sexta-feira, 29 de maio de 2009

O ENCRONTRO DAS “COMADRES”

“Barbeiragem da equipe de som que montou as instalações no encontro entre Lula e Chávez, em Salvador, é captada e transmitida para todos os jornalistas presentes, permitindo que pudéssemos analisar há que ritmo anda a politicagem lulista.”
Por Elenilson Nascimento
Trabalhadores brasileiros do campo e da cidade, dos mercados formal e informal, artistas e anônimos, blogueiros e articulistas, formadores de opinião e comentaristas de mesas de bares deveriam aproveitar a falta de senso do presidente Lula – o presidente das massas – e emplacar mais um feriado no calendário nosso de cada dia: o Dia da Reivindicação Gratuita, ou uma versão mais moderna para o tradicional Dia da Mentira, para protestar contra as mentiras do governo, mostrando que, apesar da alta(?) popularidade do Lula, tão alardeada pela imprensa com a sustentação dos institutos de pesquisa, são muitos os setores da população brasileira que não aprovam as escolhas políticas feitas pelo primeiro “presidente do povo” a governar essa “birosca”, digo, esse Brasil.
Em 2007, época do lançamento do “Programa Mais Cultura” (*PAC da Cultura, mais um viu!), Lula afirmou que o país nunca contou com uma ação planejada e organizada na área cultural. Mais uma de suas bravatas! Sinto informar ao presidente, aos seus assessores, ao ministro da Cultura, Juca Ferreira, e aos demais ministros que preparam discursos, que o “Programa Mais Cultura” não é uma política cultural, tampouco é a primeira que o país viu nascer.
O desempenho do governo petista na cultura é medíocre, um déjá vu de governos anteriores, embora um grupo de intelectuais do PT, como sempre, tenha preparado um programa de cultura na campanha de Lula desde 2002. O presidente é mais um desinformado na imensa lista dos desinformados do seu governo, o que não é novidade mais pra ninguém, mas poderia ser no mínimo bem assessorado no setor – porém, mesmo com a imprensa denunciando a farra das passagens aéreas, seus assessores ganham fábulas de salários e vantagens. Para conhecimento do Palácio, política cultural pública é o ordenamento da cultura: criação de leis, estruturas, diretrizes e ter por meta a proposição de uma cultura política, aquela cultura que torna viável a vida em sociedade. Isso o governo de Lula não cumpriu. O governo do PT distribui dinheiro a quem quer, o que é outro "departamento".
AMIZADE COLORIDA - Contudo, durante o último encontro em Salvador, na segunda-feira, 25/05, o Lula e o seu “amiguinho”, o presidente venezuelano Hugo Chávez, podem até terem avançado nas discussões sobre a entrada da Venezuela no Mercosul, mas não chegaram a um acordo sobre a parceria entre os dois países na refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Para quem não sabe: o projeto da refinaria foi lançado em 2005, com investimento previsto de US$ 9 bilhões, sendo 40% da Venezuela e 60% do Brasil.
Os dois governos, no entanto, não chegaram a um acordo sobre os detalhes do contrato, como o valor a ser pago pelo petróleo que virá da Venezuela. A negociação foi prorrogada por mais 90 dias. E a impressão que dá é de que esses encontros só servem para as comitivas fazerem turismo na Bahia.
A BARBEIRAGEM - A conversa havia sido fechada à mídia, mas, por um engano(?) da organização, o áudio foi captado por um microfone e transmitido pelo sistema para todos os jornalistas presentes. A “barbeiragem” da equipe de som que montou as instalações do encontro em Salvador do presidente Lula com o Chávez, permitiu que parte da conversa reservada entre os dois fosse transmitida também para o público externo.
Diante da dificuldade de se chegar a um acordo para a construção da refinaria Abreu e Lima, Lula prometeu ao colega venezuelano que, se conseguir eleger sua sucessora, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, todos os problemas serão superados e o projeto sairá do papel. "Se eu conseguir eleger a Dilma, vou ser o presidente da Petrobras. E você, Gabrielli (*José Sérgio Gabrielli, presidente da estatal), vai ser meu assessor, e o acordo será fechado", disse o Lula, em tom de brincadeira, sem saber que a ironia estava sendo ouvida por toda a imprensa, na sala ao lado, por meio do equipamento de tradução simultânea montado para a entrevista que seria concedida logo depois.
O vazamento da discussão entre os dois presidentes permitiu que os jornalistas acompanhassem as dificuldades da negociação, no tal encontro reservado. Houve insistentes e inúmeras reclamações de Chávez, além de sua decepção com os novos entraves na discussão. “Não podemos conceder um preço diferenciado para a Petrobras. O preço tem que ser de mercado e funciona assim em todo o mundo: em Cuba, Estados Unidos e Rússia”, disse Chávez.
A DESCOBERTA - Quando os assessores dos dois presidentes descobriram que os jornalistas estavam ouvindo a reunião reservada, houve enorme alvoroço e preocupação. Representantes do governo brasileiro exigiram que os seguranças tomasse os fones da imprensa. Isso não é um indício de repressão?
E mesmo dizendo que não pretende conceder "preço diferenciado" à Petrobras, Chávez aproveitou o encontro com Lula para fazer reivindicações. Chávez solicitou formalmente a concessão de um empréstimo de US$ 732 milhões (*cerca de R$ 1,49 bilhões) ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a ampliação do metrô de Caracas - obra sob responsabilidade da Odebrecht - e voltou a pedir a entrada do seu país no Mercosul. Além dos US$ 732 milhões, Chávez disse que o Brasil e a Venezuela estão costurando uma proposta que prevê o financiamento de cerca de US$ 4 bilhões (*cerca de R$ 8,09 bilhões) para obras de infra-estrutura em seu país executadas por empresas brasileiras - o empréstimo também seria bancado pelo BNDES. Como garantia do empréstimo, Chávez ofereceu ao Brasil suas reservas de petróleo, proposta que é vista com "bons olhos" pelo governo brasileiro, de acordo com assessores do presidente Lula.
“Os que apostaram no fracasso das relações ou no enfraquecimento do Mercosul perderam”
, disse o presidente brasileiro, gabando-se. A reunião entre Chávez e Lula, que tem ocorrido a cada três meses, não tem, contudo, progredido muito, além dos passeios trimestrais. E a Comissão de Relações Exteriores do Senado já marcou para o dia 10 de junho mais uma audiência pública para debater o tema.
A MENTIRADA - Afirmação de que o governo Lula é um percussor em prioridades e benefícios ao povo brasileiro é enganosa e típica de governos mentirosos. Praticamente findo dois mandatos, o governo de Lula conseguiu algo inédito nesse âmbito - nenhuma política foi instituída - o que faz é uma ciranda com a Lei Rouanet, com recursos alocados em estatais, bancos, onde os incentivos da isenção fiscal é distribuído através de editais, sem antes sustentar (*o que é uma deturpação da própria Lei) ações do próprio governo e dos centros culturais das agencias repassadoras. O governo Lula mantém diretrizes das políticas criadas em governos anteriores - boas ou desastrosas -, não importa. O governo de Lula absorve.
P.S. Eu só quero saber se o governo do "faz-de-conta" vai liberar os US$ 732 milhões para a ampliação do metrô de Caracas, já que os baianos esperam pelo “bondinho” há mais de dez anos e Salvador está uma verdadeira “carniça esburacada” justamente por causa disso! Depois ainda me chamam de dono da verdade. Me bata um abacate, não é "psico" Lucas Seixas?
montagens nas fotos de Fernando Vivas: Andréa C/Pé na Cova

SHOW “DE GRÁTIS” DA MARIENE DE CASTRO

Por Elenilson Nascimento
A cantora baiana Mariene de Castro (*que lembra muito Clara Nunes) faz do samba, que é o mais típico ritmo brasileiro, sua arte com tanta dedicação que chega a emocionar. Ela tem uma forte ligação com o Candomblé, pois é filha de santo e aproveita dessa benção – e da fonte – para fazer samba de roda de qualidade. Samba de roda é uma variante musical mais primitiva do samba, originário da Bahia, provavelmente do século XIX. É um estilo musical tradicional afro-brasileiro, associado a uma dança, que por sua vez está associada à capoeira. É tocado por um conjunto de pandeiro, atabaque, berimbau, viola e chocalho, acompanhado por canto e palmas.
E, mais do que necessário, Mariene de Castro faz um show de pré-lançamento do seu segundo CD, “Santo de Casa”, neste sábado, 30/05, na Praça Pedro Arcanjo, no Centro Histórico da capital baiana. E o melhor: a apresentação tem entrada franca e está programada para começar às 20h.
O novo álbum da cantora, que está há 15 anos na estrada (*não sei como ela tem 15 anos de carreira se ela é tão novinha) e foca seu trabalho no resgate e valorização da cultura popular, foi gravado ao vivo na Sala Principal do Teatro Castro Alves e conta com 13 faixas, um conjunto de canções de domínio público que Mariene aprendeu com uma tia de Santo Amaro, “Falsa Baiana” e "Chico e Chica", além de outras.
O repertório do show, no entanto, não vai se limitar às canções do mais recente CD, que, inclusive, tem o mesmo nome do seu projeto de shows de verão intitulado “Santo de Casa”. Mariene também vai levar para o público outras canções que fazem parte do seu trabalho, como “Abre Caminho”, “Ilha de Maré”, “Falsa Baiana”, “Vi Mamãe na Areia” e “Samba de Terreiro”, além de outras. Por tanto, um bom programa pra que está em Salvador. fotos: divulgação

quinta-feira, 28 de maio de 2009

PROFESSORES REPROVADOS

“Milhares de professores não têm diploma adequado, e só agora o MEC descobriu isso. Que piada viu!”
Por Elenilson Nascimento
Quando eu escrevi a minha monografia numa pós-graduação na UNEB (*que até hoje me pergunto para que me serviu) o tema foi: o câncer da educação – onde descrevi que o problema todo está na formação de professores – fui muito criticado e tachado de temperamental e antiético, porém, não mudei uma só vírgula no texto. Não acredito mais na educação porque não acredito nos profissionais envolvidos no processo. Existe muito ego e muita mentira submersos na “latrina” chamada educação e recentemente os interesses corporativos voltaram a tumultuar, por exemplo, o funcionamento da rede municipal em Salvador, levando a uma paralisação que completou hoje, 28/05, o seu segundo dia.
Historicamente, professores ganham muito pouco, são mal preparados, vivem correndo de uma escola para outra para tentar aumentar o salário e atendem várias turmas o dia todo. Isso tudo faz parte de uma imagem recorrente das agruras do ensino brasileiro. No entanto, segundo o primeiro censo completo do professor, que será apresentado hoje pelo Ministério da Educação, revela uma situação bem diferente. Mais de 380 mil professores não poderiam estar dando aula porque não têm diploma adequado. E o despreparo se reflete na qualidade do ensino.
De acordo com o tal estudo, 80,9% dos docentes brasileiros trabalham em apenas uma escola, mais de 60% lecionam em um turno e quase 40% são responsáveis por somente uma turma. No total são pouco mais de 1,882 milhão de professores no ensino básico (*que vai da creche ao médio), dos quais 309 mil são de escolas particulares. O levantamento é o primeiro feito depois que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) implantou o EducaCenso – sistema "fabricado" em que cada aluno e professor é identificado e tem seus dados individuais acrescentados eletronicamente. Com isso, só agora foi possível o MEC ter os dados de cada docente e onde trabalha.
Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, do conforto do seu gabinete: “Existia aquela ideia de que havia um contingente enorme de professores com um, dois, três vínculos empregatícios, o que não é verdade". Ele só desconhece que pode até ser que muitos professores não lecionam em duas ou três escolas, mas que, com certeza, executam outras atividades para sobreviverem. No total, a rede pública de Salvador, por exemplo, necessita de 230 mil docentes e, como só há 130 mil concursados, são contratados mais de 100 mil professores temporários. Este ano, para preencher as 100 mil vagas, a inteligência da Secretaria Estadual da Educação da Bahia – ou a sucursal do inferno – já realizou dois concursos, para o qual se inscreveram mais de 214 mil candidatos – entre eles a quase totalidade dos antigos professores temporários. Mas a realidade pode ser bem pior: o levantamento do MEC se baseia em diplomas. E o diploma é um indicador muito relativo.
FORMAÇÃO PRECÁRIA – E ainda, segundo o Ministério da Educação, dependendo do nível de ensino, o número de professores sem formação adequada varia de 10% a quase 30%. A maioria tem algum tipo de formação, mas ela não é própria para o que está ensinando. O relatório do censo só esqueceu de dizer que as faculdades de educação, por mais que façam propagandas maravilhosas na TV, não estão preparando os futuros professores nem para bater carimbo em instituições do governo.
No Brasil, por mais estranho que possa parecer, 15.963 docentes (*menos de 1% do total) cursou apenas o ensino fundamental. A maioria deles, 5.515, está dando aulas para 1ª a 4ª séries. No entanto, 441 estão ensinando para alunos do médio, nível que eles nem chegaram a cursar. Existem ainda 103.341 professores com o ensino médio completo, mas sem magistério, e outros 127.877 com curso superior, sem licenciatura. Pelos dados do censo, quase 70% dos professores da educação básica têm curso superior, 90% deles com licenciatura. Mas, mesmo com uma licenciatura, isso não garante uma qualidade no ensino nas salas de aula. E são justamente esses níveis de ensino que apresentam a pior qualidade nas avaliações nacionais, como a Prova Brasil.
A explicação, só agora diz o ministro da Educação, é um misto de formação ruim – nem todo diploma significa uma boa graduação. Grande novidade, senhor ministro! No entanto, esse aluno mal formado também passa por professores com formação considerada adequada: 54,9% têm curso superior, a maioria em Pedagogia. Outros 32,4% têm magistério de nível médio, ainda aceita pela legislação. O ministro Haddad ainda admitiu que a atual formação nos cursos de graduação - especialmente na Pedagogia - deixa a desejar, daí a necessidade de mudar o currículo, como está sendo planejado.
O ministério também quer melhorar a situação dos docentes que estão em sala de aula, mas não têm a formação necessária para dar aulas. Mas para a presidente do sindicato dos professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, o censo não retrata totalmente as situação do ensino, isso porque não é possível fazer o recorte das grandes cidades. "Dizer que mais de 80% dos professores trabalham em uma só escola pode ser verdadeiro como média ou em muitos lugares, mas para mim não reflete a realidade da cidade de São Paulo", afirma.
Porém, a maioria do corpo docente brasileiro não tem compromisso com o próprio ganha pão, não se assume como "um tradicional ativista da contestação", deixa bem claro que nunca foi sindicalizado (*que sindicato?), não integra os pouquíssimos movimentos de professores (*você já observou a quantidade de professores nas ruas quando acontece greve no seu estado?), não entra na luta de rua para que a educação possa ser, neste momento, "a arma política por excelência deste Governo de faz-de-conta". E, o pior de tudo, o uso das escolas como locais para uma despudorada pré-campanha eleitoral é algo que choca qualquer observador neutro, quanto mais aqueles que nela trabalham. Mas, professores não tem opinião sobre nada, aliás, não se interessam nem por se manterem politicamente ativos. Quando nem os professores conseguem tirar uma nota razoável numa prova fabricada pelo governo é porque a educação está mesmo em petição de miséria. No último exame para avaliar os professores, nem metade dos avaliados conseguiu passar no teste. Pior: mais de 1.500 professores tiraram zero. Isso mesmo, não acertaram nenhuma questão. Como é que eles podem ensinar alguma coisa aos estudantes?
Neste ano não tem mais jeito. Esse pessoal desqualificado vai continuar nos colégios. A Justiça (*cega, como sempre) já decidiu que a nota da prova não pode ser usada como critério para decidir quem vai dar aulas e onde. O negócio agora é ficar de olho no ano que vem. Todos os professores deveriam fazer a prova, não só os temporários pelo REDA. Quem não souber a matéria não deveria dar aulas. Caso contrário, a escola não vai servir para grande coisa.
>>> Veja mais dados do censo e detalhes do perfil do professor brasileiro.
>>> E para o jornalista Alexandre Garcia, temos que inverter o círculo vicioso que parece ter sido mantido pelos que veem a educação como um perigo. Confira o vídeo abaixo:

fotos: Blog Gestavea Caminhando

quarta-feira, 27 de maio de 2009

TER 18 ANOS NA CIDADE GRANDE

Por Bárbara Pina
A jovem paulistana Bárbara Pina ainda não se encontrou - nem na vida, nem na profissão. De estável, apenas a vida familiar. Moradora da periferia e se equilibrando entre um cursinho pré-vestibular e o primeiro emprego, Bárbara está em trânsito. Ela trafega entre a adolescência que vai ficando para trás e o mundo adulto do seu futuro. Sempre em companhia do mp3, é claro. Nisso, ela retrata toda uma geração.
>>> CLIQUE AQUI e leia mais.
fonte: Piauí.
foto: Engberto Nogueira

terça-feira, 26 de maio de 2009

ANJOS E DEMÔNIOS

“Por vários momentos vi os meus cartões postais do Vaticano ilustrados na tela e isso me agradou demais, principalmente se você é como eu e o máximo de exterior que conhece é o Paraguai pelo Jornal Nacional.”
Por Elenilson Nascimento
Terra! Ar! Água! Fogo! Prometi para mim mesmo que quando o filme “Anjos e Demônios” estreasse eu não colocaria os meus pés no cinema, nem compraria DVD pirata, tudo devido a péssima impressão que o anterior da série(?) “O Código DaVinci” me deixou. Eu detestei “O Código...” e me recuso a devorar o livro, mas, ao contrário do primeiro, eu adorei – bem, adorar é um exagero – “Anjos e...” e vou ter que tomar vergonha na cara e financiar a leitura desse livro que espero baixe logo o preço. E se você é uma das dez pessoas do planeta que não assistiu ao filme “Anjos e...”, vamos lá:
É um filme em minha modesta opinião 1000% melhor que o “O Código...” que, por mais absurdo que possa parecer, transforma os telespectadores em especialistas em sucessão papal e que ainda introduz ao mundo o termo “camerlengo”. Achei que fosse mais fácil escrever a resenha aqui na LITERATURA CLANDESTINA, mas depois de quase três horas de sessão (*nem fique assustado, você nem sente, mas leve um lanchinho), vi que a tarefa seria complicada…Além de mim e uma senhora que roncava duas fileiras antes da minha, somente mais três pessoas estavam na sessão, resultado do mundo globalizado do “baixar tudo pirateado” pela internet e de “comprar cópia de péssima qualidade” no camelô mais próximo de você. Mais ainda bato o pé: nada substitui uma tarde no cinema! Exagero viu, tem uma coisa que substitui sim, mas só depois da tarde no cinema.
A TRAMA - No filme um papa morre, os candidatos favoritos para a sucessão são sequestrados pelos Illuminati (*uma antiga e até então extinta ordem secreta, que foi uma das muitas seitas perseguidas pela Igreja Católica na Idade Média e que estaria agora buscando vingança). Os Illuminati defendiam a ciência no lugar da religião, e no filme roubam um frasco de antimatéria para explodir o Vaticano. E sabe que achei até uma boa ideia? Explodir aquela p... com aqueles p... todos lá dentro!
Bom, o filme “Anjos e...” acerta onde O Código...” errou. Este primeiro pecava pelo excesso de texto e na falta de ritmo, muitas vezes resumida descaradamente, o que me fez desistir de qualquer coisa ligada ao Dan Brown. Mas mesmo assim (*e com um final alternativo no DVD) muitos consideraram um bom filme, pois se propunha a adaptar uma obra de sucesso, não transcrevê-la na íntegra.
“Anjos e...” tem a fórmula reversa, caprichando demais nas cenas de ação muito bem ensaiadas (*eu adorei, coisa que anda em falta nos filmes de Hollywood) e deixando de lado o principal: os mistérios dos sinais e o peso da trama. Não senti a pressão do relógio para salvar os cardeais, por exemplo. Mas adoraria se o diretor deixasse a vaca ir para o brejo! O ritmo lento do “O Código” não se repete aqui, porém, o ritmo frenético deste me incomodou um pouco (*fiquei meio grogue), levando em conta que as cenas de ação acontecem uma após outra e ao que parece foram ao menos quatro clímax seguidos e as cenas de respiro entre elas não me soaram suficientes.
A TRAMA DENTRO DA TRAMA - Pelo o que eu conferi, muitas alterações na história foram feitas no enredo, que dividiram opiniões, mas que não comprometeram a obra em si. E novamente lembro que o filme se trata de uma adaptação. Fãs xiitas devem ir aos cinemas justamente com a mente aberta e pensando neste sentido – o que eu acho um pouco difícil. Como eu não tinha todos os detalhes da trama frescos na memória, o filme foi uma boa diversão.
Por vários momentos vi os meus cartões postais do Vaticano ilustrados na tela e isso me agradou demais, principalmente se você é como eu e o máximo de exterior que conhece é o Paraguai pelo Jornal Nacional. Tom Hanks novamente está no filme, lógico, mas não é o Tom Hanks dos épicos “Forrest Gump”, “Náufrago”, “Espera de Um Milagre” ou outro grande filme. Me pareceu um Tom Hanks de plástico em certos momentos…
E como a Polícia do Vaticano e a Guarda Suiça são impotentes para resolver o caso, chamam Robert Tom Hanks Langdon, simbologista e detetive particular, que depois do “O Código...” virou persona non grata no Vaticano. Mas partindo daí o modelo Dan Brown volta novamente: uma mocinha que é só adereço de cena, um assassino oculto, uma conspiração dentro da conspiração… mas quer saber? Dessa vez fizeram a p... direito.
CIÊNCIA VS RELIGIÃO – O filme começa com cientistas no LHC em um experimento secreto tentando criar antimatéria. Nessa hora eu pensei que estivesse errado de filme, pensei estar assistindo algum filme HQ. Mas aparentemente esses cientistas são tão avançados que esqueceram das Leis da Termodinâmica (*aprendi um pouco no Cursinho, pois na Escola os professores não tiveram tempo).
Por outro lado, a adaptação continua verborrágica ao extremo (e não vejo aqui outra maneira de mostrar as conspirações da trama senão nos diálogos de seus personagens). Tom Hanks continua “mecânico”, sendo ofuscado pelos seus colegas de elenco. O excelente ator Ewan McGregor (foto abaixo), um dos nomes mais cotados na indústria de Hollywood, seja para grandes (“Star Wars: Episódio III” e “Moulin Rouge”) ou minúsculas produções (“A Ilha” e “Cova Rasa”) entra pra se divertir no papel do Carmelengo (*quem o imaginaria como um padre após assistir “Trainspotting”?) e acabou dando um banho. Adorei aquela cena em que ele joga um líquido no corpo e depois toca fogo. Pensei que o Lula deveria se inspirar nela. Mas o filme funciona, mais do que esperava. Possui locações belíssimas, fotografia inspirada e uma edição competente, entremeada por uma ótima seleção para a trilha de Hans Zimmer (“Cavaleiro das Trevas”), só aí já valeu o valor do ingresso – se bem que eu ganhei o meu.
TRADIÇÃO É TUDO – “Anjos e...” foi condenado pelo Vaticano antes mesmo de estrear nos cinemas: a Santa Sé aconselhou um boicote à produção – o que eu acho que deve ter sido uma jogada de marketing. Essa é a sequência de uma briga que começou em 2006, com o lançamento do "O Código..." que, conforme fonte, irritou a super-sensível igreja porque sugeria a hipótese de que Madalena e JesusCLIQUE AQUI – teriam tido uma filha. Isso deveria gerar protestos, cientistas ameaçando boicotar o filme, ameaças, certo?
Um dos efeitos interessantes e inusitados do filme é que deixa o espectador (*nem todos) com um respeito pela Igreja. A Tradição, os Rituais, dá pra entender porque sobreviveram por mais de 2000 anos como instituição. É mais ou menos como o Judaísmo, embora no caso todos os membros preservem ativamente a cultura e os rituais, já com os católicos um monte de gente se diz seguidor, mas nem lembra que papa veio antes de João Paulo II. As Tradições ficam a cargo do Alto Clero.
AS LOCAÇÕES – No filme, o diretor não pôde filmar dentro do Vaticano, nem nas igrejas, e a autorização para filmagem nas ruas de Roma foi tão limitada que o diretor usou o que ele chama de técnica de guerrilha: ataques rápidos e sem falhas. Mas tudo ficou tão eficiente que não poderia ter ficado melhor. O Tom Hanks lembrou numa entrevista que, no único dia em que eles poderiam filmar em frente a uma igreja, havia um casamento programado por lá. Como resultado, a noiva teve uma surpresa inesquecível.
O resultado final ficou com um filme bem mais ágil. As resoluções dos enigmas estão mais bem-feitas, Tom Hanks não dá uma de Mister M e não puxa da cartola resposta pra tudo, em compensação está mais sem graça do que nunca. Mas o filme é iluminado. Parece que descobriram que filmar em uma das mais belas cidades do mundo e só mostrar imagens noturnas e/ou de interiores é meio… desperdício.
Embora a ideia não deixe de me agradar, o filme faz com que fique claro a perda que tal explosão causaria. As igrejas são lindas, as estátuas magníficas. Se uma coisa de bom posso dizer da Igreja Católica é que não só pensam a longo prazo como possuem um magnífico senso estético, completamente ausente do bispo Edir Macedo e seus templos tenebrosamente feios e da galera do mal das Igrejas Renascer.
MELHOR CENA PRA MIM – Em minha incrível objetividade jornalística entrei no cinema decidido que UMA cena determinaria se o filme era bom ou não: quando Robert Tom Hanks Langdon consegue o acesso aos Arquivos do Vaticano (foto ao lado). Dá até pra sentir a respiração de prazer (*quase sexual) do Langdon parando, quando ele vê quilômetros de corredores repletos de tesouros históricos, livros não-abertos em centenas de anos, cópias únicas e inestimáveis de autores da antiguidade… a inveja ali foi imensa. Adoraria passar algumas dezenas de anos naqueles arquivos.
Desta vez o diretor parou de tratar o modelo Dan Brown de escrever sobre as Escrituras Sagradas e resolveu, sem dó, agilizar a trama fazendo algo impensável em Hollywood: adaptou uma cena de ação para que ficasse menos mentirosa (*a cena do cara caindo do céu de pára-quedas).
CONCLUSÃO – “Anjos e Demônios” vai mudar a História do Cinema? Não. Isso quer dizer que é ruim? Não. O filme é bom. Achei bem acima do “correto”, em alguns momentos ele empolga, principalmente nas cenas de ação com as músicas de Hans Zimmer. Robert Tom Hanks Langdon solta suas informações enciclopédicas sem ser chato, coisa que me irritou muito nos livros de Jô Soares. Ele também faz as piadinhas corretas no timing correto.
O filme é uma agradável mudança de cenário das perseguições em Los Angeles e dos tiroteios em New York, as duas únicas cidades dos Estados Unidos. Vale o ingresso. Resta esperar que finalmente acertem a mão em “The Lost Symbol” (*próximo livro do autor que irá virar filme) os produtores acertem a dosagem. Sim! Dependendo da bilheteria haverá um terceiro longa. O balança no final é positivo. Li várias críticas a respeito e serei benevolente. Não é o filme do ano, mas está longe de ser ignorado. Vai valer a meia entrada!
fotos: divulgação

segunda-feira, 25 de maio de 2009

VIVA O PALAVRÃO, A CERVEJA E O FUTEBOL!

*O sempre excelente Marcelo Tas escreveu no seu blog:
Dercy Gonçalves foi um símbolo de dignidade e respeito. E falava muito palavrão. Betinho, o idealizador da Campanha da Fome, foi um símbolo de dignidade e respeito. E adorava uma cervejinha. Em pleno 2009, palavrão e cerveja são demonizados como se fossem as causas da miséria, da corrupção e até mesmo da unha encravada. Como se dizia antigamente, mas que caretice!
Recentemente, fiquei chateado com a crucificação de Ronaldo por fazer propaganda da cerveja Brahma. Um colunista da Folha, o meu amigo José Roberto Torero, chegou a acusá-lo de fazer uma ligação pecaminosa entre "cerveja e futebol". Ora, meu caro Torero, será que vou ter que contar pros seus leitores das louras geladas que já tomamos juntos vendo nosso Santos brilhar nos gramados? Pelamordedeus, gente! Os tempos já são difíceis, re
cheados de hipocrisia e confusão galopantes... Será que precisamos contribuir para esta fogueira de paranóias demonizando o palavrão e a cervejinha no futebol?
Já estava desanimando, quando hoje, aparece o rom
ântico Xico Sá, com sua pena afiada para jogar luz nas trevas da caretice desenfreada. Com muito jeito e elegância, Xico aborda o episódio dos palavrões e "sexualidades" (ó, a sexualidade nos livros, vamos queimar tudo: Plínio Marcos, Nelson Rodrigues e até Shakespeare...) no livro adotado pela Secretaria da Educação de São Paulo.
Pensa-se a escola com a mesma cabeça do tempo que o professor era a ÚNICA fonte de informação dos alunos. Assim, é atribuído ao livrinho de
quadrinhos poderes destruidores. Como se fosse ele, não o eterno blablablá dos políticos e o raquítico estado da Educação no país, o responsável pela criação de uma nova geração de deliquentes. Discernimento, gente, discernimento! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa! Caretas de plantão: vão pentear macacos! Puta que pariu, gente! Quem nunca falou um palavrãzinho na vida que atire a primeira pedra, caralho!"
>>> E agora não deixem de ler abaixo a preciosidade de Xico Sá, publicada hoje na “Folha de S. Paulo”:

QUEM TEM MEDO DE PALAVRÃO?
”Ele é uma bênção no futebol, na literatura, na topada, no desafogo, no pânico, no trânsito de SP. E na cama...”

Por Xico Sá *
AMIGO TORCEDOR , amigo secador, em uma ida ao campo de futebol o homem diz mais palavrões do que nos gritos e sussurros de alcova durante a sua vida inteira. Não é diferente no sofá de casa, e o mesmo acontece com os técnicos, os digníssimos professores, e com os boleiros, mesmo os santinhos do pau oco e os sonsos atletas de Cristo.
Em uma pelada, mesmo de criança, fala-se mais palavrões do que na última casa de tolerância da Vila Mimosa. Como me disse uma noite a Tia Olga, madame responsável pela iniciação sexual de muitos garotos de São Paulo, todo homem ao chegar ao baixo meretrício ganha ar solene, circunspecto, grave, respeitoso. É no futebol que a criatura, antes da chamada fase oral canibalística, manifesta-se um marquês de Sade.
As histórias em quadrinhos do livro "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol" (ed. Via Lettera) são fichinhas, café pequeno, Zibia Gasparetto, padre Zezinho, uma Bíblia diante de um menino de nove anos e sua turma atrás da bola. Cito o tal livro devido à sua adoção seguida de banimento em escolas estaduais paulistas, como vimos nesta Folha. Não julgo quem o acolheu nem quem o demonizou. Não tenho ciência pedagógica para a valiosa tarefa, mas duvido de que o referido conteúdo fosse espantar alguém que já bateu uma pelada.
Sim, pode ser inadequado, no sentido moral e cívico, para a faixa etária do ensino básico, mas a gurizada iria se divertir e se interessar mais pela leitura do que sob a palmatória da chatice bilaquiana ou alencarina. "Última flor do Lácio, inculta e bela,/ És, a um tempo, esplendor e sepultura;/ Ouro nativo, que na ganga impura/ A bruta mina entre os cascalhos vela..." E dá-lhe Bilac na rapaziada.
Aqui em casa eu prefiro o time que contou as inocentes historinhas do "Dez na Área": Allan Sieber, Caco Galhardo, Custódio, Fábio Moon e Gabriel Ba, Fabio Zimbres, Lelis, Leonardo, Maringoni, Osvaldo Pavanelli e Emílio, Samuel Casal e Spacca. Tem ainda o Karmo, na posição de gandula.
Noves fora o quiprocó pedagógico, é mesmo um belo livro sobre futebol. Como diz o genial Tostão no prefácio: "Faltava uma obra como essa para crianças e adultos". A maldade do palavrão está na cabeça de quem o condena. O palavrão é bênção divina no futebol, na literatura, no desafogo, na topada, no pânico, no trânsito. E na cama.
Agora lembrei de uma fala de Ronaldo na sabatina da Folha. "Ele [Ronald] é uma criança doce, que não fala palavrão, é educado. É praticamente um europeu", disse ele, sobre o filho que vive na Europa. Mal sabe o Fenômeno que o acervo de palavras cabeludas de muitos países de lá é infinitamente mais rico do que o nosso, como lembra o sociólogo Gilberto Freyre no prefácio do "Dicionário do Palavrão", obra do pernambucano Mário Souto Maior (ed. Record).
A versão alemã de livro do gênero, que inspirou a edição brasileira, tem 9.000 verbetes. O volume nacional ficou em um terço dessa maçaroca. Na França e na Espanha, puta madre, nem se fala. Coisa de botar no chinelo a "Mesa-redonda sexo-futebol debate!", a sensacional história narrada pelo Caco Galhardo que fecha o "Dez na Área...".
*Contato com o Xico Sá: xico.folha@uol.com.br
fonte: Blog do Tas

AGUARRAZ ESTREIA NA MTV!

Por Elenilson Nascimento
O grupo Aguarraz está prestes a dar mais um passo importante na carreira. Com apenas três anos de estrada, a banda pop baiana acabou de emplacar seu primeiro videoclipe na programação da MTV, hoje, 24/05. Mas o lançamento oficial do primeiro disco do grupo, "O Mundo Gira ao Seu Redor", se deu também em justa adequação ao objetivo de fazer com o que o trabalho da banda alcance limites crescentes e sólidos, além de estar inserido no modelo democrático em que a música é hoje difundida – o álbum já foi apresentado virtualmente e todas as suas doze faixas estão disponíveis para download gratuito. O CD "O Mundo Gira ao Seu Redor" pode, portanto, ser conhecido por todos através do link – CLIQUE AQUI –, ou pelo redirecionamento feito pelo site do grupo – CLIQUE AQUI.
Roberta Simões (voz e violão) e René Pedro (voz e violão) estiveram no estúdio da Rádio Metrópole (Salvador-BA) com os apresentadores Érica Saraiva e João Carlos Sampaio (*que está me “enrolando” numa suposta entrevista para a LC) do “Programa Circulando” (foto ao lado) na última sexta feira, 22/05, e contaram um pouco sobe a sua trajetória.
O Aguarraz, formado além dos já citados Roberta e René, de Rodrigo Fróes (baixo), assinou contrato com o iMusica, site de música da operadora de celular Claro, concedendo direito à empresa de distribuir as canções do álbum de estreia, lançado em novembro passado.
Além da venda autorizada pelo site da Claro no Brasil, o licenciamento e sublicenciamento ainda permitem o acesso ao conteúdo por diversos parceiros da empresa, inclusive pelas outras companhias de telefonia celular do país. Depois disso tudo, você pode conferir o vídeo no MTV Overdrive, mas a gente já rola trechos de uma entrevista no péssimo programa “Fala Bahia” (TV Salvador), confira abaixo:

foto 1: divulgação
foto 2: Programa Circulando

domingo, 24 de maio de 2009

CRIANÇA DE PROVETA DE ESTÚDIO

“Literalmente adestrada dentro de estúdios desde os três anos, agora aos sete anos recém completados na última sexta-feira, Maísa não consegue mais ser vista tão somente com graça pelo público.”
Por Malu Fontes*
Ela completou sete anos de idade na última sexta-feira e passou os últimos quatro anos dentro de estúdios de televisão sendo adestrada para ser uma estrela mirim, ou seja, mais da metade de sua vida ainda tão curtinha, entre a Rede Record e o Sistema de Televisão Brasileiro (SBT). Nos últimos dois anos, tornou-se um fenômeno, a grande estrela eleita por Sílvio Santos para enfrentar a concorrência, desde que deu um drible em Raul Gil, de quem a menina era assistente de palco desde os três anos de idade na Record e a travestiu de uma versão tupiniquim de Shirley Temple, a garota prodígio que encantou os americanos e caiu no anonimato tão logo cresceu.
Inicialmente, os telespectadores mais adocicados que não podem ver um rostinho infantil e gracioso na TV ficaram embasbacados com aquela criança vestida de princesinha, com vestidos infantis à moda clássica, cachinhos românticos impecáveis e sapatos de verniz. Tudo bem que o SBT, assim que surrupiou a menina da emissora concorrente tratou logo de repaginá-la. Deu uma alisadinha básica nos cabelos, antes um pouco mais crespos, aplicou um baby liss nada discreto para deixar os inocentes cachos artificiais com aparência de naturais e, sim, não livrou a menina de umas camadinhas de tinta de cabelo, deixando as madeixas mais escuras que o castanho mais claro original.
CRUEL - Entretanto, mais recentemente, o que era depositado na conta da graciosidade, da espontaneidade da menina ou do seu talento para fazer rir com sua inocência vem se transformando em desconforto para os telespectadores mais atentos à preservação do bem estar psíquico das crianças, em críticas por parte dos mais conservadores e em manifestações de repúdios e ameaças de intervenção por parte do Ministério Público. Literalmente adestrada dentro de estúdios desde os três anos, agora aos sete anos recém completados na última sexta-feira, Maísa não consegue mais ser vista tão somente com graça pelo público.
Se para alguns ela é uma menina espontânea que diz o que lhe vem na telha, graças à falta de censura que é típica das crianças, o fato é que a televisão é cruel, amplifica tudo e já há telespectadores que a vêm como voluntariosa em excesso, sem limites e, em bom Português, mal educada, deformada pelos adestramentos inerentes ao ritmo industrial da televisão, associados à incapacidade de uma criança desenvolver-se de modo saudável tendo ingressado tão cedo e com tamanha assiduidade no mundo de câmeras, luzes e ação, onde tudo é encenação.
ÂNUS E ANOS - Quanto ao patrão, Sílvio Santos, a condescendência do público vem passando cada vez mais longe quando se trata de analisar os modos como ele trata a menina. Para muitos, trata-se de um apresentador perverso que, em nome dos seus mantras (Quem Quer Dinheiro e Tudo por Dinheiro), vem errando cada vez mais na mão a ponto de submeter Maísa a perguntas e respostas constrangedoras e a fazê-la chorar mais de uma vez em programas recentes. Em um deles, deixou a menina apavorada ao fantasiar um garoto de monstro visando assustá-la. Ao vê-la em pânico e com o choro evidente, passou a gargalhar chamando-a de chorona, medrosa, covarde e cagona (sic), fazendo-a chorar ainda mais e correr para os bastidores se estabanando contra uma câmera.
Em outro programa, prendeu a menina numa mala, fechou o zíper e saiu arrastando-a pelo palco gargalhando enquanto se ouvia na TV os gritos abafados: ‘tá doendo, tá doendo, tá doendo!’ Numa resposta mais do que imprópria para a faixa etária de Maísa, então com seis anos (e mesmo que tivesse 10), quando esta lhe perguntou quantos anos ele tinha, Sílvio Santos achou que poderia fazer uma piada de mau gosto, dessas de quinta categoria tratando-se de uma criança. Respondeu: que eu saiba, só tenho um (numa referência à palavra ânus ao invés de anos). A Shirley Temple (foto ao lado) do SBT não entendeu, protegida ainda por sua inocência infantil. Diante de cenas dessa natureza, surge um segundo tipo de avaliação da performance do dono do SBT: deve estar caducando.
PERUCA - A menina, depois de quatro anos em treinamento intensivo para ser endiabrada de estúdio em estúdio, não deixa por menos. Anuncia que vai soltar pum com a mesma naturalidade de quem diz estar com sede, diz que precisa tirar a borda da calcinha de dentro do bumbum e, talvez em um ato de vingança merecida, puxou em pleno programa a peruca do patrão (segredo ingenuamente guardado a sete chaves, pois Deus e o mundo sempre souberam que há muito os cabelos do dono do SBT são tão naturais quanto as cerdas das escovas de cabelo). Num programa recente, chamou o patrão de “velho acabado” e de dormir, ele e a mulher, no formol. Uma de suas falas antológicas, no ar, sobre o patrão foi nos seguintes termos: “você é um chato horroroso. Seu velho, sua pele está caindo aos pedaços”. Santos argumentou sem graça que tinha a pele lisinha. Maísa retrucou: “Também, você fez cirurgia!”. E a hipocrisia nacional se regozija sem saber dos seus próprios valores. Se uma professorinha do cafundó coloca uma criança endiabrada de castigo, vai presa por conta do Estatuto da Criança e do Adolescente e todo mundo aplaude. Já Sílvio Santos, tranca Maísa em mala, chama-a de covarde e cagona, coloca-a para chorar de susto, a põe de castigo e a turba gargalha.*Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. Contato: maluzes@gmail.com
>>> Leia mais sobre a Maísa em VACA É SUA MÃE, SILVIO!
fotos: divulgação

sábado, 23 de maio de 2009

"AS BANCAS DE REVISTA ME ENCHEM DE ALEGRIA E PREGUIÇA. QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"

Olha só o que saiu no blog “Universo Bloguístico”CLIQUE AQUI – da Isa Lorena (Salvador-BA):
“O blog tem cara de site. É massa. Bem estruturado, bem escrito, com informações legais. Afinal, "ARTE é um dispositivo revelador para entendermos o nosso presente, pois pensar cansa, mas é muito bom!". Quem faz o Literatura Clandestina é o ex-professor de literatura e escritor baiano Elenilson Nascimento. (...) Encontrei o blog por acaso e desde então não paro de ler... muito bom, o cara é um crítico voraz e tem respostas na ponta da língua. Adoro o seu tom sarcástico sem perder a seriedade. E o melhor: o cara é baiano.”
fonte: Universo Bloguístico

HUMOR A CONTA-GOTAS

Faz algum tempo que o “Casseta & Planeta” faz jejum de bom humor. É compreensível. Não deve ser nada fácil fazer rir a platéia abobalhada de uma terça-feira à noite com aquelas repetidas anedotas sobre homossexuais, gaúchos, argentinos, bebuns e gostosonas. De mais a mais, os Cassetas tiveram de aceitar o inesperado surgimento de um avantajado concorrente. Na TV Globo, piada por piada, melhor ficar com o “Jornal Nacional”. Para quem começou com veia satírica no palco e no papel, esses quase 30 anos corroeram a mais remota evocação de um non sense original, espontâneo, com a marca registrada do hilário “Monty Python”.
A morte súbita do Bussunda, em 2006, fez o grupo perder muito de sua verve, mas o que conspirou de fato contra os Cassetas foram as mudanças no próprio universo da tevê. Na separação histórica do joio e do trigo, os canais abertos ficaram – as exceções são raras – com o lixo e a mediocridade; a inteligência e a originalidade se exilaram na tevê a cabo e por assinatura. "Casseta & Planeta”, para esta temporada que começou em abril, anunciou novidades contra o marasmo e a mesmice. Buscou, por exemplo, o imediato reforço do casal Angélica e Luciano Huck, queridinhos do broadcasting. Os dois fazem uma ponta no programa de estreia. Angélica e Luciano são capazes de levantar qualquer ibope. Dureza será mantê-lo depois, sem eles.
“O Estadão” antecipou que os Cassetas vão descansar “alguns clássicos” – a exemplo do caricato Seu Creysson – e esquecer os esquetes políticos. “Essa coisa de cercar os caras em Brasília já era”, disse o porta-voz do grupo. “Vamos deixar isso com o CQC, que acha que é inédito.” O “CQC”, que quer ser hoje o que o “Casseta & Planeta” foi no passado, escorrega no trampolim que derrubou seus precursores. Ri dos parlamentares, mas poupa tipos que são igualmente de gargalhar. Este colunista queria ver o "CQC" invadir uma das sessões do Supremo Tribunal Federal. Há tanto ridículo ali quanto numa entrevista daquele deputado do castelo.
fonte: Carta Capital

sexta-feira, 22 de maio de 2009

ELENILSON ENTRE AS MELHORES RESENHAS DA SEMANA

A resenha sobre o livro “Análise da Inteligência de Cristo”, do Augusto Cury, publicada originalmente na LITERATURA CLANDESTINA, no dia 18/05 – CLIQUE AQUI, ficou essa semana entre as melhores no site “Recanto da Letras”.
fonte: Recanto das Letras

quinta-feira, 21 de maio de 2009

AS CONFISSÕES SEXUAIS DE MARIA FRANCISCA

“Analisar uma obra alheia é uma questão muito delicada quando se sabe que o erotismo está associado tanto ao imaginário individual quanto às atividades cerebrais ou manuais (*entendeu?).”
Por Elenilson Nascimento

Em 2006, o escritor inglês Iain Hollingshead ganhou um prêmio literário internacional com seu primeiro romance, “Twenty Something”. Bateu escritores consagrados, como o elusivo americano Thomas Pynchon e o inglês Will Self. A distinção, porém, não veio honrar a estreia literária de Hollingshead. Promovido desde 1993 pela revista “Literary Review”, o prêmio em questão chama-se “Bad Sex” (*sexo ruim). Seu objetivo é distinguir anualmente a cena de sexo mais "bizarra, crua, superficial, de mau gosto e gratuita" em um romance.
A brincadeira, porém, ressalta um dos maiores desafios de um escritor de verdade. Descrever um ato sexual é bem mais difícil (*e, claro, menos prazeroso) do que praticá-lo. No erotismo, os riscos de um fiasco literário são enormes. Um tom acima ou abaixo pode resultar em grosseria ou em puritanismo, em humor sem graça ou em solenidade risível. O escritor que compõe uma sequência erótica terá uma multidão de antecessores espiando por cima do ombro – dos antigos Safo e Ovídio aos modernos Henry Miller e Philip Roth, passando pelos brasileiros Nelson Rodrigues, Jorge Amado e Gregório de Matos. E é muito fácil repetir o que já foi feito milhares de vezes.
Na época, a cena de sexo (*ou de falta de...) de Hollingshead foi muito ironizada pela referência desastrada ao "volume na calça" do personagem masculino. A expressão de fato é ridícula, mas até seria perdoável se o trecho todo não fosse tão convencional. Nada mais batido do que descrever o momento do êxtase como uma explosão. E até eu já escrevi isso, mas percebi há tempo o ridículo que ficaria.
Outra tolice comum aos escritores contemporâneos modernosos é a idéia de que o sexo ainda representa um rompimento de convenções. Por mais que tenham sido reprimidos ao longo da história, o erotismo e a franca pornografia nunca desapareceram. Desbocados como o renascentista italiano Aretino e o já citado barroco brasileiro Gregório de Matos estão bem estabelecidos no cânone literário do erotismo.
Contudo, posso até listar algumas obras com “sexo ruim” que já passaram por minhas mãos: “Apartamento 41” de Nelson Luiz de Carvalho, “O Amante de Lady Chatterley” do inglês D.H. Lawrence, “Sexus” de Henry Miller, “A Casa dos Budas Ditosos” de João Ubaldo Ribeiro, “Emmeline” de Judith Rossner, e agora, para aumentar a lista, “As Confissões Sexuais de Maria Francisca” de Sérgio Mattos. Em contrapartida, algumas obras com “sexo muito bom”: “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e “Capitães da Areia” de Jorge Amado, “O Amante” de Marguerite Duras, “O Leitor” de Bernhard Schlink, todos de Nelson Rodrigues, “Clandestinos” de Elenilson Nascimento e Anna Carvalho, e muitos outros, pois, felizmente, a minha lista é enorme e se tornaria muito enfadonha listar todos aqui.
Sim, livros já causaram escândalo na primeira metade do século passado. Mas buscar o mesmo efeito de choque na era pós-Madonna é um esforço pueril (aliás, muito infantil). O Will Self e principalmente Irvine Welsh ainda tentam, sem sucesso, devo confessar. É curioso notar como Welsh, por exemplo, transforma o sexo em uma experiência grotesca. No Brasil, Jorge Amado é o rei da “putaria”, pois transgrediu investindo no poder liberador do erotismo. Enquanto, Welsh, o autor de “Trainspotting”, quem diria, é uma beata: tem nojo de sexo.
Lendo “As Confissões Sexuais de Maria Francisca” do professor aposentado da UFBA (*só poderia ser), Sérgio Mattos, é que posso ilustrar mais claramente esse post. O livro, a princípio, até que tem uma história interessante, mas cabe aqui a regra: nunca julgue o livro pela capa! Mattos conta a história de Maria Francisca, uma mulher de 30 anos que acredita ser o protótipo da pecadora contemporânea, que usa todas as possíveis técnicas de sedução para conquistar os homens que deseja. “Sou uma mulher moderna. Gosto de dar as ordens no meu negócio. Gosto de tomar decisões e de não depender de nenhuma pessoa. Gosto, principalmente, de fazer sexo sem culpa com quem bem entenda.”
O livro explora o impacto dessa situação, mas peca muito com o excesso dessas confissões. Cheio de palavrões, de figuras baianas estereotipadas, de transas sem nexo, de diálogos totalmente imaturos - o romance não tem nada de ousado e foi todo construído a partir dos diálogos entre um padre, Frei Vicente, e a pecadora. Uma chatice descomunal. O erotismo é deixado de lado e entra aí a pornografia, onde o autor deixou a literatura, sinceramente, não sei! O livro não tem nada de excitante, nada de vanguarda, nada de útil – apenas é um emaranhado de expressões de baixo calão orquestradas por uma personagem confusa.
Numa das passagens, Maria Francisca diz: “Acho que as pessoas são muito hipócritas e sonsas. Fazem de tudo escondido, longe dos curiosos,e ficam, com as caras mais limpas, condenando as pessoas que não escondem suas ações e atitudes”. Mas aí eu pergunto: que interesse teria uma pessoa de ficar relatando suas aventuras sexuais para o mundo? Com exceção dos imbecis da Rede Globo que fazem questão de mostras isso em revistas, eu acho que o que se passa entre quatro paredes deveria continuar por lá.
Se, numa outra época, D.W.Lawrence foi perseguido pela censura inglesa por causa da publicação de “O Amante de Lady Chatterley”, hoje, com a publicação de “As Confissões Sexuais de Maria Francisca”, só podemos concluir que a literatura não anda bem das pernas. Na época da publicação do livro de Lawrence, o autor afirmou que os que atacam o erotismo não passam de hipócritas: “Metade dos grandes poemas, quadros, obras musicais e histórias deste mundo tem uma grandeza no apelo sexual. Em Ticiano ou Renoir, no Cântico de Salomão ou em Jane Eyre, em Mozart ou em Anne Laure, a beleza surge impregnada de apelo sexual...”. Lawrence apontou, enfim, para o grande problema moral do nosso tempo. O povo, moralizado, passou a ser a unidade de medida para definir o que é moral e imoral, erótico e pornográfico. Os moralistas se aproveitam disso como o axioma: vol populi, vox Dei. Mas, fazer pornografia “enlatada” em literatura é subestimar a inteligência dos leitores.
Ao qualificar quase 90% do conteúdo de “As Confissões Sexuais de Maria Francisca” de “ação pornográfica, erótica e obscena”, estou tendo uma reação individual e não estou, de forma alguma, agindo conforme o senso comum (*conforme os vários textos elogiosos referentes ao livro – provavelmente transcritos por “amigos das letras e das aulas na UFBA"). Aí eu pergunto: o livro de Sérgio Mattos é bom porque ele já foi professor universitário ou o bom professor universitário não pode também ter feito um livro medíocre? Resposta: boa literatura no Brasil tem que ter “amigos” bons para divulgar a carniça!
Analisar uma obra alheia é uma questão muito delicada quando se sabe que o erotismo está associado tanto ao imaginário individual quanto às atividades cerebrais ou manuais (*entendeu?). Logo no prólogo o leitor toma conhecimento de tudo o que vai acontecer no decorrer das páginas seguintes. No primeiro capítulo, por exemplo, descobrimos o apetite sexual exagerado de Francisca, a prática do sexo compulsivo (*em nenhum momento se fala em preservativos), e a personagem “comedora de homens” não sabe escolher o momento e o lugar, o parceiro (ou parceira) e faz a coisa acontecer de acordo com os seus próprios desejos, ao ponto de se imaginar como a personagem Lurdinha de uma novela da Globo. Patético.
As experiências no Rio São Francisco são descritas de forma avulsa nas suas andanças pela cidade de Bom Jesus da Lapa, do santuário e dos romeiros, da gruta sagrada e o turismo religioso, das belezas e mistérios do Velho Chico, tenta passar que, apesar das putarias no livro, o autor é muito politizado. Um emaranhado de informações são colocadas de qualquer jeito na história – e viva ao Google – onde os problemas do Rio São Francisco, com direito até a citações de Dom Flávio Cappio, sumiço de peixes e a problemática da transposição do Velho Chico. Tem até explicações sobre a origem do termo “erê” e uma outra personagem que incorpora uma indiscreta entidade do Candomblé.
SEDUÇÃO - No terceiro capítulo o leitor defronta com as técnicas de sedução de Francisca e sua paixão por um médico que fazia palestra sobre cirurgia plástica em Salvador. E, nesse momento, o livro desemboca em explicações sobre cirurgias para aumentar o tamanho do pênis e elucubrações sobre órgãos genitais. Um porre.
A técnica infalível de sedução de Francisca é dignada dos piores filmecos pornôs dos anos 70. Tudo muito amador, devo confessar. Bastou ela olhar, gostou, seduziu, levou para cama. Simples, o poder da mulher é fogo! Até parece! “Gostou do perfume da minha flor, doutor? Ela é assim mesmo, cheirosa e sadia. Eu sei como conservá-la assim e pronta para uso. Espero que o motel não seja longe, pois estou cheia de fogo e toda molhadinha”. Eu acho que nem um dos piores alunos que eu já tive iria escrever uma bobagem dessa. Isso não choca em nada, nem faz rir. É apenas deprimente. O pior mesmo, é quando o autor descreve uma cena bizarra em que Francisca introduz uma cenoura do ânus de um médico (*coisa bem clichê, para não dizer imbecil). O que o senhor escritor (foto acima), principalmente por ter sido professor da UFBA, deveria saber é que, o que nos excita eroticamente não é uma herança permanente e universal de nossa espécie, é limitada pela cultura e pela história pessoal de cada um. Existem poucas verdades eternas na arte e no erotismo. Está tudo na interpretação, como todos sabem, e as interpretações variam. Estilos e gostos são criados, não nascidos. Mas como educação sexual não se aprende nos bancos da UFBA, então deve ser por isso que o autor deve achar que alguém pode fiar excitado com as besteiras que ele escreveu. E o pior de tudo: o cara publicou essa “merda” toda pela Scortecci. Editora que até já publicou coisas minhas, mas sinceramente, estou revendo os meus conceitos de ficar publicando coisas em qualquer lugar.
Apesar de ser uma conquistadora infalível (*ela transa com policial, médico, padre, um pião, fazendeiro e com mulheres), no final do livro ela acaba levando um fora de um de seus amantes (um ex-guerrilheiro de 64, Felipe Castelo, anistiado, que recebe indenização do governo) de quem, por capricho, pretendia ter um filho. O fora abala sua auto-estima e ela resolve buscar ajuda para o seu possível vício de sexo compulsivo. Fazendo o que? Se confessando com um padre! Achei isso totalmente clichê, desnecessário até. E em suas confissões, Francisca passa a limpo sua vida sexual, desde a infância, relatando suas aventuras e conquistas.
Era com o Felipe Castelo que Francisca pretendia ter mais um filho, o terceiro. Foi com esse fora que abalou a auto-estima que ela resolveu buscar ajuda. Mas que tipo de ajuda? Se confessando com um padre absolutamente sem atitudes? Pois é justamente com o sem atitude do Frei Vicente que Francisca passa a limpo a sua vida sexual, desde a infância quando foi vítima de abusos, depois as conquistas, homens, mulheres, todo o zoológico, nada escapava ao seu olhar furtivo, desejoso e lascivo.
Agora pergunto: qual o padre que se disponibilizaria a ficar mais de três dias ouvindo histórias cheias de cópulas? Eu duvido muito. Mas é justamente isso que o autor tenta passar, descrevendo uma sociedade de paixão descafeinada, do açúcar sem açúcar. Eis os tempos modernos? Será mesmo? A felicidade é aqui e agora? Só isso? E lendo o livro, temos a sensação que o futuro, para essa juventude alienada, parece bem distante. O surpreendente nisso tudo é que alguns autores ainda sejam capazes de ter coragem de escrever tantas bobagens. Prova que em matéria de sexo o Sérgio tem muito o que aprender. Uma história sem noção vinda da cabeça de um aposentado. Em suma, o prêmio “Bad Sex”, aliás, deveria ser dado também ao livro de Maria Francisca. (AS CONFISSÕES SEXUAIS DE MARIA FRANCISCA de Sérgio Mattos, 118 págs. São Paulo, 2008 – Scortecci)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

POR TODA A MINHA VIDA

“Mais uma guerra sem razão. Já são tantas as crianças com armas na mão. Mas explicam novamente que a guerra gera empregos e aumenta a produção...” (R.R.)
Por Elenilson Nascimento
No ano passado, a Rede Globo exibiu o programa “Por Toda a Minha Vida”, dramatização baseada em fatos reais sobre a vida e carreira do grande Renato Russo, vocalista do saudoso grupo Legião Urbana, uma das mais importantes bandas de rock do Brasil, que vendeu milhões de discos e arrebatou incontáveis seguidores.
Nesse programa, com uma estrutura que compreende depoimentos de familiares e amigos, dramatização baseada em fatos reais e trechos de shows e reportagens, a direção destacou os momentos mais importantes da vida de Renato Manfredini Júnior – um garoto de classe média, morador da Brasília da segunda metade dos anos 70, dono de uma cultura e inteligência enormes e que, na adolescência, adoeceu durante cerca de um ano e meio, devido a um problema na perna.
“Por Toda a Minha Vida” mostrou a história do cantor desde a infância, na Ilha do Governador, até sua morte, em outubro de 1996, destacando as passagens mais marcantes de sua vida, como a adolescência em Brasília; o contato com o movimento punk; a criação da primeira banda e a formação do Legião Urbana.
Gravaram depoimentos para o programa, os músicos Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá, Phillippe Seabra, Flávio e Fê Lemos; os amigos Denise Bandeira e Fernando Artigas; sua mãe, Maria do Carmo; a irmã Carmem Teresa e o filho Giuliano.
A modelo Fernanda Lima (*nada a ver) foi a apresentadora do programa e esteve na Ilha do Governador, em Brasília e no Circo Voador, no Rio de Janeiro, para gravar nos locais que tiveram representatividade na vida do cantor. No especial, Renato Russo foi vivido pelo excelente ator Bruce Gomlevsky, que há quase um ano interpreta o cantor e compositor no teatro. E, agora, só para os leitores da LITERAURA CLANDESTINA, segue o lick para download (tamanho: 700mb, resolução: 528x384, idioma: Português). Link único para download (*é chatinho para começar a baixar... na parte de baixo tem um link download: tem que clicar umas três vezes... aí aparece a tela de salvar o arquivo):


fonte: Magrelus

A POLÊMICA DO PLAYMO-BÍBLIA

"Mais do que o desrespeito a direitos autorais, o que incomoda a empresa é o fato de os bonecos serem “mutilados” para a criação das cenas."
Por Elenilson Nascimento
Com as recentes polêmicas envolvendo a Igreja Católica (*depois da polêmica despertada por um bispo "lefebvriano" que negou o Holocausto, a última é de um padre da Paraíba, conhecido como Duarte, em torno de um vídeo que caiu na web, em que o sacerdote participa de uma orgia sexual com um casal) e a postura hipócrita/conservadora do papa Bento XVI, era de esperar que um site chamado "Playmo-Bíblia"CLIQUE AQUI, com cenas da Bíblia recriadas pelos bonequinhos Playmobil, não fosse muito bem recebido. Mas foi: o pontífice adorou, afirmando que a iniciativa "facilita o acesso às Escrituras de uma maneira divertida".
O "Playmo-Bíblia" é de um pastor evangélico alemão chamado Markus que há mais de dois anos reproduz cenas bíblicas com bonecos Playmobil e as publica na internet e já despertou a ira da fabricante dos brinquedos, a também alemã Geobra Brandstätter – fabricante dos bonequinhos Playmobil. No mês passado, a empresa entrou em contato com o tal pastor e pediu que ele parasse de citá-la no “Playmo-Bíblia”, e de alterar os bonecos. Mas, a Geobra Brandstätter já afirmou que busca um acordo com o Markus, que publicou em seu site a nota com elogios do papa Bento XVI.
Porém, mais do que o desrespeito a direitos autorais, o que incomoda a empresa é o fato de os bonecos serem “mutilados” para a criação das cenas. Em nota, afirmou que “os braços (dos bonecos) foram deformados para serem pregados a uma cruz”. Além disso, para representar Adão e Eva (foto acima), Markus pintou os bonecos para simular nudez (*mas com as providenciais folhas de parreira). Markus já havia retirado o site do ar, mas com a nova disposição da empresa em colaborar, ele busca alternativas para continuar com seu hobby.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

ANÁLISE DA INTELIGÊNCIA DE CRISTO

"Quem não conheceu a si mesmo não conhece nada, mas quem se conheceu veio a conhecer simultaneamente a profundidade de todas as coisas.”
Por Elenilson Nascimento
Esta frase acima é atribuída a Jesus Cristo. Mas não adianta ir procurá-la na Bíblia. Ela não está em nenhum lugar dos Evangelhos – os únicos relatos "oficiais" da vida do "cara"que a Igreja considera autênticos. E porque será? Muitas coisas da curta passagem de Cristo por essas bandas ainda permanecem obscuras e a Igreja tem toda a culpa nisso, pois usar a religião como fator determinante para a alienação, para a manipulação e para a escravidão intelectual é uma questão primordial para a sobrevivência das Igrejas. E nisso as evangélicas estão sabendo muito bem gerenciar o rebanho. A citação acima faz parte de um outro evangelho – o de Tomé. Também não perca seu tempo procurando por esse livro no Novo Testamento. Não há por lá nenhum evangelho com o nome do mais cético dos apóstolos, aquele que queria "ver para crer".
Acontece que o texto de Tomé existe sim. E é um documento muito antigo - segundo alguns pesquisadores, tão antigo quanto os que estão na manipulada Bíblia. O "Evangelho de Tomé", assim como outras dezenas - ou centenas - de textos semelhantes, foi escrito por alguns dos primeiros cristãos, entre os séculos 1 e 3 da nossa era (*Super Interessante, dez/2004). Ele foi cultuado por muito tempo. Até que, em 325, sob o comando do imperador romano Constantino, a Igreja se reuniu na cidade de Nicéia, na atual Turquia, e definiu que, entre os inúmeros relatos sobre a vinda de Cristo que existiam, só quatro eram "inspirados" pelo filho de Deus - os "evangelhos canônicos". Muito conveniente isso, não é mesmo? Os outros foram chamados de "apócrifos" (*de legitimidade duvidosa). Estes foram proibidos, seus seguidores passaram a ser considerados hereges e muitos foram excomungados, perseguidos, presos. E tudo isso, em nome de Deus.
CRISTO, “O CARA” – No livro “Análise da Inteligência de Cristo”, do Augusto Cury (*que já foi resenhado aqui na LC, com “Nunca Desista de Seus Sonhos”CLIQUE AQUI), uma outra faceta de Cristo é descrita: “Crer ou não em suas palavras é uma questão pessoal, íntima, pois seus pensamentos fogem à investigação cientifica, extrapolam a esfera dos fenômenos observáveis”, comentou o autor. Cury é um avesso a entrevistas. Todavia, o seu sucesso como escritor, talvez se dê justamente por isso: mistério! Já neste livro, o autor demonstra como Cristo – que brilhou na sua inteligência, embora desde a infância tivesse sido castigado pela miséria – foi muito astucioso, mesmo tendo vivido em meio há ladrões, traidores, e várias pessoas que não estariam, segundo a Igreja, nos planos de Deus. Cristo era tão suficiente e sofisticado que, mesmo sabendo sobre seu destino, nunca culpou nem se revoltou com o fato. Admirava e ensinava a todos sobre o amor entre os humanos. Viveu sendo caçado e, porém, nunca se cansou de ajudar o homem a compreender seus erros e procurar desfazê-los. E segundo Cury, para escrever esse livro, teve que “pesquisar até aquilo que estava nas estrelinhas desses textos antigos”.
Cristo, para mim, é uma das figuras mais emblemáticas da história da humanidade e ao mesmo tempo uma das mais apaixonantes. Acho a sua história tão superficial, escabrosa e tão devorada pelos urubus das religiões que, muitas vezes, já cheguei ao ponto de duvidar de muitas coisas – como até hoje duvido. E agora, 2009 anos depois do seu nascimento, sua história continua fazendo um tremendo sucesso. Inspiram filmes milionários (como “Matrix” e a carnificina da “A Paixão de Cristo”) e best sellers (como “O Código Da Vinci” de Dan Brown, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” de SaramagoCLIQUE AQUI , “Os Dez Mandamentos Para o Século XXI” de Fernando SavaterCLIQUE AQUI – e muitos outros). Sua história foi adotada por diversas seitas cristãs (ou não), gerou religiões, deu origem há teorias conspiratórias e é cada vez mais lida por fiéis do mundo todo, inclusive cristãos tradicionais (e não cristãos), que não vêm contradição entre alguns desses textos e a religião que eles seguem.
“Milhões de pessoas conseguem definir as partículas dos átomos que nunca viram, mas não conseguem compreender que a cor da pele, tão perceptível aos olhos não serve de parâmetro para distinguir duas pessoas da mesma espécie que possui o mesmo espetáculo da construção de pensamentos”, disse Cury no livro. E assim, talvez por acidente, algumas ideias dos apócrifos de Cristo sobreviveram ao tempo. E eu encontrei muitas dessas teorias na “Análise da Inteligência de Cristo”. Talvez a principal razão seja o fato de que os textos revelam mais sobre um Jesus mais humano. Um Jesus mais doce e menos pop star, onde os cristãos do mundo têm essa vontade louca de saber mais sobre esse “cara”, ainda que seja através de textos e análises que a Igreja não considera legítimos.
“Ele era tão sofisticado em sua inteligência que fazia psiquiatria e psicologia preventiva quando essas nem ensaiavam existir”. E, em várias partes do livro, Cury traz passagens reveladoras para aqueles que tentam enxergar o homem por trás do Deus criado (*e explorado) pela Igreja. É um Jesus mais humano, em situações mais próximas da vida de homens e mulheres de hoje. Um Jesus que “usava a memória como suporte” para fazer de muitos daqueles seguidores ignorantes uma refinada “casta de pensadores”. Segundo Cury, para Jesus, o mal é o que sai de dentro do ser humano e não o que está fora dele. Se bem que, o Pepeu Gomes já cantou isso também.
Se o cristianismo tradicional ignorava a importância do autoconhecimento, a ideia não é nova para nós, ocidentais do século 21. Freud, no século 19, trouxe para a ciência a ideia de que há algo para ser descoberto dentro de nós mesmos - no caso, o subconsciente - e que esse algo pode nos trazer conforto e felicidade. Coisa que Jesus também pregava. E talvez esteja aí - na herança freudiana - uma das explicações para o sucesso dos apócrifos nos tempos atuais e desse livro de Cury. Contudo, em “Análise da Inteligência de Cristo”, Cury pecou em não ter citado e/ou correlacionado o seu livro com os apócrifos. Muitos apócrifos pregam códigos de conduta menos rígidos que os do cristianismo tradicional. Numa passagem do "Evangelho de Maria Madalena", por exemplo, Cristo diz que "eu não deixei nenhuma ordem senão o que eu lhe ordenei, e eu não lhe dei nenhuma lei, como fez o legislador, para que não seja limitada por ela". Esse trecho parece contrariar a própria autoridade da Igreja. Mas, no livro de Cury, ele escreveu que: “A maneira como ele lidava com as intempéries emocionais, superava as dores da existência, desenvolvia a criatividade e abria as janelas da mente nas situações estressantes e é capaz, ainda hoje, de deixar os adeptos da inteligência emocional pasmados com tanta maturidade”. E eu ainda complemento, tudo isso num cara muito jovem.
No já citado “Evangelho de Tomé", também aparece um Jesus menos dado a imposições, que diz "não façais aquilo que detestais, pois todas as coisas são desveladas aos olhos do Céu". Bem diferente das aulas de catecismo, não? Cury escreveu que “um dos problemas que mais engessa a inteligência é a ditadura do preconceito”. E nisso eu concordo plenamente. Reparem bem, as pessoas mais preconceituosas, narcisistas e egocêntricas são aquelas ligas às religiões. Falo isso com propriedade, pois já trabalhei em colégios religiosos e já tive contato com evangélicos (*que são os piores) e sei muito bem do que estou falando. Se eles lessem e pesquisassem, como tão bem escreveu o Cury, talvez encontrasse a sabedoria. “À medida que adquirimos cultura, começamos a enxergar o mundo de acordo com os preconceitos históricos, ou seja, com os conceitos, paradigmas e parâmetros contidos nessa cultura”. Nada de culpa, portanto. Ele traz apenas charadas que convocam seus leitores a reflexões.
Segundo Cury, as biografias de Jesus evidenciam que ele era uma pessoa aberta e inclusiva. Não classificava as pessoas. Ninguém era indigno de se relacionar com ele, por pior que fosse o seu passado. Mas o que é que as Igrejas pregam? Reparem nas atuais missas e cultos evangélicos (alias, sempre foi assim): quem se encontra perto dos altares, ou seja, mais perto de Deus? São os carentes, os dependentes, ou pecadores? Claro que não.
Para as Igrejas somos apenas uma conta bancária, um título acadêmico, um status social que, além de tudo, eleva o nome de Cristo a semideus e mais nada. Mas, como disse Cury, as biografias de Cristo evidenciam muito mais que isso: que ele era uma pessoa aberta e inclusiva, ao contrário dos religiosos. Cury ainda evidencia que Jesus era mais democrático e menos sexista, mais tolerante e menos autoritário - características que combinam mais com os nossos dias. O livro elimina qualquer culpa e abre caminho para uma fé pessoal, algo que faz sucesso nestes tempos individualistas. Sem falar que ainda deixou uma charmosa aura de mistério, pois esta é uma sociedade que desconfia de qualquer instituição, então dizer que eles foram condenados pela Igreja vira um chamariz e tanto. Deu para entender por que detestar religião está tão na moda?
Se para a Igreja, os textos que não dão muita importância a crucificação de Cristo acabam proibidos, para Cury, eles apenas complementam a sua tese. “As ideias e intenções de Cristo, ao mesmo tempo em que representam uma belíssima poesia que qualquer ser humano gostaria de recitar, abalam a maneira como compreendemos a vida. Cristo não apenas chocou profundamente a cultura da sua época, mas, se tivesse vivido nos dias de hoje, também perturbaria a ciência e a cultura moderna”, escreveu Cury. Que cara interessante! Já imaginou Jesus apresentando um programa no lugar do Silvio Santos? Iria ser um sucesso.
TEXTOS PROIBIDOS – Cury se perde muitas vezes no livro ao citar somente os aspectos positivos de Jesus, ao invés, por exemplo, de escrever sobre os textos proibidos e o motivo da proibição. Mas afinal, a Igreja romana, que cresceu em meio a violentas perseguições, valorizava muito o martírio - associado ao martírio de Cristo. Os evangelhos dos tomesinos, por exemplo, que pregavam a busca individual pela salvação, também caíram fora da edição manipulada da Bíblia que conhecemos. A hipócrita hierarquizada Igreja de Roma obviamente não simpatizava com essas ideias libertárias. Entre os textos que foram proibidos, vários faziam parte das bibliotecas gnósticas. Para Eusébio de Cesária, que no século 4 escreveu o primeiro livro sobre a história do cristianismo, o gnosticismo estava sendo introduzido pelo demônio, "que odeia o que é Deus, que é inimigo da verdade, hostil í salvação do mundo, voltando todas suas forças contra a Igreja". Acredita-se que os manuscritos de Nag Hammadi sejam tesouros salvos da biblioteca gnóstica do Mosteiro de São Pacômio, que ficava lá perto. Ninguém sabe ao certo quantos evangelhos foram suprimidos. O que se sabe é que só quatro livros foram considerados "corretos". Apenas neles "o ensinamento das linhas de Deus é proclamado. Não acrescentem nada a eles, não deixem nada se afastar deles", segundo um decreto de um bispo de Alexandria. Daí para a frente, haveria quatro evangelhos. E, pela primeira vez, um só cristianismo. Cury, no entanto, resume conformadamente: “Quem pode questioná-lo? A história tem confirmado, ao logo das sucessivas gerações, que ele tinha razão?”
O livro fala ainda sobre Calígula, Jerusalém, o povo de Israel, Flávio Josefos (*um famoso historiador que viveu no século I desta era), a morte de judeus, a cúpula de Israel, a síndrome de Pilatos, Descartes, Aristóteles, Tomás de Aquino, Agostinho, Kant, Augusto Comte, Nietzsche, Einstein (*como um admirador de Jesus), ditadura do preconceito, Will Durat (*autor do famoso “História da Filosofia”), liberdade, identidade e independência. E ao mesmo tempo exclama: “São atípicos os paradoxos que envolvem a história de Cristo. Ninguém falou de amor como ele e, ao mesmo tempo, ninguém foi tão odiado como ele”. E ainda diz uma coisa bem pertinente: “Se, naquela época, em que a comunicação era restrita, que não havia a imprensa, ele era seguido por multidões, imagine nos dias de hoje”. Imagine Jesus escrevendo num blog? Imagine Jesus no Faustão cantando: "Erguei as mãos e dai glória a Deus...". Bom, eu acho que isso não. Ele teria o senso do ridículo.
PREGAÇÃO GNÓSTICA – Cury poderia ter trabalhado mais no livro com relação há pregação gnóstica, expressa em vários dos evangelhos apócrifos que diz o seguinte: “O mundo é mau por natureza, mas cada um de nós traz dentro de si uma centelha e, se atingirmos o conhecimento, iremos despertar”. Jesus veio a Terra para nos ensinar o caminho. Agora substitua nessa história o nome de Jesus pelo de Neo. E temos um dos maiores sucessos pop dos últimos anos, a trilogia “Matrix”. Sacou? ”Matrix” fez tanto sucesso porque toca num tema com o qual é difícil não se identificar: a sensação de não pertencer a esse mundo, de se sentir estranho nele, e de que ele é banal demais para nossas altas aspirações espirituais. Penso nisso todos os dias. Mas Cury deve ter percebido isso também, pois escreveu: “Tudo no universo organiza-se, desorganiza-se e reorganiza-se”.
É claro que seria um absurdo dizer que o sujeito que saiu do cinema empolgado com a saga dos irmãos Wachowski tenha sido tocado pelo mesmo tipo de revelação que os cristãos envolvidos pelas pregações gnósticas no século 2 ou 3. Mas talvez não seja por coincidência que o roteiro de ”Matrix”, inspirado por textos gnósticos, tenha soado tão transcendental . “Por vivermos numa sociedade doentia, onde prevalece a competição predatória, o individualismo, a crise de diálogo, criamos uma fabrica de estímulos negativos que cultivam o stress do homem animal”, escreveu Cury.
Marx também é citado no livro: “Um dos maiores erros intelectuais de Carl Marx por ter procurado criar uma sociedade pregando o ateísmo como massificação cultural”. E complementa: “Cristo colocou-se numa posição que a ciência jamais pôde atingir”. Uma coisa bem curiosa: “Quem se contamina com o vírus da auto-suficiência diminui a sua produção intelectual”. E ainda: “Se o homem não for o agente modificador da sua história, se não a reescrever com maturidade, certamente será vítima dos invernos existenciais”, pois “...muitos fazem de suas emoções depósitos de lixo”.
Em suma, o livro é bem interessante. Não é uma obra destinada há religiosos fanáticos e evangélicos alienados. É uma obra educativa, com uma linguagem simples (sem afetação lingüística, ou seja, sem palavras difíceis para mostrar inteligência). Só não entendi o que o Cury quis dizer como Jesus quer ter “amigos finitos”. Será que ele queria dá uma de Roberto Carlos e ter só um milhão de amigos? Como que ele era tão cronológico se, como disse o próprio Cury, “nunca alguém exaltou tanto as pessoas tão desprezadas. Nunca alguém incluiu tanto as pessoas tão excluídas". E como disse Cury no finalzinho do livro: “Com o pode alguém dizer que tem o segredo da eternidade e se humilhar a ponto de lavar os pés de simples pescadores que não tinham qualquer qualificação social ou intelectual?”. Bom, as Igrejas deveriam conferir esse livro! (“ANÁLISE DA INTELIGENCIA DE CRISTO” de Augusto Jorge Cury, 230 págs. biografia, 3ª edição – Editora Academia de Inteligência)
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