sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

SEGUNDO DIA DO FESTIVAL DE VERÃO SALVADOR 2009

Por Elenilson Nascimento

O excelente grupo Cordel do Fogo Encantado levou muito sincretismo musical ao Festival na madrugada desta sexta, 30/01, ao público que lotou a Arena Universitária do Festival de Verão para acompanhar o som dos pernambucanos de Arco Verde, cidade definida pelo vocalista Lirinha como “uma terra de loucos, misturas, maracatus, ciranda, poesia e teatro”. Para aqueles acostumados a ouvir “merdas” pelas rádios e nunca consumiu coisas boas, o grupo pode ser definido como um laboratório de experiências estéticas, onde folclore, música, religião e teatro se misturam, resultando em uma sonoridade marcada pelo sincretismo e poesia.
Já a Ana Carolina apresentou uma performance admirável em sua estréia no Festival e abriu show com homenagem a Elvis. Embora tenha evitado todos os veículos de imprensa,
vetando entrevistas antes e depois do show (*toda vez que ela vem a Salvador faz isso), a cantora e compositora mineira não apenas presenteou os fãs com novos e antigos sucessos, como revezou o comando de instrumentos, entre eles um piano, um dos momentos mais bonitos do show e de maior participação do público que lotava a arena do palco principal.
Ana Carolina trouxe também o hit “Eu Comi a Madonna”. Um detalhe desta noite é que a cantora preferiu só cumprimentar o público, que se apinhava para conseguir a melhor visão do palco, quando ela já estava pra lá da sexta música do set list. E foi o que fez. Muitos acharam essa atitude uma total falta de educação.
Os também mineiros da banda Jota Quest fizeram a "mesmice" de sempre. Em mais de uma hora de show, a banda não deixou o romantismo de lado e tocou grandes sucessos como “Só Hoje” e “Além do Horizonte”. Durante a apresentação, Rogério Flausino falou da sensação de tocar no Festival. 'É uma grande honra subir nesse palco, e abrir esta noite que ainda reserva muitas surpresas', disse.
Um dos momentos mais esperados do Festival na noite desta quinta-feira foi quando Ivete “piriguete” Sangalo subiu ao palco sob o espírito de Dalila, personagem da sua nova música de trabalho, “Cadê Dalila”. Ela entrou no palco num trono (*tipo Madonna) carregada por quatro dançarinos. Os integrantes da banda também estavam devidamente caracterizados. Ivete caprichou na organização e pintou de dourado todos os instrumentos do grupo.
Logo no início do show Ivete se declarou para a multidão que esperava ansiosamente pelo show. “É um prazer estar aqui. Tudo o que eu faço eu penso em vocês para poder fazer o melhor show”. A cantora não podia deixar de fora o seu humor sarcástico (*bem diferente de Daniela Mercury). “Estou nervosa, toda de dourado parecendo que passaram catarro em meu corpo”, brincou. Que nojo, Ivete!
No final do show, Ivete voltou a cantar o novo hit “Cadê Dalila” e recebeu em seu palco crianças, sobrinhos do seu namorado. A baiana agradeceu a produção do evento por autorizar que ela permanecesse no palco por mais vinte minutos além do tempo limite. Muita emocionada e ao som de som de “Arerê”, a cantora encerrou sua apresentação fazendo o sinal do Pai Nosso. Ivete foi a única artista a se apresentar em todas as 11 edições do Festival de Verão Salvador. Em maio, ela lança o novo CD e DVD “Pode Entrar”, gravado no estúdio de sua casa com participações de artistas como Saulo e Carlinhos Brown. Mas a crise econômica pode adiar o lançamento desse projeto. Foi o que a artista após o terceiro show do Festival. "Estamos avaliando, mas fazer um show fora, onde você sabe que a comunidade brasileira iria comparecer, diante de toda essa crise, seria uma irresponsabilidade nossa", disse, em entrevista coletiva. A atriz Cristiana Oliveira, com os seus belos 45 anos, da novela “Pantanal”. Sabia que ela já chegou a pesar quase 100 quilos em dois momentos da sua vida. E conseguiu vencer a balança? Mas pelo visto, seu corpinho está em forma! O ator Iran Malfitano, após a polêmica com o seu personagem Orlandinho da péssima novela “A Favorita”, agora, muito bem acompanhado.
O cantor da banda Eva Saulo Fernandes e o ator Lyu Arisson que representou a fogosa Yolanda na minissérie "Ó Paí, Ó", continuação do filme de mesmo nome que foi sucesso nos cinemas brasileiros. “É o segundo ano que venho ao Festival de Verão e estou encantada. É uma festa que tem uma energia muito boa. Acho muito melhor do que o Carnaval. Estou emocionada!”, disse a sempre sorridente ex-apresentadora do Fantástico e ex-futura cantora Glória Maria.
O excelente cantor e compositor baiano Alexandre Peixe. “Mas aquela propaganda de uma rede de materiais de construção que você fez, senhor Peixe, aquilo foi barra!”
“Achei um horário na minha agenda e aproveitei para vir. Estou achando tudo muito bonito”, disse a sempre bela atriz Carolina Dieckmann.
“Assim como no ano passado, o Festival de Verão está muito organizado. Estou gostando de tudo”, disse o sorridente Cauã Reymond.
“É meu primeiro ano no Festival de Verão e estou adorando. Agora, depois que terminaram as gravações de “Maysa”
CLIQUE AQUI –, estou aproveitando para descansar muito e ficar junto com a minha família”, essa foi a declaração da atriz Larissa Maciel.
“É a primeira vez que venho à Bahia e estou feliz por estar aqui no Festival. Estou trabalhando com muitos baianos na peça Hamlet e essa experiência está sendo ótima. Acho que tudo que faz a gente mais feliz é válido”, disse o ator Mateus Solano, o Ronaldo Boscolli da minissérie “Maysa”.
Aíííííí Carolina, vale a pena outro registro aqui!

foto do Cordel do Fogo Encantado: Fernando Ximenes; foto 1 de Ana Carolina: Nanna Possa;
foto de Alexandre Peixe e foto 2 de Ana Carolina: Kleber Galvão; foto 2 de Ivete (assoviando) e Jota Quest: Sebastião Bisneto/A Tarde; e demais fotos: iBahia.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

PRIMEIRAS IMAGENS DO FESTIVAL DE VERÃO 2009

Por Elenilson Nascimento
Um dos maiores eventos de música do país já começou. Ontem, quarta-feira (28/01), algumas atrações se apresentaram no palco principal, como Chiclete com Banana, Daniela Mercury, Biquíni Cavadão e o Rappa. Cerca de 50 mil pessoas marcaram presença no Parque de Exposições de Salvador e puderam curtir, além de atrações principais, a Tenda Eletrônica, a Arena Universitária, o Boteco do Samba e diversos espaços de entretenimento no 11º Festival de Verao de Salvador. Confira as primeiras imagens abaixo:
Durante o primeiro dia do Festival de Verão, o “Boteco do Samba” contou com os shows do Grupo Movimento, do sambista carioca, Arlindo Cruz, Grupo Aquarela do Samba e, para encerrar a noite, a maravilhosa Mariene de Casto. Quem ainda não ouviu essa menina, corra atrás!
A primeira noite do Festival ganhou o ritmo forte e as letras de protesto da banda O Rappa, que apresentou os novos sucessos do álbum “7 vezes”, lançado em agosto do ano passado, com 14 músicas inéditas. Mas foi cantando os sucessos antigos que o vocalista Falcão fez o público se entregar ao delírio. “Súplica Cearense”, versão deles para uma velha canção de Luiz Gonzaga, não ficou de fora do set list. Falcão ainda fez uma homenagem ao samba, lembrando do amigo Zeca Pagodinho, com a canção “Maneiras”, conhecida pelos versos “Se eu quiser fumar eu fumo, Se eu quiser beber eu bebo, Eu pago tudo o que eu consumo, Com suor de meu emprego”.

Balé Folclórico da Bahia deu show à parte no show da Daniela.

Bruno foi comemorar com o público os vinte e três anos de sucesso do Biquíni Cavadão.

Cena bizarra de ontem: Claudia Leitte fez uma participação (virtual) no show do Biquíni Cavadão. Lamentável!

A sempre competente Astrid Fontenelle namorando nos bastidores do Festival. Uma pena que a MTV não a tenha mais no seu quadro de funcionários. Talvez por isso que a programação da emissora esteja uma “merda”.

A bela carioca Taís Araújo também curtia a festa. Sempre quando pode, a atriz aparece para curtir o verão de Salvador. Pena que ela largou o Lazaro Ramos!

A atriz e cantora, Emenuelle Araújo, que também interpretará a “Paixão de Cristo”, vivendo Maria Madalena. O ator Murilo Rosa, que agora está de visual novo, com uma barba grande para interpretar Jesus Cristo, em Nova Jerusalém Deborah Secco.
Daniela, após uma hora e meia de show, saiu do palco do incendiando o público que a aguardava na grade do backstage. Em retribuição a atenção da artista, os fãs cantaram o novo sucesso 'Oya TeTê', deixando a cantora muito emocionada. Daniela já estava em seu camarim quando resolveu aparecer para os fotógrafos, mas o motivo não foram os clicks. Umas saias de arame, que faziam parte do seu figurino estavam do lado de fora do camarim, e isso preocupou a cantora. Todo mundo já esperava algum chilique. E, embora essa tenha sido seja a oitava edição do Festival que Daniela participou, ela demonstrou tensão perante os fotógrafos.
Mesmo não fazendo parte da grade de atrações do Festival, Margareth Menezes veio dar uma canja no show da Daniela Mercury.

Os chatérrimos apresentadores André Marques e Daniele Suzuki, acompanhados da repórter super-mega-chata Sarah Oliveira, antes da transmissão televisiva do Festival de Verão Salvador para todo o Brasil (*de madrugada!).

foto do Biquíni Cavadão, Emanuele Araújo e do Balé Folclórico da Bahia: Margarida Neide/Agência A Tarde;
foto de Mariene de Castro: Yuri Almeida; e o restante das fotos: Ibahia

RASPAS E RESTOS ME INTERESSAM

“Mesmo pessoas ditas mais centradas, muitas vezes, pais de jovens que barbarizam nas ruas ou mesmo os próprios bárbaros que jamais se reconhecem como tais, volta e meia, surgem na tela da TV com suas frases feitas argumentando sobre as "astúcias perversas" dos poderes públicos...”
Por Elenilson Nascimento
Aproveitando o excelente texto de ontem, 28/01, de Varley Farias Rodrigues, aqui na LITERATURA CLANDESTINA, gostaria também de me solidarizar com os milhares de famílias de jovens inconsequentes por seus excessos (*ou por suas inaptidões), para não chamá-los de burros. Coitados daqueles que ainda depositam esperanças na juventude desse país. Coitados daqueles que acham que os jovens são a força motriz do progresso, porque da ordem eu nem comento mais.
O Brasil peca por passar a mão na cabeça de assassinos por serem jovens e, mais que o número de mortos e feridos, vítimas desses marginais, onde impressiona o teor de tolerância que a sociedade brasileira, os poderes públicos e, sobretudo, a legislação demonstram diante desses boçais bárbaros em todas as camadas sociais que transformam a sua condição em armas e seguem a vida impunemente mesmo após causarem mortes e mutilações.
Quando são vítimas da pobreza imposta por esse país sem oportunidades, a sociedade joga-os na latrina da exclusão. Quando são de uma classe privilegiada, como já foi dito, costumamos chamá-los de rebeldes ou, o que e ainda pior, achamos que tudo não passa de uma fase.
PICHANDO A POLÍCIA – Ontem, uma pauta foi comum a todos os telejornais nacionais: matérias sobre essa juventude cada vez mais parasita de si mesmo. E entre estes, uns morrem, outros matam e fica-se por isso mesmo.
Na cidade de Barreiras (BA), segundo polícia, que também não e nenhuma flor que se cheire, duas adolescentes foram flagradas por uma policial militar enquanto pichavam, com um pedaço de carvão, a entrada de uma distribuidora de alimentos do governo com frases ofensivas contra um policial. Desrespeito? Talvez seja. Como punição, as meninas foram obrigadas por uma policial a lavarem o que haviam escrito (foto ao lado). E de acordo com policiais do 10º Batalhão da Polícia Militar, uma das adolescentes portava uma faca. Mas, depois do incidente, ambas foram encaminhadas ao Conselho Tutelar.
HIPOCRISIA – Mas se as criaturas em questão fossem de uma outra classe social? Provavelmente os representantes dos Estatutos dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes estariam gritando na TV, e claro. Poderíamos está assistindo uma onda de comoção nacional dessas que mobilizam o Brasil sempre que a vítima é de classe média para cima. Se for bonita então, a tragédia rende ainda mais Ibope.
No entanto, o que prevalece no comportamento da sociedade brasileira cotidianamente em relação ao mesmo assunto é um comportamento de alheamento proposital diante das vitimas e mutilados pelos “garotões boçais” e dos “adultos inconseqüentes” em suas performances prepotentes de afirmação.
O caso dos Cruzeiros Universitários é só mais um na lista de absurdos. Fala-se todo o tempo do quanto é proibido beber e dirigir. Mas ganha um doce quem, em Salvador, por exemplo, viu recentemente alguma instituição oficial de trânsito mensurando nos finais de semana, em vias de acesso às praias, o quanto esse ou aquele motorista bebeu. Ganha um prêmio ainda mais valioso quem for capaz de apontar um desses assassinos bêbados que mataram alguém no trânsito e estejam cumprindo pena. Ah, mas todos se comovem diante da foto estetizada do casal de adolescentes morto na Lagoa Rodrigo de Freitas, exibida reiteradamente no Fantástico e em outros tantos programas de TV.
A INDÚSTRIA DA BELEZA – E depois do caso da bela modelo Mariana Bridi, de apenas 20 anos, que morreu após uma infecção generalizada, um outro caso estarrece-nos. Uma jovem nutricionista de 23 anos, Aline Winkler Borges (foto ao lado) teve as pontas dos dedos das mãos e os dedos dos pés amputados. E segundo o hospital, ela foi internada com pneumonia causada por uma bactéria. Aline ainda está internada no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, desde o dia 30 de dezembro, e de acordo com o boletim médico divulgado pelo hospital nesta ultima quarta-feira (28/01), está internada “devido ao quadro de pneumonia adquirida na comunidade, pela bactéria legionella spp, mantém estabilidade, com quadro infeccioso sob controle, sem febre”. Ainda de acordo com o hospital, ela não tem previsão de alta. E o que a medicina tem mais a explicar? Só isso?
ASNEIRAS DE TODOS OS DIAS – Mesmo pessoas ditas mais centradas, muitas vezes, pais de jovens que barbarizam nas ruas ou mesmo os próprios bárbaros que jamais se reconhecem como tais, volta e meia, surgem na tela da TV com suas frases feitas argumentando sobre as "astúcias perversas" dos poderes públicos para "extorquir" a população. Uma boa pergunta a um desses boçais que falam asneiras solenemente seria se soubessem o custo de um dia de UTI, o preço de um respirador mecânico. Ou qual o preço da vida da Aline ou da Mariana?
Se confrontados com os valores consumidos pelo país em cuidados hospitalares intensivos e de reabilitação e com o custo imensurável das dores humanas, os recursos arrecadados destroem qualquer tentativa de argumento razoável. Entretanto, apesar das reiteradas imagens da morbidade dos nossos jovens em Cruzeiros caríssimos ou em boates nas noites das metrópoles, durante essa semana, o que deu o tom nos últimos dias na comunicação de massa no país foi a repetição exaustiva de uma imagem e a ausência cínica de outra. Paradoxalmente, a primeira, explicitada, era de interesse privado, e a outra, omitida, de interesse público.
ÍDOLO, SEXO E CORRUPÇAO – Um outro assunto pautou os noticiários de fofocas. O atacante brasileiro Robinho (foto/montagem), do Manchester City, teve o seu nome envolvido em uma acusação de estupro na Inglaterra. Apesar das denúncias de que teria estuprado uma estudante de 18 anos, segundo a imprensa local, o jogador esbanjou descontração e brincou durante toda a movimentação em torno do seu exame de DNA durante depoimento na polícia.
Além de ter prestado depoimento na última terça-feira, 27/01, sobre um suposto caso de estupro, Robinho também deixou amostras do seu DNA para constar no inquérito. De acordo com o jornal inglês Daily Telegraph, esse tipo de procedimento é padrão no Reino Unido. Além disso, o jogador teria sido fotografado na delegacia. E o que aconteceu de fato? Segundo a imprensa britânica, o atacante brasileiro do Manchester City teria estuprado uma estudante de 18 anos no último dia 14 de janeiro na área vip de uma boate em Leeds (foto abaixo). O jogador negou veementemente as acusações e disse que vai colaborar com as autoridades para a elucidação do caso.
A suposta jovem que teria sido violentada estuda em uma universidade na cidade de Yorkshire. No entanto, ela teria ido a Leeds com amigas no dias do crime. De acordo com o jornal Daily Mail, ela já teria feito exames de corpo de delito e também prestado depoimento gravado em vídeo sobre o acontecido. Porém, não querendo justificar aqui, nem tirar a responsabilidade do Robinho, mas sabemos bem como funciona esses joguinhos. Ninguém até agora cogitou a possibilidade dessa menina ser uma “maria chuteira”, ou que talvez realmente seja uma vítima. O atacante ainda não fez ainda um pronunciamento oficial sobre a denúncia, mas o Manchester City já soltou um comunicado confirmando apoio total a Robinho e a polícia.
E enquanto qualquer brasileiro que tem acesso a um computador conectado à internet, às revistas de fofoca e aos programas popularescos de TV, pôde ver as imagens de sexo semi-explícito da modelo e péssima apresentadora Daniela Cicarelli numa praia espanhola, o ministro da Justiça e a Polícia Federal bateram pé aqui desse lado do Equador e negaram à imprensa e à opinião pública, na época, a imagem devastadora que isso poderia causar na nossa juventude: o registro de dois integrantes do partido político do Presidente da República presos com 1,7 milhão de reais para a suposta compra de um dossiê contra a oposição tucana. Alguém ainda lembra disso? E como diria Cazuza: “Raspas e restosme interessam. Pequenas poções de ilusão. Mentiras sinceras me interessam...”
Boate onde a suposta agressão sexual teria sido cometida por Robinho
fonte dos dados: Terra
foto da adolescente em Barreiras: Luiz Tito/A Tarde/Futura Press
demais fotos: G1

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

RASPAS E RESTOS DE UMA JUVENTUDE PERDIDA

“Leis que não punem com rigor a essas ilicitudes, leis que derivam para a parcialidade, leis que culminam em calmaria que não levam a lugar nenhum, leis que por não educar, encharcam de mazelas a sociedade.”
Por Varley Farias Rodrig
ues *
É notório que os valores morais foram por água abaixo há muito tempo e veem (*olha o Acordo Ortográfico aqui!) sendo afogados cotidianamente no oceano das nossas imperfeições com a aquiescência das famílias que não percebem – ou não querem perceber – seja por comodidade, seja por desleixo, seja por incapacidade – a tragédia a que se submetem.
Como base imprescindível da formação do caráter do individuo, a família exerce a sua ação ao educar e como toda ação tem uma correspondente reação.
Uma reação oriunda do aperfeiçoamento da natureza do homem, nos aspectos intelectual, afetivo e prático. Junte-se ao descaso familiar, uma Justiça também incapaz, que acaba colaborando para levar as abissais profundezas esses valores quando, sob sua tutela, mantém “leis frouxas” e “capengas” originadas de mentes que, alheias aos fatos cotidianos, se trancam nos seus cômodos escritórios para assistir nos noticiários diários as verdadeiras tragédias da sociedade, sem que uma gota sequer de responsabilidade lhe seja imputada num presumível momento de lucidez.
Os senhores fazedores de leis, artífices dessa sociedade, usam dois pesos para as mesmas medidas, quando por um lado, permitem a livre vinculação de propaganda de bebidas na mídia televisiva – mídia excessivamente de massa – e que, por outro lado, pregam um combate armado à cocaína, ao crack, ao exctasy, a maconha, dentre outros. Ora, não precisa ser nenhum químico, médico ou ter qualquer qualificação profissional para concluir o que é fato. Todos são drogas, como também o cigarro e a bebida. Todos viciam e matam, portanto, devem ser taxados como ilícitas e combatidas igualmente. Coisa que raramente acontece.
O fato preocupante é que a sociedade que vive entre drogas “licitas” e “ilícitas” vai vendo a sua juventude embarcando cada vez mais nessa nau de vícios que raramente permite que um ou outro salte do seu convés com vida. Agora, vemos que esses jovens carentes, por não terem tido uma bússola familiar de berço que os guiassem com sabedoria para que no percurso da vida não se perdesse nos oceanos revoltos dos vícios, se veem embarcando em literais orgias náuticas, regadas por coquetéis de bebidas e drogas.
Universitários inconsequentes, promissores profissionais, que durante meses amealhando valores, aderem às devassidões dessas viagens sem perceberem que pagam para morrer. Entreguem aos tubarões, esses jovens são devorados entre goles de bebidas misturadas e a fumaça mortal das drogas. Ambas, tanto as licitas como as ilícitas, teem livre acesso nessas viagens, aliás, parece ser condição “sine qua non".
A força da moeda nacional vem atraindo de alguns anos para cá a atenção das empresas de cruzeiros marítimos que, visando única e exclusivamente o lucro, fazem vistas grossas e permitem o embarque de toda sorte de tripulantes e seus vícios. E, a meu ver, essas empresas deveriam ser responsabilizadas criminalmente, porque são responsáveis também pelo o que ocorre nas dependências de suas naus de bacanais.
Não bastassem ver nossos jovens matando e morrendo em terra firme, nos sinais, nas favelas, nas ruas e avenidas e até dentro dos próprios lares, agora, vemos também que o luxo das gigantescas embarcações cheias de atrativos inimagináveis que transportam a mesma violência. Tanto em terra firme quanto no chão que flutua sobre as águas, são apenas lugares onde imperam a estupidez humana e a sociedade vai vendo seus valores se enferrujando, sentindo o enjôo de uma justiça que navega na contramão das correntes do bom senso.
Leis que não punem com rigor a essas ilicitudes, leis que derivam para a parcialidade, leis que culminam em calmaria que não levam a lugar nenhum, leis que por não educar, encharcam de mazelas a sociedade. São essas as ações que a justiça promove e como consequência surgem suas reações correspondentes.
Somos testemunhas que uma lei mais áspera pode sim propiciar alguns anos há mais de vida aos cidadãos e, como exemplo, cito a lei seca tão odiada, mas que em alguns meses, já evitou que sabe-se lá quantas vidas fossem abreviadas.
A minha consternação, o que me causa também abatimento, é que a mídia em geral continua tomando partido, dando ênfase a uma notícia em detrimento de outras. O que nos faz pensar que essa parcialidade tem preço e como a família da periferia que teve seu filho (inconseqüente) morto por ter entrado no submundo das drogas não tem recursos, a divulgação da sua morte então deve dá lugar a morte do abastado, não menos inconsequente, que perdeu a vida em mais uma orgia náutica e que morreu da mesma maneira do outro. Acho que ambas devem ter o mesmo peso, porque ambos os personagens dessa mesma tragédia urbana, tiveram na verdade os mesmo algozes. Justiça e família.
E para fechar a semana trágica, como tantas que vivemos, quedamos entristecidos com o desfecho do caso da bela Mariana Bridi (foto ao lado), modelo de apenas 20 anos, que morreu após uma infecção generalizada. Mariana, vítima de uma bactéria, teve suas mãos e pés amputados antes de morrer.
De acordo com o infectologista Caio Rosenthal, do hospital Albert Einstein, não é comum que casos de infecção por pseudomonas evoluam para a amputação dos membros. “A necrose acontece quando a bactéria causa uma infecção tão grave que impede que o fluxo sanguíneo atinja extremidades", explicou Rosenthal, que diz que a pseudomonas aeruginosa é uma bactéria comum nas infecções urinárias.
Não me admiraria se o fato das amputações dos membros superiores e inferiores da jovem modelo fossem mais um caso como tantos outros de erro médico, como também o fato de que a infecção tenha se generalizada. Imperícia? Incompetência? Descaso com a vida humana? Fatalidade? Seja o que for, deve ser apurado, porque embora a vida humana esteja valendo quase nada, diante da banalização da violência, deve-se descobrir de quem é a culpa, mesmo que a justiça com suas leis frouxas, promova indultos ou outras formas de abrir as grades das prisões, incentivando assim as mais diversas perversidades humanas.

>>> O que acontece quando você junta mais de 2 mil jovens universitários, muita bebida, drogas, shows de axé, pagode, forró e trance e joga tudo dentro de um navio? Dê uma olhada no vídeo de um dos shows durante a quarta edição do Cruzeiro Universitário, no navio MSC Opera, que resultou na morte de uma bela menina de 20 anos. Abaixo o pessoal ainda parece comportado:


Aqui uma universitária “dando” uma de Cicarelli na piscina…


* Varley Farias Rodrigues é escritor. Contato: vfarias2005@hotmail.com
foto 1: cena do filme “Bicho de Sete Cabeças”
foto2: divulgaçao

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

EAGLE EYE CHERRY NA BAHIA

Por Elenilson Nascimento
Amanhã começa mais um Festival de Verão Salvador (*que acontece do dia 28 à 31 de janeiro), no Parque de Exposições. Com espaços inéditos, a proposta desse ano é transformar o local dos shows num caldeirão de alegria, mesmo que a cidade toda esteja com autos índices de violência – CLIQUE AQUI. A mistura será a tônica do palco principal, que terá tamanho ainda maior, numa área para mais de 50 mil pessoas, além do Camarote VIP e Camarote Baladas. Mesclando ritmos, o evento irá proporcionar encontros musicais entre os artistas, com o objetivo de criar momentos emocionantes para o público, que a LITERATURA CLANDESTINA promete cobrir (criticamente) o evento. E esse ano teremos a presença de Alanis Morrissette entre as atraçoes principais.
E, para começar, um momento bacana. O cantor sueco Eagle Eye Cherry, na 10º edição do Festival do ano passado, disse que tocar na Bahia significava "um sonho realizado". Convidado para representar a música internacional na 10º edição do Festival de Verão de 2008, o cantor ainda ficou uma semana curtindo férias na Bahia.
Simpático e bem-humorado, ele ate colocou um broche do Festival na camisa. Eagle, para o show do Festival, preparou um misto entre os seus discos já lançados e algumas canções do álbum novo, que foi lançado no segundo semestre de 2008. O cantor disse ainda que acompanhar o Festival de Verão lhe rendeu a oportunidade de conhecer as músicas feitas na Bahia e no Brasil. Abaixo algumas fotos no camarim:
Saiba mais, veja as matérias que fizemos sobre o Festival de Verão 2008.
>>> 10ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DE VERÃO SALVADOR
>>> IMAGENS DO FESTIVAL DE VERÃO 2008
imagens: iBahia

STICKY & SWEET TOUR BRASIL

Por Elenilson Nascimento
Christian Lamb, um dos responsáveis pelos vídeos projetados na turnê "Sticky & Sweet Tour" da Madonna, esteve passeando no último evento elitista e fútil de moda SPFW (SP) e trocou algumas palavras sobre os shows da cantora no Brasil. Segundo Christian, Madonna estava muito emocionada com o final da cansativa (*e lucrativa) turnê e chorava o show inteiro. "Só começamos a nos dar conta da despedida quando chegamos ao Brasil", comentou.
Christian também disse que Madonna chegou a considerar a não fazer o show do Rio de Janeiro, devido a forte chuva que caia na cidade e os inúmeros boatos da violência na cidade. "A segurança do público está em jogo. Num temporal, tudo pode acontecer. Na América, metade das pessoas teria ido embora", finalizou.
Agora, apareceu na internet um pack com fotos dos backstage dos shows no Brasil. As fotos, tiradas pela própria equipe em cima do palco, foram feitas durante os ensaios em São Paulo e mostra um pouco do animado público, o DJ Paul Oakenfold, dançarinos, equipe técnica e, claro, a Madonna! Para baixar tudo e guardar – CLIQUE AQUI.
fonte: MadonnaOnline

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A BABILÔNIA CAIU?

"Para além da tragédia com mortos e feridos, é fato que qualquer história relacionada à Renascer, de algum tempo para cá, já traz em si um apelo informativo, ou especulativo, de temperatura altíssima."
Por Malu Fontes*
Com a posse do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama, praticamente toda e qualquer outra informação veiculada na imprensa durante a semana, seja na televisão ou em qualquer outra mídia, tinha tudo para ser ofuscada. E foi. No entanto, no clipping televisivo nacional da semana não há como ignorar o desabamento do principal templo da igreja Renascer em Cristo, na região central de São Paulo, com uma soma trágica, até meados da semana, de nove mortos e mais de 120 feridos, 17 dos quais continuavam internados em virtude de estado ainda crítico.
Para além da tragédia com mortos e feridos, é fato que qualquer história relacionada à Renascer, de algum tempo para cá, já traz em si um apelo informativo, ou especulativo, de temperatura altíssima. Todo mundo no Brasil sabe que os líderes espirituais dessa igreja, a bispa Sônia (foto ao lado) e o apóstolo Estevão, estão presos há um punhado de meses nos Estados Unidos, usando, inclusive, tornozeleiras eletrônicas – CLIQUE AQUI e leia. Foram flagrados entrando no país com milhares de dólares sem declará-los. É bom que se diga que não se trata de suspeitas, mas de flagrante. O casal bispa-apóstolo já foi julgado, condenado e está cumprindo pena. Além disso, a Renascer é sempre referida quando se fala das cifras milionárias que envolvem as negociações e patrocínios do jogador Kaká, o craque do Milan, o fiel mais famoso do tempo da bispa e do apóstolo. Uma parte generosa das doações da Renascer vem dos contratos de Kaká que, conforme todas as emissoras de TV ressaltaram, casou-se justamente no tempo cujo teto desabou no último domingo.
SORRISO CREME DENTAL - Como se tudo isso fosse pouco, uma tal reforma no telhado caído acabou se transformando no grande nó da tragédia. Primeiro negada e depois assumida, a reforma tem contornos esquisitíssimos, como a contratação de uma empresa de construção sem registro no Conselho de Engenharia de São Paulo. A fachada do prédio da tal empresa fica a dever a qualquer galinheiro de 'comunidade', já que escrever favela equivale a usar palavrão em salões finos. Não é tudo. A obra não teve nenhum registro e, portanto, nenhuma autorização, nos e dos órgãos competentes da Prefeitura de São Paulo. Ou seja, a Renascer parece ser chegada a um negócio mal feito. É dólar escondido para entrar em um país estrangeiro de leis rigorosíssimas, é reforma sem autorização de órgãos e conselhos, é contratação de empresa de fundo de quintal. Haja carisma e dinheiro de Kaká para lavar essa crise de imagem e a má sorte, para usar termos assépticos.
Mas, para além dos novelos e novelas internas relacionadas à biografia pouco autorizada e menos ainda recomendável da Renascer e de seu casal-líder, merece reflexão no episódio do desabamento a cobertura da tragédia pelas emissoras de TV no domingo, imediatamente após o desabamento. No primeiro momento a Rede Globo saiu na frente ao abrir o Fantástico com a notícia, ainda quando não se sabia ao certo se havia mortos, quantos eram os feridos e muito menos quantas pessoas estavam no local no momento que o teto ruiu. Ok, elogiável o comportamento jornalístico da Globo ao abrir sua principal revista eletrônica semanal com a informação. Elogio, no entanto, jogado no lixo no momento seguinte, atirado pela natureza do fluxo televisivo: imediatamente após anunciar uma tragédia ainda sem os devidos detalhes, entra o sorrisão de propaganda de creme dental de Patrícia Poeta, como se a notícia anterior sequer existisse, anunciando toda a sorte de quinquilharias.
DONATELA - Os que vivem a acusar a Vênus do Projac de proteger o catolicismo colocaram uma pulga atrás da orelha: será que se fosse o teto de uma catedral católica não haveria um respeito traduzido em um tratamento mais solene dado ao fato? Como se não bastasse, eis que a grande atração da noite no Fantástico era surreal: a dupla heroína-vilã da novela enterrada na véspera (e muito mal enterrada, dada a patetice dos desfechos encontrados pelo autor à trama), Flora/Patrícia Pillar (foto ao lado) e Donatela/Cláudia Raia, ainda por cima vestidas por um inimigo, de tão feinhos que eram os modelitos, o que provocou vontade de pedir perdão aos figurinistas do Bahia Revista (TV Bahia). Como não estranhar, e muito, que enquanto bombeiros e equipes médicas engarrafavam quadras inteiras do local da tragédia a emissora líder de audiência do país colocasse no ar perguntas imbecis às intérpretes de uma novela já acabada?
Mas isso foi apenas um deslize se comparado ao non sense promovido pela emissora de TV de propriedade da Renascer. Segundo a Folha de S. Paulo, às 23h do domingo, quando bombeiros procuravam vítimas nos escombros, a Rede Gospel, da Renascer, exibia um show de rock evangélico e ao fundo, em um telão, a bispa Sônia dançava efusivamente e cantava um refrão que dizia: A Babilônia caiu. Bom, para quem acha tudo nesse país surreal, uma solução é mudar-se para a Índia, onde, agora, graças a Glória Perez e sua Caminho das Índias, todo mundo lá fala Português.

*Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. Contato: maluzes@gmail.com

foto 1: A bispa Sônia Hernandes, da igreja Renascer, fotografada ao chegar ao presídio de West Palm Beach, na Flórida; foto 2: tatuagem em um membro da igreja Resnascer/Orkut ; charge de Kaká: Equipe Blogando Bola; montagem com Sonia e Estevão: Visão Panorâmica e montagem com Patrícia Pillar: My Confession Giordanno

domingo, 25 de janeiro de 2009

FÃ FAMOSA DE VARGAS LLOSA

Por Elenilson Nascimento
Nem só do intragável imortal e bruxo e Paulo Coelho vive a material girl (*fã declarada do livro “O Alquimista”). Pelo menos é o que garante uma amiga, a atriz Gwyneth Paltrow (“Se7en - Os Sete Crimes Capitais”, “Homem de Ferro”, “Shakespeare Apaixonado”, entre outros). Paltrow revelou recentemente ao jornal inglês Daily Mirror quais são os três livros preferidos da Madonna. E não é que a cantora manda muito bem. Vejam a lista:
“Travessuras da Menina Má”, do peruano Mario Vargas Llosa. Ao mesmo tempo em que conta a história de uma paixão arrebatadora, o livro traça um panorama de transformações sociais e políticas ocorridas na Europa e na América Latina. Muitas das experiências vividas por ele aparecem através de seus personagens. Llosa narra a história do peruano Ricardo, um jovem que realiza o sonho de viver em Paris. Em seus sete capítulos, "Travessuras" se abre por dentro para histórias distintas, reveladas como ficção em nome de sua verdade provisória. O protagonista reencontra um amor da adolescência, a aventureira Lily, que muda seu foco. O livro faz, por fim, referências à atividade de ler romances. "Lily dançava num ritmo saboroso e cheio de graça, sorrindo e cantarolando a letra da canção, erguendo os braços, mostrando os joelhos e balançando a cintura e os ombros de tal maneira que todo o seu corpinho, modelado com tanta malícia e tantas curvas pelas saias e blusas que usava, parecia se encrespar, vibrar e participar do baile dos pés à cabeça".
“A Mulher do Viajante no Tempo”
, primeiro romance da escritora norte-americana Audrey Niffenegger, que narra uma linda (*e não-convencional) história de amor onde conseguiu um feito pouco comum para escritores iniciantes no gênero da ficção: atrair a atenção dos leitores. Sucesso de vendas nos EUA, seu livro foi apontado pela crítica especializada como uma releitura inovadora e inteligente e teve até seus direitos cinematográficos comprados pelo casal de atores Jennifer Anniston e Brad Pitt. O livro narra a história do casal Henry e Clare. Quando os dois se conhecem Henry tem 28 anos e Clare, vinte. Ele é um moderno bibliotecário; ela, uma linda estudante de arte. Os dois se apaixonam, se casam e passam a perseguir os objetivos comuns à maioria dos casais: filhos, bons amigos, um trabalho gratificante. Mas o seu casamento nunca poderá ser normal. Henry sofre de um distúrbio genético raro. De tempos em tempos, seu relógio biológico dá uma guinada para frente ou para trás, e ele se vê viajando no tempo, levado há momentos emocionalmente importantes de sua vida tanto no passado quanto no futuro. Causados por acontecimentos estressantes, os deslocamentos são imprevisíveis e Henry é incapaz de controlá-los. A cada viagem, ele tem uma idade diferente e precisa se readaptar mais uma vez à própria vida. E Clare, para quem o tempo passa normalmente, tem de aprender a conviver com a ausência de Henry e com o caráter inusitado de sua relação. O livro mostra que o verdadeiro amor é capaz de transpor todas as barreiras – inclusive a mais implacável de todas: o tempo. O mais engraçado é que eu achei o enredo desse livro muito parecido com o sucesso dos cinemas do momento: “O Estranho Caso de Benjamin Button". Mas esse filme foi adaptado a partir da história de F. Scott Fitzgerald, sobre um homem que nasce com oitenta anos e regride na sua idade: um homem, como qualquer um de nós, que é incapaz de parar o tempo. Hum, “nas artes nada se cria, tudo se copia”, como diria Chacrinha.
O terceiro livro é “Shantaram”, romance baseado na vida do autor, o australiano Gregory David Roberts, que em 1978, por causa de seu vício em heroína, cometeu uma série de roubos e foi condenado a dezenove anos de prisão. Em julho de 1980, em plena luz do dia, ele conseguiu escapar pelo muro da frente da prisão de segurança máxima em Victoria, vindo a ser, nos próximos dez anos, o homem mais procurado da Austrália. Sua jornada levou-o a Nova Zelândia, Ásia, África e Europa, mas passou a maior parte do tempo em Bombaim – onde montou uma clínica de atendimento médico gratuito para moradores de favela e trabalhou como traficante de armas, falsificador, contrabandista e membro de um dos mais carismáticos ramos da máfia de Bombaim. Johnny Depp irá interpretá-lo nas telonas em breve.
Gwynnie Paltrow recomenda “Crime e Castigo”, de Dostoievsky; “Jane Eyre”, de Charlotte Brontë e “O Céu que nos Protege”, de Paul Bowles. Mas a Madonna ainda vai ler um dos meus livros. Um dia, “Clandestinos” vai cair nas mãos dela também. E para quem ficou muito curioso com a foto no início deste post. É ela mesma. Rodando pelo Orkut, achei em um álbum de alguém, a foto do passaporte da lindona. Gente, repare que ela está maravilhosamente perfeita mesmo para uma foto de documento. Fã é fã.
foto do passaporte: Orkut
fonte: ClicRBS