segunda-feira, 29 de março de 2010

ENTREVISTA COM A JORNALISTA RITA BATISTA

“A comunidade acadêmica tem uma tendência a se trancar nas universidades. (...) Ter diploma por ter, não adianta nada. Antes de ter o diploma é preciso saber o que quer da vida.” (R.B.)
Por Elenilson Nascimento
O
debate sobre a urgência de mudanças no exercício do jornalismo profissional transferiu-se também para dentro das universidades norte-americanas onde o papel das faculdades passou a ser severamente questionado. Aqui no Brasil, o problema se estagnou na obrigatoriedade ou não do diploma de jornalismo. O principal argumento, entre os tantos que se pode levantar para a exigência do diploma para o exercício profissional é o de que a sociedade precisa e tem direito à informação de qualidade, ética e democrática. Informação esta que depende, também, de uma prática profissional igualmente qualificada.
E uma das formas de se preparar, de se formar jornalistas realmente capazes a desenvolver tal prática é através da informação, do gosto pela leitura e pela pesquisa – ao contrário da imensa massa de universitários que, no mais remoto devaneio, prefere sonhar em um dia se tornar um colunista de axé ou trabalhar na revista “Caras”. Por isso que a minha admiração e respeito pela simpaticíssima, talentosíssima, lindíssima, competentíssima, sem frescuras e destaque das TVs e das rádios baianas, Rita Batista, ultrapassa a fronteira da simpatia.
Formada em Comunicação e Propaganda e Radialismo, Rita Batista conquistou muitos ouvintes em programas como “Só Para Mulheres”, “Metrópole Serviço” e, principalmente, com o “Rita Para Maiores” (*comentado e cobiçado por milhares de ouvintes, que ligam para Rita, mandam e-mails cobrando desde o seu “Manual do sexo anal” até para discutir e tirar duvidas sobre questões da vida sexual), todos exibidos na Rádio Metrópole FM (Salvador – BA). Nas TVs Rita Batista já foi ancora de jornal local, em cobertura de Carnaval e já comandou diversos outros programas como o “O que é que a baiana tem?”, na TV Aratu. Nessa entrevista exclusiva para a Literatura Clandestina, ela mostrou mais uma vez sua perspicácia e o modo como enxerga a sociedade, a educação, o jornalismo e os atuais problemas do Brasil.
Depois de ter saído da Rádio Metrópole FM, os fãs da Rita podem ouví-la na Band News FM Salvador 99,1. A estreia foi no dia 18/03. Rita está agora comandando a segunda edição do jornal local que vai ao ar das 18h às 18h40. Os seus fãs e admiradores poderão mandar sinais de fumaça para ela através do email: salvador@bandnewsfm.com.br ou pelo telefone (71) 3235-8000. Conheça você também um pouco dessa simpatia de pessoa.
Elenilson – Querida Rita, antes de qualquer coisa, é um prazer imenso está entrevistando você. Queria começar logo perguntando sobre Educação. Como espero que você ainda esteja lembrada, sou ex-tudo: ex-professor, ex-otimista, ex-pessoa boa, etc e tal. E o cerne da questão é a tal Educação. Eu não acredito mais em projetos educacionais, mesmo ainda achando que sem eles não somos nada. Nem para achar alguma coisa. Primeiro por conta dos próprios professores que, por sua vez, já foram mal educados por essas faculdades de quitanda e acabam transferindo para os alunos essa falta de educação, de didática, falta de paixão e amor pelo objeto de estudo. Se bem que, estudar para que mesmo? Eu realmente não sei como a ciência se mantém neste país de “merda”, talvez, às custas da paixão das ações de alguns indivíduos isolados como o Ricardo Chemas, a Malu Fontes indignada e chamada de mal amada na rádio, eu, você e alguns poucos outros. Comenta.
Rita Batista – Você alimenta esta angústia. Se não acreditasse mesmo, em nada, porque manteria o Literatura Clandestina?

Elenilson – Aqui no Brasil, em especial na Bahia, ainda enfrentamos um problema sério na área científica, na educacional, na mídia, que é a falta de cultura de boa parte dos profissionais com relação a tornar público o que se está produzindo dentro das instituições de pesquisa. Para você, que é uma jornalista nata e com a experiência que já adquiriu tanto na TV como no rádio, qual a razão disso?
Rita Batista – A comunidade acadêmica tem uma tendência a se trancar nas universidades. Agora, de uns tempos para cá, alguns pesquisadores fazem com que seus trabalhos cheguem mais perto da população através do jornalismo. Não sei o acontece, mas sempre fiquei intrigada com isso. É como se o povo da academia produzisse conhecimento para consumo próprio.
Elenilson – Mas onde estaria o maior problema do Brasil? Na economia, na educação, na política? Ou nas farsas propagandeadas pelo governo e engolidas – sem discussão – pelo povo?
Rita Batista – Na inércia, egoísmo e ignorância. Se ninguém faz, eu também não vou fazer. Ficam de braços cruzados para resolver q
uestões que dizem respeito ao coletivo. Todo mundo só quer resolver o seu, ninguém se preocupa com o macro. É cada um por si e Deus por nós todos, sabe aquele ditado. Se alguém descobre um caminho, uma solução para alguma coisa, uma dificuldade que atinge mil pessoas, isso não é publicizado. Uma lástima.
Elenilson – Quando começou seu interesse pelo jornalismo?
Rita Batista – Desde sempre. No ginásio já afirmava que seria jornalista. Depois entendendo a engrenagem da vida, percebi que não poderia fazer outra coisa, que não fosse ligada a comunicação. Sou formada em publicidade, tenho curso técnico de radialismo e a minha atuação é como jornalista.
Elenilson – O que o jornalismo brasileiro tem de bom e o que tem de ruim?
Rita Batista – A picardia, a ironia, o senso de humor. De ruim, acredito que em qualquer lugar - a troca de favores.
Elenilson – Como você encara a formação do jovem jornalista hoje? O que deixaria de mensagem para os que começam a carreira agora? A universidade tem cumprido seu papel na formação desses jovens?
Rita Batista – Não sei, pois não frenquentei a faculdade de jornalismo. O que posso dizer, com certeza absoluta, é que a formação não começa na universidade. Ler, escrever, falar, atuar, ter raciocínio crítico, tudo isso é desenvolvido antes e pode ser aprimorado durante o curso.
Elenilson – Quem você tem como espelho? Alguém impulsionou sua carreira?
Rita Batista – Claro! Mário Kertész, Ricardo Boechat, Macaco Simão. Entre as mulheres, Maria Beltrão (Globo News), Mônica Waldvogel e Marília Gabriela, Malu Fontes.
Elenilson – Quais foram suas maiores descobertas na vida de radialista na Rádio Metrópole e agora jornalista da Band?

Rita Batista – Ouvir. Apurar o ouvido. Saber ouvir. Para o bem e para o mal.
Elenilson – Qual sua opin
ião sobre o jornalismo investigativo, como o que ocorria no programa "Linha Direta" com o que andam fazendo nas TVs em Salvador com programas popularescos de baixo nível como é o caso do “Se Liga Bocão”, “Que Venha o Povo”, “Balanço Geral” e o pior de todos “Na Mira”?
Rita Batista – Uma coisa é jornalismo investigativo e outra coisa é o noticiário de polícia. Bom, já tive muitas opiniões sobre os produtos e quem faz. Depois de muito ver e ouvir, tenho certeza que o sucesso é legítimo, ninguém colocou faca no pescoço de nenhum telespectador para que visse esse ou aquele programa. Precisamos admitir isso, os que não querem ver, troquem de canal - uma sugestão o Canal 7 (risos). Mas esse fenômeno acontece no mundo todo, em alguns lugares funciona em outros não.
Elenilson – Você acha mesmo importante hoje em dia ter um diploma para conseguir se estabelecer no mercado de trabalho? Ou ter um diploma só para conseguir um trabalho qualquer?
Rita Batista – Ter diploma por ter, não adianta nada. Antes de ter o diploma é preciso saber o que quer da vida.
Elenilson – Como você encar
a esses cursos universitários oferecidos por tantas universidades de esquina, universidades por correspondência, universidades federais que só têm os seus nomes, universidades católicas cada vez mais mercenárias e etc?
Rita Batista – Procure um curso bom, avalie o corpo docente, considere a avaliação do MEC. Há saídas.
Elenilson – Em Salvador, tem uma coisa que me irrita profundamente: você não pode ter opinião formada sobre nada. Tem que gostar de axé, adorar as estrelinhas do axé e comer axé. Não gostar e se posicionar com relação a isso pode atrair inimizades eternas. Prova disso foram os seus muitos comentários na Metrópole que muitas vezes geravam co
nflitos entres os seus próprios colegas. Comenta.
Rita Batista – (Risos). Me divirto com tudo isso. Às vezes nem sabia muito sobre a estrela ou o cometa, mas falava só para provocar!

Elenilson – Como é poder trabalhar em empresas tão populares como a Metrópole e agora a Band?
Rita Batista – Um presente. Adoro fazer o que faço e eles ainda me pagam por isso.
Elenilson – E falando em estrelinhas do axé, o que você acha desses Carnavais “in door”
de shows privados em camarotes? O Trivela, por exemplo, é uma primeira micareta “in door”…
Rita Batista – O Carnav
al de Salvador, me desculpe, já era. Lá vem o Brasil, descendo a ladeira...
Elenilson – Enquanto curtia a pipoca do trio Armandinho, Dodô e Osmar, um folião deu seu recado à Durval Lelys, que, em entrevista à Muito (A Tarde), falou sobre sua proposta de criar um circuito privado no Carnaval na paralela. Você também defenderia essa criação de um circuito privado dentro do Carnaval?
Rita Batista – Se eu for propor alguma coisa não vai prestar. Somente camarotes oficiais - governo e etc. Artista só tem camarote se der para o povo dias de trio de graça, dias no plural. Sem cordas como antigamente e no centro sem cama
rote algum e com obrigação dos grandes artistas desfilarem no centro também.
Elenilson – A crônica da vida pública e patética brasileira ensina todos os dias aos cidadãos comuns que se um fato não foi veiculado na TV, na verdade, é como se não tivesse acontecido, exceto para as poucas pessoas a quem o mesmo se refere diretamente. Nelson Rodrigues seria apenas um cronista de “casos” em comparação as misérias que acontecem nos dias de hoje. Como você analisa isso?
Rita Batista – (Risos). O Anjo Pornográfico estaria boquiaberto se vivesse nos dias de hoje!
Elenilson – Cita alguns livros fundamentais da sua estante?
Rita Batista – “Correio
Feminino” e “Só para Mulheres” de Clarice Lispector. “Viva o Povo Brasileiro” de João Ubaldo Ribeiro, “61 Contos” de Rubem Fonseca. Já da para viver assim. Lendo e relendo.
Elenilson – E discos?

Rita Batista – Tim Maia, Maria Bethania, Elis Regina, Vanessa da Matta, Rita Ribeiro, Ella Fitzgerald, Zeca Pagodinho, Elza Soares, Dolores Duran, Ataulfo Alves, Maysa, Gerônimo, Lazzo,Mariene de Castro, Agepê... Vixe!
Elenilson – E falando em discos, o que você espera do futuro fonográfico? Os Mp3 realmente prejudicaram os artistas e gravadoras?
Rita Batista – Não sei. Compro CD, gosto de ter CD. Ainda resisto
Elenilson – “Avatar” ou “Cidadão Kane”? Filmes pornôs ou as novelas da Globo? Uma noite na Cidade da Luz ou vendo BBB?
Rita Batista – “Cidadão Kane”, claro! Novela, sou noveleira das oito, assumida! Uma noite na Cidade da Luz, outra no terreiro de candomblé e ainda outra vendo BBB. Tenho nenhum problema com isso. Vejo, dou risada e que venham os críticos do meu comportamento.
Elenilson – Você já está baixando coisas pela internet?
Rita Batista – Não. Nem sei como fazer.
Elenilson – Você acha que as revistas e jornais impressos perderam mercado com a ascensão da internet? Você acredita que os blogeiros estão “roubando” o espaço dos jornalistas na Web?
Rita Batista – Roubando não. Mas ganhando espaço. Eu também adooooro comprar revista, ter em casa. Sou antiga.
Elenilson – O que você pensa sobre a atuação de jornalistas de alguns canais de TV no traumático cárcere privado da menina Eloá Pimentel, no ano passado, no Estado de São Paulo? E agora nessa cobertura “bizarra” do julgamento do casal Nardoni?
Rita Batista – Cada um escolhe o seu caminho. Eu não faria!
Elenilson – O que fazer, caso você fique sem poder exercer sua profissão com plena liberdade? Temos visto tentativas em países como Venezuela, Nicarágua, Equador, Bolívia e até Brasil de cerceamento da liberdade da imprensa.
Rita Batista – Por isso que sou contra qualquer tipo de censura. Começa assim: uma coisi
nha aqui, outra ali.
Elenilson – De onde veio o gosto por querer falar sobre sexo num programa de rádio?

Rita Batista – Gosto de falar de sexo em qualquer lugar (risos).
Elenilson – Quando você entrevista em particular uma pessoa importante, e ela responde em “off”, mas a resposta é um assunto que pode prejudicar milhares de pessoas, o que você faz? Fica com o segredo sabendo do dano que causará ou denuncia e quebra o "off"? Até onde o "off" pode ser respeitado?
Rita Batista – Nunca aconteceu, quem vai ser entrevistado por mim já sabe o que aguarda. Não existe “off”.
Elenilson – A profissão de repórter tem se tornado cada vez mais perigosa nos grandes centros urbanos. Você acha que esse tema deve ser debatido nas universidades? Pois a maioria dos estudantes de jornalismo quer ser um colunista de axé ou da revista "Caras".
Rita Batista – Claro. E não é discutido não?

Elenilson – Com o avanço da internet, já há muitas pessoas que preferem saber dos acontecimentos do mundo em blogs. É possível que daqui a cinco ou dez anos jornais e revistas estejam obsoletos? Se sim, como fica o mercado de trabalho?
Rita Batista – Acho que o impresso nunca vai acabar.
Elenilson – Supostos esquemas de corrupção no alto escalão do governo, caixa dois, tr
ês e quatro nas campanhas eleitorais, dinheiro desviado para contas no exterior. Denúncias nesse sentido invadiram, nas últimas semanas, os noticiários. Uma das principais preocupações de cada brasileiro que observa o cenário político é entender as diversas informações que aparecem todos os dias. Para isso, o papel da imprensa tem sido importante, uma vez que ela tenta mostrar e explicar os principais fatos e o andamento das Comissões Parlamentares de Inquérito. Como você, um cara crítico, se posiciona com relação a esses fatos? Ou você vai me dizer que isso tudo não tem importância, pois o Brasil não tem solução?
Rita Batista – Essa pergunta não era para mim, mas tudo bem. O Brasil tem solução, somos ainda um país jovem e eu, estou disposta a enfrentar. E você?
Elenilson – Você acredita que uma possível reforma política resolveria o problema de caixa dois nas campanhas?
Rita Batista – Reforma e fiscalização.
Elenilson – Ser poeta ou pensadora? Puta ou professora? Jornalista ou anarquista?
Rita Batista – Ser eu mesma. Sempre.
Elenilson – Qual a importância de Mário Kertész na sua carreira?
Rita Batista – Total.
Rita no dia 20/11/09, Dia da Consciência Negra, Praça Castro Alves, Salvador – BA, apresentando os shows de Lazzo e Margareth Menezes.
Com a cantora Katê, vocalista da banda de gosto duvidoso “Voa Dois”, onde Rita apresentava ao programa “O que é que a baiana tem”, na TV Aratu.
Rita Batista na equipe da Band News atuando desde dia 18/03/10.
Assediada pelos fãs Victor Lacerda e Adriana Cohim.
A cantora Alinne Rosa ao lado de Rita sorteiam ingressos entre os convidados no almoço de lançamento da primeira edição do Réveillon Morro de Amores, realizado no restaurante Takê, com a presença de aproximadamente 200 convidados, entre jornalistas, parceiros, patrocinadores e as principais atrações do evento - 2009.
Com o Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), convidado da apresentadora e âncora do programa “Rita Para Maiores”, nos estúdios da Rádio Metrópole.
Na cobertura do Carnaval 2009 de Salvador, ao lado da belíssima Luana Brito e do chatinho Leo Sampaio, TV Aratu.
Linda, competente e absoluta, na redação da Rádio Metrópole.
Líder de audiência, ao lado de Mário Kertész no Jornal da Metrópole, Rádio Metrópole FM.
Apresentando o “Metrópole Serviço”, na Rádio Metrópole FM.
Foto linda!
Depois de ter saído da Metrópole, os fãs da Rita podem ouví-la agora na Band News FM Salvador 99,1.
+ E até a mercenária Universidade Católica do Salvador (*estudei lá viu!), querendo a todo custo atrair mais alunos, pegou uma “ponga” no sucesso e carisma da Rita e produziram uma propaganda para o vestibular 2009:

foto 1: Genilson Coutinho
foto 8: Victor Lacerda
foto 11: James Martins
demais fotos: divulgação

domingo, 28 de março de 2010

FERRÉZ RESPONDE NO BLOG SOBRE A POLÊMICA COM O SEU TEXTO NA BAHIA

“Além de ter se pronunciado a respeito, o Ferréz citou a Literatura Clandestina no seu blog!”
Por Elenilson Nascimento
Depois de termos publicado aqui na LC, no dia 26/03, sobre a patética polêmica criada em Feira de Santana (BA), envolvendo o nome do talentosíssimo escritor Ferréz, onde a direção da Escola Estadual Godofredo Filho, naquela cidade, sobre pretexto de ter recebido protesto de pais de alunos, recolheu o livro didático “Linguagem - Práticas de Leitura e Escrita” de Anna Christina Bentes, distribuído numa sala de aula de 8ª série por uma professora, pois no livro continha trechos do livro “Capão Pecado” do Ferréz, onde supostamente relatava, em detalhes, relações sexuais entre dois personagens.
Ontem, 27/07, o próprio Ferréz comentou o ocorrido em seu blog pessoal e também disse que a matéria exibida do Jornal Bahia Meio Dia (TV Bahia) foi “tendenciosa e preconceituosa”, o que eu concordo plenamente e ainda acrescento o comentário da leitora da LC Cláudia Dans que escreveu: “Eles ficaram horrorizados com o texto que só folhearam? Então os alunos nem leram! Ou será que fizeram leitura dinâmica? Atitude ridícula, para não dizer outra coisa! E estas crianças não devem ver novela das 20h, né? Pois nunca viram as cenas de sexos que aparece lá, não?”
Caso parecido aconteceu em 2008, quando Ferréz escreveu o artigo “Pensamentos de um correria” publicado no jornal Folha de S. Paulo – postado também no Blog Controvérsia (clique aqui). Em função deste artigo a Delegacia de Polícia 77ª de São Paulo decidiu abrir inquérito contra ele por incitação ao crime. No ano passado, outra bobagem do tipo aconteceu em Minas Gerais, como o próprio autor escreveu no seu blog e que também foi notícia na revista Isto É. Abaixo a recente nota que o Ferréz divulgou:
“Salve! Como a gente não consegue ficar em paz muito tempo, depois de caçar meus trabalhos em Minas Gerais, agora a bola da vez é a Bahia, o Ministério Público já foi acionado e está averiguando a denúncia de trechos do ‘Capão Pecado’, meu primeiro livro, que foi usado na escola de lá no livro ‘Linguagem, Práticas de Leitura e Escrita, escrito por Anna Christina Bentes, publicado pela Global e Ação Educativa. Quero aqui dizer à professora que está sendo vítima de perseguição por usar o livro, que é inclusive indicado pelo MEC, que torço para que os responsáveis pela Secretaria de Educação não se deixem manipular pela reportagem do Jornal Bahia Meia Dia, que fez uma reportagem tendenciosa e preconceituosa sobre o livro, pra quem não sabe o jornal é do Grupo Rede Globo de Televisão. Num país onde programa como ‘Pânico na TV’ mostra até o "útero" das mulheres, e onde nosso símbolo de Carnaval é uma mulher negra nua rebolando com a vinheta da Globo, até que eu devo estar errado mesmo, por tratar de temas como a Aids e machismo”.
E nós aqui da Literatura Clandestina prestamos toda a nossa solidariedade ao Ferréz! Abaixo, o jornal A Tarde também publicou um comentário meu sobre o caso no site deles:
Comentário de Elenilson no A Tarde.
>>> leia aqui outros comentários <<<
fotos: divulgação

sábado, 27 de março de 2010

QUASE SEM QUERER: RENATO RUSSO COM 50 ANOS

“Culto à obra de Renato Russo, que nesse sábado completaria 50 anos, mantém a força.”
Por Elenilson Nascimento
Hoje, 27/03, o Renato Russo estaria completando 50 anos de idade. Minha adolescência toda foi ouvindo a Legião e as músicas do Renato. É muita petulância essas bandinhas emos de “merda” querer dizer que fazem rock, que fazem arte, que têm talento e querer contradizer o maior artista da história do rock brasileiro de todo o sempre, mas quando a gente aperta o “play” do aparelho de som e percebe em poucos versos que o “pra sempre” nem sempre acaba, aí vem a imagem do Renato gritando.
Renato Russo é uma das melhores coisas que esse país já produziu em termos de arte e cultura. Uma entidade na música brasileira e no pensamento de uma juventude dos anos 80/90, que hoje em dia são os adultos dessa nova geração perdida. “Minha admiração pelo brilho incandescente do Renato não se surpreende com a dimensão de seu trabalho na cultura brasileira”, disse Herbert Vianna, amigo de toda a vida.
Nas livrarias, a novidade é o livro “Como Se Não Houvesse Amanhã” (Ed. Record), que reúne 20 autores interpretando, através de contos, canções clássicas como “Tempo Perdido” (Tatiana Salem Levy), “Eduardo e Mônica” (João Anzanello Carrascoza) e “Será” (Miguel Sanches Neto). No segundo semestre, em Brasília, começam as filmagens de “Somos Tão Jovens”, longa de Antônio Carlos Fontoura com a história do Renato na juventude, até a criação da banda Legião Urbana. O ator Tiago Mendonça faz o papel principal. “Aos 18 anos, ele fez algumas de suas maiores canções”, diz Fontoura. E o ator Bruce Gomlevsky, que há três anos vive Renato no teatro, em peça vista por 150 mil pessoas, viajando pelo Brasil, atesta: “Há uma nova geração, garotos com 12 ou 13 anos, já fanáticos por Renato. Todo mundo canta junto todas as músicas. Pela qualidade de sua poesia, ele é eterno”.
No disco “Duetos”, que chega às lojas hoje, Herbert e Renato cantam, sobre a guitarra solitária do primeiro, a música “Nada Por Mim”, retirada de show produzido pela Rede Globo em 1988. É um dos duetos feitos em colagens de vozes de artistas como Marisa Monte - em parceria de ambos, com a recuperação de fita enviada por Renato à cantora -, ou números resgatados de antigos programas de TV, como “Só Louco”, imperdível, ao lado de Dorival Caymmi, a dupla em canto derramado. “Renato era uma pessoa muito forte, apesar de tão sensível. Viveu até o final com dignidade”, diz o produtor Marcelo Fróes, organizador do CD e das inéditas de Renato, junto com a família do cantor.
A própria discografia da Legião ganhará nova roupagem em junho, quando será relançada em vinil e em digipack. Os CDs poderão ser comprados numa caixa, que terá material extra com vídeos do grupo. Os LPs não terão as letras, que estarão no portal da banda ( www.legiaourbana.com.br). A página, que entra no ar em abril, terá fotos, vídeos, notícias e participação de fãs. Projetos assim mostram a força de um ídolo que, mesmo morto há 14 anos, segue cada vez mais vivo em sua obra - os álbuns solos de Russo somados aos da banda já venderam 14 milhões de cópias e, por mês, vendem entre 10 e 15 mil. A Legião no passado? Ainda é cedo.Mas hoje, 27/03, ele completaria 50 anos (1960-1996) e, na comemoração, além de show, exposição e especiais televisivos com a reprise do “Acústico MTV Legião Urbana” (*musical será exibido às 11h, data exata do aniversário do cantor e compositor) e às 22h, a MTV exibe uma entrevista realizada por Zeca Camargo, onde, em sua casa, Renato revelou o que pensava sobre a carreira, violência nos shows, sexo e suas composições. São dois programas obrigatórios para quem tem entre 35 e 50 anos, e afinal curtiu a adolescência e a juventude ao som da “Legião Urbana” e também para os mais novos, para que conheçam um pouco da poesia de Russo, compositor que retratou em suas letras muito bem a geração dos anos 80/90.

fotos: divulgação

sexta-feira, 26 de março de 2010

HIPOCRISIA NA EDUCAÇÃO

“Pais de alunos denunciam uso de livro com conteúdo erótico em escola estadual em Feira de Santana.”
Por Elenilson Nascimento
No nosso Brasil, os movimentos estudantis sempre estiveram à frente das reivindicações por ensino público, gratuito e de qualidade. Evidentemente, nem todos os estudantes sabem exatamente o que vem a ser a gratuidade e muito menos, a qualidade. Ao mesmo tempo, os diretores, coordenadores e professores das escolas públicas, no final e início de cada ano letivo, são colocados à prova, tanto por seus superiores, quanto pelos estudantes e, às vezes, pelos pais e imprensa: qual o resultado das aulas naquela escola?
Dessa forma, os “profissionais” da educação, afilhados políticos e indicados como "pessoa de confiança do governo" são os alvos mais próximos. Hoje, esses mesmos “profissionais” estão cada vez mais despreparados e incapacitados de assumirem os seus papéis como educadores.
Durante os meus anos de confinamento em salas de aula, pude verificar bem de perto o quanto a educação no Brasil é uma mentira. Alunos cada vez mais abestalhados sendo doutrinados por professores totalmente sem conteúdo, além dos livros únicos das suas próprias matérias. Resultado: desinteresse de todos!
Se nas escolas públicas – de ensino cada vez mais decadente – esquecem de que mesmo a escola sendo pública e gratuita, isso não significa que ela tenha que permanecer inteira o ano todo, mas como o governo "nunca tem dinheiro” para fazer a manutenção, ou pelo menos é este o discurso, a coisa cai para o discurso repetitivo. Mas é sempre bom frisar que a escola pública é da comunidade e que o governo é um mero administrador do nosso dinheiro, ele não é dono de nada.
Hoje, 26/03, a direção da Escola Estadual Godofredo Filho, em Feira de Santana, cidade do interior da Bahia, sobre pretexto de ter recebido protesto de pais de alunos, recolheu o livro didático “Linguagem - Práticas de Leitura e Escrita” de Anna Christina Bentes, distribuído numa sala de aula de 8ª série por uma professora, pois no livro continha textos literários onde supostamente relatava, em detalhes, relações sexuais entre dois personagens.
O livro fazia parte de uma atividade proposta por uma professora de português de uma turma de 8ª serie. Um dos pais dos alunos procurou o Procon de Feira de Santana para reclamar sobre o conteúdo do livro, que considerou inadequado. O diretor do Procon, Magno Felzemburg, provavelmene um pedagogo e/ou funcionário da educação, entendeu – por obra do Espírito Santo – que a linguagem era imprópria para crianças e adolescentes e decidiu encaminhar o caso ao Ministério Público. “Como não é uma escola particular e não se trata de uma relação de consumo, estamos recomendando apuração”, afirmou Felzemburg. Por sua vez, a diretora da escola, Delma Ribeiro, justifica que o livro destinava-se a jovens e adultos que estudam na escola no turno noturno. “Não sabemos por que a professora usou na 8ª série. Eu pessoalmente digo que não usaria. Mas a professora é responsável e inclusive pediu uma reunião para se justificar com os pais”, declarou a diretora.
Pela internet, verifiquei no site da Rede Bahia, no Jornal do Meio Dia, uma matéria sobre o assunto, onde uma aluna com uma "cara de sacana" diz ter ficado horrorizada com o livro que foi adotado por conta própria pela professora de português. O problema, segundo alguns alunos que denunciaram o caso, é que o livro usado na atividade relata em um texto, e em detalhes, relações sexuais entre os personagens.
Na edição, dois textos com teor erótico e palavras de cunho sexual chamaram atenção dos estudantes: o romance “Capão Pecado”, de Reginaldo da Silva, o Ferréz, que conta a história de um grupo de adolescentes e a autobiografia de uma mulher que contraiu Aids. Assunto incompreensível para essa facha etária? A turma com alunos entre 13 e 16 anos ainda não havia recebido os livros oficiais de português entregues pelo Ministério da Educação, por isso o livro didático polêmico com trechos da obra de Ferréz estaria sendo usado temporariamente.
Ferréz, o autor do polêmico(?) texto incluso num livro didático.
Mas parece que esse livro “Capão Pecado” do Ferréz está sendo vítima de uma verdadeira caça às bruxas, pois caso parecido já aconteceu também em Minas Gerais, como o próprio autor escreveu no seu blog que, segundo o autor, talvez seja porque “nas nossas escolas ninguém fala palavrão, e palavrão para ele é FOME, Corrupção e Hipocrisia”. Como também já foi notícia na revista Isto É.
Eu só queria saber onde esse povo vive? Aí, esqueci: Feira de Santana! Pois parece que em Feira as pessoas não têm contato com sexualidade, que essas coisas não são vistas a qualquer hora nos patéticos programas de TVs, nos BBBs imbecis que todo mundo assiste, nas novelas cheias de duplo sentido, nos desenhos animados e, principalmente, na merdinha da “Malhação” com o filho de Fábio Jr. Me poupe! Provavelmente, os alunos que mais ficaram indignados são os que menos deveríamos ser ouvidos, são aqueles que vão para os colégios para ficarem com as suas caras de sacanas perturbando nas aulas.
“Ela chegou aqui na sala, saiu distribuindo os livros. A gente pegou o livro e foi folheando. Quando folheou, a gente viu os textos eróticos e ficamos horrorizados. Todo mundo da sala ficou horrorizado porque eram palavras pornográficas mesmo”, contou uma aluna indignada na TV. Após a denúncia, a turma não quer mais ter aulas com essa professora. Lógico!
O diretor da Direc, professor Eutímio Almeida, confirmou que o material é indicado sim para o programa de ensino de jovens e adultos e teria sido usado pela professora por conta própria. Um colegiado formado por professores, pais e alunos da Escola Estadual Godofredo Filho vai decidir se a professora deve ou não ser punida pela falha. Falha? Mas que falha? A mulher teve a ideia, coisa muito rara entre professores, de trabalhar com um livro e agora querem queimá-la? Só nesse país de bagaça mesmo que acontece essas coisas. O debate que devia girar em torno da desigualdade social que o texto do Ferréz no livro aborda, desembocou no tipo de linguagem usado.
E, contraditoriamente, os alunos do Ensino Médio, via de regra, são os que normalmente denunciam e também os que raramente “contribuem espontaneamente” com a escola. Por outro lado, a maioria dos veículos de comunicação, acreditando estar fazendo seu papel social, abre os microfones aumentando ainda mais o peso de denúncias tão sem sentido.
O que todos eles deveriam denunciar são os prolongamentos dos feriados, os conselhos de classe que não servem para nada, as reuniões pedagógicas inúteis e as inúmeras outras razões para aprovação em massa de alunos por professores, especialmente para os terceiros anos do Ensino Médio. Vale ressaltar que esta conta é superficial, se analisarmos cada dia, escola e turma, seguramente os números são ainda mais assustadores.
E porque ninguém denuncia? Nem os estudantes, nem os pais, nem os professores, nem os diretores, nem os jornais, nem o Conselho Tutelar, nem o Ministério Público. Cadê o governo, a sociedade desorganizada e a organizada, ou alguém que se preocupe com nossas crianças e adolescentes? Porque a escola que deveria ensinar e cumprir a lei, exercendo e fazendo exercer a cidadania é a primeira a descumprir sua regra maior, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e a Constituição Federal. Mas eu também quero ter um texto polêmico num livro didático para também ser crucificado por pais, professores e estudantes cada vez mais imbecis!
+ Agora, assista o vídeo da reportagem no Bahia Meio Dia, TV Bahia, onde a pobre alma da professora é colocada como a que usou livro com histórias eróticas:
fotos: divulgação

A NOIVA DE CHUCHY NA NOVELA DA GLOBO

O que a menina do filme “Poltergeist”, a atriz Klara Castanho e a noiva de Chuchy têm em comum?
Por Elenilson Nascimento
Eu ainda fico abismado da maneira como o povo brasileiro se comporta e o quanto é manipulado pela mídia em geral. Esse “Caso Isabela”, por exemplo, é a mais absurda das absurdas aberrações que as TVs mostram como se estivessem fazendo um bom serviço à sociedade. Vejo na imprensa e recebo diariamente inúmeros e-mails de pessoas pedindo Justiça ou alguma coisa que valha. Mas será que já passou pela cabeça de alguém, na mais remota circunstância, do casal Nardoni ser inocente? Provavelmente não. E a TV é culpada por essa falta de senso!
Crianças são usadas como fonte de renda para muitos, além de ser o "sucesso" garantido para se ter audiência (para o bem ou para o mal). Não se fala em outra coisa nessa semana, além da menina morta Isabela, mas eu queria comentar sobre outras crianças que estão chamando atenção também. A maluca da apresentadora infantil do SBT do insano Silvio Santos, a Maysa; a mini Lady Gaga; a Suri, filha de Tom Cruise; e a revelação da novela “Viver a Vida”, a atriz Klara Castanho, são outros exemplos.
A notícia já tem alguns dias, mas merece menção aqui na LC. O Ministério Público, por total falta do que fazer, determinou uma mudança de rumos na personagem mirim, vivida pela Castanho, na novela global. A menina outrora doce e comportada, estava, nas últimas semanas, assumindo ares de vilã. E daí? Crianças não podem ser cruéis não? Eta povo sem noção, viu!
O MP observou que o papel poderia acarretar a ela eventuais manifestações de hostilidade por parte do público, além da possibilidade de sérios danos psicológicos ao seu desenvolvimento. Então, o autor da novela acatou a determinação e mudou as falas e condutas da personagem. Um outro autor de novelas teria dito que o Estado estaria "interferindo nas nossas vidas" e ainda que no nosso país, "um filme como ‘Poltergeist’ não poderia ter sido rodado".
É dever do Estado interferir nos assuntos ligados à proteção da infância e adolescência, mesmo que isto signifique interferir na programação da poderosa Globo ou qualquer outro canal de TV, mas esquece-se (... ou finge esquecer ou simplesmente ignora) que normalmente o MP ignora solenemente a situação de risco de milhões de outras crianças e adolescentes que vivem às margens da sociedade.
Se no filme “Poltergeist”, rodado em 1982, a jovem atriz Heather O´Rourke, que viria a falecer poucos anos depois, não fazia papel de vilã, ou chantagista, ou criminosa, ou chatinha, mas sim da filha de uma família assolada por uma série de fantasmas que, a princípio, parecem amigáveis movendo pequenos objetos, mas que pouco a pouco tornam-se hostis, acabando por raptar a pequena menina. Na novela da Globo, só para lembrar, é apenas mais uma peça de ficção.
Se hoje uma telenovela de horário nobre da poderosa TV Globo insere em suas tramas o amor entre raças, personagens gays, drogados, alcoólatras, prostituição, violência, e o público, já “moldado” para aceitar a “verdadeira” identidade do país, aceita as personagens, nem sempre foi assim. Mas já houve um tempo em que a rejeição atingia a total intolerância e ignorância.
Porém, o que podemos esperar de uma nação que humilha em público uma estudante por ter ido à aula com um vestido curto, que ignora e continua votando em políticos cada vez mais corruptos, que se aliena com as promessas do Lula e com as brigas de sem fundamento mostradas em horário nobre no BBB, que se comove com a morte de uma garota de classe média (*e não estou falando isso só porque ela era de classe média), mas que fecha os olhos com a morte de outras milhares sucumbidas pela pobreza e inoperância do Estado. Talvez como em “Poltergeist”, somos apenas um bando de espíritos sem conteúdo que ainda não atingimos a luz e que ainda podemos estar utilizando a "força vital" de simples crianças para manter-nos em uma espécie de limbo, onde não descansamos em paz.

fotos: divulgação
charge: Maurício Ricardo

quinta-feira, 25 de março de 2010

CONTRA CENSURA E ILEGALIDADE: LIÇÃO DE CIDADANIA

“Prefeito da cidade de Barueri xinga integrantes do programa de TV CQC."Por Elenilson Nascimento
Tem coisas no Brasil que são inimagináveis. Depois de ter tido o meu outro blog Playlist’M excluído pelo Google por total intolerância e falta de senso crítico, pois, como sempre acontece, as regras lá é ouvir apenas uma voz. Alguém da banda podre da internet denunciou, portanto, o Google deletou! Porém, agora foi a vez do pessoal do “CQC”, da Band.
Para quem não viu, é imperdível o vídeo do prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PMDB), completamente transtornado diante do repórter Danilo Gentilli, do "CQC". Repórteres do programa colocaram um aparelho de GPS numa TV LCD e doaram à Secretaria Municipal de Educação - cujo secretário, aliás, é irmão do prefeito -, mas o aparelho foi parar na casa de uma funcionária.
O prefeito Furlan conseguiu, na Justiça, censurar o programa, que ia ao ar na semana passada. Mas diante da repercussão negativa do caso, retirou a ação. O repórter, então, tentou ouvir explicações do prefeito, que até tentou se controlar no início, mas diante do deboche de Rodrigo Gentilli perdeu as estribeiras e só faltou xingar a mãe dos integrantes do programa, como mostra o vídeo abaixo.
A tentativa de censura de Furlan e sua desastrada atuação acabaram ajudando a repercutir (ainda mais) negativamente toda a história. Na rede, a busca pelo termo "prefeito de Barueri" exibe notícias sobre o achincalhe antes mesmo da página da prefeitura, seguida de outras informações sobre a tentativa de censura do programa. Na Wikipédia, a enciclopédia livre, o caso também já ganhou destaque em sua biografia (confira).
E diante da atitude truculenta e ilegal das autoridades da cidade de Barueri, o Marcelo Tas dividiu essa semana, no seu blog, um documento da Justiça em um momento importantes na história do “CQC”. Uma decisão do desembargador Marrey Uint, da Terceira Câmara de Direito Público, do Tribunal de Justiça de São Paulo, diante da atitude “sem noção”.
“O CQC é um programa de humor. Também, evidentemente, é um veículo para jornalismo, provocação e cidadania. Sempre acreditei no projeto. O que nunca poderia sonhar é que ia chegar o dia de hoje. Às 22h15, vamos mostrar que podemos ser cobaias e modelo de uma ação de cidadania com final consistente amparados pela Justiça brasileira com jota maiúsculo.
Transcrevo abaixo trechos do texto do próprio Desembargador Marrey. Espero que cada um de vocês possa, mesmo diante de uma linguagem técnica e jurídica, poder saborear o gosto de ler palavras claras e diretas que nos dão algum alento de poder viver, quem sabe num presente próximo, num país mais digno, justo e com livre expressão de pensamento.
PS: Hoje à noite no CQC, vamos mostrar a reportagem na íntegra e também um novo vídeo gravado com o prefeito de Barueri com a visão dele do fato”, escreveu o Tas.TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SP - TERCEIRA CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO

1. Em que pese a extinção da ação, a liminar trouxe ao conhecimento deste Magistrado fatos que merecem melhor análise, dado o seu contúdo e os princípios que norteiam a Administração Pública.

Não existe democracia sem uma Imprensa Livre e o preço dessa liberdade é balizado pela responsabilidade decorrente dos atos praticados por seus integrantes e veículos.

A Carta Constitucional, em seu artigo 220, consagra a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sem qualquer restrição, estabelecendo o parágrafo 1º a plena liberdade de informação jornalística, proibindo o parágrafo 2º, qualquer tipo de censura de natureza política, ideológica ou artística.

Nesta linha de pensamento, a matéria jornalística realizada, de evidente cunho investigativo e de interesse público, acabou por demonstrar, no mínimo, a falta de observância dos princípios da moralidade e da legalidade.

A ação da Agravante mostra apenas o grau de credibilidade nos homens públicos brasileiros, sugerindo, infelizmente, que “lançada a isca, a pesca é certa”.

O que vem noticiado na peça inicial da Agravada (fls. 70/77) não condiz com o que consta da matéria jornalística (fls. 95), e é flagrante a contradição entre os depoimentos dos entrevistados, como o do Sr. Secretário da Educação, da Sra. Diretora da Escola e dos funcionários municipais, inclusive o tal “Sintonizador”, a levar à conclusão da necessidade de investigação profunda sobre a ocorrência de atos de improbidade administrativa.

Diante do exposto, …, determino que se extraiam cópias de todo o recurso, as quais, acompanhadas do DVD, de fls. 95 por mim autenticado, deverão ser encaminhadas ao Exmo. Procurador Geral de Justiça para as apurações necessárias.

2. Comunique-se, a Mma Juiza a presente decisão.

3. Arquive-se os autos.

São Paulo, 17 de Março de 2010
Marrey Uint- Desembargador


Como seria bom se a Justiça fosse assim tão eficiente para todos! Abaixo o vídeo da confusão:

foto: divulgação

terça-feira, 23 de março de 2010

PAPA PEDE INTOLERÂNCIA AO PECADO E CLEMÊNCIA PARA PECADORES

“Esta é a primeira vez que a Igreja Católica faz o mea-culpa desses casos no país e possível envolvimento pedófilo dos padres.”Por Elenilson Nascimento
O papa Bento RatOzinger XVI enviou no último sábado, 20/03, uma carta muito bem escrita aos católicos da Irlanda na qual se diz “envergonhado” e com “remorso” a respeito dos casos de pedofilia e práticas homossexuais de bispos daquele país. Pediu, no dia seguinte, que todos os fiéis sejam “intransigentes” com o pecado, mas “indulgentes” com os pecadores. A mensagem foi transmitida aos milhares de católicos que se reuniram na Praça de São Pedro do Vaticano para a tradicional oração do Ângelus.
RatOzinger XVI fez a recomendação somente aos irlandeses, como se o resto do mundo também não estivesse passando pelos mesmos casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes dentro das suas igrejas, e também merecesse algum tipo de uma retratação. Se bem que isso não iria influenciar em nada o tamanho da tristeza e sofrimento que membros da Santa Igreja tem causa às famílias e às vítimas nos últimos anos.
Semana passada postei um texto sobre esse mesmo assunto e fiquei muito surpreso com algumas declarações aqui na LC e com os e-mails recebidos – clique aqui. Um leitor do blog chegou a afirmar: “Os evangélicos usam preservativos, dentro do casamento, por uma questão de planejamento familiar. As igreja orientam seus jovens solteiros à abstinência sexual mas não se coloca contra campanhas de governos que promovem o uso da camisinha, já que a sociedade, que não é obrigada a seguir a Igreja, é promíscua”. Outro escreveu: “A Bíblia diz que há um lago que arde com fogo e enxofre, para ali irão todos os que cometem e vivem no pecado”. Outro ainda foi mais além: “O Papa Bento XVI não quer apurar nada com relação os escândalos expurgando os responsáveis e pelo visto suas ordens de "limpar" a imagem da Igreja diante do mundo estão sendo cumpridas”.
Porém, RatOzinger admite “graves erros de julgamento” dos religiosos e prometeu uma investigação formal de algumas dioceses, seminários e ordens católicas não só da Irlanda, mas também de outros países, como o Brasil. “Eu abertamente expresso a vergonha e o remorso que todos nós sentimos”, disse o pontífice na carta.
Este foi o primeiro documento escrito pelo papa sobre a pedofilia na igreja. O Vaticano admitiu a prática homossexual dos padres da cidade de Arapiraca, no interior de Alagoas, aqui no Brasil. Esta é a primeira vez que a Igreja Católica faz o mea-culpa desses casos no país e possível envolvimento pedófilo dos padres.
UM CASO APÓS O OUTRO – Os primeiros escândalos de padres pedófilos vieram à tona em 2002, com denúncias envolvendo o bispo de Boston, nos Estados Unidos, Bernard Law. Na época, ele admitiu que encobriu a prática pedófila de diversos padres de sua congregação. Com isso, a congregação pagou milhares de dólares às vitimas, deixando-a à beira da falência.
Já em 2009, a crise da pedofilia chegou às igrejas católicas da Irlanda, quando o governo irlandês elaborou um relatório de mais de 700 páginas de padres pedófilos no período de 1975 a 2004. O relatório mostrou que as autoridades da Irlanda e os padres eram coniventes com os abusos sexuais de crianças.
LIGAÇÕES COM BENTO XVI – A Santa Sé tenta, a todo tempo, blindar o papa RatOzinger da sua conivência com os abusos sexuais de crianças por parte dos religiosos. Antes de ser ordenado papa, o bispo RatOzinger, da congregação de Monique, na Alemanha, retirou um padre pedófilo das suas atividades religiosas e o enviou para “terapia”.
O caso aconteceu em 1980 e o atual papa não denunciou o caso à polícia. Ainda na Alemanha, o padre Georg Ratzinger, irmão do papa, foi acusado de encobrir diversos casos de pedofilia de religiosos da sua congregação, mas foi inocentado pelo Vaticano das acusações. E agora ele diz: “Temos que aprender a ser intransigentes com o pecado, a começar pelos nossos, e indulgentes com as pessoas”, acrescentou o pontífice, que convidou os presentes à missa para “aprender com Jesus e não julgar e condenar o próximo”. A Igreja deveria rever seus conceitos com relação ao celibato! Enquanto isso não acontecer outros casos vão a tona e nenhuma “terapia” ou pagamentos na Justiça vão sanar o problema.
+ Aproveite e ouça abaixo o comentário da jornalista Malu Fontes:charges: divulgação
podcast: Portal da Metrópole

domingo, 21 de março de 2010

A EDUCAÇÃO APODRECEU E O BBB É A ESCÓRIA DO PENSAMENTO HUMANO

“O objetivo dos Altos é continuar onde estão. O objetivo dos Médios é trocar de lugar com os Altos. O objetivo dos Baixos, isso quando tem um objetivo – pois uma das características marcantes dos Baixos é o fato de estarem tão oprimidos pela trabalheira que só a intervalos mantém alguma consciência de toda e qualquer coisa externa a seu cotidiano.” (George Orwell, in “1984”)
Por Elenilson Nascimento
Os temas renitentes nas últimas semanas na imprensa brasileira foram o imbróglio envolvendo o jogador Adriano, atacante do Flamengo, que teve a noiva protagonizando um barraco fenomenal numa noite de verão e fúria, invadindo um baile funk numa favela do Rio, apedrejando carros dos amigos do “Imperador” e agredindo fisicamente o próprio, rendendo abordagens impressas e televisivas multitemáticas.
Mas esse mundo do futebol, onde até bem pouco tempo cobrar bom comportamento dos jogadores era algo passível de ridicularização, os anunciantes não querem mais ter a sua imagem associada àqueles que sucumbem a crises e escândalos, com raras exceções (*Ronaldo Gorducho que o diga!). Não é a toa que nunca foi tão comum a volta murcha de jogadores brasileiros que não se “adaptam”(?) à vida lá fora e, principalmente, às demandas dos clubes que os levam a preços estratosféricos, enquanto muitos talentos continuam renegados à permanecerem no anonimato da insignificância em campinhos de barro.
E sob a aura dos contratos que assinaram, falar na privacidade de um Adriano da vida que não vai treinar é risível aqui na LC. Não por acaso, bastou a sessão apedrejamento encenada pela noiva e seu posterior sumiço – com direito a novamente dizer que vai abandonar o futebol - para que uma patrocinadora varejista de derivados do petróleo desistisse de contrato publicitário milionário de R$ 400 mil com o atleta. E como escreveu Malu Fontes: “Assim como piloto de F1 não pode, por contrato, voar de asa delta ou fazer rapel, jogador estrelado não pode protagonizar barraco passional em baile funk na favela e não aparecer no clube no dia seguinte”.
Mas os temas de pautas nas redações continuam cheios de verve. O “Caso Isabella” voltou às páginas da imprensa com o julgamento que começa nessa segunda-feira, 22/03, do casal Nardoni acusado do crime. O papa RatOzinger pediu desculpas por abusos cometidos pelos bispos da Irlanda, acusados de terem encoberto, durante décadas, casos de abusos sexuais contra crianças. O maluco que se dizia Jesus, Cadu, matou o cartunista Glauco e o seu filho Raoni.
Também foi divulgado que as cidades de Goiânia, Fortaleza e Belo Horizonte figuram entre as que têm maior desigualdade de renda do mundo. E cadê Salvador? Liam, do Oasis, diz que odeia o U2 e o Coldplay. Ele é o que mesmo? Michele Obama vira boneca de porcelana. Jogadores de futebol quebram tabus e exibem afetividade sem preconceito nos estádios com dançinhas cada vez mais bizarras, beijos – até mesmo na boca -, abraços apertados e roça-roça que não assustam mais ninguém.
E para fechar: o Lula, megalomaniaco do parque, estaria agora considerando a possibilidade de suceder Ban Ki-moon no cargo de secretário-geral da ONU. E pelo visto, além de só ficar fazendo campanha fora de hora para a Dilma, a sua prioridade dessa vez é a ONU. Os deveres dele como presidente já acabaram? Parece que sim, pois foi divulgado essa semana que o governo atual deixará para o próximo uma conta estimada em R$ 35,2 bilhões, referente a obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) contratadas entre 2007 e 2010 e que não serão executadas nem pagas na atual gestão.
Usado pelo governo Lula para “turbinar” a cabeça dos imbecis sobre a candidatura da Dilma, o PAC tem problemas de gestão que se refletem na execução das obras. Mas ninguém comenta! Como não consegue cumprir prazos de execução, o governo acumula uma conta bilionária que o sucessor de Lula terá de assumir. Belo presente! Os chamados "restos a pagar" do PAC já somavam R$ 25 bilhões na primeira semana de março, mas devem crescer ainda mais até o fim do mandato.
O PERDIDO DO BIAL – Mas as revistas, os jornais, a internet – cada vez mais ditadora (*veja o que aconteceu com o meu blog) - o mundo da música e a indústria cultural não vêem nada demais em celebrar seus ícones da pá virada e com seus cérebros no pinico. Essa semana mesmo, a capa da revista “Rolling Stone” trouxe ninguém menos do que o perdido do Pedro Bial.
Bial aparece escovando os dentes na capa da revista com a chamada “Tudo que a TV não mostra”, e com a boca cheia de espuma. À publicação, Bial disse que o reality global é “profundo” e “bobo”, ao mesmo tempo. Mas coisas como o “BBBosta” vivem de paradoxos, por isso pira tanto as torcidas e os posts em blogs clandestinos. É. Realmente deve ser profundo pra caramba mesmo!
O apresentador, que outrora já foi um poeta muito bom, sempre busca citações de última tentando (inutilmente) fazer o público e aqueles “vermes inúteis” que ele ainda chama de dos “guerreiros” – leia isso – pensarem em seus discursos de paredão. Nessa edição da revista ele até filosofou: “Gosto de ser o ‘moralista da nação’ para resgatar o sentido da palavra: moralismo é acreditar que a moral é suficiente para que o homem seja bom”.
Mas toda vez que se anuncia uma nova versão do “BBBosta” ou programas similares, penso que o escritor George Orwell deve se revirar no túmulo diante do seu notável “1984”clique aqui e leia a resenha e baixe o filme –, um dos melhores livros políticos do século XX, ao lado do seu também “A Revolução dos Bichos”leia aqui também – ser usado como “inspiração” para, como diziam os críticos de cinema do passado, “mixórdias inqualificáveis” como o “Big Brother Brasil”.
A ironia é que lixos culturais como o “BBBosta” - aberração cultural – se prestam à tarefa de manter na ignorância milhões de pessoas que poderiam usar o tempo que perdem assistindo ao saco de baboseiras do programa, orquestrado por Boninho e cia., lendo um bom livro como o “1984” que continua atualíssimo, apesar de ter sido publicado em 1949 quando o mundo assistia à Guerra Fria e a escalada nuclear. Hoje vivemos outras guerras! E o pior: com a população na total ignorância!
Um dos trechos mais marcantes de “1984” é quando o personagem Winston lê trechos de um livro proibido pelo regime daquela sociedade totalitária em que vive – inspirada no stalinismo. É a “Teoria e prática do coletivismo oligárquico” escrito pelo inimigo número 1, o dissidente Emmanuel Goldstein. A forma didática foi descrita no livro para falar da luta de classe. Não essa luta propagandeada pela a gangue do PT.
Mas Orwell constata que ao longo da história da Humanidade, sempre existiram três tipos de pessoas no mundo: “as Altas, as Médias e as Baixas” que se subdividiram de várias maneiras e têm variado em diversas épocas, “mas a estrutura primordial da sociedade jamais foi alterada”.
Orwell, ao contrário do Bial, assinalou que os objetivos desses três grupos são inconciliáveis: “O objetivo dos Altos é continuar onde estão. O objetivo dos Médios é trocar de lugar com os Altos. O objetivo dos Baixos, isso quando tem um objetivo – pois uma das características marcantes dos Baixos é o fato de estarem tão oprimidos pela trabalheira que só a intervalos mantém alguma consciência de toda e qualquer coisa externa a seu cotidiano -, é abolir todas as diferenças e criar uma sociedade na qual todos os homens sejam iguais”. Perceberam o lance da coisa?
Nesse quadro, um conflito básico se repete ao longo da história, diz Goldstein/ Orwell: “Durante longos períodos os Altos parecem ocupar o poder de forma absolutamente inabalável, porém mais cedo ou mais tarde sempre chega o dia em que eles perdem ou a confiança em si mesmos ou a capacidade de governar com eficiência – ou as duas coisas. São derrubados pelos Médios, que angariam o apoio dos Baixos fingindo lutar por liberdade e justiça”.
Pois é. A “Rolling Stone” bem que poderia ter feito uma matéria de capa com um cara mais interessante. Que tal o Dr. Ricardo Chemas (foto acima)? Mas se você, senhor Baixo, nunca ouvir falar do Chemas... Então, clica aqui!
+ Clique abaixo e ouça também o comentário da jornalista Malu Fontes sobre as promessas que os Altos fazem aos Baixos no período eleitoral. E viva a democracia!
fotos: divulgação
podcast: Portal da Metrópole
Site de R. Chemas: http://www.ricardochemas.com/