismo funcional sem direito a reprovação.
Mascarando os números do MEC, o ENEM vem cumprindo uma fórmula territorializada (escolas públicas X escolas particulares) de unificação do ensino, sabendo-se que ele é frágil, fácil, incompetente e feito para a manipulação de dados em torno de números que mascarem a verdadeira face negra do analfabetismo ou analfabetismo funcional do brasileiro, basta ser um pouco inteligente para ver que o Brasil está muito mal das pernas, uma vez que não há mão de obra especializada ou de nível para suprirem hiatos em cargos funcionais.
Na fala do ministro: “Dar aula não é nada simples”. Mas eu diria mais senhor ministro, a educação não é nada simples ou simplista com uma prova com nível de desempenho bem questionável para que um advogado venha municiar os princípios do MEC que a cada ano anuncia mudanças mas sem nada de efetivo ou definitivo (nem mencionarei a estranha tentativa de se mudar a concepção do ensino médio), não irei nem mencionar a estupidez do vazamento das provas que o senhor entendeu ser uma jogada política ou qualquer coisa “armada” numa reação bem petista de justificar erros imputando culpa nos outros.
Aliás, essa gente do MEC enuncia a educação sem sequer dar aula em sala de aula, não sabendo que agora, por exemplo, algumas salas de aula decreptas, arrasadas estruturalmente e vazias ou despencando, salobras, úmidas, cheias de descaso oportunista e o senhor falando em conjecturas e na viabilização de um facilitador para que a educação seja de uma vez sepultada, depredada com enunciativas fáceis para se resolver um problema que se arrasta. Aliás basta ir em qualquer Secretaria de Educação local para ver do que a educação é feita de BUROCRACIA.
Provando que o país não nos dá álibi, com a sua fórmula fácil, não valoriza professores, teme a consciência dos alunos, sucateia o processo de formação de ambos porque sabe que a educação é a saída para esta política ávida, complexa, sofisticada e que alimenta esta cortesia de votos por Bolsa Família ou por qualquer outra coisa em governos que o sucedam, legitimando que este país mantenha a maldita “Ordem e Progresso” para poucos.
Obs. Vou fazer um adendo: Alcides, aluno que foi aprovado pelas cotas, com um futuro brilhante e sendo admitido como um grande pesquisador futuro, saída para o alto grau de miserabilidade que ele e as suas rimas herdaram do país, foi assassinado perto de casa, porque indulgentemente as cotas só absorveram a sua capacidade intelectual, mas não a sua condição de viver em área de risco social, provando que o Brasil não pode, não deve viver de soluções simplistas.
+ Com um método já aplicado em países de bom ensino, o Brasil começa a investigar o dia a dia nas escolas. Confira a matéria dessa semana da Vejaclique aqui. Segundo a matéria, “numa manifestação de flagrante corporativismo, os professores brasileiros chegaram até a se insurgir contra a presença dos avaliadores dentro da sala de aula. Em Pernambuco, o sindicato rotulou a prática de "patrulhamento" e "repressão".
* Anna Carvalho é professora de literatura em Salvador e co-autora de Elenilson Nascimento em “Clandestinos” (2010) e “Diálogos Inesperados Sobre Dificuldades Domadas” (2005). Contato: carvalhoanna141@gmail.com
fotos: Correio da Bahia

quarta-feira, 23 de junho de 2010

ANA MARIA BRAGA DESABAFA AO VIVO SOBRE BOATO

“Não tenho vergonha de nenhuma das minhas escolhas pessoais, sempre fiz da minha vida um livro aberto. Se me apaixono, eu me caso. O amor é meu e eu dou a quem eu acho que mereço. Neste momento estou sofrendo uma calúnia, uma difamação.” (Ana Maria Braga)Por Elenilson Nascimento
No ambiente de trabalho, a fofoca é tão prejudicial que pode provocar baixo desempenho dos profissionais afetados e, consequentemente, de toda a equipe. Por isso, identificar aquele que espalha e distorce as notícias é o primeiro passo para equilibrar o ambiente. Eu não gosto do programa da Ana Maria Braga, mas confesso que gostei muito do que ela fez hoje. A apresentadora desabafou ao vivo, no “Mais Você”, sobre uma matéria publicada nesta quarta-feira, 23/06, na sempre péssima e maledicente revista “Quem”. E, dessa forma, ela tenta identificar os fofoqueiros (*coisa que mais existe na imprensa e pela internet) e equilibrar o seu ambiente.
Ana se emocionou e leu um comunicado enviado ontem à imprensa, em que ela nega qualquer envolvimento com seu professor de dança do quadro “Dança dos Famosos”. E mesmo se ela estivesse com ele, o que os outros têm a ver com isso? A matéria afirma que a crise no casamento da apresentadora começou com uma traição do ex-marido Marcelo Frisoni. Depois foi Ana Maria quem se envolveu com outra pessoa, que seria o tal professor de dança Renato Zóia (foto acima).
A apresentadora informou que entrou com uma ação civil de reparação de danos morais contra a revista e uma ação criminal por difamação e injúria contra as jornalistas que assinam a matéria e seus editores responsáveis. “Eles terão que provar na justiça que isso é verdade”, disse ela, deixando claro que foi a primeira vez que toma uma medida legal contra uma publicação. Chorando, ela disse que faz isso pelos filhos. “Eles são as únicas pessoas no mundo a quem devo explicações. A justiça vai ser feita”, completou. Confira o vídeo abaixo:

+ Leia trechos do comunicado:
“Prezo veementemente pela transparência e verdade, tanto na minha vida pessoal como na minha carreira. Respeito a imprensa e infelizmente não fui tratada de forma semelhante por esta revista”, diz a apresentadora no comunicado. “É preciso que a imprensa repense suas publicações. Que não use essa ferramenta tão importante em prol de vendas e desrespeite de forma absoluta minha vida, meus filhos, o Marcelo, minha credibilidade, conquistada nesses anos todos de vida e de trabalho”, continua. “Tenho como princípio de vida sempre falar a verdade, assumo todos os meus atos e ações de forma clara e explícita. Portanto, afirmo que essa matéria é mentirosa”. E depois de ler o comunicado que enviou à imprensa na noite de terça-feira, 22/06, Ana deixou claro que irá processar a revista, os jornalistas e seus editores. Mas esse tipo de imprensa sobrevive porque os próprios artistas deixam as suas intimidades expostas 24 horas no ar e também porque existes muitas pessoas que consomem esse tipo de publicação. Mas achei muito pertinente as colocações da Ana Maria Braga.
fotos: divulgação

COMO É QUE PODE ISSO?

A Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb) lançou processo seletivo simplificado (Reda) para contratação de pessoal em caráter temporário para a Coordenação de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Estado da Bahia (Planserv). São oferecidas SETE vagas com carga horária semanal de 40 horas. O Governo do Estado, cujo partido em tempos atrás criticava tanto os contratos temporários via REDA, usa e abusa de tal instrumento na atual administração, desrespeitando princípios básicos legais como o da moralidade e frustrado a expectativa dos que se dedicam aos concursos públicos: NUNCA antes vimos tantas seleções REDA, que servem somente aos propósitos de servir a apadrinhados políticos! E ainda dizem que aqui é “Terra de todos nós”… só rindo! Abaixo, o comentário que eu deixei para eles no blog do tal concurso. >>> clique aqui e confira a palhaçada!
fonte: A Tarde

NOTA DE UTILIDADE PÚBLICA

“É patético ver que Dilma não é capaz de se assegurar no poder sozinha e vive por se escorar na onipresença (lamentável ) de Lula.”Por Anna Carvalho*
Como em política nada é escondido, todos sabem que o governo do Estado da Bahia não age na surdina, não faz lobby, acho que mérito dessa inércia da impunidade e da maldita aceitação em lavagem cerebral de Bolsas Família, de Lula (um ótimo algoz populista); e a Embasa escolheu - em pleno São João - consertar válvulas antigas, deixando inúmeras pessoas sem água, numa atitude descabida e que revela o grau de bestialidade democrática que Salvador se coloca aos pés destes lunáticos lobistas do PT que só fazem negociar e mais nada. Nada de operante, só negociadores e empáfia.
Aliás, o governador tem uma home page em que você manda e-mails diretamente para ele. Mais uma lenda urbana? Como o metrô de Salvador que já é uma lenda urbana, como a loura do banheiro. Mas acho que o demérito deste país também reside em máximas como a de que política e religião não se discutem. Discutem-se sim, mas mais do que discutir é ver o poder velado de um pastor petista estando em lugares que ele não pode estar, ou seja, é patético ver que Dilma não é capaz de se assegurar no poder sozinha e vive por se escorar na onipresença (lamentável) de Lula.
Nos poleiros da Copa que, aliás, a Fifa está lucrando milhares de dólares, a pocilga chamada Salvador está a deriva de várias obras eleitoreiras, dentre elas, a pior delas: a via expressa que vem sucateando com o futurismo italiano (sem nenhum recalque memorialista), acabando com lares, casas e memória em torno de objetivos “modernos”, eleitoreiros e populistas.
Aliás, eu já sonho com o PAC II (porque o PAC I deu muito certo, deu tão certo que não foi cumprido). Sem mais nada a declarar resta dizer que como um notável parque temático, o Brasil segue com as suas cortinas de fumaça com piloto automático, já que este país sofre, desde a sua origem, de lúpus ideológico, escravizando ditaduras disfarçadas em democracia.

* Anna Carvalho é professora de literatura em Salvador e co-autora de Elenilson Nascimento em “Clandestinos” (2010) e “Diálogos Inesperados Sobre Dificuldades Domadas” (2005). Contato: carvalhoanna141@gmail.com

SOB A INSPIRAÇÃO DE QUINTANA

O Centro Histórico da capital gaúcha de Porto Alegre atrai milhares de turistas apaixonados por cultura. Pena que em Salvador não temos nada parecido.
Cidade tem atrativos culturais suficientes para segurar o visitante interessado em artes.
Cidade se desenvolveu a partir da chegada dos imigrantes açorianos, no século XVIII.
Majestic: por quatorze anos Quintana ocupou o apartamento 217.
Na Casa da Cultura, boneco e banner com a figura do poeta.

fotos: Bernardo de Menezes

PRENÚNCIO DE BAIXO NÍVEL NAS CAMPANHAS ELEITORAIS

“O eleitor ainda não vê, mas é severa a troca de farpas. E os sinais são evidentes: o bicho vai pegar. Ou lembrando Getúlio Vargas, a cobra vai fumar.”
Por Elenilson Nascimento
Enquanto você está perdendo o seu tempo com as vuvuzelas do demônio e com a seleção do chatão do Dunga e seus “meninos” metrossexuais e milionários e, agora, em mais um feriadão programado de alienação e pula fogueira, o nosso “amado” presidente Lula aproveitou a total falta de atenção do povo para aumentar ainda mais os impostos.
É, amigo leitor, todos nós somos uns palhaços. Enquanto a Nação inteira (ou quase) apaixonada pelo futebol não tira os olhos da tela, nem desvia a atenção da tabela dos jogos da África do Sul, a movimentação política é nervosa, com estrategistas trabalhando sete dias por semana. E o assunto está em quase todos os jornais sobre a declaração do Lulinha paz e amor de que a carga tributária tem que ser alta mesmo.
O Impostômetro (*de impostor ou imposto?) neste momento soma quase R$ 500 bilhões – já pagamos quase meio trilhão de reais em impostos neste ano. E o que o Governo faz pelo Brasil? Investe em que mesmo? E agora vem o "calhorda" do presidente (*com todo o respeito que a sua posição merece viu!) e defende a carga tributária alta. Falou que o país com 10% ou 20% não tem Estado e que era preciso mais do que isso para que ele fizesse seu trabalho. Me poupe viu!
Já as campanhas eleitorais pela sucessão de Lula andam a todo vapor. O vampiro Serra (PSDB) e a mãe do PAC Dilminha (PT) estão em equilíbrio nas pesquisas, aspecto que torna a disputa ainda mais acirrada. E é nesse clima que os partidos realizam convenções e confirmam os nomes com os quais enfrentarão as eleições gerais de outubro, para o qual o povo imbecil deve votar!
BAIXO NÍVEL – Também em termos de Bahia, o baixo nível da campanha eleitoral já começou bem mais cedo do que o esperado. Enquanto os principais candidatos – o atual governador - “que não faz nada” - Jaques Wagner, o ex-senador Paulo Souto e o chatinho do Geddel Vieira Lima – ainda estão conseguindo se segurar e não entraram neste jogo imundo, o tiroteio está intenso entre os demais candidatos. Tudo ao ritmo da fogueira de São João.
O calendário eleitoral reserva o mês de junho para a homologação dos candidatos pelos partidos, mas aos olhos do eleitor e da Justiça Eleitoral, a corrida só começa mesmo no dia 5 de julho, pois é a data autorizada para início das mentiradas nas campanhas. Mas, como todo mundo sabe, essas malditas campanhas eleitorais já começaram fazem um bom tempo. Outro dia, ao discursar no Clube Espanhol, na capital baiana, Serra fez críticas ao atual governo Lula, citando o aparelhamento político da máquina pública e foi até buscar paralelo em Luís XIV que considerava o Estado uma propriedade sua. Nas democracias e no Brasil, não há lugar para “Luíses” assim, sentenciou Serra.
A outra que também não perde tempo para jogar uma bola fora é a marionete da Dilminha. Num discurso dedicado às mulheres, ela disse que, caso eleita, o seu governo será semelhante ao de Lula, mas com características femininas. Uma mulher que fará um Brasil de Lula, mas com alma e coração de mulher, apelou. O presidente Lula foi a estrela do evento. Descontraiu o público com piadas de baixo nível e também não poupou críticas aos tucanos. O eleitor ainda não vê, mas é severa a troca de farpas. E os sinais são evidentes: o bicho vai pegar. Ou lembrando Getúlio Vargas, a cobra vai fumar.
De qualquer forma, se era isto, estes segmentos já conseguiram garantir espaço para a baixaria na campanha eleitoral. Por enquanto, o nível está nesta linha do disse-me-disse e de troca direta de acusações. Mas, sem dúvida, que fará parte do repertório dos programas do horário eleitoral gratuito, para deleite de uns e tristeza de outros.

+ Aproveite e ouça abaixo o jornalista Sebastião Nery falando sobre o fato de Lula proibir a Dilma de falar com jornalistas e com o povo. Inacreditável!
Podcast: Portal da Metrópole

segunda-feira, 21 de junho de 2010

FILHA DE DIAS GOMES FAZ FOTOS SENSUAIS EM LOS ANGELES

“A escritora(?) foi fotografada seminua em seu novo lar, nos EUA.”
Por Elenilson Nascimento
Nada contra tirar a roupa e mostrar os peitinhos para vender alguns livros, mas eu acho muito complicado esse lance de ficar se expondo desse jeito para faturar uns trocados. Depois que a Fernanda Young posou nuazinha para a revista "Playboy", onde ela aparece toda amarradinha em uma das imagens, em novembro do ano passado, e de ter dito que: "Tinha que ter a ver com a minha literatura. É uma mulher que se prepara para receber o amante, uma relação adúltera, que lembra o filme 'O último tango em Paris'", o que ainda podemos esperar da nossa literatura? Resposta: O IMPROVÁVEL!
Agora, a Ana Maria Braga também se lançou como escritora de romance espírita e entrou até na lista "encomendada" dos mais vendidos da Veja. Tem também a Bruna Sufistinha que, não duvidem, vai acabar na ABL. Mas, agora, chegou a vez da também escritora Mayra Dias Gomes (foto ao lado com o pai famoso) também apelar. Mayra tirou a roupa e posou em Los Angeles, na Califórnia, para as lentes do fotógrafo e Jorge Bispo. A autora de "Fugalaça" (2007) e "Mil e uma noites de silêncio" (2009) que ilustrará em breve a capa da revista "Sexy", de julho, fez uma road trip nas estradas e desertos rumo a Las Vegas. Os Estados Unidos são o novo endereço da filha do dramaturgo Dias Gomes. Em março ela se casou com o roqueiro e ator canadense Coyote Shivers. Aí meu Deus, será que o jeito é esse mesmo? Vou ter que mostrar o peitinho e a bundinha para alguém comprar meus livros? Mas eu não tenho pai famoso e nem rico! Segue abaixo algumas imagens que vazaram:
fotos: internet

VESTÍGIOS DE FERNANDA FEELING

Por Anna Carvalho*
Por sobre as minhas mãos, a liberdade se esvai calada
à sombra de mim recomeça e espreita a outra personagem
E me desova por entre as mãos cobertas da pela da outra
No recomeço, a personagem me cobre de silêncio
sintático, monossilábico, tácito...
Derreto entre as frases repentinas do seu recomeço
E ouço o tilintar das vozes do livro que outrora escrevo
Ela está livre ainda que eu a domine diante do meu vocábulo
Não, não sou livre, hiberno em suas mãos de hiato
Sofro, respiro, percorro a sua quintessência afastada
me percorro quando desenvolvo o seu limbo,
me salva quando me acrescenta a sua lauda
me perco quando reconheço o seu domínio.

* Anna Carvalho é professora de literatura em Salvador e co-autora de Elenilson Nascimento em “Clandestinos” (2010) e “Diálogos Inesperados Sobre Dificuldades Domadas” (2005). Contato: carvalhoanna141@gmail.com

MERTEN FALA SOBRE SARAMAGO

Luiz Carlos Merten é jornalista e crítico de cinema. É autor do livro “Anselmo Duarte: O Homem da Palma de Ouro” publicado pela Imprensa Oficial. Um livro-depoimento que analisa a obra do ator e diretor de “O Pagador de Promessas”, filme que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1962. Também escreveu “Cinema - Entre a Realidade e o Artifício” (2003) que parte dos primórdios do cinema, desde os irmãos Lumière e dos primeiros cinematógrafos para atravessar décadas de evolução da sétima arte. Clique abaixo e confira o Merten comentando sobre o escritor José Saramago.
>>> download <<<
fonte do download: Portal da Metrópole

O JORNAL A TARDE PUBLICA MEU COMENTÁRIO SOBRE A MORTE DE SARAMAGO

O corpo de Saramago, que morreu na última sexta-feira, 18/06, aos 87 anos, após falência múltipla dos órgãos em decorrência de problemas pulmonares e de uma leucemia crônica, foi cremado neste domingo, 20/06, às 8 horas, em cerimônia civil no cemitério lisboeta de Alto de São João, segundo informou a fundação que leva o nome do escritor.
O jornal A Tarde publicou no seu caderno de cultura e no seu site um comentário meu sobre a morte desse grande escritor que para uns, ele foi e sempre será o “romancista mais talentoso do mundo”, mas para outros, um “propagandista de si mesmo”.
Em 2009, Saramago lançou sua última obra "Caim", livro que subverte versão da Igreja Católica.
>>> clique aqui e leia a matéria no jornal.
foto 1: A Tarde
foto 2: Pierre-Philippe Marcou/AFP

sábado, 19 de junho de 2010

SEM SARAMAGO, O MUNDO FICOU MAIS CEGO

“Saramago foi irônico com as suas convicções e questionamentos, mas as pessoas – principalmente aquelas que nunca leram uma linha sequer – ainda, na morte, questionam e repudiam. Cegos, todos cegos!”Por Elenilson Nascimento
Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver". E olhando os comentários, só agora menos ácidos da mídia com relação ao Saramago, percebo o quanto isso mostra o despreparo que todos nós temos ao vivenciar ou mesmo falar sobre a morte.
A morte não é tão dolorosa e amedrontadora se se tratada com naturalidade e como mais uma etapa da vida. Seria muito bom se todos tivéssemos a chance de pelo menos uma vez na vida passar por uma experiência com pacientes em fase terminal num hospital público administrado pelo caótico SUS, só assim veríamos o despreparo da equipe médica, dos familiares e dos próprios paciente ao lidarem com a morte.
Fernando Pessoa já dizia que “morrer era apenas não ser visto”. E Saramago, mais do que todos nós juntos, foi visto, odiando, amado, triturado, criticado, ovacionado, vilipendiado. A morte de Saramago já chegou à ampla repercussão na internet e já está entre os tópicos mais discutidos pelo Twitter, entre elogios a seu legado e, lógico, críticas por sua postura com relação a religião. No Brasil, a notícia da morte do Prêmio Nobel de Literatura no ano de 1998 virou até assunto político ao provocar um constrangimento para a candidata do Partido Verde à Presidência da República, Marina Silva. Hoje pela manhã, a Marina (ou a assessora dela) escreveu em seu perfil no Twitter (@silva_marina): "Morre José Saramago. O mundo perde um grande escritor e os países da língua portuguesa, o nosso primeiro prêmio Nobel", e pouco tempo depois, a equipe de comunicação da candidata "retuitou" duas postagens de tuiteiros que criticavam as convicções ateias do escritor português, dando a entender que Marina concordava com essas posições. A candidata do PV é evangélica ligada à alienada Assembleia de Deus. Uma das mensagens questionava como se podia lamentar a morte de uma pessoa que blasfemou contra Deus a vida toda. A segunda, dizia que chamar Saramago de grande escritor é "muito subjetivo". "Alguém que não RESPEITA a fé alheia não é exatamente um GRANDE escritor", escreveu outro usuário. Daí podemos concluir que nem na dor dos outros as pessoas respeitam o seu trabalho. Independente de convicções religiosas muitos ainda minimizam o outro. Saramago foi irônico com as suas convicções e questionamentos, mas as pessoas – principalmente aquelas que nunca leram uma linha sequer – ainda , na morte, questionam e repudiam. Cegos, todos cegos!
Homem presta homenagem ao escritor José Saramago, velado em sua biblioteca. (foto: AP)
Com um olhar consciente e duro atrás dos seus óculos de lentes grossas, Saramago foi um dos primeiros autores a fazer parte do lugar de honra na minha estante. Livros como o “Ensaio Sobre a Cegueira”, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “Todos os Nomes”, “A Caverna”, “Intermitências da Morte” e, o mais recente, “Caim” ganharam destaque na minha lista de “livros fundamentais”.
Sempre o vi se apresentando em entrevistas tranquilo e amável, mas sabendo que, além de falar do argumento de seu último livro, tinha que opinar sobre os eventos políticos e sociais. E isso me fascinava! Saramago foi um homem ideologicamente ativo e sua voz percorreu o mundo para gritar contra as injustiças, a globalização e a pobreza.
Hoje, logo após a divulgação da sua morte, personalidades de todos os âmbitos da vida pública do mundo, da política às artes, passando pelo futebol, expressaram seu pesar pela morte do escritor Nobel de Literatura, para o qual o governo português prepara - depois de morto, né? - um último tributo em seu país natal.
Sua morte parece ter feito intelectuais e políticos de diferentes ideologias esquecerem as polêmicas em torno de muitas de suas obras, ao contrário dos seguidores da Marina Silva no Twitter, especialmente as mais críticas à Igreja Católica e à Bíblia, e se somarem às demonstrações de pêsames.
Hoje a tarde, um cortejo fúnebre levou os restos mortais do escritor até o Salão de Honra da Prefeitura de Lisboa, onde permanecerão até o domingo, quando serão incinerados no Cemitério do Alto de São João, na capital. Fontes da família do escritor anunciaram que suas cinzas serão levadas depois para sua cidade natal, Azinhaga, na região central do país, e para sua casa na ilha espanhola de Lanzarote, onde serão enterradas junto a uma oliveira.
Contudo, depois da morte, o que fica de verdade é a "liberdade criativa, que não tinha nada a ver com as afiliações políticas nem com Governos" e que "deu tanta riqueza a sua literatura". Até o Fernando Meirelles, diretor do filme "Ensaio Sobre a Cegueira", disse que o mundo perde lucidez com a morte do autor. "Definitivamente, hoje o mundo se tornou ainda mais burro e cego", ressaltou Meirelles em comunicado. E eu concordo plenamente! A lucidez da cegueira dos cegos de Saramago é um privilégio de poucos.
O escritor português José Saramago posa para foto ao lado da esposa, Pilar del Río, em sua casa na Espanha. (foto: Martínez de Cripán/Efe)
"José e Pilar" é o título de um filme produzido por Meirelles e dirigido pelo português Miguel Mendes, que retrata os últimos anos da relação do Prêmio Nobel de Literatura de 1998 com sua mulher, a jornalista espanhola Pilar del Río. O filme é extremamente comovente. Vemos um homem brilhante que sabe que seu tempo está acabando e que sente muita pena de morrer. Um filme lindo sobre a crítica e o compromisso social que Saramago colocava em suas obras.
A editora Companhia das Letras destacou, no Twitter, a importância do escritor para a literatura: “A @cialetras lamenta profundamente a morte de José Saramago, um dos maiores nomes da literatura mundial e grande amigo da casa”. No site da ABL, consta uma matéria a respeito do seu falecimento. Até o presidente Lula, que deve ter passado a léguas de distância de algum livro, destacou hoje a origem humilde e o caráter autodidata de Saramago, como se só isso fosse suficiente para mostrar a grandiosidade de Saramago. Para o presidente, Saramago, foi um intelectual "respeitado no mundo todo", que nunca "esqueceu suas origens" e foi um defensor "das causas sociais e da liberdade por toda a vida".
Saramago convidou, durante toda a sua vida, leitores do mundo todo a desvendar e viajar pela complexidade humana. Forçou-nos a entrarmos em contato com o universo mais sombrio do ser e reconhecer a capacidade de atos impronunciados. Por mais ficção que Saramago intuía em seus escritos, sua obra nunca deixou de conversar com a verdade.
Saramago sempre foi um autor que combatia as religiões com fúria, dizia que embaçavam nossa visão. Saramago era o lógico que dizia que "a morte apenas é a diferença entre estar aqui e já não estar", no meio da imensa massa dos iletrados. Sua morte deixa um enorme vazio e uma grande tristeza no mundo todo. E o mundo se tornou mais cegueta e pobre!
Do apresentador Luciano Huck, a candidata à Presidência Marina Silva e até cantora Sandy Leah (destaque acima) escreveram sobre o falecimento de Saramago pelo Twitter.
Foto rara: O jovem “boa-pinta” Saramago. Deve ter pego todas! (foto: Catraca Livre)
Foto rara 2: Saramago se encontra com zapatistas no México. (foto: Eduardo Verdugo/AP)
A última foto: corpo do escritor é velado na biblioteca da fundação que leva seu nome, em Tías, na Espanha. (foto: Martínez de Cripán/Efe)

+ Baixe aqui “As Intermitências da Morte”, de José Saramago. A Biblioteca Nacional de Portugal disponibiliza obras do escritor. No portal, há manuscritos que detalham métodos de escrita do artista. Destaque para “O Ano da Morte de Ricardo Reis”. Acesse ao manuscrito.
+ Assista a trechos do documentário “José e Pilar - Um Retrato de Uma Relação”, que poderá se chamar “União Ibérica”, dirigida por Fernando Meireles.

>>> Trecho 1 <<<
>>>
Trecho 2 <<<
fonte do documentário: Catraca Livre