Por Elenilson Nascimento
A história da civilizaçã
o sempre demonstrou que, para concretizar a tentativa de a humanidade coexistir em sociedade, estabeleceram-se leis e regras de conduta para serem seguidas por todos, as quais, possuíam destinatários certos e generalizados: as camadas mais baixas e desprovidas do corpo social; tais leis, na realidade, se revelavam como instrumento para que as classes dominantes atingissem seus próprios e insanos objetivos.
E nesse caminhar, muitas fontes bibliográficas servem para possibilitar a compreensão dos “motivos” pelos quais determinadas práticas que um dia eram lícitas, institucionalizadas, passaram depois a ilícitas e criminalizadas, como a tortura, esta definida enciclopedicamente como “meio de que se usa para a obtenção de confissões”.
E era uma vez um país cheio de contrastes. Num completo desperdício de tinta, o país tinha leis para tudo, mas ninguém as observava; ninguém era capaz de compreendê-las inteiramente, ou de entender sua sistematização. O papel da imprensa é fundamental para difundir, esclarecer e alertar a todos pelo ordenamento da cidadania, por tanto todos (*até os donos de blogs) devemos colaborar para combater toda e qual tipo de violência, principalmente, quando a vítima é desprovida da palavra.
Hoje em dia, apenas 10% da violência doméstica são denunciadas. Com a morte da menina Isabella Nardini, 05 anos, só porque era de classe média, encontrada e alardeada pela imprensa no ano passado com sinais de agressões reacende o debate em torno da violência doméstica. Mas o problema não é só esse. E nesse país cheio de contrastes, onde corruptos costumam fazer listas por escrito sobre a divisão do butim com seus comparsas, a quem nomeavam; os que se achavam mais imunes conversavam sobre suas falcatruas livremente pelo telefone, cientes de que, mesmo grampeados, nunca iriam realmente para a cadeia. E qual o futuro nos resta então?
É sobre isso que o filme “Como Nascem os Anjos” (1996) de Murilo Salles tenta abordar. A estória começa quando o bronco, demente e submisso Maguila mata, sem querer, o chefão do tráfico do morro Dona Marta, no Rio de Janeiro. Perseguido pelos soldados do tráfico, é obrigado a fugir da favela com Branquinha, uma menina de apenas 13 anos que, apesar da diferença de idade, se diz ser “mulher de Maguila”.
Na confusão, acabam levando Japa, outra criança, fiel amigo de Branquinha. No meio da fuga, o trio pára na porta da garagem de uma mansão no bairro da Joatinga, onde encontram William, um cidadão americano, saindo para o trabalho. Maguila pede para usar o banheiro, pois, segundo Branquinha, "ele foi tão bem educado pela mãe que não consegue urinar na rua".
Então, William pensa que é uma tentativa de assalto. Uma reação inesperada acaba obrigando o trio da favela a entrar em casa, onde o americano mora com sua filha Julie e a empregada Conceição. Lá, os personagens viram reféns de uma “estranha situação” que, num crescendo de tensão e nonsense, toma proporções que jamais poderiam prever. Um filme muito bom que descreve como as nossas crianças andam perdendo as suas infâncias.
O filme fala de contrastes, de morro e asfalto, de pobreza e riqueza, do estrangeiro e o nacional. É uma trágica comédia de erros. São esses personagens os agentes da violência e objetos do nonsense. São eles os que fazem de reféns uma pacata e assustada família americana num bairro nobre do Rio de Janeiro. Mas tudo acontece sem que eles queiram ou planejem. Por puro acaso.
O Murilo Salles escreveu na época do lançamento do filme: “Eu sabia que ia mexer no mesmo universo do "Pixote", que é um puta filme. Mas, ao contrário do filme do Babenco, eu queria ter como atores meninos de um estrato social mais estável. Selecionamos pivetes de classe média que tinham desejo de ser atores, porque eu achava que conseguiria dialogar melhor com eles”.
E o Mario Yanase escreveu um artigo bem bacana falando que a infância das crianças nos dias de hoje é muito diferente da que tivemos alguns anos atrás. E de fato, assim como o filme “Como Nascem os Anjos”, Yanase fala em “A última infância feliz”, as crianças hoje não tem mais a mesma inocência e a mesma pureza que existia há uns dez anos atrás. Crianças já se portam como adultos, pois são incentivadas pelos próprios pais. Fora os Poderes Públicos que não se responsabilizam com o problema e só sabem criar campanhas sem nenhuma eficiência para “calar a boca” da sociedade”.
Por isso, recomendo que vocês assistam ao filme “Como Nascem os Anjos” e depois reflitam sobre o que estamos prestes a vivenciar (*já estamos vivendo isso!): uma explosão de violência dentro dos lares e nas ruas. Dados do arquivo: áudio: português, duração: 96 min, qualidade: DVDRip, tamanho: 700 MB e servidor: Rapidshare (5 partes). Deixe de preguiça e baixe logo:
fonte download: Kieslowski/Laranja Psicodélica





2 comentários:
Obrigado, pelo filme.
Muito bom. A realidade nua e crua dos nossos dias.
É também a prova de que é possivel fazer bons filmes com baixo orçamento.
Gostei muito.
Obrigado
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