Por Elenilson Nascimento
Não vou ficar repetindo aqui o que a imprensa tem feito nos últimos dias, mas esses são os ídolos que temos como exemplos para os mais jovens? É para rir ou para chorar? Nós somos culpados também em valorizar e equalizar jogadores de futebol com os seus salários milionários que acham que podem fazer tudo o que quiserem. Sempre foi assim e o que tudo indica é que isso permanecerá, pois somos um país de fracassados, sem opinião, sem valores morais, sem educação, sem respeito, sem instituições, onde a própria imprensa se encarrega de ditar o que é certo ou errado, o bem e o mal, os respeitáveis e os renegados, o sucesso e o fracasso.
E nessa história de infidelidade, o que começou como uma transa rapidinha pode ficar inscrito como mais uma violência inadmissível contra uma mulher, com base na certeza da impunidade. Então me pergunto, no meio da minha falta de fé nos homens, qual deve ser a atitude do Flamengo? Do pai da Eliza Samudio? Do próprio Bruno? É bom para a imagem de uma empresa permitir que o seu empregado use o ambiente de trabalho como palco para a sua defesa? Mesmo acreditando na sua inocência?
O caso é obscuro, há muitas contradições. As reportagens (repetitivas, por sinal, em todas as linhas) mostram quem são os personagens e o que falta esclarecer. Não se pode culpar o Bruno sem provas, mas, como sempre, a sociedade burra e manipulável já o condenou. Ele diz que a ex-namorada sumiu para resolver “questões pessoais” e está viva, mas qualquer que seja o desfecho, algumas coisas ficam dolorosamente claras.
É uma batalha quase perdida neste país de impunidades confrontar o poder de quem tem dinheiro e prestígio – se quem protestar for uma anônima qualquer. O suspeito – ou réu – pode ser um senador, um gerente de banco, um diretor de jornal ou o goleiro do time mais popular do país, com salário mensal de R$ 300 mil (*quanto tempo um professor vai gastar trabalhando para ganhar isso?) e histórico de brigas e infrações por excesso de velocidade. Eles costumam estar acima do bem e do mal. Não são pessoas comuns. E somos nós, como já disse, quem estabelecem essas regras. Burros também que somos!
Eliza pode ter inventado tudo isso, não? Tudo não. Bofetões foram comprovados em exame de corpo de delito. E, segundo peritos, “substância abortiva” foi encontrada na urina da jovem. Os mundos de Eliza e Bruno se encontraram no que pode ter sido o fim da linha para ambos. O jogador, oficialmente casado, teve um “romance” com uma torcedora. Exatamente como Pelé, Edmundo, Falcão, Renato Gaucho, Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaucho e tantos outros também já o fizeram (veja o quatro abaixo).
E o jogador a chamava de “bebê” e a coisa ia bem, até que apareceu um bebê de verdade. A namorada surgiu grávida. E a Eliza, enfim, também agarrara sua única chance. Agora, o Bruno – ídolo de muitos – é o principal suspeito do misterioso sumiço da garota que já o acusara de tê-la ameaçado de morte. Mas, como a polícia no Brasil só age com “eficiência” no caso de celebridades que deem audiência ou aqueles que façam parte da camada abastada da sociedade (*vide os casos igualmente escabrosos da Suzane Richthonfen, Isabella Nardoni, João Hélio e tantos outros), já descobriram que a garota havia sido espancada até a morte por Bruno e seus comparsas, esquartejada, com partes enterradas perto do sítio e outras jogadas aos cães. Contudo, até o momento, nada disso foi confirmado, apesar das escavações feitas por policiais no terreno.
O administrador do sítio do Bruno, um tal de Elenilson (aí meu Deus!, até isso), afirmou à polícia que Eliza e o seu filho estiveram no sítio e ficaram praticamente o tempo todo num quarto, apesar de ter negado tudo num primeiro depoimento. Em entrevista à revista Veja que chegou às bancas esta semana, o goleiro afirma que conheceu a Eliza numa festa, que chamou de orgia, na casa de um amigo, identificado pela revista como o também goleiro do Flamengo Paulo Victor. Ou seja, já induzindo a opinião pública a condenar a garota por ser garota de programa. E se fosse? O que isso tem a ver com o suposto crime?
Na entrevista, o goleiro revelou que o preservativo que usou com Eliza estourou. Ainda segundo ele, depois que soube da gravidez dela, foi saber que "todo o time do São Paulo a conhecia, que ela já tinha feito filme pornô" e que, preocupado, chegou a fazer exame de HIV. Acusado pela própria Eliza de ter tentado induzi-la a fazer aborto, o goleiro disse a Veja que, se ele for o pai da criança, brigará pela guarda.
A frase "Bruno assassino. Cadê Eliza?", pichada no muro da sede do Flamengo, na Gávea, foi apagada. A Polícia Civil vai instaurar sindicância para investigar a demora de oito meses e 17 dias para a análise da urina de Eliza, que havia acusado o goleiro de forçá-la a tomar o remédio abortivo quando estava grávida.
Porém, sem considerar o fato do aumento real de todo tipo de criminalidade, é preciso abordar a violência a partir de uma visão mais abrangente, pois nem sempre as piores formas de violência são, de fato, estampadas nas telas da televisão. E as mortes nas periferias? Os meninos e meninas vítimas do descaso? As famílias sendo destruídas pelas drogas, pelas balas perdidas da polícia ou pelo assédio de traficantes? Isso não passa no Jornal Nacional!
Toda vez que deixamos de fazer determinadas ações cujo cumprimento seria necessário para evitar sofrimentos, estamos diante da violência passiva. O Bruno é uma vítima do seu próprio ego. A Eliza foi uma vítima das suas próprias ambições. Nós também somos vítimas, não tenha dúvida! Mas ninguém exige providências efetivas do Estado para que cesse de alimentar, com o descaso, alienação e a inoperância, o celeiro que armazena o número crescente de brasileiros miseráveis em todos os sentidos. Porque os meninos não sonham mais com a escola? Porque é muito melhor ser rico e jogador de futebol!
Na raiz desses problemas encontramos a violência da desigualdade social decorrente da injusta repartição das tarefas e dos privilégios que levam ao irregular aproveitamento dos bens produzidos pela sociedade. Quem se encontra atrás dos balcões? Quem fede? Quem não tem instrução? Quem são os eleitores? E o fato de ainda termos milhões de crianças que permanecem fora dos bancos escolares, cerceadas de direitos que lhe são inerentes e constitucionalmente consagrados, também configura uma violência que não está disseminada nas telas da televisão, sendo certo que esta forma de violência é tão cruel e abominável quanto à violência sangrenta.
Aí teremos outros Brunos e outras Elizas! Acima de tudo temos uma espécie de violência que ninguém se atreve a questionar que é a violência institucional. O Estado, como sociedade politicamente organizada, preocupado em não deixar nenhuma sombra, por menor que seja, sobre a ordem estabelecida, imputa, sistematicamente, os problemas sociais aos próprios infratores que ele deixa ao desalento e, por isso, inadaptados. Hoje, o único Bruno sem dúvida inocente tem apenas quatro meses de vida. Sua mãe sumiu (provavelmente morta) e ele continua um "filho de pai desconhecido".
demais fotos: divulgação





18 comentários:
EU CONCORDO CONTIDO, A SOCIEDADE NUM TODO TEM MUITO A CONSERTAR.BJOS
sou flamengista e não sei o que falr desse caso to muito chocada com os ultimos acontecimentos dos jogadores rubro negro.mas isso não vai mudar minha paixão pelo time ele vai ter tudo que merece.e vai pagar por isso
olha eu nao quero julgar ninguem mais eu tenho certeza que essa historia ainda tem muito o que rola mais ele sendo asassino ou nao eu admiro muito ele por ser esse exelente goleiro e vou continua ser um idolo dele eu amo mto ele é lindo
Indigna-se pela repercussão dada ao caso do jogador Bruno em razão da exploração exagerada da imprensa, no entanto, acontecem tantos outros tão parecidos com esse, porém, quando se dá alguma importancia, se coloca uma nota em jornais regionais, ainda, desctita com poucas palavras. Será que é por causa do dinheiro? ou porque (..)
INFELIZMENTE ESTE RAPAZ ESTRAGOU A VIDA DELE,DA SUA FAMILIA E DA FAMILIA DESTA JOVEM,FICA AQUI UM ALERTA,SEM JESUS NO CORAÇÃO SÓ RESTA ESPAÇO PARA QUE O INIMIGO (DIABO) VENHA A AGIR...QUE DEUS ILUMINE A ESTAS FAMILIAS,TANTO DO BRUNO QUANTO DA ELIZA PARA JUNTOS CONSIGAM DAR MUITO AMOR A ESTA CRIANÇA QUE NÃO PEDIU PARA NASCER,(..)
Essa é mas uma de muitas escórias cotidianas. Abandonada pela mãe, pai pedófilo, moça vira prostituta, vira mãe(?), sabe que o “pai(?)” é perigoso, vai atrás de seus “ideais” ($), seus direitos e morre. E A CRIANÇA???
O goleiro, foi pobre, tem família, cresce no ramo, se deslumbra com a vida, vira fanfarrão, Qual o grau de escolaridade? qual o grau de sentimento pela família? O que é família? acusado de mandar matar, mandar abortar… MANDAR! (se for comprovado). E A CRIANÇA???
(INFORMAÇÕES SEGUNDO OS JORNAIS)
Julgam dos dois lados mas no final de tudo: O que será da criança, no qual vive essa trama toda? ALGUÉM AQUI PENSOU NA CRIANÇA? Pensem sobre a vida que essas pessoas passaram, ninguém ,mas NINGUÉM tem o direito de julgar alguém por alguma coisa. Não sabemos o que será dessa criança no futuro, imaginem essa barbárie na história de vida que essa criança está vivenciando. O que ele irá pensar? Que a mãe era maria chuteira, que o pai é assassino que queria que ele morresse??? Como esse ser irá se sentir quando, ou caso alguém comente isso com ele no decorrer da vida? Peçam sim a justiça, mas não julguem, não caluniem. Cada um sabe o que faz, cada qual sabe o que é, e todos escondem um PODRE DENTRO DE SI!
Logo, orem por essa criança, por que toda essa tragédia só existe por que muitos tem problemas familiares em casa, e não é do direito de ninguém chegar aqui julgar, ou fazer a justiça com as próprias mãos.
Jesus perdoou todos… assassinos, prostitutas,etc.
ele é louco, teria que fazer o mesmo com ele
Dificil entender a atitude de um ser humano como este, se e que foi ele o verdadeiro mentor dessa tragedia. Espero que seja feita justica de forma equilibrada e coerenre para com os culpados.
acho uma pena pois ele acabou com a vida dele pra sempre,a moça não merecia isso independente do que fosse a vida dela uma pena….
do que vale o dinheiro sem o carater,aposto se ela soubesse o que estava por vir jamais teria levado isso a publico,se queria fama pagou muito caro que deus lhe de um bom lugar era um ser humano não merecia isso….
O nosso país esta enlutado, com tanto requinte de crueldade. Não parece seres humanos e sim verdadeiros "MONSTROS"e para esses homens que nas suas veias passam 'AGUA CONTAMINADA' que venha a prisão perpetua para eles URGENTEEEEEEEE
É triste que estes pobres jovens, não princípios de educação. É preciso repensar sobre estudo dentro dos clubes, talvez; seja a base para que evitem crimes absurdos. Que esta concentração Bruno, sirva de exemplo para sua Vida.
Espetaculo,vamos nos preocupar com outras coisas,deixa isso para a justica resolver
A motivação de crimes ediondos é em funçao da impunidade e das brechas da lei.
Os nossos heróis são uns monstros, está aí mais um caso que se repete, o Pele matou a filha também (Sandra), mas foi de desgosto, ela abarcou um câncer devido a indiferença do pai Edson Arantes do Nascimento.
São esses heróis que queremos para nossos filhos?
Parabéns pelo blog e o ótimo texto.
Ab
Lendo o seu texto comparei a visão machista q/ você descreveu a uma colega de trabalho que se referia a vitima como a culpada da sua propria morte..julgando-a devido ao modo particular de viver sua vida, fico indignada com estes comentários, pois por pior que tenha sido Eliza, não dá o direito tirar-lhe a vida E daí se ela é " maria juteira" ? E daí se ela foi "puta"? E daí?
Voce é muito inteligente,sou sua fã,desse o Sagrado e o CPM,eu espero que esse montro seja punido,que não aconteca o que acontece muito no Brasil,o crime cai no esquecimento.Valo luta pelo nossos direito.Valeu.
O atleta contratado para defender o gol do clube de maior torcida do país, aterroriza o mundo, não com defesas fantásticas, mais com seu maior “frango”. Alheio ao que pensam seus milhões de fãs espalhados pelos cantos do planeta, o goleiro “fez um pênalti” contra a razão, contra a vida humana, e permitiu que nessa “partida” a tragédia vencesse.
Agora, o gramado da sua breve vida de ídolo está tingido de sangue, e o placar expõe toda a barbaridade que um covarde pode cometer contra seus fãs, contra seu clube, contra um ser humano, e contra sua própria vida.
Se formos verificar com calma as “partidas” ocorridas no cotidiano das cidades brasileiras, cada lance desta em curso, a primeira vista, nem chocaria, nem deixaria abismado ninguém, mais o fato é que todos se chocam com os “lances bárbaros desta partida” tão divulgados pela mídia.
Com requintes de crueldade o atleta que nasceu e viveu durante anos cercado pela violência, põe definitivamente os pés no campo onde a maldade humana joga, e agora que assinou contrato com o time dos assassinos não precisará mais calçar luvas, porque queira ou não, esta partida já está perdida.
O que leva um homem tão bem posicionado financeiramente a cometer uma barbaridade dessas? Será que passou mesmo pela cabeça dele que não seria descoberto nunca? Será que ele confia nas leis feitas para beneficiar os bandidos, tão cheias de recursos e brechas? Leis que em nada punem aos algozes da vida.
Um cidadão de bem, carregando sobre os ombros o peso de 91 anos de vida, disse-me ontem com sua voz cansada, - Tristes tempos esses em que se mata com a mesma facilidade com que se cospe no chão – Eu fiquei pensando, com certeza cuspir no chão algum tempo foi coisa comum. Eu confesso que tenho visto bem mais a vida sendo cuspida.
Hoje, o comum é essa barbaridade cotidiana, esse prevalecer da maldade. E segue esse mundo girando em torno de poder, do dinheiro, cuja força motriz são os vícios.
Hoje, se coloca filho no mundo para conseguir dinheiro, seja chantageando o pai, seja para conseguir na justiça uma pensão, seja para usá-lo como fonte de renda fácil no cadastro de algum plano de governo paternalista. E nascem aos milhares, crianças que na sua maioria jamais terão a segurança de uma família centrada, capaz de lhes oferecer uma educação para o bem, e vão perambulando pelas ruas, como presas fáceis para as feras das drogas, presas fáceis que mais cedo ou mais tarde, aparecerão na mídia como vitimas ou algozes de tragédias anunciadas. Um ou outro, consegue com algum talento futebolístico, por exemplo, um contrato milionário em algum time, mas sem uma base familiar sólida, e trazendo no DNA, toda uma genética moldada nas ruas, sob a influencias constante do mal, a exceção volta a ser a regra.
São de fatos tristes tempos esses.
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