
Mulher olha carro em chamas na Barra da Tijuca. (foto: Eduardo Castro/AFP)
Por Anna Carvalho*Agora uma cena lamentável, entre tantas outras durante esta semana e nos últimos dois dias, um pai levando um filho traficante para se entregar à polícia, numa escala de maldade a qual fomos expostos pela tela da TV, mas este é um bom bandido que se entrega e deve ser nesta escala a que somos expostos um dos menos piores. E o fato é que a bandeira do Brasil hasteada no alto do Morro do Alemão deflagra uma política de “sucesso” do Rio de Janeiro ante aos bandidos do tráfico, isto é um fato, fechado, como se fosse um índice que nós vamos ter para dormirmos em paz nas nossas camas.
Esses bandidos também foram criados por um Estado conivente, parcimonioso e que define que as favelas devem estar resignadas sob lado da sua insignificância, onde milhares de jovens, de homens, de mulheres, de bandidos, ferozes e de bestas que foram aliciadas no poder paralelo se estabelecem também pela lacuna do Estado. E como num passe de mágica quando esses bandidos decidem incomodar, mostrar a sua ferocidade nos asfaltos de uma cidade em faxina para a Copa, estes vão ser enquadrados pela lei que define as distâncias de um país e no seu limite de ordem em casas de bacanas.
E o que se viu: milhares de bandidos correndo numa área remota, armados até os dentes e a visão me parecia um Alcatraz rememorando Palmares, uma série de homens negros à parte como devem ficar, abaixo da linha de fogo, do lado de lá de uma navalha que sempre explode em relações maniqueístas em que o Estado decide qual o lado bom e qual o lado mal. E todos nós caíndo feito patos, cidadãos aliciados numa cortina de burrice e com um controle zapiado esta justiça implacável. Mas e Brasília? E os esgotos de Brasília? Os staffs de Brasília? E os belos da Globo que alimentam o crime como usuários banais?

Pessoas correm durante operação policial no
Complexo de Favelas da Vila Cruzeiro. (foto: Agência Estado)
Nesta Justiça de arremedos eles ficam de um lado de lá para que os cidadãos do crime que foram colocados ali porque o Estado permitiu fiquem mais uma vez alijados de um processo. E, para alguns leitores essencialistas, não dou álibi para o marginal, mas também não dou álibi para quem mantém o traficante em baladas sofisticadas no Leblon, por exemplo.Complexo de Favelas da Vila Cruzeiro. (foto: Agência Estado)
O problema do tráfico é mais amplo do que reunir forças de um Estado e consentir uma Paz também truculenta. E não vou muito além e falo mais uma palavra de exame e de pressentimentos: as milícias, que representam uma força deste subpoder e que também implode as relações que o Estado consente.
Acompanhar a vitória do poder oficial sobre o poder paralelo do tráfico é ver o quanto somos minimalistas para resolvermos questões mais profundas, mais enigmáticas do que uma violência episódica, sumário e feita em tempo real nas telas, nos acostumam a um poder falso de que estamos momentaneamente salvos até que a próxima realidade nos assalte neste enigma de democracia que nos cerca, colocarmos a realidade em lados é bom, mas bem incompetente, e isso a gente resolve diante das telas de cinema, batendo palmas ao final de um filme de ação.
+ Desde o último domingo, dia 21/11, o Rio de Janeiro vive uma onda de violência, que segundo a Secretaria de Segurança Pública, é uma reação de criminosos à implantação das UPPs (*Unidades de Polícia Pacificadora) que tiraram o território do tráfico, impactando em seus lucros. Porém, as cenas de uma Guerra Civil geram repercussão internacional, especialmente na cidade que “supostamente” sediará a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. A seguir mais imagens do caos urbano:
Mulher passa em frente a muro com aviso do Comando Vermelho, na Vila Cruzeiro,localizada no Complexo do Alemão. (foto: Marcelo Carnaval)
Traficantes incendeiam caminhões para formar barricadas contra a invasãoda polícia na favela Vila Cruzeiro. (foto: Ivo Gonzalez)
Homem mostra cédula de dez reais achada em uma Van queimadapor bandidos no bairro de Santa Cruz. (foto: Marcia Foletto)
Policiais durante uma operação na favela do Jacarezinho. (foto: Sérgio Moares/ Reuters)
Ônibus incendiado por bandidos em Santa Cruz,na zona oeste do estado. (foto: Jadson Marques/AE)
Profissionais da imprensa tentam se proteger atrás de veículos durante ação do Bope em um dos acessos do Complexo de Favelas da Vila Cruzeiro, na zona norte do estado. (foto: Alvino Duarte/AE)
Cerca de duas toneladas de maconha apreendida durante as operações do Bope nas comunidades do Complexo de Favelas do Alemão. (foto: Wilton Junior/AE)
Veículo policial patrulha a favela do Jacarezinho. (foto: Antonio Scorza/AFP)
Vista de uma janela de cabine à prova de balas da polícia na sequênciade ataques de traficantes em Benfica. (foto: Antonio Scorza/AFP)





7 comentários:
Que Deus proteja todos os moradores de bem do Complexo!!!Que o Rio tenha mais paz e que as autoridades saibam controlar melhor a violência!
Que os bandidos não saiam do morro e continue aterrorizando o asfalto,que seja dado um fim nisso tudo!!!
Que o direito humanos seja dado a quem merece!!!
Paz!!!Paz,mil vezes Paz!!!!
Quero um futuro melhor para os meus filhos!
Nossa Cidade continua sendo maravilhosa sim! Sua beleza Natural diz tudo. O nosso povo daqui é hospitaleiro. Nesses momentos de dor, o povo se une. Todas as forças se unem em um nome só BRASIL. Isso é que faz ser a Cidade Maravilhosa e não o terrrismo que veio ocorrer aqui e pelo que podemos ver, está indo embora.
Para se falar mal da nossa Cidade, prove que a sua não há um momento difícil.
Então viva essa gente que está a rua lutando pela gente. Viva o RIO DE JANEIRO que tanto amamos. Com certeza não merecemos o que vem acotecendo, mas somos cariocas com muito orgulho. E que Deus abençoe aqueles que estão com a arma na mão, blindados ou seja o que for, para que possamos ter a paz. Deus abençoe a vocês sim e a todos os moradores que não tem como sair do seu lugar. Viva a nação brasileira, afinal isso é BRASIL.
Independente da visão filosófica e poética da professora, autora do Post, creio eu que nessa situação carioca caberia melhor um elogio, do que uma crítica.
Haja vista que a autora não reside no estado do Rio, e aposto eu (posso estar errado) nunca tenha entrado numa das favelas do complexo do Alemão, acaba se tornando difícil para a mesma ter uma leve noção do que era a ocupação deste local pelos bandidos.
Hoje o pai de uma criança de 5 anos, não precisa tapar os olhos do filho enquanto leva este para a escola e, se depara com uma dúzia de viciados se drogando em plena luz do dia. Hoje uma criança que nasce lá dentro não terá o tráfico como espelho para suas pretensões futuras. Hoje eu posso visitar meus amigos dentro do complexo do Alemão sem me preocupar em levar tiro de bandido, ou ter que me expor as sujeiras da criminalidade, meninos com armas de soldados, bandidos que ditavam regras a milhares de trabalhadores, comércios que eram obrigados a fechar suas portas, porque um dos chefes do morro morreu e a comunidade tinha que viver um luto obrigatório.
Hoje cara professora, seria mais bonito um elogio do que uma crítica, mesmo que tenha sido montado um circo pela imprensa e pelo estado (não questiono isso)..hoje era dia de enaltecer a união das forças, hoje era dia de dizer: Parabéns governador, parabéns secretário de segurança. Eu sei que não há santos nesse meio, mas mesmo assim, fico feliz em saber que depois de décadas milhares de pessoas, honestas, cidadãos de bem, estejam livres pera circular, sem se preocupar com os traficantes, sem se preocupar com as invasões de grupos rivais.
Parabéns Rio de Janeiro essa vitória foi de todos nós.
Não vou bater palma para essa sacanagem - O RIO NÃO ESTÁ LIVRE. Isso é uma grande mentira, um grande circo romano, armado para que o povo contente-se com a sede de sangue. Bode Expiátorios. Quem morre nesta guerra também é refém da corrupção: civis, policiais e soldados do tráfico. Os criminosos são apenas bestializados levando a vida que lhe destinaram sem perspectiva - não há política para combatar a marginalização no Rio, não há inclusão dos jovens pobres. A população agora está ameaçada por criminosos armados com fuzis e tênis, mas é os de terno e colarinhos brancos que são os grandes bandidos violam o erário público e vivem da propina dos traficantes e da polícia corrupta montada nas suas máquinas da morte e suas milícias. Os verdadeiros vilões estão protegidos nas cadeias e nos palácios, ACORDA! Os bons policais são usados como peões para recolher votos de pessoas com medo em operações funestas que surgem de acordos nefastos com o crime organizado. Quem morre nessa guerra é inocente.
Não há motivo para festejar, não há esperança nesse rumo...
Markito, você está sendo iludido, o tráfico de drogas vai se reerguer por outros se não houver um trabalho social AGORA, HOJE, os jovens ainda não tem perspectiva e não há nenhum esfoço do governo em dá. Você pode acabar com o CV e TC agora, e em 2 anos outra entidade criminosa surgirá, sei lá Comando Alguma Coisa, pois os jovens não tem acesso ao trabalho. Pior, talvez antes que isso aconteça, amanhã talvez a milícia tome conta do Complexo do Alemão... Os que devem ir presos sãos os corruptos, principalmente da polícia e do Governo do Estado. Eles fizeram isso só agora porquê os traficantezinhos ousaram enfrentar a máquina do Estado - não sei se você sabe (mais tenho muito boas fontes) isso foi revolta contra a corrupção institucionalizada do Estado do Rio.
Querido anônimo que deve ser um carioca ,você tem, e é legítimo ter o direito de estar seguro,mas o que cabe ou não sobre uma reflexão é um direito que ainda me cabe.
Não tenho que estar submetida ao que o leitor ou interlocutor espera que eu escreva,aliás acho que há um equívoco muto grande por parte de leitores de Internet que querem ler o que querem.
A análise do texto compreende uma leitura menos superficial, nunca fui ao Morro especificado,mas sou refém de um estado de exceção neste país que se acostumou a exumar desigualdades sociais em fistâncias geográficas,desde que habitantes honestos que são reféns deste Estado se acomoden ali, seja menos passional e leia o texto como ele foi representado.
ObrigadaA
Anna Carvalho
Querido anônimo que deve ser um carioca ,você tem, e é legítimo ter o direito de estar seguro,mas o que cabe ou não sobre uma reflexão é um direito que ainda me cabe.
Não tenho que estar submetida ao que o leitor ou interlocutor espera que eu escreva,aliás acho que há um equívoco muto grande por parte de leitores de Internet que querem ler o que querem.
A análise do texto compreende uma leitura menos superficial, nunca fui ao Morro especificado,mas sou refém de um estado de exceção neste país que se acostumou a exumar desigualdades sociais em fistâncias geográficas,desde que habitantes honestos que são reféns deste Estado se acomoden ali, seja menos passional e leia o texto como ele foi representado.
ObrigadaA
Anna Carvalho
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