terça-feira, 27 de abril de 2010

ARNALDO ANTUNES LANÇA LIVRO NOVO

Por Elenilson Nascimento
Oba! Convite especial para os leitores da LITERATURA CLANDESTINA. O sempre super simpático Arnaldo Antunes lança seu décimo livro de poemas, “N.D.A.”, no dia 27/04, terça-feira, na Livraria da Vila, na Vila Madalena, em São Paulo, e no dia 05/05, na Livraria da Travessa, em Ipanema, no Rio de Janeiro.
Para quem não sabe, Arnaldo escreve desde o tempo em que ainda era dos Titãs. Seus livros de poemas não costumam fugir das características que marcaram a sua carreira como músico e compositor: a originalidade impera sempre. Basta ouvir o CD “Saiba” para encontrar poesia pura e sem vergonha por lá.
Uma parte de seu último livro, “Como É que Chama o Nome Disso”, lançado em 2006, ganha novo espaço em “N.D.A.”. E o volume poético “Nada de DNA” volta a ser publicado no mais recente livro de Arnaldo.
A publicação apresenta alguns poema-objetos, fotografados por Fernando Laszlo, e expostos em 2008, em mostra individual na galeria Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro, e em 2009, na mostra “Ler Vendo, Movendo”, no Paço da Liberdade, no SESC PR.
Outra parte de “N.D.A.” que vale destaque é a sessão “Cartões Postais”, onde Arnaldo seleciona fotos de placas e diversos elementos urbanos e os descontextualiza, transformado-os em pura poesia. O projeto gráfico do livro também é assinado pelo músico. Confira o convite de “N.D.A.” abaixo:
>>> No dia 27 de abril, Arnaldo Antunes lança seu novo livro, “N.D.A.”, na Livraria da Vila, unidade Fradique. O evento dura das 18h30 às 21h30 e tem entrada Catraca Livre. No dia o músico e escritor autografará sua obra. Todos vocês estão convidados, pelo menos os que estão em São Paulo.
fotos : divulgação

A TV BRASILEIRA ESTÁ INFESTADA DE BAGAÇEIRAS!

“E não adianta, só nos bastidores, as redes de televisão focarem indo atrás, demarcando território, conhecendo a engrenagem da notícia, identificando aliados, cavando espaços, enquanto as suas caras nas telas continuarem se comportando como se animaizinhos fossem.”
O apresentador da Band, o arrogante Otávio Mesquita, manifestando a sua educação de lord inglês: “Obrei pra vc”.
Por Elenilson Nascimento
O total desencantamento com a bizarra relação entre escritores no meio literário paranaense, a quem batiza de "pavões da província", motivou o autor Miguel Sanches Neto a escrever o romance (*com pinceladas autobiográficas) “Chá das Cinco com o Vampiro”. O livro conta a história de Beto, um jovem aspirante a escritor que, assim como o autor, troca sua pequena cidade natal por Curitiba, onde se transforma em jornalista respeitado e se vê envolvido num círculo vicioso de mesquinhez e inveja – clique aqui.
Muito parecido com o enredo do livro de Sanches é essa safra de apresentadores de quinta e estrelinhas de última das TVs brasileiras e, agora, mais do que nunca. Contudo, com o avanço da Record dos crentes da Universal nos levantamentos do Ibope tem obrigado a cúpula da Globo a pegar a ponte aérea para saber o que está acontecendo. Como se ninguém soubesse! A desculpa era apresentar a nova programação de 2010, que não trouxe nenhuma novidade relevante, já que tudo foi vazado meses antes. E o tiro saiu pela culatra.
Durante décadas, a Globo dominava as chamadas das revistas de TV. Hoje tem de se contentar em dividir espaço para produções da concorrência, mesmo que essas, muitas vezes, sejam até piores do que as que estamos acostumados a engolir guela abaixo, principalmente as da Record. E isso pode até incomodar muito a emissora Bobo, digo, Globo, pois indica uma quebra de tradição – e abre um precedente perigoso para sua hegemonia. É aquela velha história: se fechar o olho, perde o jogo. E a Record está jogando pesado, e seu time de "obreiros" escalados para seduzir a mídia já começa a dar resultados.
Mas não é só a Record que anda investindo para tirar a coroa da Globo. A Band também tem feito algumas mudanças na sua grade. Programas como “CQC”, apresentado pelo sempre excelente Marcelo Tas e seus discípulos, tem tirado o sono dos executivos da Globo nas noites de segunda-feira. O “Jornal da Band” com o Ricardo Boechat, a linda Ticiana Villas Boas, Joelmir Beting e Boris Casoy (*esse último sendo processado pelo garis por causa de um comentário infeliz que a mídia toda fez a festa) é o melhor jornal atualmente. Mas a Band se perde quando inventa de organizar e exibir coisas como um concurso de miss. Existe coisa mais démodé do que isso? Sim. Corrida de Fórmula 1 com o Galvão Bueno, que agora é soteropolitano, ou o pior, “Rebolation” no “Fantástico”.
Mas pelo quinto ano consecutivo a Band exibiu ontem à noite, 24/04, a bosta do concurso que elegeu a “suposta” mulher mais linda de todo o estado de São Paulo. Nas baladas de todas as cidades existem garotas mais lindas do que essas que a band mostrou. Com apresentação do sempre bostético e arrogante Otávio Mesquita, a 55 ª edição do “Miss São Paulo” foi realizada no Memorial da América Latina e contou com a participação de 41 candidatas de diversas cidades que disputaram o direito de suceder a miss São Paulo Silvia Novais e representar o estado no concurso de “Miss Brasil”, em maio.
Bom talvez eu também devesse ter substituído “merda” por “coliforme fecal”, mas isso agora pouco importa.
Qual a garota inteligente que em sã consciência iria perder tempo para ficar se exibindo na TV num concurso com organização ZERO e com o mestre de cerimônia igualmente pontuado? Parece que nesse país de bagaça um monte de meninas sem cérebro fizeram fila para participar. E na total falta de atrações musicais colocaram um Sidney Magal sem noção para cantar “Sandra Rosa Madalena”, um D'black (*gosto do cara viu, mas participando de concurso de miss, me poupe!) e Negra Li se achando.
Agora a pouco, pelo Twitter (*que só agora estou aprendendo que ali também é um espaço para os desafetos e massacres verbais dos verborrágicos), disse ao arrogante, prepotente, vaidoso e sem noção do Otávio Mesquita que “ele apresentando um concurso de miss foi um merda cara!”. E, como o cara é rico e tem programa de televisão, se achou no direito – com o linguajar que lhe é peculiar – de responder no alto da sua sabedoria e educação: “@Elenilson_N obrei pra vc !! Hahahaa”.
Bom talvez eu também devesse ter substituído “merda” por “coliforme fecal”, mas isso agora pouco importa. O que se pode perceber é que o nível da TV brasileira chegou ao patamar de mediocridade. E não adianta, só nos bastidores, as redes de televisão focarem indo atrás, demarcando território, conhecendo a engrenagem da notícia, identificando aliados, cavando espaços, enquanto as suas caras nas telas continuarem se comportando como se animaizinhos fossem. Mas as redes não descem do salto alto, ficam encasteladas, repetindo velhos esquemas com as suas estrelinhas de nível duvidoso (leia-se Datena, Cajuru, Otávio Mesquita, Galvão Bueno, aqueles caras do “Pânico” e do “Casseta e Planeta”, Suzana Vieira, e muitos outros) continuarem se comportando como se donos do mundo fossem.
Fica claro, mais uma vez, que as emissoras terão de sambar na vaselina para recuperar a simpatia dos formadores de opinião e do público um pouco mais exigente que estão largando as TVs abertas de lado por causa da internet ou dos canais fechados. Sempre haverá clima de arrogância, prepotência, frieza ou simples grosseria nos contatos, mas até quando os artistas ficaram nos seus altares e o público, do outro lado. Essa frase do Otávio Mesquita – “obrei pra vc” – resume bem as relações das maiores emissoras do país com seus telespectadores.
Só espero que ninguém surte como o Silvio Santos e fique longe das rotinas de brigas pelo Twitter com algum artista alcoólatra de mãe superprotetora, mas que encontre algum tipo independência – pelo menos para se manifestar – e se aproximar de um escritor excêntrico num blog clandestino para traçarmos um painel ácido do mundo contemporâneo, com seus personagens quixotescos e suas batalhas de ego.
Abaixo mais uma briga de egos exaltados. Vale a pena ver de novo uma das brigas mais punks – depois de Dado Dolabella e João Gordo, na MTV – que já ocorreram na televisão brasileira ao vivo. O chatérrimo apresentador Cajuru provoca um boxeador e quase apanha. Pena que ele não apanhou. Confira o vídeo:

fotos: divulgação/Twitter

segunda-feira, 26 de abril de 2010

IGREJA RECORRE AOS BEATLES E CULPA GAYS

“O clima na Igreja não tá muito propício para abusar da credibilidade dos fiéis minguantes, dizendo-lhes uma coisa hoje e desmentindo amanhã.”
Por Malu Fontes*

Com a ideia de aldeia global cada vez mais superdimensionada, sobretudo em função do poder instantâneo e multiplicador das mídias digitais e móveis, a repercussão dos fatos produz em seus protagonistas sociais, caso queiram ficar bem na fita, a necessidade de reagir em uma velocidade e imediatismo tais que tem levado até mesmo a sisuda Igreja Católica a uma sucessão de tropeços e intempestividades. Se durante muito tempo a Santa Madre se ocupava em punir seus liderados que infringissem suas normas doutrinariamente e tratar de disfarçar, esconder, silenciar e perdoar os pecados dos que cometiam desvios morais, os tempos são outros e essa estratégia dois e duas medidas já não se presta a dar conta de nada.
Sempre se falou em homossexualidade, pederastia e coisas do gênero nos bastidores da Igreja Católica. E nunca foi possível dissociar o exercício sexual clandestino da exigência do celibato, que, todo mundo sabe, foi instituído para que a Igreja nunca viesse a ter problemas com a repartição de seu patrimônio com viúvas e filhos de padres, bispos, etc. Nos últimos anos, no entanto, uma avalanche de denúncias de pedofilia, sobretudo na Europa, obrigou a Igreja a sair do silêncio e do segredo sobre o assunto. A repercussão de tais escândalos na imprensa tem obrigado, com uma frequência surpreendente, personalidades do primeiro escalão do Vaticano a vir a público dar satisfações.
ESDRÚXULA - Em apenas uma semana, por exemplo, emissoras de TV de todo o mundo repercutiram amplamente quatro posicionamentos da Igreja, alguns adotados e publicizados intempestivamente com um propósito desesperado: tentativa de diminuir o impacto negativo gerado pelas denúncias que vêm da Irlanda, da Itália e da Alemanha, todas dando conta de membros da Igreja que abusaram sexualmente de crianças. Até mesmo uma carta do Papa, Bento XVI, pedindo tolerância a um pedófilo, foi desenterrada dos arquivos do passado, gerando constrangimento.
Na primeira tentativa desastrada do Vaticano de inverter a relação vítima versus algoz, nomes incensados do Vaticano vieram a público dizer que a Igreja, ao invés de abrigar culpados de crimes sexuais contra crianças, era, na verdade, vítima de uma injustiça orquestrada, objeto de uma campanha de agressão moral, preconceituosa e discriminatória, uma campanha tão odiosa quanto a feita contra os judeus e que levou ao Holocausto. A reação judaica foi à altura e o Vaticano, como instituição, oficialmente, voltou atrás, pediu desculpas aos judeus e desautorizou o porta voz da comparação esdrúxula.
PERDÃO AOS BEATLES - Poucos dias depois, de modo praticamente simultâneo, o Vaticano anunciou ao mundo duas medidas simpáticas, uma delas revelando que a Santa Madre também sabe rezar direitinho pela cartilha midiática que ensina a fabricar factóides. Ao mesmo tempo em que divulgou um posicionamento sério, comprometendo-se, a partir de agora, a tratar de modo jurídico e não mais como questão interna e moral os casos de pedofilia denunciados, anunciou também, numa estratégia de quem corre para a galera, que absolveu os Beatles (40 anos depois da extinção do grupo) dos pecados de satanismo e blasfêmia.
Duas medidas positivas. Uma que já chega tarde, o anúncio do tratamento jurídico e policial a crimes contra crianças nos bastidores da Igreja, mas em se tratando da Santa Madre, onde cada passo demora um século, já tá de bom tamanho. Já a dos Beatles, merece, no máximo, o adjetivo risível. Entretanto, o Vaticano, demonstrando que aprendeu a pegar carona no fluxo instantâneo e rápido da indústria e da cultura noticiosa mas ainda não sabe modular o impacto do que diz, através de seu secretário-geral, o segundo cargo na hierarquia da Igreja, o cardeal Tarcisio Bertone, cometeu outra trapalhada.
ABUSOS - Para afastar o celibato do olho do furacão dos escândalos sexuais que explodem a cada dia em um país diferente, o cardeal Bertone diagnosticou: a pedofilia existe na Igreja, sim, mas isso nada tem a ver com o celibato, e, sim, com a homossexualidade. Diante da reação internacional da comunidade gay, institucionalmente o Vaticano veio a público desautorizá-lo, ressaltando que o cardeal não é psiquiatra e, portanto, não tem autoridade científica para diagnosticar nada. Antes de cometer uma trapalhada atrás da outra, seria aconselhável às autoridades do Vaticano combinarem antes o que dizem ou não. O clima na Igreja não tá muito propício para abusar da credibilidade dos fiéis minguantes, dizendo-lhes uma coisa hoje e desmentindo amanhã. E, no afã de desmentir-se, o catolicismo confunde-se de novo, afinal, quando a Igreja mensurou suas falas por filtros científicos?

* Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.
foto: jogador de futebol David Beckham/publicidade

domingo, 25 de abril de 2010

UM “PAPINHO” COM O GEDDEL VIA TWITTER

“E depois querem que eu acredite em políticos...”
Por Elenilson Nascimento
A dupla Geddel Vieira Lima (PMDB) - César Borges (PR) parece que já estreou a campanha eleitoral baiana, ao fazer visitas aos municípios no interior e em diversos bairros pobres da periferia de Salvador. Ainda não dá para saber qual a influência real sobre o eleitorado da aliança que colocou o Geddel como candidato à reeleição na chapa majoritária encabeçada pelo PMDB, mas será a partir de contatos que estão acontecendo que Geddel e César esperam transformar em votos o novo ânimo que tomou conta da coligação.
Mais importante do que isto, porém, será mesmo sentir a reação dos eleitores uma vez que, apesar de todo o aparato tecnológico que tem invadido as campanhas eleitorais, ainda tem muito peso o chamado “sentimento” das pessoas comuns no contato direto com os candidatos. E estes sabem disso. Ontem, 24/04, via Twitter, bati um papo - mais rápido do que a luz - com o Geddel que foi muito simpático, digo, político, mas não me convenceu em absolutamente nada. Confira o diálogo abaixo – parece a novela espírita da Globo:
Elenilson_N: @geddel_ O senhor anda pela Bahia? Eu acho que não. Deve mandar os secretários. Me poupe viu!!!!
geddel_: @Elenilson_N Ñ entendi a agresividade. Mas se interessa ando sim,e ñ é de hoje.De ha muito conheço os cantos e recantos da terra em que nasci.
Elenilson_N: @geddel_ O senhor não muda o discurso né????
geddel_: @Elenilson_N E sei q/sou capaz, por formação e foco de implementa-las.Como demonstrar?Ai dependeda disposição de vocês me darem a chance.C/ta,ñ pode ficar
Elenilson_N: @geddel_ Sr. Geddel, me perdoe se fui meio agressivo, mas ando muito desacreditado nas coisas que o senhor e seus amigos ficam falando. 8(
geddel_: @Elenilson_N Tudo bem! Mas me fale o que disse que o levou ao descrédito? quanto aos “amigos",que amigos?
Elenilson_N: @geddel_ A adesão do César Borges à sua candidatura causou cisão política -familiar, com direito à gritos e brigas domésticas mesmo?
geddel_: @Elenilson_N So se foi la pras bandas do PT. Do nosso lado causou muita satisfação, afinal, todos queriam o apoio de Cesar, lembra? Nós levamos.
Elenilson_N: @geddel_ Eu acho que o senhor vive rodeado de baratas. Ninguém mais aguenta essas caras de sacanas dos seus amigos.
geddel_: @Elenilson_N Insisto,quem são os ämigos"?Baratas? nesse caso pareço as mulheres,tenho horror a elas
Elenilson_N: @geddel_ Eu acho q o senhor está se esquivando. Mas como a política no Brasil não passa de arquitetadas mentiras. Então, paciência...
Elenilson_N: @geddel_ Uma vez fui assistir a um show seu. Foram fortes as emoções: teve choro, gritos, pancadaria, beijinhos em crianças e muito mais
geddel_: @Elenilson_N ñ faço shows.Você deve ter confundido-me com outra pessoa
Elenilson_N: @geddel_ Não confundi nada, era o senhor mesmo. Uma pena pq o achava um cara muito inteligente, mas não confio nada nas coisas q vc prega.
geddel_: @Elenilson_N Lamento.Mas nunca tive a pretensão de obter unanimidade.Quem sabe c/mais tempo e oportunidades consiga melhorar s/aval/s/mim
Elenilson_N: @geddel_ E quem lhe disse q eu espero isso do senhor? Mas ainda acho q deveria mudar o discurso.
Elenilson_N: @geddel_ O senhor não havia destinado 64% (*verba do Ministério) para a Bahia, deixando o RJ a míngua, onde diabos estão esses recursos?
geddel_: @Elenilson_N Se você diz que ñ me oferece a chance de tentar mudar sua opinião, porque deveria ouvir as suas?
Elenilson_N: @geddel_ Pq o senhor não está tentando nada comigo. Eu só apenas mais um na multidão. Não é assim que vcs políticos dizem?
geddel_: @Elenilson_N Não.Eu nunca disse isso.E não penso isso.
Elenilson_N: @geddel_ Pq o senhor ainda vive de papo com o prefeito “que nada sabe” e toda vez q chove decreta estado de emergência na cidade?
geddel_: @Elenilson_N Relaxando.Como não estou bebendo,acabo de tomar um Ovalmatine gelado.Gosta?
Elenilson_N: @geddel_ Não obrigado, prefiro Coca-Cola.
Muitos minutos depois...
Elenilson_N: @geddel_ Uma pena. O papo acabou. Mesmo assim valeu. Nunca vou votar em vc.
geddel_: @Elenilson_N Vote em quem achar melhor.É assim que funciona a Democracia.De qualquer forma obrigado pelo papo,que acabou.
fonte: Twitter

sábado, 24 de abril de 2010

O FRACASSO NAS UNIVERSIDADES

“Com vagas ociosas e ingerências indevidas, as novas universidades federais já nascem com os mesmos problemas do caro e ineficiente ensino superior público brasileiro. Sabe-se que 50% dos alunos brasileiros que se formam no ensino médio a cada ano, um grupo de 1,2 milhão de estudantes, estão longe da sala de aula porque não conseguiram vaga numa faculdade pública, tampouco têm dinheiro para arcar com uma particular.”
Por Elenilson Nascimento
Nessa semana tentei - mais uma vez - retirar um certificado de conclusão de um curso de especialização que fiz a cerca de cinco anos atrás na UNEB (Universidade Estadual da Bahia), sem sucesso. A total falta de organização e comunicação entre os setores da universidade leva à impressão de que todo o sistema acadêmico anda à passos lentos, para eu não dizer que nem anda.
Mas, segundo o nosso presidente Lula, o ensino público no Brasil está uma perfeição. E como ele sabe disso? Afinal, ele nunca pôs os pés lá nem para dizer que não precisou de diploma. O joguinho de dominó tem uma dinâmica peculiar: cada movimento leva a outro e completar a sequência sobre a mesa ou derrubar as peças depende muito dessa reação em cadeia para funcionar. E nessa engrenagem torta as universidades públicas brasileiras, com as honrosas exceções de sempre, andam apresentando uma produção científica pífia e um dos mais elevados custos por aluno do planeta.
Suas coirmãs mais novas criadas nos últimos anos – graças ao governo Lula – vieram ao mundo com defeitos de fabricação da mesma natureza. Muitas dessas universidades têm quadros de professores horistas inflados, salas de aula praticamente vazias e taxas de evasão que fazem refletir sobre a sua real utilidade. E essa representação vale, não de forma metafórica, para avaliar a qualidade da Educação no Brasil.
Num levantamento – publicado, semanas atrás, na revista “Veja” – de treze instituições inauguradas a partir de 2005 revela que o número de vagas ociosas gira em torno de 20%, chegando a atingir 40% – mais de quatro vezes a média das federais que funcionam há mais tempo. Tome-se então como exemplo a já aqui citada UNEB, ali se está diante de um caso de inoperância difícil de ser superado. Um imenso buraco no bairro do Cabula, onde não se produz absolutamente nada, além da prepotência dos professores a da arrogância dos seus alunos.
E nesse desastre anunciado ocorre que várias outras instituições estão indo na mesma sorte: a educação foi substituída pelas compulsivas apresentações de seminários pelos próprios alunos (*tanto nas graduações como em cursos de especializações, mestrados e doutorados). E quem paga o descalabro? Você, caro leitor, com os impostos que lhe consomem o suor do rosto durante cinco dos doze meses do ano.
A Universidade do Recôncavo da Bahia, na cidade de Cruz das Almas, é um exemplo disso. Em um país como o Brasil, em que das 5 565 cidades cerca de 500 possuem população acima de 50 000 habitantes, Cruz das Almas não pode ser classificada como uma localidade erma. Com apenas 800 jovens matriculados no ensino médio, a cidade da Bahia, nacionalmente famosa por sua temerária "guerra das espadas", travada durante os festejos de São João, não tem densidade educacional para abastecer de alunos uma universidade. E a demanda real, na maioria dos casos, foi solenemente ignorada.
No município de Laranjeiras do Sul, no interior do Paraná, existe um câmpus próximo a um assentamento do MST. No final de março, durante a aula inaugural dos cursos de educação do campo e de desenvolvimento rural, ambos de nível superior, o que se viu pela TV foi um monte de bandeiras agitando-se do movimento aos gritos de "Viva o MST". E o que podemos esperar de alunos doutrinados desde espermatozóides por movimentos políticos, religiosos e partidários?
Ninguém discorda de que é imperativo para o país ampliar o acesso ao ensino superior, em que só ingressa hoje um de cada dez jovens – um terço da média registrada nos Estados Unidos. Sabe-se que 50% dos alunos brasileiros que se formam no ensino médio a cada ano, um grupo de 1,2 milhão de estudantes, estão longe da sala de aula porque não conseguiram vaga numa faculdade pública, tampouco têm dinheiro para arcar com uma particular (*só se ficar inadimplente). Mas a questão que se coloca aqui é como incluí-los de forma menos dispendiosa e mais eficaz. As universidades brasileiras, afinal, chamam atenção no mundo inteiro por dragar altas somas de dinheiro, mas são ineficientes quando o assunto é a qualidade da Educação e dos seus alunos.
PRECONCEITO – Essa semana um assunto chamou a atenção do Brasil inteiro, com relação ao nível dos nossos universitários. Um jornal dos alunos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP causou repúdio no meio estudantil e acadêmico ao realizar uma “promoção” lamentável. O jornal acadêmico "O Parasita" oferece um convite a uma "festa" aos estudantes do curso que, em troca, jogarem fezes em um homossexual.
A Defensoria Pública do Estado de São Paulo teve conhecimento do texto (*leia-o na íntegra – clique aqui) e informou nesta sexta-feira, 23/04, que irá denunciar o periódico semestral por homofobia à Comissão Processante Especial da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo; e a Coordenadoria de Políticas Públicas para a Diversidade Sexual afirmou que também irá registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil contra o jornal e a universidade por crime de injúria e incitação à violência. O autor do texto lamentavelmente imbecil, assinado como pseudônimo de Joãozinho Zé-Ruela, que aparece como editor de eventos, é mais uma prova do tipo de cidadãos que as nossas universidades estão formando.
Se hoje em dia cada aluno custa à União 13.000 dólares por ano numa universidade pública. Esse valor, em relação ao PIB per capita do país, é o triplo do custo por estudante nos países da OCDE (*organização que reúne os mais desenvolvidos), que oferecem, por sua vez, um ensino muito melhor, esse dado se torna ainda pior se confrontado com a produção acadêmica, quesito em que o Brasil responde por apenas 1,8% das citações em revistas de relevo internacional. Até hoje, por tanto, nenhum pesquisador brasileiro foi agraciado com um Prêmio Nobel, ao passo que os argentinos, por exemplo, já levaram cinco. Em suma, criar mais universidades públicas é como reproduzir um sistema de ensino ineficiente, que envolve altos gastos e baixa produtividade.
Os alunos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP são mais um exemplo do que estamos formando: uma geração de alienados que se esconde por trás de muros acadêmicos, apesar de eles afirmarem que a atitude miserável de alguns com a utilização do tal jornal preconceituoso não condiz com a entidade estudantil oficial. O texto imbecil chegou ao conhecimento do público pela internet. Muitos criticavam o conteúdo e a incitação homofóbica, mas segundo um dos alunos de ciências farmacêuticas: “muitas pessoas reagem com raiva, outras com descaso e algumas acham um jornal muito legal”.
Será que somente inaugurar universidades e criar bolsas auxílio são suficientes para tirar o Brasil do eterno atraso cultural? O programa de expansão das universidades federais do governo Lula, que já criou 63 000 vagas desde 2003, consumiu 1,6 bilhão de reais. Mas uma solução menos onerosa, concordam muitos especialistas (*pessoas realmente engajadas e preocupadas com a Educação, e não assistentes de palco do Lula com as suas máscaras de ministros), seria fazer uso de pelo menos uma parte dessas 1 milhão de vagas atualmente ociosas em faculdades particulares, por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni), do próprio governo federal.
Ao conceder bolsas a jovens de renda mais baixa, o ProUni abarca hoje apenas 8% dos egressos do ensino médio que ficam de fora da sala de aula, mas a experiência mostra que a relevância de trazer de forma urgente ao debate outro tipo de solução para a mudança no ensino superior brasileiro: cobrar mensalidade em universidades públicas daqueles que podem pagar e qualificar (de verdade) o corpo docente (*já que muitos professores se acomodam na sua carteira e no seu título de professor universitário, ao invés de trabalhar e educar de verdade).
A questão do acesso à universidade, no entanto, não pode passar ao largo de um problema anterior, o da péssima qualidade do ensino fundamental e do ensino médio cada vez mais automatizados com os ineficientes projetos de aceleração do qual só saem 35% dos jovens que ingressaram nele. Desatar esse nó deveria ser prioritário – mas seria, sem dúvida, bem menos visível para os eleitores do que abrir novas universidades a toque de caixa. Enquanto isso, continuaremos com alunos cada vez mais alienados por universidades cada vez mais ineficientes e mercenárias – veja o vídeo abaixo:

Charge: Eva Gina dos Santos (licenciada em pulos, cambalhotas e jogo da macaca)/Blog Portugal Porreiro
Vídeo: Maurício Ricardo/Charges.Com

sexta-feira, 23 de abril de 2010

GALVÃO BUENO, CIDADÃO SOTERO, E OS BABA-OVOS FAZENDO POLÍTICAGEM

“E além de tudo, foi comparado com Dorival Caymmi, Jorge Amado e entrevistado pela supra sumo do telejornalismo da Bahia, Wanda Chase.”
O agora baiano Galvão ao lado do cantor Durval Lelys e do vereador Paulo Magalhães.
Por Elenilson Nascimento
Ninguém merece essa cidade viu! Salvador caindo aos pedaços com as últimas chuvas e com esses administradores de boteco gerenciando essa terrinha fedendo a cocô e ainda acham tempo para homenagear o narrador esportivo da Globo, Galvão Bueno.
Homenageado na noite de ontem, 22/04, com o singelo “Título de Cidadão Soteropolitano” (*só não entendi o motivo!), no Plenário Cosme de Farias, na Câmara Municipal de Salvador (CMS), Galvão mostrou o quanto “emocionante” é ser baiano: bateu tambor com o arroz de festa do Olodum dentro da Câmara, apertou as mãos de um monte de meninos devidamente paramentados, falou as mesmas babaquices de sempre, recebeu e deu sorrisos ao lado do cantor Durval Lelys e do vereador Paulo Magalhães, desfilou com a sua linda e jovem esposa Desiré (*ela é atriz, modelo ou só esposa dele?) e ainda foi entrevistado e comparado com Dorival Caymmi, Jorge Amado pela supra sumo do telejornalismo da Bahia, a jornalista Wanda Chase.
O tributo prestado pelo já citado vereador Paulo Magalhães (PSC), que segundo o Galvão, não imaginava ser merecedor de “tanta honra”, foi uma rasgação de seda organizada pelos puxa-sacos da Rede Bahia. "Quantos brasileiros gostariam de estar aqui e receber essa nomeação? Orgulho-me de ser brasileiro, e agora ainda mais de ser soteropolitano", afirmou Galvão. Mas numa terra onde até o Michael Jackson é considerado o símbolo máximo de ser baiano, o que ainda podemos esperar? Realmente eu devo ser um invejoso medíocre, pois o Galvão já fez muito pela Bahia.

+ Ouça aqui também o comentário mais do que pertinente sobre os cafonas e imbecis dos irmãos baianos, feito pela maravilhosa Malu Fontes (*e não tô puxando o saco dela não, pois mulheres do nível de Malu estão em falta):
foto: divulgação e podcast: Portal da Metrópole

ATÉ O KAKÁ CANTANDO PELO HAITI

Mais de 20 artistas internacionais se reuniram para gravar a música "Ay Haiti" (www.mezclandoporhaiti.com ), em prol das vítimas do terremoto que assolou o país caribenho em janeiro deste ano. Além de cantores famosos como Shakira, Alejandro Sanz, Enrique Iglesias, Hombres G, Juanes, entre outros, também participaram da gravação jogadores como Kaká e Sérgio Ramos (Real Madrid), Iniesta (Barcelona) e Diego Forlán e Kun Aguero (Atlético de Madrid). A renda obtida com a música será revertida para a ONG Intermón Oxfam que está trabalhando no Haiti. Agora, eu pergunto: cadê os artistas daqui do Brasil para fazerem uma campanha como essa pelo Rio de Janeiro ou por Salvador? Todos se calam!



fonte do vídeo: TV IG

quinta-feira, 22 de abril de 2010

ABDIAS NASCIMENTO ESTÁ NA LISTA DO NOBEL 2010

“Um dos melhores intelectuais brasileiros acabou de ser indicado ao Prêmio Nobel 2010.”
Por Elenilson Nascimento
Um dos principais ativistas do movimento negro no Brasil, professor, artista plástico, escritor, poeta, dramaturgo, que foi senador e secretário de estado no RJ, professor emérito da Universidade do Estado de Nova Iorque, professor visitante nas universidade de Yale e no departamento de línguas e literaturas da Universidade de Ifé, na Nigéria, Abdias Nascimento está na relação dos candidatos que podem receber o Prêmio Nobel da Paz 2010.
Filho de uma doceira e um sapateiro, desde cedo, já lutava por seus objetivos e ideais. Aprendeu com sua mãe a não deixar uma ofensa racial sem resposta. Adolescente, foi para São Paulo e logo engajou-se em movimentos afros, sendo um dos fundadores, aos 17 anos, do mais histórico deles, a Frente Negra Brasileira. Graduou-se em Economia, fundou no Rio de Janeiro, em 1944, o Teatro Experimental do Negro, entidade que rompeu algumas barreiras raciais no teatro brasileiro. Como ator, encenou "Othelo", "Sortilégio", "Perdoa-me por me traires", dentre outras. Organizou a Convenção Nacional de Negro em São Paulo e Rio de Janeiro em 1945, 1946, respectivamente, e o 1º Congresso do Negro Brasileiro no Rio de Janeiro em 1950. E entre 1949 e 1951, publicou o Jornal Quilombo.
Participou em vários eventos internacionais do mundo africano e do 2º Festival Mundial de Artes e Culturas Negras e Africanas em 1977. Em 1980, voltou ao Brasil e contribuiu para a fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Um ano mais tarde, foi escolhido vice-presidente e fundou o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros. Como deputado federal entre 1983 e 1986, apresentou projeto de lei que previa a criação de cotas de 20% para negros na seleção de candidatos ao serviço público. A matéria, porém, jamais chegou a ser apreciada.
Abdias em “Othelo”, com Cacilda Becker (1946).
É autor de mais de uma dezena de publicações sobre racismo e suas peças teatrais tem como pano de fundo a religiosidade de matriz africana. Militante das causas contra o racismo, Abdias é um dos mais importantes intelectuais negros do mundo. E agora, se faz mais do que necessário, a sua indicação para o Prêmio Nobel da Paz pelo Instituto de Advocacia Racial e Ambiental, com o apoio de várias autoridades e intelectuais brasileiros.
Segundo o comunicado do Comitê que organiza o prêmio, 237 pessoas de todo o mundo estão concorrendo. O resultado deve sair em meados do mês de outubro. E pelo que ficou explícito num e-mail que acabei de receber com essa informação, a indicação partiu do Memorial Lélia González. Se a informação estiver incorreta, por favor, quem de direito, corrija, mas uma notícia dessa não pode esperar muito para circular.
Agora contamos com vocês, leitores da LC, solicitamos sua adesão em favor desse ativista e grande intelectual brasileiro, à indicação de Abdias ao Prêmio Nobel da Paz 2010. Para a sua adesão, solicitamos preencher o formulário on-line, clicando AQUI. Saudações.
Para saber mais sobre Abdias, vale conferir o site oficial sobre a sua vida e obra: clicar aqui! Fica aqui a torcida para a premiação vir, pois ela terá uma simbologia fantástica para o Brasil. Abaixo algumas imagens da sua carreira. Prestem atenção e, para aqueles que não estão ligando o nome á pessoa, lembraram!
Abdias em “Othelo”, no Festival do 2º Aniversário do TEN (1946). Com Léa Garcia (1951).
Na peça “Sortilégio”, também com Léa Garcia (1957).
Na peça “Perdoa-me por me traíres” (1957).
Sendo homenageado por Lula.
Outra homenagem (2004).
As várias caras de um grande cara!
fotos: Site Abdias Nascimento/Portal Afro

MÚSICAS ESSENCIAIS DOS BEATLES

“Depois de mais de 30 anos da divisão do grupo, as vendagens dos discos dos Beatles continuam incríveis, numa época onde os mais jovens são infectados de “merdas pops” de gostos duvidosos.”Por Elenilson Nascimento
Os Beatles sempre estiveram num patamar de destaque na minha imensa lista de discos essenciais. Uma banda estranha que tocou em muito pouco tempo, mas que fez uma enorme diferença. Uma trajetória que começou no The Cavern Club, em Liverpool, e depois tomou o rumo do sucesso mundial que todo mundo já sabe. Ao longo de apenas oito anos, de 1962 a 1970 (veja a discografia inglesa completa), os Beatles mudaram para sempre a face do rock and roll, criando uma linguagem musical única e influenciando o comportamento da juventude de sua época, como ninguém havia feito antes.
Até hoje, nenhum outro grupo musical conseguiu reproduzir tal façanha. Depois de mais de 30 anos da divisão do grupo, as vendagens dos discos dos Beatles continuam incríveis, numa época onde os mais jovens são infectados de “merdas pops” de gostos duvidosos. Então, para viciar vocês leitores da LC, acabei de receber um arquivo sensacional de vídeos organizados dos Beatles (*com todas as músicas e com as respectivas letras), do meu amigo Luis Silva. E o meu propósito aqui é mostrar para vocês os diversos sabores dos Beatles que já experimentaram de tudo um pouco (até drogas).
Tenha paciência com a listinha, pois fica difícil escolher uma canção que, para mim, não seja óbvia. A lista é um esforço nesse sentido. Tem de “Yesterday”, “Hey Jude”, até “Anna” que eu amo! Esta postagem também é dedicada a uma garota muito bacana que eu conheci em São Paulo, em janeiro último, mas que é uma sacana por não achar os Beatles simplesmente como a melhor banda de todos os tempos. Contudo, não vou revelar a identidade dessa f.d.p., pois não sei como a Taís Noronha lidaria com isso.
+ Vídeos organizados dos Beatles. É só clicar e ouvir.
A Day in the Life - A Hard Day's Night - A Taste of Honey - Across The Universe - Act Naturally - All I've got to Do - All My Loving - All Together Now - All You Need Is Love - And I Love Her - And Your Bird Can Sing - Anna (Go To Him) - Another Girl - Any Time At All - Ask Me Why - Baby It's You - Baby You're A Rich Man - Baby's in Black - Back In The USSR - Bad Boy - Because - Being for the Benefit of Mr. Kite! - Birthday - Blackbird - Blue Jay Way - Boys - Can't Buy Me Love - Carry That Weight - Chains - Come Together - Cry Baby Cry - Day Tripper - Dear Prudence - Devil In Her Heart - Dig A Pony - Dig It - Dizzy Miss Lizzie - Do You Want to Know a Secret - Doctor Robert - Don't Bother Me - Don't Let Me Down - Don't Pass Me By - Drive My Car Eight Days a Week - Eleanor Rigby - Every Little Thing - Everybody's Got Something to Hide - Except For Me and My Monkey - Everybody's Trying to be My Baby - Fixing a Hole - Flying (instrumental) - For No One - For You Blue - Free As A Bird - From Me To You - Get Back - Getting Better - Girl - Glass Onion - Golden Slumbers - Good Day Sunshine - Good Morning, Good Morning - Good Night - Got To Get You Into My Life - Happiness is a Warm Gun - Hello, Goodbye - Help - Helter Skelter - Her Majesty - Here Comes The Sun - Here, There And Everywhere - Hey Bulldog - Hey Jude - Hold Me Tight - Honey Don't - Honey Pie - I Am the Walrus - I Call Your Name - I Don't Want to Spoil the Party - I Feel Fine - I Me Mine - I Need You - I Saw Her Standing There - I Should Have Known Better - I Wanna Be Your Man - I Want To Hold Your Hand - I Want To Tell You - I Want You (She's So Heavy) - I Will I'll Be Back - I'll Cry Instead - I'll Follow the Sun - I'll Get You - I'm a Loser - I'm Down - I'm Just Happy to Dance with You - I'm Looking Through You - I'm Only Sleeping - I'm so tired - I've Got A Feeling - I've Just Seen a Face - If I Fell - If I Needed Someone - In My Life - It Won't Be Long - It's All Too Much - It's Only Love - Julia - Kansas City/Hey, Hey, Hey, Hey - Komm Gib Mir Deine Hand - Lady Madonna - Let it Be Little Child - Long Tall Sally - Long, Long, Long - Love Me Do - Love You To - Lovely Rita - Lucy in the Sky with Diamonds - Maggie Mae - Magical Mystery Tour Martha My Dear - Matchbox - Maxwell's Silver Hammer - Mean Mr. Mustard Michelle - Misery Money (That's What I Want) - Mother Nature's Son - Mr. Moonlight - No Reply - Norwegian Wood - Not a Second Time - Nowhere Man - Ob-La-Di, Ob-La-Da - Octopus's Garden - Oh! Darling - Old Brown Shoe - One After 909 - Only A Northern Song - P.S. I Love You - Paperback Writer - Penny Lane - Piggies - Please Mister - Postman - Please Please Me - Polythene Pam - Rain - Real Love - Revolution 1 - Revolution 9 - Rock and Roll Music - Rocky Raccoon - Roll Over Beethoven - Run For Your Life - Savoy Truffle - Sexy Sadie - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise) - She Came In Through The Bathroom Window - She Loves You - She Said, She Said - She's A Woman - She's Leaving Home - Sie Liebt Dich - Slow Down - Something - Strawberry Fields Forever - Sun King - Taxman - Tell Me What You See - Tell Me Why - Thank You Girl - The Ballad of John And Yoko - The Continuing Story of Bungalow Bill - The End - The Fool On The Hill - The Inner Light - The Long And Winding Road The Night Before - The Word - There's A Place - Things We Said Today - Think For Yourself - This Boy - Ticket to Ride - Till There was You - Tomorrow Never Knows - Twist and Shout - Two of Us - Wait - We Can Work It Out - What Goes On - What You're Doing - When I Get Home - When I'm Sixty-Four - While My Guitar Gently Weeps - Why don't we do it in the road - Wild Honey Pie - With a Little Help From My Friends - Within You Without You - Words of Love Yellow Submarine - Yer Blues - Yes It Is - Yesterday - You Can't Do That - You Know My Name - You Like Me Too Much -You Never Give Me Your Money -You Really Got a Hold on Me - You Won't See Me - You're Going to Lose That Girl You've Got to Hide Your Love Away - Your Mother Should Know.