Por Elenilson Nascimento
Dizem que o ramo da filosofia a que se dá o nome de «estética» inclui um conjunto de conceitos e de problemas tão variado que, aos olhos daqueles que se iniciam no seu estudo, pode parecer uma matéria demasiado dispersa e inacessível. Mas será que esse tipo de coisa é vista e revista nas faculdades e universidades brasileiras? Acredito que não, pois os professores estão muito mais preocupados em cobrar relatórios inúteis em seminários ridículos. Essa impressão pode ser até compreensível, mas ultrapassável. E para quem acompanha os meus textos aqui no LC, já se torna algo cansativo.Mas, uma maneira de desfazer essa má impressão do total desconhecimento de muitos acadêmicos com relação à estética é começar por esclarecer que ela é, mesmo não parecendo, uma disciplina filosófica que se ocupa dos problemas, teorias e argumentos acerca da arte. A estética é, portanto, o mesmo que filosofia da arte. E talvez por isso, nessa “29ª Bienal de São Paulo”, o artista pernambucano Gil Vicente tenha matado o Lula, FHC, o papa Bento XVI, o presidente do Irã, Ahmadinejad, W. Bush, Ariel Sharon, entre outros líderes políticos.
Um ano depois de ter "sua própria realização questionada", a Bienal abriu as portas de sua 29ª edição, com um orçamento de aproximadamente R$ 30 milhões, com um instigante: as relações entre arte e política. E, neste ano de 2010, leva o título de "Há sempre um copo de mar para um homem navegar" (*trecho de um poema de Jorge de Lima).
Antes mesmo de abrir para o público, a 29ª Bienal já causava polêmica. A OAB, como sempre, ofendidíssima por natureza, pediu que ao MP que investiguasse se uma das obras expostas fazia apologia ao crime.
A obra em questão é a série "Inimigos" do artista plástico Gil Vicente. Claro que isso é um exagero, um absurdo, um retrocesso. O fato de partir da OAB é ainda mais desalentador. Mas devemos ter sempre o maior cuidado com as exposições de pensamento num país iletrado como o Brasil. Dizer que a obra do Vicente faz apologia ao crime é o mesmo que dizer que Édipo Rei incentiva o parricídio e o incesto.
Existem muitas definições diferentes do que é arte. Arte pode ser um caroço de feijão pendurado na parede ou até uma calcinha molhada na chuva, mas, infelizmente, hoje em dia, tudo depende de quem assina a obra. Se fosse um Elenilson da vida que tivesse feito essa exposição, talvez nem a imprensa nem a OAB estariam gritando tanto. Isso porque, a arte pode ser coisas diferentes ou ao menos pode ser percebida de uma maneira diferente por cada pessoa.
Então, mais sábio do que ter uma definição do que é uma obra de arte, ou condenar por falta de visão suficiente (ignorância), é pensar que a obra de arte é o que ela fala. Porque nesse caso ela é o que cada pessoa ouve dela. Mas isso não é tão simples, porque muitas vezes ela não é o que ela fala que é. Mas ela é a própria coisa falante, a própria coisa que dentro dela nos fala. E temos, nesse caso, de saber mais sobre a fonte, a origem da natureza falante das obras de arte. Tudo isso é complicadíssimo, muito mais ainda num país desigual como o nosso, onde o próprio presidente acha lindo dizer que é presidente sem nunca ter estudado.Mas há um problema com esta forma de apresentar a estética: o termo «estética» não tem sido sempre utilizado nesse sentido. E isso não ocorre apenas em relação ao uso comum da palavra «estética»; ocorre também no interior da própria tradição filosófica.
E esse ano, transformado em centro das atenções da Bienal, Gil Vicente se diz surpreso com a polêmica. "Sei que ‘Inimigos’ tem um teor crítico forte, mas não esperava uma reação assim. Principalmente vinda de uma instituição com a história da OAB, com tanta tradição de luta contra a censura", afirmou o artista. E se estamos falando de arte e política, não podemos ignorar uma prática que comunica uma visão de mundo. Mas será mesmo que aqueles que se acham acima do bem e do mau acham isso?
Em entrevista ao site “Terra Magazine”, Vicente ironizou a atitude da OAB e, sarcástico, diz ter uma dívida de gratidão em relação ao órgão. “É um protesto movido pelo meu desencanto”, explicou. E com indisfarçável niilismo, disparou:
“O voto não é só inútil. Percebo que o votar é até um ato criminoso. Você vai, perante um tribunal, que é o tribunal eleitoral, e vota. É o mesmo que escrever: "Autorizo fulano de tal a roubar dinheiro público, sob proteção da lei, durante quatro, oito anos". É só o que eles fazem”, contou. Confira essa entrevista aqui.
Mas esse autorretratos fazem parte da série de desenhos em carvão, que já foi exposta em outras quatro cidades. A OAB quer que as obras do artista sejam retiradas da Bienal, sob o argumento de que faria apologia do crime. A Bienal afirma que vai manter a série na mostra. Tire suas próprias conclusões e confia mais imagens abaixo:

A Bienal ficará em cartaz até 12/12/10, em São Paulo. A entrada é gratuita. Os horários de funcionamento são os seguintes: de segunda a quarta, das 9h às 19h; quintas e sextas, das 9h às 22h; sábados e domingos, das 9h às 19h. A entrada só é permitida até uma hora antes do fechamento. O Pavilhão Cicillo Matarazzo fica no Parque Ibirapuera (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, Ibirapuera). Site oficial: www.fbsp.org.br
podcast: Portal da Metrópole.
fotos: Augusto Gomes/Agência Estado/divulgação







6 comentários:
QUEM FALAR QUE ISSO É ARTE, NÃO SABE O QUE SIGNIFICA ARTE.
Metiêr, os desenhos produzidos em alto rigor técnico, um tema polêmico, que propicia a catarze para multidões!!!!!!Excelente!!!!não haveria local melhor para estas imagens estarem, senão na bienal!!!!!
Não é arte?
pois faça igual!!!
aposto que vc não sabe desenhar nem uma casa.
Não é arte?
Se vc acha que se expressar não é arte,então,o que seria arte?
Seria muitos rabiscos?
Se não é arte,faça melhor...
Se você disser que isso não é ante,você estará dizendo que algumas fases da literatura brasileira crítica,também não é arte.
o gil vicente pois no papel o que na verdade temos vontade de fazer contra o imperialismo e o capitalismo sujo e mesquinho parabens gil.
isso é pura arte, o gil pois no papel o que na verdade muitos de nos queremos fazer contra o imperialismo, e um capitalismo sujo e mesquinho parabens gil.
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