sábado, 30 de outubro de 2010

SARAU LITERÁRIO EM PLENO DIA DA FARSA

“E, afinal, nesse tempo de nuvens escuras, de arrogâncias acadêmicas, de gente sem atração, cada livro é sempre o mesmo, porém não a mesma coisa. Pelo menos os meus.”
Se fosse possível eu pontuar aqui, em poucas linhas, em poucas palavras, a diferença entre cinco seres vivos, das suas maluquices, dos seus objetivos, dos seus processos desarmados, dos seus projetos de vida, diria: que pobreza de vida haveria neles! Prefiro acreditar que há algo melhor, em cada um deles, que se recuse à síntese. Do contrário, para que o próximo? Mas ando muito cansado disso tudo. Das pessoas, do meu tempo, da alienação que infesta as mentes, dos guerreiros de marmitas, dos processos fracassados de educação. Outrora, falei amanhã – no “III Sarau Literário” promovido pelo pessoal do bem da Revenge Comunicação e da Cooperativa Acadêmica da UFMG – que essa realidade muda (“Quando a gente tá contente. Tanto faz o quente, tanto faz o frio, tanto faz. Que eu me esqueça do meu compromisso. Com isso ou aquilo que aconteceu dez minutos atrás. Dez minutos atrás de uma ideia já deu. Pra uma teia de aranha crescer e prender. Sua vida na cadeia do pensamento. Que de um momento pro outro começa a doer”, escreveu Gil) permanece simultaneamente e que esse é o feitiço da arte.
E, afinal, nesse tempo de nuvens escuras, de arrogâncias acadêmicas, de gente sem atração, cada livro é sempre o mesmo, porém não a mesma coisa. Pelo menos os meus. As questões, que também não são mais minhas, porque nós é que somos das questões, mantêm-se nos livros todos: a morte, o viver, o tempo, a existência, o humano, o sagrado, o amor, o poético, a palavra, apresentadas sob novas feições, novas configurações. E estarei amanhã, depois da obrigação imposta das urnas, onde essa imensa massa de iletrados vai votar na Dilma como se estivesse votando no Lula, onde uma verdade vem à tona: o Serra preparou-se a vida inteira para legitimar a vitória da marionete do Lula, debatendo sobre isso e vendendo minhas ideias de passos cansados num país que não valoriza nada. Portanto, conto com os meus amigos mineiros por lá. Abração!
imagem: divulgação

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