quinta-feira, 30 de abril de 2009

SHAKIRA NÃO QUIS TIRAR A ROUPA E REJEITOU PAPEL NO FILME BASEADO NA OBRA DE GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ

"Havia nudez envolvida, então eu disse não. Meus pais não gostariam disso."
Por Elenilson Nascimento
A cantora colombiana Shakira disse que o filme "O Amor nos Tempos do Cólera", inspirado na obra de seu compatriota e Nobel de Literatura Gabriel Garcia Márquez, "ajudará a entender melhor a América e a Colômbia". Além de compreender melhor essas regiões, o espectador "viverá uma mensagem cheia de emoção e cor de um dos maiores escritores de sempre", afirmou Shakira em um material de divulgação da companhia “20th Century Fox” distribuído somente no México.
Além disso, Shakira compôs e gravou as músicas para a trilha sonora do filme. "As pessoas verão um contraste de um tumulto de imagens, escutarão a voz das metáforas e poderão se comover com as idéias do autor", acrescentou.
O LIVRO – Quanto a mim, metido a escritor, quando tentei lê pela primeira vez “O Amor nos Tempos...”, uma amiga professora/pedagoga – dessas que diz vestir a camisa (suja de merda, por sinal) da educação – que me emprestou o romance avisou categórica: "Cem Anos de Solidão é incrível, mas o próprio Gabriel disse que este é o livro que ele'escreveu com as entranhas". Mas se o colombiano realmente declarou isso ou não, eu não sei – e essa história (*das entranhas) é boa demais para ser desmentida por uma eventual busca no Google. Gosto dela assim. Mas, de qualquer forma, o que falta ao filme que adapta o livro é justamente isso... "entranhas".
Garcia Márquez relutou por anos em ceder os direitos para a adaptação. Foi finalmente convencido depois dos produtores “jurarem” fidelidade à obra. Mas fidelidade em Hollywood não significa necessariamente entendimento à proposta. A adaptação mantém os elementos principais (*e supostamente o próprio Márquez revisou o texto), mas a falta de personalidade e sensibilidade do diretor provavelmente limou todas as sutilezas, o erotismo, a trama intrincada e a profundidade dos personagens. O resultado é um mingauzinho leve... bem mastigadinho, coisa pra quem não tem entranhas mesmo. E como eu não gosto de mingau, tô aqui esculhambando o filme.
SHAKIRA NÃO TOPOU – A cantora popozuda, perdeu uma chance e tanto de despontar no cinema. Segundo a agência de notícias "Wenn", convidada a participar do filme, a cantora rejeitou o papel por causa de uma cena de nudez, mas, para quem não sabe, ela já foi protagonista de um vídeozinho pornô, onde apareceu transando com o namorado Antonio de la Rua e com, ninguém menos que, o cantor Alejandro Sanz. A cena foi ótima!
Porém, voltando ao cinema, ela já foi indicada, no ano passado, ao Globo de Ouro pela música "Despedida", que faz parte da trilha sonora do filme "O Amor nos Tempos...". Shakira disse, na época, que o próprio escritor Gabriel García gostaria de tê-la no elenco. Mas a cantora ficou com medo que uma cena de nudez pudesse desagradar a seus pais. "Havia nudez envolvida, então eu disse não. Meus pais não gostariam disso", disse a Shakira.
Já sobre sua verdadeira contribuição para o filme, a cantora comentou que espera que a música "responda ao compromisso de acompanhar a imagem como uma mensagem dos tempos", tal como o "livro envolve os leitores sem escutá-la". "Foi o que pretendi ao somar as canções de mérito duvidoso com que me admitem no projeto e que compus com todo o fervor ao querido Gabo, gênio e palavra da minha terra", concluiu Shakira.
"O Amor nos Tempos..." estreou em dezembro nos cinemas brasileiros, foi protagonizado pelo excelente ator espanhol Javier Bardem (*pegue na locadora “Antes do Anoitecer”) e pela bela italiana Giovanna Mezzogiorno, foi rodado com um orçamento de US$ 50 milhões sob a direção do britânico Mike Newell, e também contou até com a participação da atriz Fernanda Montenegro (foto acima) no elenco.
Convidada a participar do filme inspirado na obra de Gabriel Garcia Márquez, cantora temeu pela reação dos pais.
fonte: Agência ANSA
foto de Fernanda: Portal Terra
demais fotos: Blog La La 25

quarta-feira, 29 de abril de 2009

MADONNA MARIA BRAGA: QUE BIZARRO!!!

Como estávamos muito envolvidos com a “Bienal do Livro da Bahia”, então não deu para postar sobre o assunto. A notícia já é meio velha, mas ainda vale o registro. A apresentadora Ana Maria Braga cometeu uma gafe daquelas. No último dia 16/04 a loura – com botox até no cabelo – se apresentou de maneira inusitada no seu programa “Mais Você”. Com peruca, olhares e vestida de Madonna, a caracterização foi o “destaque” (*ou melhor, “a gafe”, ou seria “o desastre”) no programa. No figurino, inclui-se uma releitura do sutiã que Madonna usava na turnê “Blond Ambition”, nos anos 1990, e uma “performance” desastrosa da Ana Maria. O tema do programa era caracterização e a apresentadora resolveu se transformar num dos maiores ícone pop dos últimos tempo. O responsável pela mudança “radical” foi Fernando Torquatto, fotógrafo e maquiador famoso. Até Louro José também entrou na brincadeira e apareceu vestido de Elvis Presley. Resultado: uma merda!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O ÚLTIMO DIA DA BIENAL DO LIVRO DA BAHIA 2009

Por Elenilson Nascimento
A “9ª Bienal do Livro da Bahia”, segundo a organização, levou cerca de 272 mil pessoas ao Centro de Convenções de Salvador nos dez dias de evento, que terminou nesse domingo, 26/04. Deste total de possíveis “leitores”, 50 mil eram estudantes do Programa de Visitação Escolar. A 9ª edição do evento homenageou os escritores Jorge Amado e Zélia Gattai e, em virtude das comemorações do Ano da França no Brasil, o país homenageado foi a França, onde a Bienal do Livro da Bahia foi um dos primeiros eventos a fazer parte das comemorações, aberto oficialmente no dia 21 de abril pelo Governo Federal, através dos Ministérios da Cultura, das Relações Exteriores e Governo do francês.
Apesar de ter tido muitos problemas com o alagamento de estandes devido às fortes chuvas, despreparo de muitos funcionários, falta de educação dos seguranças, muita sujeira, mofo, roubos (dentro e fora) no local do evento, mentiras jogadas na imprensa, livros caros (*pelo menos os que eu queria) e principalmente a falta de infraestrutura do local, o que acarretou em um prejuízo de R$ 25 mil aos expositores e também com número de pessoas que ficaram de fora de palestras devido a falta de estrutura para receber o público presente, a gerente geral da Bienal da Bahia, Tatiana Zaccaro, avaliou – lógico – que o evento cumpriu todos os seus objetivos.
A comediante global Heloísa Perissé num dos debates na “9ª Bienal do Livro da Bahia”.
As atrizes Heloísa Perissé e Zeca de Abreu se encontraram na Bienal para debater, de forma divertida e dinâmica, o tema “O que é, hoje, uma mulher bonita?”. O bate papo aconteceu na “Arena Jovem Oi”, um dos espaços culturais do evento.
A atriz Zeca de Abreu, 44 anos, diz que sempre foi gordinha. “Quando alguém me chama de gordinha eu respondo: gordinha e gostosa. Sempre tive meus casos e beijei muito na boca. Chamo isto de cidadania”, e acrescentou: “É preciso coragem para se conhecer e se gostar. Estamos aqui de passagem, para nos tornamos pessoas melhores. O corpo é só um instrumento”.
A Praça de Cordel e Poesia apresentou durante toda a Bienal do Livro 2009, atrações especiais com grandes nomes da Poesia e Cordel. Para o último dia da Bienal, a praça recebeu uma programação recheada de muita criatividade e cultura.
A poesia dos poetas Heber Sales, Priscila Fernandes
e Moacir Eduão dan
do um show na Bienal.
O cantador e pesquisador de cultura popular Sapiranga.
Dona de uma voz suave e marcante, a ex-cantora da banda Cheiro de Amor,
Carla
Visi, também marcou presença na Bienal.
Carla Visi lendo poesias na Praça de Cordel e Poesia. Um luxo!

fotos: Via Press Comunicação

domingo, 26 de abril de 2009

GILBERTO DIMENSTEIN APRESENTA GILVÃ MENDES AOS BAIANOS

“Na lata do poeta tudo nada cabe, pois ao poeta cabe fazer com que na lata venha caber: O incabível!”
Por Elenilson Nascimento
O trabalho para quem faz literatura sempre é árduo e difícil, como em qualquer outra atividade ligada às artes – principalmente num país que não valoriza e não respeita nada, onde até o presidente foi capaz de dizer que não faz parte de sua rotina ler jornais ou revistas, nem acompanhar o noticiário de sites e blogs na internet. Veja bem, em entrevista à excelente revista “Piauí”, o presidente justificou sua infeliz aversão à prática: “Porque tenho problema de azia e a imprensa brasileira tem um comportamento histórico em relação a mim”, disse. Porém, ele afirmou que sua chegada ao Palácio do Planalto é “produto direto da liberdade de imprensa”. Hum, é esse tipo de coisa que também me dá azia, aliás, dor de barriga!
Mas falar de literatura no país do pagode é um exercício de resistência permanente. Conseguimos alguns avanços, é claro, com alguns mínimos projetos autônomos, como a própria “9ª Bienal do Livro da Bahia” e lançamentos de livros em bares, restaurantes e espaços culturais. Atualmente, nós escritores autônomos, não temos nenhum apoio governamental, pelo contrário, somos sempre esquecidos, pois a inteligência incomoda os plantonistas do “phoder”, que não querem um povo que pense e questione. Eles querem uma sociedade de robôs, lacaios e escravos, que votem sempre sem questionar, nunca digam não e que de preferência não LEIAM NADA e que só tenham como diversão as novelas, os desenhos, filmes de guerra, de costumes e que mantenham o estabelecido e o Status Quo... Mas como disse Gilberto Gil, numa composição de 1982: “Uma lata existe para conter algo, mas quando o poeta diz: "Lata" pode estar querendo dizer o incontível. Uma meta existe para ser um alvo, mas quando o poeta diz: "Meta" pode estar querendo dizer o inatingível. Por isso, não se meta a exigir do poeta que determine o conteúdo em sua lata. Na lata do poeta tudo nada cabe, pois ao poeta cabe fazer com que na lata venha caber: O incabível! P... que lindo!
Mas quase ninguém quer saber de escritores, poetas, livros e bibliotecas... Acham melhor fomentar os comandos dos Schwazernegers e Rambos da vida... Vide Bósnia, Kosovo, Afeganistão, Iraque, Rio de Janeiro e Salvador... Ler, pensar é muito perigoso... Enquanto isso os cadernos culturais dos jornais estão abarrotados de colunas sociais, palavras cruzadas, horóscopos, e$oterismos, fofocas, comentários de novelas e outras besteiras do tipo... Como alguns dizem: poesia não dá dinheiro... Não tem gancho para a notícia... a não ser que o sujeito tenha um empresário-editor por trás, dólares a rodo para publicidade... Ou seja, sem dinheiro nada feito... Entretanto, nós resistiremos e sobreviveremos... pois os poetas são as antenas da raça... subsisto... insisto... persisto...
Talvez por isso mesmo que ontem, 25/04, a realidade e a ficção foi o assunto central do debate no “Café Literário” da “9ª Bienal do Livro da Bahia”. Um baiano e uma carioca. Ambos escritores e jornalistas. Ruy Espinheira Filho e Heloisa Seixas (foto 3, ao lado) se encontraram no “Café Literário” para tentar responder ao público o que assombra mais: realidade ou ficção?
Heloisa é romancista, contista e cronista, tem nove livros de ficção publicados por diversas editoras (*três de seus livros – “Pente de Vênus” (contos), “A Porta” (romance) e “Pérolas Absolutas” (romance) – já foram finalistas do Prêmio Jabuti). Para Seixas, tanto a ficção quanto a realidade têm o poder de assombrar, mas a maior assombração está na mistura de uma com a outra. "Pois aí você não sabe mais onde está o limite", explica.
Já o Ruy Espinheira (foto 4, ao lado), que nasceu em Salvador e é professor de Literatura Brasileira, diz que o texto não pertence mais ao escritor depois que é publicado. Pertence ao leitor, que vai decidir pelas emoções mais fortes que ele é capaz de causar. "Quando recomendo a leitura de "Grande Sertão Veredas" aos meus alunos, por exemplo, muitos se queixam que não conseguem avançar. Aí eu digo: não se deixe vencer pela primeira palavra desconhecida; continue lendo que daqui a pouco a história te pega", ensina.
Sobre o processo de criação, ambos concordam que ele nunca é o mesmo, mas que é sempre misterioso. Heloísa dá o exemplo do que ocorreu com um dos seus títulos: “Pérolas Absolutas”, de 2003. , revelou.
Mas, ontem, um jovem escritor roubou todas as atenções do público e imprensa local. Com uma bonita história de superação e conquista, o bate papo com Gilvã Mendes (foto 1, no alto desse post) foi realizado na “Arena Jovem Oi” e coordenado pelo excelente jornalista/escritor Gilberto Dimenstein ( foto 5, ao lado - *sou fã do Dimenstein e até já fui suspenso de um colégio onde dei aulas por ter trabalhado com um livro dele).
Contudo, voltando ao Gilvã, ele é a síntese de todas as marginalidades possíveis: negro, pobre e nordestino, é vítima de paralisia cerebral e anda em uma cadeira de rodas. Mas o jovem não teve sua inteligência "Eu já tinha colocado um ponto final no livro, quando acordei no dia seguinte e escrevi mais um capítulo. Era como se as duas personagens tivessem algo mais a dizer"comprometida. O menino, que encontrou na literatura seu "parque de diversões e trabalho", aprendeu a ler e a escrever e agora está lançando o seu primeiro livro "Queria brincar de mudar meu destino".
A obra narra a história de amor entre um jovem e a poesia. Dimenstein disse que "o trabalho do Gilvã é grandioso, não por sua deficiência, mas porque o texto dele tem uma narrativa sensacional, e que a “Bienal da Bahia” está prestando um grande serviço para a sociedade ao oferecer espaço para que as pessoas conheçam esse autor, que tem um futuro brilhante".
Durante o bate papo, amigos e professores deram depoimentos sobre a trajetória do jovem, que cursa faculdade de Letras e afirma que ainda quer conquistar muito mais. "Quero fazer minha cadeira de rodas voar".
Enquanto isso, o Lula anda dizendo que ainda não se preocupa com a forma como é retratado (*um retardado?), por confiar na “inteligência de quem assina uma revista ou um jornal, de quem vê televisão e escuta rádio”. Para o presidente, os cidadãos têm hoje maior capacidade de interpretar os fatos. O motivo, segundo ele, é o avanço tecnológico, que trouxe mais pluralidade de fontes de informação. Ele só não sabe que é muito bom abrir um livro de vez em quando, nem se for – no caso dele – para se abanar. Seria muito bom se ele conhecesse a história do Gilvã. Mas como disse Cazuza: "Enquanto houver burguesia, não vai haver Poesia...”
fotos: Via Press Comunicação

sábado, 25 de abril de 2009

DOIS CARAS BACANAS NUM PAPO LEGAL!

“Ruy Castro e Nelson Motta lotaram auditório do Café Literário.”
Por Elenilson Nascimento
O Brasil carece de infra-estrutura cultural de divulgação, pesquisa, edição e distribuição de livros e CDs. O Brasil carece de infra-estrutura cultural de tudo (*e de educação também). O empresariado local não patrocina arte e a cultura da cidade, consequentemente a mídia pouco divulga e não apóia porque não tem publicidade, gera-se um circulo vicioso... dantesco e ordinário, porém, nem só desse triste panorama falamos aqui na LITERATURA CLANDESTINA. Falamos também de muitas coisas boas. Falamos de livros! Livros bons para cabeças boas!
E, num bate-papo descontraído em torno de biografias, os organizadores da “9ª Bienal do Livro da Bahia”, reuniram os escritores Ruy Castro e Nelson Motta no auditório principal da Bienal. Autor Ruy Castro de “Uma biografia de Carmen Miranda” (2005), apontou os dois tipos do gênero: “as não autorizadas”: “São aquelas que a gente faz com a cara e com a coragem”. E “as autorizadas”: “Negociadas com a família, que entrega todo o material e abre todas as gavetas para a produção do texto”. Mas, “antes da publicação, eles tiram tudo o que querem do livro, ou seja, não tem graça nenhuma”, conclui. Bem humorado, Castro disse que o biografado ideal é aquele que já faleceu, e, de preferência, há mais de dez anos, “pois o morto recente nunca tem defeitos”, completou.
No ano passado, Ruy Castro, que também é colaborador do jornal Estado de S. Paulo, ficou em primeiro lugar na categoria biografias do 48.° Prêmio Jabuti de Literatura com "Carmem - Uma Biografia", seguido pelo escritor Orestes Barbosa com "Repórter, Cronista e Poeta Carlos Didier" e do jornalista e editor-executivo Daniel Piza, com "Machado de Assis: Um Gênio Brasileiro". , exemplificou Castro.
Outro que tem desempenhado um excelente papel de biografo é o Nelson Motta (foto ao lado). O cara se autodefine como um falso carioca, é jornalista, compositor, escritor, roteirista e produtor musical, além de ter sido “caso” de Elis Regina e de tantas outras musas da MPB.
Autor de canções de sucesso como “Dancing Days” (com Ruben Barra) e “Como uma onda” (com Lulu Santos), Motta integrou durante oito anos a mesa do programa “Manhattan Connection”, da GNT/Globosat. É dele o best-seller “Noites Tropicais”, que vendeu mais de 75 mil cópias. Escreveu também “O canto da sereia” e “Nova York é aqui” (*que eu até já resenhei), entre outros.
“Para investigar a vida de uma personagem eu preciso entrevistar pelo menos 200 pessoas. E para chegar nessas 200 pessoas, preciso falar com mais 200”. Ainda sobre a busca da informação, Nelson Motta disse que teve que aprender a filtrar as histórias mais interessantes acerca de Tim Maia, no livro “Vale Tudo - O som e a fúria de Tim Maia” (2008). “Todo lugar que eu ia sempre tinha alguém que tinha algo a contar sobre ele. Isso é muito bacana”, falou. Motta também comentou que a vida de Tim foi um prato cheio. “É o sonho de qualquer ficcionista, pois ele vivia louca e intensamente. Poderia até ser uma ficção. E daria uma ficção maravilhosa, inimaginável”, se diverte. Pelo menos eu descobrir o porque do Nelson Motta só aparecer de óculos escuros faça chuva faça sol na TV. Olha só os pés de galinha na cara do cara! Rapaz, já existe Botox e você, que eu saiba, não precisa ir para a fila do SUS. fotos: Via Press Comunicação

sexta-feira, 24 de abril de 2009

ELISA LUCINDA É MINHA MUSA!

“Mas enquanto as grandes editoras e bienais tem lucros astronômicos com a sua política editorial elitista e meramente comercial, bons autores amargam o anonimato e sofrem as agruras da falta de apoio e incentivo...”
Por Elenilson Nascimento
“O Deus da parecença que nos costura em igualdade, que nos papel-carboniza em sentimento, que nos pluraliza, que nos banaliza por baixo e por dentro... Foi este Deus que deu destino aos meus versos... Foi Ele quem arrancou deles a roupa de indivíduo e deu-lhes outra de indivíduo, ainda maior, embora mais justa...” A falsa idéia de que poesia é algo chato vem principalmente da educação mentirosa ensinada nas escolas - desvinculada de qualquer realidade e do prazer de ler e de estudar. Professores não sabem ensinar as suas próprias matérias – e "conversar" com outros professores com o intuito de trocar informações, nem se fala. Se aquele quadro “Soletrando”, no programa de Luciano Huck, se fosse com professores vocês saberiam do que eu estou tentando dizer.
Metodologias ultrapassadas, aulas descomprometidas com a formação intelectual e raros acessos aos bens culturais, tanto por alunos quanto por professores, são alguns dos fatores que contribuem para o afastamento da poesia das escolas e da vida das pessoas. É certo que há aqueles que gostam mais do gênero e outros não. Contudo, todos deveriam experimentar, pelo menos uma vez na vida antes de morrer, certamente há prazeres a serem descobertos... Eu, por exemplo, que nunca tive estímulos e exemplos dentro da minha própria família, nunca vou me esquecer da imagem de um catador de papel em Salvador sentado no chão da Avenida Sete de Setembro lendo Fernando Pessoa. Ele balançava a cabeça toda vez que discordava de um verso, e depois falava de cor o poema “O Infante”: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Deus quis que a terra fosse toda uma, que o mar unisse, já não separasse. Sagrou-te, e foste desvendando a espuma...” E naquele dia recebi muito mais ensinamento em uma simples manhã, do que em toda a minha vida mofando inultilmente nos bancos de faculdades e também em casa.
A poesia que abre esse post é de uma mulher que eu adoro, e posso até dizer que ela é também outra experiência de encontro e renovação. Desde o seu poema “Aviso da lua que menstrua”, que me foi apresentado por Aninha Franco no Theatro XVIII, no Pelourinho (Salvador-BA), passei a admirar o trabalho da poeta, sua linguagem e seu compromisso com a transformação. Seu nome: Elisa Lucinda (foto 1).
Para quem não conhece a poesia de Elisa, entre os seus livros publicados estão (1994), (2003) e “O semelhante”“Eu te amo e suas estréias”“A fúria da beleza” (2006). Além de poeta, Elisa é atriz famosa (*uma das poucas que tem conteúdo na Globo) e há alguns anos esta nos palcos fazendo dezenas de pessoas rirem e se emocionarem com sua performance e jeito de recitar os seus poemas. Os poemas de Elisa são sobre diversos assuntos, onde ela trata de conflitos familiares, problemas sociais entre outros. E, por isso mesmo, me tornei seu fã de carteirinha - desse que grita quando ela aparece na TV ou em qualquer outro lugar. Além da Madonna, Elisa é a única mulher que eu ainda quero pedir autógrafos e levar para minha cama – com todo respeito viu!
Um dos seus poemas que eu mais gosto é o “Só de Sacanagem”, que para quem já leu sabe das verdades que ela diz, mas para quem ainda não conhece é uma boa oportunidade de conhecer o poema e o jeito dela de se expressar. É bem diferente de tudo que você já viu. “Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.”
Por isso, numa conversa bem informal entre dois escritores e um público embevecido diante de tanta cumplicidade, o poeta Rubem Alves (foto 2) e a maravilhosa Elisa Lucinda expuseram suas ideias sobre poesia e literatura no auditório do Centro de Convenções, dentro da programação do “Café Literário” da 9ª Bienal do Livro da Bahia. E a poesia como ferramenta de educação foi uma das questões colocadas em pauta. "A forma como a poesia é apresentada ao indivíduo é fundamental: se não for de uma maneira convidativa, pode traumatizá-lo", afirmou Elisa, cujo comentário fez Rubem lembrar da primeira poesia que o marcou: "Cântico negro", de José Régio. O texto foi também o primeiro poema que Elisa aprendeu. E, quem esteve no bate-papo, pôde ouvi-lo na voz da poeta linda.
No decorrer da conversa, Rubem falou sobre a música que existe na poesia e enfatizou: "A experiência poética é um ritual antropofágico. O verbo se transforma em alimento no momento em que devoramos a obra". Em seguida, recitou "Rei do Mar", de Cecília Meireles. Esse e muitos outros poemas foram recitados no decorrer da calorosa noite, sob fortes aplausos da numerosa platéia. E entre um texto e outro, a dupla dinâmica contou histórias presentes no livro "A poesia do encontro", idealizada pelo jornalista e cronista da “Folha de S. Paulo”, Gilberto Dimenstein – autor do excelente livro “Meninas da Noite”.
"A poesia do encontro" foi lançado em primeira mão no mercado baiano durante a Bienal. Mas é preciso uma mudança radical na área editorial no Brasil e urge campanhas de leitura, de valorização do livro, de combate ao analfabetismo e de barateamento do custo do papel para que poesias seja produto básico. Quer ver um exemplo prático? Pergunte a um jovem o que ele faria com R$ 9,90, se compraria um CD nas Americanas de pagode ou um livro no sebo? Nem preciso dizer a resposta.
Mas enquanto as grandes editoras e bienais tem lucros astronômicos com a sua política editorial elitista e meramente comercial, bons autores amargam o anonimato e sofrem as agruras da falta de apoio e incentivo do governo e do mercado editorial. Alguns mais persistentes conseguem de quando em vez edições por meio de concursos literários, muitas vezes, de cartas marcadas e pouca credibilidade. O autor precisa além de muito talento, muita sorte, bom marketing e de algumas pitadas de magia... Abaixo, mais imagens do bate-papo com Elisa e Rubem Alves no “Café Literário” e um vídeo da Ana Carolina recitando “Só de Sacanagem”:


fotos: Via Press Comunicação

É POSSÍVEL ACREDITAR EM DEUS?

“Um encontro histórico e emocionante marcou a noite desta quinta-feira, 23/04, na 9º Bienal do Livro da Bahia.”
Por Elenilson Nascimento
O escritor e militante de movimentos pastorais e sociais, Frei Betto (foto ao lado), e a educadora e membro do terreiro "Tanuri Junssara", Makota Valdina (foto abaixo), se reuniram para debater o tema “É possível acreditar em Deus?” A discussão polêmica reuniu pessoas de diferentes idades, credos e religiões, que lotaram a “Arena Jovem Oi”, um dos espaços culturais do evento.
A trajetória de Frei Betto, por exemplo, combina de modo equilibrado religião e política desde a infância. O pai, Antonio Carlos Vieira Christo, jurista, foi um dos assinantes do “Manifesto dos Mineiros”, documento que expressava a insatisfação de intelectuais de Minas Gerais com a ditadura de Getúlio Vargas (*que chegava a pedir a renúncia do presidente). O suicídio de Vargas, a 24/08/54, um dia antes do aniversário de Frei Betto, foi motivo de sobra para que seu pai sentisse remorso por ter assinado o tal manifesto. A festa que comemoraria os dez anos do filho, por causa disso, foi cancelada. “Senti que o tiro que Getúlio deu no Palácio do Catete fez seu cadáver cair na sala da minha casa”, lembra Frei Betto.
Contudo, na "Bienal do Livro da Bahia 2009", Frei Betto começou dizendo – e contrariando muitos dos presentes - que Deus independe de religião e que a espiritualidade existe desde que os homens se encontram na Terra. Mas deixou claro que o fato de crer não o torna melhor do que ninguém. “Mais do que ter fé em Jesus, eu gostaria de ter a fé de Jesus”. Muita gente, principalmente os evangélicos, deveria lê os livros do Frei Betto. Maravilhosas essas colocações!
O jornalista, antropólogo e frade dominicano, ressaltou ainda que é preciso assumir a espiritualidade nos conflitos. Porque “Deus é amor, mas a vida de Jesus foi cheia de conflitos. A pauleira de Jesus começa na dor de corno de José” e alertou “Jesus é o caminho. Mas tem muito padre e pastor querendo cobrar pedágio. Cuidado!”
Valdina Pinto, a Makota Valdina , do já citado terreiro “Tanuri Junssara”, com sede no bairro do Engenho Velho da Federação (*minha vó mora lá), educadora aposentada da rede pública municipal, que é uma referência para as comunidades do bairro e da cidade do Salvador, sendo reconhecida como mestra nos ambientes intelectuais nacionais e internacionais pela articulação entre a prática e a teoria da sabedoria bantu, e que ainda é membro do conselho diretor do Fórum Cultural Mundial, lembrou da importância do papel das escolas no aprendizado humano, não para ensinar religião, mas para ensinar as pessoas a respeitarem toda forma de religiosidade.
“Temos que desconstruir padrões. Não acho que a lei deve obrigar o ensino do candomblé nas escolas, mas acho que é preciso ensinar a respeitar todas as religiões que existem em solo brasileiro”, afirmou Makota, lembrando que as pessoas têm o direito de acreditar no que quiserem e até de não acreditar em nada. “Deus aceita a gente de qualquer jeito”. Eu concordo plenamente!
Mas quando questionado sobre a religiosidade na literatura Frei Betto disse que toda obra literária, consciente ou inconsciente por parte do autor, é uma forma de oração porque quando a gente escreve se coloca inteiro na palavra e isto é oração. “Quando falo, eu digo o que penso e quando escrevo, digo o que sinto”. Em suma: esse debate foi um dos melhores (*além de um dos mais concorridos) na Bienal do Livro.
fotos: Via Press Comunicação

LIVROS À MÃO CHEIA

“Oh! Bendito quem semeia. Livros... livros à mão cheia... E manda o povo pensar!” (Castro Alves)
Por Elenilson Nascimento
Outro dia, vi numa tira humorística dos anos setenta, Mafalda, a garotinha questionadora e “sutil”, criada pelo cartunista argentino Quino, encontrando certa vez o coleguinha Manolito, que encarna ao revés o materialista chapado e bronco. Então, este lhe pergunta: “Que vais dar a tua mãe no Dia das Mães?”“Um livro!”, responde a menina. “Ora...”, torna o outro rindo. “Deixa de lorotas. Pensas que eu não sei que ela já tem um?”
No Brasil, ao que parece, ninguém entendeu a piada. O presidente Lula, num de seus arroubos de palanque, percebendo, quem sabe, a insuficiência dos programas de “esmola oficial” do seu governo, resolveu ressuscitar uma ideia natimorta do ex-Ministro da Educação Christovam Buarque (*aquele que foi demitido por telefone, provavelmente por causa dessa mesma ideia) para incluir na cesta básica mais um artigo essencial: "o livro”.
Alguns ainda esperam que o governo seja mais atento e sensível para o desenvolvimento de uma política cultural e editorial mais justa e equilibrada. Espera inútil, por sinal. Hoje, muitos autores criativos e talentosos (eu, por exemplo) ficam sem publicar porque as editoras não querem apostar em literatura, muito menos em poesia. Eles querem ter a certeza do lucro, o que é muito difícil num mundo em cri$e permanente.
Vivemos a Era da Incerteza. Ninguém tem bola de cristal. São poucas as galinhas de ovos de ouro. Vivemos a indústria dos best-sellers, dos de auto-ajuda e dos livros didáticos. Só “se dão bem” os autores já estabelecidos, os apadrinhados por grandes editoras e distribuidoras e aqueles que têm espaço cativo nos jornais e nas TVs e que contam com as benesses oficiais. Realmente são muito poucos... Mas eles existem.
MENTIRAS – Essa semana foi divulgado no site oficial da “9ª Bienal do Livro da Bahia” que essa edição do ano de 2009 bateu o recorde de público. Eu só gostaria de saber como isso aconteceu? Inacreditável que, em pleno século XXI, as pessoas ainda se prestem a esse papel de “marqueteiros do diabo”, pois não foi isso o que os baianos puderam conferir nesses dias de Bienal. Mas, segundo os organizados, os cinco primeiros dias de programação confirmaram o “sucesso absoluto” com a quebra de “recorde de público”. Ainda, segundo os senhores marqueteiros, mais de 140 mil visitantes, entre pagantes e não pagantes, apareceram para prestigiar os livros.
Só na última quarta-feira, feriado de Tiradentes, dia do aguaceiro em Salvador e das goteiras no Centro de Convenções, mais de 38 mil pessoas, num número (*astronômico?) que representa o tal “recorde de público” num único dia, computando-se todas as edições da "Bienal do Livro da Bahia". Talvez, por isso mesmo, neste único dia fatídico, tenha acontecido também o recorde de reclamações e de falta de respeito com os leitores, além de vários estandes molhados pela chuva e livros estragados!
E por mais que os representantes da Fagga Eventos, empresa que organizou o evento, tenha atribuído o sucesso à fidelidade (*que fidelidade?) do público de outras edições e a um conjunto de ações (*quais mesmo?) elaboradas para reforçar a programação deste ano, não existe ainda em Salvador – como também no Brasil inteiro – políticas de incentivo à cultura.
No “Café Literário”, por exemplo, que está sendo considerado a sala de visitas da Bienal da Bahia, foram incluídos na programação autores como: Ruy Castro, Nelson Motta, Antônio Torres, Elisa Lucinda, Rubem Alves, Ruy Espinheira Filho e o francês Jerôme Souty, mas para onde foram “jogados” os autores iniciantes, os argumentativos e os questionadores?
VERACIDADE DOS FATOS – Os historiadores Mary Del Priore e Luis Henrique Tavares (foto abaixo) foram os destaques do “Café Literário”, do dia 22/04. Com o tema "A história acaba revelando o que se queria esconder?", Del Priore afirmou que o historiador constrói e destrói mitos o tempo inteiro. “Isso nos permite afirmar que a história está em constante movimento”, disse entusiasmada.
Para eles, as biografias, por exemplo, voltaram à moda. Trata-se de um gênero extremamente rico porque faz o leitor enxergar além da personagem. No último livro lançado de Mary Del Priore, em 2008, ela abordou a biografia histórica da Condessa do Barral, que era baiana e foi amante de Dom Pedro II. No livro, a autora traça um interessante panorama da Bahia do século XIX.
Quando questionado sobre a veracidade e a validade das fontes históricas faladas, Tavares disse que todas são válidas, não só as documentadas na forma escrita. É preciso falar com as testemunhas oculares da História, entrevistá-las e, assim, contribuir para a documentação. “Tudo pode virar prova histórica, desde que seja analisada e ponderada de forma crítica”, conclui ele.
VESTIBULAR UNIFICADO – Mas a proposta do Ministério da Educação (MEC) de estabelecer um “novo vestibular unificado” nas universidades federais poderá aumentar ainda mais a exclusão social entre os estudantes, sobretudo os egressos da rede pública de ensino. E essa foi a conclusão polêmica dos educadores que participaram do bate-papo na “Arena Jovem Oi”, também na noite do 22/04. O assunto esquentou a palestra “A educação pode promover a inclusão social?”, ministrada pelos educadores Cipriano Luckesi (foto ao lado), Jorge Portugal e Alba Bagdeve.
Segundo os educadores, através do vestibular unificado, que será a prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), os candidatos da rede pública, principalmente da região Nordeste do país, terão ainda mais dificuldade de ingressar em uma universidade federal. Isso porque os candidatos de todo país podem se candidatar a vagas de qualquer parte do Brasil sem precisar se deslocar até o local escolhido para realização da prova. Nesse caso, o principal risco é que as vagas da Universidade Federal da Bahia (UFBA) sejam ocupadas por estudantes de outras regiões do país.
“Temos disparidades culturais e educacionais no país. Os estudantes do sul e sudeste terão mais vantagens sobre os estudantes da região nordeste, sobretudo os da rede pública. As autoridades precisam repensar essa proposta, senão, dentro de alguns anos, teremos um massacre da exclusão social”, avaliou o professor Portugal (foto ao lado).
Já Luckesi lembrou que o governo tem investido muito pouco no ensino público superior, aumentando ainda mais a exclusão social dos estudantes. Ele lembra que o número de vagas criadas ao longo dos últimos 30 anos não tem acompanhado o crescimento da população. “O número de vagas criadas nos últimos anos é muito pequeno para atender a demanda. A concorrência é grande e somente os mais preparados têm acesso às instituições federais”, pontuou.
Os professores ressaltaram ainda que para se garantir a igualdade de oportunidades na sociedade, é preciso garantir educação de qualidade no ensino público, sobretudo investindo no educador. Apesar das dificuldades, os educadores (*quais?) têm realizado esforços para garantir ensino de qualidade dentro das escolas da rede pública. “O professor comprometido tem habilidades para se descobrir habilidades criativas”, observou Luckesi.
Mary Del Priore e Luis Henrique Tavares. “Não existe história contada até o fim, sempre existe algo ainda a contar”. II Fórum da Rede Nordeste do Livro e da Leitura.
fotos: Via Press Comunicação

ATOR BAIANO DÁ UM SHOW EM “FORÇA-TAREFA”

Por Elenilson Nascimento
Que a Globo sempre escolhe atores por serem “bonitinhos”, todo mundo já sabe. Três meses depois de interpretar o pilantra Dodi, na super-chata novela “A Favorita” (*aquela que ficou famosa por ter ressuscitado a música “Beijinho Doce”), o ator Murilo Benício – péssimo, aliás, canastrão como sempre – aparece na tela como o tenente Wilson, policial que é protagonista da série “Força-Tarefa”. Benício faz um papel de um policial honesto(?) que faz parte da corregedoria que tem à frente o coronel Caetano (o sempre excelente ator Milton Gonçalves) na primeira temporada da série que terá apenas 12 episódios.
“Acho que era urgente que a TV Globo falasse desse universo”, afirmou o diretor da série, José Alvarenga. Na série, um grupo de policiais prima pela honestidade e investiga os crimes cometidos por colegas de farda. Doze anos após o sucesso de uma outra série com o mesmo argumento, "A Justiceira" (*com Malu Mader, exibido na década de 90), e num momento em que outras emissoras apostam no gênero, a TV Globo volta ao universo das séries policiais.
Enquanto o Murilo Benício teve que engordar quatro quilos para interpretar o personagem Wilson nessa nova série da Globo, outros atores estão dando um banho. Ator gaúcho Juliano Cazarré, por exemplo, diz que foi proibido de assistir novelas ou a qualquer programa da grade noturna da TV ao longo de toda a infância e agora, aos 28 anos, vai à forra e faz parte do elenco de duas das principais investidas da televisão aberta deste ano. Desdobrando-se entre o policial durão Irineu, de “Força-Tarefa”, e o galã Cleber, de “Som e Fúria”, Cazarré faz dupla estreia para o grande público.
Porém, para a minha surpresa, destaco mesmo é a participação do ator baiano Osvaldo Baraúna Neto (foto acima) que interpreta o policial (*acho que submisso) Genival. Mas antes que alguém lembre do capitão Nascimento, interpretado pelo também baiano Wagner Moura em “Tropa de Elite” (2007), embora os dois não tenham nenhuma semelhança, apesar da truculência, o personagem de Baraúna parece o mais tranquilão da série. Talvez ele venha a se apaixonar por Selma, a sargento e única mulher a trabalhar na corregedoria, para apimentar a série. Mas, para quem ainda não sabe, a policial é, a que tudo indica, homossexual assumida. “Por ser a única mulher da equipe, ela tenta buscar o respeito por meio de uma postura durona e autoritária”, explicou a atriz Hermylla Guedes.
Porém, mesmo que aparentemente nada lembre da sua origem nordestina, o sargento Genival é racional, didático, compenetrado e um dos mais experientes policiais do grupo. “Ele tem muita paciência e não desacata ordens”, disse o Baraúna. Então, M-E-R-D-A (*no teatro se diz “merda” para desejar sorte) para esse baiano retado! Mas o que mais gostei disso tudo foi ter lembrado que o Osvaldo Baraúna Neto foi meu colega na academia Resgate há alguns anos atrás. Será que ele iria lembrar também? Acho que não.

foto: divulgação

quinta-feira, 23 de abril de 2009

BATE-BOCA ENTRE MINISTROS NO STF

"Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste País e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faz o que eu faço”. (Joaquim Barbosa, ministro)
Por Elenilson Nascimento
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes bateram boca nesta quinta-feira (23/04) durante exatos 13 minutos. A discussão começou quando a Corte analisava recursos em que era discutido se as decisões, sobre benefícios da Previdência do Paraná e sobre foro privilegiado, tinham ou não efeito retroativo. Essas decisões haviam sido tomadas (*justamente) em sessões durante uma licença de Barbosa.
O ministro Barbosa disse que a tese de Mendes deveria ter sido exposta "em pratos limpos". Mendes respondeu ironicamente: "Ela foi exposta em pratos limpos. Eu não sonego informações. Vossa Excelência me respeite...", e lembrou que o ministro faltara à sessão em que o recurso começou a ser decidido.
Quando Mendes disse que o ministro não tinha "condições de dar lição a ninguém", ouviu o seguinte: "Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste País e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faz o que eu faço”. Em seguida, depois de Mendes dizer que estava na rua, Barbosa acrescentou: "Vossa Excelência não está na rua não. Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro."
No vídeo abaixo, um outro ministro, Carlos Ayres Britto, tenta acalmar os ânimos: "Ministro Joaquim, vamos ponderar". Não adiantou absolutamente nada. E o bate-boca continuou: "Vossa Excelência quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite!", reagiu Barbosa.
Após a discussão, os ministros reuniram para tratar do bate-boca, com exceção de Barbosa, que se retirou do tribunal. Pelo visto, a baderna (*e a falta de educação) não se espalhou somente entre o povão. Esse bate-boca entre os ministros do STF, reuniu dois personagens típicos que há décadas fazem carreiras paralelas, mas nunca foram amiguinhos – muito pelo contrário. Barbosa e Mendes foram contemporâneos na Universidade de Brasília (UnB). Depois, prestaram o mesmo concurso para oficial de chancelaria do Itamaraty. Estavam juntos num concurso para procurador do Ministério Público, sempre sendo aprovados. Segundo a revista Veja, a rixa entre os dois ficou patente na ocasião da indicação de Barbosa para o Supremo, aonde Mendes chegara um ano antes. Barbosa atribui ao colega uma campanha de bastidores contra a sua indicação.
Para quem não lembra, o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, foi o mesmo que mandou soltar o Daniel Dantas, por duas vezes. E prestou um grande serviço a corrupção do país. O ministro Gilmar Mendes é uma das vergonhas do Supremo Tribunal Federal. E o Joaquim Barbosa deve ter os motivos dele para ter ficado tão irritado. Veja abaixo os ministros do Supremo Tribunal Federal batendo boca:

Abaixo, um cidadão comum desabafando contra o ministro Gilmar Mendes, na ocasião do caso Daniel Dantas:

quarta-feira, 22 de abril de 2009

CAMINHOS DA PUBLICAÇÃO LITERÁRIA PARA OS NOVOS AUTORES

“A priori não dá pra largar o seu emprego (*ou a busca por um) logo que você fecha um contrato com uma editora. Na grande maioria dos casos os escritores ganham um percentual sobre livro vendido, que varia entre 8 e 10% do preço de capa. Só? Só.”
Por Elenilson Nascimento
Espalhem pelo mundo, oh poetas de todas as partes, esse pó e deixem-no voar por si só, ao colo das brisas que carreguem para o infinito esse sonho proscrito que apenas adormeceu. Sonho de publicar... Sonho de ser publicado... Sonho de ser lido... Sonho de ser devorado... Libertem a utopia e não lhe chorem o fim da literatura, pois dentro de mim a Primavera acontece a toda a hora numa redoma intocável junto à nascente inesgotável de fantasias e de ilusões onde as mortes são renovações e todos os ciclos se perpetuam. E nas vossas, caros leitores, também.
Mas a primeira pergunta, e a mais óbvia geralmente, é esquecida pela maioria das pessoas, em todas as áreas profissionais. Ela não é “como publicar um livro?” e sim “por que - nos dias de hoje - publicar um livro?”. Para ganhar dinheiro? Satisfazer o próprio ego? Levar uma mensagem às pessoas? Deixar seus pais ou filhos orgulhosos? Nenhuma das respostas é melhor do que a outra, mas cada uma influencia diretamente na abordagem de todo e qualquer escritor. Por isso, reflita bastante sobre essa pergunta e leia atentamente essa matéria. Será que o livro é a melhor solução? Livro dá trabalho, custa dinheiro, é difícil distribuir… e na sua grande maioria, vai passar o resto dos seus dias em estantes, e fechados. Já pensou em escrever filmes, séries de TV, tiras de jornal, um blog? Vale tudo, menos novela para a Rede Globo ou para a Record do Reino de Deus.
Então, no último dia 21/04, dia em que as goteiras na “Bienal do Livro da Bahia” resolveram se manifestar, os escritores Dênisson Padilha Filho (foto 1), Goulart Gomes (foto 2) e Suênio Campos Lucena (foto 3) foram unânimes que há três caminhos mais concretos para o escritor iniciante que quer publicar um livro: recurso próprio, prêmios de literatura e leis de incentivo à cultura (*que eu tenho quase certeza: inviável para quem não tem um pistolão) .
Com 25 livros publicados, Goulart, por exemplo, revelou que os seus primeiros livros foram custeados do próprio bolso – coisa que eu também tenho feito. "Tinha que passar o chapéu entre os familiares", brincou ele no debate no “Café Literário”. Mas, ainda segundo o ator, quem não tem condições de bancar seu próprio livro deve recorrer aos concursos e às leis de incentivo. "Hoje temos três concursos maiores na Bahia: da Academia de Letras da Bahia, do Banco Capital e o Prêmio Braskem, em parceria com a Fundação Casa de Jorge Amado", indicou o Dênisson.
Segundo os autores, como se tudo fosse muito fácil, em âmbito nacional existe o Prêmio Petrobras de Literatura, que já foi vencido pela escritora baiana Allex Leila (*presença confirmada na “Arena Jovem Oi”, no próximo dia 24/04). Mas, ao contrário do que pregaram os renomados autores, geralmente essas questões deveriam ser deixadas por último plano, porém, como eu sei que as pessoas aqui na LITERATURA CLANDESTINA fazem tanta questão de saber se só participar de premiações é uma coisa valida, vamos lá: depende. Depende do seu livro, depende de você, depende do alinhamento dos astros, da sua expectativa e da pessoa conhecida nessas premiações. A priori não dá pra largar o seu emprego (*ou a busca por um) logo que você fecha um contrato com uma editora. Na grande maioria dos casos os escritores ganham um percentual sobre livro vendido, que varia entre 8 e 10% do preço de capa. Só? Só. Às vezes, até menos. O maior percentual (cerca de 50%) cobre os custos de distribuição (livraria) e o resto vai para a editora, que também arca com a impressão. E isso os renomados autores não falaram.
Já as leis de incentivo existem na esfera estadual – como o Faz Cultura, e na esfera federal – a Lei Rouanet. Mas, existe tanta burocracia que o cara se perde no emaranhado de documentos e babações de ovo para publicar. Contudo, paralelamente à publicação do livro, Dênisson, Goulart e Lucena, levantaram ainda uma outra questão importante e preocupante: a distribuição do livro. Muito material bom que é produzido localmente acaba não alcançando uma ampla circulação. "Não queremos ser conhecidos como autores baianos, mas como autores! Precisamos de uma política pública de leitura", alertou Lucena. Fora que tem gente que ainda acha isso tudo muito pouco, mas há que se lembrar que a distribuição de livros no Brasil é complicadíssima devido ao tamanho do país. Custos de impressão e papel são absorvidos pela editora, assim como eventuais prejuízos. Mas, mesmo assim, nada justifica a maneira como as editoras tratam os autores (não) famosos.
Por fim, os autores deram mais uma dica: é importante interagir com a cena literária da sua cidade – como se isso fosse realmente possível, como se não existissem nichos pré-destinados (*grupinhos apadrinhados que não deixam ninguém se aproximar). "Troque seus escritos originais com outros autores já inseridos nesse cenário, receba críticas, faça contatos e comece a circular", é o que sugere Dênisson. Que piada, viu!
fotos: Via Press Comunicação