quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A SEM GRAÇA JÁ ESTÁ EM CAMPANHA!

“Campanha antecipada: Dilma diz que sociedade está madura para eleger ‘Presidenta’. Me poupe!”
Dilma nas capas de revistas dessa semana fazendo campanha antes da hora: será que essas reportagens foram pagas pelo governo?
Por Elenilson Nascimento
Senhores leitores, queiram apertar bem os cintos, pois estamos em mais um ano eleitoral. E as mentiras já vão começar! Passada a euforia dos sinos de Belém, do foguetório de ano novo, dos votos de felicidades ainda maiores em 2010, dos presentes para Iemanjá, do Carnaval das bundas e dos lobos, as contas atracam como pragas famintas às nossas portas, e trazem reajustes acima da inflação. Esse País é mesmo uma piada pronta! Então, sigamos um raciocínio extremamente simples, mas que merece ser descrito de forma sucinta:
Se a Dilma “Sem Graça” Rousseff é a única pré-candidata mulher à Presidência da Republiqueta de Bananas que está em destaque no cenário político, com direito a exibição dos dotes culinários no programa da igualmente chata Luciana Gimenez (*pois é amigo leitor, a dona Dilma tá seguindo a risca as lições do Mestre Lula Jedi e foi fazer até omelete no programa do deposito de esperma do Mick Jagger), logo, quem defende que uma mulher seja vencedora em 2010, defende a candidatura da Dilma. Pois a Marina Silva nem vai aparecer na ribanceira das pesquisas encomendadas de votos.
Se defender uma pré-candidatura pós-câncer, pós-peruca, pós-grosserias, pós-desfile no Ilê, pós-babá da filha de Madonna, é fazer campanha e a campanha ainda não está autorizada – mas ela está nas capas de duas das maiores revistas do País das Bananas e em todos os jornais – no que tange as eleições presidenciais, logo, temos aí uma campanha antecipada que é ilegal. Ilegal e imoral.
Se já há algum tempo, o próprio presidente do País das Bananas aparece na imprensa sempre acompanhado estrategicamente da Dilma, acredito então que sejam poucas as pessoas que ainda não estão cientes da sua candidatura, e as aparições estrategicamente engendradas tornaram o seu rosto – agora botocado – mais familiar para os eleitores do que o rosto do próprio Deus.
Se antes de marcar presença na imprensa, Dilma fez uma série de plásticas (*aconselhada por dona Marisa que nesses oito anos como Primeira Dama não fez absolutamente nada, ao contrario da falecida Ruth Cardoso) e deixou sua aparência mais jovem, tirando o excesso de olheiras e as rugas, porém, não conseguiu mudar ainda a sua antipatia latente.
Mas alguns retardatários dirão: mas esse raciocínio é óbvio, Elenilson. Óbvio sim, meus caros, é óbvio. Mas não está claro pra todo mundo. Tão óbvio, mas tão óbvio, mas tão óbvio, mas tão óbvio, mas tão óbvio, que é inegável a malandragem desses f.d.p. com relação à perpetuação do governo Lula. E foi para mostrar esse caráter inequívoco que descrevi todo o raciocínio de Jeca Tatu.
"Quando a gente pensa que já viu tudo, vê que não viu nada", disse Dilma depois de assistir ao desfile carnavalesco da escola carioca vencedora, a Unidos da Tijuca. Pois é dona Dilma, mas será que eu vou ter que pedir ao Tiger Woods para aparecer por aqui para pedir desculpas também por esse equívoco dessa tua candidatura? O caminho daqui para frente vai exigir da senhora mais do que samba no pé e jeito com as crianças de famosos. Sua overdose midiática pode até ser uma ousadia ímpar, mas pelo menos pra mim já está sem o meu voto.
Mas há quem ainda negue a candidatura da Dilma. Como pode? Também não sei. O segundo motivo que me fez descrever o raciocínio de Jeca Tatu foi a tentativa de mostrar como a negação da campanha antecipada enfrenta o óbvio ululante: esse País é uma bagaceira mesmo!
Sem nunca ter enfrentado nem eleição de condomínio, a Dilma vai buscar os votos dos eleitores para tentar suceder ao mais popular presidente da República da história brasileira recente. E a cinco meses do início da campanha, essa já é uma questão prioritária para a candidata: vencer, derrotar os concorrentes e afundar essa porra de vez! Que me digam que a campanha antecipada deveria ser autorizada. Que me digam, até, que a campanha antecipada, se autorizada e regrada, seria saudável para a política nacional. O que até tem minha concordância.
Mas não me digam, rebanho de p., que não há ilegalidade nisso. Pois, se a campanha antecipada é, hoje, ilegal e imoral, ela não engorda, pelo menos a mim. E se ela, sem dúvida nenhuma, ocorre. A ilegalidade existe. Então, pasma a mim e espero que a todos, que estejamos neste grau de salários maravilhosos, quando grande parte da população brasileira, ainda vive da bolsa família, bolsa cesta popular básica, vale gás e outros programas chamativos de votos e pouco incentivadores “copiados” descaradamente do governo anterior de FHC.
Mas o brasileiro quer sair de casa e tentar um trabalho miserável a salário mínimo igualmente deprimente, onde a sardinha é colocada na mesa, pensem bem, para que pescar? Enquanto os órgãos competentes do governo fazem vista grossa, a ponto de todos dizerem que tudo ficará por isso mesmo, a campanha antecipada continua. E isto tudo dentro de uma premissa que esta gestão esteja gerida por um partido chamado de Partido dos Trabalhadores.
Ainda existem os rumores de que o marqueteiro Duda Mendonça assumiria a campanha da Dilma. Eu li que o Lula Paz e Amor vetou a participação do publicitário, mesmo sabendo que foi sugestão do ex-ministro Zé Dirceu. E, pior, já sendo praticada muito mais por um lado do que pelo outro, o que, além de gerar ilegalidade, imoralidade, gera desequilíbrio e injustiça. Dilma diz que o Brasil está preparado para uma “Presidenta”. Conselho aos que dizem que não há campanha antecipada: Não neguem o óbvio. Faz perder credibilidade e tempo. E que a natureza cuide da gente acima do nível do solo e abaixo do mesmo com nosso lençóis freáticos.
+ Ouça abaixo o comentário do poeta baiano Sebastião Nery sobre a candidatura da Dilma Rousseff:
podcast: Portal Metrópole

BIG BANG

O artista plástico Jamie Bell fez uma animação contando toda a história do Universo usando apenas desenhos no canto de páginas de cadernos, como na conhecida brincadeira de crianças que não querem prestar atenção na aula. Do Big Bang até os dias de hoje, o filme passa por dinossauros, homens das cavernas e guerras. Já passa de 1 milhão de acessos. Muito legal esse vídeo!

EDUCAÇÃO BRASILEIRA: PRESTÍGIO ZERO

“Alunos de ensino médio são desencorajados em casa de optar pelo curso de pedagogia e professores cada vez mais limitados nos seus mundinhos de ensino decadente.”
Por Elenilson Nascimento

Todo mundo já sabe que a educação no Brasil é pífia, para eu não dizer medíocre, que os cursos universitários são decadentes com seus professores-doutores que só se dão ao trabalho de avaliar os seus alunos a base de seminários e com uma metodologia ultrapassada. E se tem uma coisa que eu me arrependo amargamente foi ter perdido o meu tempo em faculdades. Mas fazer o que mesmo nessa sociedade de patifes-doutores que lambem os lábios de contentamento com a oportunidade que tiveram de julgar e condenar moralmente e no grau máximo o Boris Casoy, por seus comentários elitistas e preconceituosos, emitidos nacionalmente por descuido, após a apresentação de uma matéria sobre garis desejando feliz ano novo aos telespectadores, mas que não se dão ao trabalho de exigir dos Poderes Públicos melhorias na educação e em outros serviços básicos.
Exigir dos Poderes Públicos alguma coisa? Pra que mesmo? Já temos BBB, Carnaval, futebol, bundas nas praias e tudo o mais que faz esse País “abençoado por Deus e bonito por natureza”. E falando em educação, a revista Veja, 10/02, publicou uma matéria muito boa para calar a boca de todo mundo que entra aqui no blog para me crucificar quando eu meto o pau nessa educação de “merda” oferecida nesse País de babacas.
Segundo a reportagem, uma pesquisa mostrou que os bons alunos não queremmais seguir o magistério. Como se precisássemos de pesquisas para saber disso: “A situação de desprestígio da carreira de professor é o retrato final de um processo deflagrado na década de 70, quando se iniciou no país uma acelerada massificação do ensino público. Sem profissionais em número suficiente para suprir a galopante demanda, as escolas passaram a recrutar até leigos para dar aulas. Foi aí também que as faculdades de pedagogia e as licenciaturas proliferaram à revelia da qualidade acadêmica, e os salários começaram a cair”.
Ainda segundo a matéria: “A remuneração dos professores é, por sinal, o segundo fator elencado pelos jovens de hoje para nem sequer cogitarem o magistério, atrás de um item que se refere à completa falta de identificação com o ofício, segundo mostra a pesquisa da Fundação Carlos Chagas. Os estudantes contam ainda que são desencorajados pelos próprios pais de fazer essa opção”.
Se a reportagem suscita o fascínio dos melhores alunos pela docência diz respeito, acima de tudo, à possibilidade descortinada pela carreira de verem seu talento reconhecido e sua capacidade intelectual estimulada, contudo, na educação nada disso é realizado. Atualmente podemos encontrar nas salas de aulas profissionais frustrados, salários baixos, alunos com as mesmas caras de sacanas de sempre, grade (*só na educação mesmo para termos o nome de “grade” para o conteúdo pedagógico) totalmente fora da realidade, avaliações sem sentido e listinhas para tudo. E ainda querem que eu acredite que em alguém dia esse País de “merda” vai sair do buraco nesse Projeto Ribanceira orquestrado pelo governo Lula.
fonte e imagem: Veja

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

COMO NASCEM OS ANJOS

“Um homem simplório mata acidentalmente o líder do tráfico de drogas de uma favela carioca. Foge com duas crianças, e os três acabam tomando como reféns a família de um americano que mora em mansão, numa jornada de tensão psicológica para ambos os lados. Melhor filme e diretor em Gramado.”
Por Elenilson Nascimento
A história da civilizaçã
o sempre demonstrou que, para concretizar a tentativa de a humanidade coexistir em sociedade, estabeleceram-se leis e regras de conduta para serem seguidas por todos, as quais, possuíam destinatários certos e generalizados: as camadas mais baixas e desprovidas do corpo social; tais leis, na realidade, se revelavam como instrumento para que as classes dominantes atingissem seus próprios e insanos objetivos.
E nesse caminhar, muitas fontes bibliográficas servem para possibilitar a compreensão dos “motivos” pelos quais determinadas práticas que um dia eram lícitas, institucionalizadas, p
assaram depois a ilícitas e criminalizadas, como a tortura, esta definida enciclopedicamente como “meio de que se usa para a obtenção de confissões”.
E era uma vez um país cheio de contrastes. Num completo desperdício de tinta, o país tinha leis para tudo, mas ninguém as observava; ninguém era capaz de compreendê-las inteiramente, ou de entender sua sistematização. O papel da imprensa é fundamental para difundir, esclarecer e alertar a todos pelo ordenamento da cidadania, por tanto todos (*até os donos de blogs) devemos colaborar para combater toda e qual tipo de violência, principalmente, quando a vítima é desprovida da palavra.
Hoje em dia, apenas 10% da violência doméstica são denunciadas. Com a morte da menina Isabella Nardini, 05 anos, só porque era de classe média, encontrada e alardeada pela imprensa no ano passado com sinais de agressões reacende o debate em torno da violência doméstica. Mas o problema não é só esse. E nesse país cheio de contrastes, onde corruptos costumam fazer listas por escrito sobre a divisão do butim com seus comparsas, a quem nomeavam; os que se achavam mais imunes conversavam sobre suas falcatruas livremente pelo telefone, cientes de que, mesmo grampeados, nunca iriam realmente para a cadeia. E qual o futuro nos resta então?É sobre isso que o filme “Como Nascem os Anjos” (1996) de Murilo Salles tenta abordar. A estória começa quando o bronco, demente e submisso Maguila mata, sem querer, o chefão do tráfico do morro Dona Marta, no Rio de Janeiro. Perseguido pelos soldados do tráfico, é obrigado a fugir da favela com Branquinha, uma menina de apenas 13 anos que, apesar da diferença de idade, se diz ser “mulher de Maguila”.
Na confusão, acabam levando Japa, outra criança, fiel amigo de Branquinha. No meio da fuga, o trio pára na porta da garagem de uma mansão no bairro da Joatinga, onde encontram William, um cidadão americano, saindo para o trabalho. Maguila pede para usar o banheiro, pois, segundo Branquinha, "ele foi tão bem educado pela mãe que não consegue urinar na rua".
Então, William pensa que é uma tentativa de assalto. Uma reação inesperada acaba obrigando o trio da favela a entrar em casa, onde o americano mora com sua filha Julie e a empregada Conceição. Lá, os personagens viram reféns de uma “estranha situação” que, num crescendo de tensão e nonsense, toma proporções que jamais poderiam prever. Um filme muito bom que descreve como as nossas crianças andam perdendo as suas infâncias.
O filme fala de contrastes, de morro e asfalto, de pobreza e riqueza, do estrangeiro e o nacional. É uma trágica comédia de erros. São esses personagens os agentes da violência e objetos do nonsense. São eles os que fazem de reféns uma pacata e assustada família americana num bairro nobre do Rio de Janeiro. Mas tudo acontece sem que eles queiram ou planejem. Por puro acaso.
O Murilo Salles escreveu na época do lançamento do filme: “Eu sabia que ia mexer no mesmo universo do "Pixote", que é um puta filme. Mas, ao contrário do filme do Babenco, eu queria ter como atores meninos de um estrato social mais estável. Selecionamos pivetes de classe média que tinham desejo de ser atores, porque eu achava que conseguiria dialogar melhor com eles”.
E o
Mario Yanase escreveu um artigo bem bacana falando que a infância das crianças nos dias de hoje é muito diferente da que tivemos alguns anos atrás. E de fato, assim como o filme “Como Nascem os Anjos”, Yanase fala emA última infância feliz, as crianças hoje não tem mais a mesma inocência e a mesma pureza que existia há uns dez anos atrás. Crianças já se portam como adultos, pois são incentivadas pelos próprios pais. Fora os Poderes Públicos que não se responsabilizam com o problema e só sabem criar campanhas sem nenhuma eficiência para “calar a boca” da sociedade”.
Por isso, recomendo que vocês assistam ao filme “Como Nascem os Anjos” e depois reflitam sobre o que estamos prestes a vivenciar (*já estamos vivendo isso!): uma explosão de violência dentro dos lares e nas ruas. Dados do arquivo: áudio: português, duração: 96 min, qualidade: DVDRip, tamanho: 700 MB e servidor: Rapidshare (5 partes). Deixe de preguiça e baixe logo:

>>> Como Nascem os Anjos - Parte 1 <<<
>>> Como Nascem os Anjos - Parte 2 <<<
>>> Como Nascem os Anjos - Parte 3 <<<
>>> Como Nascem os Anjos - Parte 4 <<<
>>> Como Nascem os Anjos - Parte 5 <<<
fonte download: Kieslowski/Laranja Psicodélica

domingo, 21 de fevereiro de 2010

OS ANTIGOS CARNAVAIS DE DODÔ E OSMAR EM SALVADOR

“Eram muito gostosos os Carnavais da minha infância. Embora nunca tivesse muito interesse na folia, mas lembro – aos seis ou sete anos – da vez em que cortei o meu pé no Campo Grande.”
Dodô no Carnaval de 1976, com Armandinho, Gerônimo e Osmar.
Por Elenilson Nascimento
Não alcancei os "bons tempos" do Carnaval de Salvador com os pierrôs e colombinas desfilando em bondes na avenida, lógico, mas ainda peguei os antológicos trios elétricos de um tempo que não volta mais. Um Carnaval mais participativo, mais democrático, mas que não deixava de lado as críticas, lembrando os maus políticos, dizendo que "tem muita gente no lugar errado". Tudo com muita alegria. E o melhor: de grátis!
Em 1950, quando o engenheiro mecânico Osmar Macedo e o radiotécnico Dodô Nascimento decidiram fazer o seu Carnaval tocando suas próprias músicas em cima de um Fordeco 1929, criando assim o “pau elétrico", avô dos trios elétricos de hoje, muita coisa mudou. Eram muito gostosos os Carnavais da minha infância, embora nunca tivesse muito interesse na folia, mas lembro – aos seis ou sete anos – da vez em que cortei o meu pé no Campo Grande. Lembro da minha tia Valdicéia, lá no começo dos anos 80, chorando feito uma louca acompanhando um folião que me carregou até um hospital próximo.
Lembro da briga do povo para alugar cadeiras na Rua Chile, ponto estratégico onde passavam todos os foliões, carros alegóricos e trios, como o Tapajós, Novos Baianos e Dodô e Osmar, que mudaram a face do Carnaval da Bahia.
“O Três e Meio”, em que Dodô e Osmar se apresentavam antes de criarem a “Dupla Elétrica”.
Lembro do povo nas ruas com mortalhas gigantes, da Segunda-Feira Gorda da Ribeira e da Terça, fim do tríduo momesco. Sem direito á prorrogação. Lembro das mamães-sacodes, dos lança-perfumes Rhodo e Rodouro para borrifar nas pessoas (*e só para isto, ninguém falava em cheirinho da loló).
Lembro de centenas de foliões mascarados, os “caretas” ou fantasiados que desfilavam sua alegria, entre a Avenida Sete até a Praça da Sé. Lembro do Carnaval nos bairros com talco na cara. A Mudança do Garcia, cheia de alegria e irreverência, temida pelos políticos da ocasião, que dura até hoje, mas o “jegue de cueca e a jega de calçola”, da Massaranduba, bairro popular, este já acabou. Bem como o Clube Carnavalesco Rosa do Adro e o Clube Fantoches, que também se foram junto com outras coisas boas de Salvador.
Haviam blocos como “Os Filhos de Gandhi” sempre despontando e também o violento “Apaches do Tororó”, cujos membros invariavelmente acabavam no xilindró, para gáudio da população, que se deslocava para as portas das delegacias, na Quarta-Feira de Cinzas, para ver a saída dos prisioneiros fantasiados e rir da cara de todos.
Haviam também outros blocos, como os “Fantoches da Euterpe”, o “Cruz Vermelha”, o “Bafo de Jegue” e os “Inocentes em Progresso”, com um carro só de crianças. Mas a discriminação velada ainda persistia, pois o bloco “Os Negros” só podia festejar na Baixa dos Sapateiros, Liberdade, onde nasceu o Ilê Aiyê, e na periferia. Porém, belos eram os clubes carnavalescos com a majestade dos seus carros alegóricos, cheios de mulheres bonitas e muita música, cor e alegria. Cada um, queria suplantar o outro em riqueza e pujança.
A primeira vez em que a fubica saiu às ruas. Armando, sogro de Osmar, está à frente, vestido de havaiana. Dodô e Osmar na década de 50.
Micareta de Feira de Santana em trio patrocinado pela Fratelli Vita, em 1952.
Nas comemorações do Jubileu de Prata, em 1975, o trio foi patrocinado pelo governo do Estado. Na foto, Dodô, Osmar e ACM.
Dodô, Armandinho e Osmar no carnaval de 1976.

fotos: acervo pessoal Aroldo Macedo/Revista Muito

sábado, 20 de fevereiro de 2010

JESUS AINDA É O CARA DA POLÊMICA!

“Acho que Jesus tinha muita compaixão, era um homem gay superinteligente que entendeu os problemas da humanidade". (Elton John)
O cantor Elton John, a polêmica imagem de Jesus fumando e bebendo; e o beijo gay entre Jesus e Superman.
Por Elenilson Nascimento
Não é de hoje que Jesus causa polêmica, afinal de contas ele foi crucificado justamente por causa disso. Mas do ponto de vista científico, histórico, filosófico e político o "cara" sempre foi rico em material. Estão até fazendo um filme que pretende se tornar a cruz na vida de religiosos fundamentalistas, conservadores e hipócritas, e este é o principal objetivo do cultuado e polêmico cineasta Paul Verhoeven (*de “Robocop”, “O Vingador do Futuro” e “A Espiã”), o holandês que ousou comparecer a premiação do Framboesa de Ouro, prêmio que contempla os piores filmes do ano, para buscar sua estatueta.
Entre as farpas no seu filme estarão a versão de que Maria não engravidou por intenção divina, mas teria sido estuprada por um soldado romano durante a revolta judaica contra o império, e também uma alegação de que Judas não traiu Cristo. Um livro que antecedeu o filme já saiu na Holanda pela editora Meulenhoff, que já negocia uma tradução para o inglês e português. Mas o cineasta confessou que, por enquanto, existe apenas a intenção de rodar o filme, e que tudo ainda depende de um financiamento. Lembrando que outros filmes abordando a vida de Jesus também já causaram polêmica, como foi o caso de “A Última Tentação de Cristo” de Martin Scorcese e “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson (*que eu achei bizarro!).
BEIJO EM SUPER MAN – Além disso, o religioso já ultrapassou todas as fronteiras e sempre foi polêmica no mundo das artes. Um outro caso bem interessante é o do beijo de língua entre Superman e Jesus. Um é o maior ícone religioso. O outro é o maior ícone entre os heróis do universo da ficção. Em comum, ambos representam a esperança de um mundo melhor, e é neles que se deposita a fé. Pensando nisso, o artista plástico argentino Mauro Gusman produziu a polêmica imagem do beijo entre os dois. A obra intitulada "A maior e mais linda e mais heróica história de amor de todos os tempos" está no catálogo da exibição "The Generational: Younger Than Jesus" do "New Museum", em Nova Iorque, que ficou em exposição até o mês de julho de 2009, com uma proposta de expor obras de 25 artistas plásticos com menos de 33 anos de idade. Exposta pela primeira vez em 2007, a tela já rendeu tanto protestos quanto prêmios em Buenos Aires.
Mas nessa última semana, em entrevista a revista norte-americana “Parade”, o cantor britânico Elton John, 62 anos, disse acreditar que Jesus era um gay super inteligente. "Jesus queria que nós amássemos e perdoássemos. Eu não sei o que faz as pessoas serem tão cruéis. Tente ser uma lésbica no Oriente Médio - é melhor estar morto", completou. Elton John não foi a primeira estrela do mundo da música a proferir considerações não muito cristãs. Há 44 anos, John Lennon declarou que os Beatles eram mais populares que Jesus. No início do mês a maluca da atriz Lindsay Lohan apareceu na capa da edição 13 da revista “Purple Fashion”, usando um longo vestido branco, também imitando Jesus de braços abertos e coroa de espinhos na cabeça. Mas esse tipo de foto não é novidade, o cantor Gabriel O Pensador já posou para a extinta (infelizmente) revista "Bizz" nos anos 90 e Madonna já fez várias referencias ao sagrado no profano, como no vídeo que causou muita polêmica em 1989 ao beijar um Jesus negro no vídeo da música "Like a Prayer" (veja aqui).
Também no ano passado, uma escultura representando um Jesus morto numa cadeira elétrica (foto ao lado), exposta na catedral de Gap (sudeste da França), provocou reações variadas. Batizada de “Pietá”, a escultura valeu muitas críticas ao organizador da exposição, para quem a polêmica é um fator positivo. Em compensação, a exposição serviu de pretexto para um debate sobre Cristo. Além do mais, segundo o próprio organizador da exposição, a escultura fez com que muita gente que não ia há tempos a uma igreja resolvesse fazê-lo só para ver a obra.
JESUS FUMANDO MACONHA – E para completar a listinha das aberrações e gritos sem sentido desse povinho sem humor, o porta-voz da Arquidiocese de Mumbai protestou, nesta última sexta-feira, 19/02, pela inclusão de uma imagem de Jesus fumando maconha e segurando uma lata de cerveja em um livro-texto usado nas salas de aula do primário no nordeste da Índia. “Deveriam proibir o livro, porque fere os sentimentos dos católicos e representa uma falta de respeito”, disse à agência Efe por telefone Charanghat. “Jesus Cristo, como uma divindade, é central na fé e na vida cristã. É errada a tentativa de macular a imagem de Cristo e isso é um ato censurável, inclusive condenável”, disse em declarações à agência de notícias Ians. Porém esse povo todo esquece que Jesus foi um cara de cabeça aberta em muito sentidos, principalmente numa época onde o terror e a ignorância dominavam as cabeças das pessoas. E estamos revivendo isso tudo novamente!
Adaptação teatral de “O evangelho segundo Jesus Cristo, obra mais polêmica de Saramago, em São Paulo, 2001.
Em 2008, escrevi isso no jornal O Rebate: “Se realmente há verdades espirituais ou éticas a ser descobertas, e tenho absoluta certeza de que há, elas vão transcender os acidentes culturais, as ignorâncias, o pedantismo, a hipocrisia e as localizações geográficas”. Clique AQUI e leia a crônica completa. Mas segundo esse porta-voz da Arquidiocese de Mumbai, Jesus aparece “caricaturizado” em um livro-texto para alunos do primário do estado indiano de Meghalaya, onde a fé cristã é majoritária, ao aparecer “com um cigarro em uma mão e uma lata de cerveja na outra”. Curiosamente, em 2007 um jornal tâmil – grupo étnico de fé hindu – gerou uma outra polêmica religiosa na Malásia ao publicar um desenho de Jesus na mesma posição. Portanto, o interesse é gerar polêmica mesmo!
* Essa matéria foi feita em pleno trânsito. Nem sei onde eu tô agora, mas graças a tecnologia e ao notebook Intel Pentium/4GB 320GB de amigos, venho aqui defender Jesus!
fotos: divulgação

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

VOU TE COMER NO CARNAVAL DE SALVADOR-DOR-DOR DO REBOLATION-TION-TION!

“Mas para o folião fudido, aficionado pelo “Chicrete”, por Ivetona, pela Leitte azeda com os seus bailarinos carecas, ou pelo Asa que “arrêa”, dizer que só se leva acotoveladas ou broca da polícia é uma mentira das maiores.”Por Elenilson Nascimento
Bota a mão na cabeça que vai começar... Não queria mais escrever sobre essa p. de Carnaval, mas não dava para deixar de fazê-lo aqui, antes de cair na estrada. Até tentei, não queria voltar ao assunto, mas aí está, pois não sei segurar a língua. Imaginar o Carnaval da desigualdade de Salvador e da hipocrisia é completamente impossível para quem não conhece a realidade do povo baiano. Só quem já passou pela Terra de Todos os Santos – só na Bahia mesmo para ter todos os santos afivelados num mesmo lugar – pode ter a noção do que é a festa.
Nos corredores, ladeiras e becos fedendo a mijo da cidade, três, quatro, cinco ou seis pistas ficam pequenas demais para um trio imenso. Um gigante feroz que grita: “Vou te comer... Vou te comer... Vou te comer... Vou te comer..." para o povo tomar porrada da polícia. Mas, nada disso importa, porque o “Rebolation é bom, bom Rebolation é bom, bom, bom...” (*repete sete vezes isso!). Na corda, a multidão dentro e fora do bloco esquece todos os problemas: a falta de grana, o governo f.d.p., a mediocridade das suas vidinhas de bandos de ratos. Mas, nada importa, porque “alô minha galera preste atenção, ‘Rebolation’ é a nova sensação. Menino e menina não fiquem de fora que vai começar o pancadão. O suingue é bom gostoso de mais. Mulheres na frente os homens atrás...”
E nos camarotes de vários andares dominando os circuitos Barra-Ondina-Campo Grande (*porque os outros circuitos não existem mais Carnaval): ar-condicionado aromatizado, borrifos de água pulverizada para diminuir o calor e aumentar a umidade do ar, música eletrônica para os intervalos entre os blocos, piso até com grama sintética, internet conectada ao mundo todo, bares e restaurantes, infra-estrutura de fazer inveja. Tudo parece uma grande praça de alimentação de um shopping dos melhores centros urbanos. Mas em todas as avenidas loteadas o apartheid é visível e óbvio, pois as castas mais ricas têm local privilegiado nos camarotes coloridos, em blocos travestidos, em músicas sem sentido, com vip’s da “Malhação”, com BBBs mandando beijinhos, com atores fresquinhos, onde as TVs abrem as pernas para o Asa que “arrêa” mandar um “Vale Night”.
E de lá de cima do trio, as estrelinhas do axé conduzem o circo enquanto aqueles que não têm pão se espremem do lado de fora das cordas ou segurando-as para dar segurança aos que ainda têm condições de pagar um bloco (*de 500 a 2500 reais por três dias – há os mais baratos cheios de anônimos e gente feia e um ou outro que até deixa vazar cocô na avenida). Mas tudo isso, pouco importa, pois mão na cabeça que vai começar: “O Rebolation, tion, tion... O rebolation… O Rebolation, tion, tion… O Rebolation…”
OBSERVANDO E APRENDENDO – Mas é mesmo de se lamentar a maneira como muitos puxadores de trios elétricos em Salvador puxam o saco das redes dessas TVs. Fora que são muito chatas essas transmissões. Nem vou perder o meu tempo com esses comentaristas paulistas da Band mandando beijos e pulando feito macacos todas as vezes que algumas estrelinhas passavam e defecavam um palavreado que se resumia num idioma com meia dúzias de palavras indecifráveis.
A gente fica observando e aprendendo que não existe imparcialidade nas notícias, pois é uma puxação de saco sem fim. Um bom exemplo foi que eu estava vendo na Globo a notícia da morte do ator/humorista Arnaud Rodrigues, de 68 anos, que morreu em um naufrágio e observei que eles simplesmente escamotearam toda a matéria pelo motivo do ator ser de uma outra emissora, mas como o povo é massa de manobra, não consegue observar absolutamente nada, então, mas do que de repente, os jornalistas “todos sorrisos” voltam a falar da “alegria do povo” nesse Carnaval: “O Rebolation, tion, tion... O rebolation… O Rebolation, tion, tion… O Rebolation…”
Mas para o folião fudido, aquele que sai de pipoca (fora das cordas, livre, nas ruas, no meio do povo, sem lenço e sem documentos), o Carnaval já acabou faz tempo. Aficionado pelo “Chicrete”, por Ivetona, pela Leitte azeda com os seus bailarinos carecas, ou pelo Asa que “arrêa”, que se arrisca na diversão da “pseudo maior festa grátis do planeta”, dizer que só se leva acotoveladas ou broca da polícia é uma mentira das maiores. É praticamente impossível subir ou mexer os braços ou as pernas na multidão.
Mulheres se estabocando no chão e se estabefando por seus machos. Homens se matando com espetinho de churrasco por uma falsa macheza. Suores, banhos de cerveja, agarra-agarra e respingos da imensa quantidade de urina que alaga o “chão da praça” são inevitáveis. Pense em jogar seu tênis fora depois do primeiro dia (*eu sempre adquiria um baratinho só para abandoná-lo tão logo acabasse o Carnaval), mas no meio disso tudo o que importava é apenas o “amor de pica”, pois “Rebolation é bom, bom, Rebolation é bom, bom, bom. Rebolation é bom, bom. Se você fizer fica melhor” (*repete isso duas vezes).
Mas Dilma e Serra nos camarotes e no Curuzu faziam campanha. E nem com a roupa do Ilê Aiyê a mulher ficou simpática. Evangélicos nas ruas pulando atrás do trio com plaquinhas para tirarem o demônio do corpo das pessoas em pleno Carnaval. Coreografias toscas e deprimentes ao som de músicas igualmente sem sentido. Mas nem me venham dizer que sou arrogante ou metido a intelectual, como normalmente muitos de vocês fazem. Se o povo gosta de comer “merda”, não sou eu que vou dizer que eles estão errados. Quer dançar com o cu até o chão? Dance! Geisy Arruda rebolando e mandando tchaus no trio junto com a igualmente deprimente ex-professora-musa do "Todo enfiado" é o que vocês gostam! Mas, na avenida, brigas por abadás, que na verdade não passa de um pedaço de pano bem fuleiro customizado para a folia, fez parte também da crônica policial.
Fora que assistir a transmissão ao vivo e os melhores momentos do Carnaval de Salvador com transmissão em “alta definição” dos circuitos, melhores blocos e trios elétricos, festa na corda, camarotes, roubos e brigas, não tem preço, mas também não tem com ver nada direito e ouvir também nem pensar. E o Rei Momo Pepeu Gomes que não quis desfilar com a rainha e as princesas? Isso também não tem preço! E até o Bin Laden foi visto no Carnaval da Bahia!
Sim, apesar de tudo, para muitos, é contagiante o ritmo, fantástico o povo pulando e maravilhosa a sensação de alegria. A vontade que dá é a de que o Carnaval não acabe nunca. Ou, na pior das hipóteses, que você compre um revólver, coloque a mão e dê um tiro na cabeça ao som de: “O Rebolation, tion, tion, tion, o rebolation, o rebolation, tion, rebolation. O Rebolation, tion o rebolation, o rebolation, tion, rebolation.”

Para atrair todas as atenções no Carnaval a banda Pagode Total levou em cima do trio mulheres completamente nuas, no Campo Grande.
Até Papai Noel (*o que isso tem a ver?) entrou em cena com as beldades pintadas do bloco Traz a Massa.
Bloco Jaké, de Simões Filho, também levou a nudez numa escultural representação da beleza feminina e não na desvalorização da mesma, pois o que se viu foi a absoluta celebração ao despudor, mesmo sendo no Carnaval.
Índias de biquíni, com coreografias bizarras, sem o mínimo de pudor, no Bloco Comanche do Pelô.
Nicole Bahs, do programa Pânico na TV, é suprema no quesito “bunda dos céus”. Uma beleza em um bloco de música eletrônica. Mas o que esse tipo de música faz no circuito do Carnaval da Bahia?E até o Bin Laden foi visto no Carnaval da Bahia!
+ Ouça abaixo os comentários pertinentes da radialista Norma Rangel, do poeta Ildásio Tavares e da jornalista Malu Fontes, em três belos e ácidos resumos sobre a bagaceira que foi o Carnaval 2010 em Salvador:
podcast’s: Portal da Metrópole
charges: internet; foto 1: Eduardo Martins;
foto 2: Fernando Vivas; fotos 3 e 4: Luciano da Matta
foto 5: Claudionor Júnior e foto 6: Emerson de Alleluia

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

ÚLTIMO DIA DE FOLIA NO CARNAVAL 2010 DE SALVADOR

“Comigo é na base do beijo... Comigo é na base do amor... Comigo não tem disse me disse... Não tem chove não molha desse jeito que sou...”Por Elenilson Nascimento
Aaaaah, enfim acabou! O clima já era de despedida desde ontem, 16/02, onde os trios fizeram o seu último dia de desfile e teve até apresentação de um Moraes Moreira emocionado, marcando o seu retorno à avenida depois de mais de dez anos sem por os pés em cima de um trio devido divergências e por achar que a música baiana virou uma mediocridade sem tamanho.
O desfile do bloco Ilê Aiyê encantou o público e comprovou que o bloco afro do Curuzu é muito mais do que o merecido título do "o mais belo dos belos". Este ano, apesar do luto pela morte da líder espiritual da entidade, a ialorixá Hilda Jitolu, mãe do presidente do Ilê, o "Vovô", os mais de 1.200 associados, entre eles a deusa do Ébano, desfilaram na avenida como uma homenagem especial à mãe-de-santo. Mas, apesar de toda a fama, não é tão fácil arranjar patrocinadores para garantir esse espetáculo do Ilê, normalmente ignorando pelos Poderes Públicos.
Outro desfile tradicional foi do afoxé Filhos de Gandhy que estendeu o tapete branco e perfumou todo circuito com alfazema, para a passagem da versão feminina da entidade, As Filhas de Gandhy, fundada há mais de 30 anos e animada pela banda que leva o mesmo nome. Muito diferente do bloco masculino, no qual a presença feminina é vedada, os homens podem entrar e curtir à vontade dentro das cordas. E apesar de criado há mais de 30 anos, o bloco ainda luta para se firmar na folia. Neste ano, reuniu cerca de mil associadas, enquanto o Gandhy, já consolidado pela tradição do desfile que prega a paz na avenida, levou uma multidão para o Circuito Dodô (Barra - Ondina).
MAL-ENTENDIDO NA AVENIDA E NO TWITTER - Um mal-entendido na entrada do trio de Armandinho, Dodô e Osmar no circuito Barra-Ondina irritou os irmãos Macedo no último dia de Carnaval, em pleno Farol da Barra. A apresentação caminhava bem, com uma pipoca fiel e animada, quando um outro trio começou a tocar atrapalhando o som dos Macedo. André Macedo pediu para parar, indignado. "A gente pede que haja o respeito para que um trio espere o outro entrar. Nós estamos tocando, como pode entrar um trio assim? Será que esse Carnaval está sem coordenação?", indagou o músico. O trio intruso era o do músico Carlos Pitta, amigo dos Macedo, que foi vaiado intensamente pelo público. "E é o nosso amigo Carlos Pitta. Não estou entendendo nada", afirmou André. Sem perceber a confusão, Pitta seguiu tocando por alguns minutos até finalmente parar e se desculpar. "Não sabia. Nós temos o maior respeito por vocês", afirmou o cantor. Desfeito o mal-entendido, Armandinho mandou brasa na guitarra baiana e a festa seguiu com "Chame Gente", de Moraes Moreira. E parece também que eles só sabem tocar essa música, mas deixa quieto...
Já na internet, uma brincadeira considerada de mau gosto pelos fãs da chatérrima Claudia Leitte fez a cantora Monica Sangalo, irmã de Ivete, pedir desculpas a cantora em seu Twitter nesta terça-feira. Monica fez trocadilhos com o sobrenome de Claudia, enquanto a loira se apresentava em Salvador, e insinuou que ela desafina. “A coalhada do almoço não desceu muito bem. Coalhada meio desandada. Gente, rápido, um antiácido Desafination xón, xón”, escreveu Monica. “Gente, não levem tão a sério o que eu comentei, quis fazer uma brincadeira, foi apenas isso, me perdoem, não faço mais essa bobagem”, comentou. “Estou lendo todos os comentários. Entendo a zanga de vocês, torno a pedir desculpas. Ah, e é um pedido de desculpas de verdade, viu?”, disse após reclamação dos igualmente chatos fãs da Leitte coalhada. Na avenida, a doída varrida da Ivete, vestida de onça, convidou Caetano para fazer um dueto na música “Na base do beijo”, na frente do camarote de Daniela Mercury. Porque será? Em seguida, Ivete convidou os cantores do grupo Aviões do Forró, que também marcaram presença na folia pelo segundo ano seguido. Daniela saiu pelo circuito homenageando a guitarra elétrica, um dos símbolos da axé músic. Para isto, a cantora, além de empunhar o microfone, deu uma de DJ. Para abrir o espetáculo, ela mandou “Umbrella”, de Rihanna, na pick up.
E falando em DJ (*ou quase), o Jesus Pinto de Luz também participou da folia (*sem Madonna, uma pena!) e antes de pintar na sua cabine improvisada na Barra foi – acreditem – escoltado por quatro viaturas e seis motos da polícia militar para se apresentar como DJ na última noite do Carnaval baiano. Inacreditável! E pelo o que deu pra perceber ele não toca nada, usa um CD pronto que trouxe de casa, mas que para aos idiotas está tudo massa!
Mas a bordo de um trio gospel, Baby do Brasil “ousou” novamente neste ano. Pelo segundo ano consecutivo, ela levou o trio para o circuito mais tradicional da folia. “É a maior ousadia ter um trio gospel no Carnaval, mas a Bahia é a terra da ousadia e tem que aplaudir essa iniciativa. E eu sou ousada, por isso trouxe o trio para o circuito principal”, disse Baby cantando axés e pagodes para Jesus (*o verdadeiro, viu!).
DERRAMAMENTO DE COCÔ NA AVENIDA – Inacreditável! O bloco Camaleão terá de pagar uma multa, que varia de R$ 300 a R$ 10 mil, por um vazamento que derramou nada mais do que litros e mais litros de cocô do banheiro do carro de apoio em meio aos foliões que brincavam na rua. O problema ocorreu no final da tarde deste domingo, 14/02, quando o trio desfilava com o Chiclete com Banana, no Circuito Dodô. Tô tentando imaginar a cena, aliás, prefiro não imaginar nada... (risos). Mas de acordo com a assessoria, o vazamento ocorreu quando o banheiro ultrapassou o limite de cocôs armazenados, cuja quantidade não foi informada (muitos risos). Porém, vários outros blocos também receberam autos de infração, entre eles Cheiro de Amor, Olodum, Bróder e Araketu. Olodum e Bróder foram autuados pela mesma irregularidade do cocô do Camaleão. Já o Cheiro de Amor apresentava falta de higiene nos sanitários, de acordo com nota divulgada pela SMS.
Camarote da Pobreza garante “folia democrática” no circuito Barra-Ondina.
CAMAROTE DA POBREZA – É preciso desembolsar entre R$150 e R$1.200 para curtir o Carnaval de Salvador na “mordomia” dos camarotes, mas há também os inusitados que saem de graça. Para um tal Doctor Du, idealizador do “camarote de pobreza”, que completa três anos no circuito Barra-Ondina, “essa é mais uma forma de protesto contra a desigualdade social em Salvador”. Não deixa de ser coerente e panfletário o objetivo do protesto, mas convenhamos...
Contudo, pelo segundo ano consecutivo, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), utilizou o Kit Drogas nos Módulos de Assistência montados nos circuitos do Carnaval. Trata-se de um exame feito nas pessoas que chegam desacordadas aos postos ou que apresentem distúrbios de comportamento. O objetivo é descobrir qual substância psicoativa foi usada pelo folião para que então seja designado o tratamento correto. Teve também exames anti-Aids na avenida.
PMs utilizam a música para relaxar e aliviar a tensão, antes de entrar na avenida para meter a porrada em todo mundo.
POLÍCIA PAGODEIRA - Desde 2000, os policiais militares baianos, que trabalham durante o Carnaval, se reúnem no pré e no pós circuitos para dançar pagode e axé. Diferente dos foliões, eles não compram abadás nem saem em blocos, mas a PM diz utilizar as músicas para relaxar e aliviar a tensão, além de prevenir lesões no corpo dos policiais encarregados de manter a “ordem” a base de porrada da folia. As TVs, como sempre, não perderam tempo em divulgar isso!
FIM DE FESTA - Muitos foliões nesse momento ainda estão no Circuito Dodô (Barra-Ondina) nesta quarta-feira de cinzas, 17/02. Animados, eles participam do sétimo dia (*não-oficial, mas já tradicional) de Carnaval com o tal arrastão do Carlinhos Brown e Ivete. A musa do axé chegou a ficar indecisa sobre sua participação na folia, de acordo com sua assessoria de imprensa, mas optou por manter a tradição.
Brown levou o Galo da Madrugada, símbolo da festa de Recife, para a folia na Barra-Ondina. O Pernambuco também foi representado por 15 passistas de frevo, que dançaram ao lado dos 100 músicos da Timbalada e 100 do Olodum, na formação da Timbaolodumlada. Antes do arrastão começar, o bloco de cerca de 150 garis “arrastaram” toneladas de lixo da avenida para deixar a música passar. Eles varreram e lavaram o Circuito Dodô e vão repetir a limpeza após o sétimo dia de Carnaval.
MAIS VIOLÊNCIA – Troca de tiros no último dia de Carnaval acabou deixando ferido um taxista de 29 anos. Ele foi atingido por uma bala de raspão na cabeça. O crime aconteceu depois que um homem não identificado rendeu um porteiro do Edifício Mansão Atlântico, em Ondina, após assaltar moradores. Houve perseguição policial, mas o bandido fugiu. Fora o jovem atingido por espetinho de churrasco no pescoço durante uma briga na rua Direita da Piedade - circuito do Campo Grande - na madrugada de domingo - que pode ficar paraplégico.
Nas últimas 24 horas, 9 pessoas foram assassinadas em Salvador e região metropolitana. Na segunda-feira, quatro corpos foram encontrados na Rua da Carniça, no CIA. As vítimas são do sexo masculino, apresentavam marcas de disparos de arma de fogo, mas não foram identificadas. Em Valéria, Camaçari e na Estrada Pedreira (Aratu) foram encontrados corpos de vítimas do sexo masculino, mortas com disparo de arma de fogo. Em Candeias, uma vítima de 19 anos. Em Cosme de Farias, um desconhecido foi morto a facadas.
Até o quinto dia de folia foram registradas 1.027 ocorrências contra 1.086 em 2009, com maior concentração no circuito Barra/Ondina (818), seguido do circuito Osmar (182) e do circuito Batatinha (27). Mas, segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Joselito Bispo da Silva: "Até o dia de hoje, os números caíram significativamente. Os esforços foram redobrados nesta terça-feira”, afirmou.

Foliã do bloco afro Malê Debalê, no Circuito Osmar, mostra a alegria de participar do desfile do bloco
Daniela Mercury vira DJ e toca 'Umbrella', de Rihanna.
Ivete à la 'beyonça' faz dueto com Caetano para a “Rainha do Axé”. Ivete está parecendo um traveco nessa foto.Millane Hora subiu no trio para cantar “Na base do beijo”. A garota foi escolhida num concurso que a Ivete promoveu em seu Twitter. Nessa foto, o Saulo também aparece meio apático.
Baby do Brasil leva Trio Gospel para circuito mais tradicional da folia. Puxa que saudade da Baby louca!
Fantasiadas de columbinas e melindrosas, precursores do axé uniram forças na noite desta terça-feira , no circuito Barra-Ondina. No Farol da Barra o que se ouve são os vozeirões poderosos Daniela Mercury, Tatau, Márcia Short e Margareth Menezes.
Desfile gay que aconteceu em frente à sede da Prefeitura Municipal de Salvador. A irreverência foi uma característica do evento que ocorre há 13 anos. Muitas pessoas compareceram para prestigiar o desfile, menos o prefeito João “Não Faz Nada” Henrique.
Saída do afoxé Filhos de Gandhy, nas varandas de casas no Pelourinho.
Sandálias com meias?
Asas de fadinhas no Gandhy? A coisa ta mudando viu!
Flávio, o famoso Máscara de Ferro e “ficante” da escritora Andréia de Oliveira, dando pinta nos Filhos de Gandhy.
Os Filhos de Gandhy pregam a paz na avenida e levou uma multidão para o Circuito Dodô (Barra - Ondina).
Essa foto é uma raridade e foi clicada no ano passado: Gil no Gandhy.
O desfile tradicional dos Filhos de Gandhy que estendeu o tapete branco e perfumou todo circuito com alfazema, para a passagem da versão feminina da entidade, "As Filhas de Gandhy".
Os “CQCs” Marco Luque e Felipe Andreoli com Ceará do Pânico.
O forrozeiro Cezinho e a sua esposa famosa Elba, no Recife. Eu tinha que postar essa foto.
Os termômetros chegam perto dos 40 graus, mas em Maragojipe, quem se importa? Na cidadezinha baiana a fantasia oficial é a máscara com chifres que reveste a cabeça por completo e o macacão de cetim colorido que não deixa nem braços, nem pernas de fora.
Pontos de ônibus lotados, foliões cansados "sonhando" em voltar para casa e muita confusão. Assim foram todas as manhãs de Carnaval nos circuitos de folia em Salvador.
Alheios ao tumulto, o bloco dos garis "desfilava" pelas avenidas da festa, fazendo um faxinaço e preparando os circuitos para o último dia de folia.
Melhor imagem desse Carnaval 2010: Madonna despojada no chão, no RJ.

foto 2: Daniel Barbosa; foto 3: Edgar Souza
fotos 4 e 7: Fernando Vivas; foto 5: Marcelo Machado/Ego
foto 6: Edgar de Souza; fotos 9 e 19: Eduardo Freire/G1
foto 10: Thiago Teixeira; foto 20: Arestides Baptista
fotos 8, 17, 18 e 21: divulgação; foto de Gil: Blog Margarita Sem Censura
fotos 1, 11, 12, 13, 14, 15 e 16: Claudio Manoel Gonçalo/Voos da Alma
dados sobre a violência: Marjorie Moura/A Tarde

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CARNAVAL 2010 DE SALVADOR É MARCADO TAMBÉM PELA VIOLÊNCIA

“O Circuito da Barra-Ondina é o que teve mais registros de brigas até agora.”

Por Elenilson Nascimento
Todo o ano é a mesma palhaçada. E apesar de a Secretaria de Segurança se esforçar muito para informar aos meios de comunicação a suposta diminuição do número de agressões físicas nos dias do Carnaval, em relação ao mesmo período do ano passado, fotógrafos, repórteres e muitos foliões testemunharam muitas cenas de barbárie que destoam da norma que deveria reger todas as mentes durante os dias de folia: a alegria. Uma pena isso.
Muitos jovens que passam o ano todo em academias, muitas vezes, saem às ruas com uma única intenção: meter a porrada em todo mundo. Na noite da última sexta-feira, 12/02, por exemplo, grande parte das brigas registradas no Circuito Barra-Ondina ocorreu na passagem da banda Psirico, que puxava o bloco Agito Universitário. Fantasiado de Deus da Chuva, o Márcio Victor cumpriu o seu papel, arrastando a multidão com uma mistura, segundo só para Caetano, de “talento, energia e inteligência”.
O problema é que essa energia toda celebrada por Caetano foi mal interpretada por muitos animais em plena folia. No embalo da ensurdecedora percussão do Psirico, muita gente distribuía socos em vez de cair no pagode. E não foram só os bombados que esqueceram a curtição do Carnaval para sair na mão. Muitas mulheres protagonizaram lutas corporais que tiveram latas, sombreiros e até placas como armas. A polícia, que deveria conter os mais exaltados, também exagerou em alguns momentos e, paradoxalmente, abusou da violência para acabar com a violência.
O jornal A Tarde deu várias notas durante todos os dias de Carnaval a respeito da violência na avenida: “As cenas de violência acabam assustando muitos foliões, que passam até a pensar se vale a pena retornar à festa nos dias seguintes”. Uma jovem disse temer sofrer algum tipo de violência. "Aqui a gente até pede desculpas se pisa sem querer no pé de uma pessoa, porque podemos levar um murro no rosto, um empurrão", contou.
O Governo da Bahia, por sua vez, preocupado somente em manter as aparências, divulgou deste sábado, terceiro dia de Carnaval, o balanço do número de ocorrências em razão da folia momesca. Entre as 7h e a meia-noite foram registradas 454 ocorrências policiais nos três circuitos. E o número de furtos foi de 123, 11 situações resultaram em lesão corporal, 12 detenções por uso de drogas e 23 roubos. Mas, os turistas do sudeste lideram número de atendimentos. Em 24 horas, mais de 300 foliões foram atendidos pelo projeto Guias e Monitores do Carnaval.

Abaixo, a polícia trabalhando para dispersar brigas no circuito Barra/Ondina e agressores são levados do local. O mais engraçado é que quase sempre a polícia só enxerga os pretos e pobres fazendo baderna e muitas vezes o “pau come”, antes de eles serem levados para sei lá onde. Confira algumas imagens:

Agora, mais fotos do “coro comendo” na avenida:

>>> Confira também uma triste matéria no portal da Uol, onde a polícia espera combater a violência com cartinhas:


fotos 1 e 3: Raimundo Pacco/Coperphoto
fotos 6, 7 e 8: Valter Pontes/Coperphot
*demais fotos enviadas por leitores da LC dos circuitos de Salvador