sexta-feira, 26 de março de 2010

HIPOCRISIA NA EDUCAÇÃO

“Pais de alunos denunciam uso de livro com conteúdo erótico em escola estadual em Feira de Santana.”
Por Elenilson Nascimento
No nosso Brasil, os movimentos estudantis sempre estiveram à frente das reivindicações por ensino público, gratuito e de qualidade. Evidentemente, nem todos os estudantes sabem exatamente o que vem a ser a gratuidade e muito menos, a qualidade. Ao mesmo tempo, os diretores, coordenadores e professores das escolas públicas, no final e início de cada ano letivo, são colocados à prova, tanto por seus superiores, quanto pelos estudantes e, às vezes, pelos pais e imprensa: qual o resultado das aulas naquela escola?
Dessa forma, os “profissionais” da educação, afilhados políticos e indicados como "pessoa de confiança do governo" são os alvos mais próximos. Hoje, esses mesmos “profissionais” estão cada vez mais despreparados e incapacitados de assumirem os seus papéis como educadores.
Durante os meus anos de confinamento em salas de aula, pude verificar bem de perto o quanto a educação no Brasil é uma mentira. Alunos cada vez mais abestalhados sendo doutrinados por professores totalmente sem conteúdo, além dos livros únicos das suas próprias matérias. Resultado: desinteresse de todos!
Se nas escolas públicas – de ensino cada vez mais decadente – esquecem de que mesmo a escola sendo pública e gratuita, isso não significa que ela tenha que permanecer inteira o ano todo, mas como o governo "nunca tem dinheiro” para fazer a manutenção, ou pelo menos é este o discurso, a coisa cai para o discurso repetitivo. Mas é sempre bom frisar que a escola pública é da comunidade e que o governo é um mero administrador do nosso dinheiro, ele não é dono de nada.
Hoje, 26/03, a direção da Escola Estadual Godofredo Filho, em Feira de Santana, cidade do interior da Bahia, sobre pretexto de ter recebido protesto de pais de alunos, recolheu o livro didático “Linguagem - Práticas de Leitura e Escrita” de Anna Christina Bentes, distribuído numa sala de aula de 8ª série por uma professora, pois no livro continha textos literários onde supostamente relatava, em detalhes, relações sexuais entre dois personagens.
O livro fazia parte de uma atividade proposta por uma professora de português de uma turma de 8ª serie. Um dos pais dos alunos procurou o Procon de Feira de Santana para reclamar sobre o conteúdo do livro, que considerou inadequado. O diretor do Procon, Magno Felzemburg, provavelmene um pedagogo e/ou funcionário da educação, entendeu – por obra do Espírito Santo – que a linguagem era imprópria para crianças e adolescentes e decidiu encaminhar o caso ao Ministério Público. “Como não é uma escola particular e não se trata de uma relação de consumo, estamos recomendando apuração”, afirmou Felzemburg. Por sua vez, a diretora da escola, Delma Ribeiro, justifica que o livro destinava-se a jovens e adultos que estudam na escola no turno noturno. “Não sabemos por que a professora usou na 8ª série. Eu pessoalmente digo que não usaria. Mas a professora é responsável e inclusive pediu uma reunião para se justificar com os pais”, declarou a diretora.
Pela internet, verifiquei no site da Rede Bahia, no Jornal do Meio Dia, uma matéria sobre o assunto, onde uma aluna com uma "cara de sacana" diz ter ficado horrorizada com o livro que foi adotado por conta própria pela professora de português. O problema, segundo alguns alunos que denunciaram o caso, é que o livro usado na atividade relata em um texto, e em detalhes, relações sexuais entre os personagens.
Na edição, dois textos com teor erótico e palavras de cunho sexual chamaram atenção dos estudantes: o romance “Capão Pecado”, de Reginaldo da Silva, o Ferréz, que conta a história de um grupo de adolescentes e a autobiografia de uma mulher que contraiu Aids. Assunto incompreensível para essa facha etária? A turma com alunos entre 13 e 16 anos ainda não havia recebido os livros oficiais de português entregues pelo Ministério da Educação, por isso o livro didático polêmico com trechos da obra de Ferréz estaria sendo usado temporariamente.
Ferréz, o autor do polêmico(?) texto incluso num livro didático.
Mas parece que esse livro “Capão Pecado” do Ferréz está sendo vítima de uma verdadeira caça às bruxas, pois caso parecido já aconteceu também em Minas Gerais, como o próprio autor escreveu no seu blog que, segundo o autor, talvez seja porque “nas nossas escolas ninguém fala palavrão, e palavrão para ele é FOME, Corrupção e Hipocrisia”. Como também já foi notícia na revista Isto É.
Eu só queria saber onde esse povo vive? Aí, esqueci: Feira de Santana! Pois parece que em Feira as pessoas não têm contato com sexualidade, que essas coisas não são vistas a qualquer hora nos patéticos programas de TVs, nos BBBs imbecis que todo mundo assiste, nas novelas cheias de duplo sentido, nos desenhos animados e, principalmente, na merdinha da “Malhação” com o filho de Fábio Jr. Me poupe! Provavelmente, os alunos que mais ficaram indignados são os que menos deveríamos ser ouvidos, são aqueles que vão para os colégios para ficarem com as suas caras de sacanas perturbando nas aulas.
“Ela chegou aqui na sala, saiu distribuindo os livros. A gente pegou o livro e foi folheando. Quando folheou, a gente viu os textos eróticos e ficamos horrorizados. Todo mundo da sala ficou horrorizado porque eram palavras pornográficas mesmo”, contou uma aluna indignada na TV. Após a denúncia, a turma não quer mais ter aulas com essa professora. Lógico!
O diretor da Direc, professor Eutímio Almeida, confirmou que o material é indicado sim para o programa de ensino de jovens e adultos e teria sido usado pela professora por conta própria. Um colegiado formado por professores, pais e alunos da Escola Estadual Godofredo Filho vai decidir se a professora deve ou não ser punida pela falha. Falha? Mas que falha? A mulher teve a ideia, coisa muito rara entre professores, de trabalhar com um livro e agora querem queimá-la? Só nesse país de bagaça mesmo que acontece essas coisas. O debate que devia girar em torno da desigualdade social que o texto do Ferréz no livro aborda, desembocou no tipo de linguagem usado.
E, contraditoriamente, os alunos do Ensino Médio, via de regra, são os que normalmente denunciam e também os que raramente “contribuem espontaneamente” com a escola. Por outro lado, a maioria dos veículos de comunicação, acreditando estar fazendo seu papel social, abre os microfones aumentando ainda mais o peso de denúncias tão sem sentido.
O que todos eles deveriam denunciar são os prolongamentos dos feriados, os conselhos de classe que não servem para nada, as reuniões pedagógicas inúteis e as inúmeras outras razões para aprovação em massa de alunos por professores, especialmente para os terceiros anos do Ensino Médio. Vale ressaltar que esta conta é superficial, se analisarmos cada dia, escola e turma, seguramente os números são ainda mais assustadores.
E porque ninguém denuncia? Nem os estudantes, nem os pais, nem os professores, nem os diretores, nem os jornais, nem o Conselho Tutelar, nem o Ministério Público. Cadê o governo, a sociedade desorganizada e a organizada, ou alguém que se preocupe com nossas crianças e adolescentes? Porque a escola que deveria ensinar e cumprir a lei, exercendo e fazendo exercer a cidadania é a primeira a descumprir sua regra maior, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e a Constituição Federal. Mas eu também quero ter um texto polêmico num livro didático para também ser crucificado por pais, professores e estudantes cada vez mais imbecis!
+ Agora, assista o vídeo da reportagem no Bahia Meio Dia, TV Bahia, onde a pobre alma da professora é colocada como a que usou livro com histórias eróticas:
fotos: divulgação

17 comentários:

João Pedro disse...

E o ministério Público? E o conselho tutelar? Será que uma ação conjunta destes órgãos poderia minimizar o comercio sexual de nossos adolescentes?

vanda disse...

Essa é a educação desse país.

Emerson disse...

Todos os que legislaram estavam investidos das melhores intenções, tal como o actual legislador o está. Mas … “O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas” (art. 43.º n.º2 C.R.P.). Todos sabemos que a sexualidade está impregnada de valores morais e éticos que a orientam. Cada religião tem uma moral sexual, que no uso do direito da liberdade religiosa tem o direito a ver reconhecida pelo Estado. A lei, que tão contestada está a ser não respeita, nem prevê esta diversidade ética e cultural.

Paula - SP disse...

Estudantes ficaram assuntados foi? Eles são idiotas é?

Anônimo disse...

É ISSO Q ESTÃO FAZENDO NAS SALAS: FAZENDO TUDO DE QULAQUER JEITO.

VOOS DA ALMA disse...

Contraditória e esquizofrênica essa sociedade que elege músicas pornográficas e de duplo sentido, como as campeãs do carnaval e espanta-se com textos de conotações sexual utilizadas em sala de aula dentro de um contexto próprio. Interessante questionar se não seriam esses mesmo alunos que se indignaram com o textos dos seus livros didáticos aqueles que consumem todo a inutilidade vulgar que assola a música baiana. Ou se, ainda, não seriam esses mesmos pais zelosos que procuraram o PROCON para protestar contra o assunto sexo em sala de aula , aqueles que adotam uma postura permissiva em seus lares e ainda estimulariam suas filhas a seguirem os passos das dançarinas de pagode. Pura hipocrisia! O sexo hoje é um assunto corrente no cotidiano de crianças e jovens que se defrontam diariamente com essa realidade mostrada de forma vulgar na televisão, nas musicas e outros meios midiáticos. Contudo as heranças do moralismo judaico – cristã impedem que o assunto do sexo seja tratado de forma sério e consciente nas escolas e em casa, de maneira que a MORAL DE CONVINIÊNCIA da sociedade manifesta-se com o mais puro puritanismo hipócrita sempre que se tenta abordar esse assunto de maneira explicita

Fernanda Fonseca disse...

Professora é afastada depois de usar livro com texto erótico em sala



Redação CORREIO

A direção da Escola Estadual Godofredo Filho em Feira de Santana convocou professores, pais e alunos nesta sexta-feira (26) para discutir o uso de um livro com textos eróticos adotado pela professora de Português da 8ª série. O livro didático 'Linguagem - Práticas de Leitura e Escrita' continha um trecho do livro 'Capão Pecado', do escritor Ferréz, e foi lido por adolescentes entre 13 e 16 anos.

A professora foi afastada pela Diretoria Regional de Educação (Direc). Segundo ela, o livro foi utilizado durante uma atividade em sala sem que ela conhecesse o teor erótico do texto. Ela explicou que o livro foi escolhido porque não havia outros disponíveis, já que o livro oficial, que deveria ter sido entregue pelo MEC, ainda não havia chegado. Após a denúncia, alunos se disseram chocados e a turma não quer mais ter aulas com a professora.

‘Ela chegou aqui na sala, saiu distribuindo os livros. A gente pegou o livro e foi folheando. Quando folheou, a gente viu os textos eróticos e ficamos horrorizados. Todo mundo da sala ficou horrorizado porque eram palavras pornográficas mesmo’, conta uma aluna em entrevista à TV Subaé, afiliada da Rede Bahia.

O diretor da Direc, Eutímio Almeida informou que os livros didáticos são enviados pelo MEC através dos Correios e, por isso, a demora do recebimento. Ele adiantou que algumas escolas da rede estadual já receberam o material didático e que, portanto, não deve demorar de chegar à escola Godofredo Filho.

PAULO disse...

VOÇES PRECISAM VER ESSAS CRIANÇAS FALANDO PALAVRÃO QUANDO ESTÃO EM GRUPINHO,PARA O QUE ESTA NO LIVRO E FICHINHA,AGORA TEM QUE ARANJAR UM CULPADO E SOBROU PARA A PROFESSORA.ME FAÇA UMA GARAPA.

Douglas disse...

Creio que o problema não esta na professora, que provavelmente no intuito de resolver o problema da falta de livro, que diga se depasagem é um problema crucial em toda a Bahia.^Não podemos crucificar a professora, fica aqui uma pergunta de onde veio o livro?

Denise disse...

Gostaria de saber se os "chocados" nao fazem parte do grupo que se requebra ao som de pagodes, nao de duplo sentido, mas de cunho sexual mesmo, com direito a ralar tudo no chão ou no asfalto . Chocada estou eu, por ver o quanto "somos" HIPÓCRITAS.

augusto silva disse...

estas crianças de Feira de Santana, são como crianças de qualquer cidade do Brasil, não conhecem, nem falam, nem ouvem palavroões nem dos próprios Pais (...) Professora, entre em contato

Thomaz disse...

FALARAM QUE O GOVERNO DE SAÕ PAULO DISTRIBUIU LIVROS COM PORNOGRAFIA,FALARAM TAMBEM Q/GOVERNO DO RIO DE JANEIRO TAMBEM DISTRIBUIU,AGORA ÉFEIRA DE SANTANA(DE ONDE VIERAM ESTES LIVROS).MUITACOINCIDENCIA OU ELES QUEREM TORNAR O BRASIL N/ "BBB"dISSERAM QUE QU

Anônimo disse...

A questão de um livro didatico, um obra literaria pornografia? Todos os dias vemos na televisão musicas como "todo enfiado" "Rala no chão" "Esfregar e sobe" o BBB com beijo Gay, pq ninguem faz protesto, ninguem naquela sala ja viu na televisão aquilo, vej

Joana disse...

Ate quando vamos achar que estes adolecentes são pura inocencia muitos sabem de sexo e pornografia do que adutos vividos, esta susposta (alunos se disseram chocados) eu não acredito, so rindo para não chorar.

Nívea disse...

Ferrez não pode, mas as letras podres da música podre que se ouve o tempo todo nas rádios e mp3 dos próprios alunos, isso pode! Lamentável.

Cláudia Dans disse...

"Ela chegou aqui na sala, saiu distribuindo os livros. A gente pegou o livro e foi folheando. Quando folheou, a gente viu os textos eróticos e ficamos horrorizados. Todo mundo da sala ficou horrorizado porque eram palavras pornográficas mesmo”, contou uma aluna indignada na TV.

Pera ai!!! Eles ficaram horrorizados com o texto que só folhearam?? Então os alunos nem leram!!! Ou será que fizeram leitura dinâmica?

Atitude ridicula, para não dizer outra coisa!!! E estas crianças não devem ver novela das 20h, né? pois nunca viram as cenas de sexos que aparece lá, não?

Elenilson Nascimento disse...

Claudia, me poupe viu!