sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

ENTREVISTA COM O ATOR E DIRETOR DE TEATRO SÉRGIO SPINA

“O problema não é a forma de se governar ou a forma de se financiar a cultura. O problema é o conteúdo, o pensamento, os critérios, os valores. (...) Mas o consumismo e outros valores matérias dessa época anulam qualquer possibilidade de compreensão. Por que vou investir em educação se eu posso ter um castelo em Minas Gerais?” (S.S.)
Por Elenilson Nascimento
Sérgio Spina é jovem, bonito, inteligente e talentoso; assim é esse ator/diretor que surge dando um excelente exemplo do que é a Arte da Dramaturgia no Brasil. Tudo começa em 2005, com a união com os também atores Luís Antônio e Roberta da Fonseca para a montagem da peça "Cacto", com texto e direção do próprio Spina. A obra realiza com sucesso três meses de temporada na cidade de São Paulo. A partir daí a “Cia. Teatro de Febre” se estabelece com a sua pesquisa autoral por uma dramaturgia e encenação própria.
Em 2007, a peça "Conta Gotas" estreia, com texto e direção de Luís Antônio e do Spina. O projeto eleva ainda mais o sucesso de público e crítica da companhia. O projeto seguinte, "2 Horas da Tarde em Tóquio", de Luís Antônio, também com direção de Spina explode e lota todas as sessões da temporada no Teatro Ópera Buffa, em São Paulo, em 2008. O grupo é apontado pelo ator, diretor e dramaturgo Mário Bortolotto como um dos mais prósperos do cenário teatral paulista. Apaixonado por teatro, Spina por onde passa tem chamado a atenção das pessoas com as suas performances, que vem despontando cada vez mais. Hoje a “Cia. Teatro de Febre” tem novos projetos teatrais em desenvolvimento, além de projetos cinematográficos e literários.
Elenilson – O que leva algumas pessoas a ingressarem na carreira de ator? Talento, fama, dinheiro? Acredito que as duas últimas opções são mais condizentes com a situação atual da cultura brasileira. Comenta.
Sérgio Spina – Acredito que parte das pessoas ingressa na carreira de ator pela fama. E a outra é por ter experimentado o Teatro. Sim, meus caros amigos. Teatro vicia. Mas não entorpece. Transcende e acende. E muitos que experimentam, não voltam. Ninguém ingressa na c
arreira de ator por dinheiro. Por um breve momento pode-se pensar nele, mas assim que você tem o seu primeiro contato com a carreira você percebe que o dinheiro mora longe dali, em cima da montanha, no mosteiro perto do nirvana. Ele existe. Você o vê e até o toca. Mas ele não é o que lhe faz enxugar as lágrimas e insistir. Além disso, a carreira é instável. E por mais bem sucedido que você seja haverá sempre o desemprego ao final da novela, da peça ou do filme. Então, você ganha dez mil hoje e nada nos próximos seis meses. Por mais solicitado que você seja sempre haverá os recessos e incertezas. Enquanto que os que buscam a fama andam na corda bamba entre o fracasso e ser “descoberto” pela Globo. A maioria cai. Agora é importante dizer que muitos ingressam por esses e outros motivos, nessa carreira todos os dias, mas muitos desistem também. Pois ser ator é sacerdócio. É respirar fundo e meditar. É insistir, insistir e insistir. Numa terra de ninguém onde ser é fazer. Por lá não funciona: “Penso, logo existo”. Ser ator é “Faço, logo existo”. E a recompensa, o que lhe dá forças para enxugar as lágrimas e continuar é o prazer indescritível que o ator sente ao ver a sua obra entrando na cabeça de uma pessoa e bagunçando tudo ali, do cóccix ao pescoço.
Elenilson – Escolas de teatro e interpretação proliferam
pelo Brasil, em maior velocidade na cidade de São Paulo do que em qualquer outro lugar. Porém, algumas centenas, ou milhares, de novos profissionais são colocados no mercado a cada ano com o sonho de uma carreira promissora – de preferência em uma das novelas da TV Globo. O que você acha dessa “seleção” que normalmente emissoras como a Globo faz (*beleza + filho de fulano de tal) para contratar um ator para papeis péssimos nas suas igualmente péssimas produções?
Sérgio Spina – Parafraseando o saudoso Paulo Autran: "Teatro é a arte do ator. Cinema é a arte do diretor. E a TV é a arte do anunciante”. É imagem e é para vender. Então, vende o que for mais bonito, o que for mais bacana de se ver. A obra é ruim e tem a sua frente atores ruins? Não interessa. Está vendendo? Sim? Então, pronto. Esses são os critérios. Não tenho nada contra a TV. Ela pode ajudar na sua carreira. Pode te dar um dinheiro legal e até trazer público para as suas peças teatrais. Não vou levantar uma bandeira e começar a gritar que a TV devia ser isso ou aquilo, não vou. Porque ela é regida hoje por grandes empresas que visam lucro. É claro que ela poderia educar muito e oferecer entretenimento de qualidade. Mas não é isso que as emissoras querem. Pelo contrário, as emissoras fogem de tudo que faça o povo pensar. A regra é alienar. E o povo aceita.
Elenilson – Como foi a sua estreia?
Sérgio Spina – Minha estreia aconteceu aos três anos de idade, na garagem da minha avó, em um peça inventada pela minha tia Karina, acredito que era algo sobre a Xuxa. Eu interpretava o praga (?). Ela escrevia, dirigia e atuava. E todo fim de semana tinha algo novo. Ensaiávamos durante a semana e nos apresentávamos aos sábados e domingos para a vizinhança. Lembro que lotava. Mais de cinquenta pessoas se amontoavam lá para assistir. Depois teve a primeira peça em que eu tinha fala, “O Mágico de Oz”. Karina era a Dorothy e eu era o totó. Mas ela adaptou. Não fazia um cachorro como no original. Era o irmão caçula dela. Essa peça foi um sucesso. Nos apresentamos até na creche da minha cidade. Depois disso fiquei dos sete ao quatorze anos sem pisar num teatro. E nem sei o porquê. Talvez a “aborrecência”. Talvez esse período horrível/incrível que é o ensino fundamental. Enfim. Aos quatorze conheci o maestro Coelho de Moraes e entrei no grupo dele. O cara é um gênio e me ensinou muita coisa sobre teatro e sobre a vida. É até hoje o meu grande mestre. Fiz vinte(!) peças ao lado dele, num espaço de seis anos. Esse ano vamos dirigir um longa-metragem juntos. Depois vim para São Paulo para estudar. Minha estreia profissional aconteceu em 2004 atuando na peça que escrevi e dirigi, “Cacto”.
Elenilson – A família sempre o incentivou?
Sérgio Spina – Minha família sempre me incentivou. Venho de uma família artisticamente sensível. Minha mãe escreve incrivelmente bem. E fez das tripas o coração para conseguir pagar os meus estudos teatrais. Minha tia Ninha já foi atriz de teatro também e me aguentou por t
rês anos na casa dela aqui em São Paulo enquanto estudava. Época divertida. Mas sei que não foi fácil pra ela. E teve o caso da minha tia Tânia que espontaneamente chegou para a minha mãe e a convenceu que eu não deveria cursar a escola técnica, cujo vestibular tinha acabado de fazer, pois o meu negócio era teatro. Sou muito grato pela família que tenho e por eles me incentivarem. Mas sei que eu sou exceção. A maioria das famílias dos meus companheiros de profissão não incentivam. Atrapalham. Por pré-conceito. Ou simplesmente não entendem. É triste.
Elenilson – Como é dirigir e/ou fazer parte de um elenco de uma peça de teatro nos dias de hoje, onde boa parte da população nunca foi assistir a um espetáculo?
Sérgio Spina – Faço teatro por prazer e necessidade. Prazer em criar através do teatro, que é tão poderoso. E necessidade. Necessidade de gritar, de expor as inquietações
de forma contundente. Mas é difícil dirigir ou atuar nos dias de hoje. Porque é difícil realizar. São Paulo é uma das melhores cidades do mundo para se fazer teatro. E ainda assim é muito ruim, pois os órgãos governamentais, o comércio e as empresas pouco apóiam. E o público não vai. Poucos sabem reconhecer o valor do teatro. E isso, além de lamentável, torna a coisa bem mais difícil de acontecer. Seria importante que todo mundo revisse os seus critérios. As pessoas precisam voltar o olhar mais para “o pensar” e menos para “o consumir”. Isso seria bom para o teatro. Isso seria bom para a sociedade. Isso seria bom pra todo mundo. Pensar e questionar. E parar de viver engordando com a bunda no sofá assistindo novela enquanto a vida passa.
Elenilson – Qual a lig
ação da Cia. Teatro de Febre (*gostei do nome) com os problemas atuais do nosso País?
Sérgio Spina – A Cia Teatro de Febre sempre procurar criar ob
ras que permitam a reflexão sobre os preconceitos. Como já disse, as pessoas não pensam muito. Elas, na maioria das vezes reproduzem ideias. E isso é ruim. Porque você não faz por você mesmo. Você sempre faz pelos outros. Você não gosta de negros, porque seu avô fazia piadinhas. Você não gosta de gays porque o padre da sua igreja diz que eles são impuros. E isso é foda. As pessoas têm que gostar de alguém ou de alguma coisa porque aquilo de alguma forma faz sentido pra elas, porra! Senão você não existe como indivíduo. Você só é uma vaquinha insignificante parte de um regime.
Elenilson – Quando começou a trabalhar como ator lhe ocorreu que teatro podia ser uma forma de fazer política? Foi isso que o levou aos pal
cos?
Sérgio Spina – Bom... Como já contei aqui, quem me levou aos palcos foi minha tia. Não tinha muita escolha naquela época. Mas hoje me mantenho aqui por que acredito que posso fazer muita coisa. Acredito que posso fazer e desfazer a política. E essa foi a minha inquietação para voltar aos palcos quando tinha quatorze anos. Venho de uma cidade de pessoas muito boas, mas também muito atrasadas. Não há cultura lá. Pouco se pensa. Você nasce, trabalha, entra pro Lions e morre. E isso é revoltante, entediante. E depois descobri que a maioria das pequenas cidades do Brasil é assim.Elenilson – Você já recusou algum papel?
Sérgio Spina – Já, algumas vezes. Mas nunca porque havia algum problema com o papel. Geralmente porque aquele projeto não era a melhor coisa para aquele momento.
Elenilson – Você acha que ter uma outra carreia paralela de alguma forma ajuda na profissão de ator, ou ter profissões completamente diferentes interferem no processo?
Sérgio Spina – Não acho que ajude na profissão de ator. Pode ajudar na sua vida. Dando-lhe um complemento financeiro, por exemplo. É difícil ter uma carreira paralela a profissão de ator. Pois o processo de montagem de uma peça requer mui
to tempo e energia. Mas é possível.
Elenilson – Em Salvador existe uma coisa muito limitada: se você não faz parte do círculo de amigos de fulano de tal, você não consegue produzir nada. São sempre as “mesmas caras no palco” e os “mesmos diretores por trás”. O que você acha dessa “privatização da cultura” no Brasil?
Sérgio Spina – Acho uma “merda”. E é assim em todo lugar que conheço aqui no Brasil. Não só em Salvador. Mas o negócio também não é só ficar reclamando. Às vezes tem-se que entrar no jogo e jogar, pois tem-se que fazer, realizar. Digo novamente: arte não é discussão. Arte é realização.
Elenilson – Ao pensar na produção cultural e artística do Brasil, poucos idealizadores parecem preocupar-se com o que, no futuro, representa a própria garantia de manutenção dos produtos culturais que se empenham em divulgar - a formação de um público que se inter
esse por nossas produções e de outros tantos artistas em construção que se interessem em levar adiante essa reunião imaterial de conhecimentos a que chamamos cultura. Como você encara essa coisa “mentirosa” que é financiamento cultural, ou talvez a palavra melhor seja “falta de financiamento na educação”?
Sérgio Spina – Encaro isso berrando, bebendo, brigando e lamentando. E espero que o pensamento mude, porque senão nada disso vai mudar. O problema não é a forma de se governar ou a forma de se financiar a cultura. O problema é o conteúdo, o pensamento, os critérios, os valores. Ninguém vai investir em cultura se não entender o porquê tem que investir em cultura. Algumas pessoas explicam e algumas pessoas até tentam entender e até têm capacidade para isso. Mas o consumismo e outros valores matérias dessa época anulam qualquer possibilidade de compreensão. Por que vou investir em educação seu eu posso ter um castelo em Minas Gerais? O que dá mais status, um carro novo ou ter lido todas as peças de Brecht?
Elenilson – Tudo bem que você venha dizer que a concorrência é saudável nesse meio para o aprimoramento profi
ssional de um artista, mas o que me intriga é saber que dessas pessoas a maioria não tem consciência do que um ator, um diretor, um músico, um escritor, um professor (*esse último já está “deletado” do circo há muito tempo) pode representar para a sociedade como um todo. É praticamente unânime a afirmativa de que só o talento é fundamental, só os que possuem talento permanecem, porém, não é o que está acontecendo. Comenta.
Sérgio Spina – A resposta anterior já diz bem o que penso sobre isso.

Elenilson – Em diversos países, esse “reavivar cultural” dá-se por meio de financiamentos públicos, invariavelmente mantidos por meio de isenção fiscal a empresas privadas que cooperem por meio de patrocínio a espetáculos e eventos artísticos. No Brasil, também foi esse o caminho encontrado para que o governo se eximisse dos encargos de financiar a cultura diretamente - e diversas leis surgiram com esse propósito, das quais as mais aplicadas são a Lei Rouanet e a Lei de Incentivo à Cultura (LIC). Mas, infelizmente, como tantas outras coisas em nosso País de descontroles, farsas, demagogias, roubalheiras, também as leis de “financiamento cultural” sofrem terríveis distorções. O que você acha desses financiamentos?
Sérgio Spina – As iniciativas são interessantes, mas enquanto o Poder Público tiver aquele “pensamento”, que já citei, grande parte di
sso vai acabar em merda ou pizza.
Elenilson – O motivo da minha pergunta anterior é porque sem definições precisas sobre o tipo de evento cultural ou artístico que interessaria ao governo incentivar (*se bem que o governo nunca esteve interessado em incentivar absolutamente nada, a não ser as bolsas caridades) as verbas da Lei Rouanet, por exemplo, têm sido aplicadas para financiar produções que se pagariam facilmente por conta de seu forte “apelo comercial” ou por seu público cativo (caras famosas, muito comercial na televisão e etc.); mais que isso, as mesmas verbas que são tão difíceis de obter para a sustentação de projetos importantes são dirigidas a eventos e produções cujo caráter cultural é altamente questionável, para eu não dizer: sem nenhum cont
eúdo satisfatório. Exemplos não faltam: o megaespetáculo do canadense Cirque du Soleil, as últimas turnês da Ana Carolina e da dupla Chitãozinho e Xororó e até mesmo nas produções mais recentes de filmes da filha do Didi e Xuxa. Você, como agitador cultural, não fica traumatizado com essas coisas?
Sérgio Spina – Não. Todo mundo deve ter acesso a essas leis. No caso da Lei Rouanet, o governo não dá dinheiro pra ninguém. Ele só dá isenção fiscal para as empresas. Agora, a única coisa que posso fazer se o Bradesco só quer patrocinar o Cirque Du Soleil é lamentar. Ou tentar chamar a atenção deles para o meu projeto. Mas se você fosse presidente de uma empresa que existe só para ganhar dinheiro, quem você patrocinaria? O Sérgio Spina ou o Cirque Du Soleil? Agora... O que precisa acontecer é o surgimento de outras formas de realização cultural. Os artistas não podem só depender da Lei Rouanet para produzir. O governo, os artistas, a sociedade precisa entender que isso não é o suficiente para se produzir arte.
Elenilson – Mesmo vivendo rodeado de tanta cultura que sai dos poros, existe alguma coisa que tire do sério?
Sérgio Spina – Muitas coisas me tiram do sério. Sou uma pessoa bem inquieta. Saio do sério quando alguém me acorda bruscamente ou quando me apressam no banho. Saio do sério com a Virada Cultural, que é um evento que se fala tanto aqui em São Paulo, mas que é um caldeirão de superficialidades. Saio do sério com gente que fica filosofando sobre o abstrato do teatro. Saio do sério quando vou assistir uma peça e não entendo nada, porque não tinha nada para se entender. Saio do sério quando alguém maltrata o garçom. E outras mil coisas mais.
Elenilson – Guimarães Rosa disse que “viver é muito perigoso”. Tristemente, queria voltar a atiçar você com relação aos desmandos que não param: os esportistas, por exemplo, que já contam com dinheiro oriundo de Bingos (*nem sei se são ilegais!) e de outras fontes de patrocínio, também conseguiram no Congresso Nacional uma fatia da isenção
fiscal das leis de incentivo e, pasmemos todos, há um projeto de lei em andamento naquelas casas legislativas que prevê uma lei de incentivo fiscal para empresas que patrocinem… grupos religiosos! Viva a Igreja Universal e Renascer e cia! Comente.
Sérgio Spina – É fácil me “atiçar” assim. Não gosto de religião. Religião não é cultura. Muita gente mata e muita gente morre por causa da religião. E falo sobre todas as grandes religiões. Agora se elegeram um pastor homofóbico, o que nós vamos fazer? Ele já está lá. Podemos até espernear e tentar tirá-lo de lá. Mas ele volta, porque a sua tia, a sua mãe e a sua vizinha vão votar nele de novo. E tudo bem se os esportistas se utilizarem da lei. O fato é que assim ou assado outras formas de realização cultural precisam surgir.
Elenilson – Uma pergunta que costumo fazer para meus entrevistados que são atores é sobre esse “leque de opções” que se abriu na televisão. Hoje tem novelas na Record, SBT, Band. É possível que essas emissoras consigam ultrapassar a qualidade das novelas globais?
Sérgio Spina – É possível sim. Já estão bem próximas. Mas a globo, que já faz isso há muito tempo, não está parada no tempo, continua caminhando e “evoluindo”.
Elenilson – Antes de se tornar ator, o que você fazia?
Sérgio Spina – Jogava vídeo-game.
Elenilson – O que você acha dessas técnicas de interpretação por correspondência? Até que ponto são necessárias?
Sérgio Spina – Toda forma de conhecimento é importante. Mas na arte, o maior aprendiza
do está prática. O verdadeiro ator não é aquele que faz uma peça. É aquele que passa a vida fazendo. E penso assim também sobre os escritores, pintores, músicos...
Elenilson – Porque a interpretação do teatro não é contida como da TV e do cinema?
Sérgio Spina – Porque no teatro não temos a câmera que foca e amplia o seu olhar, o seu movimento.
Elenilson – Alguns diretores de teatro tendem a usar o “nu artístico” (*mesmo necessário?) e/ou palavras de baixíssimo calão nas suas obras. Acho lamentável. Fiz uma vez um curso de interpretação e na prova final queria que eu ficasse nu numa cena que não havia necessidade. O que você acha dessas coisas?
Sérgio Spina – Gosto do nu porque ele choca. Algo tão natural, que devia ser encarado como algo tão natural, choca. Isso é algo que me tira do sério. As pessoas se chocam ao ver alguém nu da mesma forma como se chocam ao ver uma criança em pedaços no jornal da tarde ou ao ver dois homens se beijando. Há um pudor demasiado. Esse pudor leva à culpa, que leva à hipocrisia. Por que ter vergonha do próprio corpo? Agora, o ator tem que entender que, além disso, o corpo é o seu instrumento de trabalho. E ele precisa estar habilitado para usá-lo, com roupa ou sem roupa. Eu não julgo a forma. O cara pode falar palavrão e até se cortar em cena. Acho válido. O que vou julgar é o propósito daquilo.

Elenilson – Quem estudou um mínimo de história dos movimentos de esquerda no mundo, sabe desta violência constante do sindicalismo contra os administradores de fábrica, considerados lacaios do capitalismo. O filme sobre o presidente Lula, por exemplo, é uma coleção de despautérios absurdos. Considerado o filme mais caro da história no Brasil, financiando pelo governo, mas que serve somente para que os apaixonados-alienados do presidente continuem apaixonados e alienados. Você assinaria uma produção eleitoreira com essa só por dinheiro?
Sérgio Spina – Nunca faço as coisas só pelo dinheiro. Deve existir sempre outros fatores que me levem a fazer aquilo. Bom... E como não assisti o filme ainda, não vou comentar.
Elenilson – O que você considera o marco no seu trabalho e o que deixará para a cultura do nosso País?
Sérgio Spina – Sou um novato. Ainda tenho muito para produzir. Mas gosto de lembrar de quando escrevi a peça “Cacto”, em 2004, e resolvi montá-la na cara e na raça. Tudo mudou depois disso. Nesse processo encontrei dois irmãos, dois grandes parceiros profissionais. E o que vou deixar para a cultura do nosso país e todo o fruto do meu trabalho. As peças e os filmes.
Elenilson – Quais as principais dificuldades que um jovem direitor/ator tem enfrentado?
Sérgio Spina – Se estabelecer no mercado profissional é a maior dificuldade.
Elenilson – Como você avalia a produção teatral atual? E no cinema?
Sérgio Spina – Aqui em São Paulo tem se produzido cada vez mais teatro. Mas a qualidade tem decrescido. E no cinema tudo vai muito bem obrigado. Muitos filmes sendo produzidos. E muito cinema autoral. Isso é bom. Muito bom.
Elenilson – O que mudou? O que deveria mudar?
Sérgio Spina – Precisamos de novos dramaturgos e mais cinema autoral.
Elenilson – Cite alguns livros da sua biblioteca. E porque ainda não comprou o meu?
Sérgio Spina – “A Idade da Razão”, “Coração Selvagem”, “Disciplina do Amor”, “Harry Potter”... E porque ainda não comprei o seu? Não sabia que você era escritor.
Elenilson – Alguns dizem que os movimentos culturais estão na UTI. Por que a insatisfação da sua classe não pode ser modificada para reivindicação?
Sérgio Spina – Bom... Sempre é mais fácil reclamar do que fazer alguma coisa. E reivindicar significa pensar e pedir algo. Muita gente tem preguiça de pensar, já que é tão mais fácil reclamar. Não gosto de ficar falando e reclamando e discutindo demasiadamente. Minha reivindicação e a minha insatisfação estão no meu trabalho.
Elenilson – Deixa uma mensagem para aqueles que querem fazer arte.
Sérgio Spina – Façam, façam, façam...


“Precisamos de novos dramaturgos e mais cinema autoral.”
“Não gosto de religião. Religião não é cultura. Muita gente mata e muita gente morre por causa da religião. E falo sobre todas as grandes religiões. Agora se elegeram um pastor homofóbico, o que nós vamos fazer? Ele já está lá.”
“As pessoas se chocam ao ver alguém nu da mesma forma como se chocam ao ver uma criança em pedaços no jornal da tarde ou ao ver dois homens se beijando. Há um pudor demasiado.”“O que precisa acontecer é o surgimento de outras formas de realização cultural. Os artistas não podem só depender da Lei Rouanet para produzir. O governo, os artistas, a sociedade precisa entender que isso não é o suficiente para se produzir arte.”
Com o comediante Juca Chaves.
Minutos antes de uma estreia, com o elenco da “Cia. Teatro de Febre”.
Blog: http://ciateatrodefebre.blogspot.com/
Contato: sergiospina@terra.com.br
fotos: divulgação

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

MORRE O AUTOR QUE FICOU FAMOSO POR NÃO QUERER SER FAMOSO

“O escritor norte-americano J.D. Salinger, que escreveu o clássico "O Apanhador no Campo de Centeio", morreu aos 91 anos, nesta quinta-feira.”
Por Elenilson Nascimento
O livro “O Apanhador no Campo de Centeio” que conta a história de Holden, um jovem rebelde que foge do colégio interno para experimentar a vida em Nova Iorque, já vendeu mais de 60 milhões de cópias no mundo todo e, por ano, 250 mil novos exemplares são vendidos. Lembro que li esse livro na faculdade, num período tenebroso da minha vida, mas, enfim...
A estreia na literatura do autor J.D. Salinger foi justamente com “O Apanhador...”, em 1951. O autor não publicou nada mais após 1965, e não dava entrevistas desde 1980. Uma pena. Em 2009, Salinger voltou a aparecer na imprensa após processar o sueco Fredrik Colting, que escreveu uma continuação não-autorizada desse livro.
Apesar da falta de publicações, Salinger teria confessado em 1978 a Jerry Burt, seu vizinho e amigo, que escrevia com regularidade e teria pelos menos 15 obras completas guardadas em um cofre. Não sei pra quê. Escrever e não publicar. Talvez ele quisesse que a publicação fosse póstuma, para enriquecer ainda mais os familiares. Me poupe! O vizinho revelou no ano de 1999 que chegou a ver o tal cofre aberto na casa do autor, mas não saberia confirmar se a confissão de Salinger era verdadeira, pois a escuridão encobria seu provável conteúdo.
Em 1982 ele processou um homem que tentou vender uma entrevista fictícia a uma revista de circulação nacional nos Estados Unidos. Graças à desistência do impostor Salinger arquivou o processo.
LIVRO PERSEGUIDO - O culto ao "O Apanhador..." ganhou as páginas policiais em 1980, quando o fã dos Beatles, Mark Chapman (foto ao lado), matou a tiros John Lennon, citando a obra como inspiração para o ato e afirmando que "esse livro extraordinário contém muitas respostas". Depois de Chapman, foi a vez de outro maluco, o John Hinckley Jr, o homem que atirou em 30 de março de 1981 no então presidente norte-americano Ronald Reagan, apontar a obra como fonte de inspiração.
Apesar de todo o sucesso, entre 1961 e 1982 "O Apanhador..." foi o livro mais censurado nas escolas e livrarias dos Estados Unidos. As explicações incluem linguagem vulgar, referências sexuais, blasfêmia, questionamento aos valores familiares e condutas morais, encorajamento de rebeldia e promoção de bebidas alcoólicas, cigarros, mentiras e promiscuidade. Isso porque eles não leram o meu.
NOS CINEMAS - Apesar de cogitar várias vezes a adaptar "O Apanhador...” para os palcos, tendo o próprio autor como intérprete do rebelde Holden, Salinger recusou dezenas de propostas e nunca vendeu os direitos de adaptação de seu livro para o cinema ou teatro. Entre todos que ouviram as recusas do escritor estão os cineastas Billy Wilder, Elia Kazan, Spielberg, Marlon Brando, Jack Nicholson e Harvey Weinstein. Em entrevista publicada pela revista "Premiere", o ator John Cusack disse que seu único arrependimento em completar 21 anos é ter ficado muito velho para interpretar Holden.
Porém, infelizmente, hoje, 28/01, morreu o autor que ficou famoso por não querer ser famoso. De acordo com o comunicado divulgado por seu filho, a morte teria sido por causas naturais, em Cornish, New Hampshire, na casa onde vivia isolado há décadas.

*Aproveite e clique abaixo e confira o escritor Luis Fernando Emediato também falando sobre a morte de J.D. Salinger:
*E mais um pouco de história:
fonte: Reuters/AFP
podcast: Portal da Metrópole

fotos: divulgação

O PRESIDENTE E A SUA CRISE HIPERTENSIVA E O POETA E APENAS UM QUARTO

Lula já teve alta do hospital em que esteve internado com problema de hipertensão, mas teve que adiar mais uma viagem que faria.

Por Elenilson Nascimento
O presidente Lula teve uma crise hipertensiva quando estava no avião com destino a Davos (Suíça), por volta da 0h30 desta quinta-feira, 28/01. Por ordem médica ele foi proibido de viajar e passou a madrugada toda internado no Hospital Português, no Recife. Segundo informações vinculadas na grande imprensa, o médico Cleber Ferreira, que acompanha o presidente há cinco anos, disse que a pressão arterial de Lula chegou a 18x12. Lula passou por exame de eletrocardiograma, raio-x do tórax e exame de sangue. Segundo o médico, a crise hipertensiva pode ter sido provocada por um quadro de estresse e cansaço.

Enquanto isso, o nosso poeta Roberto Piva conseguiu uma mudança de quarto - Contudo, ao contrário do que aconteceu com o poeta Roberto PivaCLIQUE AQUI – que, felizmente, segundo o Ademir Assunção, depois da mudança para um quarto melhor, está bem mais animado: “Hoje cedo pediu para o Gustavo levar livros. Os amigos continuam se mexendo para que ele tenha um bom tratamento e se recupere o mais rápido possível. É isso o que interessa”, o presidente com todos os privilégios da sua função de líder da Nação, já foi atendido pelos melhores médicos e já recebeu alta após apresentar a crise hipertensiva. Queria só ver se ele precisasse usar o SUS!

Lula deveria ter sido obrigado a procurar atendimento no SUS - Mas voltando ao Piva, o Paulo de Tharso postou um vídeo produzido pelo Grupo Interzona, com Piva lendo o poema “Piedade”, permeado com a voz de William Burroughs, Jim Morrison e imagens do próprio poeta – Confira AQUI. Ainda segundo o Assunção, amigos estão se mexendo também para fazer uma leitura com o objetivo de arrecadar grana para Piva. E isso é o que importa!

Clique abaixo e saiba também a opinião do escritor e jornalista baiano Ildásio Tavares sobre o presidente Lula:

>>> Ildásio Tavares fala sobre atuação de Lula na política <<<


charges: Blog Casa da Mãe Joana, podcast: Portal da Metrópole
e foto de Piva: Juvenal Pereira (2004)

DELEGAÇÃO DE HAITIANOS DENUNCIA EXÉRCITO BRASILEIRO

“No dia 01/06/09, completou-se 5 anos da criminosa invasão colonial da "Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti" (Minustah), liderada pelo Brasil à serviço do USA.”
Gonaives, Haiti. Fila para receber alimentos.
Atualmente, a ONU gasta para manter a invasão criminosa, aproximadamente U$$ 600 milhões por ano. São cerca de 7 mil soldados, de países como: Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Canadá, Paraguai, Uruguai, França, Portugal e outros. Só o Brasil possui 1300 militares no país caribenho como garantia de retorno certo para os mafiosos capitalistas.
fonte: Antonio Roberto C. Bergoci/O Rebate

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

S.O.S. PIVA URGENTE

" Por tanto pessoas do bem, o poeta Roberto Piva precisa de ajuda urgente, quem puder ajude! Divulguem este texto para seus amigos e para quem possa ajudá-lo de fato."
Por Elenilson Nascimento
Pessoal da LC, peço humildemente atenção de todos para um assunto por demais delicado. Esse texto abaixo me foi enviado pela poeta e ilustradora Ana Peluso, oriundo do blog do Ademir Assunção, e deixa bem claro de como anda a saúde desse País de faz-de-conta, como damos valor aos nossos ícones e, principalmente, que o grande poeta Roberto Piva precisa de ajuda URGENTE.
Para quem não conhece, a história pessoal do poeta Roberto Piva começa e gira em torno da cidade de São Paulo. Ele cresceu e formou-se entre a capital e as antigas fazendas do pai, no interior do Estado.
Seus primeiros poemas foram publicados em 1961, quando tinha apenas 23 anos. Nessa mesma época, integrou a famosa “Antologia dos Novíssimos”, de Massao Ohno, na qual se lançaram vários poetas brasileiros iniciantes, que depois desenvolveram uma obra poética de importância. Piva formou-se em Sociologia. Sobreviveu em grande parte como professor de estudos sociais e história. Foi um professor de muito sucesso, com rara vocação como pedagogo – coisa que não vemos mais nos dias de hoje. Nos anos de 1970, tornou-se produtor de shows de rock. Piva ainda mora em São Paulo, cidade que lhe parece apocalíptica, mas que forneceu todo o pano de fundo para sua obra poética. Portanto, Piva é um dos maiores poetas do Brasil. Até eu já dediquei um poema chamado “Uma visão contemporânea”, publicado na antologia “Poemas Dedicados” (CBJE/2006) ao grande mestre:
“Entre todas as coisas que me invadem
E que excedem a minha (in)verdade
Entre casos absurdos da minha vontade
Reconheci tuas cores tristes da janela”

Agora, acho demasiadamente triste (*uma sacanagem, por sinal) falar de um poeta como o Piva, nos limites da fraqueza humana, no leito de um hospital, no desespero e na urgência. Se algum leitor do nosso blog conhece alguém no Hospital das Clínicas (São Paulo) que tenha condições de conseguir uma transferência com URGÊNCIA para um quarto, já é um alento. Só quem já precisou ficar em enfermaria, ou mesmo corredor, em qualquer hospital público de São Paulo (*e de todo o Brasil), sabe o inferno que é isso. Nem um cidadão merece passar por isso, muito menos um poeta do quilate do Piva.
O nosso poeta merece ser sempre comentado e lembrado em estado de exuberância, vivo, de um lugar onde o cheiro incita o caminhar, mesmo que no horizonte seja possível avistar o céu preto da “necrópole”. Não é bom pensar num xamã com olhos piedosos, mesmo que ele esteja como todos nós, forrado das doenças ocidentais. Enfim, divulguem, peçam ajuda, repassem. Vamos lá. A poesia agradece.

+ Texto do Ademir Assunção:
Roberto Piva, um dos maiores poetas brasileiros, está internado na enfermaria do Hospital das Clínicas, em estado precaríssimo. Piva tem 73 anos e sofre de mal de Parkinson. Segundo o poeta Celso de Alencar, que o visitou ontem, ele está num verdadeiro inferno dantesco. Nos últimos anos, Piva teve suas obras completas reunidas pela editora Globo em três volumes: Um Estrangeiro na Legião, Mala na Mão & e Asas Pretas e Estranhos Sinais de Saturno. Sua poesia voltou a circular como um furacão, mas o poeta continuou vivendo em situação precária. É comum os amigos se cotizarem para comprar os remédios que ele precisa para manter os efeitos do mal de Parkinson num nível razoável. Artistas não vivem de elogios. É preciso tirá-lo da enfermaria do HC e transferi-lo para um quarto. Urgente. Isso é o mínimo nesse momento. Ou as palavras do próprio poeta vão se confirmar como uma nefasta profecia?:

“O objetivo de toda Poesia & de toda Obra de Arte foi sempre uma mensagem de Libertação Total dos Seres Humanos escravizados pelo masoquismo moral dos Preconceitos, dos Tabus, das Leis a serviço de uma classe dominante cuja obediência leva-nos preguiçosamente a conceber a Sociedade como uma Máquina que decide quem é normal & quem é anormal.”

“... criminosos fardados & civis têm o poder absoluto para decidir quem é útil & quem é inútil”.

“Enquanto isso, os representantes da poesia oficial & os engomados homens de negócios trocam entre si, numa reciprocidade suspeita, discursos & homenagens estourando de vaidade diante do aplauso de seus concidadãos. O que eu & meus amigos pretendemos é o divórcio absoluto da nova geração dos valores destes neomedievalistas”.

Escrito por Ademir Assunção às 14h43
http://zonabranca.blog.uol.com.br/

Por tanto pessoas do bem, o poeta Piva precisa de ajuda urgente, quem puder ajude! Divulguem este texto para seus amigos e para quem possa ajudá-lo de fato. O xamã precisa de ajuda urgente. Quem gosta de poesia ou escreve sabe da importância dele para a Literatura Brasileira e Universal. Quem está em São Paulo e possa ajudá-lo por num quarto ajudem urgente! Daqui da minha inoperância e insignificância só posso vibrar e orar por ele.

Se alguém quiser ajudar de outra forma, entre em contato com o próprio Ademir Assunção pelo e-mail: zonabranca@uol.com.br

Dados do Roberto Piva para eventual ajuda, divulguem. A situação é caótica:
Banco Itaú Agência 0036
C/C 20592-0
CPF 565 802 828-00
fotos: divulgação

APÓS O FESTIVAL DE VERÃO...

“Pelo amor de Deus, o que é que a Maluca Magalhães estava fazendo no Festival?”
Por Elenilson Nascimento
Por motivo de força maior, esse ano não deu para eu ir ao “Festival de Verão de Salvador”, mas parece que não perdi nada. Nem ia comentar aqui no blog, mas depois de ter visto umas cenas bizarras do cantor Akon “dançando” com a chatinha da Claúdia Leitte, de ter recebido alguns e-mails perguntando o motivo que esse ano eu não citei uma notinha sequer, por fim, me dei por vencido e resolvi tecer uns breves comentários, mesmo porque nem lá eu estava. Mas, vamo que vamo!
Parece que o “Festival de Verão Salvador” desse ano seguiu fazendo mistura mesmo. Até Caetano Veloso deu o ar da graça e não hesitou em incluir no seu repertório, recheado de músicas e sucessos autorais, os pagodes "Kuduro" e "Cole na Corda", este da banda Psirico, que Caetano assume ser fã de carteirinha. Teve também nessa edição umas coisas pra lá de desnecessárias como a dupla Victor & Léo (que parece ser um sucesso entre os alienados), banda Asa de Águia (com as mesmas chatices de sempre), Daniela Mercury e Carlinhos Brown juntos que pareciam que não estavam a vontade, a banda Charlie Brown com o Olodum (foto acima), além cantor Tomate, do grupo Revelação, além da já citada banda Psirico, no comando de Márcio Vitor.
Mas parece que os babões e puxa-sacos de Salvador bajularam mais o cantor senegalês Akon do que qualquer outra celebridade extraterrestre. Mesmo assim, o Akon agradou e parece ter esbanjado simpatia em sua passagem por Salvador. A Claúdia Leitte, que havia acabado de se apresentar, foi convidada para participar do show e entrou no clima da brincadeira. Foi ao som de “Don't Matter” que eles fizeram o “dueto” bizarro. Nesse momento, o cantor puxou o hit “Não Vale Mais Chorar por Ele”, uma versão em ritmo de arrocha que a banda baiana Bonde do Maluco fez da música dele. “Akon, vou lhe mostrar o meu swing”, disse a Leitte, mas ela nem imagina que “swing” lá fora é o mesmo que fazer “sexo grupal”. Na sequência a doída (num curtíssimo vestido preto) desceu até o chão, e o Akon num requebrado acompanhando. Os dois dançaram juntinhos e deixaram o público boquiaberto.
Mas a brincadeira não parou por aí. Num diálogo com o DJ Benny-D, uma pergunta: “Qual é a melhor cidade do Brasil? É o Rio? É Salvador?”. O DJ provocou e disse que era o Rio. Akon rebateu: “Salvador, vocês acreditam nisso?”, disse, antes de eleger a capital baiana como a sua favorita. Logo após, para delírio das mulheres, ele tirou as três suadas camisas que vestia, as jogou para o público e ficou apenas de calça, como passou o resto da apresentação. “Agora vocês estão prontos para a festa”, animou.
Depois de se apresentar no “Festival de Verão” e descer até o chão com a Leitte, o cantor ainda teve pique no dia seguinte para empolgar o público que marcou presença na última “Mostra Contagiante”, com o super-simpático Denny (foto ao lado) sendo anfitrião da festa da Timbalada.
Durante o evento, que rolou no Museu du Ritmo (*super caro, mal localizado e só frequentado pela elite soteropolitana), no bairro do Comércio, Akon deu um show à parte. Além de dividir os vocais com Denny, ainda arriscou tocar timbau (foto acima), levando o público ao delírio. Para quem é filho de percussionista e viveu boa parte da sua vida no Senegal, na África, não poderia dar outra! Parece que o Akon já está se sentindo em casa na Bahia... Dá-lhe, Akon!
Mas ainda teve (*que presta) Paralamas e Ivete no palco principal; nos palcos alternativos: Jau, Márcio Mello, Adelmo Casé, Nelson Rufino, Mariene de Castro, Adão Negro, Margareth, Márcia Castro, Vânia Abreu, Ana Cañas, Cascadura, muitos DJs, além de muita gente bacana nos bastidores. Mas pelo amor de Deus, o que é que a Maluca Magalhães estava fazendo no Festival? Confiram algumas imagens abaixo:
A sempre massa Regina Casé.
Gilberto Gil compenetradíssimo.
Gil, Caetano e, ao fundo, a Casé.
A atriz Fernanda Souza.
A repórter “arroz de festa” da Rede Bahia Wanda Chase,
o Márcio Vitor e a M
argareth Menezes.
Ivete depois da apresentação no palco principal
da arena do Festival de Verão.
Várias beldades anônimas, como essa gatinha da foto,
trabalhando pa
ra os nossos deleites.
E os fãs loucos que não se cansavam de demonstrar
carinho pela Ivete Sangalo.

>>> Confira a cobertura do Festival de Verão 2009.
>>> E também a cobertura do
Festival de Verão 2008.
foto Akon 1: Portal Ego
foto Akon 2: Fred Pontes
foto de fã de Ivete: Lúcio Távora/Agência A Tarde
demais fotos: Portal iBahia

AS VASSOURAS DA MORALIDADE E A VACA

“Numa semana em que os telespectadores já estavam por demais mareados pelo excesso de cadáveres do Haiti na tela da TV, programa de TV baiano escolheu uma via estética e ética mais criativa.”
Por Malu Fontes*
Quaisquer programas na linha reality show, como “A Casa dos Artistas”, “A Fazenda” e o clássico do gênero, o “Big Brother Brasil”, não se caracterizam exatamente por ter em seus elencos e repertórios pessoas que se destacam por suas performances intelectuais e temas elevados e enriquecedores para os telespectadores. O formato é um fenômeno cuja ideia central é ancorada na certeza de que um contingente populacional imenso do país vai passar meses assistindo a um bando de anônimos dizendo coisa com coisa e fazendo absolutamente nada produtivo.
Há quem diga, inclusive, que os telespectadores se identificam tanto com o formato do programa porque nele podem ver um bando de ninguéns, os BBBs, iguais a eles próprios (telespectadores), fazendo exatamente o que ambos mais sabem e querem fazer na vida: nada! Passam o dia fazendo e falando besteiras e bobagens e esmo. Portanto, a questão é: do lado de cá da tela, a rapaziada, como dizem os sambistas, com o mesmo perfil e pertencente aos mesmos grupos sociais da amostragem daqueles que vão para os BBBs da vida, é diferente em quê, em termos de conteúdo e comportamento, desses que são os novos ídolos nacionais da última semana?
HOMOFOBIA – O fato é que, por mais medíocres, medonhos e tapados que sejam os BBBs e seus primos pobres do gênero reality, sejam os da mesma emissora ou das demais, uma categoria de gente que surge em oposição a estes é talvez mais assustadora e espantosa. Arrebatados de surtos de conservadorismo e coisas que tais, senhores e senhoras supostamente do bem e zeladores das morais e dos bons costumes do mundo, saíram esta semana de suas catacumbas medievais. Atribuindo a si mesmos a tarefa de empunhar as vassouras da moralidade do mundo, desejam fazer uma faxina e extirpar da sociedade todos os males comportamentais. A limpeza deveria culminar com a televisão sendo condenada eternamente ao silêncio verbal e imagético. Não raro, essas pessoas guardiãs da honra da espécie assustam mais que os personagens a quem pretendem condenar.
Diante do teor de cartas de leitores na imprensa escrita, de posts veiculados em sites de amplo acesso e de declarações de autoridades que representam determinados segmentos sociais importantes, não é de todo uma piada desejar tomar partido e ficar mais ao lado da futilidade dos BBBs. Em função da presença de três homossexuais que já ingressaram no programa explicitando sua condição sexual, o que se tem visto, lido e ouvido de manifestações homofóbicas contra o trio leva a crer que, para muitos, é uma frustração e tanto que não se tenha por aqui uma legislação considerando a homossexualidade um crime.
Parece inacreditável que, em 2010, homens e mulheres adultos, capazes de se expressar em palavras, sintam-se à vontade e confortáveis para manifestar publicamente a tese de que a presença gay no horário nobre na TV, no BBB, representa um risco intenso à moralidade dos filhinhos da honrada família brasileira. Pelo andar da carruagem, embora supostamente a intenção da emissora seja, além de causar polêmica, ‘contribuir’ para o agendamento da temática gay na TV, ninguém se assuste se o tiro sair pela culatra e as famílias zelosas deflagrarem uma onda de homofobia e rejeição contra os três integrantes não heteros do programa.
VAGABUNDA - Como a Bahia é a Bahia, mesmo que se esforce não consegue ficar de fora de polêmicas absurdas, que podem envolver desde jegues a lencinhos que envolvem o cabelo de estrelas do axé, eis que um major da Polícia Militar baiana, irritadíssimo com o comportamento desinibido de uma soldado da corporação, Anamara, exportada para o BBB direto da PM de Juazeiro (BA), disse (depois desdisse, como baiano adora fazer, mas ninguém ficou sabendo do desdizer) que ‘a vagabunda’ estava expondo a corporação – CLIQUE AQUI e leia mais.
Ah, se consultado, o telespectador talvez argumentasse que, diante da mera exposição de peitos e bundas no na TV no BBB, o que expõe mesmo a medula da corporação é o contingente da banda podre da Polícia, volta e meia envolvida em crimes mais cabeludos que aqueles cometidos por gente que tá atrás das grades. E por que esses não são chamados de vagabundo, ora, se é o que são?
VACA – Enquanto isso, na TV local, ninguém pode reclamar de falta de criatividade. O programa “Na Mira”, numa semana em que os telespectadores já estavam por demais mareados pelo excesso de cadáveres do Haiti na tela da TV, escolheu uma via estética e ética mais criativa. Para que mais cadáveres humanos numa semana em que a TV já exibira tantos? Na quarta-feira, entediado de tanto ver gente morta, o “Na Mira” recorreu ao cadáver de uma vaca, coitada. Roubada do seu dono bem pobrinho, mostrado inconsolável diante das câmeras, o bicho foi morto e teve suas partes esquartejadas expostas na tela durante longos minutos, com direito a repetição e repetição. Com direito também a close nos peitos extirpados do animal, úberes imensos intumescidos de leite. O autor do crime? Um ladrão açougueiro maldito de um abatedouro clandestino em Santo Amaro.
* Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

WALCYR CARRASCO É ABSOLVIDO EM AÇÃO DE PLÁGIO NA NOVELA "ALMA GÊMEA"

O autor global Walcyr Carrasco disse não conhecer autora da ação de plágio.
A ação contra a Rede Globo e o autor de novelas Walcyr Carrasco (foto) por plágio na novela "Alma Gêmea" foi considerada improcedente pela 5ª Vara Cível do Fórum Regional da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), conforme informação do Portal Imprensa.
O processo foi movido pela escritora Shirley Costa Ferreira. Segundo ela, a trama de Carrasco, atualmente exibida no "Vale a Pena Ver de Novo", baseou-se no livro "Rosácea", escrito por ela. No processo, a escritora contou que mandou os textos de sua obra para o autor e também disse que ele utilizou a história dela para construir a trama.
O juiz Aurélio Abi Rama Duarte, contudo, disse que não há nenhuma relação entre o livro de Shirley e "Alma Gêmea". Walcyr Carrasco disse que nunca recebeu nenhum trecho de "Rosácea" e acrescentou ainda que não conhecia a autora do livro.
fonte: A Tarde

MADONNA DIVULGA VÍDEO DE ENSAIO COM CORAL

Por Elenilson Nascimento
Como todo mundo já leu aqui na LC sobre os organizadores do evento "Hope For Haiti”CLIQUE AQUI - que reuniram dezenas de celebridades internacionais na última sexta-feira, 22/01, hoje eles disseram já ter arrecadado mais de US$ 57 milhões (*cerca de R$ 104 milhões) em doações para ajuda às vítimas do terremoto da semana passada no Haiti. O montante arrecadado já é o maior da história para um evento beneficente do tipo.
Organizado pelo ator George Clooney e pelo rapper Wyclef Jean, nascido no Haiti, o evento reuniu atrações como Madonna, Bono, Sting e Stevie Wonder em apresentações em Nova York, Los Angeles e Londres, com transmissão ao vivo pelas principais redes de TV americanas e pela internet.
Durante o evento, Clooney doou US$ 1 milhão, mesmo valor de um cheque assinado pelo ator Leonardo DiCaprio para o "Clinton Bush Haiti Fund", formado em conjunto pelos ex-presidentes americanos Bill Clinton e, acreditem, George W. Bush. Várias das celebridades presentes também fizeram doações para os esforços de ajuda humanitária no Haiti. A modelo brasileira Gisele Bündchen doou US$ 1,5 milhão, Brad Pitt e Angelina Jolie doaram US$ 1 milhão e Madonna deu US$ 250 mil. Confira mais fotos da apresentação da cantora:Quando é que vai rolar uma parceria entre esses dois? Mais fotos de Madonna com Sting no backstage:Abaixo, fotos de Madonna improvisando trecho da música "4 Minutes" ao lado de um grupo de jovens:Mas a mulher é foda mesmo. Hoje, Madonna colocou em seu site oficial um vídeo que mostra um trecho dos ensaios com o coral (foto acima) que se apresentou com ela no programa "Hope For Haiti". As imagens, feitas pelo empresário e amigo da cantora Guy Oseary, mostram um momento de descontração, quando eles saíram do roteiro e começaram a improvisar cantando "4 Minutes". No especial pelo Haiti, a música apresentada pela cantora com o coral foi o clássico "Like a Prayer". Além de Madonna, famosos como Rihanna, Shakira, Beyoncé e Christina Aguilera fizeram show para arrecadar fundos ao país devastado por um terremoto. Assista ao vídeo:

fonte: Quem Online/YouTube/News Of Madonna/MInsane
fotos: Folha Online/Madonna Serbia/Madonna Tribe/News Of Madonna

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O VENDEDOR DE PICOLÉ QUE AMAVA CAPITU

A escritora baiana Andréia de Oliveira publicou no seu excelente blog Voos da Alma, uma resenha bem interessante sobre o meu conto “O vendedor de picolé que amava Capitu”, incluso no meu livro “Memórias de um Herege Compulsivo” (Clube de Autores/2009). Segundo Andréia: “Esse personagem, assim, encarna o estereótipo dos milhares de jovens que acreditaram no mito da “redenção através do ensino superior” no País e que encontram-se agora inoperantes face às impossibilidades de atuarem como agentes transformadores, carecendo ainda de quaisquer mecanismos compensatórios, sejam eles no patamar financeiro ou no campo do reconhecimento social. Não sem razão, apresenta uma personalidade solitária, angustiada, triste, por vezes apática, que se revela na incapacidade de comunicação efetiva com a sociedade em que vive.”
fonte: Voos da Alma/Comendo Livros

domingo, 24 de janeiro de 2010

QUANDO O PECADO É TER UMA OPINIÃO

"O que somos mesmo, neste período pós-moderno de que algumas pessoas tanto se orgulham, é estressados de merda, opinadores da vida alheia de merda, retartados de merda, comedores de cocô de merda... "
Por Elenilson Nascimento
Somos umas merdas. Merdas grandes e pequenas. Merdas obesas. Merdas nas filas dos bancos. Merdas de salto alto nos shoppings. Merdas de todas as cores. E nossas insignificâncias – que também as temos – podem ser menos tenebrosas do que as medievais do tempo de Gengis Khan, que faziam os seus inimigos apodrecerem em vida. Porém, a gente percebe a insignificância dos brasileiros no Twitter, por exemplo, quando todos só fazem twittar sobre a vida alheia e mesmo assim a vida alheia parece ser bem mais interessante do que as suas próprias vidas, mas não consegue aparecer on-line no "trending topics" do Twitter. Ou será que o Twitter tem filtro contra concorrência?
O bom mesmo é ser virtual – mas isso é assunto para outro texto desaforado, ou vários textos de desafetos. Porque, se de um lado somos cada vez mais “cibernéticos”, “alienados” e “opinadores”, por outro cultivamos “amores vampirescos”, “paixões por lobisomens”, “fodas mal dadas”, “arrogância em blogs”, “maldade em palavras” e, mesmo assim, continuamos fãs inveterados de simpáticos bruxos em revoadas de vassouras, além de cristãos com roupas de missa em todos os domingos, é claro. Mudaram os nossos ídolos. Os ídolos não são mais os mesmos. Não sei se para pior, mas certamente só para nós sacanear. Pois nosso lado contraditório de todos os dias é que nos torna interessantes para fazer a alegria em consultórios de psiquiatras, em textos de ficcionistas “mentirosos” ou em blogs que ninguém comenta.
Também na vida cotidiana aquela velhíssima voz do instinto animal, voz das nossas entranhas, deixou de funcionar. Ou funciona muito mal. Desafinada, resmunga, rosna e solta palavrões. A gente não escuta muita coisa quando, por acaso ou num esforço heroico, consegue parar, calar a boca, as aflições e a barulheira ao redor, só para analisar os fatos. Pois bem. Fui convocado recentemente para “descer a madeira” no Nizan Guanaes. Meu interlocutor pediu um texto bem ácido sobre o “caso” que eu nem sabia direito a respeito. E depois do texto “ácido” pronto, iria receber uns trocados para esmigalhar a moral do outro. E pensei: pra que mesmo isso?

O CASO - O publicitário baiano Nizan Guanaes (foto acima) surpreendeu seus mais de 15 mil leitores no Twitter com uma onda de ataques a Salvador e ao grupo de axé Chiclete com Banana, "um ícone", na sua visão, da decadência da cidade. Nizan publicou entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça, 12/01, três dezenas de comentários, falando mal da capital baiana.
"Salvador não tem praia pro turista, não tem hotel. E a orla é um favelão. Salvador está como Bell, do Chiclete: careca e fingindo que tem trança"
, escreveu o publicitário baiano. Mas em outros tempos o Nizan era menos ácido, como nesse texto de título “Sou Baiano”:
"Quando eu conheci Jorge Amado em Paris, ele me levou para almoçar num bistrô perto do seu apartamento no Marais. Ao longo do caminho, fiquei pensando em algo bem inteligente para impressionar o grande escritor. Ao sentarmos à mesa ele disparou: 'Nizan, você já reparou como a bunda da mãe Cleusa é grande?' A Bahia é assim. Desconcertante. Pense num absurdo, multiplique por dois: na Bahia já aconteceu. Há em Salvador uma casa funerária que se chama Decorativa e uma companhia de táxi aéreo que se chama BATA (Bahia Táxi Aéreo). É dentro deste espírito esportivo que a Bahia surpreende desde 1500.”
Talvez o Nizan tenha pedido um pouco da suavidade de olhar as bundas grandes na praia do favelão e de se contentar com o batuque ensurdecedor das barracas de praia com aquele pagode de última. Mas, acredito, contrário da multidão que detonou o cara, que ele tenha razão mesmo. Salvador se tornou um lixão a céu aberto com uma gentinha sem vícios gostosos e sem senso crítico. Só mesmo na Bahia para você gastar em 6 vezes para ir ao Festival de Verão que esse ano mais pareceu uma creche de jardim de infância com aquelas bandas horrorosas e até com um Caetano de cabelo branco esquecendo a letra da sua própria música.
As pessoas em Salvador estão “desbussoladas” e aparentemente estão “bucetadas” com as suas vidinhas de província. O baiano tem a mania de se ofender com tudo que os outros falam sobre a Bahia. Mas talvez os outros, por não morar nesse favelão, possa olhar com mais cuidado o que os soteropolitanos não querem ver: vivemos no lixo. Ao mesmo tempo, Nizan (pelo Twitter) fez elogios ao Rio de Janeiro ("é a bola da vez") e a Florianópolis ("está desposicionando Salvador"), mas em seus ataques à capital da Bahia, também falou mal de São Paulo - "São Paulo está sem posicionamento. E Salvador já era". Falou alguma mentira? Acho que não.
Mas não por coincidência essas quatro cidades serão as únicas a receber, em fevereiro, shows da cantora americana Beyoncé no Brasil. A turnê é promovida pela Mondo Entretenimento, empresa do grupo ABC, presidido pelo próprio Nizan. Seria alguma coincidência? Sei lá, esses caras são tão chapados que nem se dão mais ao trabalho de nada. Talvez o que tenha soado mais surpreendente dos ataques de Nizan tenha sido a fúria que dedicou ao Chiclete com Banana e a seu líder, o cantor Bell Marques. "A Ivete [Sangalo] é verdade, Bel o crooner careca é uma mentira", atacou. E ainda disse: "Fala pro Bel tirar a bandana. O cara é um careca enrustido". Quanta bobagem! O Bell faz o mesmo tipo de música a mais de 100 anos e ainda faz sucesso porque tem os chamados “chicleteiros” para pagar uma nota para compra dos CDs e abadás para blocos e camarotes no Carnaval e inúmeras micaretas. Fora que o Chiclete tem vinho exclusivo, livro exclusivo, rádio exclusiva, helicóptero exclusivo e sei lá mais o que exclusivo.
Nizan perdeu tempo batendo boca com os inúmeros leitores no Twitter, e ainda reagiu: "A gente tem que encarar nossos problemas. Salvador está perdendo espaço. E você não precisa me ler. É só parar de me seguir". Mas, famoso pela defesa que sempre fez da Bahia e da cultura baiana, o publicitário se viu obrigado a explicar: "Eu estou tentando fazer que Salvador discuta sua inércia". Ouviu muitos desaforos ao longo da noite, por parte de jornalistas e dos desinformados em geral. "O Nizan tá louco", escreveu um leitor. Mas não ouviu calado: "Me respeite", respondeu, com sotaque baiano. Em tempo: leitores lembram que Nizan é autor de um axé em louvação à Bahia, intitulado "We Are The World Of Carnaval", gravado pela primeira vez em 1991, por Ricardo Chaves, e consagrado na versão de Netinho, de 1996. A canção diz que "o baiano é um povo a mais de mil/ Ele tem Deus no seu coração / E o Diabo no quadril". E o seu refrão medonho, em inglês, apregoa: "We are Carnaval/ We are, we are folia/ We are, we are the world of Carnaval / We are Bahia". Aí, que letrinha de péssimo gosto também viu!
O ofendido Bell não se manifestou. Boa a dele. Mas o seu irmão tomou as dores. Wadinho Marques, irmão do Bell, via Twitter, escreveu: “...deixo esse provérbio para alguém: "Os cães ladram e a caravana passa"”. E depois de toda essa fofoca, muito comum no meio de internet, enfim, o publicitário Nizan Guanaes resolveu minimizar a “polêmica” que ele mesmo criou no dia anterior, só por ter exposto a sua opinião, e por meio do Twitter, depois do acalorado debate gerado com as declarações ele refugou, pelo menos em relação ao vocalista Bell Marques. "Errei em falar sobre o Bell, ele é um cara batalhador e vencedor. Não está correto colocar nele o bode que eu tenho da indústria do Axé. E é bom deixar claro que eu adoro Axé. O que me irrita é o monopólio do Axé. Mas Bell não é culpado por isso e eu fui desrespeitoso com ele. Não tenho nenhuma revolta com a Bahia. Acho a Bahia o máximo. Errei em falar de Bell, mas não errei sobre Salvador ", enfatizou.
E o que podemos tirar disso tudo? Somos a merda da merda mesmo viu! O que somos mesmo, neste período pós-moderno de que algumas pessoas tanto se orgulham, é estressados de merda, opinadores da vida alheia de merda, retartados de merda, comedores de cocô de merda. Não tem doença em que algum médico ou psiquiatra não sentencie, depois de recitar os enigmáticos termos médicos: "E tem também o stress de merda". Que pena viu. Houve uma época em que a gente resolvia, meio às escondidas, dar uma descansadinha, dar uma voltinha, ouvir uma musiquinha (*de qualidade), ler um livro, fazer amor na praia (*é mais barato), beber uma água de coco, mas passar a tarde em Itapoan eu não recomendo mais. Quanto a mim, fiquei sem os trocados porque me recusei a "meter o pau" no cara. "Nizan, tu agora tá me devendo essa!"
>>> Ouça abaixo o comentário da jornalista Malu Fontes sobre o Carnaval privatizado, os donos dos blocos dando chiliques, onde quem brinca mesmo é quem tem grana pra gastar nos blocos, inclusive o do Bell, nos camarotes (que esse ano vai ter até Biquíni Cavadão, nada a ver), enfim, o Carnaval morreu!


>>> Malu Fontes comenta sobre a revolta dos donos de camarotes <<<


podcast: Portal da Metrópole
foto: divulgação