segunda-feira, 29 de março de 2010

ENTREVISTA COM A JORNALISTA RITA BATISTA

“A comunidade acadêmica tem uma tendência a se trancar nas universidades. (...) Ter diploma por ter, não adianta nada. Antes de ter o diploma é preciso saber o que quer da vida.” (R.B.)
Por Elenilson Nascimento
O
debate sobre a urgência de mudanças no exercício do jornalismo profissional transferiu-se também para dentro das universidades norte-americanas onde o papel das faculdades passou a ser severamente questionado. Aqui no Brasil, o problema se estagnou na obrigatoriedade ou não do diploma de jornalismo. O principal argumento, entre os tantos que se pode levantar para a exigência do diploma para o exercício profissional é o de que a sociedade precisa e tem direito à informação de qualidade, ética e democrática. Informação esta que depende, também, de uma prática profissional igualmente qualificada.
E uma das formas de se preparar, de se formar jornalistas realmente capazes a desenvolver tal prática é através da informação, do gosto pela leitura e pela pesquisa – ao contrário da imensa massa de universitários que, no mais remoto devaneio, prefere sonhar em um dia se tornar um colunista de axé ou trabalhar na revista “Caras”. Por isso que a minha admiração e respeito pela simpaticíssima, talentosíssima, lindíssima, competentíssima, sem frescuras e destaque das TVs e das rádios baianas, Rita Batista, ultrapassa a fronteira da simpatia.
Formada em Comunicação e Propaganda e Radialismo, Rita Batista conquistou muitos ouvintes em programas como “Só Para Mulheres”, “Metrópole Serviço” e, principalmente, com o “Rita Para Maiores” (*comentado e cobiçado por milhares de ouvintes, que ligam para Rita, mandam e-mails cobrando desde o seu “Manual do sexo anal” até para discutir e tirar duvidas sobre questões da vida sexual), todos exibidos na Rádio Metrópole FM (Salvador – BA). Nas TVs Rita Batista já foi ancora de jornal local, em cobertura de Carnaval e já comandou diversos outros programas como o “O que é que a baiana tem?”, na TV Aratu. Nessa entrevista exclusiva para a Literatura Clandestina, ela mostrou mais uma vez sua perspicácia e o modo como enxerga a sociedade, a educação, o jornalismo e os atuais problemas do Brasil.
Depois de ter saído da Rádio Metrópole FM, os fãs da Rita podem ouví-la na Band News FM Salvador 99,1. A estreia foi no dia 18/03. Rita está agora comandando a segunda edição do jornal local que vai ao ar das 18h às 18h40. Os seus fãs e admiradores poderão mandar sinais de fumaça para ela através do email: salvador@bandnewsfm.com.br ou pelo telefone (71) 3235-8000. Conheça você também um pouco dessa simpatia de pessoa.
Elenilson – Querida Rita, antes de qualquer coisa, é um prazer imenso está entrevistando você. Queria começar logo perguntando sobre Educação. Como espero que você ainda esteja lembrada, sou ex-tudo: ex-professor, ex-otimista, ex-pessoa boa, etc e tal. E o cerne da questão é a tal Educação. Eu não acredito mais em projetos educacionais, mesmo ainda achando que sem eles não somos nada. Nem para achar alguma coisa. Primeiro por conta dos próprios professores que, por sua vez, já foram mal educados por essas faculdades de quitanda e acabam transferindo para os alunos essa falta de educação, de didática, falta de paixão e amor pelo objeto de estudo. Se bem que, estudar para que mesmo? Eu realmente não sei como a ciência se mantém neste país de “merda”, talvez, às custas da paixão das ações de alguns indivíduos isolados como o Ricardo Chemas, a Malu Fontes indignada e chamada de mal amada na rádio, eu, você e alguns poucos outros. Comenta.
Rita Batista – Você alimenta esta angústia. Se não acreditasse mesmo, em nada, porque manteria o Literatura Clandestina?

Elenilson – Aqui no Brasil, em especial na Bahia, ainda enfrentamos um problema sério na área científica, na educacional, na mídia, que é a falta de cultura de boa parte dos profissionais com relação a tornar público o que se está produzindo dentro das instituições de pesquisa. Para você, que é uma jornalista nata e com a experiência que já adquiriu tanto na TV como no rádio, qual a razão disso?
Rita Batista – A comunidade acadêmica tem uma tendência a se trancar nas universidades. Agora, de uns tempos para cá, alguns pesquisadores fazem com que seus trabalhos cheguem mais perto da população através do jornalismo. Não sei o acontece, mas sempre fiquei intrigada com isso. É como se o povo da academia produzisse conhecimento para consumo próprio.
Elenilson – Mas onde estaria o maior problema do Brasil? Na economia, na educação, na política? Ou nas farsas propagandeadas pelo governo e engolidas – sem discussão – pelo povo?
Rita Batista – Na inércia, egoísmo e ignorância. Se ninguém faz, eu também não vou fazer. Ficam de braços cruzados para resolver q
uestões que dizem respeito ao coletivo. Todo mundo só quer resolver o seu, ninguém se preocupa com o macro. É cada um por si e Deus por nós todos, sabe aquele ditado. Se alguém descobre um caminho, uma solução para alguma coisa, uma dificuldade que atinge mil pessoas, isso não é publicizado. Uma lástima.
Elenilson – Quando começou seu interesse pelo jornalismo?
Rita Batista – Desde sempre. No ginásio já afirmava que seria jornalista. Depois entendendo a engrenagem da vida, percebi que não poderia fazer outra coisa, que não fosse ligada a comunicação. Sou formada em publicidade, tenho curso técnico de radialismo e a minha atuação é como jornalista.
Elenilson – O que o jornalismo brasileiro tem de bom e o que tem de ruim?
Rita Batista – A picardia, a ironia, o senso de humor. De ruim, acredito que em qualquer lugar - a troca de favores.
Elenilson – Como você encara a formação do jovem jornalista hoje? O que deixaria de mensagem para os que começam a carreira agora? A universidade tem cumprido seu papel na formação desses jovens?
Rita Batista – Não sei, pois não frenquentei a faculdade de jornalismo. O que posso dizer, com certeza absoluta, é que a formação não começa na universidade. Ler, escrever, falar, atuar, ter raciocínio crítico, tudo isso é desenvolvido antes e pode ser aprimorado durante o curso.
Elenilson – Quem você tem como espelho? Alguém impulsionou sua carreira?
Rita Batista – Claro! Mário Kertész, Ricardo Boechat, Macaco Simão. Entre as mulheres, Maria Beltrão (Globo News), Mônica Waldvogel e Marília Gabriela, Malu Fontes.
Elenilson – Quais foram suas maiores descobertas na vida de radialista na Rádio Metrópole e agora jornalista da Band?

Rita Batista – Ouvir. Apurar o ouvido. Saber ouvir. Para o bem e para o mal.
Elenilson – Qual sua opin
ião sobre o jornalismo investigativo, como o que ocorria no programa "Linha Direta" com o que andam fazendo nas TVs em Salvador com programas popularescos de baixo nível como é o caso do “Se Liga Bocão”, “Que Venha o Povo”, “Balanço Geral” e o pior de todos “Na Mira”?
Rita Batista – Uma coisa é jornalismo investigativo e outra coisa é o noticiário de polícia. Bom, já tive muitas opiniões sobre os produtos e quem faz. Depois de muito ver e ouvir, tenho certeza que o sucesso é legítimo, ninguém colocou faca no pescoço de nenhum telespectador para que visse esse ou aquele programa. Precisamos admitir isso, os que não querem ver, troquem de canal - uma sugestão o Canal 7 (risos). Mas esse fenômeno acontece no mundo todo, em alguns lugares funciona em outros não.
Elenilson – Você acha mesmo importante hoje em dia ter um diploma para conseguir se estabelecer no mercado de trabalho? Ou ter um diploma só para conseguir um trabalho qualquer?
Rita Batista – Ter diploma por ter, não adianta nada. Antes de ter o diploma é preciso saber o que quer da vida.
Elenilson – Como você encar
a esses cursos universitários oferecidos por tantas universidades de esquina, universidades por correspondência, universidades federais que só têm os seus nomes, universidades católicas cada vez mais mercenárias e etc?
Rita Batista – Procure um curso bom, avalie o corpo docente, considere a avaliação do MEC. Há saídas.
Elenilson – Em Salvador, tem uma coisa que me irrita profundamente: você não pode ter opinião formada sobre nada. Tem que gostar de axé, adorar as estrelinhas do axé e comer axé. Não gostar e se posicionar com relação a isso pode atrair inimizades eternas. Prova disso foram os seus muitos comentários na Metrópole que muitas vezes geravam co
nflitos entres os seus próprios colegas. Comenta.
Rita Batista – (Risos). Me divirto com tudo isso. Às vezes nem sabia muito sobre a estrela ou o cometa, mas falava só para provocar!

Elenilson – Como é poder trabalhar em empresas tão populares como a Metrópole e agora a Band?
Rita Batista – Um presente. Adoro fazer o que faço e eles ainda me pagam por isso.
Elenilson – E falando em estrelinhas do axé, o que você acha desses Carnavais “in door”
de shows privados em camarotes? O Trivela, por exemplo, é uma primeira micareta “in door”…
Rita Batista – O Carnav
al de Salvador, me desculpe, já era. Lá vem o Brasil, descendo a ladeira...
Elenilson – Enquanto curtia a pipoca do trio Armandinho, Dodô e Osmar, um folião deu seu recado à Durval Lelys, que, em entrevista à Muito (A Tarde), falou sobre sua proposta de criar um circuito privado no Carnaval na paralela. Você também defenderia essa criação de um circuito privado dentro do Carnaval?
Rita Batista – Se eu for propor alguma coisa não vai prestar. Somente camarotes oficiais - governo e etc. Artista só tem camarote se der para o povo dias de trio de graça, dias no plural. Sem cordas como antigamente e no centro sem cama
rote algum e com obrigação dos grandes artistas desfilarem no centro também.
Elenilson – A crônica da vida pública e patética brasileira ensina todos os dias aos cidadãos comuns que se um fato não foi veiculado na TV, na verdade, é como se não tivesse acontecido, exceto para as poucas pessoas a quem o mesmo se refere diretamente. Nelson Rodrigues seria apenas um cronista de “casos” em comparação as misérias que acontecem nos dias de hoje. Como você analisa isso?
Rita Batista – (Risos). O Anjo Pornográfico estaria boquiaberto se vivesse nos dias de hoje!
Elenilson – Cita alguns livros fundamentais da sua estante?
Rita Batista – “Correio
Feminino” e “Só para Mulheres” de Clarice Lispector. “Viva o Povo Brasileiro” de João Ubaldo Ribeiro, “61 Contos” de Rubem Fonseca. Já da para viver assim. Lendo e relendo.
Elenilson – E discos?

Rita Batista – Tim Maia, Maria Bethania, Elis Regina, Vanessa da Matta, Rita Ribeiro, Ella Fitzgerald, Zeca Pagodinho, Elza Soares, Dolores Duran, Ataulfo Alves, Maysa, Gerônimo, Lazzo,Mariene de Castro, Agepê... Vixe!
Elenilson – E falando em discos, o que você espera do futuro fonográfico? Os Mp3 realmente prejudicaram os artistas e gravadoras?
Rita Batista – Não sei. Compro CD, gosto de ter CD. Ainda resisto
Elenilson – “Avatar” ou “Cidadão Kane”? Filmes pornôs ou as novelas da Globo? Uma noite na Cidade da Luz ou vendo BBB?
Rita Batista – “Cidadão Kane”, claro! Novela, sou noveleira das oito, assumida! Uma noite na Cidade da Luz, outra no terreiro de candomblé e ainda outra vendo BBB. Tenho nenhum problema com isso. Vejo, dou risada e que venham os críticos do meu comportamento.
Elenilson – Você já está baixando coisas pela internet?
Rita Batista – Não. Nem sei como fazer.
Elenilson – Você acha que as revistas e jornais impressos perderam mercado com a ascensão da internet? Você acredita que os blogeiros estão “roubando” o espaço dos jornalistas na Web?
Rita Batista – Roubando não. Mas ganhando espaço. Eu também adooooro comprar revista, ter em casa. Sou antiga.
Elenilson – O que você pensa sobre a atuação de jornalistas de alguns canais de TV no traumático cárcere privado da menina Eloá Pimentel, no ano passado, no Estado de São Paulo? E agora nessa cobertura “bizarra” do julgamento do casal Nardoni?
Rita Batista – Cada um escolhe o seu caminho. Eu não faria!
Elenilson – O que fazer, caso você fique sem poder exercer sua profissão com plena liberdade? Temos visto tentativas em países como Venezuela, Nicarágua, Equador, Bolívia e até Brasil de cerceamento da liberdade da imprensa.
Rita Batista – Por isso que sou contra qualquer tipo de censura. Começa assim: uma coisi
nha aqui, outra ali.
Elenilson – De onde veio o gosto por querer falar sobre sexo num programa de rádio?

Rita Batista – Gosto de falar de sexo em qualquer lugar (risos).
Elenilson – Quando você entrevista em particular uma pessoa importante, e ela responde em “off”, mas a resposta é um assunto que pode prejudicar milhares de pessoas, o que você faz? Fica com o segredo sabendo do dano que causará ou denuncia e quebra o "off"? Até onde o "off" pode ser respeitado?
Rita Batista – Nunca aconteceu, quem vai ser entrevistado por mim já sabe o que aguarda. Não existe “off”.
Elenilson – A profissão de repórter tem se tornado cada vez mais perigosa nos grandes centros urbanos. Você acha que esse tema deve ser debatido nas universidades? Pois a maioria dos estudantes de jornalismo quer ser um colunista de axé ou da revista "Caras".
Rita Batista – Claro. E não é discutido não?

Elenilson – Com o avanço da internet, já há muitas pessoas que preferem saber dos acontecimentos do mundo em blogs. É possível que daqui a cinco ou dez anos jornais e revistas estejam obsoletos? Se sim, como fica o mercado de trabalho?
Rita Batista – Acho que o impresso nunca vai acabar.
Elenilson – Supostos esquemas de corrupção no alto escalão do governo, caixa dois, tr
ês e quatro nas campanhas eleitorais, dinheiro desviado para contas no exterior. Denúncias nesse sentido invadiram, nas últimas semanas, os noticiários. Uma das principais preocupações de cada brasileiro que observa o cenário político é entender as diversas informações que aparecem todos os dias. Para isso, o papel da imprensa tem sido importante, uma vez que ela tenta mostrar e explicar os principais fatos e o andamento das Comissões Parlamentares de Inquérito. Como você, um cara crítico, se posiciona com relação a esses fatos? Ou você vai me dizer que isso tudo não tem importância, pois o Brasil não tem solução?
Rita Batista – Essa pergunta não era para mim, mas tudo bem. O Brasil tem solução, somos ainda um país jovem e eu, estou disposta a enfrentar. E você?
Elenilson – Você acredita que uma possível reforma política resolveria o problema de caixa dois nas campanhas?
Rita Batista – Reforma e fiscalização.
Elenilson – Ser poeta ou pensadora? Puta ou professora? Jornalista ou anarquista?
Rita Batista – Ser eu mesma. Sempre.
Elenilson – Qual a importância de Mário Kertész na sua carreira?
Rita Batista – Total.
Rita no dia 20/11/09, Dia da Consciência Negra, Praça Castro Alves, Salvador – BA, apresentando os shows de Lazzo e Margareth Menezes.
Com a cantora Katê, vocalista da banda de gosto duvidoso “Voa Dois”, onde Rita apresentava ao programa “O que é que a baiana tem”, na TV Aratu.
Rita Batista na equipe da Band News atuando desde dia 18/03/10.
Assediada pelos fãs Victor Lacerda e Adriana Cohim.
A cantora Alinne Rosa ao lado de Rita sorteiam ingressos entre os convidados no almoço de lançamento da primeira edição do Réveillon Morro de Amores, realizado no restaurante Takê, com a presença de aproximadamente 200 convidados, entre jornalistas, parceiros, patrocinadores e as principais atrações do evento - 2009.
Com o Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), convidado da apresentadora e âncora do programa “Rita Para Maiores”, nos estúdios da Rádio Metrópole.
Na cobertura do Carnaval 2009 de Salvador, ao lado da belíssima Luana Brito e do chatinho Leo Sampaio, TV Aratu.
Linda, competente e absoluta, na redação da Rádio Metrópole.
Líder de audiência, ao lado de Mário Kertész no Jornal da Metrópole, Rádio Metrópole FM.
Apresentando o “Metrópole Serviço”, na Rádio Metrópole FM.
Foto linda!
Depois de ter saído da Metrópole, os fãs da Rita podem ouví-la agora na Band News FM Salvador 99,1.
+ E até a mercenária Universidade Católica do Salvador (*estudei lá viu!), querendo a todo custo atrair mais alunos, pegou uma “ponga” no sucesso e carisma da Rita e produziram uma propaganda para o vestibular 2009:

foto 1: Genilson Coutinho
foto 8: Victor Lacerda
foto 11: James Martins
demais fotos: divulgação

10 comentários:

Denise Pereira disse...

O corpo docente da Católica é o mais qualificado da Bahia? Me poupe viu!
Mas a entrevista ficou bacana! Adoro Rita. Elenilson, entrevista a Malu também!!!!!

Aline disse...

aiii linda, linda! Amei a entrevista... Muitas saúde pro baby!!!

Ana disse...

aiii linda, linda! Amei a entrevista... Muitas saúde pro baby!!!

Valvesta disse...

BOA PÁSCOA
Na impossibilidade de enviar-te um ovo de chocolate, envio um abraço com todo meu carinho.
Que sua Páscoa seja recheada de FELICIDADES e coberta de ALEGRIAS!
♥♥♥

Anônimo disse...

A Rita Batista poderia ter respondido muito mais.

sobrequaisquercoisas disse...

Muito legal a entrevista, Elenilson. Rita é realmente sensacional. Seria legal que as respostas dela estivessem em negrito, ao invés das tuas perguntas.
Abraço

Elenilson Nascimento disse...

E pq seria legal que as respostas dela estivessem em negrito, ao invés das minhas perguntas? Pq ela é famosa e eu não? Tá bom.

CIDADE DE ITABUNA EM AÇÃO disse...

Essa entrevista deveria ter saido tb no jornal da Metrópole.

Thomaz disse...

Acho q Rita Batista anda perdendo o rumo do seu programa na Band. Uma pena pq ela é muito boa.

sandra disse...

rita vc é d +!é acara da bahia seu programa é massa! mim indentifico muito com seu jeito, gostaria de teclar com vc se possivel, torna sua amiga internalta ok?