domingo, 21 de fevereiro de 2010

OS ANTIGOS CARNAVAIS DE DODÔ E OSMAR EM SALVADOR

“Eram muito gostosos os Carnavais da minha infância. Embora nunca tivesse muito interesse na folia, mas lembro – aos seis ou sete anos – da vez em que cortei o meu pé no Campo Grande.”
Dodô no Carnaval de 1976, com Armandinho, Gerônimo e Osmar.
Por Elenilson Nascimento
Não alcancei os "bons tempos" do Carnaval de Salvador com os pierrôs e colombinas desfilando em bondes na avenida, lógico, mas ainda peguei os antológicos trios elétricos de um tempo que não volta mais. Um Carnaval mais participativo, mais democrático, mas que não deixava de lado as críticas, lembrando os maus políticos, dizendo que "tem muita gente no lugar errado". Tudo com muita alegria. E o melhor: de grátis!
Em 1950, quando o engenheiro mecânico Osmar Macedo e o radiotécnico Dodô Nascimento decidiram fazer o seu Carnaval tocando suas próprias músicas em cima de um Fordeco 1929, criando assim o “pau elétrico", avô dos trios elétricos de hoje, muita coisa mudou. Eram muito gostosos os Carnavais da minha infância, embora nunca tivesse muito interesse na folia, mas lembro – aos seis ou sete anos – da vez em que cortei o meu pé no Campo Grande. Lembro da minha tia Valdicéia, lá no começo dos anos 80, chorando feito uma louca acompanhando um folião que me carregou até um hospital próximo.
Lembro da briga do povo para alugar cadeiras na Rua Chile, ponto estratégico onde passavam todos os foliões, carros alegóricos e trios, como o Tapajós, Novos Baianos e Dodô e Osmar, que mudaram a face do Carnaval da Bahia.
“O Três e Meio”, em que Dodô e Osmar se apresentavam antes de criarem a “Dupla Elétrica”.
Lembro do povo nas ruas com mortalhas gigantes, da Segunda-Feira Gorda da Ribeira e da Terça, fim do tríduo momesco. Sem direito á prorrogação. Lembro das mamães-sacodes, dos lança-perfumes Rhodo e Rodouro para borrifar nas pessoas (*e só para isto, ninguém falava em cheirinho da loló).
Lembro de centenas de foliões mascarados, os “caretas” ou fantasiados que desfilavam sua alegria, entre a Avenida Sete até a Praça da Sé. Lembro do Carnaval nos bairros com talco na cara. A Mudança do Garcia, cheia de alegria e irreverência, temida pelos políticos da ocasião, que dura até hoje, mas o “jegue de cueca e a jega de calçola”, da Massaranduba, bairro popular, este já acabou. Bem como o Clube Carnavalesco Rosa do Adro e o Clube Fantoches, que também se foram junto com outras coisas boas de Salvador.
Haviam blocos como “Os Filhos de Gandhi” sempre despontando e também o violento “Apaches do Tororó”, cujos membros invariavelmente acabavam no xilindró, para gáudio da população, que se deslocava para as portas das delegacias, na Quarta-Feira de Cinzas, para ver a saída dos prisioneiros fantasiados e rir da cara de todos.
Haviam também outros blocos, como os “Fantoches da Euterpe”, o “Cruz Vermelha”, o “Bafo de Jegue” e os “Inocentes em Progresso”, com um carro só de crianças. Mas a discriminação velada ainda persistia, pois o bloco “Os Negros” só podia festejar na Baixa dos Sapateiros, Liberdade, onde nasceu o Ilê Aiyê, e na periferia. Porém, belos eram os clubes carnavalescos com a majestade dos seus carros alegóricos, cheios de mulheres bonitas e muita música, cor e alegria. Cada um, queria suplantar o outro em riqueza e pujança.
A primeira vez em que a fubica saiu às ruas. Armando, sogro de Osmar, está à frente, vestido de havaiana. Dodô e Osmar na década de 50.
Micareta de Feira de Santana em trio patrocinado pela Fratelli Vita, em 1952.
Nas comemorações do Jubileu de Prata, em 1975, o trio foi patrocinado pelo governo do Estado. Na foto, Dodô, Osmar e ACM.
Dodô, Armandinho e Osmar no carnaval de 1976.

fotos: acervo pessoal Aroldo Macedo/Revista Muito

6 comentários:

Anônimo disse...

'O povo baiano é descendente da
submissão, da teimosia e do desleixo'

Theo disse...

É muita mediocridade. O povo mal remunerado, desempregado, sem acesso à Saúde, à Escola,fica aqui se debatendo em torno de "artistas" que são umas artistas.

Andréia disse...

O Axé music é uma diarreia cultural. e cada dia aparece um se achando cantor.Afinados na bahia só: Gal,Bethania e Gil. o resto é parangolé.kkkk

Luciana disse...

Quantos imoveis,quanto aplicado,lanchas,carrões e tudo mas e vocês mortaispobres discutindotanta futilidade,vão brigar com o governo que paga auxilio reclusão para assassinos,ladrões e tudode ruim

eder disse...

Cordeiro não tem vergonha na cara, todos os anos são feitos de besta, nunca aprendem. Baixem as cordas na curva do Sulacap em pleno domingo de carnaval e serão respeitados. Um povo iludido não sabe a força que tem. Esqueçam BBB e dupla ba vi, lutem pelos

Anônimo disse...

Triste Bahia! e para os cordeiros todo ano é essa agonia. sei que eles topam por precisarem pois,não é por lazer que sofrem tanto. Os blocos que enriquecem a cada dia não deveriam roubar essas pessoas.