Por Elenilson
O livro “O Apanhador no Campo de Centeio” que conta a história de Holden, um jovem rebelde que foge do colégio interno para experimentar a vida em Nova Iorque, já vendeu mais de 60 milhões de cópias no mundo todo e, por ano, 250 mil novos exemplares são vendidos. Lembro que li esse livro na faculdade, num período tenebroso da minha vida, mas, enfim...
A estreia na literatura do autor J.D. Salinger foi justamente com “O Apanhador...”, em 1951. O autor não publicou nada mais após 1965, e não dava entrevistas desde 1980. Uma pena. Em 2009, Salinger voltou a aparecer na imprensa após processar o sueco Fredrik Colting, que escreveu uma continuação não-autorizada desse livro.
Apesar da falta de publicações, Salinger teria confessado em 1978 a Jerry Burt, seu vizinho e amigo, que escrevia com regularidade e teria pelos menos 15 obras completas guardadas em um cofre. Não sei pra quê. Escrever e não publicar. Talvez ele quisesse que a publicação fosse póstuma, para enriquecer ainda mais os familiares. Me poupe! O vizinho revelou no ano de 1999 que chegou a ver o tal cofre aberto na casa do autor, mas não saberia confirmar se a confissão de Salinger era verdadeira, pois a escuridão encobria seu provável conteúdo.
Em 1982 ele processou um homem que tentou vender uma entrevista fictícia a uma revista de circulação nacional nos Estados Unidos. Graças à desistência do impostor Salinger arquivou o processo.
LIVRO PERSEGUIDO - O culto ao "O Apanhador..." ganhou as páginas policiais em 1980, quando o fã dos Beatles, Mark Chapman (foto ao lado), matou a tiros John Lennon, citando a obra como inspiração para o ato e afirmando que "esse livro extraordinário contém muitas respostas". Depois de Chapman, foi a vez de outro maluco, o John Hinckley Jr, o homem que atirou em 30 de março de 1981 no então presidente norte-americano Ronald Reagan, apontar a obra como fonte de inspiração.
Apesar de todo o sucesso, entre 1961 e 1982 "O Apanhador..." foi o livro mais censurado nas escolas e livrarias dos Estados Unidos. As explicações incluem linguagem vulgar, referências sexuais, blasfêmia, questionamento aos valores familiares e condutas morais, encorajamento de rebeldia e promoção de bebidas alcoólicas, cigarros, mentiras e promiscuidade. Isso porque eles não leram o meu.
NOS CINEMAS - Apesar de cogitar várias vezes a adaptar "O Apanhador...” para os palcos, tendo o próprio autor como intérprete do rebelde Holden, Salinger recusou dezenas de propostas e nunca vendeu os direitos de adaptação de seu livro para o cinema ou teatro. Entre todos que ouviram as recusas do escritor estão os cineastas Billy Wilder, Elia Kazan, Spielberg, Marlon Brando, Jack Nicholson e Harvey Weinstein. Em entrevista publicada pela revista "Premiere", o ator John Cusack disse que seu único arrependimento em completar 21 anos é ter ficado muito velho para interpretar Holden.
Porém, infelizmente, hoje, 28/01, morreu o autor que ficou famoso por não querer ser famoso. De acordo com o comunicado divulgado por seu filho, a morte teria sido por causas naturais, em Cornish, New Hampshire, na casa onde vivia isolado há décadas.
*Aproveite e clique abaixo e confira o escritor Luis Fernando Emediato também falando sobre a morte de J.D. Salinger:
*E mais um pouco de história:
fonte: Reuters/AFP
podcast: Portal da Metrópole
fotos: divulgação





1 comentários:
Um grande autor morre e um gande poeta está na UTI. O problema não é exatemente o Roberto Piva estar num hospital público, mas como estão alguns dos nossos hospitais públicos. Porque garanto que por lá, no HC, assim como na Santa Casa, não faltam bons profissionais, mas também não falta paciente e claro, falta sempre grana. Pelo menos acredito que está em melhores mãos que muitos hospitais de planos meia bocas. E vamos ajudar no que pudermos.
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