segunda-feira, 30 de março de 2009
GOVERNO DO MALAWI QUER IMPEDIR MADONNA DE ADOTAR OUTRA CRIANÇA
Por Elenilson Nascimento
Madonna já está no Malawi para adotar uma segunda criança de três anos, natural deste país do sul da África, com nome de Mercy. A cantora, que desde 2006 é mãe adotiva do malaui David Banda, chegou ao país acompanhada da filha Lourdes Maria, de 12 anos (*a cara da mãe) e do Rocco. Mas a fofoca já começou. Em anonimato, um funcionário do Departamento de Bem-Estar Social do governo informou à agência de notícias Associated Press que Madonna já entrou com os papéis para concretizar a adoção.
Mas outra pessoa próxima do caso disse que uma corte poderá ouvir seu pedido nessa segunda-feira, 30/03. Ambos falaram em anonimato por causa da delicadeza do assunto no Malawi. E, por conta da visita, um grande grupo de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas já estão acompanhando todos os passos da cantora – conforme as fotos nesse post (*Madonna tá com uma cara estranha – outra plástica?). Respondendo as perguntas de leitores de uma publicação americana enviadas por e-mail, Madonna disse: "Muita gente, especialmente nossos amigos malauis, dizem que David deveria ter um irmão ou uma irmã do Malaui". No entanto, de acordo a agência Europa Press, Madonna está a ser impedida de adoptar essa criança. Motivo: o divórcio com o Guy Ritchie e uma vida amorosa (*ela só pegou Jesus e Alex!) constantemente nas páginas das revistas “cor-de-rosa” foram os motivos invocados pelo Governo do Malawi para indeferir o pedido de adoção. “A nossa política não nos permite enviar os nossos filhos para lares destruídos”, declarou Simon Chisale, director do Departamento de Bem-Estar Social do Malawi.
Ao invés deles darem graças a Deus por uma mulher rica adotar uma crinaça, eles preferem que os “seus filhos” morram na miséria e de Aids. Mas, na verdade, já na altura em que adotou o garoto David, Madonna também foi acusada de ter usado a sua fama e fortuna para acelerar o processo. Sorte dela se realmente isso aconteceu. Até com a Madonna rola burocracia. Mas não liga não gata, tô aqui. Quer me dotar? Eu topo!
Nas fotos, Madonna devidamente penteada de princesa Lea de “Guerra nas Estrelas” saindo com a turma para conhecer seus projetos sociais no Malawi, como uma escola que mandou construir. Vestida com uma camiseta que parece que está escrito “Malawi ama Madonna”, enquanto Lourdes Maria, sempre hype, vestia outra em homenagem o Rio de Janeiro. Já o David vestia um shorte com a bandeira no Brasil e parece muito feliz em sua cidade natal. Até estava se exibindo com uma guitarra. 
fotos: All About Madonna/MadonnaOnline
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Textos jornalísticos de Elenilson Nascimento
CRÔNICA DA MORTE CONSUMADA (trechos)
“A poética da morte é a da igualdade dos mortos. Nenhuma divergência quanto a nacionalidade, sexo, idade ou crença. Os mortos são absolutamente iguais como deveriam ser os vivos se a vida não os envaidecesse tanto, fazendo da distinção o valor maior...”
Por Gey Espinheira*
Dedicamos um dia à morte, não à morte de todos os dias que o profissionalismo das funerárias e dos coveiros enfrenta, dos mortos avulsos e uns tantos anônimos, mas à morte de todos, universal. O lugar da morte é o cemitério. Em um mesmo cemitério persiste a hierarquia dos mortos quando em vida. Os mortos jamais são iguais, ainda que ao pó retornados, são o que foram em vida na expressão de suas representações na arquitetura de seus túmulos. Mas há os cemitérios para os diferentes, ou seja, cemitérios de ricos e cemitérios de pobres; mas para além dessa diferenciação, em um mesmo cemitério, como em uma cidade, há lugares centrais e periféricos.
No tempo em que se morria - e aqui quero dizer a morte trágica - desenganado pelos médicos, ou de modo abrupto por ataque cardíaco, morrer do coração, como se dizia; ou ainda de acidente, a morte tinha um significado especial. Era morte esperada ou surpreendente a desorganizar a família, os amigos, os vizinhos, enfim, a casa inteira, uma rua ou mesmo uma cidade. Morte sentida, inconsolável, “esconsolável consolatrix consoadíssima...”.
Hoje, a morte é clínica. A tecnologia vai às últimas conseqüências, invade pelos orifícios do corpo com sondas, tubos; perfura o corpo e o invade e máquinas, superórgãos, mantêm a vitalidade enquanto se espera que o corpo doente ou agredido se recupere. No caso, a morte é clínica. O organismo não respondeu, não suportou. O corpo, também máquina sujeita a reparações, e eis que a mecânica já não dá conta da vida. Morte sentida, sim, mas morte racional, burocrática, explicada nos mínimos detalhes. Morte sem mistério.
O ataque do coração é agora o enfarto. O enfarto não tem a mesma dramaticidade do ataque, do arrebentar do coração vítima de um ataque, do acometimento de um mal súbito. Súbito, abrupto! Ser atacado! Sofrer um ataque! E eis que, indefeso e desavisado, sobreveio o ataque do coração. Quão diferente de saber que teve um enfarto, um enfarte. Há mais dignidade quando se morre de um ataque do coração do que de um enfarto.
A medicina banalizou a morte e a fez calculável, previsível, de tal modo que quem morre é responsável por sua própria morte e deve ser recriminado por isso. Não se cuidou! Não ia ao médico! Etc. As mortes surpresa, as mortes homeopáticas de doenças incuráveis... A “dama branca”: “Por uma noite de muito frio/A Dama Branca levou meu pai” (2). Como eram heróicas as mortes de antigamente! Morria-se em casa, na própria cama, como em um verso de Lorca. A morte era um ritual da vida e não um exercício médico. “Tudo é milagre/Tudo, menos a morte. /Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres”. Mas não é da morte que queremos falar, mas do lugar dos mortos, os cemitérios. (...) Infelizes os mortos sem sepultura, invisíveis e silenciosos. Os que têm pátria, semeados em lugar conhecido e seguro, estão sempre à espera e sempre nos dizem coisas quando estamos com vontade de morrer.
________
* No último dia 17/03, faleceu em Salvador (BA) o sempre excelente sociólogo, professor, escritor e uma das poucas “cabeças pensantes” do Brasil, o Gey Espinheira. Natural de Poções, no interior da Bahia, Carlos Geraldo D’Andrea Espinheira, 62 anos, era graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também se tornou mestre e doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo. Atualmente era pesquisador do Centro de Recursos Humanos e professor adjunto da UFBA.
Exemplo de intelectual (*um dos poucos que tenho como referência), que ia além das pesquisas teóricas e que se preocupava em intervir para melhorar a vida da sociedade, era também muito requisitado pelos movimentos sociais para falar, principalmente da questão do combate à violência.
Nos últimos meses, atuou também como consultor do “Planejamento Estratégico Participativo de Ação do Centro de Formação do Projeto Axé”. Porém, ele estava internado há 10 dias com câncer de esôfago em um quarto no Hospital da Bahia, em Salvador. O câncer apareceu há quatro anos e Gey chegou a passar por uma cirurgia. Mas, em 2007, o câncer apareceu novamente. Gey não acreditava que o câncer fosse curado e em seus últimos momentos de vida foi sedado porque os médicos já consideravam a situação irreversível. Durante todo o período em que conviveu com o câncer, Gey não interrompeu seus trabalhos como pesquisador do Centro de Recursos Humanos da UFBA e professor de sociologia das emoções no curso de pós-graduação da UFBA. No ano passado eu perguntei a ele o porquê da UFBA ter se tornado uma “ilha cercada de mato por todos os lado e cheia de pessoas arrogantes”. E a sua resposta: “Eu ainda não sei!”. (Elenilson Nascimento)
foto 1: Antônio Queirós/Correio
foto 2: Fernando Amorim/A Tarde
foto 3: Projeto Axé
Por Gey Espinheira*
Dedicamos um dia à morte, não à morte de todos os dias que o profissionalismo das funerárias e dos coveiros enfrenta, dos mortos avulsos e uns tantos anônimos, mas à morte de todos, universal. O lugar da morte é o cemitério. Em um mesmo cemitério persiste a hierarquia dos mortos quando em vida. Os mortos jamais são iguais, ainda que ao pó retornados, são o que foram em vida na expressão de suas representações na arquitetura de seus túmulos. Mas há os cemitérios para os diferentes, ou seja, cemitérios de ricos e cemitérios de pobres; mas para além dessa diferenciação, em um mesmo cemitério, como em uma cidade, há lugares centrais e periféricos.
No tempo em que se morria - e aqui quero dizer a morte trágica - desenganado pelos médicos, ou de modo abrupto por ataque cardíaco, morrer do coração, como se dizia; ou ainda de acidente, a morte tinha um significado especial. Era morte esperada ou surpreendente a desorganizar a família, os amigos, os vizinhos, enfim, a casa inteira, uma rua ou mesmo uma cidade. Morte sentida, inconsolável, “esconsolável consolatrix consoadíssima...”.
Hoje, a morte é clínica. A tecnologia vai às últimas conseqüências, invade pelos orifícios do corpo com sondas, tubos; perfura o corpo e o invade e máquinas, superórgãos, mantêm a vitalidade enquanto se espera que o corpo doente ou agredido se recupere. No caso, a morte é clínica. O organismo não respondeu, não suportou. O corpo, também máquina sujeita a reparações, e eis que a mecânica já não dá conta da vida. Morte sentida, sim, mas morte racional, burocrática, explicada nos mínimos detalhes. Morte sem mistério.
O ataque do coração é agora o enfarto. O enfarto não tem a mesma dramaticidade do ataque, do arrebentar do coração vítima de um ataque, do acometimento de um mal súbito. Súbito, abrupto! Ser atacado! Sofrer um ataque! E eis que, indefeso e desavisado, sobreveio o ataque do coração. Quão diferente de saber que teve um enfarto, um enfarte. Há mais dignidade quando se morre de um ataque do coração do que de um enfarto.
A medicina banalizou a morte e a fez calculável, previsível, de tal modo que quem morre é responsável por sua própria morte e deve ser recriminado por isso. Não se cuidou! Não ia ao médico! Etc. As mortes surpresa, as mortes homeopáticas de doenças incuráveis... A “dama branca”: “Por uma noite de muito frio/A Dama Branca levou meu pai” (2). Como eram heróicas as mortes de antigamente! Morria-se em casa, na própria cama, como em um verso de Lorca. A morte era um ritual da vida e não um exercício médico. “Tudo é milagre/Tudo, menos a morte. /Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres”. Mas não é da morte que queremos falar, mas do lugar dos mortos, os cemitérios. (...) Infelizes os mortos sem sepultura, invisíveis e silenciosos. Os que têm pátria, semeados em lugar conhecido e seguro, estão sempre à espera e sempre nos dizem coisas quando estamos com vontade de morrer.
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Exemplo de intelectual (*um dos poucos que tenho como referência), que ia além das pesquisas teóricas e que se preocupava em intervir para melhorar a vida da sociedade, era também muito requisitado pelos movimentos sociais para falar, principalmente da questão do combate à violência.
Nos últimos meses, atuou também como consultor do “Planejamento Estratégico Participativo de Ação do Centro de Formação do Projeto Axé”. Porém, ele estava internado há 10 dias com câncer de esôfago em um quarto no Hospital da Bahia, em Salvador. O câncer apareceu há quatro anos e Gey chegou a passar por uma cirurgia. Mas, em 2007, o câncer apareceu novamente. Gey não acreditava que o câncer fosse curado e em seus últimos momentos de vida foi sedado porque os médicos já consideravam a situação irreversível. Durante todo o período em que conviveu com o câncer, Gey não interrompeu seus trabalhos como pesquisador do Centro de Recursos Humanos da UFBA e professor de sociologia das emoções no curso de pós-graduação da UFBA. No ano passado eu perguntei a ele o porquê da UFBA ter se tornado uma “ilha cercada de mato por todos os lado e cheia de pessoas arrogantes”. E a sua resposta: “Eu ainda não sei!”. (Elenilson Nascimento)
foto 1: Antônio Queirós/Correio
foto 2: Fernando Amorim/A Tarde
foto 3: Projeto Axé
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Crônicas de outros autores
domingo, 29 de março de 2009
ASSOCIADA AO APARTHEID SOCIAL, A DESIGUALDADE É HISTÓRICA EM SALVADOR
"Decorridos 460 anos, as desigualdades sociais ainda marcam o dia-a-dia das grandes cidades brasileiras, como Salvador."
Por Elenilson Nasci
mento
Dizem lá pelos livros de História do Brasil que, lá pelos idos de 1549, o primeiro governador geral do Brasil, Tomé de Souza (*o mesmo que teve a incumbência de fundar a cidade de São Salvador da Bahia) sentenciou à morte um índio que assassinara um colono. A pena foi cumprida a risca e de forma bárbara, como bárbaros eram aqueles tempos e como também bárbaros são os de hoje com os “novos capitães do mato” (a polícia) barbarizando.
Mas, voltando ao índio condenado: colocado à boca de um canhão, o homicida voou pelos ares. Um ano depois, ainda sob a administração de Souza, dois franceses foram flagrados contrabandeando pau-brasil, um crime que a Coroa não tolerava. Mas a dupla de criminosos foi perdoada. Não, o mandatário não havia se abrandado repentinamente ao som de músicas imbecis do padre Antonio Vieira (*o Marcelo Rossi daqueles tempos). Apenas considerava que há criminosos e criminosos, exatamente como acontece nos dias de hoje com a liberação (*por habeas-corpus) na última sexta-feira, 27/03, da Eliana Tranchesi , dona da loja (*só para ricos) Daslu, enquanto centenas de miseráveis estão encarcerados nas penitenciarias por qualquer “crimesinho básico” e sem um apoio jurídico confiável.
Decorridos 460 anos, as desigualdades sociais ainda marcam o dia-a-dia das grandes cidades brasileiras que, como Salvador, enfrentam o desafio de conviver com a violência urbana. Mas, como apontam os estudiosos do tema, o fenômeno (*que não se chama Ronalducho) decorre de vários fatores históricos, às vezes, de forma imperceptível.





foto 1: Caminho dos Versos; fotos 2 até 5: Fernando Vivas
foto 6: Lúcio Távora; foto 7: Marco Aurélio Martins
e foto 8: Eduardo Martins
mentoDizem lá pelos livros de História do Brasil que, lá pelos idos de 1549, o primeiro governador geral do Brasil, Tomé de Souza (*o mesmo que teve a incumbência de fundar a cidade de São Salvador da Bahia) sentenciou à morte um índio que assassinara um colono. A pena foi cumprida a risca e de forma bárbara, como bárbaros eram aqueles tempos e como também bárbaros são os de hoje com os “novos capitães do mato” (a polícia) barbarizando.
Mas, voltando ao índio condenado: colocado à boca de um canhão, o homicida voou pelos ares. Um ano depois, ainda sob a administração de Souza, dois franceses foram flagrados contrabandeando pau-brasil, um crime que a Coroa não tolerava. Mas a dupla de criminosos foi perdoada. Não, o mandatário não havia se abrandado repentinamente ao som de músicas imbecis do padre Antonio Vieira (*o Marcelo Rossi daqueles tempos). Apenas considerava que há criminosos e criminosos, exatamente como acontece nos dias de hoje com a liberação (*por habeas-corpus) na última sexta-feira, 27/03, da Eliana Tranchesi , dona da loja (*só para ricos) Daslu, enquanto centenas de miseráveis estão encarcerados nas penitenciarias por qualquer “crimesinho básico” e sem um apoio jurídico confiável.
Decorridos 460 anos, as desigualdades sociais ainda marcam o dia-a-dia das grandes cidades brasileiras que, como Salvador, enfrentam o desafio de conviver com a violência urbana. Mas, como apontam os estudiosos do tema, o fenômeno (*que não se chama Ronalducho) decorre de vários fatores históricos, às vezes, de forma imperceptível.
foto 6: Lúcio Távora; foto 7: Marco Aurélio Martins
e foto 8: Eduardo Martins
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Fotografias,
Textos jornalísticos de Elenilson Nascimento
sexta-feira, 27 de março de 2009
460 ANOS DE SALVADOR
Por Elenilson Nasci
mento
Neste domingo, 29/03, Salvador completa 460 anos de fundação, e apesar da capital baiana que é conhecida por sua magia e encanto está se tornando uma cidade violenta, sem projetos eficientes por parte dos Poderes Públicos, sem policiamento adequado, sem investimento na área de Saúde e Educação, com o índice de desempregados aumentando a cada dia e com o governo municipal (prefeito João Henrique, um bobo da corte e pior prefeito do Brasil - segundo o Datafolha) e estadual (governador Jaques Wagner, um mentiroso), temos que juntar forças para mudar essa situação.
Vários pontos turísticos de Salvador estão preparados para festejar os 460 anos da cidade neste domingo. Muita música e acarajé estão previstos para a comemoração. O Farol da Barra, Campo Grande e Praça Thomé de Souza vão receber atrações musicais. Mas, o que temos para comemorar? Muito pouco. Porém, a LITERATURA CLANDESTINA não vai ficar listando o que todo mundo já sabe. Abaixo, algumas declarações de amor à nossa cidade por alguns cidadãos do bem. Confira:
· Jau, que um dia já foi Jauperi, é o cara que tem a cara da Bahia. Adoro ele! No ano passado ele voltou aos palcos baianos, trazendo como convidada ninguém menos que a Maria Rita com o seu show "Samba Meu". Depois do sucesso da temporada “Uafro” e do Carnaval, Jau fez alguns shows na Europa, onde passou um mês, na volta passou pela tradicional Feira de Caxixis, em Nazaré. Agora Jau vem mostrando toda sua musicalidade no Cais Dourado, Comércio. Em breve, vai entrar em estúdio para gravar seu primeiro disco solo (*pois é, o câmara ainda não tm, mas garanto, ele tem uma voz linda) que será produzido pelo também compositor David Morais (ex-Marisa Monte, ex-Ivete e ex-Vanessa da Matta). Com canções autorais mostrando todo o universo da Bahia, que é sempre sua referência. Jau entra em estúdio no fim de maio e pretende sair com muitas surpresas.
A única gravação certa é a música “Topo do mundo”. Assista ao vídeo
· Eddye (Fantasmão). Antes do Carnaval, Caetano Veloso, em seu blog, deu a senha: “A melhor coisa do mundo é o pagode baiano”. E fez referências elogiosas aos novos grupos citando, nominalmente, Psirico, Pretubom, Parangolé e Fantasmão, chamando-os de “pretos da nova geração”. Muita gente achou exagero (*inclusive eu). Quando o Carnaval chegou, todos fizeram bonito na avenida. Mas, dessa vez, os holofotes se voltaram totalmente para o Fantasmão, banda liderada pelo vocalista Eddye que lançou recentemente um DVD gravado em Salvador, e anuncia o próximo a ser feito em Fortaleza. Eu não gosto do som do cara, mas o Eddye tem uma voz linda, principalmente quando canta músicas de verdade. Uma pena que o povo na Bahia (e em boa parte do Brasil) se contenta com “merdas”. Aqui, Eddye canta duas músicas em reverência a Salvador. Assist
a ao vídeo
· Alinne Rosa (Cheiro de Amor) aquela que no ano passado protagonizou um cena (polemica?) de beijo na boca com a Daniela Mercury durante a gravação do DVD da Banda Cheiro de Amor realizada no Forte de São Marcelo, em Salvador – CLIQUE AQUI. A banda já passou por diversas fases e se manteve nas paradas musicais com os vocais de Márcia Freire deixou a banda para seguir uma carreira solo dando lugar a Carla Visi, que agitou os fãs do Cheiro por muitos anos. Em 2004 a banda ganhou uma nova cara com a contratação de Alinne Rosa que é a nova aposta da Bahia. Assista ao vídeo
vídeos: iBahia
Neste domingo, 29/03, Salvador completa 460 anos de fundação, e apesar da capital baiana que é conhecida por sua magia e encanto está se tornando uma cidade violenta, sem projetos eficientes por parte dos Poderes Públicos, sem policiamento adequado, sem investimento na área de Saúde e Educação, com o índice de desempregados aumentando a cada dia e com o governo municipal (prefeito João Henrique, um bobo da corte e pior prefeito do Brasil - segundo o Datafolha) e estadual (governador Jaques Wagner, um mentiroso), temos que juntar forças para mudar essa situação.
Vários pontos turísticos de Salvador estão preparados para festejar os 460 anos da cidade neste domingo. Muita música e acarajé estão previstos para a comemoração. O Farol da Barra, Campo Grande e Praça Thomé de Souza vão receber atrações musicais. Mas, o que temos para comemorar? Muito pouco. Porém, a LITERATURA CLANDESTINA não vai ficar listando o que todo mundo já sabe. Abaixo, algumas declarações de amor à nossa cidade por alguns cidadãos do bem. Confira:
· Eddye (Fantasmão). Antes do Carnaval, Caetano Veloso, em seu blog, deu a senha: “A melhor coisa do mundo é o pagode baiano”. E fez referências elogiosas aos novos grupos citando, nominalmente, Psirico, Pretubom, Parangolé e Fantasmão, chamando-os de “pretos da nova geração”. Muita gente achou exagero (*inclusive eu). Quando o Carnaval chegou, todos fizeram bonito na avenida. Mas, dessa vez, os holofotes se voltaram totalmente para o Fantasmão, banda liderada pelo vocalista Eddye que lançou recentemente um DVD gravado em Salvador, e anuncia o próximo a ser feito em Fortaleza. Eu não gosto do som do cara, mas o Eddye tem uma voz linda, principalmente quando canta músicas de verdade. Uma pena que o povo na Bahia (e em boa parte do Brasil) se contenta com “merdas”. Aqui, Eddye canta duas músicas em reverência a Salvador. Assist
· Alinne Rosa (Cheiro de Amor) aquela que no ano passado protagonizou um cena (polemica?) de beijo na boca com a Daniela Mercury durante a gravação do DVD da Banda Cheiro de Amor realizada no Forte de São Marcelo, em Salvador – CLIQUE AQUI. A banda já passou por diversas fases e se manteve nas paradas musicais com os vocais de Márcia Freire deixou a banda para seguir uma carreira solo dando lugar a Carla Visi, que agitou os fãs do Cheiro por muitos anos. Em 2004 a banda ganhou uma nova cara com a contratação de Alinne Rosa que é a nova aposta da Bahia. Assista ao vídeo
vídeos: iBahia
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Textos jornalísticos de Elenilson Nascimento
quinta-feira, 26 de março de 2009
ENQUANTO ISSO NO RIO DE JANEIRO (*E SALVADOR)...
“Não é construindo casas populares ou aumentando em mais duas parcelas o seguro desemprego que a coisa vai resolver.”
Por Elenilson Nas
cimento
A sociedade parece mais “atenta” (*sem bem que ainda tenho minhas dúvidas) aos debates sobre a violência no mundo todo – CLIQUE AQUI. A violência é reflexo do que acontece não apenas numa cidade, mas em todo o planeta e expande-se como uma onda e se propaga numa velocidade muito alta por falta de investimentos na Educação e de projetos realmente eficientes de Políticas Públicas. Além disso, não é “construindo casas populares” ou “aumentando em mais duas parcelas o seguro desemprego” que a coisa vai resolver. É necessário programas “de verdade” que diminuam as desigualdades sociais e façam com que os jovens desde cedo tenham uma perspectiva de vida, coisa que anda se perdendo.
O que um jovem deseja hoje? Bem, depende da classe social. Se for de classe A e B, provavelmente, morar fora do Brasil, beber nas baladas, pular nas micaretas, comer gente, comprar roupas de marcas e por aí vai. Mas se for das classes C até Z, como é de praxe, ser jogador de futebol, pagodeiro famoso ou cair no tráfico. Triste futuro o nosso!
Na teoria, a polícia vem trabalhando com a perspectiva de que a maioria desses crimes bárbaros que vem acontecendo por todo o país esteja ligada ao tráfico de drogas. Não é só no Rio de Janeiro que o tráfico vem agindo. Em Salvador – CLIQUE AQUI – em 18 horas desse último fim de semana, foram executadas a tiros oito pessoas na Região Metropolitana. Neste mesmo período houve também assaltos, seqüestros e furtos de veículos. E o que as autoridades (in)competentes vem fazendo? Nada, a não ser aparecer em programas de péssimo gosto dando showzinho.
As localidades mais atingidas com a violência são os bairros periféricos, como: Pero Vaz, Liberdade, Iapi, São Cristovão, Mata Escura, Pernambués, Bairro da Paz e Baixa da Égua. Foram constatados pela Secretária de Segurança Pública - todos esses locais possuem ligação com tráfico de drogas. O governador Jacques Wagner (*que eu ainda não sei o que fez pelo Estado), falou que, o motivo do crescente índice de violência, em Salvador, está ligado a aposentadoria dos policiais e a falta de concursos públicos. Será mesmo?
Eu acho que o governador não anda nos bairros populares. Também lá não tem ar condicionado nem champanha importado. Mas sem os concursos (*aquilo de Guarda Municipal é uma piada!) não tem como haver substituição dos cargos. Enquanto isso, o alto escalão da Polícia Militar da Bahia anda envolvido com corrupção – CLIQUE AQUI. Pior, com os atuais policiais presentes e totalmente despreparados, os meliantes estão fazendo a festa. Sem eles a população fica refém dos bandidos. A ineficiência dos órgãos públicos de segurança está causando revolta na comunidade bahiana. Mas isso a mídia raras vezes mostra. Este quadro doloroso, vexatório, parece fadado a complicar-se. A desorientação de todos os órgãos públicos de segurança deixa transparecer, que a cidade esta entregue a marginalidade.
Por Elenilson Nas
A sociedade parece mais “atenta” (*sem bem que ainda tenho minhas dúvidas) aos debates sobre a violência no mundo todo – CLIQUE AQUI. A violência é reflexo do que acontece não apenas numa cidade, mas em todo o planeta e expande-se como uma onda e se propaga numa velocidade muito alta por falta de investimentos na Educação e de projetos realmente eficientes de Políticas Públicas. Além disso, não é “construindo casas populares” ou “aumentando em mais duas parcelas o seguro desemprego” que a coisa vai resolver. É necessário programas “de verdade” que diminuam as desigualdades sociais e façam com que os jovens desde cedo tenham uma perspectiva de vida, coisa que anda se perdendo.
O que um jovem deseja hoje? Bem, depende da classe social. Se for de classe A e B, provavelmente, morar fora do Brasil, beber nas baladas, pular nas micaretas, comer gente, comprar roupas de marcas e por aí vai. Mas se for das classes C até Z, como é de praxe, ser jogador de futebol, pagodeiro famoso ou cair no tráfico. Triste futuro o nosso!
Na teoria, a polícia vem trabalhando com a perspectiva de que a maioria desses crimes bárbaros que vem acontecendo por todo o país esteja ligada ao tráfico de drogas. Não é só no Rio de Janeiro que o tráfico vem agindo. Em Salvador – CLIQUE AQUI – em 18 horas desse último fim de semana, foram executadas a tiros oito pessoas na Região Metropolitana. Neste mesmo período houve também assaltos, seqüestros e furtos de veículos. E o que as autoridades (in)competentes vem fazendo? Nada, a não ser aparecer em programas de péssimo gosto dando showzinho.
As localidades mais atingidas com a violência são os bairros periféricos, como: Pero Vaz, Liberdade, Iapi, São Cristovão, Mata Escura, Pernambués, Bairro da Paz e Baixa da Égua. Foram constatados pela Secretária de Segurança Pública - todos esses locais possuem ligação com tráfico de drogas. O governador Jacques Wagner (*que eu ainda não sei o que fez pelo Estado), falou que, o motivo do crescente índice de violência, em Salvador, está ligado a aposentadoria dos policiais e a falta de concursos públicos. Será mesmo?
Eu acho que o governador não anda nos bairros populares. Também lá não tem ar condicionado nem champanha importado. Mas sem os concursos (*aquilo de Guarda Municipal é uma piada!) não tem como haver substituição dos cargos. Enquanto isso, o alto escalão da Polícia Militar da Bahia anda envolvido com corrupção – CLIQUE AQUI. Pior, com os atuais policiais presentes e totalmente despreparados, os meliantes estão fazendo a festa. Sem eles a população fica refém dos bandidos. A ineficiência dos órgãos públicos de segurança está causando revolta na comunidade bahiana. Mas isso a mídia raras vezes mostra. Este quadro doloroso, vexatório, parece fadado a complicar-se. A desorientação de todos os órgãos públicos de segurança deixa transparecer, que a cidade esta entregue a marginalidade.
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Textos jornalísticos de Elenilson Nascimento
ENTREVISTA COM A ESCRITORA CAMILLE PAGLIA
“Madonna está patética. O que mais me espanta é esse envolvimento com a cabala. De um lado está a Madonna dos anos 80, um símbolo de rebelião contra a ortodoxia religiosa. Agora temos a Madonna pregando a cabala, catequizando pessoas.”
Por Juliana Linha
res
Sempre colocada nas listas dos grandes nomes da intelectualidade contemporânea e das maiores vocações para provocar encrencas, a crítica americana Camille Paglia, 61, durante anos teve como ícone máximo a cantora Madonna, de quem exaltou a ousadia e a criatividade em dezenas de artigos. Aí, desencantou-se – hoje a considera "patética". O posto de musa inspiradora, porém, não ficou vago: Camille elegeu para ocupá-lo a cantora baiana Daniela Mercury, que conheceu através de DVDs que a atingiram "como um raio". Autora de cinco livros, entre eles “Personas Sexuais”, uma obra popularizada pelas conexões entre arte clássica e cultura pop, Camille tirou alguns dias de folga na Universidade das Artes, na Filadélfia, onde dá aula de ciências humanas e mídia, para passar o Carnaval em Salvador e, enfim, conhecer Daniela. Antes de cair na folia pagã, falou a revista Veja, em fevereiro de 2009.
Quando a senhora esteve na Bahia, no ano passado, ganhou um pacote de DVDs de Daniela Mercury e, desde então, tem escrito entusiasmados artigos sobre ela. O que a impressionou tanto?
Camille Paglia - A sensação que tive quando vi os DVDs foi de ter sido atingida por um raio. Comecei a pesquisar freneticamente sobre ela, inclusive em vídeos no YouTube. Vi que, no começo, quando apareceu, se assemelhava a uma corsa. Hoje, é uma tigresa. Ao vê-la cantando, eu me dei conta de como andei entediada com a música americana na última década. Foi justamente a época em que Madonna perdeu a pegada. Já escrevi sobre isso, mas faço questão de repetir: fiquei chocada com aquela loucura apaixonada acontecendo ao ar livre no Brasil, enquanto nós, fãs da música americana, ficávamos presos como ovelhas anestesiadas no curral comercial de shows de estádio, caros e cheios. Sem falar nas nossas canções, que são enlatadas e só se seguram por truques de computador. A Daniela surge como uma grande explosão. Ela é a Madonna brasileira. Faz música pop, mas possui outra dimensão incrível que Ma-donna não tem: um grande conhecimento sobre folclore, sobre os grupos étnicos brasileiros e sobre a história da Bahia. É bem verdade que a cultura dos imigrantes italianos, da qual Madonna surgiu, se desintegrou com o passar do tempo. Eu também sou produto dessa cultura e lamento que tenha sobrado tão pouco, fora as citações vulgares em Família Soprano.
Durante décadas, a senhora escreveu artigos elogiando Madonna, a quem cons
iderava "a verdadeira feminista". Depois, mudou de opinião. O que aconteceu?
Camille Paglia - Ela está patética. O que mais me espanta é esse envolvimento com a cabala. De um lado está a Madonna dos anos 80, um símbolo de rebelião contra a ortodoxia religiosa. Agora temos a Madonna pregando a cabala, catequizando pessoas. Para Madonna, consultar a cabala é como ir ao terapeuta. Não é uma crença religiosa, é um modo de lidar com seus problemas psicológicos. E não é coincidência que a criatividade dela tenha decaído. Além disso, ela está um monstro. São inacreditáveis aqueles braços grotescamente musculosos e mãos que lembram garras. Não me parece uma sexualidade realmente autêntica, é muito conceito, muito planejamento mental. Ela deveria meditar sobre sua grande influência, Marlene Dietrich, com quem viveu algo muito triste. Madonna quis fazer um filme sobre Marlene, que ainda estava viva, reclusa em Paris. Marlene não quis. Não permitiu que ela a interpretasse, por considerá-la muito vulgar. Madonna se casou com um homem dez anos mais novo e começou a lutar para parecer uma menininha. Quanto tempo vai continuar com isso?
A separação dela ajudou ou atrapalhou?
Camille Paglia - Eu achava Guy Ritchie um cara decente e continuo achando. Depois da separação, todo mundo esperava que ele voltasse a desfilar com loiras pernudas, o tipo de mulher com quem saía antes de se casar. Até agora, não apareceu nenhuma foto de Ritchie com outra mulher. Já Madonna quer dar o troco e mostrar que continua desejada, mas só parece desesperada ao sair com homens como Alex Rodriguez (jogador de beisebol) e agora o modelo brasileiro. Ele é muito bonito, diria magnífico, mas o caso é patético. Acho bom que mulheres mais velhas tenham namorados mais jovens. Mas tem de existir química, um entendimento na relação entre os dois. No caso de Madonna, o rapaz parece um gigolô e faz com que ela fique ridícula.
Como estudiosa de história antiga, a senhora acha que o presidente Barack Obama poderia ser equiparado a Adriano, que saiu da periferia do Império Romano e o revigorou, ou Constantino, o imperador convertido, que selou o começo do fim?
Camille Paglia - Não sei. O governo dele começou há muito pouco tempo. Barack Obama pode ser um presidente bem-sucedido, ou pode virar prisioneiro de um Senado à romana. Além disso, muitos imperadores romanos foram vítimas da colaboração entre a aristocracia e os militares. Veremos se Obama vai ter a habilidade de controlar o aparato governamental de maneira a impor sua vontade diante um Congresso muito independente.
O império americano está em declínio?
Camille Paglia - É difícil responder a essa pergunta, porque não tenho certeza se o chamaria de império. Os romanos impuseram a sua civilização, bem como os ingleses, no auge do império britânico. O que os caracteriza como império é o controle político e comercial de boa parte do mundo. Eu diria que os Estados Unidos, desde a sua ascensão ao topo do mundo após a I Guerra Mundial, exerceram principalmente um imperialismo cultural, através da exportação dos filmes de Hollywood e de marcas como Coca-Cola e McDonald’s. Quanto ao uso do poderio militar americano no exterior, o que ocorreu no Vietnã e no Iraque foi uma tentativa equivocada de fazer o que se achava correto, em resposta ao que pareciam ser grandes ameaças. Em nenhum dos dois casos existia a ideia prévia de que iríamos nos tornar ocupantes permanentes. Ambas as situações também propiciaram um significativo aumento do poder presidencial. O Poder Executivo usa o Exército sem consultar os demais poderes e sem que o Congresso aprove uma declaração oficial de guerra.
Tantos anos de pós-feminismo e as mulheres parecem continuar a viver em conflito diante de seus diversos papéis. Há solução à vista?
Camille Paglia - Não. É um dilema terrível quando as mulheres aspiram a ter filhos e carreira. E é um dilema que não afeta os homens. Não por uma questão de discriminação da sociedade, mas simplesmente porque a natureza escolheu deixar o enorme fardo da gravidez para as mulheres. Vemos nos tempos modernos uma evolução da antiga família ampliada, da grande família tribal, em que diferentes gerações viviam juntas, rumo ao modelo em que as pessoas vivem isoladas em famílias nucleares, seja mãe, pai e filho, seja mãe divorciada e filho ou mãe solteira e filho. Isso põe as mulheres sob enorme pressão para fazer coisas que antigamente eram feitas pelas parentes. Antigamente, no interior, quando uma jovem ficava grávida, ela não fazia nada. As mulheres mais velhas a dominavam e ficavam dizendo "Vá descansar, saia da cozinha. O filho que você leva aí dentro é o nosso sangue". Hoje, quanto mais bem-sucedida a mulher, mais distante ela está desse modelo comunal. Ela vive louca atrás de babá, empregada, enfermeira. Consequentemente, sofre um nível de intensidade nervosa e de exaustão sem precedentes na história. Alguém se lembra de ter tido uma avó agitada?
As mulheres perdem com isso?
Camille Paglia - Claro. A feminilidade americana hoje é estressada, é louca, é "superconceituada". Todas as mulheres querem ser a Carrie de Sex and the City. Não acho nada estranho que tantos rapazes bonitos e inteligentes não queiram se casar ou sejam gays. O máximo que uma mulher jovem e bem colocada na carreira tem a oferecer é uma instigante conversa sobre trabalho ou um empolgante almoço de negócios. É um tédio conversar com elas. Aliás, estou cansada de falar dessas mulheres. Vamos falar mais da Daniela Mercury?
>>> CLIQUE AQUI e leia a entrevista na integra.
fonte: Juliana Linhares/Veja
Por Juliana Linha
Sempre colocada nas listas dos grandes nomes da intelectualidade contemporânea e das maiores vocações para provocar encrencas, a crítica americana Camille Paglia, 61, durante anos teve como ícone máximo a cantora Madonna, de quem exaltou a ousadia e a criatividade em dezenas de artigos. Aí, desencantou-se – hoje a considera "patética". O posto de musa inspiradora, porém, não ficou vago: Camille elegeu para ocupá-lo a cantora baiana Daniela Mercury, que conheceu através de DVDs que a atingiram "como um raio". Autora de cinco livros, entre eles “Personas Sexuais”, uma obra popularizada pelas conexões entre arte clássica e cultura pop, Camille tirou alguns dias de folga na Universidade das Artes, na Filadélfia, onde dá aula de ciências humanas e mídia, para passar o Carnaval em Salvador e, enfim, conhecer Daniela. Antes de cair na folia pagã, falou a revista Veja, em fevereiro de 2009.
Quando a senhora esteve na Bahia, no ano passado, ganhou um pacote de DVDs de Daniela Mercury e, desde então, tem escrito entusiasmados artigos sobre ela. O que a impressionou tanto?
Camille Paglia - A sensação que tive quando vi os DVDs foi de ter sido atingida por um raio. Comecei a pesquisar freneticamente sobre ela, inclusive em vídeos no YouTube. Vi que, no começo, quando apareceu, se assemelhava a uma corsa. Hoje, é uma tigresa. Ao vê-la cantando, eu me dei conta de como andei entediada com a música americana na última década. Foi justamente a época em que Madonna perdeu a pegada. Já escrevi sobre isso, mas faço questão de repetir: fiquei chocada com aquela loucura apaixonada acontecendo ao ar livre no Brasil, enquanto nós, fãs da música americana, ficávamos presos como ovelhas anestesiadas no curral comercial de shows de estádio, caros e cheios. Sem falar nas nossas canções, que são enlatadas e só se seguram por truques de computador. A Daniela surge como uma grande explosão. Ela é a Madonna brasileira. Faz música pop, mas possui outra dimensão incrível que Ma-donna não tem: um grande conhecimento sobre folclore, sobre os grupos étnicos brasileiros e sobre a história da Bahia. É bem verdade que a cultura dos imigrantes italianos, da qual Madonna surgiu, se desintegrou com o passar do tempo. Eu também sou produto dessa cultura e lamento que tenha sobrado tão pouco, fora as citações vulgares em Família Soprano.
Durante décadas, a senhora escreveu artigos elogiando Madonna, a quem cons
Camille Paglia - Ela está patética. O que mais me espanta é esse envolvimento com a cabala. De um lado está a Madonna dos anos 80, um símbolo de rebelião contra a ortodoxia religiosa. Agora temos a Madonna pregando a cabala, catequizando pessoas. Para Madonna, consultar a cabala é como ir ao terapeuta. Não é uma crença religiosa, é um modo de lidar com seus problemas psicológicos. E não é coincidência que a criatividade dela tenha decaído. Além disso, ela está um monstro. São inacreditáveis aqueles braços grotescamente musculosos e mãos que lembram garras. Não me parece uma sexualidade realmente autêntica, é muito conceito, muito planejamento mental. Ela deveria meditar sobre sua grande influência, Marlene Dietrich, com quem viveu algo muito triste. Madonna quis fazer um filme sobre Marlene, que ainda estava viva, reclusa em Paris. Marlene não quis. Não permitiu que ela a interpretasse, por considerá-la muito vulgar. Madonna se casou com um homem dez anos mais novo e começou a lutar para parecer uma menininha. Quanto tempo vai continuar com isso?
A separação dela ajudou ou atrapalhou?
Camille Paglia - Eu achava Guy Ritchie um cara decente e continuo achando. Depois da separação, todo mundo esperava que ele voltasse a desfilar com loiras pernudas, o tipo de mulher com quem saía antes de se casar. Até agora, não apareceu nenhuma foto de Ritchie com outra mulher. Já Madonna quer dar o troco e mostrar que continua desejada, mas só parece desesperada ao sair com homens como Alex Rodriguez (jogador de beisebol) e agora o modelo brasileiro. Ele é muito bonito, diria magnífico, mas o caso é patético. Acho bom que mulheres mais velhas tenham namorados mais jovens. Mas tem de existir química, um entendimento na relação entre os dois. No caso de Madonna, o rapaz parece um gigolô e faz com que ela fique ridícula.
Como estudiosa de história antiga, a senhora acha que o presidente Barack Obama poderia ser equiparado a Adriano, que saiu da periferia do Império Romano e o revigorou, ou Constantino, o imperador convertido, que selou o começo do fim?
Camille Paglia - Não sei. O governo dele começou há muito pouco tempo. Barack Obama pode ser um presidente bem-sucedido, ou pode virar prisioneiro de um Senado à romana. Além disso, muitos imperadores romanos foram vítimas da colaboração entre a aristocracia e os militares. Veremos se Obama vai ter a habilidade de controlar o aparato governamental de maneira a impor sua vontade diante um Congresso muito independente.
O império americano está em declínio?
Camille Paglia - É difícil responder a essa pergunta, porque não tenho certeza se o chamaria de império. Os romanos impuseram a sua civilização, bem como os ingleses, no auge do império britânico. O que os caracteriza como império é o controle político e comercial de boa parte do mundo. Eu diria que os Estados Unidos, desde a sua ascensão ao topo do mundo após a I Guerra Mundial, exerceram principalmente um imperialismo cultural, através da exportação dos filmes de Hollywood e de marcas como Coca-Cola e McDonald’s. Quanto ao uso do poderio militar americano no exterior, o que ocorreu no Vietnã e no Iraque foi uma tentativa equivocada de fazer o que se achava correto, em resposta ao que pareciam ser grandes ameaças. Em nenhum dos dois casos existia a ideia prévia de que iríamos nos tornar ocupantes permanentes. Ambas as situações também propiciaram um significativo aumento do poder presidencial. O Poder Executivo usa o Exército sem consultar os demais poderes e sem que o Congresso aprove uma declaração oficial de guerra.
Tantos anos de pós-feminismo e as mulheres parecem continuar a viver em conflito diante de seus diversos papéis. Há solução à vista?
Camille Paglia - Não. É um dilema terrível quando as mulheres aspiram a ter filhos e carreira. E é um dilema que não afeta os homens. Não por uma questão de discriminação da sociedade, mas simplesmente porque a natureza escolheu deixar o enorme fardo da gravidez para as mulheres. Vemos nos tempos modernos uma evolução da antiga família ampliada, da grande família tribal, em que diferentes gerações viviam juntas, rumo ao modelo em que as pessoas vivem isoladas em famílias nucleares, seja mãe, pai e filho, seja mãe divorciada e filho ou mãe solteira e filho. Isso põe as mulheres sob enorme pressão para fazer coisas que antigamente eram feitas pelas parentes. Antigamente, no interior, quando uma jovem ficava grávida, ela não fazia nada. As mulheres mais velhas a dominavam e ficavam dizendo "Vá descansar, saia da cozinha. O filho que você leva aí dentro é o nosso sangue". Hoje, quanto mais bem-sucedida a mulher, mais distante ela está desse modelo comunal. Ela vive louca atrás de babá, empregada, enfermeira. Consequentemente, sofre um nível de intensidade nervosa e de exaustão sem precedentes na história. Alguém se lembra de ter tido uma avó agitada?
As mulheres perdem com isso?
Camille Paglia - Claro. A feminilidade americana hoje é estressada, é louca, é "superconceituada". Todas as mulheres querem ser a Carrie de Sex and the City. Não acho nada estranho que tantos rapazes bonitos e inteligentes não queiram se casar ou sejam gays. O máximo que uma mulher jovem e bem colocada na carreira tem a oferecer é uma instigante conversa sobre trabalho ou um empolgante almoço de negócios. É um tédio conversar com elas. Aliás, estou cansada de falar dessas mulheres. Vamos falar mais da Daniela Mercury?
fonte: Juliana Linhares/Veja
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Entrevistas
quarta-feira, 25 de março de 2009
A COMUNIDADE DISCOGRAFIAS JOGOU A TOALHA
"O episódio é apenas a ponta visível de um fenômeno mundial de enormes proporções, que transformou a internet num admirável mundo novo para usuários, tanto quanto um inferno para os produtores da cultura antes vendida no formato de CDs e DVDs."
Por Pedro Ale
xandre Sanches
Na noite do domingo 15/03, a equipe coordenadora da comunidade Discografias, do site de relacionamentos Orkut, jogou a toalha, decretou o fechamento de suas portas virtuais e apagou por conta própria todo o conteúdo acumulado em quase quatro anos por 920 mil integrantes.
Na noite do domingo 15/03, a equipe coordenadora da comunidade Discografias, do site de relacionamentos Orkut, jogou a toalha, decretou o fechamento de suas portas virtuais e apagou por conta própria todo o conteúdo acumulado em quase quatro anos por 920 mil integrantes.
O conteúdo era música, toneladas virtuais de música compartilhadas pelos participantes de modo gratuito. Ou era pirataria, ilegalidade, crime, de acordo com o argumento usado por corporações musicais que pressionavam a população da Discografias a parar de infringir direitos autorais de compositores, músicos, produtores, editoras e gravadoras.
Um aviso ficou no lugar do maior fórum brasileiro de troca de música: “Informamos a todos os membros da comunidade Discografias e relacionadas que encerramos as atividades, devido às ameaças que estamos sofrendo da APCM e outros órgãos de defesa dos direitos autorais”. APCM é a sigla para Associação Antipirataria Cinema e Música, criada há um ano pelas indústrias fonográfica e cinematográfica, e dirigida por um ex-delegado. Em comunicado oficial, a APCM confirmou que havia meses acompanhava e solicitava a retirada de links. “Já estava claro que a comunidade se dedicava a disponibilizar músicas de forma ilegal, ignorando todos os canais legais de divulgação e uma cadeia produtiva de compositores, autores, cantores, produtores fonográficos, etc.” E acrescentou considerar um “avanço positivo” a exclusão da Discografias.
O episódio é apenas a ponta visível de um fenômeno mundial de enormes proporções, que transformou a internet num admirável mundo novo para usuários, tanto quanto um inferno para os produtores da cultura antes vendida no formato de CDs e DVDs. Por baixo da pequena multidão reunida numa comunidade do Orkut, há proliferação vertiginosa de blogs e outros recursos de internet dedicados majoritariamente a ofertar download instantâneo e gratuito de discos, filmes e livros. 
Tudo está disponível ali para ser compartilhado em qualquer lugar do planeta, do recente filme "Gomorra" a "Louco por Você", um disco cuja reedição é vetada há 48 anos por Roberto Carlos. No campo editorial, o Portal Detonando desenvolve o chamado "Projeto Democratização da Leitura – Biblioteca Virtual Gratuita", de downloads de livros. “Compartilhar, nesses casos, é o equivalente a disponibilizar, que por sua vez é uma forma de distribuição. Conteúdo protegido por direito autoral só pode ser disponibilizado por seus titulares”, reage o diretor-executivo da APCM, Antonio Borges Filho.
Mas, à diferença do que aconteceu na fase da pirataria física, hoje não é uma máfia ou o crime organizado que desrespeitam os cânones do direito autoral. Os blogueiros, a maioria deles anônima, são em geral colecionadores de discos, DVDs e livros que descobriram nos blogs a chave para participar do processo cultural, compartilhando seus acervos privados com o resto do mundo.
Em grande medida, são cidadãos comuns (médicos, fotógrafos, técnicos de informática, estudantes), desacostumados aos holofotes da mídia e distantes, inclusive geograficamente, dos bastidores do mercado cultural. De cinco blogueiros ouvidos pela revista CartaCapital, todos garantiram não ganhar nenhum centavo (ao contrário, dizem investir dinheiro na atividade). Portanto, não aceitam o termo “pirata” nem se consideram como tal.
Cada blogueiro demonstra construir uma ética própria, e às vezes critica o que considera “errado” no comportamento do vizinho, mas não em seu próprio. “Acho estranho jogar na rede o trabalho de alguém que ficou dez anos sem gravar e agora fez um disco. É sacanagem”, afirma Mauro Caldas, de 44 anos, integrante de banda punk no Rio de Janeiro dos anos 80, que hoje trabalha em informática e é o único dos blogueiros entrevistados a abrir publicamente sua identidade.
Ele usa o codinome Zeca Louro no Loronix, um dos mais atuantes e abrangentes blogs musicais do Brasil. Escrito em inglês, recebe em média 3,2 mil visitas por dia e já foi acessado em 191 países, segundo Caldas. “Loronix só publica o que é antigo, sem nenhuma possibilidade comercial. Essa distinção a indústria sabe fazer muito bem”, diz, para justificar o fato de nunca ter sido incomodado ou ameaçado. Ao contrário: “Gente da indústria vem até mim, pergunta se tenho determinado disco, pede a capa se vai relançar. Eu colaboro”.
Outro blogueiro, autoapelidado Eterno Contestador e especializado em compartilhar CDs que ainda não chegaram às lojas, defende sua atitude. Diz que não distribui nada de maneira ilegal ou pirata, apenas copia links existentes na rede. E insinua que esses são vazados por integrantes da própria indústria, como jogada de marketing.
O produtor musical Pena Schmidt, ex-executivo de gravadoras e atual diretor do Auditório Ibirapuera, tem argumento semelhante: “A indústria sempre deitou e rolou com o vazamento do novo disco do Roberto Carlos ou do Michael Jackson, sempre deu para poder vender. Na época do piano de rolo, Chiquinha Gonzaga e Zequinha de Abreu eram demonstradores de lojas, tocavam para chamar a atenção das pessoas. Gravadora tocava música de graça no rádio por quê? Para vender música”. A diferença é que antes os vazamentos podiam ser controlados e se dirigiam a uns poucos “formadores de opinião”. Hoje, basta uma cópia cair na rede e pronto, a obra é de tod
o mundo e não é mais de ninguém.
O produtor Marco Mazzola (foto ao lado), dono da gravadora MZA, defende a estratégia punitiva: “Medidas radicais devem ser tomadas, punindo, prendendo os que praticam. Você fica três meses dentro de um estúdio criando com o artista um CD, gasta em músicos, estúdios, capa, marketing, e antes de o produto estar no mercado já está na rede”. Schmidt discorda: “A lei não se encontra com a realidade digital. Por causa de 22 pessoas, 50 milhões se transformaram em criminosos? Não é mais fácil refazer a legislação?”Se as gravadoras se desesperam com a perda de valor do material plástico que as sustentava, nebulosa é a posição dos artistas e criadores. “A indústria alega a defesa do direito dos autores, mas não é verdade, é só discurso. É a defesa de um modelo de negócio. Não sabem fazer de outra maneira e querem que o resto do mundo todo pare”, diz Schmidt. “Autor não fala sobre o assunto, a não ser que seja diretor de sociedade arrecadadora, como Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Walter Franco.”
A CartaCapital procurou ouvir os três citados, entre outros, mas não obteve respostas. Uma possível razão para o silêncio é dada indiretamente pelos blogueiros. Diz um deles, identificado como Fulano Sicrano: “Meu blog adquiriu notoriedade entre artistas e produtores e, atualmente, uma parte do que é publicado é fornecida por eles próprios, à busca de divulgação”. Fulano é mantenedor do Um Que Tenha, que põe na rede novidades musicais, e, segundo ele, recebe 14 mil visitas diárias. “Embora deseje que seu trabalho tenha o máximo de divulgação possível, o artista teme a indisposição com a gravadora, por isso o sigilo”, afirma.
O blogueiro diz receber também e-mails de gravadoras, produtores e artistas que solicitam a retirada de conteúdo. Afirma atendê-los prontamente. Seja repressor ou legitimador, o contato direto com músicos e outros fãs parece ser uma das recompensas pelas dez ou doze horas semanais dedicadas a blogar discos. “Pelo seu ângulo, pode até ser generosidade. Pelo meu, não. Eu me sinto tão bem publicando o UQT que isso passou a ser um ato de puro egoísmo.”
Zeca Louro também cita a notoriedade adquirida no meio musical: “O máximo que me aconteceu foi um ou dois casos de alguém comercialmente ligado a um artista dizer ‘poxa, seria legal você não ter mais o disco aí’. Imediatamente tirei, mas num dos casos o próprio artista reclamou, pediu para contornar. Tem artista que reclama de não ter nada no blog, pergunta se tenho alguma coisa contra ele. Muitos são avessos à tecnologia
, eu ajudo”.
Nos bastidores, poucos admitem praticar pirataria virtual, mas há quem o propague aos quatro ventos, caso de Carlos Eduardo Miranda (foto ao lado), produtor de grupos de rock e jurado dos programas de tevê Ídolos e Astros. “Sou fã dos blogs de música, muito mesmo. Sou usuário.” Em guerra retórica com a indústria, devolve aos acusadores as acusações de pirataria, roubo, crime: “Deveriam tomar vergonha na cara, porque estão vendendo a mesma música várias vezes, em vinil, depois em CD, depois em MP3. Já paguei, preciso pagar quantas vezes? Quando vão parar de me roubar? Se o artista se acha importante para a cultura, não pode fazer nada que impeça a circulação, senão ele é criminoso também”.E desafia: “Compro 40 CDs por mês, poucos compram tanto como eu. Sou um criminoso? Os caras estão brigando com quem os sustentou a vida inteira. Deviam contratar os blogueiros para serem executivos deles”. Miranda antevê soluções futuras para o conflito: “Ninguém mais vai precisar guardar nada, e você vai ter acesso a todas as músicas do mundo. Vai ligar o botão como se fosse rádio e escolher. Que se pague uma mensalidade, como paga água e luz, e o problema vai acabar”.
A APCM confirma a pressão sobre os piratas, mas nega fazer “ameaças”. “Não estamos no campo da repressão, muito menos na área policial”, diz Borges Filho. “Fazemos a solicitação ao provedor, no caso o Google, para a retirada de conteúdo ou links.”
“Não aceitamos pressão da indústria fonográfica”, diz Felix Ximenes, diretor de comunicação local do Google, dono do Orkut e do gerador de blogs Blogger. “Nosso compromisso é com o usuário, com quem buscamos compartilhar responsabilidades.” O Google baseia-se na política de receber denúncias, verificar e tirar do ar se for o caso. “Antes, só tínhamos apagado links que levavam a produtos de copyright. O fechamento da Discografias foi um ato do próprio coordenador, que a desarticulou sob protesto, pelas ameaças da APCM. O Orkut é mais visível, eles preferem ir onde há volume.”
“Nunca recebi nenhum e-mail de censura, ameaças ou coisa parecida”, atesta Augusto TM, do Toque Musical, outro dos blogs recheados de raridades. “Isso se deve, acredito, à minha postura de não levar para o blog coisas que se encontram em catálogo nem fazer negócio, comércio ou propaganda.” No início do ano, o Toque Musical protagonizou comoção ao publicar a gravação caseira de uma sessão feita por João Gilberto em 1958, imediatamente antes da fama.
A fita fora vendida para japoneses e já não era propriedade brasileira, como acontece com todo o relicário musical pertencente às multinacionais do disco. Caiu na rede mundial, e o Toque Musical, com média diária de mil visitantes, foi fechado por algumas semanas. Mas isso ocorreu, segundo o blogueiro, devido a seu próprio temor de alguma reação negativa do cantor. Até hoje João Gilberto não reclamou.
fonte: Carta Capital
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fonte: Carta Capital
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terça-feira, 24 de março de 2009
NOTA ZERO
"Como 1 500 professores que erram todas as perguntas feitas num exame para avaliar sua capacidade são autorizados a dar aulas na escola pública? Vão ensinar o quê?"
Por J.R. Guzzo*
Num artigo que escreveu para Veja algum tempo atrás (*e que também foi publicado aqui na LITERATURA CLANDESTINA – CLIQUE AQUI), o professor Claudio de Moura Castro, um dos peritos mais competentes do Brasil em questões de educação, relatou um fato espantoso. Numa palestra que fez para 800 professores, ele perguntou quantos, entre os presentes ali no auditório, tinham aprendido a ensinar a regra de três nas faculdades de educação que haviam frequentado. Resposta: ninguém. Nem um, pelo menos, entre os 800? Nem um. Não é preciso ser um especialista em pedagogia para ver o tamanho da encrenca em que estão metidos os alunos desses professores todos.
O problema não é com "o Brasil", "a sociedade" ou a "educação nacional" – é com os alunos mesmo, em carne e osso. Se os seus professores não sabem ensinar a regra de três, os alunos não vão aprender; e, se não sabem ensinar a regra de três, é provável que não saibam ensinar uma porção de outras coisas. Para os alunos, a situação está ruim hoje e vai ficar pior amanhã. Pois, enquanto não aprendem, com certeza outros, em outras escolas e com outros professores, estão aprendendo – e são esses que, lá adiante, vão disputar com eles um lugar melhor na vida. Quem terá mais chances, então? Se já é difícil para quem sabe, imagine-se para os que não sabem. Vão ter de contar com o acaso – coisa notoriamente arriscada, pois, como se sabe, há vidas sem acaso.
O Brasil seria um país de sorte se o episódio narrado pelo professor Moura Castro fosse uma exceção. Mas não é. CLIQUE AQUI e leia a resenha na integra.
* J.R. Guzzo é colunista da revista Veja.
fonte: Veja
Por J.R. Guzzo*
Num artigo que escreveu para Veja algum tempo atrás (*e que também foi publicado aqui na LITERATURA CLANDESTINA – CLIQUE AQUI), o professor Claudio de Moura Castro, um dos peritos mais competentes do Brasil em questões de educação, relatou um fato espantoso. Numa palestra que fez para 800 professores, ele perguntou quantos, entre os presentes ali no auditório, tinham aprendido a ensinar a regra de três nas faculdades de educação que haviam frequentado. Resposta: ninguém. Nem um, pelo menos, entre os 800? Nem um. Não é preciso ser um especialista em pedagogia para ver o tamanho da encrenca em que estão metidos os alunos desses professores todos.
O problema não é com "o Brasil", "a sociedade" ou a "educação nacional" – é com os alunos mesmo, em carne e osso. Se os seus professores não sabem ensinar a regra de três, os alunos não vão aprender; e, se não sabem ensinar a regra de três, é provável que não saibam ensinar uma porção de outras coisas. Para os alunos, a situação está ruim hoje e vai ficar pior amanhã. Pois, enquanto não aprendem, com certeza outros, em outras escolas e com outros professores, estão aprendendo – e são esses que, lá adiante, vão disputar com eles um lugar melhor na vida. Quem terá mais chances, então? Se já é difícil para quem sabe, imagine-se para os que não sabem. Vão ter de contar com o acaso – coisa notoriamente arriscada, pois, como se sabe, há vidas sem acaso.
O Brasil seria um país de sorte se o episódio narrado pelo professor Moura Castro fosse uma exceção. Mas não é. CLIQUE AQUI e leia a resenha na integra.
* J.R. Guzzo é colunista da revista Veja.
fonte: Veja
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Crônicas de outros autores
SÓ OS VIGILANTES (WATCHMEN) NOS SALVARIAM DA “MAROLINHA” E DO ARMAGEDON DO CONGRESSO NACIONAL
“O assassinato do Comediante (*mais conhecido aqui no Brasil com o codinome de Clodovil) os trouxe de volta à atividade clandestina em Brasília, movidos pela suspeita de que existe um plano para eliminar todos os “mascarados”, além de todos os cidadãos de bem e editores de blogs de nomes clandestinos.”
Por Elenilson Nascimento
Vivemos dias em que ser sustentável, apesar de representar um bom começo, não é suficiente. Já há algum tempo, todos sabemos, o planeta exige soluções e tem muita pressa antes que se desintegre, ou antes, que os f.d.p. (*nossos representantes políticos) o façam. Estamos tão atrasados nessa discussão que não temos sequer um vocabulário decente. Prova disso, é que não achei outro termo mais “educado” para qualificar (*ou não exatamente isso) os nossos “respeitáveis” congressistas.
O Relógio do Juízo Final marcava exatamente cinco minutos para a “meia-noite nuclear” em Brasília. Cercado de assessores, o presidente de “quatro dedos” debateu-se diante de um confronto direto com os Estados Unidos de Obama. E olha que até outro dia eram todos sorrisos. E sob essa paranoia (*sem acento por causa inutilidade do novo Acordo Ortográfico) da destruição do Brasil que resolvi mandar um e-mail para os Watchmen – aproveitando o sucesso nas telas com cheiro de violência, sátira política e sexo.
COM A ROUPA DO CORPO – Mas vamos começar pelo começo. Antes mesmo da tal Revolução Industrial, um operário no Brasil só possuía a roupa do corpo. Sua maior riqueza eram os pregos da sua casa – isso quanto tinha uma casa – normalmente financiada por anos pela Caixa. Há menos de dois séculos, um operário trabalhava sessenta horas por semana, dos 10 anos de idade até a sua morte, por volta dos 50 anos. Educação de qualidade, cultura e lazer nunca chegaram aos mais pobres. Acabou-se a fome causada por calamidades naturais, como a que matou metade da população da Irlanda, no século XIX, mas a alienação dominou (*com programas do Faustão, Xuxa, BBBs e outros) muito mais para exterminar com qualquer possibilidade de ascensão do que com a própria fome propriamente dita.
Luís XIV, por exemplo, lá na França, não tinha a variedade nem a qualidade do cardápio de um reles membro da classe média brasileira de hoje. O povo francês, naquela época, consumia 2.000 calorias por dia. Hoje, nos países pobres, consomem-se 2.700. Haverá algum país que estaria pior que o Brasil em 1900 e hoje lhe passou à frente? Bom, eu ainda não encontrei nenhum. Mas isso não é nenhuma vantagem, levando-se em conta que a maioria dos países latino-americanos, incluindo o Peru, era bem mais rica do que o Brasil. A renda per capita da Argentina foi cinco vezes maior (*hoje é quase igual).
Em 1950, o Brasil era como a Bolívia de hoje. Em 1958, Cuba era o segundo país mais rico da América Latina. Desde então, não fez senão retroceder. E a Coréia? Na década de 50, vítima de uma medonha guerra fratricida, até os pauzinhos de comer passaram a ser de metal, pois não havia mais árvores. Mas a Coréia é uma civilização milenar, com sólida tradição de ciência e educação – então não podemos comparar aqui. Portanto, é uma comparação discutível.
O Brasil avançou, do último século para cá? Quem duvida do atraso do Brasil no passado que leia as tenebrosas narrativas dos muitos visitantes que por aqui viajaram. De Pero Vaz de Caminha ao Arnaldo Jabor. De Darwin (*que até já passou pela Bahia - foto abaixo, Salvador em gravura do livro de Robert Fitzroy, capitão do navio Beagle que trouxe Charles Darwin à Bahia) ao Homer Simpson. Do príncipe Charles com a tenebrosa Camila Parker Bowles ao para Bento RatOzinger XVI. O século XX pode até ter transformado espetacularmente o Brasil, mas vamos manter os pés no chão. Entre 1870 e 1987 o PIB brasileiro cresceu 157 vezes, o japonês 87 e o americano 53. Brasil, campeão do mundo! Mas, vamos com calma!
Por volta de 1900, a esperança de vida era inferior a 30 anos. Hoje já ultrapassou 70. A desnutrição grave é residual e acabaram-se as fomes catastróficas. Quase todos têm hoje acesso a serviços médicos (*não tão bons, mas antes não havia absolutamente nada). Nos confortos materiais, houve avanços espetaculares. Mais de 90% têm água encanada, eletricidade, televisão (*não sei se isso é vantagem), geladeira e dezenas de outros confortos.
DE CONGA À INTERNET – Meus colegas do primário iam de Conga para a escola, hoje os meninos não querem sair no portão de casa sem o seu tênis super caro. Em 1900, 95% das crianças (entre 7 e 14 anos) não frequentavam escolas. Hoje, apenas 2% ficam de fora. E, contrariando as fantasias saudosistas, os poucos que iam encontravam uma escola medíocre. Hoje, continua medíocre, mas é para todos e há isoladas ilhas de excelência.
Crescendo junto com a educação, nossa democracia nunca esteve tão robusta. Mas nem tudo são rosas. Há áreas em que somos péssimos, para não dizer medíocres, como na distribuição de renda. E nisso podemos concluir que o PAC do crescimento do governo Lula não passa de fantasia no País das Maravilhas de Alice.
Em matéria de segurança, há oscilações. Contudo, as mortes violentas encolheram muito. Em corrupção, faltam dados confiáveis. Mas, em praticamente tudo o que podemos contar ou medir, pior não estamos. E essa é a minha tese para esse ensaio. Como disse lorde Rees de Ludlow, "para a maior parte das pessoas, na maior parte das nações, nunca houve um momento melhor para viver". Ou pior.
S.O.S WATCHMEN – Mas estamos em 2009 e diante da iminência de uma guerra civil no Brasil, da inércia da população e após o término do fatídico mandato de Bush – uma gestão que sobreviveu por anos baseada na guerra insana “contra o mal” no Oriente Médio. E foi justamente lá que Bush queimou quase um trilhão de dólares com seus soldados e armas. Mesmo debaixo de críticas, seguiu em frente o mandatário, como um Nero romano. Visto sob a ótica de balanço de governo (*e sob o olhar de repugnância da jovem americana Serena Williams, captado pelas lentes das máquinas fotográficas dos jornais – foto ao lado), é tenebroso o legado que Bush deixa. Wall Street vive como uma Pompéia nos últimos dias. As finanças do país estão em frangalhos. Os nervos de seus concidadãos, idem.
E nesse pandemônio, economistas de todas as correntes sugeriram rezar. Na contramão dessa onda, o Brasil – que não deve deitar em berço esplêndido por muito tempo e viver de brisa diante do vendaval – dá sinais de uma falsa robustez de resultados, se não tranquilizadora, ao menos arrogante – pelo menos na versão do presidente de quatro dedos.
Mas como na fábula da formiga e da cigarra, o País (aparentemente) fez a sua lição de casa. Seguiu a cartilha da estabilidade e do crescimento sustentável e está razoavelmente pronto para os dias de inferno financeiro. A crise, aqui, não será “quase imperceptível”, como vive pregando o presidente Lula. E para calar a boca daqueles que falam demais, um super-herói aposentado chamado Comediante (*muito parecido com o entediado vendedor de seguros Bob Parr, dos “Incríveis”) foi cruelmente assassinado – atirado do 30º andar de seu próprio apartamento nova-iorquino.
E talvez por causa do presidente Nixon que, mesmo após o escândalo de Watergate, ainda permanecia no cargo, o Lula, desse lado do Equador, mesmo com o escândalo Rennangate, fez justamente a mesma coisa. Então, antes que os “retardados” mandem pedras, que fiquem com seus resmungos, pois tive que mandar um “sinal de fumaça” para os Watchmen, justamente para desconstruir o imaginário imperialista forjado por heróis burgueses como o Super-Man, Batman e o Capitão América.
Como eu sei que ainda vigora a Lei Keene que proíbe a existência de justiceiros mascarados tanto lá como aqui; e como eu também sei que sem ter o que fazer na vida, além de mendigar o seguro desemprego ou procurar alguma vaguinha na fila humilhante do SIMM, os meus amigos vigilantes vivem da nostalgia e da carnificina do passado mais agitado. Porém, o assassinato do Comediante (*mais conhecido aqui no Brasil com o codinome de Clodovil) os trouxe de volta à atividade clandestina em Brasília, movidos pela suspeita de que existe um plano (*como podemos comprovar na foto ao lado, onde o governador da Bahia, Jaques Wagner, confabula com o seu “amigo” de farras, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez) para eliminar todos os “mascarados”, além de todos os cidadãos de bem e editores de blogs de nomes clandestinos.
Quem levanta essa hipótese é Rorschach, o vigilante que optou pela clandestinidade e cuja máscara reproduz manchas moveis de cocôde cocnte o daquelas usadas em exames de fezes do INSS. E não por acaso, Rorschach completa o seu figurino para se manter imperceptível nos corredores do Congresso Nacional com uma capa de chuva parecida com aquela usada por Dick Tracy. E também foi justamente ele que esclareceu a farsa no caso da brasileira esclarecida, de boa formação e condição sócio-econômica privilegiada que usou a xenofobia européia como álibi e mote para montar a farsa imediatamente “comprada” como tragédia pela imprensa e por autoridades brasileiras. Dessa forma, Rorschach vislumbra uma ampla e perturbadora conspiração que está ligada ao passado deles e a catastróficas conseqüências para o futuro do Brasil, com todas as suas imperfeições. A missão deles é vigiar o Congresso Nacional, mas quem vigia os vigilantes no meio de tanta podridão?
O restante do grupo dos Watchmen é formado por Ozymandias, fascinado por Alexandre, o Grande; Espectral, uma ex-dançarina do programa de Luciano Hulk; e pelo Dr. Manhattan, uma espécie de Super-Man azulado e de olho translúcidos que, portanto, dispensa máscaras e roupas e que, provavelmente por causa disso, ainda faz muito sucesso nas baladas GLS e que depois do “serviçinho” vai pousar nu para a “G Magazine”. O sarcasmo vem desses super-heróis com poderes super-humanos, ou anti-heróis, como Macunaíma, criado por Mário de Andrade.
Mas, a compreensão aqui por uma base mais filosófica, como os X-man, também passeia facilmente pela obra “Humano, Demasiado Humano”, de Nietzsche. Muito mais forte ainda no livro “Vigiar e Punir”, de Michel Foucault, que trata da constante vigilância na qual a sociedade moderna é submetida em uma visão panorâmica, chamada de “panóptico”. As neuroses da vida moderna são encontradas nesses vigilantes. São heróis que tentam combater o mal, mas são cheios de “recalques”, que vêm à tona em forma de distúrbios sexuais, éticos e de personalidade – justamente como aqueles que eles vão ter que combater: os nossos políticos.
Alguns deles são assustados com a solidão e impotentes diante das adversidades que têm que combater. Nada parecido com os destemidos anti-heróis que estamos acostumados a ver nos palanques de quatro em quatro anos. Mas é justamente o amigo vigilante azulado, que tem poderes de controlar a matéria e o tempo, que vai ser a peça fundamental para essa missão de tirar o Brasil do fundo do poço da “marolinha” e descobrir quem matou o Comediante, ao som de Bob Dylan, Bob Marley e Bob Esponja, meio por farra, meio por diversão, mesmo depois de ter sido assunto do “comentário enfurecido” da jornalista Malu Fontes, em que foi citado que o Comediante foi morto depois de ter sido procurado por uma piriguete evangélica grávida (*por mais improvável que isso possa parecer). Mas a coisa parece que desengrenou de vez como um Lula marcado pelo narcisismo, pois os avanços em praticamente todas as direções não estão nada medidos. Lembre-se que a máscara sempre esconde algo. Mas o que tais vigilantes escondem ou mostram? Eles não se intitulam como super-heróis, mas como “vigilantes mascarados” ou “aventureiros fantasiados”.
O GAY - Ozymandias é o personagem gay dessa trama. É narcisista e visionário que acha que o dever sempre lhe chama. Usa a inteligência para o autocontrole e tem domínio sobre o próprio corpo. Os trejeitos do personagem é que acusam sua homossexualidade. No entanto, fica esta questão no ar. Há quem diga que ele fica de asas caídas para o Coruja II. No entanto, não é de se estranhar que Ozymandias seja de fato gay. Mas isso não vem ao caso aqui, pois no Congresso Nacional como em qualquer outro lugar existem gays assumidos ou escondidos em paletós caros.
Eu sei é que Allan Moore (*criador dessas personas) sempre se aventurou pela trilha da homossexualidade em personagens de formas mais diversas. Alguns dramáticos e trágicos; outros do bem e demoníacos. Assim como a própria natureza humana. Eles aparecem nas obras “V de Vingança” (2006), “A Liga Extraordinária” (2003). Moore se define como anarquista, e é simpatizante às causas LGBT. Mas, isso aqui não vem ao caso. Os fatos não lhes dão razão (*e, segundo o Gallup, a nossa juventude é campeã mundial de negativismo com relação aos nossos políticos). Fora que, conforme a foto ao lado, o principal suspeito da morte do Comediante é justamente uma pessoa fora de qualquer suspeita, mesmo não tendo usado uma “serra”, pois em um céu inteiro de pessoas, somente alguns querem voar. Isso não é louco? Vamos aguardar a resolução dos fatos!
>>> Para ver o trailer do filme, clique AQUI.
foto de Bush: Saul Loeb/AFP/Getty; demais fotos: divulgação
foto de Jaques Wagner com Hugo Chávez: Blog do Mário Kertész
foto 1: Jeffrey Dean Morgan (O Comediante), Malin Akerman (Espectra II) , Billy Crudup (Dr. Manhattan), Matthew Goode (Ozymandias), Patrick Wilson (Coruja II) e Jackie Earle Haley (Rorschach)
Por Elenilson Nascimento
Vivemos dias em que ser sustentável, apesar de representar um bom começo, não é suficiente. Já há algum tempo, todos sabemos, o planeta exige soluções e tem muita pressa antes que se desintegre, ou antes, que os f.d.p. (*nossos representantes políticos) o façam. Estamos tão atrasados nessa discussão que não temos sequer um vocabulário decente. Prova disso, é que não achei outro termo mais “educado” para qualificar (*ou não exatamente isso) os nossos “respeitáveis” congressistas.O Relógio do Juízo Final marcava exatamente cinco minutos para a “meia-noite nuclear” em Brasília. Cercado de assessores, o presidente de “quatro dedos” debateu-se diante de um confronto direto com os Estados Unidos de Obama. E olha que até outro dia eram todos sorrisos. E sob essa paranoia (*sem acento por causa inutilidade do novo Acordo Ortográfico) da destruição do Brasil que resolvi mandar um e-mail para os Watchmen – aproveitando o sucesso nas telas com cheiro de violência, sátira política e sexo.

COM A ROUPA DO CORPO – Mas vamos começar pelo começo. Antes mesmo da tal Revolução Industrial, um operário no Brasil só possuía a roupa do corpo. Sua maior riqueza eram os pregos da sua casa – isso quanto tinha uma casa – normalmente financiada por anos pela Caixa. Há menos de dois séculos, um operário trabalhava sessenta horas por semana, dos 10 anos de idade até a sua morte, por volta dos 50 anos. Educação de qualidade, cultura e lazer nunca chegaram aos mais pobres. Acabou-se a fome causada por calamidades naturais, como a que matou metade da população da Irlanda, no século XIX, mas a alienação dominou (*com programas do Faustão, Xuxa, BBBs e outros) muito mais para exterminar com qualquer possibilidade de ascensão do que com a própria fome propriamente dita.
Luís XIV, por exemplo, lá na França, não tinha a variedade nem a qualidade do cardápio de um reles membro da classe média brasileira de hoje. O povo francês, naquela época, consumia 2.000 calorias por dia. Hoje, nos países pobres, consomem-se 2.700. Haverá algum país que estaria pior que o Brasil em 1900 e hoje lhe passou à frente? Bom, eu ainda não encontrei nenhum. Mas isso não é nenhuma vantagem, levando-se em conta que a maioria dos países latino-americanos, incluindo o Peru, era bem mais rica do que o Brasil. A renda per capita da Argentina foi cinco vezes maior (*hoje é quase igual).
Em 1950, o Brasil era como a Bolívia de hoje. Em 1958, Cuba era o segundo país mais rico da América Latina. Desde então, não fez senão retroceder. E a Coréia? Na década de 50, vítima de uma medonha guerra fratricida, até os pauzinhos de comer passaram a ser de metal, pois não havia mais árvores. Mas a Coréia é uma civilização milenar, com sólida tradição de ciência e educação – então não podemos comparar aqui. Portanto, é uma comparação discutível.
O Brasil avançou, do último século para cá? Quem duvida do atraso do Brasil no passado que leia as tenebrosas narrativas dos muitos visitantes que por aqui viajaram. De Pero Vaz de Caminha ao Arnaldo Jabor. De Darwin (*que até já passou pela Bahia - foto abaixo, Salvador em gravura do livro de Robert Fitzroy, capitão do navio Beagle que trouxe Charles Darwin à Bahia) ao Homer Simpson. Do príncipe Charles com a tenebrosa Camila Parker Bowles ao para Bento RatOzinger XVI. O século XX pode até ter transformado espetacularmente o Brasil, mas vamos manter os pés no chão. Entre 1870 e 1987 o PIB brasileiro cresceu 157 vezes, o japonês 87 e o americano 53. Brasil, campeão do mundo! Mas, vamos com calma!
DE CONGA À INTERNET – Meus colegas do primário iam de Conga para a escola, hoje os meninos não querem sair no portão de casa sem o seu tênis super caro. Em 1900, 95% das crianças (entre 7 e 14 anos) não frequentavam escolas. Hoje, apenas 2% ficam de fora. E, contrariando as fantasias saudosistas, os poucos que iam encontravam uma escola medíocre. Hoje, continua medíocre, mas é para todos e há isoladas ilhas de excelência.
Crescendo junto com a educação, nossa democracia nunca esteve tão robusta. Mas nem tudo são rosas. Há áreas em que somos péssimos, para não dizer medíocres, como na distribuição de renda. E nisso podemos concluir que o PAC do crescimento do governo Lula não passa de fantasia no País das Maravilhas de Alice.
Em matéria de segurança, há oscilações. Contudo, as mortes violentas encolheram muito. Em corrupção, faltam dados confiáveis. Mas, em praticamente tudo o que podemos contar ou medir, pior não estamos. E essa é a minha tese para esse ensaio. Como disse lorde Rees de Ludlow, "para a maior parte das pessoas, na maior parte das nações, nunca houve um momento melhor para viver". Ou pior.

S.O.S WATCHMEN – Mas estamos em 2009 e diante da iminência de uma guerra civil no Brasil, da inércia da população e após o término do fatídico mandato de Bush – uma gestão que sobreviveu por anos baseada na guerra insana “contra o mal” no Oriente Médio. E foi justamente lá que Bush queimou quase um trilhão de dólares com seus soldados e armas. Mesmo debaixo de críticas, seguiu em frente o mandatário, como um Nero romano. Visto sob a ótica de balanço de governo (*e sob o olhar de repugnância da jovem americana Serena Williams, captado pelas lentes das máquinas fotográficas dos jornais – foto ao lado), é tenebroso o legado que Bush deixa. Wall Street vive como uma Pompéia nos últimos dias. As finanças do país estão em frangalhos. Os nervos de seus concidadãos, idem.
E nesse pandemônio, economistas de todas as correntes sugeriram rezar. Na contramão dessa onda, o Brasil – que não deve deitar em berço esplêndido por muito tempo e viver de brisa diante do vendaval – dá sinais de uma falsa robustez de resultados, se não tranquilizadora, ao menos arrogante – pelo menos na versão do presidente de quatro dedos.
Mas como na fábula da formiga e da cigarra, o País (aparentemente) fez a sua lição de casa. Seguiu a cartilha da estabilidade e do crescimento sustentável e está razoavelmente pronto para os dias de inferno financeiro. A crise, aqui, não será “quase imperceptível”, como vive pregando o presidente Lula. E para calar a boca daqueles que falam demais, um super-herói aposentado chamado Comediante (*muito parecido com o entediado vendedor de seguros Bob Parr, dos “Incríveis”) foi cruelmente assassinado – atirado do 30º andar de seu próprio apartamento nova-iorquino.
E talvez por causa do presidente Nixon que, mesmo após o escândalo de Watergate, ainda permanecia no cargo, o Lula, desse lado do Equador, mesmo com o escândalo Rennangate, fez justamente a mesma coisa. Então, antes que os “retardados” mandem pedras, que fiquem com seus resmungos, pois tive que mandar um “sinal de fumaça” para os Watchmen, justamente para desconstruir o imaginário imperialista forjado por heróis burgueses como o Super-Man, Batman e o Capitão América.

Como eu sei que ainda vigora a Lei Keene que proíbe a existência de justiceiros mascarados tanto lá como aqui; e como eu também sei que sem ter o que fazer na vida, além de mendigar o seguro desemprego ou procurar alguma vaguinha na fila humilhante do SIMM, os meus amigos vigilantes vivem da nostalgia e da carnificina do passado mais agitado. Porém, o assassinato do Comediante (*mais conhecido aqui no Brasil com o codinome de Clodovil) os trouxe de volta à atividade clandestina em Brasília, movidos pela suspeita de que existe um plano (*como podemos comprovar na foto ao lado, onde o governador da Bahia, Jaques Wagner, confabula com o seu “amigo” de farras, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez) para eliminar todos os “mascarados”, além de todos os cidadãos de bem e editores de blogs de nomes clandestinos.
Quem levanta essa hipótese é Rorschach, o vigilante que optou pela clandestinidade e cuja máscara reproduz manchas moveis de cocôde cocnte o daquelas usadas em exames de fezes do INSS. E não por acaso, Rorschach completa o seu figurino para se manter imperceptível nos corredores do Congresso Nacional com uma capa de chuva parecida com aquela usada por Dick Tracy. E também foi justamente ele que esclareceu a farsa no caso da brasileira esclarecida, de boa formação e condição sócio-econômica privilegiada que usou a xenofobia européia como álibi e mote para montar a farsa imediatamente “comprada” como tragédia pela imprensa e por autoridades brasileiras. Dessa forma, Rorschach vislumbra uma ampla e perturbadora conspiração que está ligada ao passado deles e a catastróficas conseqüências para o futuro do Brasil, com todas as suas imperfeições. A missão deles é vigiar o Congresso Nacional, mas quem vigia os vigilantes no meio de tanta podridão?
O restante do grupo dos Watchmen é formado por Ozymandias, fascinado por Alexandre, o Grande; Espectral, uma ex-dançarina do programa de Luciano Hulk; e pelo Dr. Manhattan, uma espécie de Super-Man azulado e de olho translúcidos que, portanto, dispensa máscaras e roupas e que, provavelmente por causa disso, ainda faz muito sucesso nas baladas GLS e que depois do “serviçinho” vai pousar nu para a “G Magazine”. O sarcasmo vem desses super-heróis com poderes super-humanos, ou anti-heróis, como Macunaíma, criado por Mário de Andrade.
Mas, a compreensão aqui por uma base mais filosófica, como os X-man, também passeia facilmente pela obra “Humano, Demasiado Humano”, de Nietzsche. Muito mais forte ainda no livro “Vigiar e Punir”, de Michel Foucault, que trata da constante vigilância na qual a sociedade moderna é submetida em uma visão panorâmica, chamada de “panóptico”. As neuroses da vida moderna são encontradas nesses vigilantes. São heróis que tentam combater o mal, mas são cheios de “recalques”, que vêm à tona em forma de distúrbios sexuais, éticos e de personalidade – justamente como aqueles que eles vão ter que combater: os nossos políticos.
Alguns deles são assustados com a solidão e impotentes diante das adversidades que têm que combater. Nada parecido com os destemidos anti-heróis que estamos acostumados a ver nos palanques de quatro em quatro anos. Mas é justamente o amigo vigilante azulado, que tem poderes de controlar a matéria e o tempo, que vai ser a peça fundamental para essa missão de tirar o Brasil do fundo do poço da “marolinha” e descobrir quem matou o Comediante, ao som de Bob Dylan, Bob Marley e Bob Esponja, meio por farra, meio por diversão, mesmo depois de ter sido assunto do “comentário enfurecido” da jornalista Malu Fontes, em que foi citado que o Comediante foi morto depois de ter sido procurado por uma piriguete evangélica grávida (*por mais improvável que isso possa parecer). Mas a coisa parece que desengrenou de vez como um Lula marcado pelo narcisismo, pois os avanços em praticamente todas as direções não estão nada medidos. Lembre-se que a máscara sempre esconde algo. Mas o que tais vigilantes escondem ou mostram? Eles não se intitulam como super-heróis, mas como “vigilantes mascarados” ou “aventureiros fantasiados”.

O GAY - Ozymandias é o personagem gay dessa trama. É narcisista e visionário que acha que o dever sempre lhe chama. Usa a inteligência para o autocontrole e tem domínio sobre o próprio corpo. Os trejeitos do personagem é que acusam sua homossexualidade. No entanto, fica esta questão no ar. Há quem diga que ele fica de asas caídas para o Coruja II. No entanto, não é de se estranhar que Ozymandias seja de fato gay. Mas isso não vem ao caso aqui, pois no Congresso Nacional como em qualquer outro lugar existem gays assumidos ou escondidos em paletós caros.
Eu sei é que Allan Moore (*criador dessas personas) sempre se aventurou pela trilha da homossexualidade em personagens de formas mais diversas. Alguns dramáticos e trágicos; outros do bem e demoníacos. Assim como a própria natureza humana. Eles aparecem nas obras “V de Vingança” (2006), “A Liga Extraordinária” (2003). Moore se define como anarquista, e é simpatizante às causas LGBT. Mas, isso aqui não vem ao caso. Os fatos não lhes dão razão (*e, segundo o Gallup, a nossa juventude é campeã mundial de negativismo com relação aos nossos políticos). Fora que, conforme a foto ao lado, o principal suspeito da morte do Comediante é justamente uma pessoa fora de qualquer suspeita, mesmo não tendo usado uma “serra”, pois em um céu inteiro de pessoas, somente alguns querem voar. Isso não é louco? Vamos aguardar a resolução dos fatos!
>>> Para ver o trailer do filme, clique AQUI.
foto de Bush: Saul Loeb/AFP/Getty; demais fotos: divulgação
foto de Jaques Wagner com Hugo Chávez: Blog do Mário Kertész
foto 1: Jeffrey Dean Morgan (O Comediante), Malin Akerman (Espectra II) , Billy Crudup (Dr. Manhattan), Matthew Goode (Ozymandias), Patrick Wilson (Coruja II) e Jackie Earle Haley (Rorschach)
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Crônicas de Elenilson Nascimento
quinta-feira, 19 de março de 2009
LEI DA BARBÁRIE
Por Elenilson Nasc
imento
Alguns me criticam por eu (dizem) só conseguir enxergar o lado feio do mundo. E, como só notícias ruins dão manchete, comprovem aqui (e agora) e deleitem-se em ver confirmados os meus piores enredos. Mas, infelizmente, no que se pode medir ou contar, a história é bem outra.
O mundo hoje está pior? Eu acredito que sim. As pessoas hoje estão piores? Eu assino em baixo que sim. Vamos, então, comparar esse mundinho de “merda” e muito mal frequentado com o de um século atrás.
Jamais houve tanta liberdade e o crescimento das democracias foi extraordinário quanto nos dias de hoje. Entre elas já não há guerras. Nos conflitos recentes, pelo menos um lado é ditatorial. Na última década, reduziram-se em 40% as guerras. Houve também dramática redução das mortes violentas que, no passado, ceifavam 25% da população masculina. Hoje são só 2%.
Nas praças públicas, o povo via os acusados de heresia, bruxaria e magia negra serem assados em fogueiras. A razão e a ciência ajudaram a lançar luzes nessas áreas. Além disso, a ciência hoje é capaz de captar, entender e resolver boa parte dos problemas materiais que afligem a humanidade – incluindo os desastres do meio ambiente.
Porém, coisas bizarras ainda acontecem e me deixa pasmo. Por exemplo, o caso do escritor australiano Harry Nicolaides (foto acima) que foi condenado na Tailândia, onde leciona inglês, a três anos de prisão. Acusação: crime de lesa-majestade.
O cara escreveu um livro há quatro anos (*produção independente, tiragem de 50 exemplares, dez vendidos – muito mais do que os meus) no qual critica um príncipe, não identificado.
Esse trecho foi arbitrariamente interpretado pelo governo como um insulto à família real tailandesa. Conclusão: o professor vive enjaulado e acorrentado. Mesmo assim, a sua prisão, disse ele, é um "pesadelo pessoal". O desrespeito da Tailândia aos direitos humanos, para todos nós, é um pesadelo mundial. Depois ainda querem que eu veja luz no fim do túnel. Não posso festejar a situação presente, pois para o progresso futuro precisamos ser muito mais obstinadamente inconformistas.
foto: Lionel Hahn/Abacausa.Com
Alguns me criticam por eu (dizem) só conseguir enxergar o lado feio do mundo. E, como só notícias ruins dão manchete, comprovem aqui (e agora) e deleitem-se em ver confirmados os meus piores enredos. Mas, infelizmente, no que se pode medir ou contar, a história é bem outra.
O mundo hoje está pior? Eu acredito que sim. As pessoas hoje estão piores? Eu assino em baixo que sim. Vamos, então, comparar esse mundinho de “merda” e muito mal frequentado com o de um século atrás.
Jamais houve tanta liberdade e o crescimento das democracias foi extraordinário quanto nos dias de hoje. Entre elas já não há guerras. Nos conflitos recentes, pelo menos um lado é ditatorial. Na última década, reduziram-se em 40% as guerras. Houve também dramática redução das mortes violentas que, no passado, ceifavam 25% da população masculina. Hoje são só 2%.
Nas praças públicas, o povo via os acusados de heresia, bruxaria e magia negra serem assados em fogueiras. A razão e a ciência ajudaram a lançar luzes nessas áreas. Além disso, a ciência hoje é capaz de captar, entender e resolver boa parte dos problemas materiais que afligem a humanidade – incluindo os desastres do meio ambiente.
Porém, coisas bizarras ainda acontecem e me deixa pasmo. Por exemplo, o caso do escritor australiano Harry Nicolaides (foto acima) que foi condenado na Tailândia, onde leciona inglês, a três anos de prisão. Acusação: crime de lesa-majestade.
O cara escreveu um livro há quatro anos (*produção independente, tiragem de 50 exemplares, dez vendidos – muito mais do que os meus) no qual critica um príncipe, não identificado.
Esse trecho foi arbitrariamente interpretado pelo governo como um insulto à família real tailandesa. Conclusão: o professor vive enjaulado e acorrentado. Mesmo assim, a sua prisão, disse ele, é um "pesadelo pessoal". O desrespeito da Tailândia aos direitos humanos, para todos nós, é um pesadelo mundial. Depois ainda querem que eu veja luz no fim do túnel. Não posso festejar a situação presente, pois para o progresso futuro precisamos ser muito mais obstinadamente inconformistas.
foto: Lionel Hahn/Abacausa.Com
fonte: Isto É
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Textos jornalísticos de Elenilson Nascimento
JAMES DEAN, STRIKE A POSE!
Olha o meu colega Bryan Thomas, da Florida, tirando uma onda de James Dean. Por isso:
“Come on, vogue. Let your body move to the music…”

foto: Michael Anthony Downs

foto: Michael Anthony Downs
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terça-feira, 17 de março de 2009
PÉROLAS DO JUDICIÁRIO: “FURÚNCULO NO REGO DA BUNDA”
"Muitos juizes e advogados adotam pompa, caras e bocas lançando mão de variado repertório do vocabulário forense na hora da decisão. Transformam esse ato em intermináveis arrazoados até que, afinal, dedicam singelos um ou dois parágrafos ao que realmente interessa às partes em litígio - a conclusão do julgamento.”
Por Elenilson Nasc
imento
O bom de pesquisar sobre Direito Penal é que ele é público e, sendo assim, qualquer um tem acesso aos autos no balcão da secretaria mesmo sem procuração. Como recentemente eu estava fazendo uma monografia para um aluno graduando em Direito da UCSAL (*ele me pagando, é claro), tive que ir à luta para tirar algumas dúvidas sobre um assunto que eu não dominava, pois o graduando em Direito da UCSAL não sabia me explicar. E percorrendo as pastas à procura de uma tese defensiva para um atentado violento ao pudor, eis que me deparo com uma peça (*que hoje recebe o nome de “memorial defensivo”) que, logo no princípio, foi utilizada as próprias palavras do acusado para construir sua defesa. E com esse espírito de “liberdade” aparente que transcrevo a “erudição” que eu li num dos processos, vejamos:
“Estava saindo para trabalhar quando percebi que estava com um furúnculo no rego da bunda. Então tirei a cueca para vesti-la novamente ao chegar no trabalho, porque ela estava me incomodando”.
Façamos aqui uma única observação pertinente ao caso concreto: existe algum rego que não seja na bunda? Eu ainda não conheço! Em um outro processo achei um erro medonho contra a língua portuguesa:
“A delegada ESTAUROU o ENQUÉRITO por ESTERIONATO, e o processo foi correndo na justiça”.
E levando em consideração o resto, pergunto-me se o processo criou pernas e correu pelo Fórum Rui Barbosa ou se apenas foi seguindo seu curso normal pelo judiciário. Por outro lado, segue nos tribunais brasileiros a inutilidade da linguagem jurídica que, muitas vezes, provoca confusão e dificulta o entendimento dos laudos.
À margem dos autos e da reforma que deu novos ares à estrutura secular do Judiciário que, na teoria, seria a mais influente entidade de classe da toga, abrimos aqui na LITERATURA CLANDESTINA um debate que, provavelmente, vai encontrar severa resistência nos tribunais (*mais violenta até que a reação negativas aos meus textos no Congresso Nacional ou pelos ensandecidos leitores do contra).
Muitos juizes e advogados adotam pompa, caras e bocas lançando mão de variado repertório do vocabulário forense na hora da decisão. Transformam esse ato em intermináveis arrazoados até que, afinal, dedicam singelos um ou dois parágrafos ao que realmente interessa às partes em litígio - a conclusão do julgamento. Há muitos anos, instituições do Direito defendem que os juízes escrevam de forma mais clara. No entanto, os senhores magistrados pelo Brasil afora interpretaram isso como uma liberdade para fazer de suas sentenças peças de humor, ironia ou bizarrice.
Não raro, o autor da ação, ou o réu, se põe a ler e a reler aquela peça. Repete o gesto tantas vezes, e não entende absolutamente nada. Não é para menos. Afinal, quem tem a obrigação de saber o que vem a ser “teratológico”, ou aquela coisa a que chamam de “hermenêutica”, palavras comumente inseridas nas páginas dos processos?
Só para constar: “theros”, do grego, quer dizer “monstro”. “Teratológico” significa argumentação absurda. “Hermenêutica” é o estudo ou a interpretação da lei. Porém, os magistrados precisam entender que, ao procurar o Judiciário, as pessoas colocam em jogo questões muito importantes em suas vidas. A comunicação truncada provoca com certa freqüência situações constrangedoras. Não é raro testemunhas receberem uma simples intimação e entrarem em pânico porque acham que vão acabar atrás das grades.
Contudo, o problema em tudo isso é quando o juiz se afasta dos conceitos jurídicos e começa a impregnar a sentença com opiniões, conceitos e até preconceitos. Um caso famoso foi o do juiz da 9ª Vara Criminal de São Paulo, Manoel Maximiano Junqueira Filho, que julgou uma ação do jogador Richarlyson, do São Paulo, contra um dirigente do Palmeiras que insinuou em um programa de tevê que o atleta seria gay. O tal juiz arquivou a queixa-crime e na exposição de motivos escreveu (preconceituosamente) que o futebol é "viril, varonil, não homossexual". Felizmente, o comentário valeu ao magistrado a pena de censura pública por parte do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, por impropriedade absoluta de linguagem. Mas só isso resolve? Acho que não.
Reconhecendo que o linguajar nos fóruns pelo Brasil é um horror, pesado e injusto com o cidadão comum, a AMB anunciou a ofensiva contra o “juridiquês”. A entidade abriga quase 15 mil magistrados de todos os segmentos e é a maior associação de juízes do País e do mundo. O plano é levar às ruas, ou mais precisamente aos tribunais, uma campanha de simplificação da redação processual. Medida que independe de projeto de lei ou de emenda à Constituição. Vamos aguardar!
E a par dessas premissas, é forçoso reconhecer que a jurisdição é muito mais dever do que poder. A aparente contradição na linguagem é facilmente desfeita se lembrarmos que todo poder emana do povo e esse ao delegá-lo a um órgão responsável pela jurisdição, tem, em contrapartida, o direito de cobrar o serviço e aquele o dever de prestá-lo, pelo menos na teoria. A situação, guardadas as devidas proporções, é a mesma que se passa entre mandante e mandatário, mas temos que melhorar muito a linguagem.
>>> Leia mais sobre as pérolas do Judiciário clicando AQUI.
charges 1 e 2: divulgação; charge 3 da polícia matando: Caros Amigos;
charge 4 sobre as pérolas do judiciário: Isto É
Por Elenilson Nasc
imentoO bom de pesquisar sobre Direito Penal é que ele é público e, sendo assim, qualquer um tem acesso aos autos no balcão da secretaria mesmo sem procuração. Como recentemente eu estava fazendo uma monografia para um aluno graduando em Direito da UCSAL (*ele me pagando, é claro), tive que ir à luta para tirar algumas dúvidas sobre um assunto que eu não dominava, pois o graduando em Direito da UCSAL não sabia me explicar. E percorrendo as pastas à procura de uma tese defensiva para um atentado violento ao pudor, eis que me deparo com uma peça (*que hoje recebe o nome de “memorial defensivo”) que, logo no princípio, foi utilizada as próprias palavras do acusado para construir sua defesa. E com esse espírito de “liberdade” aparente que transcrevo a “erudição” que eu li num dos processos, vejamos:
“Estava saindo para trabalhar quando percebi que estava com um furúnculo no rego da bunda. Então tirei a cueca para vesti-la novamente ao chegar no trabalho, porque ela estava me incomodando”.
Façamos aqui uma única observação pertinente ao caso concreto: existe algum rego que não seja na bunda? Eu ainda não conheço! Em um outro processo achei um erro medonho contra a língua portuguesa:
“A delegada ESTAUROU o ENQUÉRITO por ESTERIONATO, e o processo foi correndo na justiça”.
E levando em consideração o resto, pergunto-me se o processo criou pernas e correu pelo Fórum Rui Barbosa ou se apenas foi seguindo seu curso normal pelo judiciário. Por outro lado, segue nos tribunais brasileiros a inutilidade da linguagem jurídica que, muitas vezes, provoca confusão e dificulta o entendimento dos laudos.
À margem dos autos e da reforma que deu novos ares à estrutura secular do Judiciário que, na teoria, seria a mais influente entidade de classe da toga, abrimos aqui na LITERATURA CLANDESTINA um debate que, provavelmente, vai encontrar severa resistência nos tribunais (*mais violenta até que a reação negativas aos meus textos no Congresso Nacional ou pelos ensandecidos leitores do contra).
Muitos juizes e advogados adotam pompa, caras e bocas lançando mão de variado repertório do vocabulário forense na hora da decisão. Transformam esse ato em intermináveis arrazoados até que, afinal, dedicam singelos um ou dois parágrafos ao que realmente interessa às partes em litígio - a conclusão do julgamento. Há muitos anos, instituições do Direito defendem que os juízes escrevam de forma mais clara. No entanto, os senhores magistrados pelo Brasil afora interpretaram isso como uma liberdade para fazer de suas sentenças peças de humor, ironia ou bizarrice.
Não raro, o autor da ação, ou o réu, se põe a ler e a reler aquela peça. Repete o gesto tantas vezes, e não entende absolutamente nada. Não é para menos. Afinal, quem tem a obrigação de saber o que vem a ser “teratológico”, ou aquela coisa a que chamam de “hermenêutica”, palavras comumente inseridas nas páginas dos processos?
Só para constar: “theros”, do grego, quer dizer “monstro”. “Teratológico” significa argumentação absurda. “Hermenêutica” é o estudo ou a interpretação da lei. Porém, os magistrados precisam entender que, ao procurar o Judiciário, as pessoas colocam em jogo questões muito importantes em suas vidas. A comunicação truncada provoca com certa freqüência situações constrangedoras. Não é raro testemunhas receberem uma simples intimação e entrarem em pânico porque acham que vão acabar atrás das grades.
Contudo, o problema em tudo isso é quando o juiz se afasta dos conceitos jurídicos e começa a impregnar a sentença com opiniões, conceitos e até preconceitos. Um caso famoso foi o do juiz da 9ª Vara Criminal de São Paulo, Manoel Maximiano Junqueira Filho, que julgou uma ação do jogador Richarlyson, do São Paulo, contra um dirigente do Palmeiras que insinuou em um programa de tevê que o atleta seria gay. O tal juiz arquivou a queixa-crime e na exposição de motivos escreveu (preconceituosamente) que o futebol é "viril, varonil, não homossexual". Felizmente, o comentário valeu ao magistrado a pena de censura pública por parte do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, por impropriedade absoluta de linguagem. Mas só isso resolve? Acho que não.Reconhecendo que o linguajar nos fóruns pelo Brasil é um horror, pesado e injusto com o cidadão comum, a AMB anunciou a ofensiva contra o “juridiquês”. A entidade abriga quase 15 mil magistrados de todos os segmentos e é a maior associação de juízes do País e do mundo. O plano é levar às ruas, ou mais precisamente aos tribunais, uma campanha de simplificação da redação processual. Medida que independe de projeto de lei ou de emenda à Constituição. Vamos aguardar!
E a par dessas premissas, é forçoso reconhecer que a jurisdição é muito mais dever do que poder. A aparente contradição na linguagem é facilmente desfeita se lembrarmos que todo poder emana do povo e esse ao delegá-lo a um órgão responsável pela jurisdição, tem, em contrapartida, o direito de cobrar o serviço e aquele o dever de prestá-lo, pelo menos na teoria. A situação, guardadas as devidas proporções, é a mesma que se passa entre mandante e mandatário, mas temos que melhorar muito a linguagem.>>> Leia mais sobre as pérolas do Judiciário clicando AQUI.
charges 1 e 2: divulgação; charge 3 da polícia matando: Caros Amigos;
charge 4 sobre as pérolas do judiciário: Isto É
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Crônicas de Elenilson Nascimento
segunda-feira, 16 de março de 2009
O BRASIL É UMA PIADA SEM GRAÇA COM MAIS 45 NO BANCO DOS RÉUS
"Sete senadores e 38 deputados respondem a processos no STF por crimes que vão de falsidade ideológica a sequestro e representam 7,5% do Congresso Nacional.”
Por Elenilson Nas
cimento
Sinceramente, eu não sei você, caro leitor, mas eu tô de saco cheio de me sentir um perfeito idiota, um maturo esperando a “marolinha” do Lula, que leva uma gozada na cara toda vez que se senta na frente da televisão para assistir a um jornal qualquer.
Eu não aguento mais ouvir aquele imbecil do William Bonner, pai dos trigêmeos – belo golpe do esperma – falando da “máfia do caralho à quatro” e da “operação mãe-joana” da nossa maravilhosa e eficaz Polícia Federal. E a cada dia tenho mais certezas de que somos uns imbecis e que as pessoas perderam mesmo a noção do ridículo.
Recentemente um levantamento feito pela revista “Isto É”, na edição do dia 25/02, retratou o quando somos beócios de carteira. A contabilidade processual da suprema corte mostrou que, na atual legislatura, dos 513 deputados federais e 81 senadores (*que não fazem nada no Congresso de importante), um em cada cinco parlamentares está envolvido com algum tipo de investigação criminal ou administrativa. Segundo a ONG Transparência Brasil, que fiscaliza o comportamento ético dos homens públicos, a situação é pior quando se focaliza os parlamentares mais influentes.
Viu só? E isso é simplesmente insuportável ter de ouvir essa enxurrada de escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, de conversas entre políticos e outros homens de posse, ligados a esquemas de corrupção que são quase carinhosamente apelidados pela imprensa e pela própria polícia com nomes como: “máfia das sanguessugas”, “máfia das caça-níqueis” e por aí vai. E para piorar a situação, os nossos maravilhoso agentes federais em pleno uso de sua criatividade, elaboram nomes para suas mega operações fictícias que também já estão dando no saco da sociedade há um bom tempo: “operação furacão”, “operação xeque-mate” e “operação navalha” - operações essas, tão bem-sucedidas que não conseguem manter ninguém na cadeia por mais de dez dias.
E agora, como se não soubéssemos, entre as chamadas "cabeças" do Congresso, um em cada três líderes de bancada está sob investigação. E o que tudo indica é que "a política brasileira está sendo dominada por meliantes. O número de processos envolvendo políticos em todo o País passa de mil, se forem consideradas todas as instâncias da Justiça.
Os levantamentos da “Isto É” e da Transparência Brasil são preocupantes, mas também desmentem a máxima popular de que "todo político é ladrão". Se bem que eu ainda tenho a minhas dúvidas. Na realidade, os “fichas-sujas” não são nem a maioria. Isso pode ter a ver tanto com a alvissareira hipótese de que há muitos fichas-limpas na política quanto com a possibilidade, bem real, de que nem todos os fichas-sujas foram descobertos.
Eu, no adro da minha ignorância, só fico aqui me perguntando o porque essas coisas realmente nos ridicularizam enquanto população e sociedade, até quando vamos ficar levando na cara e engolindo essa imprensa “baba-ovo” e essa polícia que anda totalmente descompassada com a justiça (*veja o caso dos comandantes alto escalão da Polícia Militar da Bahia envolvidos em corrupção) e não conseguem prender ninguém que tenha cometido um crime mais grave do que roubar um litro de leite?
Eu acho muito pouco provável que alguém mais quer ouvir falar em mensalão, mensalinho, operações-fiasco, máfia do salaminho, marolinhas ou CPIs do aéreo entre outros – ninguém aguenta mais essa porra toda. A sociedade precisa de atitudes enérgicas por parte das autoridades e de respostas que cobramos há tempos, bem como as autoridades e os nossos representantes também precisam de atitudes enérgicas por parte da sociedade para que possam entender de uma vez por todas que ninguém mais aguenta ser feito de trouxa. Mas é muito difícil pensar nisso sabendo que o brasileiro (*e eu me incluo nessa) é um povo acomodado que só sabe RECLAMAR ao invés de agir. Aliás, nem isso mais o brasileiro faz!
E, na pior das hipóteses, eles serão condenados e assim, com base no que determina a Constituição, perderão imediatamente seus mandatos (*só isso?). Só que o STF nunca condenou um parlamentar, mas se fosse um ladrão de galinhas... e como disse lorde Rees de Ludlow: “Para a maior parte das pessoas, na maior parte das nações, nunca houve um momento melhor para viver". Ele só esqueceu de dizer que isso não se aplica aos brasileiros, pois o Brasil se tornou uma grande piada, daquelas batidas, repetitivas e totalmente sem graça. Deixo aqui os meus mais sinceros votos de vão tomar nos seus respectivos monossílabos todos os nossos representantes e a nossa linda imprensa.
imagens: Isto É
Por Elenilson Nas
cimentoSinceramente, eu não sei você, caro leitor, mas eu tô de saco cheio de me sentir um perfeito idiota, um maturo esperando a “marolinha” do Lula, que leva uma gozada na cara toda vez que se senta na frente da televisão para assistir a um jornal qualquer.
Eu não aguento mais ouvir aquele imbecil do William Bonner, pai dos trigêmeos – belo golpe do esperma – falando da “máfia do caralho à quatro” e da “operação mãe-joana” da nossa maravilhosa e eficaz Polícia Federal. E a cada dia tenho mais certezas de que somos uns imbecis e que as pessoas perderam mesmo a noção do ridículo.
Recentemente um levantamento feito pela revista “Isto É”, na edição do dia 25/02, retratou o quando somos beócios de carteira. A contabilidade processual da suprema corte mostrou que, na atual legislatura, dos 513 deputados federais e 81 senadores (*que não fazem nada no Congresso de importante), um em cada cinco parlamentares está envolvido com algum tipo de investigação criminal ou administrativa. Segundo a ONG Transparência Brasil, que fiscaliza o comportamento ético dos homens públicos, a situação é pior quando se focaliza os parlamentares mais influentes.
Viu só? E isso é simplesmente insuportável ter de ouvir essa enxurrada de escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, de conversas entre políticos e outros homens de posse, ligados a esquemas de corrupção que são quase carinhosamente apelidados pela imprensa e pela própria polícia com nomes como: “máfia das sanguessugas”, “máfia das caça-níqueis” e por aí vai. E para piorar a situação, os nossos maravilhoso agentes federais em pleno uso de sua criatividade, elaboram nomes para suas mega operações fictícias que também já estão dando no saco da sociedade há um bom tempo: “operação furacão”, “operação xeque-mate” e “operação navalha” - operações essas, tão bem-sucedidas que não conseguem manter ninguém na cadeia por mais de dez dias.
E agora, como se não soubéssemos, entre as chamadas "cabeças" do Congresso, um em cada três líderes de bancada está sob investigação. E o que tudo indica é que "a política brasileira está sendo dominada por meliantes. O número de processos envolvendo políticos em todo o País passa de mil, se forem consideradas todas as instâncias da Justiça.
Os levantamentos da “Isto É” e da Transparência Brasil são preocupantes, mas também desmentem a máxima popular de que "todo político é ladrão". Se bem que eu ainda tenho a minhas dúvidas. Na realidade, os “fichas-sujas” não são nem a maioria. Isso pode ter a ver tanto com a alvissareira hipótese de que há muitos fichas-limpas na política quanto com a possibilidade, bem real, de que nem todos os fichas-sujas foram descobertos.
Eu, no adro da minha ignorância, só fico aqui me perguntando o porque essas coisas realmente nos ridicularizam enquanto população e sociedade, até quando vamos ficar levando na cara e engolindo essa imprensa “baba-ovo” e essa polícia que anda totalmente descompassada com a justiça (*veja o caso dos comandantes alto escalão da Polícia Militar da Bahia envolvidos em corrupção) e não conseguem prender ninguém que tenha cometido um crime mais grave do que roubar um litro de leite?
Eu acho muito pouco provável que alguém mais quer ouvir falar em mensalão, mensalinho, operações-fiasco, máfia do salaminho, marolinhas ou CPIs do aéreo entre outros – ninguém aguenta mais essa porra toda. A sociedade precisa de atitudes enérgicas por parte das autoridades e de respostas que cobramos há tempos, bem como as autoridades e os nossos representantes também precisam de atitudes enérgicas por parte da sociedade para que possam entender de uma vez por todas que ninguém mais aguenta ser feito de trouxa. Mas é muito difícil pensar nisso sabendo que o brasileiro (*e eu me incluo nessa) é um povo acomodado que só sabe RECLAMAR ao invés de agir. Aliás, nem isso mais o brasileiro faz!E, na pior das hipóteses, eles serão condenados e assim, com base no que determina a Constituição, perderão imediatamente seus mandatos (*só isso?). Só que o STF nunca condenou um parlamentar, mas se fosse um ladrão de galinhas... e como disse lorde Rees de Ludlow: “Para a maior parte das pessoas, na maior parte das nações, nunca houve um momento melhor para viver". Ele só esqueceu de dizer que isso não se aplica aos brasileiros, pois o Brasil se tornou uma grande piada, daquelas batidas, repetitivas e totalmente sem graça. Deixo aqui os meus mais sinceros votos de vão tomar nos seus respectivos monossílabos todos os nossos representantes e a nossa linda imprensa.
imagens: Isto É
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Crônicas de Elenilson Nascimento
AGRESSÃO CONTRA RIHANNA MOSTRA COMO NÓS, HOMENS, AINDA SOMOS IRRACIONAIS
Por Elenilson Nascimento
A notícia já é meio velha, mas vale o registro aqui na LITERATURA CLANDESTINA. E quanto mais se conhecem os detalhes, mais impressiona a roubada em que se meteu a bela e impressionante cantora Rihanna, 20 anos, de corpo e voz igualmente belos e impressionantes, conhecida pela música “Umbrella” – que já teve até versão mística explorada pelas discípulas de Inri Cristo.
A foto acima de Rihanna machucada e sangrando após a agressão rodou o mundo, causando uma investigação pela polícia de Los Angeles para saber como ela vazou. O site de celebridades TMZ.com disse que a foto foi tirada após a agressão. A imagem deprimente mostra a cantora com os olhos fechados e o lábio inferior inchado e sangrando. Há também contusões e manchas de sangue em sua
bochecha e duas longas e finas marcas em sua bela testa.
Resumo do BO: ao sair de uma festa, em Los Angeles, a cantora percebeu que o namorado, o rapper Chris Brown (foto ao lado), de apenas 19 anos e igualmente milionário, recebia uma mensagem de texto de outra mulher. Discutiram. Ele parou o carro num parque. Ela ameaçou sair. Ele a agarrou e agrediu. Ela jogou fora a chave do carro. Ele surtou, gritando: "Vou te matar". Depois, fugiu a pé.
A notícia já é meio velha, mas vale o registro aqui na LITERATURA CLANDESTINA. E quanto mais se conhecem os detalhes, mais impressiona a roubada em que se meteu a bela e impressionante cantora Rihanna, 20 anos, de corpo e voz igualmente belos e impressionantes, conhecida pela música “Umbrella” – que já teve até versão mística explorada pelas discípulas de Inri Cristo.
A foto acima de Rihanna machucada e sangrando após a agressão rodou o mundo, causando uma investigação pela polícia de Los Angeles para saber como ela vazou. O site de celebridades TMZ.com disse que a foto foi tirada após a agressão. A imagem deprimente mostra a cantora com os olhos fechados e o lábio inferior inchado e sangrando. Há também contusões e manchas de sangue em sua
Resumo do BO: ao sair de uma festa, em Los Angeles, a cantora percebeu que o namorado, o rapper Chris Brown (foto ao lado), de apenas 19 anos e igualmente milionário, recebia uma mensagem de texto de outra mulher. Discutiram. Ele parou o carro num parque. Ela ameaçou sair. Ele a agarrou e agrediu. Ela jogou fora a chave do carro. Ele surtou, gritando: "Vou te matar". Depois, fugiu a pé.
Chamada por moradores, a polícia encontrou Rihanna com o rosto deformado, lábio partido e mordidas nos braços. No dia seguinte, Brown foi indiciado, pagou fiança de $50.000 dólares e teve uma audiência marcada para o último dia 5 de março. Os dois cancelaram shows, sumiram de vista e deixaram o mundo todo torcendo para que só voltem a se encontrar no dia em que a sentença dele sair. De prisão.
Brown, não muito conhecido aqui no Brasil, cantor de sucessos como "Run It!" e "Forever", foi detido no dia 8 de fevereiro sob a suspeita de fazer ameaças contra uma mulher, e promotores estão decidindo se irão ou não arquivar as acusações contra ele. No mês passado, Brown disse que estava "triste e arrependido" sobre o que ele chamou de “incidente” e que estava procurando ajuda.
Mas a confusão não parou por aí. Brown também negou a autoria de postagens em sua página pessoal na rede de relacionamentos Facebook (*tipo Orkut), como a mudança de seu status para "solteiro" e a frase "Vocês começarão a ver as cores verdadeiras dela – acreditem”. “Até que as questões legais estejam resolvidas, isso é tudo que eu tenho a dizer, exceto que eu não escrevi nenhuma mensagem ou fiz nenhum post no Facebook, em blogs ou em nenhum outro lugar. Esses post em meu nome são fraudes", afirmou.
Recentemente, a Justiça americana decidiu que o cantor será obrigado a pagar $10 milhões de dólares (*cerca de 23 milhões de reais) caso volte a agredir sua namorada. De acordo com o tablóide inglês “The Sun”, o rapper já teria assinado um acordo em que se compromete a pagar a multa "mesmo que aperte o braço dela de forma errada".
Agora, os assessores do cantor trabalham para resgatar sua imagem após o episódio da agressão. Parte da estratégia consiste em fazer com que o casal apareça junto (*como no "love" da foto ao lado) em um programa de televisão, provavelmente o da apresentadora Oprah Winfrey (*a Hebe preta de lá), para falar sobre o tratamento de controle da raiva a que Brown tem se submetido.
Brown, não muito conhecido aqui no Brasil, cantor de sucessos como "Run It!" e "Forever", foi detido no dia 8 de fevereiro sob a suspeita de fazer ameaças contra uma mulher, e promotores estão decidindo se irão ou não arquivar as acusações contra ele. No mês passado, Brown disse que estava "triste e arrependido" sobre o que ele chamou de “incidente” e que estava procurando ajuda.
Mas a confusão não parou por aí. Brown também negou a autoria de postagens em sua página pessoal na rede de relacionamentos Facebook (*tipo Orkut), como a mudança de seu status para "solteiro" e a frase "Vocês começarão a ver as cores verdadeiras dela – acreditem”. “Até que as questões legais estejam resolvidas, isso é tudo que eu tenho a dizer, exceto que eu não escrevi nenhuma mensagem ou fiz nenhum post no Facebook, em blogs ou em nenhum outro lugar. Esses post em meu nome são fraudes", afirmou.

Recentemente, a Justiça americana decidiu que o cantor será obrigado a pagar $10 milhões de dólares (*cerca de 23 milhões de reais) caso volte a agredir sua namorada. De acordo com o tablóide inglês “The Sun”, o rapper já teria assinado um acordo em que se compromete a pagar a multa "mesmo que aperte o braço dela de forma errada".
Agora, os assessores do cantor trabalham para resgatar sua imagem após o episódio da agressão. Parte da estratégia consiste em fazer com que o casal apareça junto (*como no "love" da foto ao lado) em um programa de televisão, provavelmente o da apresentadora Oprah Winfrey (*a Hebe preta de lá), para falar sobre o tratamento de controle da raiva a que Brown tem se submetido.
+ A vingança de Rihanna
A agressão do Chris Brown à Rihanna já é motivo de piada na internet. No jogo abaixo, o internauta pode incorporar a cantora e "revidar" as agressões dando socos no rapper. CLIQUE AQUI e divirtam-se!
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