quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

BOMBOU (THE BEST OF 2009)

Por Elenilson Nascimento
A mídia independente seria aquela que não se caracterizada pelo vínculo de compromisso com instituições, opiniões de leitores, números de acessos, anunciantes ou grupos governamentais, e não está sob o controle de grandes veículos de comunicação. Também deveria ser aquela que priorizaria a informação em detrimento de fofocas e bizarrices, mas, infelizmente, muitos blogs têm o prazer mórbido de alimentar as suas páginas com a mais baixa característica do ser humano: o ódio.
Contudo, no meio desse mar de coisa nenhuma, alguns ainda buscam fornecer informações que promovam o livre pensamento, além de contar com a variedade de opiniões e de muita informação. De uma forma geral, é o tipo de publicação que não procura necessariamente propagar a ideologia de grupos dominantes ou o ódio e/ou o depreciamento do trabalho dos outros.
Atualmente, alguns blogs disponíveis na internet estão entre os meios mais utilizados como forma de praticar a mídia independente, mas dependendo do que e de como você escreve, essa liberdade é ilusória. Os blogs sofrem um cerco cada vez maior e entre muitos a sensação é de que a “festa” acabou. Qualquer coisa publicada e que depois não tenha como ser comprovada gera um falatório inútil de gente que só quer ridicularizar a fonte. Resolvi então, ao invés de inutilmente falar mal dos outros, ou sobre receitas de culinária ou ainda sobre o câncer da Dilma, exaltar as coisas boas que ainda podem ser encontradas na net e que eu consumi em 2009, pois, mesmo que não admitam, a grande mídia bebe – e muito – das pautas que alguns blogs levantam. Basta prestar atenção.

+ Os 3 melhores livros que eu li em 2009:
Saramago, Amós Oz e Erasmo Carlos.
No livro “Caim”, Saramago volta a atacar a religião, redime o protagonista do assassinato de Abel e aponta Deus "como o autor intelectual do crime, ao desprezar o sacrifício que Caim Lhe havia oferecido". Um livro maravilhoso – clique aqui. Em “Cenas da Vida na Aldeia”, de Amós Oz, o leitor é arrebatado com oito narrativas curtas que podem ser lidas de forma independente, embora, na sequência, a leitura ganhe mais, com personagens de uma que entram na outra, num encadeamento narrativo muito interessante – clique aqui. E “Minha Fama de Mal”, de Erasmo Carlos, que fala dos tempos de penúria do músico e parceiro constante de Roberto Carlos, mas com muito humor – clique aqui.
+ Os 3 melhores discos que adquiri em 2009:
Madonna, Arnaldo Antunes e R.E.M.
O primeiro disco é o “Playlist’M Studio Version Remixes”, da Madonna, um álbum não-oficial duplo lançado somente para fãs com 19 hits remixados. Este disco pode ser encontrado aqui. Também o novo do ex-titã Arnaldo Antunes que mais uma vez repete as boas parcerias e me fez decorar músicas como Invejoso que, na verdade, é um puxão de orelha pra muita gente por aí e tem tudo para cair nas paradas, apesar de Arnaldo não ser tão popular assim; Sua Menina é uma delícia e segue a mesma linha e é o exemplo explícito de machismo que ainda pode ser presenciado na sociedade, e Longetalvez seja a minha favorita, com uma pegada melancólica e com ares de dores de cotovelos. Digo talvez porque a obra completa em si é muito boa, não é possível classificá-la por partes. Confira aqui também uma entrevista de Arnaldo com Sérgio Martins. O terceiro disco, mas não menos importante, é o “Accelerate", décimo quarto disco gravado em estúdio do R.E.M. O álbum estreou na rede de relacionamentos iLike no dia 24 de março, onde os fãs puderam ouvir todas as músicas de graça. Recentemente, Michael Stipe, disse que "Accelerate" permitiu ao grupo se reencontrar "como grandes compositores" assim como refletir sobre como conseguir que um disco "não seja bom, mas magnífico". Um disco muito bom!
+ Os 3 melhores filmes em 2009:
O Primo Basílio, O Retrato de Dorian Gray e Divã.
Adoro filmes baseados em livros. E para começar essa seleção, o clássico da literatura portuguesa realista escrito por Eça de Queiroz foi transferido de Portugal/Lisboa para Brasil/São Paulo, de 1878 (séc. XIX) para 1958 (séc. XX), trazendo, como pano de fundo histórico e gancho narrativo, a construção de Brasília. Esse filme "O Primo Basílio" é fenomenal, onde a história da jovem Luísa (a meio sem noção Débora Falabella) casada com o engenheiro Jorge (Gianecchini), muitas vezes ausente do lar por estar envolvido com o trabalho, reencontra o primo Basílio (Fábio Assunção), sua paixão dos tempos de menina, que a abandonara para viver na Europa e agora retorna cheio de histórias e seduções, coloca o casamento dessa romântica, sonhadora e entediada em risco. Destaque também neste filme para Simone Spoladore, vivendo a depravada Leonor; e para Glória Pires, como a governanta Juliana. A segunda indicação é da obra de Oscar Wilde, sobre o moralmente corrupto Dorian Gray. Os anos passam e sua beleza e juventude continuam a ser mantidas, mas um retrato seu que ele mantém escondido de olhos alheios, guarda seus segredos - à medida que os anos vão passando, o retrato vai exibindo sua feiúra interior. Aos poucos, porém, suspeitas começam a acontecer com relação a seu comportamento e vitalidade. Uma das melhores adaptações sobre esse livro – clique aqui e baixe o filme. E a terceira indicação vai para o fenomenal “Divã”. Explicar aqui o grande sucesso de “Divã”, protagonizado pela sempre excelente Lilia Cabral e dirigido por Ernesto Piccolo, é muito fácil. A atriz adaptou com Marcelo Saback o romance homônimo de Martha Medeiros, uma das tantas escritoras que tentam radiografar a alma feminina, para falar de coisas que todo mundo, principalmente as mulheres, falam, mas que são banais demais para virar texto literário ou teatral. As boas cenas, entre as muitas exibidas no filme, são aquelas em que Mercedes, sozinha, conversa com o terapeuta. Lilia atinge o espectador mais volúvel com suas confidências, que de tão comuns até encontram identificação. Clique aqui e leia a minha resenha.
+ Os 3 melhores jornalistas em 2009:
Ricardo Boechat, Johny Santos e Malu Fontes.
Em 1970, o jovem de esquerda, Ricardo Boechat, abandonava os estudos para ser jornalista. Certo dia, foi surpreendido por um convite do chefe de redação, Nilo Dante. “Garoto, você quer fazer um bico? Então, procura o senhor Ibrahim nesse endereço.” Na hora, Boechat não se deu conta, e logo descobriu se tratar de Ibrahim Sued, uma das legendas do jornalismo brasileiro, com quem viria a trabalhar por mais de dez anos. Hoje, jornalista consagrado e reconhecido como um dos mais bem informados do país, Boechat apresenta todas as noites o Jornal da Band e assina uma coluna na revista Isto É. E para quem não sabe, ele até já assumiu a Secretaria de Estado de Comunicação Social do Rio de Janeiro, mas a experiência na vida pública durou apenas seis meses. Boechat pediu demissão e voltou para as redações, desta vez como coordenador de redação do Jornal do Brasil. O segundo da minha lista é o simpaticíssimo Johny Santos, baiano de Feira de Santana, que começou sua carreira no Jornalismo em 1985, trabalhando numa rádio da sua cidade. Dois anos depois, foi para Salvador, onde trabalhou como locutor de rádio AM, FM e noticiarista. Foram doze anos de experiência como radialista. Em 1996, recebeu convite para apresentar um telejornal e, embora não seja o veículo onde estava acostumado a atuar, tornou-se o apresentador titular da TV Educativa da Bahia – e o melhor que já passou por lá. Comandou o TVE Notícias e participou do esportivo Cartão Verde. Recém-contratado pela Rede Record, apresenta o Direto da Redação, ao lado de Janine Borba, e também o Hora News, às sete da noite. A minha terceira indicação é a jornalista, mestre, doutora em comunicação e cultura contemporâneas pela Faculdade de Comunicação da UFBA, colunista em um monte de veículos, inclusive aqui na LC, Malu Fontes. “Não tenho talento para orientar nada, mas a coisa que mais nos alarga no mundo são os livros, os textos, os livros”, essa frase eu tirei do Twitter na moça, aliás, se tem uma mulher na Bahia que dá o que falar essa se chama Malu Fontes. Jornalista e professora universitária, Malu tem autêntica compulsão por notícias. Quer se manter informado? Então leia, ouça ou twitte com a Malu. Se todos os jornais da Bahia estão numa fase de mediocridade enfadonha, as únicas coisas que ainda temos de originais são as colunas da Malu junto com o Hélio Pólvora e a revista Muito (*quando não enche as suas páginas com receitas de bolo e/ou roupas para usar na laje), o resto da imprensa na Bahia se divide em sensacionalista – com direito aos programas com cadáveres sendo mostrados como troféus ao meio dia e a vida de celebridades do axé documentada como se fosse o pão nosso de cada dia - e daqueles que adoram bajular políticos. Mas Malu Fontes está bem longe disso, além de ser tudo e mais um pouco. Deliciosamente crítica, sonho de consumo de 9 entre 10 blogueiros, Malu vem seduzindo com os seus textos e pela vontade de contar notícias de forma clara. Diz-se viciada em informação, livros, revistas, jornais, televisão e até nos novelões da Globo. Reverencia sempre quem sabe escrever, seja quem for, como Jorge Luis Borges, o escritor argentino e o baiano Antonio Risério, poeta, escritor e antropólogo. Malu ainda se define como “jornalista, órfã do tempo, ombudsman do mundo e alérgica a pessoas que danificam outras; viciada em informação e sempre em busca de delicadeza e bom gosto”. Aproveite e ouça o último comentário da Malu abaixo:

+ Os 3 melhores sites/blogs da web em 2009:

Acho que foi a lista mais difícil que eu fiz, pois tive que selecionar só três. Mas vamos lá. Sabe aquele e-mail engraçadinho que você recebeu? Ou aquela imagem que te fez morrer de rir? Provavelmente se originaram em algum dos sites dessa seção. Ao lado do Kibe Loco, Homem É Tudo Palhaço, Mau Humor, o também excelente Charges.com, do jornalista Maurício Ricardo, reina absoluto. Charge.com é o site de humor mais visitado do Brasil, onde você encontra piadas, cartões virtuais, games, participa das enquetes mais inteligentes da web. Confira abaixo o trabalho do rapaz:

Já a Laranja Psicodélica é um dos melhores blogs para fazer download de filmes. A lista no Laranja é um resumo do melhor do cinema e o número de filmes interessantes no blog é de deixar qualquer cinéfilo atônito, por mais que haja outros bons títulos em outros lugares, mas esses não chegaram a me envolver, emocionar ou me representar tanto quanto os citados no Laranja. Minha coleção de filmes tem aumentado a cada dia, mas você tem que ter muita paciência, pois muitas vezes a conexão não ajuda. E, por fim, o site da revista Piauí que tem vários textos de colaboradores de peso e ilustrações maravilhosas. A Piauí é uma edição mensal, idealizada pelo documentarista João Moreira Salles, sendo editada pela Editora Alvinegra e impressa pela Editora Abril. E diferentemente das revistas convencionais do mercado editorial brasileiro, a Piauí pratica jornalismo literário. Moreira Salles nunca ressaltou publicamente a escolha deste gênero, pois acredita que se trata de "um nome pomposo, que quer se aproximar da eternidade da literatura". Para ele, "o que a Piauí faz é contar bem uma história". Além de pautas pouco convencionais, o tratamento dado às reportagens geralmente assemelha-se ao de uma narrativa ficcional.
+ O que bombou no YouTube em 2009:
O sucesso dos vídeos na internet fez de anônimos celebridades e deixou famosos em situações embaraçosas, mas as paródias do filme “A Queda”, de 2004, são o mais famoso exemplo de outra febre da web – as dublagens humorísticas de filmes. A cena em que um derrotado Hitler (o ator Bruno Ganz) discute estratégia com seus generais foi desvirtuada para falar de todo tipo de assunto – das derrotas de times de futebol à expulsão da estudante Geisy Arruda de uma universidade particular. Também um outro vídeo que ficou conhecido como “Sanduíche-íche”, onde a nutricionista Ruth Lemos teve um ataque involuntário de gagueira durante uma entrevista à TV – um fone preso em seu ouvido a fazia ouvir a própria voz. O resultado foram frases hilariantes que todo internauta acabaria recebendo em sua caixa de e-mails. Ou o vídeo da cantora Vanusa “acabando” com o Hino Nacional, numa cerimônia pública em 2009, foi o maior exemplo dos virais de famosos em situações embaraçosas. Seu maior “rival” talvez seja o apresentador de TV Fernando Vanucci, sob efeito de remédios, comemorando o pentacampeonato de futebol da Itália, em 2006. Mas, escolhi para ilustrar esse post, o clássico dos virais caseiros, "Charlie bit my finger" (Charlie mordeu meu dedo) que já ultrapassou 140 milhões de visualizações no YouTube. O vídeo mostra dois irmãos ingleses brincando, quando o mais novo, Charlie, de 1 ano, começa a morder o dedo do mais velho, de 3. Não parece interessante? Assista ao vídeo e você entenderá.

fonte dos vídeos: Rafael Pereira e Bruno Ferrari/Época
fotos: divulgação e podcast: Rádio Metrópole

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

VINDE A MIM OS DESVENTURADOS

“Passado o reality show curtinho dos desventurados, as princesas paupérrimas, as crianças com paralisia cerebral e as famílias dos viadutos voltarão aos seus borralhos.”
Por Malu Fontes*

A televisão adora uma tragédia e mais ainda transformá-la em melodrama. Nesta época do ano, juntando-se os fatos estarrecedores que nunca param de acontecer aqui e no mundo ao espírito de porco daqueles que mal podem esperar o Natal para levar a alma a uma lavanderia de consciências sujinhas, tem-se a receita ideal para os corvos existentes tanto do lado de cá da tela da TV quanto dentro dela. Pródiga em tragédias, a realidade brasileira deu neste Natal um combustível e tanto para os corvos televisivos: o drama do menino cujo padrasto, o tipo mais lombrosiano visto na TV nos últimos tempos, enfiou-lhe dezenas de agulhas. Apelidado dramaticamente por segmentos da imprensa baiana de ‘o soldado Márcio’, pode-se dizer que o menino e seu drama não foram objeto de cobertura por parte do telejornalismo, mas de uma transmissão quase ininterrupta.
Transmite-se tudo. Repórteres gravam na brinquedoteca do hospital com informações imprescindíveis: ali é o lugar onde a mãe do menino vai várias vezes por dia pegar um carrinho. Narra-se que dezenas de pessoas já fizeram romaria ao hospital para deixar presentes. Mostra-se um berço hospitalar vazio e ao lado uma poltrona e explica-se para o telespectador demente que o garotinho, todo o tempo assim, no diminutivo, está numa UTI pediátrica num berço exatamente igual àquele mostrado pela repórter. E que a mãe fica o tempo inteiro numa poltrona amarela também igual àquela.
LAVANDERIA - O caso Márcio é um dos mais chocantes entre os registrados na TV contra a fragilidade de uma criança. Entretanto, no espírito natalino dos corvos desbotados da TV, a exposição e a exploração de histórias tristes de crianças e jovens são uma constante. Se as estrelas da TV, tão boazinhas e dadivosas que são, tão promotoras de transformações miraculosas na vida de crianças muitas vezes não apenas pobres, mas com síndromes raras ou doenças irreversíveis, por que, para ajudá-las, precisam expô-las tão explicitamente? Em casa, o telespectador que não resiste a uma lavanderia de consciências, incluindo a própria, regozija-se jubiloso com o espírito natalino e cristão de Xuxa ao vê-la realizando um sonho (conhecê-la, claro) de um menino com paralisia cerebral, diante de câmeras, com trilha sonora e produtos licenciados por ela.
Do mesmo naipe é a exploração da desgraça alheia promovida por Ana Maria Braga. Há dias ela está prostrada em sua lavanderia de almas sebosas contando em detalhes a vida de uma adolescente de 14 anos viciada em crack e moradora embaixo de um viaduto. O recado de ambas é o mesmo: a tia corva ajuda a todos os desventurados, desde que suas tragédias possam ser transmitidas em todas as etapas, seguidas por câmeras e pela cumplicidade de morcego de quem não vive sem consumir a tragédia dos outros e só dorme sossegado porque as estrelas da TV realizam a tarefa nobre de embalar em formato de audiência as vidas miseráveis dos que têm a ‘sorte’ de cair em suas garras. E quem quiser que pense que, na essência, quadros como o Dia de Princesa de Netinho de Paula tem alguma diferença se comparado à abordagem da família da menina do viaduto, agora todinha numa clínica de dependentes químicos. Tanto as princesas negras quanto os moradores do viaduto do Mais Você são covers de Pixotes com validade de um turno, ao invés de imortalizados num filme.
VACAS - Ou alguém acha que a família do viaduto, depois de encerrado o reality show de sua miséria, vai ser socialmente incluída e vai trabalhar com carteira assinada na fazenda onde Ana Maria Braga cria bois e vacas mauricinhos e patricinhas que cruzam, nos leilões noticiados na Caras, com os amiguinhos bovinos igualmente bem nascidos nos currais de Regina Duarte, Daniela Zurita e dos Sangalo? Sim, o sexo bovino tornou-se um negócio lucrativíssimo entre as celebridades. Passado o reality show curtinho dos desventurados, as princesas paupérrimas, as crianças com paralisia cerebral e as famílias dos viadutos voltarão aos seus borralhos.
Neste contexto, merece aplausos a ideia dos Correios de atuar apenas como intermediários em um processo em que somente pessoas com alguma motivação para além das câmeras vão às agências adotar cartas reais de crianças a Papai Noel, sem sensacionalismo do tipo ‘vinde a mim os miseráveis sem Natal’. No projeto de adoção de cartas, a televisão tem um papel fundamental, o de contribuir para publicizar a existência da iniciativa e, assim, fazer com que aqueles que não saberiam de sua existência possam descobri-la e multiplicar o número de participantes. Excepcionalmente, em casos como esse, a TV foge à regra e não se torna a dona das histórias trágicas, novelizando a vida dos pobres com o intuito de transformá-la em audiência vendável e metamorfosear corvos midiáticos em almas caridosas.

* Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.
editado por Amanda Carvalho

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

CARTA AOS MEUS AMIGOS

No momento estou aqui numa lan house lotada, com direito a café e chocolate, de frente para a Esplanada dos Ministérios e, de alguma forma, mais nostálgico do que nunca, apesar desse período natalino nunca ter me afetado. Acho o Natal a época do ano mais deprimente que existe. Detesto essas datas previsíveis onde você é obrigado a ficar feliz como família de propaganda de margarina e/ou como paisagem no programa da Xuxa com data e hora marcada. Mas esse período do ano é onde o comércio fatura mais do que o Baú da Felicidade ou mais ainda que os dízimos de igrejas evangélicas – e as ruas ficam enfeitadas com tantas luzes quanto uma usina hidrelétrica for capaz de iluminar (*e viva ao apagão).
Detesto essas trocas forçadas de presentes entre familiares e colegas de trabalho nos irritantes “inimigos” secretos, mas que no resto do ano se comportam como você não existisse. E as escolas e igrejas que tentam em vão ensinar às crianças que o verdadeiro sentido da porra do Natal é o nascimento de Cristo, porém eles ainda não perceberam – cegos na sua arrogância acadêmica – que as crianças de hoje não querem mais saber dessas coisas, mesmo porque isso tudo se acha na internet e o máximo de pensamento natalinos que elas conseguem produzir é uma carta com letras ilegíveis para o pedófilo Noel pedindo um Playstation 3 que trás Facebook, Orkut e Twitter – tudo junto num mesmo brinquedinho – para falar mal e inventar coisas de “amigos” e acabar com reputações em um dia.
NATAL PAGÃO – Mas essa história toda de Natal é verdadeira? Eu não acredito nisso! Até mesmo entre os cristãos há muita divergência quanto à celebração dessa data. O nascimento do maior garoto propaganda das igrejas, por exemplo, só passou a ser atrelado a essa data comercial quando, por uma questão política, o imperador romano Constantino procurou resgatar a unidade religiosa do povo que governava. Constantino aproveitou a difusão do cristianismo para controlar o império. Foi ele que estabeleceu os costumes e rituais da Igreja Católica Romana, criada no Concílio de Nicéia em 325 d.C., passando o dia de celebração do sábado para o domingo e “criando” o Natal cristão. Além disso, a Igreja Romana assimilou muitos costumes de outros povos que o império dominava, como conta o autor Henry Bettenson em seu excelente livro “Documentos da Igreja Cristã”CLIQUE AQUI. Portanto, essa porra de Natal não passa de mais uma invenção para você gastar dinheiro e ficar feliz a conta gotas.
Fora tudo isso, se realmente os evangélicos lessem a Bíblia como deveria, ao invés de fazerem dela um “absorvente de sovaco”, saberiam que nunca Jesus poderia ter nascido nesta data, pois em Israel é inverno e dificilmente pessoas peregrinam nesta época – como é estrategicamente descrito na Bíblia. Tudo indica que os pais de Jesus estavam a caminho de Belém, próximo a Jerusalém, como todo mundo aprendeu nas aulas de catecismo (*até eu), mas isso só ocorria em duas ocasiões — no aniversário da segunda cidade e na Festa dos Tabernáculos, ou Sucot, a festa das colheitas do povo judaico. Os indícios mais prováveis apontam que o nascimento do “cara” teria acontecido na segunda ocasião. O outro autor chamado Russel Shedd constatou em seus estudos para a tese de doutorado que o nascimento se deu em outubro, durante a festividade, considerando os turnos de sacerdócio de Zacarias, pai de João Batista, primo de Jesus. Mas como pode Russel Shedd competir com anos de alienação e distorções dos fatos? Por isso que na véspera do Natal, a Geisy Arruda (foto ao lado), aquela menina que virou o centro das atenções da mídia depois de ter sido vitima de intolerância em uma das muitas universidades de esquina pelo Brasil, se transformou em Mamãe Noel e símbolo do que é o Natal para muitos: apenas PUTARIA!
SINAL DE FUMAÇA – E é sobre fatos que venho aqui agora com o intuito de mandar um sinal de fumaça para todos aqueles que, de uma forma ou de outra, mantém algum tipo de vínculo comigo. Não sou e nunca fui um cara fácil de lidar e nessa época onde todo mundo é obrigado a ficar feliz fica ainda pior. Tenho tantos problemas que às vezes eu mesmo não me aguento. Escolho os meus amigos não pela cor da pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Cérebro na cor dos olhos. Cérebro na ponta da língua. Cérebro nos dedos. Cérebro de cão. E meus poucos amigos são deuses em corpos de cães.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Escolho meus amigos PARA SABER QUEM SOU. Agora vocês devem está se perguntando, onde está o EFEITO SINGULAR dessa coisa toda? O Efeito Singular está na verdade das palavras, na amizade sincera, no sorriso, na presença (ou falta dela), no pôr do sol do Farol da Barra, no apontar para o desabrochar de uma flor na Paralela, no abraço apertado e caloroso que evito doar, enfim, está nessas coisas simples da vida, que muitos de nós não damos valor e não enxergamos com os olhos.
FODA-SE LULA E SEUS PROJETOS SOCIAIS – Acredito que a alternância do poder através de eleições livres e diretas é o melhor antídoto para os delírios dos homens públicos que querem se perpetuar nos cargos executivos, mas o povo que elege esses sacanas não enxerga isso. Pior ainda são aqueles que se auto-intitulam os únicos com capacidade para gerir o estado, pois são nestes elementos que germinam as sementes do autoritarismo. Sou totalmente contra a reeleição no Brasil, pois tal instrumento só nos trouxe prejuízos. E não me venham dizer que o Lula, pai dos pobres, foi boa coisa. Mesmo tendo sido eleito o “homem do ano 2009” pelo jornal francês “Le Monde”. Mas aí, provavelmente, alguém vai dizer de novo que eu estou “copiando” o Caetano por achar o Lula uma besta (*com filme no cinema e tudo).
Foda-se Lula e seus projetos sociais e fodam-se também esses outros que não visualizam o prejuízo nesses discursos parasitas e enfadonhos só para acalentar como uma mão boba de alma caridosa o cu cabeludo dos otários nas filas do SUS ou do SIIM. Porque TODOS esses políticos de “merda” assumem suas funções e logo sobem nos palanques das cidades e periferias pensando em se reeleger ao invés de trabalhar com afinco para fazer o melhor possível em quatro anos de mandato. Lula não é mais o velho PT de guerra, embora o PT seja apenas o próprio Lula. E ser Lula não é mais sinônimo de ser do PT e da esquerda, muito pelo contrário. Porque até mesmo os f.d.p. do FHC, Sarney e Collor juntos são Lula desde criancinhas. E vice versa.
ARROTOS PELA NET – Enquanto ruminava no limbo eterno a minha não-publicação, comecei a escrever para a internet, com resenhas, crônicas, e comentários, para vários sites de literatura e cultura, em geral sobre livros, cinema, e teatro e, ao mesmo tempo, organizava contatos e encontros com outros escritores, entrevistas, frenquentava saraus e debates literários. Percebi logo que havia um espaço tremendo pela internet que poderia ser usado muito bem para divulgar meu trabalho, retomar minha escrita, conhecer mais pessoas, trocar impressões, organizar e inventar eventos. Enfim, fazer arte a partir do que sei fazer, escrever.
Mas a multiplicação desses sites, blogs, revistas virtuais, e mais recentemente, os sites de relacionamento virtuais imediatos como facebooks e twitters, é a face mais óbvia, escancarada e obscura de que a comunicação e a troca de informações atingiram um nível inimaginável (ou só concebível em ficção científica) até poucos anos atrás. Tudo o que já foi produzido, escrito, e criado em qualquer tipo de arte até hoje está sendo transposto, acumulado, realocado para os meios do ciberespaço. E nesse sentido, falar de mim mesmo pode ser considerado por muitos como um pecado mortal.
Hoje, com essas coisas de todo mundo querer ser alguma coisa, pode-se elogiar toda a obra de Shakespeare, Cecília Meirelles, Guimarães Rosa, sei lá mais quem, todo e qualquer autor, tudo o que já foi realizado em todos os tempos, e transportá-lo para um cenário onde o computador pode oferecer uma gama vasta para o enriquecimento e compreensão da obra. Mas, lembre-se, eu não posso falar bem do meu próprio trabalho. Não posso mandar outros falarem também, pois isso pode virar motivo de chacota, textos venenosos e um monte de comentários depreciativos de gente que nunca leu nada meu ou ao meu respeito, mas se sentem no direito de me chamarem de mentiroso e um produto forjado na net.
A net tem uma coisa maravilhosa: a descoberta de possibilidades de encontrar muitas coisas e pessoas bem bacanas – e nisso eu tenho achado no labirinto de inutilidades na rede. Mas eu dispenso qualquer tipo de contato com aquelas que sentem um prazer quase sexual em destruir a imagem dos outros e de criar intrigas e fofocas. E nisso, o verdadeiro objeto literário em si permanece jogado abaixo do limbo, mas acompanhado agora por uma velocidade e facilidade de resposta, de pesquisa e o acréscimo de outros sentidos. Mesmo que esses sentidos sejam elevados à categoria de maldade.
Mas acho que agora há uma saturação na internet. É tudo muito fácil. É muito fácil depreciar o trabalho do outro e um bando de gente que mal consegue ler uma bula de remédio vai atrás. Nossa, pareço uma velha rabugenta dizendo isso. Tem muita coisa boa acontecendo na net, como também tem muitas estrelas cadentes, infelizmente. E quando leio blogs, é sempre na expectativa de achar algo que me salve o dia. Às vezes acontece, mas o que com mais frequência tenho acesso é gente querendo pisar e ridicularizar os outros. Uma coisa para se pensar: se a gente passa o dia inteiro na internet, lendo e atualizando blogs, Twitter, Facebook, Orkut (*coisa que eu estou repensando se realmente vale a pena ter) e sei lá mais o quê, a gente não está sentado num cantinho com um café e um livro. Leitura exige concentração. Poesia exige concentração. Acho que a internet está nos tirando isso. Quanto a ser multimídia, pra mim o Arnaldo Antunes é multimídia, a Malu Fontes, o Ricardo Noblat, o Mário Kertész, o Marcelo Tás. Eu mal sei fazer um podcast. E quanto a ser medíocre e mentiroso para os outros: eu bem sei o quanto já me custou ser medíocre e mentiroso.
DOR EM ESPERANÇA – Mas coisas boas também acontecem pela net, como é o caso da solidariedade que sempre teve a mania de transformar dor em esperança. E isso foi o caso da baiana Verena Rocha, de 28 anos, que encontrou a tempo, antes do Natal que prometia ser o mais triste da sua vida, a pessoa certa para entregar o brinquedo preferido do filho, morto em junho deste ano, pouco antes de completar três anos.
Verena entrou no Hospital Ana Neri (Salvador-BA) e o doou uma bicicleta ao pequeno Márcio, 2 anos e 7 meses, o menino que teve um monte de agulhas introduzidas pelo corpo pelo próprio pai, cujo drama o Brasil passou a acompanhar há uma semana. Verena, ao que parece, saiu de lá com o espírito renovado. E nesta noite de Natal, o pequeno Raimundo Neto (foto ao lado), seu filho, não ficou pedalando na sala de jantar, pois tinha saltado da mesma bicicleta para consertar a corrente do brinquedo quando uma adolescente de 16 anos arrancou com o carro do pai e o atropelou num condomínio em Barra do Jacuípe. E o pequeno garoto morreu na hora.
UMA OUTRA FATALIDADE – E o que poderia passar na cabeça de um cara, como muitos de classe média, que sonhava morar no exterior por não acreditar, como eu, no futuro que nunca virá neste país de “merda”? Um cara, cuja a família sempre achou que essa coisa de “leitura” era coisa de “veado”, que essa coisa de “estudar” era coisa de “burguês” e que essa coisa de “se privar dos prazeres da vida” para se “enfornar num canto” era coisa de “maluco”. O que dizer de um cara que tinha uma vida inteira pela frente e quando isso tudo finalmente aconteceu, em 2006, quando largou a vida medíocre como professor do estado e somou-se à massa anônima de desempregados cuja razão para sair de Salvador era a falta de opções, não o desejo de ter novas experiências? Esse cara que estudava a mais de três anos para passar num concurso federal não pensou na possibilidade – mais remota que fosse – de não ser aprovado e ter que começar do zero novamente. A coisa mais normal do mundo. Um cara brilhante que teve que conciliar os livros com a venda de mel em Brasília para se sustentar, pois a sua própria família o ignorou simplesmente. Mas, infelizmente, foi fraco (*não sei se a palavra é essa) frente a não aprovação num concurso público e resolveu dá cabo na sua própria vida.
Não vou ficar nessa de julgar a sua atitude. Não vou cair na besteira de envenenar mais ainda o seu espírito com discursos de quem nunca esteve dentro do seu coração e dos seus medos, mesmo porque, como disse Caetano: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.” Mas também não me julguem por não ter estado perto dele quando ele precisou. Eu admito aqui a minha culpa sim. Fui incapaz de perceber um mínimo sinal de desespero num telefonema. Fui um f.d.p. egoísta incapaz de observar com mais cuidado o sofrimento do meu amigo, contudo, não me venham agora, familiares, supostos amigos e sei lá mais quem, me cobrarem por qualquer tipo de atitude que vocês mesmos nunca foram capazes de ter. Não tenho e não vou prestar explicações a ninguém. Mesmo porque vocês não têm a moral de me cobrarem nada. Sinto muito pelo o que aconteceu, mas não vou ficar como uma Poliana no “Jogo do Contente” buscando lado positivo numa coisa que eu acho ser deplorável.
Ele era meu amigo sim. Amigo de eu saber coisas que provavelmente vocês nunca saberão. Mas ele foi precipitado, imaturo, egoísta e, por mais que eu gostasse muito dele, foi maquiavélico ao escrever tudo aquilo que escreveu para me deixar aqui culpado. Eu faria tudo de novo. Falaria tudo que falei com relação à educação que, infelizmente, não tivemos. Educação que nesse país é apenas um tapa buraco – é uma fantasia, pois as universidades entraram em colapso e só os professores e seus alunos parasitas não conseguem enxergar isso. Acabei de abandonar um mestrado justamente porque comecei a pontuar o que eu deveria priorizar na minha vida e gastar as minhas energias num ambiente infestado de inúteis não é o que eu quero.
Ficar me enviando inúmeros e-mails falando da importância desse meu amigo, da quantidade dele como ser humano e do seu estilo diferenciado de vida, não está errado, claro, mesmo sendo simplista, mas o fato dessas frases serem repetidas em quase todas as mensagens que eu li evidencia um detalhe simples de que esses “amigos” não conhecem do que estão falando, portanto, não podem acrescentar mais nada ao que de fato já aconteceu. E não vai trazê-lo de volta.
Ainda lembro de um desses e-mails de um conhecido quando enfatizou a palavra “brutal” e fez uma pausa final, para que eu captasse toda a “ironia” da situação. Imagino o seu rosto impassível e sério, mas a “mensagem” estava mais do que clara: “com tais fatos e tal atitude afinal, não era quase inevitável que isso acontecesse, mais cedo ou mais tarde?” Esse tipo de insinuação, velada e envergonhada, é a pior, pois vem travestida de desespero no discurso. Mas a única coisa que eu lamento é não ter prestado mais atenção.
Elenilson Nascimento
DF, dezembro/2009


>>> Ouça aqui o comentário do excelente jornalista Sebastião Nery sobre os conchavos do poder neste país de “merda”. Depois ainda querem que eu acredite que algum dia isso aqui vai dar certo: podcast: Rádio Metrópole FM

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

ESPÍRITO NATALINO

Por IkaRo MaxX*
Foi assim por acaso
que sentei ao lado do par de coxas mais quentes da lotação
enquanto enfrentava todos os problemas
com o vazio da vida
e o vazio que nada apresentava de novo
apenas uma repetição tosca dos mesmos problemas
acabara de roubar um exemplar de Mark Twain
de uma biblioteca pública
E comecei a bisbilhotar & ler...
e senti que ela ficou um tanto inquieta
Encostava a cabeça em seu ante braço como que para descansar um pouco
mas, virava o rosto em minha direção e me olhava
repito, tinha um belo par de pernas
e devia ter seios magníficos embaixo daquela camisa solta
& estampada de maneira quase surrealista-tropical
imaginei o número do sutiã 40, 62, sei lá
apertando aqueles mamilos acesos que me olhavam de lado
por trás dos cabelos recém escovados
em salão para madames de baixa escala social
e ela mexia no cabelo fazendo exalar aquele cheiro de creme
por todo o ônibus
mas, parecia que só era para mim
e ela fingia estar cansada enquanto minhas pernas se contorceram
para grudar nas dela & ela ficou me encarando por cima do braço
cabeça deitada em direção ao meu colo
onde meu pau martelava com tamanha fome
sob as calças jeans não tão justas
mas ele tentava rasgar aquelas calças surradas
de tantas ereções como essas
essas ereções que salvam o dia
essas ereções que salvam as noites
essas ereções que nos fazem voar através do enxofre
& passar pelos círculos do inferno de Dante
estava agora sob a vista desta mulher de coxas quentes
e minha mão, no meio da leitura de Mark Twain,
foi parar em uma de suas coxas
& o ônibus ia lotando na hora do rush
& todas as pessoas estavam tão vazias como papel de enrolar presentes
e as sacolas que carregavam de feira de Natal
& existia uma espécie de espírito natalino naquela cena
de você se deixar apalpar por um estranho faminto
& fazer a caridade de uma carícia por sob a calça dele
como se estivesse dormindo
E eu alisava e apertava aquelas coxas quentes e ela aperta o meu pau contra minha coxa
e ele ia crescendo & engrossando por sob as carícias sedentas daquela mão de esmalte vermelho
e eu ia aprofundando minha mão no vão de suas pernas
até que chegou o meu destino e eu me levantei
sem dar uma palavra
& puxei a cordinha do trenó
deixando para trás uma possível foda natalina*Contato: ikaro_max@yahoo.com.br
editado por Amanda Carvalho

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

EM BUSCA DO COELHO BRANCO

"Primeira edição de "Alice no Espelho" é vendida por US$ 115 mil."
A primeira edição do clássico de Lewis Carroll "Alice no Espelho", dedicada à verdadeira Alice que inspirou a história, foi vendida em um leilão nos Estados Unidos por US$ 115 mil, disseram os leiloeiros. O livro, a sequência de "Alice no País das Maravilhas", foi publicado em 1871. Os dois romances foram inspirados em Alice Liddell, de 10 anos, filha de um acadêmico amigo de Carroll. A edição vendida na quarta-feira teria sido presenteada a ela por Carroll. A cópia pessoal de "A História de Pedro Coelho", da escritora inglesa Beatrix Potter, também foi vendida no leilão por 92 mil dólares. Outro destaque foi a primeira edição em brochura de "Harry Potter e a Pedra Filosofal", de J.K. Rowling -- descrita como uma das únicas 200 cópias impressas --, vendida por US$ 5.750 dólares.
fonte: Jill Serjeant/Reuters

E VAI ROLAR “NAUGHTY GIRL”!

Por Elenilson Nascimento
A cantora Ivete Sangalo confirmou pelo Twitter que vai fazer show com Beyoncé no Brasil, em fevereiro de 2010. "A Caco de Telha tem o prazer de apresentar... Beyoncé no Brasil! Eba! Ela é linda e vem para arrasar. Beyoncé é, sem dúvida nenhuma, a maior artista dos últimos anos. Quero todo mundo lá, pois vai ser muito bacana", disparou Ivete, que deverá abrir o show da popstar que acontecerá no (acreditem!) no Estádio de Pituaçu ou Parque de Exposições, em Salvador, já que o Estádio da Fonte Nova está interditado por falta de segurança. A norte-americana estará em turnê pelo país e passará pela capital baiana, onde promete encerrar mais uma temporada de apresentações com chave de ouro e em grande estilo.
E aproveitando a “ponga” a Rede Globo, que ateriormente fracassou nas negociações para exibir os shows de Madonna em 2008, parece que vai exibir o show da Beyoncé em Salvador, que acontecerá em 10 de fevereiro. A emissora, que já está envolvida com os shows da cantora vai televisionar o show uma semana antes do Carnaval. Com abertura de Ivete, mas, de acordo com uma fonte, a Globo pode transmitir flashes ao vivo do show em seu horário nobre.
A realização do show da Beyoncé na capital baiana é uma produção da Caco de Telha em parceria com o governo local que nunca investe em nada além das propagandas ridículas para iludir o povo. A venda de ingressos para o show já tem valor e data definida. A partir do dia 28 deste mês, os fãs das musas poderão adquirir as entradas com valor promocional de R$ 60 (pista), R$ 250 (pista vip), R$ 150 (camarote Coruja) e R$ 300 (camarote Cerveja & Cia). Para adquirir, basta ir as lojas Axé Mix do Shopping Iguatemi (2º e 3º piso) ou através do site www.axemix.com.br e do serviço de call center no número 4003-1527 (custo de ligação local). Essa é a primeira vez que Beyoncé vem ao Brasil, onde fará quatro grandes shows. O show na capital baiana acontece às vésperas do Carnaval, antecipando a folia dos baianos. Ivete será a primeira a se apresentar às 21h. Beyoncé sobe ao palco às 23h. Esse show vai dar o que falar... Vamo que vamo!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O GÊNIO DA MULTIDÃO

Por Charles Bukowski*
Há suficiente violência, traição,
ódio
Absurdo no ser humano
comum
Para abastecer qualquer exército
a qualquer dia.
E Os Melhores Assassinos São Aqueles
Que Pregam Contra Ele.
E Os Que Melhor Odeiam São Aqueles
Que Pregam o AMOR
E OS MELHORES NA GUERRA
- POR FIM - SÃO AQUELES QUE PREGAM
A PAZ

Aqueles Que Pregam DEUS
PRECISAM de Deus
Aqueles que Pregam A PAZ
Não Têm Paz.
AQUELES QUE PREGAM O AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidado com Os Conhecedores.

Cuidado
Com Aqueles que
SEMPRE ESTÃO LENDO
LIVROS

Cuidado com Aqueles Que Detestam
a Pobreza Ou Estão Orgulhosos Dela

CUIDADO Com Aqueles Rápidos na Prece
Porque Eles Precisam de PRECES em Troca
CUIDADO Com Aqueles Rápidos em Censurar:
Eles Têm Medo Daquilo Que Não Conhecem

Cuidado Com Aqueles Que Buscam Multidões
Constantes; Eles Não São Nada
Sozinhos

Cuidado Com
O Homem Comum
A Mulher Comum
CUIDADO Com o Amor Deles

O Amor Deles É Comum, Busca o
Comum
Mas Há Gênio No Modo Como Odeiam
Há Gênio Suficiente No Ódio
Deles Para Matá-Lo, Para Matar
Qualquer Um.

Por Não Desejarem a Solidão
Por Não Entenderem a Solidão
Tentarão Destruir
Tudo
Que Seja Diferente
Deles Mesmos

Por Serem Incapazes
De Criar Arte
Eles Não
Entenderão a Arte

Considerarão o Fracasso
Como Criadores
Somente Como Uma Falha
Do Mundo

Por Serem Incapazes de Amar Por Completo
ACREDITARÃO Que Seu Amor É
Incompleto
E ASSIM ELES ODIARÃO
VOCÊ

E o Ódio Deles Será Perfeito
Como Um Diamante Que Cintila
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta

A ARTE Que Lhes É
Mais Fina
* Charles Bukowski é um escritor único. Escatológico, melodramático, cínico, marginal (izado), antiacadêmico, anti-grupos literários, lírico, alcoólatra, machista, politicamente incorreto, anarquista e um grande escritor. "Cartas na rua", "Mulheres", "Misto Quente", "Hollywood" são apenas alguns dos romances de Bukowski, que também era poeta e trabalhou em diversos empregos durante a vida inteira até ser consagrado como escritor e ter seu espaço na literatura americana contemporânea. Alguns críticos teimam em colocá-lo lado a lado com a turma dos beatniks, mas Bukowski nada tem a ver com Kerouac e Ginsberg. Os beats são filhos do surrealismo francês, gostavam de jazz e eram liberais sexualmente. Estavam à margem do sistema, talvez apenas aí haja uma comparação entre eles. Esse poema neste post , chamado de "The Genius Of The Crowd ", foi enviado por IkaRo MaxX - que também é poeta de João Pessoa (PB) e diz que começou escrevendo poemas em guardanapos e em contas de bares, criando uma nova atitude diante dos materiais para a criação poética. Daí surgiu seu primeiro livro-sacola chamado “Diário Infame de um Promissor Bêbado Preguiçoso & Aborrecido” e vários outros que mais tarde consideraria como inapropriados. Viveu como imigrante em Paris e Londres onde trabalhou feito um cão. Foi publicado pela primeira vez com o pseudônimo de Verso Linhares na coletânea “Poemas Diversos” (2006), e também faz parte dos “Poemas de Mil Compassos” da Coleção Literatura Clandestina/2009. Escreve também no blog Dionísio em Pedaços.
editado por Amanda Carvalho
enviado por IkaRo MaxX (por e-mail)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

DEPOIS DE COPENHAGUE...

“Eles ficaram na conversa de salão. E ao mundo restou apelar aos céus.” O mundo esperava inaugurar uma nova era depois da COP15. Mas o naufrágio nas negociações de Copenhague mostra que os interesses econômicos ainda falam mais alto que a questão ambiental entre os líderes mundiais.
fonte: Isto É

NA BAHIA DA TV, AS TROMBETAS DO PARAÍSO

“Dona Isabel ficou tão embevecida por poder beber água da chuva que viciou-se, a ponto de bebê-la a toda hora, mesmo sem sede, de tanto que gosta do produto e o acha bonito.”
Por Malu Fontes*
Quem é minimamente crítico condena os anúncios publicitários ancorados na família feliz de margarina, nos quais tudo é lindo, colorido, iluminado, nunca chove e não só a família é branca e loura como os cachorros quase sempre são labradores amarelos de olhos azuis e não apenas sorriem, mas também argumentam, embora com o rabo. Ou seja, é praticamente consenso entre as pessoas normais que as famílias de propaganda de margarina só existem no intervalo comercial da TV. Coitadas das famílias de margarina. Além de condenadas à não existência, são caricaturizadas por gato e cachorro só porque seus integrantes são lindos, ricos, e nórdicos, têm cachorros que gargalham e moram na Casa Cor.
É consenso que, tratando-se de televisão, tudo parece e aparece exagerado. Há quem ache que tudo o que é veiculado na TV é mentira, até mesmo as verdades, de tão exageradas que aparecem no mundo das imagens. Outro dia, numa edição do “Profissão Repórter”, uma velhinha do sertão nordestino, disse que não queria dar entrevista nenhuma a Caco Barcelos, pois, segundo ela, na televisão tudo é mentira. Argumentou: mora naquele torrão há décadas e nunca viu ali um carro pegando fogo com todo mundo saindo vivo de dentro, muito menos um carro que passasse com as rodas fora do chão. Já na TV, o carro explode e não mata ninguém e alguns ainda avoam (sic).
CACIMBA - O fato é que boa parte de quem despreza as famílias de margarina o faz por seu grau de inverossimilhança, afinal, como bem fofoca a TV, nem mesmo na fantástica e bilionária mansão do golfista Tiger Woods há paz e harmonia que perdure. Pois bem, a Bahia mudou, todo mundo sabe, e as mudanças se fizeram sentir no intervalo comercial. Para quem estava cansado de tanta plasticidade estetizada na TV, a agência que divulga as mudanças promovidas pelo governo baiano não só não achou a menor graça no videozinho disseminado no Youtube, intitulado ‘Eu quero morar na propaganda do Governo da Bahia’ como cada vez mais carrega nas tintas para oferecer a quem não suporta as famílias de margarina um tantão da Bahia Profunda, a dos rincões. Quem queria realidade, agora que se deleite, pois ela saiu do telejornalismo e foi fazer ninho no intervalo comercial.

Em 2009, na Bahia, a propaganda oficial na TV trouxe três personagens reais mil vezes mais felizes que o povo da margarina, com a vantagem de serem de pele e osso. Alguns mais osso que pele, é verdade. Três abençoados pelos deuses do poder empoderados de competência nas urnas. Quem não ficou assombrado com a felicidade orgástica de Dona Isabel, épica, agarrada ao cano da água da cacimba que o governo cavou para captar água da chuva? Dona Isabel ficou tão embevecida por poder beber água da chuva que viciou-se, a ponto de bebê-la a toda hora, mesmo sem sede, de tanto que gosta do produto e o acha bonito.

Quem, depois de ver Dona Enedina, alfabetizada pelo Estado aos cem anos, vai duvidar que, do ponto de vista educacional, a Bahia ainda tem problemas? Achando pouco o estrelato dado a ela na propaganda, mandaram buscá-la recentemente no interior para almoçar e passear com o governador, a primeira dama e um ministro de Estado no Palácio de Ondina. Foi objeto de matéria em todas as emissoras de TV. Finalmente, o telespectador, esse enfadado de tanta gente de margarina, se pergunta: para que um lavrador do extremo nordeste da Bahia precisa de dentes se parece ser justamente por não tê-los que escolheram um morador da zona rural de Paripiranga para ilustrar a imagem da felicidade com a luz elétrica em sua casinha?
APÓSTOLOS - Antes dessa santíssima trindade de verdade anunciar com trombetas, ao ritmo do mantra de agora tem/tem/tem (especula-se que o hit será logo substituído pelo refrão minha casa/minha Dilma), que a Bahia é um paraíso para gente real, o máximo que se via de pessoas de verdade satisfeitas na TV eram os meninos das escolas públicas que freqüentavam o elenco do programa Aprovado, em sua versão anterior.
Enquanto jornais e telejornalismo mostravam o mundo acabando-se ou já acabado na rede estadual de ensino, no Aprovado só havia aluno feliz que nunca falou em dificuldade, violência escolar, falta de sala ou de professor. Mais pareciam apóstolos de tão contentes e comportados, sem uma queixa sequer, sem uma pergunta incômoda e certos de passar no filtro rigoroso das universidades públicas. Saudosos dos alunos satisfeitos do Aprovado, enojados com o povo de margarina, os telespectadores agora vão ao clímax com o contentamento das suas senhorinhas e do lavrador sem dente, todos de verdade. Sim, pois a TV é que não os inventou.
* Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.

domingo, 20 de dezembro de 2009

FERNANDO MEIRELLES PARTICIPA DE MESA REDONDA NO MAM, EM SALVADOR

“Mesmo sem saber muito qual é minha cara, acho que tenho uma maneira de enquadrar, montar, dirigir atores e armar roteiros que cria uma certa identidade aos filmes que faço.” (F.M.)Por Elenilson Nascimento
Ontem, 19/12, o cineasta Fernando Meirelles participou do projeto “Cinema de Artista”, promovido pelo Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM). Em uma mesa redonda composta por Solange Farkas, diretora e curadora do espaço, e pela jornalista Nadja Vladi, Meirelles foi uma simpatia só. Após o debate, foi exibido o longa “Cidade de Deus”, que deu projeção internacional a Meirelles.
Em 1997, Meirelles decidiu adaptar o livro “Cidade de Deus”, do baiano Paulo Lins para o cinema, o que se concretizou em 2002. Os atores foram selecionados entre os habitantes de favelas. De 400 crianças, 200 chegaram à etapa final e trabalharam no filme. A filmagem foi feita com técnicos profissionais. O filme teve sucesso nacional e internacional. Em 2004, Meirelles concorreu ao Oscar de melhor diretor com esse filme, mas não foi premiado.
Em 2006, recebeu quatro nomeações no Festival de Cannes: melhor diretor, melhor argumento adaptado, melhor fotografia e melhor montagem. Como diretor do filme “O Jardineiro Fiel”, o cineasta fez questão de que a trilha sonora fosse baseada na música de países africanos, e grande parte das filmagens foi feita no Quênia. Esse foi o primeiro filme de Meirelles em língua inglesa.
O seu filme mais recente, de 2008, “Ensaio sobre a Cegueira”, adaptado da obra do Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago foi o filme de abertura do Festival de Cannes – CLIQUE AQUI e confira o Saramago emocionado com o filme. Em 2009, fez o vídeo de candidatura do Rio de Janeiro para sediar os jogos olímpicos (*e foi muito criticado por ter excluído as favelas do RJ).
A programação do projeto “Cinema de Artista” se estende até o dia 30, com exibições gratuitas de vídeos e filmes publicitários, além dos longas “Domésticas”, “Cidade de Deus”, “Jardineiro Fiel”, “Ensaio Sobre a Cegueira” e a grande novidade, uma versão para cinema da série exibida na Rede Globo neste ano, “O Som e a Fúria”.
O projeto “Cinema de Artista” tem por meta configurar um espaço de exibição, exposição e debate sobre a produção audiovisual na contemporaneidade, trazendo sempre artistas convidados para exibir e debater sua obra com o público do MAM-BA. A iniciativa foi criada em 2008 e é realizada em parceria com o Circuito Saladearte, já tendo recebido nomes como Sandra Kogut, Cão Guimarães, Carlos Nader e Lucas Bambozzi.
>>> Aproveite e CLIQUE AQUI e confira uma entrevista com o Meirelles.
fotos: divulgação

DEBATE: LIBERDADE DE IMPRENSA

A questão da desvalorização da profissão do jornalista foi tema do "TVE Debate" no dia 1º de dezembro. O programa proporcionou aos seus telespectadores uma reflexão sobre o assunto, convidando a professora Malu Fontes para também falar sobre o assunto. A melhor jornalista da Bahia, colunista do jornal A Tarde, da Rádio Metrópole e da Literatura Clandestina, professora da Faculdade de Comunicação da UFBA e doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas também pela UFBA, falou com propriedade sobre o tema em voga e disse em bom tom que estão querendo "vulgarizar a profissão de jornalista". Confira o excelente debate!

sábado, 19 de dezembro de 2009

NINGUÉM ENTROU NO "CLIMA" SOBRE O "CLIMA" EM COPENHAGUE

“Nunca antes na história da humanidade uma conferência que seria para resolver problemas acabou gerando tantos outros problemas. E nenhuma solução.”Por Elenilson Nascimento
Devo logo confessar que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi a minha maior frustração nas negociações climáticas na Conferência do Clima (COP15), em Copenhague, ao negociar um acordo “mínimo” com os principais países emergentes, que qualificou como apenas "um primeiro passo" para um futuro tratado sobre mudança climática. Futuro? Quê futuro, cabra? Obama – que recentemente ganhou o Prêmio Nobel da Paz – simplesmente abandonou a capital dinamarquesa pouco depois de sua apresentação de “lugar algum”, devido a “exigências climatológicas em Washington". O presidente americano reconheceu também que será "muito complicado" e vai levar algum tempo até que seja fechado um tratado que seja legalmente vinculativo, algo que requereria mais confiança entre as partes.
Já o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, considerou o resultado das negociações no COP15 insuficiente para "salvar o planeta". Como se ninguém soubesse disso. Mas ninguém explicou como o Brasil vai fazer para arrecadar os US$ 10 bilhões por ano, que será colocado no fundo até 2012 para atingir sua meta voluntária de redução das emissões. Provavelmente será com as vendas dos panetones do Arruda.
Obama tirou o “corpo fora” das suas responsabilidades e Lula até que “falou bem” em Copenhague.
Mas, brincadeiras à parte, o documento preliminar do COP15 prevê que os países desenvolvidos cortem 20% das emissões de carbono até 2020, valor que deve aumentar para 80% até 2050. Como o documento não estabelece metas diferentes daquelas já apresentadas pelos países desenvolvidos antes da Cúpula, o acordo é considerado uma decepção por muitos países. Várias ONGs ligadas ao meio ambiente consideram a COP15 um "fracasso histórico" devido à falta de metas vinculativas.
Para ministro Minc, o Brasil fez o seu "dever de casa", e continuará a cobrança de uma postura "mais forte" dos países desenvolvidos para combater as mudanças climáticas, mas a China chegou até a bloquear o andamento da cúpula, por suas diferenças a respeito dos sistemas de supervisão propostos para verificar a redução de suas emissões.
Frustrados com a falta de progresso do encontro, que já dura mais de uma semana, os manifestantes exigiam medidas mais duras contra o aquecimento global. Presos aguardam para serem levados para centro de detenção.
Além dos protestos violentos (foto) que durou todos os dias da COP15, muitas gafes foram cometidas no decorrer das negociações. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, por exemplo, enganou-se em seu discurso sobre as iniciativas brasileiras contra o aquecimento global e afirmou que o “meio ambiente é sem dúvida nenhuma uma ameaça ao desenvolvimento sustentável”. Segundo o G1, Dilma participava da Conferência do Clima, em Copenhague, e sem perceber que havia trocado, provavelmente, “aquecimento global” por “meio ambiente”, ela completou: “Isso significa que é uma ameaça para o futuro do nosso planeta e dos nossos.”
Em suma, a COP15 chegou ao fim neste sábado, 19/12, a um acordo mínimo, para não dizer sem fundamento, em Copenhague, após um intenso e inútil debate que se prolongou durante os fracassados 12 dias de negociações. A ONU recorreu a esta fórmula para tornar operacional o acordo, que foi duramente criticado como ilegítimo por países como Venezuela, Nicarágua, Cuba, Bolívia e Sudão. Para que pudesse se transformar em um acordo das Nações Unidas, o documento deveria ser adotado por unanimidade pelos 192 países presentes na conferência.
>>> Aproveite e clique abaixo e ouça os comentários da jornalista Malu Fontes sobre
as piadas involuntárias sobre Copenhague.
>>> E/ou leia o texto de
Andréia de Oliveira sobre o fracasso de Copenhague.
>>>
AQUI e saiba tudo o que rolou nessa conferencia do clima.
>>> E
VEJA AQUI várias imagens do homem destruindo o planeta.
foto 1: divulgação
foto 2: Ricardo Stuckert/Agência Brasil
foto 3: AFP

ESSE JAU É MUITO BOM E AGORA VAI GRAVAR O PRIMEIRO DVD DE CARREIRA

“O sucesso de público, de mídia e de crítica que o cantor baiano Jau alcançou, agora na frente do Afrodisíaco, é algo muito singular.”
Por Elenilson Nascimento
Pra quem ainda não conhece, ele não é nenhuma novidade na terra do axé, mas o cara é uma das diferenças e resgatava com bastante vigor a essência da boa música baiana – coisa que anda em falta nos últimos tempos. Atualmente, tomando a frente da banda Afrodisíaco, com os seus ensaios semanais no Pelourinho, tem atraído um público especifico interessado naquele movimento de boa música.
Essa semana, durante um bate-papo bastante descontraído com a apresentadora do “Circulando” (Rádio Metrópole FM) Érica Saraiva, nos bastidores do evento "Jardins do Éden", realizado no dia 12/12, em Salvador, o maravilhoso e super simpático Jau, segunda atração da festa, não hesitou e contou com exclusividade e em primeiríssima mão seus próximos passos, que incluí a gravação do primeiro DVD de carreira, previsto para o mês de janeiro.
Segundo Jau, shows em alguns camarotes no Carnaval de Salvador, além de um trio independente em um dos percursos da folia será o conteúdo do DVD. Muito feliz com o sucesso da música de trabalho, "Sandália de Couro", Jau segue com seus ensaios de verão, todas as quintas, na Praça Tereza Batista, Pelourinho.
+ Veja mais sobre Jau AQUI.
fonte: Circulando

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O OUTRO LADO DE SALVADOR QUE NINGUÉM QUER MOSTRAR

“Aqueles que há quase trinta anos colocaram a negritude baiana em outro patamar ao valorizá-la em sua cultura não conseguem perceber a urgência de dar um segundo salto. Se lessem um pouco Charles Darwin saberiam que o processo evolutivo é gradual, mas que em vários momentos ocorrem determinados saltos. É o que está se dando agora na negríssima Salvador.”
Por Elenilson Nascimento
Viver na cidade de Salvador não é tão fácil, mas a mídia evita mostrar. A Rede Globo é a campeã das “aberrações” de vender aquilo que nem de longe é o verdadeiro, digo, coisas como o estereotipado “Ó Pai, Ó” e os inúmeros personagens baianos com aqueles sotaques imbecis que tem infestado a tela da sua programação e que não representam o falar na Bahia nem de qualquer outra região do Nordeste. Mas a “cidade das luzes”, ou a cidade do verão eterno, com seus slogans que vendem a imagem de uma cidade perfeita, na realidade, esta bem longe de ser.
Salvador enfrenta problemas sérios com o custo de vida muito alto; transporte ultrapassado (*a novela do metrô que não sai do lugar), desemprego (um dos maiores do país), aluguel, alimentação, elevado índice de violência onde a atual crise na segurança pública da Bahia chegou a níveis assombrosos. E a cidade do Salvador, conforme o Jornal da Metrópole, já supera o Rio de Janeiro em números de homicídios, com média anual de 47 pessoas assassinadas para cada 100 mil habitantes. E, para completar, os serviços básicos são precários, levando a maioria da população a habitar nas periferias ou invasões, bem longe dos cartões postais da cidade, pois mesmo dentro de um bairro periférico, como é o caso de Cajazeiras, Periperi, Marechal Rondon, Paripe, Plataforma e outros, isso contribui para mudar o perfil arquitetônico da cidade e esses problemas urbano-ambientais resultam da falta de controle dos Poderes Públicos (passivos e mentirosos) e da total falta de oportunidades para a população.
O padrão de desenvolvimento implementado e formas de usos dos recursos, da complexa e contraditória relação entre problemas governamentais e a pobreza urbana (mascarada nos principais pontos turísticos) e, finalmente, a histórica deficiência e precariedade dos serviços básicos de infra-estrutura, particularmente de saneamento urbano, devido a má utilização dos recursos públicos no momento em que ocorre mudanças climáticas onde os desabamentos e mortes bate as portas das camadas menos privilegiadas que na sua maioria agasalha uma população negra, onde estes indivíduos construíram as suas casas em área de risco, revela que Salvador não é cartão postal mas manifesta a face oculta da cidade.
Uma outra linha tênue é mais específica: o Carnaval. A polícia, que deveria proteger e guardar a vida dos cidadãos, fica mais violenta com as pessoas da raça negra. Pessoas que são algemadas continuam tomando murro, pontapé e, na mais improvável relação, até levadas a morte. E o papel da polícia não é esse. É conter e tomar as medidas legais. Muitas vezes no Carnaval, os policiais abrem caminho com o porrete e dão tapas nas pessoas. Quem não tem nada a ver a com a confusão, acaba sendo prejudicado. Apesar da Bahia ser o único estado brasileiro que tem uma promotoria especializada no combate a crimes de racismo, é muito triste o Carnaval em Salvador. É triste e humilhante. Mas não é isto que está posto.
O que está posto é que há claramente uma disputa hegemônica. Aqueles que há quase trinta anos colocaram a negritude baiana em outro patamar ao valorizá-la em sua cultura não conseguem perceber a urgência de dar um segundo salto. Se lessem um pouco Charles Darwin saberiam que o processo evolutivo é gradual, mas que em vários momentos ocorrem determinados saltos. É o que está se dando agora na negríssima Salvador. Um segundo salto é necessário e está sendo preparado. Ao invés de apoiarem, estes setores se vêem ameaçados. Ao invés de tornarem-se parceiros tornam-se inimigos. Ao invés de se somarem juntam-se ao real inimigo para evitar que tal salto se dê. Ora, o inimigo do meu inimigo é meu amigo, logo se o meu potencial amigo se junta com meu inimigo, só posso pensar que não tenho amigo nenhum. E é isto que está posto.
O Carnaval de Salvador é só a ponta do iceberg. É muito mais que festa, trio elétrico, beijo na boca e violência policial. O que ocorre hoje nos bastidores do Carnaval da Bahia é uma clara sinalização do que se está construindo no País no momento em que os negros articulam-se para daqui um ano dizer que projeto político e que projeto de nação querem para o Brasil. Algo de muito sério está ocorrendo em Salvador. Negar este fato é não conhecer a realidade. Torcer o nariz é preconceito e bobagem! Salvador, tal como um farol está apontando caminhos, tanto para o retrocesso quanto para o avanço.
A crise na segurança pública da Bahia chegou a níveis assombrosos. Salvador já supera o Rio em números de homicídios, com média anual de 47 pessoas assassinadas para cada 100 mil habitantes.
Recentemente idosos foram encontrados mantidos em quartos com grades e cadeados e policial é o principal acusado de cárcere privado e tortura.
Falta de urbanização é um dos contrastes gritantes na cidade.
Um "menor de rua" desmaia em plena avenida, enquanto seu irmão se desespera ao tentar em vão reanimá-lo. Um retrato extremo e cruel da desassistência e abandono das crianças que vivem pelas ruas de Salvador.
Nem só de caras bonitas e famosas se faz o Carnaval na Bahia. Estima-se que metade dos homens e mulheres que seguram as cordas dos blocos de trio (*os cordeiros) em Salvador tem entre 18 e 24 anos e estão desempregados.
Realidade muito comum em Salvador: adolescente de 13 anos, portador de necessidades especiais, foi encontrado acorrentado em uma casa. Segundo a Polícia Militar (PM), o garoto estava em situação de abandono. A mãe não foi localizada.
Violência policial é umas das principais celeumas na Bahia. Falta de preparo, equipamentos defasados, remuneração que está entre uma das mais baixas do País, policiais corruptos, concursos públicos para preenchimento de vagas que nunca são preenchidas, preconceito contra os pobres e pretos das periferias e total falta de gerenciamento tem levado a população a não acreditar mais na polícia.
foto 1: Jornal da Metrópole; foto 2: Arestides Baptista
foto 3: Image Shack; foto 4: Centro de Mídia Independente
foto 5: Axezeiro; foto 6: G1 e foto 7: divulgação

FOTOS BELÍSSIMAS DA CAPITAL SOTEROPOLITANA

“Cheia de contradições, paisagens exuberantes, história e carnaval, Salvador reúne encantos e desencantos do Brasil.”
Por Elenilson Nascimento
É comum ouvir dos próprios baianos que Salvador não é uma cidade para ser visitada. A capital da Bahia é para ser sentida. Ao cruzar as portas do Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães - situado numa área entre dunas e vegetação nativa -, o primeiro sentimento é o do forte contraste entre o ar-condicionado e o calor das ruas.
Salvador é uma das várias capitais do Brasil abençoada com as suas belezas naturais, com praias belíssimas, com vários pontos turísticos de encher os olhos dos gringos e a sua típica culinária cantada em prosa e versos, principalmente propagandeada por Jorge Amado. É a terra das cores, do gingado da capoeira, de um povo acolhedor e que (quase) sempre recebe os turistas de braços abertos. Uma terra das mulheres bronzeadas com sua beleza e sua manha que encantam o mundo inteiro. Uma terra de “todos os santos”, mas que nem por isso esses secretários de Deus trabalham todos os dias do ano para ajudar esse povo. Salvador, terra da magia, cidade da alegria, capital maravilhosa da Bahia, ainda construindo a sua história e mantendo a sua singularidade.
Estátua em homenagem ao poeta Castro Alves é um dos mais conhecidos símbolos de Salvador.
Escultura Odoyá no Rio Vermelho.
Pescadores na praia do Porto da Barra.
Um dos pontos mais conhecidos de Itapuã, o farol foi inaugurado no dia 7 de setembro de 1873.
Farol da Barra.
Praça Castro Alves em tons cinzentos do fim da tarde.
fotos 1 até 4: Marco Aurélio Martins
foto 5: Marcos Rocha Oliveira
foto 6: Lívia Bastos