quarta-feira, 29 de setembro de 2010

CADÊ A OPINIÃO PÚBLICA? ELA É A MAIS NOVA ESTATAL?

“Mas eu fico aqui com uma vergonha danada desse país de “merda” que não vê um palmo na sua frente e que continua como espectador de suas mazelas (...) uma coisa bem apropriada num país em que adjetivos de desqualificação esboçam caras, bocas e números em urna eletrônica.”

Por Elenilson Nascimento
Em plena farsa da "festa da democracia", com direito aos patéticos debates promovidos por todas as redes de comunicação, como um velho e prostituto clichê que intitula os períodos de campanha eleitoral, o que se vislumbra no horizonte é o fantasma das ameaças à democracia brasileira. Candidatos totalmente desinformados e megalomaníacos ultrapassam a fronteira do bom senso e bom gosto. O gangsterismo instalado nos porões do Estado, responsável pelo saque aos segredos da Receita Federal, e a complacente bonomia com que é tratado pelas autoridades são o mais atual e descarado sinal disso, mas não o único.
E nessas vias, nós, eleitores, somos tratados como retardados pois estamos tão acostumados a ver políticos fazendo suas promessas de campanha na forma afirmativa. “Farei isso”, “realizarei aquilo”, não se cansam de dizer. No último dia 28/09, entretanto, uma frase do candidato à governador da Bahia, Geddel Vieira Lima (PMDB), dita durante um debate à TV Bahia, filial da Rede Globo, me chamou a atenção exatamente por ser uma promessa elaborada na forma de devaneio, aliás, mais um: “pagar para estudantes secundários estudarem”. Como se isso fosse mesmo interesse de algum governo dessa birosca!
Nesse último debate com os cinco principais candidatos ao governo da Bahia, a administração do candidato à reeleição pelo PT, Jaques Wagner, voltou a ser alvo de acusações de corrupção. No confronto, Wagner obteve direitos de resposta para as todas as acusações, feitas respectivamente por Marcos Mendes (PSOL), Bassuma (PV), o já citado Geddel e Paulo Souto (DEM) que se muniram de números e propostas para criticar o governo e as suas propagandas enganosas. No entanto, o povo, mais uma vez, vai acabar votando num dos piores governadores que a Bahia já teve.
Igualmente ameaçador, e mais insidioso, é esse fantasma da unanimidade que circunda o presidente Lula e todos os seus candidatos. Ele frutifica rapidamente ao duplo, triplo influxo de um situacionismo pobre e sem contexto que transborda e de um oposicionismo que não se opõe, cuja a regra é criar “factóides para iludir”. As unanimidades no Brasil costumam ser bom abre-alas para o despotismo. Já temos um pai Lula, prometem-nos agora uma mãe Dilma para acabar com todos os nossos problemas, mas a silhueta que surge ali na esquina é a do irmão tosco, corrupto, mentiroso.
Em último debate na Bahia, governo Wagner é alvo de acusações de corrupção.
Contudo, a popularidade do presidente Lula e a perspectiva de vitória de sua candidata deram margem, e continuam dando, à expansão acelerada da cooptação e do adesismo, duas faces de uma moeda de antigo e querido uso no Brasil. E cada vez que o presidente Lula se volta contra a imprensa em geral, a imprensa bate na tecla da vontade manifesta de membros do PT de levar a cabo no Brasil um “controle público” dos meios de comunicação e instituir “sanções” aos “abusos” cometidos por jornais e jornalistas, e sobram editoriais recheados de palavras como “mordaça”, “censura” e “autoritarismo”.
No Brasil, a relação entre o governo Lula e a imprensa ainda não se incendiou à moda portenha ou bolivariana, seguindo mais como uma “Guerra Fria” do que como uma guerra declarada. A alienadora administração petista já tentou emplacar um órgão estatal para monitorar redações, e recentemente Lula disse que a imprensa não deveria fiscalizar, mas sim informar. É certo, contudo, que o presidente da República expressou em voz alta aquele que talvez fosse o primeiro dos três desejos que faria ao gênio da lâmpada, ou seja, uma imprensa 100% chapa branca, mas não deixa de ser verdade que a corrida por reportagens exclusivas sobre os temas caros ao país há tempos foi substituída pela escalada de denúncias de toda ordem, das mais relevantes às pouco significativas, passando por aquelas totalmente infundadas, fruto de um afã acusatório que deixariam os “amiguinhos ditadores” do presidente enrubescidos.
A coisa anda tão podre e sem noção que, na Bahia, Serra lembrou o falecido ACM e manifestou otimismo quanto a 2º turno. O candidato tucano receberá hoje, 29/09, o título de cidadão soteropolitano na Câmara Municipal. Mas cidadão por ter feito o que por Salvador? Mas o que esperar de uma Câmara que distribui títulos homéricos de Galvão Bueno à vendedora de acarajé da esquina. Se bem que essa segunda tem mais lógica.
E ao receber o título de cidadão soteropolitano, Serra citou até o poeta baiano Gregório de Matos para criticar setores que tentam promover censura no Brasil. Quem? Quem? Quem? O candidato não quis comentar os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto, mas declarou-se otimista em relação à possibilidade de chegar ao segundo turno das eleições presidenciais. “Como não mencionar o grande Gregório de Matos, que enfrentou os poderosos no seu tempo e exerceu com acidez e clareza a crítica política. Desconfio que se Gregório existisse hoje, talvez alguns dos censores que andam por aí tentariam calá-lo”, disse Serra.
Além de Gregório de Matos, citou Castro Alves, dizendo que este foi um dos primeiros autores que leu em sua vida, e fez questão de declamar trechos de dois poemas dele: e "Navio Negreiro""Vozes da África". Tudo pela diplomacia e para conseguir mais votos.
E nessa novela diária de diarréias mentais, os eleitores ficam divididos. Não sabem se comemoram o fato de supostos candidatos que lideram com folga as pesquisas de intenção de votos e que fazem questão de externar seu compromisso com a imprensa livre, ou se há motivo para preocupação com a necessidade de a “eventual nova chefe de Estado do Brasil”, com apoio de Lula, é claro, prometer não atentar contra a liberdade de imprensa depois que receber a faixa do presidente Lula, se assim for. “Eu nunca farei isso!”, foi o que a Dilma com tanta ênfase prometeu não fazer, uma vez eleita, é censurar a imprensa. Vamos esperar sentados viu! Mas eu fico aqui com vergonha desse país de “merda” que não vê um palmo na sua frente e que continua como espectador de suas mazelas, quando denúncias contra o PT na reta final da campanha eleitoral trazem à tona a vontade de membros do partido de impôr “limites” à imprensa como uma coisa bem apropriada num país em que adjetivos de desqualificação esboçam caras, bocas e números em urna eletrônica.
Ora, mas não importa o que certas pessoas pensavam da pretensão do governo; importa, sim, que o governo pretendia alcançar aquele objetivo e o inviabilizou por se ter aliado a uma ditadura belicista. Admiti-lo seria aceitar que errara e Lula, claro, não erra... Mas assim é esse governo, só assume como coisa sua o que lhe dê prestígio, ainda que sua não seja, como no caso da defesa do meio ambiente. Alguém já viu, no plano internacional, uma comédia semelhante à representada por Lula e Dilma durante essas campanhas “fuleiras” de caras e bocas e botox?

+ Ouça também abaixo a jornalista Malu Fontes falando sobre o sensacionalismo na TV.
>>> ouça aqui <<<
podcast: Portal da Metrópole
charge: Maurício Ricardo/Charge.com

10 comentários:

monteiro disse...

Será que esse demonstrativo de que existe legitimidade para a reeleição de Lula e de que estamos na iminência de um novo

Queremismo, tal qual o movimento popular surgido em maio

de 1945 com o objetivo de defender a permanência de

Getúlio Vargas na presidência da República?

Anônimo disse...

Que a intenção do LULA é permanecer como presidente ninguem te duvida mas da boca para fora não quer vai querer emplacar nada menos do que a terrorista DILMA

fernando disse...

Não, sei estas pesquisas onde fizeram um governo ruim não pode ter esta popularidade toda como se ve este governo manobra os meios de comunicação

marcos paulo disse...

Estas pesquisas, não retratam a realidade, gostaria de saber onde são feitas, com certeza, são feitas onde os petralhas manobram a massa ignora.. Leonel

ruy disse...

Elenilson, toda unanimidade é burra.

wagner disse...

Precisamos é de propostas de Governo não de picuinhas de condominios.É notorio que os postulantes ao Governo mostre mais o que é melhor pra nosso Estado pois fica claro e evidente que alguns destes que participara do debante não tem a menor condição de Governar nem o menor Municipio do nosso Estado.Geddel pra mim como já disse antes nadou e morreu na praia,não eram seu momento de entrar em uma disputa.Paulo este está mais desgatado politicamente do que pneus usados.O outros dois sem comentarios.

mark disse...

vamos dar continuidade no brasil ruim por ruim vamos voltar em Dilma

JOSENILSON disse...

INFELIZMENTE a corrupção é CLARA em nosso Estado. Quase fico impossibilitado de assistir o debate pois, quando o atual Governador do Estado começou a ser BOMBARDEADO, sobre assuntos que falava sobre paralela e etc, por coincidência faltou luz aqui nessa região! Graças a Deus que eu tenho o meu celular com Tv comprado no Feiraguai!!rsrsrs. Valeu A TARDE por mais essa cobertura!

Luiz disse...

Puxa vida, se tudo issso aí for verdade então todos eles são inelegíveis... ....

Anônimo disse...

Falar de politica (Gem)é chover no molhado, mas esses debates me lembram as eleições para sindico no meu prédio. O atual sindico diz que é dificil administrar, que falta dinheiro, que tomara que a gestão dele acabe logo. Mas é só a gestão se findar, e se falar em nova eleição para outra administração que a chapa dele é a primeira a ser apresentada. Agora cá prá nós, em se tratando de governar a Bahia, se é dificil e todo mundo briga desse jeito prá governar, imagine se fosse fácil hein !!! rsrsr