Por Elenilson Nascimento
O filme é também uma emocionante homenagem de Tatiana ao pai, que fez parte da equipe técnica da trupe, e aos seus treze integrantes, com os quais conviveu em Paris aos quatro anos de idade, época em que os chamava de “palhacinhos”. Já para essa entrevista com o Raphael, eu tive que “caçá-lo” na internet, já que ele havia me “dado o cano” e resolveu tomar um "chá de sumiço", mas justificável a sua ausência pois estaria divulgando o documentário na Itália.
Nesta entrevista, ele fala um pouco das dificuldades enfrentadas para produzir o longa e conta como “botou o coração na tela”, além de analisar o legado deixado pelo Dzi Croquettes para a cultura brasileira. Segundo Raphael, a irreverência foi tanta que por vezes foram proibidos de se apresentar no Brasil, mas caíram nas graças do público brasileiro e também do europeu, precisamente de Paris.
Um documentário sensacional com uma história desta gente extraordinária que Tatiana e Raphael resolveram (*por conta própria) contar. Misturando docudrama e cuidadosa pesquisa de arquivos com entrevistas inéditas e uma edição apurada, já integra a lista de um dos mais premiados e bem recebidos documentários brasileiros da história.E por falar em brasileiros que mete as caras, vale lembrar que Tatiana e Raphael vivem em Nova York e não contaram, como sempre, com o apoio de investidores brasileiros para realizar o filme. "Foi muito difícil explicar nosso objetivo aos possíveis patrocinadores. E mais ainda entender os motivos dos ''nãos''. Afinal, queríamos contar uma parte da história recente do país que os mais velhos já estavam esquecendo e que os mais jovens talvez nunca conheceriam. No entanto, esbarramos muitas vezes no preconceito escondido em relação aos temas que o filme levanta, como liberdade sexual, Aids. Só na fase de pós-produção conseguimos o apoio do Canal Brasil", comentou Raphael.
O simpaticíssimo Raphael também é ator, mas hoje trabalha como corretor de imóveis. "Não vivemos só de cinema. Foi para contar histórias brasileiras que revelam que o paíis vai muito além dos clichês de Carnaval, violência e futebol que fundamos a Tria", diz o atual diretor, que com a parceira Tatiana trabalha atualmente em um documentário sobre a Festa de Parintins e já produziu o programa Nova York Underground, que ia ao ar na TV Bandeirantes. Só falta agora eles se interessarem pelo meu livro “Clandestinos”. Seria massa viu!
Raphael Alvarez – Verdade. Acredito que, apesar do Brasil vender uma imagem de tolerância, ainda se vê muito preconceito. Acho que ainda temos muito que amadurecer e romper esse ligamento entre religião e estado. Mas isso é o que acho realmente incrível, eles tiverem essa coragem a mais de 35 anos atrás. Se eles estivessem em Ipanema hoje ainda seriam muito modernos e vanguardistas.
Elenilson – Não consigo imaginar num bando de 13 homens peludos e escrachados subindo no palco com vestidinhos de putas, meias-calças, saltos altíssimos, maquiagem pesada, piscando imensos cílios postiços em performances de dança de esquetes de comédia em espetáculo inclassificável, mas tão único que arrebatava fãs por onde passava. Fiquei abismado com a coragem desses artistas. Qual a importância de atitudes como essas para o movimento gay no Brasil?
Raphael Alvarez – Realmente importante. Vejo os Dzi como o "Stonewall em NYC", que foi o movimento que deu origem às paradas gays no mundo inteiro. Brasileiros, eles em 1972 já pregavam que as pessoas devem poder amar quem quisessem. Essa liberdade de expressão que hoje ainda é muito julgada e reprimida já fazia parte da cultura dos Dzi. Acredito que a grande diferença, como Mielle disse: "Ninguém chamava - aquele bando de bichas. Ninguém tinha coragem porque eles eram muito talentosos". Isso que era genial, eram homens sim, vestidos de mulheres com vozinhas finas, porém extremamente talentosos, por isso não eram sacaneados... Acho que a comunidade GLS deve muito a eles, ou pelo menos tem que aprender a história dos Dzi, pois além de ser um dos, se não o, primeiro movimento gay no Brasil, é parte da história de qualquer brasileiro. É parte da história da nossa cultura.
Elenilson – Alguma vez na vida já tinha se imaginado dirigindo, fazendo edição e divulgando um filme? Quais são as lembranças mais antigas que determinaram a sua escolha?
Raphael Alvarez – Como fiz televisão, teatro e cinema desde criança sempre me vi no meio artístico. Acho que ir para traz das câmeras foi uma progreção normal. Claro que não imaginei que ia editar, pois realmente não sabia nada de edição dois anos atrás. Mas lembro que depois de me formei na Faculdade Americana de Artes Dramáticas, já tinha feito aulas de direção de Cinema, em NYC. Já tinha essa vontade de ter uma voz em Cinema.
Elenilson – O grupo Dzi Croquettes era uma gente extraordinária que, em plena ditadura militar, ousou quebrar a rigorosa censura vigente no Brasil com irreverência e graça. Hoje em dia, muitos grupos pelo Brasil, como a Cia. Baiana de Patifaria, na Bahia, fazem um trabalho em cima da arte que foi feita anteriormente pelo Dzi. Contudo, nesses dias sem criatividade, eu vejo que o teatro no Brasil é feito somente para mostrar caras bonitas da Rede Globo. Comenta.
Raphael Alvarez – Estou fora do Brasil há muito tempo, mas essa cultura da beleza já é uma cultura que domina o mundo todo. Acredito que os que os Dzi faziam era exatamente isso: ARTE e não um produto comercializado que é o que encontramos hoje em dia na grande maioria de programas de televisão. Eles queriam poder respirar contra a ditadura, tinham a necessidade de se expressar e não ganhar dinheiro.
Elenilson – O pai da Tatiana, o Américo, trabalhou com o Dzi. Qual foi exatamente a participação dele na trajetória do grupo? Ele foi mesmo o “faz tudo”? Quanto isso contribuiu para que vocês fizessem o filme?
Raphael Alvarez – O Américo fazia cenários e adereços, inclusive ele era considerado o melhor do Brasil. E foi por causa dele que fizemos o filme. Essa memória dos Dzi Croquettes vem da Tati, pois viveu com seu pai na Europa quando ele morava com os Dzi. No meio dessa memória e após a morte do Américo Issa, essas lembranças começaram a ficar ainda mais fortes nela e resolvemos trazer os Dzi de volta e dar validade ao imenso legado que eles deixaram.
Elenilson – Acho q
ue o teatro é um lugar da alegria. No entanto, o teatro, não o tema do qual o teatro atual está tratando, vejo, com uma certa melancolia que na Bahia, por exemplo, as pessoas valorizam muito qual o ator está estrelando tal peça. Tem que ser com o cara da “Malhação” para a peça estrear no TCA e com o ingresso nas alturas. Comenta.Raphael Alvarez – Pois é, isso esta virando uma cultura mundial. E o pior é que deixa de ser ARTE e passa a ser empreendimento e investimento. Acredito que os Dzi tinham a necessidade de serem escutados e por isso surgiu o show. Hoje em dia nada se faz pelo amor ou paixão a grande maioria é por dinheiro. Claro que tem artistas muito bons por aí, mas raramente recebem apoio. Acho que esse filme vem para mostrar que ainda é possível "ser criativo" e arriscar. Se eles fizeram os Dzi a 35 anos atrás, temos que ser mais audaciosos e corajosos em 2010.
Elenilson – O Dzi tinha um vocabulário vasto e muito “chamativo”, principalmente, para a época. Dê alguns exemplos de termos criado por eles.
Raphael Alvarez – "Tá boa Santa?" "Te contei?" "Já foi!" Mas os grandes termos que viraram parte da nossa língua: "Tieti" que foi um termo usado pela atriz Duse Naccarati para descrever algumas fans que rondavam eles e acabou se popularizando e entrando para o nosso dicionário.
Elenilson – Qual foi a principal contribuição do Dzi para cena cultural brasileira dos anos 70?
Raphael Alvarez – Difícil dizer somente uma contribuição, pois acho que foram muitas. Desde a dança maravilhosa deles, a influência do Lennie Dale na Bossa Nova, a música do Wagner Ribeiro (*que escreveu várias músicas das "Frenéticas"). Mas a grande contribuição acredito que foi na nossa comédia. Essa maneira engraçada de quebrar a quarta parede, que vem do teatro de revista, foi aprimorada por eles e influenciou grande nomes do nosso cenário artístico como Pedro Cardoso, Miguel Falabella, Diogo Vilella, Cláudia Raia, Regina Casé, entre outros.
Raphael Alvarez – Na verdade não encontramos nenhum material de arquivo no Brasil. Achamos somente uma fita com eles no palco que foi achada por uma TV na Alemanha, em Hamburgo. Eles foram os únicos que em 1975 foram Paris e os filmaram para um especial de final de ano. No Brasil, achamos somente poucas coisas sobre o Lennie Dale, mas nada dos Dzi.
Elenilson – Apesar desse formato comum utilizado em documentários, com os entrevistados em frente à câmera, intercalando com imagens de arquivo, vocês inovaram ao colocar a narração em primeira pessoa da Tatiana. Essa foi a ideia desse o início?
Raphael Alvarez – O ideia do filme veio desse resgate, mas debatemos muito se íamos colocar a Tati ou não. Mas quando estávamos editando o filme achamos muito importante que tivéssemos uma razão para termos feito o documentário, além de que isso faz com que o telespectador fique mais próximo do filme. Passa a ser um filme pessoal e acredito que as pessoas acabam se entregando com mais facilidade
Elenilson – Quem financiou o projeto?
Raphael Alvarez – Nós mesmos. Tentamos conseguir apoio de grandes empresas, mas nada rolou. E não queríamos ficar esperando três ou quatro anos para tentar terminar esse projeto. Por isso chamamos um grupo de amigos para nos ajudar, formamos uma equipe pequena e fizemos todas as gravações no Rio em dez dias. Além de NY e Paris que realmente foram feitas com somente eu e Tati na equipe. Uma loucura. Assim que o filme ficou editado, resolvemos mandar um DVD para o Paulo Mendonça do Canal Brasil para saber sua opinião e imediatamente o Canal virou co-produtor, conseguindo assim que tivéssemos uma pós-produção de alto nível.
Elenilson – Vocês receberam muitos prêmios, mas se os investidores não entenderam a proposta do documentário parece que o público entendeu muito bem.
Raphael Alvarez – Eu acho que quando se trata de investidores é sempre muito complicado, ainda mais falando de tópicos como o primeiro movimento gay no Brasil, ditadura e a chegada da AIDS. Na minha opinião esse foi o grande empecilho.
Raphael Alvarez – Muito, pois quando você está dentro de um projeto sempre rola uma preocupação de que essa talvez seja uma viagem pessoal e que o público em geral não vá entender. A grande primeira surpresa foi ganhar os dois prêmios no Festival do Rio. Primeiro que isso nunca tinha acontecido na história do Festival. E sabemos que raramente o que o júri procura em um filme é a mesma coisa que o telespectador encontra. Segundo, foi a Mostra de São Paulo aonde ganhamos o voto popular e também o Prêmio do Itamaraty que tem sido o nosso grande parceiro nos levando ao mundo para divulgar o nosso filme, assim como o nosso cinema.
Elenilson – Qual foi a melhor história que vocês descobriram sobre o grupo?
Raphael Alvarez – A melhor história não sabemos se é mito ou verdade. Supostamente, em 1974, a televisão alemã que filmou o show deles em Paris deu para o Reginaldo de Poly (Rainha) uma cópia de tudo que foi filmado em película (em uma lata de filme). Ele, diz a lenda, guardou no porão do prédio no qual morava em Paris. Alguns anos depois, ele foi assassinado e como ele não tinha família em Paris tudo dentro do apartamento foi mandado para a família no Brasil. Porém, essa lata ficou no prédio.Tentamos achar esse material, mas não conseguimos entrar no prédio nem encontrar alguém que nos deixasse checar. Fica a dica: "A Procura da Lata Perdida" (risos). Porém, é bom dizer que todas as imagens do filme dos Dzi no palco vieram dessa filmagem, pois o canal alemão nos cedeu essas imagens depois de muita batalha.
Elenilson – Durante a produção do documentário, ocorreu algo nos bastidores que tenha impressionado vocês?
Raphael Alvarez – O mais impressionante foi como todo mundo falava deles com muito carinho e admiração. Além de que toda vez que ligávamos para pedir uma entrevista, seja no Brasil, em Paris ou até mesmo com a Liza Minnelli, todos concordavam imediatamente.
Elenilson – Qual a impor
Raphael Alvarez – Eu acho de extrema importância, pois não é só a arte dos Dzi que esta sendo divulgada, mas a história da cultura do nosso país.
Elenilson – Acho que o documentário serviu também para mostrar que é possível tratar de um tema “cheio de dor” no teatro de uma forma mais alegre. Vocês perceberam isso também?
Raphael Alvarez – Eu acho que isso é um reflexo deles, eles eram muito alegres no meio de tanta repressão, eles traziam alegria ao público, mas com uma mensagem de amor e tolerância. Essa foi a nossa ideia de tentar passar ao público um pouquinho do que os Dzi passavam na época. Claro, falo isso com muito humildade, pois eles eram realmente revolucionários.
Elenilson – O motivo do meu comentário anterior é devido eu achar que é alegre o fato de estarmos todos reunidos para pensarmos juntos – porque hoje em dia pensar cansa – os nossos problemas da vida em comum. Acho que essa é a vocação eterna do teatro, ser esse lugar alegre onde se fala de tudo, sem preconceitos e nem regras. Por isso que determinada peça, embora trate de um tema doloroso, por estar dentro do teatro ela está, digamos assim, protegida pela própria alegria que o teatro tem. Contudo, não é isso que eu constato dentro de alguns teatros em Salvador, por exemplo. Muitos atores, diretores e até o pessoal da técnica são extremamente arrogantes e prepotentes. Comenta.
Raphael Alvarez – Eu nunca tive paciência para arrogância ou prepotência. Eu acho que fazer teatro/cinema ou arte em geral é um dom e um privilégio que deve ser respeitado em todos os sentidos. Mas ninguém é melhor do que ninguém. Minha mãe sempre disse que temos que evoluir constantemente. Assim que você chega ao ponto aonde você se ver como absoluto, em dois segundos, já tem uma pessoa que não perdeu tempo pensando assim e agora ultrapassou a posição anteriormente alcançada pela pessoa em questão. Fiz sentido?
Raphael Alvarez – Nossa, difícil, pois não acho que eles eram pornográficos, estavam ali seminus para que ficassem todos iguais, como viemos ao mundo, quase com uma inocência infantil de menino. Nunca tive problema com a nudez, porém quando necessária, realmente às vezes vejo coisas que quase que dá vontade de rir, pois vem do nada. Mas ao mesmo tempo não podemos ser hipócritas, pois a pornografia é entretenimento para muita gente e esses são normalmente os primeiros a julgar. Eu sempre achei a sugestão muito mais erótica do que a realidade nas artes, deixando para a imaginação de cada um.
Elenilson – Muitos atores rejeitam o rótulo de Teatro Besteirol (veja Memória aqui) para o movimento teatral que aconteceu nos anos 80. O que você acha disso?
Raphael Alvarez – Eu acho que foi uma maneira que os críticos acharam para explicar um movimento teatral que acredito eu, já começava com Wagner Ribeiro nos anos 70. Inclusive perdemos ano passado a grande musa do teatro besteirol (e ela ria desse rótulo) Duse Naccaratii (a criadora do termo "Tieti").
Elenilson – Visto que o que se ver hoje na TV é um banto de parasitas modelos, cantores e filhos lindos e artistas sem talento algum. Comenta.
Raphael Alvarez – (Risos) Depende do que você está assistindo, né? Nem acho justo eu comentar, pois não vejo muita televisão brasileira, mas no cinema acho que temos muitos talentos e com o tempo acho que os que prestam ficam e os outros ficam perdidos sentindo saudade da fama e não da arte. No teatro os sem talentos (espero eu) nem se arriscam.
Elenilson – Por onde andam os remanescentes do Dzi?
Raphael Alvarez – Cláudio Tovar é muito conceituado no teatro no Brasil ganhando prêmios como figurinista e designer além de ter feito a peça “O Baile" e o "Diário de um Mago", ano passado dando uma aula de interpretação. Ciro Barcelos fez durante muito tempo o musical "São Francisco de Assis" rodando o mundo e sendo assistido por mais de cinco milhões de expectadores. Além de que ainda dança maravilhosamente e está preparando vários projetos para o ano que vem. Bayard Tonelli acabou de lançar o seu livro de poesia "Dzi em Verso", é um ator que não para de trabalhar, inclusive fez toda a coreografia (alám de interpretar no filme também) do "Elvis e Madona" de Marcelo Laffitte que é MARAVILHOSO! Benedicto Lacerda virou guia turístico internacional e viaja o mundo mostrando o que a de melhor culturalmente no mundo. E o Rogério de Poly também é ator e divide seu tempo entre a França e o Brasil.
Grupo carioca irreverente, alinhado à contracultura, à criação coletiva e ao teatro vivencial, que fez do homossexualismo uma bandeira de afirmação de direitos nos idos anos 70.pelo documentário “Dzi Croquettes”.
Da esquerda para a direita: Jytte Jensen, curadora do departamento de filme do MoMa, os diretores Tatiana Issa e Raphael Alvarez e ator Claudio Tovar, na apresentação do longa “Dzi Croquettes”. (foto: Cristina Índio do Brasil / G1)
Raphael e Tatiana na entrega do prêmio de melhor filme por“Dzi Croquettes”, em Miami. (foto: Dolores Orosco/G1)
Tatiana e Raphael com os atores José Wilker e Natália Lage, dividiram, pela primeira vez na história do evento, o prêmio de voto do público de melhor filme do ano no 14° Brazilian Film Festival Of Miami, nos Estados Unidos.
Com a internacional Sônia Braga.
Tatiana e Raphael contaram que, quando tiveram a ideia de produzir o longa, descobriram que não havia documentação sobre o grupo. “Procuramos no Google, e vimos que não havia nada”, disseram. Os únicos registros de apresentações encontrados são de uma TV pública alemã. No Brasil, lamentavelmente, apenas algumas cenas de entrevistas da rede Globo foram utilizadas.>>> clique aqui e confira várias fotos da exposição do Dzi Croquettes by Antonio Guerreiro e aqui e confira a resenha do Rubens Ewald Filho.
contatos: www.dzicroquettes.com / www.triaproductions.com
fotos 3, 5, 7 e 9: Antonio Guerreiro
demais fotos: divulgação





1 comentários:
adorei o filme dos diz.
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