segunda-feira, 31 de maio de 2010

I PRÊMIO CLUBE DE AUTORES DE LITERATURA CONTEMPORÂNEA

Olá amigos e leitores, o livro de poemas que eu organizei “Poemas de Mil Compassos” (2009) e o meu livro homônimo “Memórias de um Herege Compulsivo” (2009) estão concorrendo ao “I Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea”, criado em conjunto com a comunidade autoral pelo Orkut, Ning, Twitter e pela própria editora Clube de Autores. Portanto, clique abaixo e vote para que os livros ganhe mais reconhecimento e mérito.
Link para confirmação do seu voto no livro “Poemas de Mil Compassos”:
>>> VOTE AQUI <<<
Link para confirmação do seu voto no livro “Memórias de um Herege Compulsivo”:
>>> VOTE AQUI <<<

P.S. Pô gente, me ajuda a espalhar isso na rede. Coloque nos seus blogs, Orkuts e Twitters e etc... Abração.

terça-feira, 25 de maio de 2010

ESSE É O PREÇO QUE EU PAGO POR TER UMA OPINIÃO CONTRÁRIA DAS HIENAS RISONHAS QUE INFESTAM A MÍDIA

“Professor da Universidade Católica do Salvador manifesta repúdio contra os meus textos aqui no blog.” Por Elenilson Nascimento
Lembram do “Não temo a opinião pública” que um senador disse ao arquivar processos no patético Conselho de Ética desses representantes(?) do novo Brasil que o petismo construiu? Pois bem, ontem, 24/05, uma coisa bem parecida aconteceu: um professor da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), que nem me conhece, que não sabe nada sobre mim, que não sabe das minhas frustrações e das minhas opiniões, que acha que por ser um professor universitário horista e por achar também que é detentor do cetro do conhecimento universal do He-man, achou de me criticar abertamente numa rádio popular em Salvador, acusando-me de "panfletário e narcisista" por causa de um dos meus textos. Ora, é mesmo?
Caro professor, não tenho o dever nem a obrigação de respeitar os canalhas, patifes e bandidos que tomaram o poder público de assalto. Não tenho dever nem obrigação de respeitar um deficiente físico que não ouve, nunca sabe e só vê aquilo que lhe interessa associar-se à sua cumplicidade. Aprendi que respeito se consegue com atitudes e não com a transformação de canalhas em autoridades constituídas por qualquer medida ou meio que seja.
Tenho sim o dever cívico e patriota de não me acovardar diante desses meliantes que já deveriam ter sido presos e estarem cumprindo pena se tivéssemos um Poder Judiciário, um Poder de Polícia e uma Promotoria Pública dignos desse nome na finalização dos seus atos, e não apenas no circo do prende de depois solta, do arquivamento de processos nas gavetas dos togados, da postergação dos julgamentos por todos os instrumentos de fraudes na aplicação dos códigos legais. Ora, o senhor professor ficou zangadinho foi?
Onde estão os componentes das ”gangs dos quarentas” e o seu chefe? Todos livres, todos leves e todos soltos rindo de nossa palermice. Ou o senhor professor acha mesmo que, do alto do seu altar e do seu mundinho de babacas acadêmicos da Católica, também não é mais um palerma abobado? O Lula, que o senhor defende tanto, já fez sérias críticas à forma como os Estados Unidos negociaram até então uma possível solução para o impasse em torno do programa nuclear do Irã. O Lula reprovou o envio de "funcionários de terceiro escalão" para discussões diplomáticas tratadas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Dizendo-se tranquilo sobre o papel do Brasil - que intermedeia um diálogo, ao lado da Turquia - o Lula disse que se criou "uma expectativa exagerada sobre o assunto". O senhor, com o centro de todo conhecimento do mundo, deveria lembrar-se disso antes de me acusar de qualquer coisa!
Agora eu, um escritor desconhecido, infelizmente enclausurado no meu anonimato, não posso ter uma opinião contrária das hienas risonhas que infestam a mídia? Ora professor, me poupe, quem vai preso ou é eliminado no nosso país é empresário que não reza na cartilha da corrupção dos donos do poder, ou são as vítimas das atrocidades morais praticadas nas relações públicas e privadas pelos patifes esclarecidos, condutores da maior fraude política de nossa história, a abertura democrática, que colocou os ovos de ouro da serpente para germinarem esse petismo descarado, movimento meliante e sórdido que está transformando o Brasil em um modelo do neocomunismo mais sujo que se pode imaginar.
Não me venha falar de manifestos e que eu sou nazista, seu babaca ordinário. O senhor professor, ao menos, sabe me informar se o Lula, salvador da sua pátria, ao menos se preocupou em mencionar o sangue derramado por seus anfitriões? Acho melhor eu esperar sentado. O Brasil é um país que não tem armas nucleares, não é membro do Conselho de Segurança da ONU, mas se intromete nos problemas alheios esquecendo-se dos seus próprios dramas. As desgraças de lá são mais importantes do que as nossas!
Enquanto o poder público oferece aos seus representantes das cúpulas da corrupção, do corporativismo sórdido e da prevaricação, e a todos os seus cúmplices, as maiores benesses do mundo civilizado, o resto da sociedade trabalha mais de cinco meses por ano para ter direito apenas ao assistencialismo calhorda do Bolsa Família, a morrer nas filas e nos corredores e quartos imundos de um sistema de saúde falido do SUS, a ter um subemprego mendigado na porta do SIMM e um salário de fome ridículo, a correr diariamente o risco de sair de suas casas e não voltar mais para a companhia de suas famílias por total falta de segurança com essas política matadoras, a não ter condições de saneamento digno, e a não ter mais um processo educacional e cultural que liberte a sociedade das malhas da dependência de um poder público bandoleiro, o verdadeiro corruptor das relações públicas e privadas.
O negócio agora no país é fazer concurso público ou ser apadrinhado da política prostituída-assistencialista comandada pelo petismo. Corra! Mas se preocupe, pois no poder público tem lugar para qualquer um que despreze a moralidade, a ética, a honra, a dignidade, a honestidade, o patriotismo e a vergonha na cara; ou, simplesmente, seja um covarde omisso ou incapaz de dizer não para seus corrupto-superiores. Mas essas coisas, provavelmente, o senhor professor não quer saber, pois é muito mais fácil se manter acomodado por trás de uma máscara de acadêmico da Católica do que pensar, falar e agir.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

ENTREVISTA COM O PROFESSOR UBIRATAN CASTRO

“Minha mãe dizia - você deve andar direito porque um preto sempre é alvo da repressão da polícia”. (U.C.) Que o preconceito racial e social na Bahia é uma coisa vergonhosa, todo mundo sabe, mas se evita falar! Porém, para o professor da Ufba e historiador baiano Ubiratan Castro de Araújo, membro da Academia de Letras da Bahia (ALB), diretor-geral da Fundação Pedro Calmon e que recentemente recebeu o prêmio Jaime Wright de Promotores da Paz e Direitos Humanos, preconceito sempre esteve atrelado à cultura do povo.
O professor Ubiratan é conhecido pela qualidade da sua produção intelectual não só em História, área em que detém o título de doutor pela Universidade de Paris IV-Sorbonne, mas também em Literatura. Seu último livro “Histórias de Negro” é uma delícia. O professor também é um amante confesso da sétima arte, e sentiu dificuldades para escolher apenas um filme de sua predileção e recomendar aos nossos leitores da LC. Quer saber qual o filme que toca o coração do mestre? Confira em indicados! Uma curiosidade: ele participou de uma cena do filme “Tenda dos Milagres” (1977), do diretor Nelson Pereira dos Santos.
E, além de tudo isso, tem um humor fantástico e uma oratória que encanta por unir a informação com a virtude de seduzir a atenção da plateia. Nessa entrevista reveladora ao Portal da Metrópole FM (Salvador-BA), o professor Ubiratan revelou: “Minha mãe dizia - você deve andar direito porque um preto sempre é alvo da repressão da polícia”.
>>> Clique aqui e confira essa entrevista.
fonte: Portal da Metrópole
foto: Lúcio Távora

domingo, 23 de maio de 2010

LIVRO ELETRÔNICO NÃO VAI CRIAR NOVOS LEITORES

“Acredito que quem faz leitor são os pais, inegavelmente. Os jovens leitores são filhos de leitores. Dificilmente aparece uma criança ou adolescente que não tenha os pais leitores. A grande campanha que na minha opinião deveria ser feita pelo governo é mais ou menos assim: "Se você não lê, como quer que seu filho leia?".” (P.H.) Segundo o dono da Livraria Cultura, Pedro Herz, cuja rede abrirá três novas lojas neste ano e passará a vender no novo formato, e-readers, o poder da indústria eletrônica é a causa de tanta badalação. Herz avalia que o alarido em torno dos e-readers, os leitores eletrônicos que para muitos extinguirão o livro de papel, não passa de "uma nuvem". A ameaça real ao futuro do livro, opina, é ausência de novos leitores entre os jovens. Para ele, há um apagão na educação do país que, somado à redução no tamanho das famílias instruídas, projeta uma perspectiva sombria para o livro no Brasil.
Numa viagem recente à Nova York, Herz fez um teste: ao andar de metrô pela cidade, observou quantos passageiros portavam e-readers. Em dez dias, encontrou um único leitor com o novo equipamento. Herz diz ter visto burburinho semelhante em outros tempos, e atribui tanto barulho à sede da indústria eletrônica por escoar os novos produtos que cria a cada ano. Apesar do ceticismo, ele informa que a Cultura passará a vender 150 mil títulos de e-books em suas lojas.
>>> Leia aqui os principais trechos da entrevista que ele deu à Folha num restaurante paulistano.

ENTREVISTA COM O CANTOR E COMPOSITOR RICARDO CHACON

“Acreditar nos nossos sonhos já é uma ótima maneira de fazer resistência, e ajudar a mudar o que está de errado no conceito de democracia deste país. Todo tipo de organização é valida, mas temos que ter cuidado com os falsos profetas e demagogos.” (R.C.)
Por Elenilson Nascimento
E
ssa foi a primeira vez que solicitei uma entrevista e o entrevistado foi tão rápido em mandar as respostas quanto na simpatia e até me deu um CD novo, que voltei até a ter esperança na humanidade. Cantor e compositor, Ricardo Chacon começou sua carreira na noite recifense tocando pop-rock. Logo foi se destacando como um dos cantores mais promissores da nova geração, sendo convidado para fazer parte da "SOS Rock". Depois junto com alguns amigos criou a deliciosa banda "Nós 4", para fazer releituras de grandes sucessos internacionais e da MPB. Com essa banda , gravou no CD de estreia uma das suas muitas composições, a música "Innatura" e mais três DVDs ("Ao vivo na Praia de Maracaípe", "Ao vivo em Gravatá" e o último "No Canto da Sala", gravado na Praia do Jacaré-PB).
Em 2008, gravou seu primeiro trabalho autoral em parceria com o pianista Piero Bianchi, intitulado "Terra Papagali Coffee Shop", com 11 faixas autorais e que teve participação de grandes artistas como o Coral Edgard Moraes, Isaar, Gilú da Orquestra Contemporânea de Olinda, e também da cantora francesa Camille Bairoler. O último show do projeto foi no Carnaval multicultural do Recife, no Pólo Alto Zé do Pinho. Agora, confiram mais um pouco do Chacon, pois eu ainda vou trabalhar com esse cara!
Elenilson – Eu adoro as versões que vocês fizeram no primeiro disco do “Nós 4”. E a música “Innatura” é uma delícia. Por isso, agora, eu que declaro aqui ser o “analista” e você o “analisado”. Desde esse disco sua voz já se destacava, não que a voz da Juliana não merecesse aqui ser comentada também. Adoro a atmosfera sensível e visível que você faz. De onde vieram os seus primeiros impulsos para que você trilhasse o caminho musical?
Ricardo Chacon – Os primeiros impulsos vieram da minha família, na minha casa. Meus pais cantam. Minha mãe já foi cantora de rádio do Sistema Jornal do Comércio e hoje canta no Coral Edgard Mo
raes (Marchas de Bloco). E o meu pai sempre fez a alegria da boemia com seu vozeirão. Os dois juntos faziam vocais e eram acompanhados pelos meus tios e primos, que são músicos profissionais. Com isso, eram sempre convidados para participar de serestas intermináveis; e todos - adultos e crianças - acabavam cantando e participando também. Mas não passava pela minha cabeça que isso um dia fosse me fazer viver de música. Na verdade, isso me ajudou muito, pois cantar pra mim tornou-se algo familiar. E, então, as oportunidades foram surgindo naturalmente. Cursava a faculdade de Direito, e acabei pagando a faculdade com a grana que ganhava na noite, nos shows. E assim quando terminei o curso, acabei optando por seguir com a música. E não me arrependo.
Elenilson – Você disse numa entrevista que teve influências de sua mãe que costumava cantar "Ave Maria no Morro" e, junto com toda família, participava de coros. Então, além da influência de dentro casa você adquiriu base. Para você, o que falta hoje aos muitos artistas é abrir os ouvidos para a boa MBP?
Ricardo Chacon – Acho que sim. Mas não só de MPB, mas música em geral. MPB, Rock, Pop são estilos; e pra quem gosta de música não deve existir fronteiras. O conhecimento deve ser sempre bem-vindo. Com o avanço tecnológico e com auxilio da internet, temos como achar vários discos antigos de MPB e de todos os estilos; grandes discos, até melhores do que os que existem hoje. No meu caso tive contato com música dentro de casa. Mas, hoje em dia, a liberdade para se fazer o que se quer de verdade é bem maior, e m
esmo os que não tiveram tanto apoio como eu tive, estão buscando a música e fazendo música. Acho que não existe uma regra para se fazer o que se gosta. Apenas temos que buscar o que queremos de verdade e o que soa sincero para nós.
Elenilson – O seu CD “Terra Papagali Coffee Shop” é uma continuação do que você já vinha fazendo em outros projetos? Não à toa que o título nos remete a um elemento primordial: um projeto autoral num corpo nada descartável.
Ricardo Chacon – O “Terra...” reflete um momento, de redescoberta da música brasileira, e de uma vontade de contribuir para a nossa cultura. Foi realmente reflexo de uma amadurecimento musical.
Elenilson – Essa parceria sua com o Piero Bianchi em “Terra Papagali Coffee Shop” é mais um salto de amadurecimento do seu som, mas senti falta de mais pegada nas batidas do disco. Isso foi proposital?
Ricardo Chacon – Foi proposital sim. Usamos muito pouco a bateria e privilegiamos a percussão e o violão de naylon (influência da Bossa Nova) com vários ritmos regionais. Uma pegada leve, dentro de um conceito genuinamente brasileiro. Foi uma ousadia grande fazer esse disco, mas que valeu a pena o resultado.
Elenilson – O “Terra Papagali...” traz em suas composições samba, baião, bossa-lounge, afoxé, maracatu, diversos ritmos brasileiros e pernambucanos, que se apresentam de forma discreta e misturada, mas que provoca uma sensação de “pare e ouça”. O disco conta ainda com algumas participações muit
os especiais nos arranjos e nos vocais. Comenta.
Ricardo Chacon – É verdade. É um apanhado de tudo que vínhamos escutando naquele momento. Era um momento novo pra nós, descobrir na nossa própria cultura algo tão valioso. Por isso falo de “redescobrimento”, pois se valoriza muito ainda as coisas de fora. Hoje a mídia em sua busca pela audiência não se preocupa com o quê divulga. Eles não têm responsabilidade com a informação e a formação das próximas gerações. Caberá a gente sempre fazer nossas próprias escolhas. Nesse caso, nadaremos sempre contra a maré.
Elenilson – Tocar na noite para muitos é o começo até que se chegue a algum lugar, digamos assim, mais sólido. Como é que funciona esse jogo de expectativas na sua cabeça?
Ricardo Chacon – Realmente é necessário gostar muito do que se faz. Comecei tendo que tocar de graça, com shows que tinham duração de três horas e meia, sem intervalo, isso por volta de 1999. Mas sempre tentei dar o máximo em cada show. Nunca subi no palco para não dar o meu máximo. Essa sempre foi minha filosofia. Tudo que tenho hoje eu devo aos meus companheiros de banda, que acreditaram nesse mesmo sonho. Mas a noite engana e acaba acomodando. Isso não é bom. Temos que sempre produzir mais e inovar de alguma forma, e fazer da noite um começo e não o fim. Muitos começam a tocar, mas desistem logo na primeira dificuldade ou proposta de trabalho recebida. Talvez isso seja uma seleção natural. Algumas pessoas chegaram pra me alertar sobre o quanto seria difícil seguir nessa vida, mas sempre acreditei no meu sonho.
Elenilson – Como você analisa hoje as manifestações culturais em Pernambuco? Elas têm grande influência na sua música?

Ricardo Chacon – Claro que sim, sempre. É um berço cultural riquíssimo e é impossível nã
o se influenciar. Sempre surgem grandes talentos e movimentos culturais. Aqui se valoriza muito a cultura - não só a música - mas também as artes plásticas, teatro, literatura e cinema. Tento usar isso como referência na construção do meu trabalho.
Elenilson – Que tipo de relação você estabelece com as demais estruturas diversificadas de manifestações pelo Brasil?
Ricardo Chacon – Olha, respeito todas as manifestações culturais brasileiras e, principalmente, as de suas minorias. Apesar dos altos impostos e da precária utilização dos mesmos em recursos para educação, saúde, cultura, segurança e transporte público, acho que devemos continuar tentando nos mobilizar sempre, amadurecendo também nossos argumentos. Acreditar nos nossos sonhos já é uma ótima maneira de fazer resistência, e ajudar a mudar o que está de errado no conceito de democracia deste país. Todo tipo de organização é valida, mas temos que ter cuidado com os falsos profetas e demagogos. A história está aí para nos mostrar vários exemplos e também para ser desmistificada.

"Nós 4" em preto e branco no Teatro Odisséia, em 2009.

Elenilson – Existem trocas de ideias no seu meio? Ou você é do tipo que não se mistura?
Ricardo Chacon – Claro que existe! Se não não conheceria tantos artistas e discos antigos, que me ajudam bastante na minha pesquisa diária. Sempre fiz grandes amigos nesse meio, e estou sempre buscando aprender. Se misturar é necessário para quem busca o conhecimento. Hoje em dia, para mostrar nossa música precisamos uns dos outros, formando verdadeiras cadeias d
e informação, trocando experiências sobre o mercado. Existe um movimento positivo nesse sentido.
Elenilson – E a banda Seu Chico?
Ricardo Chacon – São grandes amigos que eu tenho e que são bastante talentosos! Temos uma ligação muito forte e respeito demais o trabalho que eles desenvolvem.
Elenilson – Rapaz, quantas bandas você faz parte?
Ricardo Chacon – Atualmente canto na Nós 4 e procuro divulgar meus trabalhos paralelos. Pretendo sempre produzir trabalhos novos. Com a Nós 4, fizemos 1 CD e mais 3 DVDs. Paralelo a isso, gravei o “Terra Papagali Coffee Shop” (2008) e, agora, estou trabalhando no meu primeiro EP solo. Acho que o músico tem que diversificar, principalmente nos tempos de hoje. Tenho planos de dar continuidade ao “Terra Papagali...”, e tenho trabalhado bastante pra isso. Dividindo o tempo de forma correta temos como conciliar tudo. E ainda sobra tempo para cantar rock em inglês, na noite, com a SOS Rock, que é um projeto criado em 2000 e que é bastante prazeroso.
Elenilson – O seu trabalho tem raízes de nossa MPB, são perceptíveis as influências de nomes como, por exemplo, Vinicius, Tom, Elis, Belchior e Edu Lobo. Como é fazer essa mistura com pop americano?

Ricardo Chacon – No caso da Nós 4, começamos tocando baladas internacionais, e aos poucos fomos inserindo a MPB até mudarmos a casaca de vez (risos). Preferimos nos manter nessa praia brasileira, pois nos agradava mais e também para começar a desenvolver nossas carreiras como intérpretes. Mas nesse meu próximo projeto - o EP- tem muita influência gringa. Acho isso bastante natural, pois vivemos num mundo globalizado.

Elenilson – Você gosta de afro sambas?
Ricardo Chacon – Temos uma influência grande dos afro sambas no “Terra...”. Uma obra de Vinícius e Baden Powell que mexe com as crendices da miscigenação brasileira. Algo muito rico e que a gente admira bastante. E indica fortemente!
Elenilson – Como você avalia hoje a repercussão do seu trabalho?
Ricardo Chacon – Sou grato a tudo que recebo. Sempre soube que seria difícil e demorei para aceitar isso. Mas viver de música é também um privilégio muito grande e enquanto eu puder fazer isso eu vou seguir o meu caminho sem esperar ter nada em troca!
Elenilson – Eu percebi que pelo Twitter você tem uns posicionamentos bem interessantes. O que você acha desses políticos que adentram no Twitter, mas as páginas serem monitoradas por assessores de imprensa?
Ricardo Chacon – Acho que o Twitter hoje representa um grande meio de informação; talvez o maior do momento - até surgir outro. E todos vão utilizar essa ferramenta. Caberá a nós, mais uma vez, ter critério para escolher o que queremos ler, e a quem queremos levar a nossa mensagem. Não tenho a intenção de influenciar ninguém com o quê escrevo. Apenas escrevo o que penso.
Elenilson – O que você acha dessa programação das TVs no Brasil?
Ricardo Chacon – Acho que deixa muito a desejar. Acho que existe um monopólio forte de informação, que só transmite o que é conveniente transmitir. Também tenho muitas restrições aos telejornais que são tendenciosos e preconceituosos, e com isso atrapalham bastante o nosso desenvolvimento cultural, e contribuem com a banalização da violência.

Elenilson – Como é a sua relação com as tietes? Rola muito sexo?
Ricardo Chacon – (Muitos risos) Fala sério! Existe um mito muito grande quanto a isso. A relação com as pessoas que curtem meu trabalho é de muita gratidão e respeito.
Elenilson – Provavelmente já lhe perguntaram sobre tudo nas entrevistas. Tem
algo que você sempre quis falar e ninguém nunca perguntou?
Ricardo Chacon – Cara, gostaria de agradecer a oportunidade desse espaço no seu blog e reiterar uma mensagem de Lennon: "Imagine".
Elenilson – Quais os projetos para o futuro?

Ricardo Chacon – Como falei acima, quero seguir produzindo sempre. E meu próximo projeto trata-se de um EP com 5 ou 6 músicas (ainda estou fechando as ideias) para ser lançado depois do São João! Agora é aguardar para conferir. Grande abraço a todos e obrigado a você!

Chacon é poesia também.

Juliana Fernandes (voz), Piero Bianchi (piano, violão), Ricardo Chacon (voz) e João Melo (guitarra), começaram a desenvolver em 2004 o que viria a ser uma empreitada e tanto.
Mais fotos do Ricardo Chacon com o "Nós 4".
No estúdio.
Foto massa: Ricardo Chacon e Piero Bianchi (foto: Helder Miguel)
Piero e Ricardo em show no Bar do Tom, RJ.
"Nós 4" emociona ao som da flauta de Carlos Malta em mais uma participação super especial no Teatro Odisséia, em 2009.
Mais de perto: Breno, Chacon e Malta no Teatro Odisséia, em 2009.
Mais uma foto do show do "Nós 4" no Teatro Odisséia, em 2009.

+ Confira abaixo um vídeo do Chacon arrasando num show com o massa “Nós 4”:

fotos: divulgação
Site: http://www.myspace.com/terrapapagali
Contato: chacon_rico@hotmail.com

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A EDUCAÇÃO APODRECEU! ENTÃO UMA GAROTA DECIDIU QUE DEVERIA DEMOLIR SUA ESCOLA

“Uma menina irlandesa de nove anos não contente com a sua escola e a quantidade de trabalhos de casa que os professores mandam, decidiu demolir a escola. Detalhe: com os professores lá dentro.”
Por Elenilson Nascimento
Antes que os defensores do PAC do Lula venham aqui dizer que eu sou classe alta, burguês ignorante e coisa e tal, é bom lembrar aqui que esse espaço é o único que eu tenho para manifestar as minhas indignações, mesmo que isso venha acabar com muitas das minhas "supostas" amizades, minha reputação e com as minhas expectativas de futuro, mas ainda tenho o direito de me manifestar.
No que se refere à educação, todos que frequentam a LC já sabem a minha opinião: a educação brasileira apodreceu e não passa de mercadinhos para alienados comprarem diplomas! Já alguns especialistas apontam ainda que a tecnologia na educação (*com essa onda de ensino a distância com o Pedro Bial sendo professor) só pode criar competitividade se a população está pronta para tirar proveito dela. E o Brasil não tem uma educação de primeira classe, aliás, não educação nenhuma nessa delicada situação de humor a dor nesses dias que correm. E como correm.
Quando entro em uma sala de aula e vejo alunos fazendo lições de qualquer jeito (isso quando o fazem) ou assistindo à aula balançando constantemente a carteira, brincando com o material desnecessário que carrega consigo, xingando, ouvindo músicas nos irritantes celulares, falando besteiras, sentados de qualquer maneira e conversando freneticamente para chamar atenção, constato que a disciplina para o trabalho intelectual não faz parte da exigência dos professores. E com isso não se pode esperar que o aluno aprenda em casa porque os próprios pais transferem suas obrigações de também educar para a escola.
Faltou também dizer que a falha está, primordialmente, no professor, que deveria ser o responsável pela condução das atividades na sala de aula e pela visão crítica desses alunos. Porém, professores não têm tempo de olhar o outro como semelhante e sim como cliente. E se eu for ficar aqui prosseguindo nessa análise do contingenciamento escolar terei que admitir que existe uma falha do sistema ao permitir que um professor despreparado ou sem condições esteja na sala de aula para um mister para o qual está desqualificado, pois as faculdades não cumprem mais o seu papel.
Então, queria apresentar uma solução para todos os alunos insatisfeitos numa gravação que eu já havia escutado tempos atrás em inglês e que finalmente foi legendada. É um programa de rádio humorístico da Irlanda de muito sucesso. No episódio em questão, uma suposta menina de nove anos, inteligentíssima, diga-se de passagem, liga para uma empresa de demolição disposta a derrubar a sua própria escola.
A garotinha pergunta detalhes do serviço, questiona sobre o orçamento e até faz exigências, como pedir que o engenheiro chefe garanta que seus professores estarão TODOS lá dentro. Tudo não passa de uma brincadeira, é claro, com um sintetizador de voz. Mas o resultado é bem engraçado. E manifesta o que muitos provavelmente já pensaram. Pelo menos eu!

P.S. Tem uma turma na internet falando que a menina existe mesmo, que ela passa uma série de trotes neste programa da rádio irlandesa. Realmente há um monte de fotos e matérias na internet sobre a garota, que se chama Rebeca Berry. Eu só não achei um vídeo dela passando trote. Sempre é uma foto com o som da gravação. Se alguém achar uma prova mais concreta, mande-me por favor. Gostaria muito de conhecê-la. Virei fã dela.
Dica do vídeo legendado de Luiza Raposo

quinta-feira, 20 de maio de 2010

ENTREVISTA COM A CANTORA E COMPOSITORA ROBERTA CAMPOS

“A música entrou na minha vida assim que me entendi por gente. Sempre me senti em paz cantando e fazendo minhas canções. A música é a minha vida, pois ela está presente o tempo todo.” (R.C.)
Por Elenilson Nascimento
Conheci o trabalho da cantora e compositora mineira Roberta Campos através do meu amigo poeta-cantador Dandyclique aqui e leia a entrevista com ele. Roberta vem aparecendo devagar, devagarzinho. Já compôs, cantou, tocou e gravou o primeiro disco em casa, no ano de 1998. Postou umas músicas no MySpace, mandou para algumas pessoas. Passou a ter fãs e a faixa “Varrendo a Lua” entrou na programação de diversas rádios. Aos poucos, sua música delicada e cheia de personalidade foi conquistando mais gente. Roberta já fez diversos shows, tocou com Ricardo Koctus (Pato Fu), já recebeu elogios de Marcelo Camelo e também fez parceria com Nando Reis. Agora, confira a entrevista dessa artista abaixo:
Elenilson – Seu primeiro CD, gravado em 2008, com o título de “Para aquelas perguntas tortas” que, como você mesmo escreveu - “totalmente autoral, produzido por mim, gravado por mim, feito por mim, lançado por mim, enfim, tudo po
r mim”, recebeu elogios e críticas de cabeças como Leoni, Marcelo Camelo, Ricardo Koctus (Pato Fu), entre outros. Você acha que é muito melhor trabalhar sozinha ou que é mais produtivo fazer parcerias?
Roberta Campos – Não. Por ter experimentado as duas formas, digo que gostei das duas formas. Trabalhar com pessoas talentosas, grandes artistas é enriquecedor, experiência única. É muito bom ter pessoas assim por perto fazendo o seu trabalho crescer. E há também um crescimento pessoal nisso.
Elenilson – Por que depois de anos de shows, seu primeiro CD só saiu em 2008?
Roberta Campos – Porque foi quando eu tive a possibilidade de gravá-lo.
Elenilson – Foi dos seus shows que saiu a maior parte do repertório do CD?
Roberta Campos – Grande parte sim! As músicas respondem pra gente com a resposta da galera…
Elenilson – Você recebe muitas composições e sugestões para o seu trabalho?
Roberta Campos – Não recebo ainda muitas composições, até porque sou compositora e quanto se é compositor sempre quer trabalhar as músicas que fez.
Elenilson – Você se arrependeu de não ter trabalhado com alguém?
Roberta Campos – Ai
nda não.
Elenilson – Qual a primeira lembrança musical da sua vida?
Roberta Campos – Meu tio tocando violão, eu tinha uns quatro pra cinco anos.
Elenilson – Houve algum momento em que você acordou e disse: vou ser cantora?
Robe
rta Campos – Nasci para ser cantora. Essa é a lembrança mais forte que tenho nesse tempo todo.
Elenilson – Como você definiria o seu trabalho?Roberta Campos – Verdadeiro. Faço porque amo a música e transcrevo meus sentimentos.
Elenilson – Quais as cantoras brasileiras que você tem como referência?
Roberta Campos – Marisa Monte, Zélia Duncan, Cássia Eller, Maria Bethania...
Elenilson – Sempre falaram coisas boas e muitas coisas ruins sobre a MPB. Fico meio chateado com o Nelson Motta, por exemplo, porque ele só cita os amigos famosos dele e nunca fala sobre artistas novos. Mas esta seria mesmo a música que prega a brasilidade, a tropicalidade, em contraposição ao estrangeirismo musical que infesta as rádios em situação de perigo?
Roberta Campos – Esse lance de crítica é muito pessoal, o cara não vai falar bem de algo que ele não gosta ou falar do que ele não co
nhece... É muito complicado isso. E acho até normal as coisas que ele fala, pois são coisas que ele gosta.
Elenilson – Só que a MPB é literata e, digamos, chata demais para ser p
opular, e o popular, mesmo, no Brasil, sempre foi tido pelos expoentes da MPB como algo repetivivo, sem musicalidade, sem poesia. Ou seja, brega. O que você acha desses “sucessos” que a mídia teima em nos fazer engolir via Faustão e cia.?
Roberta Campos – Aaaah, eu acho que se é sucesso é que as pessoas gostaram... Não
dá para falar sem citar um ou outro nome, não consigo comentar sem algo mais explícito. A música é muito pessoal, eu posso ver e não gostar do que a mídia mostra e outro gostar. Tudo é muito relativo...
Elenilson – Por outro lado, quem já ouviu coisas boas não vai se contentar em ouvir cocô, mas algumas pessoas dizem que no Brasil faltam artistas do padrão de um Caetano ou Chico da vida. Você concorda?
Roberta Campos – Acho a música um lance tão pessoal que nem costumo dizer sobre
o que eu não gosto. Acho que não vai existir outro artista igual a outro, cada um é cada um, isso que as pessoas não querem entender... Os tempos mudam, tudo muda e a música inclusive. O que é bom para mim pode não ser para você e vice-versa.
Elenilson – E esse discurso de que a população financia o tráfico ao comprar drogas ou CDs piratas?
Roberta Campos – Algo a se resolver. Mas o CD pirata nem tem mais tanta força, as pessoas querem é baixar as coisas na rede.

Elenilson – Maria Rita disse numa entrevista que descarta, não por um bloqueio, mas por uma decisão consciente, intencional, de não querer gravar nada que a Elis tenha gravado. Que a obra dela é... Que nem dá para escolher um adjetivo... Que todos os discos são obras-primas e para ela seria difícil. O que você acha dessa coisa que existe de você ser filho de um famoso e ser obrigado a fazer aquilo que os seus pais fizeram?
Roberta Campos – O bom da MR é que ela não precisa fazer o que os pais fizeram e escolheu isso por gostar mesmo. Acho que cada um deve sempre fazer o que te faz bem, feliz. Senão que sentido teria a vida?
Elenilson – Você parece ser muito tímida, mas no palco você se solta. Comenta.
Roberta Campos – Mas minha timidez nunca me deixa, eu só me comunico melhor por
que a música é a minha maior forma de expressão.
Elenilson – E está preparada para a fama? Como você encara essa coisa de você gravar um CD, mas já ter que se preocupar com DVD, capas de revistas, shows, divulgação e etc. Isso tudo é mesmo necessário?
Roberta Campos – Acr
edito que sim! Sei que tudo é consequência da aceitação das pessoas. Acho muito bom essa preocupação e cuidado. Cuidar de tudo e levar sempre o melhor para as pessoas.
Elenilson – De cantora da noite para o disco “Para aquelas perguntas tortas”. Como foi esse percurso? O que mais te deixou chateada e o que mais valeu à pena?
Roberta Campos – Acho que tudo vale a pena, até mesmo os momentos ruins e chateações. É um crescimento, sem esse processo todo, eu certamente não seria a pessoa que sou, a profissional que sou. E esse é o valor que trago para a minha arte e para a vida só poderia vir vivendo tudo que vivi.
Elenilson – O que você leva das suas vivências para o palco e para as suas composições? Você ainda pensa em fazer parte ou produzir um musical? Ou produzir outro artista?
Roberta Campos – Eu trago tudo para a minha música, não só as vivências de palco, mas tudo que vivo no dia-a-dia mesmo. Não penso em produzir musical, mas outro artista pode acontecer um dia, gosto da produção.
Elenilson – Qual a identidade do trabalho da Roberta? Quais as características que devem estar sempre presentes na sua carreira daqui pra frente?
Roberta Campos – Originalidade.
Elenilson – Como foi trabalhar com o poeta-cantador Dandy?
Roberta Campos – Foi muito bom, já que além de um talentoso compositor e artista Dandy é meu grande amigo/irmão.
Elenilson – E sobre política? A Marina Silva me parece um tipo de candidata que Obama ainda não é, mas me preocupa muito a relação dela com a religião. O que você acha? Você faria campanha para alguém?
Roberta Campos – Não gosto de falar sobre política. Porque minha música tem uma linha muito oposta disso.
Elenilson – O Diogo Mainardi escreveu uma vez que no Brasil não existem mais artistas de verdade. Que os verdadeiros artistas estacionaram no tempo, lá nos anos 70. Esse Mainardi faz umas matérias maldosas, principalmente sobre artistas. Esse tipo de imprensa, da fofoca, da pinta, de pessoas que se vendem com suas casas incríveis é o que vende. Como você encara essas coisas?
Roberta Campos – Acho que cada um tem o direito de falar o que quiser, desde que não agrida o outro. É a opinião dele, não concordo, mas cada um é livre pra dizer o que quiser.
Elenilson – Eu adoro a música "Sinal de Fumaça". Ela tem alguma história pessoal?
Roberta Campos – A letra é de Nô Stopa*, mas acredito que sim, assim como a maioria das músicas tem uma história, porém esse é um outro capítulo para que a Nô responder! (risos)

Até o Nando Reis participou do CD novo da menina.
Elenilson – Fala sobre o álbum “Varrendo a Lua”, produzido por Rafael Ramos. Esse novo trabalho inclui algumas canções com novos arranjos e várias inéditas. Além disso, o álbum tem a participação de músicos como Nando Reis. Como foi trabalhar com ele?
Roberta Campos – “Varrendo a Lua” trás dez canções, sendo que a faixa “Quem sabe isso quer dizer amor” é dos meus conterrâneos mineiros Lô e Márcio Borges, as demais são minhas. “Sinal de Fumaça” com minha parceira Nô Stopa e “Felicidade” com minha outra parceira Carolina Zocoli. Ter o Nando no meu disco foi uma grande felicidade, já que é um artista que admiro muito e uma grande influência.
Elenilson – E quando você vai me convidar para escrever alguma coisa? Você vai fazer isso não é?Roberta Campos – Basta a sintonia surgir que o convite nem precisa ser feito. Acontece bem naturalmente.
Elenilson – Gostaríamos de agradecer pela entrevista e desejar todo o sucesso do
mundo. Sempre terminamos a entrevista com um último recado do(a) artista para os leitores(as) do blog LITERATURA CLANDESTINA, fique à vontade.
Roberta Campos – Desejo a todos muitas felicidades por toda vida e espero levar com música pelo menos um pouquinho que do bem que a música me faz.

A cantora e compositora mineira Roberta Campos mostra para o que veio.
Já compôs, cantou, tocou e gravou o primeiro disco em casa, no ano de 1998. Postou umas músicas no MySpace, mandou para algumas pessoas. Passou a ter fãs e a faixa “Varrendo a Lua” entrou na programação de diversas rádios.
Com o baixista Dadi.
Com o poeta-cantador Dandy.Com o Marcelo Camelo.
Com Nando Reis, na gravação do CD “Varrendo a Lua”.

+ Making Of do álbum ''Varrendo a Lua'', de Roberta Campos. Filme por Pedro Allevato, com participação de Nando Reis:

* Nô Stopa é uma cantora e compositora paulistana que iniciou sua carreira artística nos palcos da dança e do circo, em 1993, aos 15 anos de idade.
fotos: divulgação
Contato Roberta Campos:
xaxim.music@gmail.com
www.myspace.com/robertacampos
www.twitter.com/robertacampos

quarta-feira, 19 de maio de 2010

TAL PAI, TAL FILHA

“Dilma esquece o nome do último livro que leu (se é que ela leu algum) e, sem graça, pedi ajuda a uma assessora. Essa é a candidata do governo.”
Por Elenilson Nascimento
Infelizmente, vivemos em um país onde a mediocridade é celebrada. Onde a pena é uma regra de governo, e não o respeito. Vivemos em um país onde a pessoa tem orgulho de ter pena de si mesmo. Sim, pena, onde sempre que ela é desafiada a crescer um pouquinho, faz de tudo para continuar ali, no buraco da boca da ribanceira, aonde estava lá no começo da conversa de Deus com Adão.
Vivemos em um país onde a pessoa tem orgulho de ser pobre para viver de Bolsa Família, de ser um ignorante porque o nosso próprio presidente acha isso uma coisa bacana. É muito melhor festejar nossa mediocridade nos campos, até porque, nem nisto o Brasil é um país de talentos, mas se você pensa em votar na filha, mãe do PAC e papagaio do Lula, pense duas vezes antes de gastar o seu dedo. Se bem que eu acho que com toda a propaganda que o governo faz, e com um povo ignorante como o nosso, ela já ganhou!
A Dilma, para quem ainda não sabe: uma das candidatas à eleição presidencial, foi protagonista de mais uma cena constrangedora das muitas que tem vivenciado nos últimos tempos. Em um programa no qual responde a perguntas dos eleitores, a candidata papagaio do Lula teve de dizer o nome do último livro que leu. Sim caro leitor, a ideia era passar que ela era uma candidata inteligente e que ler livros. Mas o tiro acabou saindo pela ponta da língua (ou falta dela). E a Dilma acabou esquecendo, nem se deu ao trabalho de inventar um e, sem graça, pediu ajuda a uma assessora e ainda teve a cara de pau de dizer que leu o livro num fim de semana. O vídeo já foi visto por mais de 200 mil visitas.

terça-feira, 18 de maio de 2010

RACISMO (ESCANCARADO) NA INTERNET

“Juíza Luislinda Valois confundida como camareira em festa da Globo prova o quanto o povo brasileiro é patéticamente preconceituoso!”
A atriz Natália do Vale ao lado da juíza confundida por camareira. Observem a legenda.
Por Elenilson Nascimento
O racismo no Brasil é, no mínimo, uma atitude de completa ignorância, afinal de contas, aqui se instalaram povos de todos os lugares do mundo. Atualmente, a população brasileira faz parte do “vira-latismo” mundial. E quando representantes “tupiniquins” participam de eventos esportivos ou sociais, o que vemos são pessoas de diferentes raças, mas apenas um sangue, somente uma paixão, o Brasil.
Mas o que existe por aqui é muito racismo camuflado e que todo mundo faz questão de não enxergar. Os alvos, mesmo que inconscientemente, sempre são os mesmos: negros, mestiços, nordestinos, pessoas fora do padrão da moda, ou seja, obesos, magrelas, altos demais, baixos ou anões e, principalmente, os mais pobres sofrem com a discriminação e não conseguem emprego, estudo, dignidade e respeito. Em suma, ao contrário do discurso social do Lula, todos estes não têm vez nessa sociedade brasileira!
Acabei de ter acesso a mais uma notícia que chegou a me dar nojo, tanto pelo lado da hipocrisia que impera em alguns meios de comunicação quanto pelo lado ofensivo que ela gerou. Depois de ter aparecido na péssima novela “Viver a Vida” (*que final imbecil de novela foi aquele?), da Globo, dando um emocionado depoimento sobre as agressões racistas que sofreu ao longo da vida e de como as superou até tornar-se (no ano de 1984) a primeira juíza negra do Brasil, a baiana Luislinda Valois voltou a ser alvo de preconceito, ironicamente, justo por estar no cenário novelesco.
Ao participar da festa de encerramento da novela “Viver a Vida”, ao lado de todo o elenco, e ao ser fotografada com a atriz Natália do Vale, a juíza Luislinda foi confundida como camareira. Na legenda da foto, publicada no site R7, de responsabilidade da Rede Record, sobre o encerramento da novela Globo (*agora, o que tem a ver a Record ficar fazendo matérias sobre a Globo?), aparece escrito a frase: “Natália do Vale enche de mimos a camareira.” No fim da tarde de ontem, o site tirou a matéria do ar. Mas o caso Luislinda (ontem e hoje) mostra o óbvio: em matéria de preconceito racial, o Brasil ainda tem muito a superar.
A morte de Benê, em “Viver a Vida”, foi uma saída “racista encoberta” do autor Manoel Carlos.
CONTRADIÇÃO – Algumas pessoas, como o sociólogo Demétrio Magnoli e o chefão do jornalismo da Globo, Ali Kamel, tentam de todas as formas nos provar que hoje me dia não existe racismo no país, mesmo com vários fatos ligados ao preconceito mostrados todos os dias nas telas das TVs.
Vocês sabem aquele típico ato racista, de chegar para um negro e pedir para ele guardar o carro, ou sempre relacioná-lo a qualquer cargo subalterno? E as novelas estão cheias de exemplos. Protagonista negra? Onde? Ver a diva e mulher do Lázaro Ramos, a atriz Taís Araújo, servindo de escada para uma ex-modelo canastrona, fazendo uma imitação barata de cadeirante não é ser protagonista? E a morte do personagem Benê, vivido por Marcello Melo, mostra o quanto a Globo é racista sim. E só pessoas de mente vazia não conseguem enxergam isso.
Depois de voltar a morar no morro e ter conseguido um emprego vagabundo, Benê vai comemorar com o Coisa Ruim e com a sua nova namorada. O final do personagem passa uma mensagem do tipo: não vale a pena mudar! O rapaz tinha que mudar, se regenerar e ser feliz com a família que acabará de construir. Os jovens “aviãzinhos” produzidos pela sociedade do consumo vão ver que é isso mesmo, que o fim é assim mesmo. De modo geral, irá balizar e naturalizar a violência, a marginalidade.
Lamentável que um jovem negro não consiga ter um final condizente em novelas da Globo. Eu não assisto muito esses programas adorados pela família brasileira, mas crítico muito o tratamento dado aos atores negros que nunca se dão bem. Por tanto, esses exemplos mostrados em novelas contribuirá em que na formação desse juventude pobre brasileira e sem senso crítico? E eu levanto um questionamento: por quais motivos este jovem não pode viver em paz com a sua mulher e seu filho no contexto final desta novela? Eliminar o mesmo, não seria uma forma "racista encoberta" de EXPOR o que não deve ser mostrado, que é assim que tudo acaba?
A INTERNET PROLIFERANDO O RACISMO - Agora a Internet criou o equivalente virtual a isso tudo. E o portal de celebridades fúteis do R7, da Record, a bizarra história da primeira juíza negra do Brasil, Luislinda Valois, que foi confundida com uma camareira por um desavisado e racista qualquer, e o pior jornalista, formador de opinião entre os sem opiniões, é a prova da intolerância racial que existe no Brasil.
A legenda da foto "Natália do Vale enche a camareira de carinhos" é a coisa mais linda na relação entre patroa e empregada! Quase a democracia racial de amor entre a Casa Grande e a Senzala, tão sonhada pelos intelectuais citados neste post. Até quando, dentro da comunicação, estas e outras práticas de crimes estarão impunes? É por essas e outras que os movimentos sociais exigem que exista respeito aos Direitos Humanos na mídia e que isso se faça através de Controle Social e da Lei.
O tal portal R7 já excluiu a matéria, o que não retira a vergonhosa falha. Um ato falho, como a voz vazada de Boris Casoy revelando o ódio aos trabalhadores pobres. E desta forma vemos como o racismo está arraigado no pensamento brasileiro, apesar de alguns, por burrice ou mal-caratismo, defenderem que ele não existe.
Abaixo, o tocante depoimento da juíza baiana Luislinda Valois na novela “Viver a Vida”. E no trecho em que ela lembrou uma história de racismo que a sua mãe passou na escola quando criança e que me tocou muito.

E assim “segue a humanidade, com passos de formiga e sem vontade”, já diria Lulu Santos, e ainda com muitos atribulando aos negros "cara de cozinheira", "cara de lixeiro" e “cara de camareira”. Tal "engano" só me remete a uma frase que sinaliza para uma maior responsabilidade do jornalista: "seu trabalho é informar, para isto informe-se". Se o indivíduo fosse mais competente e lembrasse de algo chamado "pesquisa", talvez não tivesse feito tamanha cagada.
fotos: divulgação

segunda-feira, 17 de maio de 2010

MARCELO TAS LANÇA LIVRO COM 'PÉROLAS' DO PRESIDENTE LULA

“'Nunca Antes na História desse País' chega às lojas com frases famosas do Lula. Segundo Tas, o mais difícil foi lidar com as mudanças de opinião do presidente.”
O excelente jornalista e líder do programa "CQC", Marcelo Tas, se lançou ao desafio de catalogar frases do Lula em livro, a começar pelo título, "Nunca Antes na História desse País", frase mais usada pelo presidnete em seus sete anos de governo.
Tas diz que se Lula é um animal político por instinto, é também filósofo de crises, economista de primeira viagem, marqueteiro de campanha, advogado de ex-inimigos. Nas horas vagas, tem seus momentos de técnico de futebol, turista e até de comediante de stand up. Cada uma dessas facetas, sob a ótica do humorista, vira um capítulo do livro. "Isso é fascinante no Lula. Se ele encontrar um tema do qual não entende, comenta de qualquer jeito", falou o Tas. E complementou: "Aliás, Lula gosta principalmente de falar do que não sabe."
Cada frase destacada ganhou um breve comentário bem-humorado. Mas o autor se apressa em dizer que o livro não tem pretensões políticas. "Não é algo ressentido ou partidário, não ataco gratuitamente o presidente, o PT ou seus dogmas", explicou Tas. O prefácio é assinado pelo jornalista José Simão, difusor do 'lulês'. "Simão me perguntou se queria um texto a favor ou contra o Lula", lembra Tas. "Eu disse a ele que é um livro a favor do contra."

domingo, 16 de maio de 2010

LULA QUERENDO MOSTRAR AO MUNDO A SUA MAGNITUDE

“Ao lado do intragável Ahmadinejad, o magnânimo Lula defendeu o direito do Irã a executar seu 'plano nuclear para fins pacíficos', porém o contraditório Lula disse ainda que sonha com um Oriente Médio sem armas nucleares.”
Por Elenilson Nascimento
Talvez eu esteja me tornando um dinossauro antiquado que ainda é incapaz de se recolocar na minha insignificância de mero número de CPF catalogado de quatro em quatro anos – isso quando o IBGE realmente aparece aqui em casa – e lembrado com todo “amor” em época de eleições, pela Dilma ou pelo Serra, além de ser forçado a suportar qualquer desaforo que me é falado, porque, no fundo, estão fazendo um bruta favor de me manter empregado, longe das drogas, longe das bibliotecas e até porque, fora daquela p. de trabalho medíocre de sala de aula e pó de giz, eu não seria metade do que sou aqui no blog.
Hoje o nosso quase-deus, o presidente Lula, se reuniu com o líder iraniano, anti-social, preconceituoso, antiquado e maquiavélico Mahmoud Ahmadinejad, em Teerã. Lula viajou até o Irã para apresentar ao governo do país uma proposta conjunta do Brasil e da Turquia para um “possível acordo” sobre o programa nuclear do país.
Lula falou na manhã deste domingo a portas fechadas com o seu agora “amigo” Ahmadinejad sobre a sustentação do programa nuclear do governo iraniano que segundo informações tem fins pacíficos, e que o país não pretende desenvolver armas nucleares.
Um editorial publicado na edição de ontem do jornal americano "The Washington Post" criticou a viagem do presidente Lula ao Irã e disse ainda que a postura brasileira ignora a "repressão brutal" no regime iraniano. O texto cita a morte por enforcamento de cinco dissidentes curdos, no último domingo, e a condenação de um jornalista iraniano-canadense a 74 chibatadas e 13 anos de prisão para afirmar que provavelmente está no início "uma brutal onda de repressão" com o objetivo de impedir protestos pelo aniversário das eleições de junho passado - em que o Ahmadinejad foi reconduzido ao poder sob acusações de fraude no pleito e em meio aos maiores protestos no país desde a Revolução Islâmica, em 1979.
Mesmo assim, o presidente do Bolsa Família ignora os próprios problemas de casa e deu uma de salvador do mundo. O país da mediocridade odeia os não medíocres, talvez por isso o Lula esteja se autoproclamando dono do saber e de todas as respostas para a paz mundial, fazendo conchavos com ditadores e ordinários. O Lula faz com que a maioria dos medíocres desse país tenha que enfrentar todos os dias condução lotada, trabalho do último escalão, enfrentando uma realidade muito parecida com a que os iranianos vivenciam, pois a culpa da nossa inferioridade, não é de ninguém mais além de nós mesmos.
Enquanto o Lula está lá de papinho com o Ahmadinejad e toda a corja, o Conselho de Segurança da ONU pretende adotar novas sanções contra o Irã, já que alguns integrantes do Conselho - como os Estados Unidos - desconfiam das intenções do governo de Teerã quanto ao seu programa nuclear. E é por estas e outras que essa política de interesses com os problemas dos outros me revolta. As tragédias dos outros sempre são mais dolorosas do que as nossas. As mortes dos outros sempre são mais sofridas do que as nossas. A falta de dinheiro dos outros (Grécia) são piores do que as nossas. E a chance de sermos menos medíocres está na mão dos pequenos gênios e dos talentos que habitam cada casa por aí dessa birosca chamada Brasil.
Mas como o Ahmadinejad disse que o Lula é “a personalidade que, apesar de todas as dificuldades e pontos complicados, devido à ordem injusta que prevalece no mundo, é a pessoa que chegou para enfrentar tudo isso”, então o mundo todo tem que baixar a cabeça e aplaudir, pois talvez o ditador e o bobo da corte estejam certos.
Além disso, os conchavos e paparicos entre os amiguinhos presidentes ou qualquer notícia relevante que por ventura possa ter sido veiculada nas TVs serão automaticamente encaminhadas para à vala comum de cocô das coisas desimportantes, devidamente etiquetada pela suprema importância a ser dada nos próximos dias à pauta praticamente unânime do ano: a Copa do Mundo e a equipe do Dunga e os anões milionários. Mas quando os talentos que eu citei no outro parágrafo revolverem se tornar somente mais um no meio desta multidão de medíocres, teremos finalmente que nos contentar em ser somente um país do exótico de bundas e Carnaval, os eternos "Jungle Boys", já que o brasileiro somente existe, ele não cria, só procria. P.S. Só espero que o Brasil não venha a pagar um preço muito alto por essa amizade (e ambição) de Lula e Ahmadinejad.

fotos: divulgação
charge: Caricatura do Brasil e Maurício Ricardo

sábado, 15 de maio de 2010

SECRETÁRIO DE CULTURA DA BAHIA SE FAZ DE VÍTIMA E RESPONDE CRÍTICAS DE CAETANO AO PELOURINHO

“As críticas feitas ao modo como o governo petista vem tratando o Pelourinho encontraram eco nos setores que gravitam em torno dele. Intelectuais, artistas, comerciantes, administradores públicos, além de turistas e moradores que já conhecem o lugar, deram a Caetano o tom da unanimidade, uma melodia que ele quase nunca alcança.”
Por Elenilson Nascimento
Quem acompanha a luta dos moradores do Pelourinho (Salvador-BA) sabe que várias famílias e comerciantes do local, em especial as 21 famílias da ocupação do prédio nº 36/38 da Rua do Passo, no Pelourinho, estão sendo ameaçados por uma absurda reintegração de posse. Todos não têm para onde ir, mas mesmo assim estão sendo despejados. E que estrutura governamental de patifes é essa que não consegue administrar áreas urbanas e tombadas? Porque a pior cidade, o pior Estado em relação à moradia é a Bahia, ao contrário da propaganda do governo do "aqui tem... tem... tem..."
No famoso Centro Histórico de Salvador, se você olhar direito, só tem prédios caindo aos pedaços, pedintes, prostituição, drogas, batuques desorganizados de alguns, roubo e muita ladeira. Está tudo errado! Eles tinham que fazer um seminário com a própria comunidade, pelo menos uma vez no mês, porque é a comunidade que sabe o que está acontecendo por lá, mas, ao invés disso, eles são incapazes de gerenciar seus próprios pensamentos para algo realmente coerente com o que está acontecendo com o Pelourinho. E é bem capaz da própria comunidade ajudar o governo com uma solução, porque eles não têm, pelo que eu percebo, um plano eficiente para a população negra, para os pobres, para os sem-teto, para os que não fazem partes das estatísticas e nem dos cartões postais, nem muito menos são os sorridentes estampados por qualquer migalha nas propagandas do governo da Bahia.
É a discriminação, o abandono, o preconceito, a violência que anda transformando a Bahia num grande navio negreiro. Não só na Bahia, no Brasil inteiro, mas a questão está no mundo todo. Porém, ao contrário do que pregam esses políticos de "merda", essa questão é governamental. A culpa do governo mesmo! Não só do governo da Bahia, baba ovo do Lula, mas de todo governo desse país de faz-de-conta!
Esses caras parecem que escolhem quem pode morar melhor, quem pode morar pior, quem pode ter educação de qualidade, quem vai mofar na fila do SIMM, quem vai viver ou quem vai morrer pelo SUS. Se fosse como é mostrado nas propagandas do governo da Bahia, eu estaria agora morando lá no Itaigara ou na Ondina... é outra Salvador. Ali tem um plano de moradia incrível. Por quê? Por causa da condição social dos moradores de classe AAA, brancos, bem empregados, etc e tal.
E porque o governo do “agora tem... tem... tem...” não faz um mesmo plano para o povo da periferia? Porque o povo da periferia não tem voz, não tem opinião, não são nada e nunca vão ser nada porque não se organizam. As pessoas deveriam obrigar esse governo f.d.p. a enxergar o abandono não só no Centro Histórico, obrigar o governo a enxergar a quantidade de prédios que está caindo, obrigar o governo a enxergar a maioria das famílias sobrevivendo com um salário mínimo ridículo, sem educação, sem saúde, sem oportunidades, sem perspectivas, pois o legado carlista no Centro Histórico foi desde sempre mote de dissonâncias. As principais críticas foram sobre a retirada dos moradores originais do bairro e que o projeto seria eminentemente voltado para os turistas. Iludir para enganar é a meta principal do governo da Bahia.
Nos bons tempos, até Michael Jackson já deu o ar da graça no Pelourinho nos anos 90.
Salvador é uma cidade onde as pessoas não podem ir chegando e construindo em qualquer lugar, pois desaba tudo na primeira chuvinha. Mesmo assim todo mundo constrói onde não deveria. Porque ninguém quer passar por uma humilhação de ser despejado, de vir uma ordem judicial com força policial (*pretos fardados, capitães do mato ordinários) para proteger os interesses de um europeu canalha e dizer: “eu quero, é meu porque fui eu que comprei”. E o cara comprou mesmo e por bagatela.
Salvador toda está sendo vendida por migalhas às construtoras que investem milhões na construção de condomínios para a classe média se iludir que a cidade está ficando linda, mas que, na verdade, a cidade virou um imenso buracão cheio de lama por todos os lados. Mas, para o governo, pouco importa, pois Salvador está cheia de condomínios com nomes estrangeiros.
E outra coisa, eu gostaria de saber do IPHAN e do IPAC se eles estão conscientes dessas mudanças estruturais não só no Centro Histórico? Mas, se o IPHAN está sabendo disso, porque os moradores do Pelourinho, por exemplo, não podem nem pintar a fachada do prédio em que moram? Precisou Caetano Veloso escrever um texto num jornal para que alguém percebesse, ou aparentar perceber, que o Centro Histórico está na "merda".
Abandono do Pelourinho foi tema do primeiro artigo escrito por Caetano no “O Globo”, mas o secretário de Cultura da Bahia, Márcio Meirelles, respondeu às críticas de Caetano em publicação no mesmo jornal. Enquanto isso, o Pelourinho morre aos pedaços!
Mas como tem que ser com Caetano para a polêmica soar sempre como uma de suas antigas canções: “Dá licença, de gostar um pouquinho só/A Bahia eu não vou roubar, tem dó!/Ah! Já disse um poeta que terra mais linda não há/Isso é velho e do tempo que a gente escrevia Bahia com H!”, então, com prosa e argumentos afiados, o cantor estreou na semana passada sua coluna domingueira no jornal carioca “O Globo” entoando esse conhecido refrão dos baianos: o estado de abandono (ou não, diria o próprio) em que se encontra o Pelourinho.
No tal artigo – clique aqui e leia –, ele faz um resgate histórico do local, mas critica a condução política que tem sido dada ao Pelô. “Sentir que talvez haja desprezo pelo Pelourinho deprime”, afirmou o cantor em certo trecho do artigo. Caetano lembrou do falecido senador ACM ao afirmar que é preciso que o atual governo do Wagner, que por sinal nunca faz nada além das propagandas do “aqui tem... tem... tem...”, se posicione de forma clara face ao seu legado para o Centro Histórico: “ACM é um nome que se evita. Medir objetivamente seu legado é anátema”, escreveu Caetano no Globo.
Sobre a polêmica das suas denuncias sobre o Pelourinho, Caetano lembrou no artigo da crítica que ouviu de Paulo Leminski nos anos 1970 sobre a recuperação do Largo da Ordem, em Curitiba: “Você adora enganações feitas para a classe média”, teria dito o poeta. Mas para ele não havia problema no projeto. “Se fizesse algo assim com o Pelourinho, o Brasil decolaria”, pensou Caetano na época. “O atual governo do PT precisaria se posicionar face ao legado de ACM. (...) O secretário de Cultura, meu amigo Márcio Meirelles, é o responsável pelo destino da área”, escreveu o compositor baiano.
Mas, parece que o secretário de Cultura da Bahia, o senhor Márcio Meirelles, não gostou nada dos comentários do Caê e publicou ontem no mesmo jornal “O Globo”, uma carta – clique aqui e leia mais – na qual responde às críticas feitas por Caetano à gestão do governo estadual no Pelourinho.
Em tom até muito amistoso, Meirelles defendeu que o atual projeto do governo para a área possui mais sustentabilidade que as reformas implantadas pelo falecido senador ACM, pois inclui os moradores do bairro. Contudo, só os moradores do local não estão sabendo disso! Ao final do seu manifesto de repudio ao amiginho Caetano, o secretário, autor de "Ó Paí, Ó", ironiza: “Ó paí, velho: quem criou um espetáculo e um grupo capazes de te emocionar poderia abandonar o sujeito da peça?”.
Contudo, a pérola do terceiro governo do polêmico ACM (*1990-1994), o Pelourinho passou por um grande processo de revitalização com uma reforma do bairro que transformou o Pelô no ponto mais visitado de Salvador na década de 90, segundo dados da Bahiatursa, mas o que tudo indica é que o atual governo Wagner tem sepultado o mais famoso cartão-postal de Salvador. Porém, como sempre, o governo do Estado, através de sua assessoria, negou qualquer tentativa da administração Wagner de sepultar da memória do mundo um dos locais mais famosos da Bahia e eternizado nos livros de Jorge Amado. Lamentável isso tudo!
Casarões degradados no Pelourinho.
foto 4: Vaner Casaes
demais fotos: divulgação