sexta-feira, 26 de março de 2010

A NOIVA DE CHUCHY NA NOVELA DA GLOBO

O que a menina do filme “Poltergeist”, a atriz Klara Castanho e a noiva de Chuchy têm em comum?
Por Elenilson Nascimento
Eu ainda fico abismado da maneira como o povo brasileiro se comporta e o quanto é manipulado pela mídia em geral. Esse “Caso Isabela”, por exemplo, é a mais absurda das absurdas aberrações que as TVs mostram como se estivessem fazendo um bom serviço à sociedade. Vejo na imprensa e recebo diariamente inúmeros e-mails de pessoas pedindo Justiça ou alguma coisa que valha. Mas será que já passou pela cabeça de alguém, na mais remota circunstância, do casal Nardoni ser inocente? Provavelmente não. E a TV é culpada por essa falta de senso!
Crianças são usadas como fonte de renda para muitos, além de ser o "sucesso" garantido para se ter audiência (para o bem ou para o mal). Não se fala em outra coisa nessa semana, além da menina morta Isabela, mas eu queria comentar sobre outras crianças que estão chamando atenção também. A maluca da apresentadora infantil do SBT do insano Silvio Santos, a Maysa; a mini Lady Gaga; a Suri, filha de Tom Cruise; e a revelação da novela “Viver a Vida”, a atriz Klara Castanho, são outros exemplos.
A notícia já tem alguns dias, mas merece menção aqui na LC. O Ministério Público, por total falta do que fazer, determinou uma mudança de rumos na personagem mirim, vivida pela Castanho, na novela global. A menina outrora doce e comportada, estava, nas últimas semanas, assumindo ares de vilã. E daí? Crianças não podem ser cruéis não? Eta povo sem noção, viu!
O MP observou que o papel poderia acarretar a ela eventuais manifestações de hostilidade por parte do público, além da possibilidade de sérios danos psicológicos ao seu desenvolvimento. Então, o autor da novela acatou a determinação e mudou as falas e condutas da personagem. Um outro autor de novelas teria dito que o Estado estaria "interferindo nas nossas vidas" e ainda que no nosso país, "um filme como ‘Poltergeist’ não poderia ter sido rodado".
É dever do Estado interferir nos assuntos ligados à proteção da infância e adolescência, mesmo que isto signifique interferir na programação da poderosa Globo ou qualquer outro canal de TV, mas esquece-se (... ou finge esquecer ou simplesmente ignora) que normalmente o MP ignora solenemente a situação de risco de milhões de outras crianças e adolescentes que vivem às margens da sociedade.
Se no filme “Poltergeist”, rodado em 1982, a jovem atriz Heather O´Rourke, que viria a falecer poucos anos depois, não fazia papel de vilã, ou chantagista, ou criminosa, ou chatinha, mas sim da filha de uma família assolada por uma série de fantasmas que, a princípio, parecem amigáveis movendo pequenos objetos, mas que pouco a pouco tornam-se hostis, acabando por raptar a pequena menina. Na novela da Globo, só para lembrar, é apenas mais uma peça de ficção.
Se hoje uma telenovela de horário nobre da poderosa TV Globo insere em suas tramas o amor entre raças, personagens gays, drogados, alcoólatras, prostituição, violência, e o público, já “moldado” para aceitar a “verdadeira” identidade do país, aceita as personagens, nem sempre foi assim. Mas já houve um tempo em que a rejeição atingia a total intolerância e ignorância.
Porém, o que podemos esperar de uma nação que humilha em público uma estudante por ter ido à aula com um vestido curto, que ignora e continua votando em políticos cada vez mais corruptos, que se aliena com as promessas do Lula e com as brigas de sem fundamento mostradas em horário nobre no BBB, que se comove com a morte de uma garota de classe média (*e não estou falando isso só porque ela era de classe média), mas que fecha os olhos com a morte de outras milhares sucumbidas pela pobreza e inoperância do Estado. Talvez como em “Poltergeist”, somos apenas um bando de espíritos sem conteúdo que ainda não atingimos a luz e que ainda podemos estar utilizando a "força vital" de simples crianças para manter-nos em uma espécie de limbo, onde não descansamos em paz.

fotos: divulgação
charge: Maurício Ricardo

5 comentários:

VOOS DA ALMA disse...

Esse caso do assassinato bárbaro da menina Isabela traz a tona à dissolução daquele modelo clássico de família de “comercial de margarina”, onde todos são bonitos, felizes e bonzinhos. Erroneamente acreditava-se que a violência esteja restrita às camadas mais baixas da população e que não seja um fenômeno recorrente no seio de classe média acadêmica , informada e culta. Contudo a violência hoje, muito mais do que uma manifestação de desigualdade social, deve ser entendida como um comportamento institucionalizado e generalizado por toda a sociedade que se expressa, às vezes, pelo individualismo ,indiferença , egoísmo e comodismo, atos estes que produzem atitudes de desrespeito à vida e ao próximo. E assim chega-se ao que muitos consideram como “o julgamento do século “ estando no banco dos réus um suposto pai psicopata e a madrasta má, que embora se declarem inocentes , são acusados pelo crime por um conjunto quase que irrefutáveis de provas técnicas apuradas pela perícia. Soma-se a isso uma opinião publica que clama por justiça e se amontoa na porta do Fórum ,onde ocorre o julgamento do casal, esperando horas a fio para acompanhar de perto o caso . Justiça? Sim, é o que todos queremos, contudo como seria a repercussão desse caso, sem a cobertura excessiva, por vezes tendenciosa e sensacionalista, realizada pela imprensa? Certamente teria o mesmo destino dos julgamentos dos assassinatos das crianças, filhas da miséria e da exclusão social.
E nesse rol lamentável dessa moral de conveniência, que se manifesta conforme a ocasião, observa-se esse episódio do Ministério Público que se opõe a participação de uma atriz mirim representado uma vilã em uma novela global. Entende-se a preocupação em salvaguardar a menina de possíveis constrangimentos que poderiam prejudicar a sua formação, entretanto é certo que os comportamentos reproduzidos na trama novelesca pela personagem da Klara Castanho são até certo ponto comuns na infância , onde se pode observar ,muitas vezes, o egoísmo e até um pouco de crueldades por parte das crianças. Bem mais contraditório ainda é constatar a omissão do Ministério Público no caso em que crianças vivem nas ruas ou em seus lares totalmente desamparadas, sem a menor garantia de acesso a condições mínimas de educação ou saúde, ou ainda quando são levados pelos seus (ir) responsáveis a iniciarem uma carreira precoce no meio artístico ,assumindo posturas incompatíveis com a sua faixa etária ,como no caso da menina que imita a Lady Gaga. Mas o que esperar de uma sociedade extremamente permissiva acostumada a aceitar como normal os parâmetros ditados pela mídia? Apenas espetáculo..........

DEO disse...

CONFUNDIR A FIGURA DO ADVOGADO COM A DO CRIMINOSO É UM DESPAUTÉRIO. O CAUSÍDICO É ESSENCIAL À FUNÇÃO JURISDICIONAL DO ESTADO E É O PROFISSIONAL QUE REALIZA A DEFESA TÉCNICA DO RÉU, NÃO DANDO MARGEM À NULIDADE DA SENTENÇA, OU SEJA, PROCESSO SEM A ALUDIDA D

joana disse...

ele deveria dividir a cela então com o pai da garota , o casal já esta acostumado com a cadeia pra que tirar eles de lá ? só se o jurado usarem mediunidade pra saber da menina quem a matou , as evidencias levam a eles , pq eles não admitem ? o que fizer

alex disse...

É bastante complicado porque de fato apesar das provas apontarem a Nardoni e Jatoba, não uma prova cabal, nao há testemunha ocular. Minha opiniao é como a da maioria, que os autores do homicidio foram eles mesmo e que merecem passar o resto da vida sendo

jose disse...

querem prova maior da culpa dos réus, na falta de argumentos para livrá-los da pena só restou ao advogado chorar, que ridículo.