Por Elenilson Nascimento

Quando eu falo que não acredito mais em educação o mundo todo toma as dores. Mas parece que chegamos ao iminente caos (o fim do buraco da ribanceira) na educação e ao aniquilamento deliberado dos docentes, consequência da política tirânica implementada por esses governos de "merda" neste setor e pelas “cabeças pequenas” de muitos estudantes. Em todo o país e com mais requinte em Salvador, constata-se a deterioração da educação que deixou de formar cidadãos e, agora, nada mais é do que um parque de diversão.
O caso da estudante de 20 anos, do primeiro ano de Turismo do período noturno do câmpus ABC da Universidade Bandeirantes de São Paulo (Uniban), em São Bernardo do Campo, que foi xingada e acuada por um grupo “expressivo” de estudantes no prédio onde estuda por causa do comprimento do vestido que usava, é mais uma prova da idiotização cada vez mais frequente de estudantes sem conteúdo e nem ideologias.
O fato lamentável aconteceu no último dia 22/10 e ganhou repercussão nesta semana pelo site YouTube, onde foram publicados vários vídeos que registraram o episódio. A universidade pediu para que o conteúdo fosse retirado, mas até agora o pedido não foi aceito. Conforme informações do jornal O Estado de S. Paulo, em nota, a Uniban afirmou que instaurou uma sindicância. "Alunos, professores, seguranças e também a aluna estão sendo ouvidos individualmente", informou. A universidade "pretende aplicar medidas disciplinares aos causadores do tumulto, conforme o regimento interno". Mas só isso adi
anta?A BOMBA - Do físico e do emocional do professor horista, face à rotina “escrotante”, com incidência alarmante de doenças nervosas, especialmente a estafa crônica e a depressão, a qualidade da educação desses jovens “carregadores de livros” fica comprometida. Esse caso da estudante hostilizada é apenas um em milhares. Nos ambientes dessas “escolinhas universitárias”, os professores também são agredidos e desmoralizados, seja pelos reitores e coordenadores “encabrestados” que, conduzidos aos cargos de confiança por um processo eleitoral pseudodemocrático, desvirtuando assim a natureza-fim do ato de educar, extermina com a oportunidade de muitos em crescer e evoluir.
Por outro lado, muitos desses alunos (*estudo mostra que maioria dos universitários admite pescar em avaliações ou que compram monografias – foto ao lado) compelidos ao desprazer de passarem cinco horas num ambiente totalmente desestimulante, pelo sucateamento físico das universidades de esquina e dos poucos recursos pedagógicos, tornam-se, assim, os agentes mais antipáticos nessa tentativa inglória de fazermos o impossível. Acredito sim que o câncer da educação está na má formação de professores e na idiotização em massa de jovens “sem cérebros” chamados hoje de universitários. E isso é uma coisa muito paradoxal. Deprimente.
OS DEMAGOGOS – No caso infeliz caso da aluna de Turismo, pelas as cenas e depoimentos dos presentes, o tumulto começou quando a aluna subia por uma rampa até o terceiro andar e os alunos começaram a gritar: “piranha”, “vagabunda”, “prostituta”. Acuada, a aluna ficou trancada em uma sala e, com a ajuda de um professor e colegas, chamou a polícia, que a escoltou até a saída da universidade.
Seja como veículo para a transmissão de valores, seja como possibilidade de reflexão sobre uma realidade humana mais geral, o ambiente acadêmico deveria receber o encargo de formar o caráter das pessoas. Mas isso não acontece mais. Porém, como já disse, muitos estudantes não passam de “carregadores de livros”. E isso, como podemos comprovar, é algo lamentável, pois ninguém ler mais nada, nem bula de remédio. Ninguém tem conteúdo e postura de universitários. Pensar, pois, no ambiente acadêmico como produção de cultura com os valores sociais é pensá-la numa relação consigo mesma, bem como com o homem que ela espelha e, quem sabe, ajuda a formar. Mas, infelizmente, o que nos resta é uma universidade sucateada com alunos animalescos e demagogos. Confira à íntegra da nota da universidade:
"No dia seguinte ao fato, a universidade instaurou sindicância para apurar o fato ocorrido no campus ABC. Alunos, professores, seguranças e também a vítima são ouvidos individualmente pela universidade, que pretende aplicar medidas disciplinares aos causadores do tumulto, conforme o seu Regimento Interno, respeitando-se o contraditório e a ampla defesa. A posição da Uniban é de total repúdio a qualquer manifestação de preconceito de gênero e qualquer forma de difamação ou violência. Cumpre esclarecer que algumas matérias veiculadas estão equivocadas quando se refere ao crime de tentativa de estupro, uma vez que não houve qualquer contato físico nem perseguição à vítima. O que houve foram manifestações verbais de caráter ofensivo."
O vídeo divulgado na internet não mostra a roupa da aluna, que já saiu do campus vestida com um jaleco branco. Enquanto ela passa pelos corredores, é possível ver vários jovens dizendo palavras de baixo calão e gravando a cena com o celular. Acompanhe o vídeo abaixo:
>>> Ouça também aqui a jornalista Malu Fontes comentando sobre a hipocrisia desses jovens universitários.
fotos: divulgação
podcast: Rádio Metrópole







































