quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

BOMBOU (THE BEST OF 2009)

Por Elenilson Nascimento
A mídia independente seria aquela que não se caracterizada pelo vínculo de compromisso com instituições, opiniões de leitores, números de acessos, anunciantes ou grupos governamentais, e não está sob o controle de grandes veículos de comunicação. Também deveria ser aquela que priorizaria a informação em detrimento de fofocas e bizarrices, mas, infelizmente, muitos blogs têm o prazer mórbido de alimentar as suas páginas com a mais baixa característica do ser humano: o ódio.
Contudo, no meio desse mar de coisa nenhuma, alguns ainda buscam fornecer informações que promovam o livre pensamento, além de contar com a variedade de opiniões e de muita informação. De uma forma geral, é o tipo de publicação que não procura necessariamente propagar a ideologia de grupos dominantes ou o ódio e/ou o depreciamento do trabalho dos outros.
Atualmente, alguns blogs disponíveis na internet estão entre os meios mais utilizados como forma de praticar a mídia independente, mas dependendo do que e de como você escreve, essa liberdade é ilusória. Os blogs sofrem um cerco cada vez maior e entre muitos a sensação é de que a “festa” acabou. Qualquer coisa publicada e que depois não tenha como ser comprovada gera um falatório inútil de gente que só quer ridicularizar a fonte. Resolvi então, ao invés de inutilmente falar mal dos outros, ou sobre receitas de culinária ou ainda sobre o câncer da Dilma, exaltar as coisas boas que ainda podem ser encontradas na net e que eu consumi em 2009, pois, mesmo que não admitam, a grande mídia bebe – e muito – das pautas que alguns blogs levantam. Basta prestar atenção.

+ Os 3 melhores livros que eu li em 2009:
Saramago, Amós Oz e Erasmo Carlos.
No livro “Caim”, Saramago volta a atacar a religião, redime o protagonista do assassinato de Abel e aponta Deus "como o autor intelectual do crime, ao desprezar o sacrifício que Caim Lhe havia oferecido". Um livro maravilhoso – clique aqui. Em “Cenas da Vida na Aldeia”, de Amós Oz, o leitor é arrebatado com oito narrativas curtas que podem ser lidas de forma independente, embora, na sequência, a leitura ganhe mais, com personagens de uma que entram na outra, num encadeamento narrativo muito interessante – clique aqui. E “Minha Fama de Mal”, de Erasmo Carlos, que fala dos tempos de penúria do músico e parceiro constante de Roberto Carlos, mas com muito humor – clique aqui.
+ Os 3 melhores discos que adquiri em 2009:
Madonna, Arnaldo Antunes e R.E.M.
O primeiro disco é o “Playlist’M Studio Version Remixes”, da Madonna, um álbum não-oficial duplo lançado somente para fãs com 19 hits remixados. Este disco pode ser encontrado aqui. Também o novo do ex-titã Arnaldo Antunes que mais uma vez repete as boas parcerias e me fez decorar músicas como Invejoso que, na verdade, é um puxão de orelha pra muita gente por aí e tem tudo para cair nas paradas, apesar de Arnaldo não ser tão popular assim; Sua Menina é uma delícia e segue a mesma linha e é o exemplo explícito de machismo que ainda pode ser presenciado na sociedade, e Longetalvez seja a minha favorita, com uma pegada melancólica e com ares de dores de cotovelos. Digo talvez porque a obra completa em si é muito boa, não é possível classificá-la por partes. Confira aqui também uma entrevista de Arnaldo com Sérgio Martins. O terceiro disco, mas não menos importante, é o “Accelerate", décimo quarto disco gravado em estúdio do R.E.M. O álbum estreou na rede de relacionamentos iLike no dia 24 de março, onde os fãs puderam ouvir todas as músicas de graça. Recentemente, Michael Stipe, disse que "Accelerate" permitiu ao grupo se reencontrar "como grandes compositores" assim como refletir sobre como conseguir que um disco "não seja bom, mas magnífico". Um disco muito bom!
+ Os 3 melhores filmes em 2009:
O Primo Basílio, O Retrato de Dorian Gray e Divã.
Adoro filmes baseados em livros. E para começar essa seleção, o clássico da literatura portuguesa realista escrito por Eça de Queiroz foi transferido de Portugal/Lisboa para Brasil/São Paulo, de 1878 (séc. XIX) para 1958 (séc. XX), trazendo, como pano de fundo histórico e gancho narrativo, a construção de Brasília. Esse filme "O Primo Basílio" é fenomenal, onde a história da jovem Luísa (a meio sem noção Débora Falabella) casada com o engenheiro Jorge (Gianecchini), muitas vezes ausente do lar por estar envolvido com o trabalho, reencontra o primo Basílio (Fábio Assunção), sua paixão dos tempos de menina, que a abandonara para viver na Europa e agora retorna cheio de histórias e seduções, coloca o casamento dessa romântica, sonhadora e entediada em risco. Destaque também neste filme para Simone Spoladore, vivendo a depravada Leonor; e para Glória Pires, como a governanta Juliana. A segunda indicação é da obra de Oscar Wilde, sobre o moralmente corrupto Dorian Gray. Os anos passam e sua beleza e juventude continuam a ser mantidas, mas um retrato seu que ele mantém escondido de olhos alheios, guarda seus segredos - à medida que os anos vão passando, o retrato vai exibindo sua feiúra interior. Aos poucos, porém, suspeitas começam a acontecer com relação a seu comportamento e vitalidade. Uma das melhores adaptações sobre esse livro – clique aqui e baixe o filme. E a terceira indicação vai para o fenomenal “Divã”. Explicar aqui o grande sucesso de “Divã”, protagonizado pela sempre excelente Lilia Cabral e dirigido por Ernesto Piccolo, é muito fácil. A atriz adaptou com Marcelo Saback o romance homônimo de Martha Medeiros, uma das tantas escritoras que tentam radiografar a alma feminina, para falar de coisas que todo mundo, principalmente as mulheres, falam, mas que são banais demais para virar texto literário ou teatral. As boas cenas, entre as muitas exibidas no filme, são aquelas em que Mercedes, sozinha, conversa com o terapeuta. Lilia atinge o espectador mais volúvel com suas confidências, que de tão comuns até encontram identificação. Clique aqui e leia a minha resenha.
+ Os 3 melhores jornalistas em 2009:
Ricardo Boechat, Johny Santos e Malu Fontes.
Em 1970, o jovem de esquerda, Ricardo Boechat, abandonava os estudos para ser jornalista. Certo dia, foi surpreendido por um convite do chefe de redação, Nilo Dante. “Garoto, você quer fazer um bico? Então, procura o senhor Ibrahim nesse endereço.” Na hora, Boechat não se deu conta, e logo descobriu se tratar de Ibrahim Sued, uma das legendas do jornalismo brasileiro, com quem viria a trabalhar por mais de dez anos. Hoje, jornalista consagrado e reconhecido como um dos mais bem informados do país, Boechat apresenta todas as noites o Jornal da Band e assina uma coluna na revista Isto É. E para quem não sabe, ele até já assumiu a Secretaria de Estado de Comunicação Social do Rio de Janeiro, mas a experiência na vida pública durou apenas seis meses. Boechat pediu demissão e voltou para as redações, desta vez como coordenador de redação do Jornal do Brasil. O segundo da minha lista é o simpaticíssimo Johny Santos, baiano de Feira de Santana, que começou sua carreira no Jornalismo em 1985, trabalhando numa rádio da sua cidade. Dois anos depois, foi para Salvador, onde trabalhou como locutor de rádio AM, FM e noticiarista. Foram doze anos de experiência como radialista. Em 1996, recebeu convite para apresentar um telejornal e, embora não seja o veículo onde estava acostumado a atuar, tornou-se o apresentador titular da TV Educativa da Bahia – e o melhor que já passou por lá. Comandou o TVE Notícias e participou do esportivo Cartão Verde. Recém-contratado pela Rede Record, apresenta o Direto da Redação, ao lado de Janine Borba, e também o Hora News, às sete da noite. A minha terceira indicação é a jornalista, mestre, doutora em comunicação e cultura contemporâneas pela Faculdade de Comunicação da UFBA, colunista em um monte de veículos, inclusive aqui na LC, Malu Fontes. “Não tenho talento para orientar nada, mas a coisa que mais nos alarga no mundo são os livros, os textos, os livros”, essa frase eu tirei do Twitter na moça, aliás, se tem uma mulher na Bahia que dá o que falar essa se chama Malu Fontes. Jornalista e professora universitária, Malu tem autêntica compulsão por notícias. Quer se manter informado? Então leia, ouça ou twitte com a Malu. Se todos os jornais da Bahia estão numa fase de mediocridade enfadonha, as únicas coisas que ainda temos de originais são as colunas da Malu junto com o Hélio Pólvora e a revista Muito (*quando não enche as suas páginas com receitas de bolo e/ou roupas para usar na laje), o resto da imprensa na Bahia se divide em sensacionalista – com direito aos programas com cadáveres sendo mostrados como troféus ao meio dia e a vida de celebridades do axé documentada como se fosse o pão nosso de cada dia - e daqueles que adoram bajular políticos. Mas Malu Fontes está bem longe disso, além de ser tudo e mais um pouco. Deliciosamente crítica, sonho de consumo de 9 entre 10 blogueiros, Malu vem seduzindo com os seus textos e pela vontade de contar notícias de forma clara. Diz-se viciada em informação, livros, revistas, jornais, televisão e até nos novelões da Globo. Reverencia sempre quem sabe escrever, seja quem for, como Jorge Luis Borges, o escritor argentino e o baiano Antonio Risério, poeta, escritor e antropólogo. Malu ainda se define como “jornalista, órfã do tempo, ombudsman do mundo e alérgica a pessoas que danificam outras; viciada em informação e sempre em busca de delicadeza e bom gosto”. Aproveite e ouça o último comentário da Malu abaixo:

+ Os 3 melhores sites/blogs da web em 2009:

Acho que foi a lista mais difícil que eu fiz, pois tive que selecionar só três. Mas vamos lá. Sabe aquele e-mail engraçadinho que você recebeu? Ou aquela imagem que te fez morrer de rir? Provavelmente se originaram em algum dos sites dessa seção. Ao lado do Kibe Loco, Homem É Tudo Palhaço, Mau Humor, o também excelente Charges.com, do jornalista Maurício Ricardo, reina absoluto. Charge.com é o site de humor mais visitado do Brasil, onde você encontra piadas, cartões virtuais, games, participa das enquetes mais inteligentes da web. Confira abaixo o trabalho do rapaz:

Já a Laranja Psicodélica é um dos melhores blogs para fazer download de filmes. A lista no Laranja é um resumo do melhor do cinema e o número de filmes interessantes no blog é de deixar qualquer cinéfilo atônito, por mais que haja outros bons títulos em outros lugares, mas esses não chegaram a me envolver, emocionar ou me representar tanto quanto os citados no Laranja. Minha coleção de filmes tem aumentado a cada dia, mas você tem que ter muita paciência, pois muitas vezes a conexão não ajuda. E, por fim, o site da revista Piauí que tem vários textos de colaboradores de peso e ilustrações maravilhosas. A Piauí é uma edição mensal, idealizada pelo documentarista João Moreira Salles, sendo editada pela Editora Alvinegra e impressa pela Editora Abril. E diferentemente das revistas convencionais do mercado editorial brasileiro, a Piauí pratica jornalismo literário. Moreira Salles nunca ressaltou publicamente a escolha deste gênero, pois acredita que se trata de "um nome pomposo, que quer se aproximar da eternidade da literatura". Para ele, "o que a Piauí faz é contar bem uma história". Além de pautas pouco convencionais, o tratamento dado às reportagens geralmente assemelha-se ao de uma narrativa ficcional.
+ O que bombou no YouTube em 2009:
O sucesso dos vídeos na internet fez de anônimos celebridades e deixou famosos em situações embaraçosas, mas as paródias do filme “A Queda”, de 2004, são o mais famoso exemplo de outra febre da web – as dublagens humorísticas de filmes. A cena em que um derrotado Hitler (o ator Bruno Ganz) discute estratégia com seus generais foi desvirtuada para falar de todo tipo de assunto – das derrotas de times de futebol à expulsão da estudante Geisy Arruda de uma universidade particular. Também um outro vídeo que ficou conhecido como “Sanduíche-íche”, onde a nutricionista Ruth Lemos teve um ataque involuntário de gagueira durante uma entrevista à TV – um fone preso em seu ouvido a fazia ouvir a própria voz. O resultado foram frases hilariantes que todo internauta acabaria recebendo em sua caixa de e-mails. Ou o vídeo da cantora Vanusa “acabando” com o Hino Nacional, numa cerimônia pública em 2009, foi o maior exemplo dos virais de famosos em situações embaraçosas. Seu maior “rival” talvez seja o apresentador de TV Fernando Vanucci, sob efeito de remédios, comemorando o pentacampeonato de futebol da Itália, em 2006. Mas, escolhi para ilustrar esse post, o clássico dos virais caseiros, "Charlie bit my finger" (Charlie mordeu meu dedo) que já ultrapassou 140 milhões de visualizações no YouTube. O vídeo mostra dois irmãos ingleses brincando, quando o mais novo, Charlie, de 1 ano, começa a morder o dedo do mais velho, de 3. Não parece interessante? Assista ao vídeo e você entenderá.

fonte dos vídeos: Rafael Pereira e Bruno Ferrari/Época
fotos: divulgação e podcast: Rádio Metrópole

9 comentários:

Debora disse...

Ficou faltando vc falar sobe o site da Caros Amigos. Tem tudo a ver com a LC.
Eu não gosto muito da Malu Fontes, pois ela sempre generaliza as coisas. E adoro falar malde pobres.

Anônimo disse...

Andreia M. de Oliveira
Eu particularmente gosto da Malu Fontes. Não concordo com a idéia de que fale mal da pobreza, pois utiliza a ironia e sagacidade como mecanismo de crítica social. E depois essas visões românticas da pobreza é algo equivocado. É claro que ninguém escolhe ser pobre, mas venhamos e convenhamos não há nada de magnífico na pobreza. Não falo puro e simplesmente do desprovido de recursos financeiros , mas sim da carência cultural, da ausência de consciência crítica e da falta de autonomia e independência em todos os sentidos. Justamente por isso as classes menos favorecidas da população são facilmente manobradas e manipuladas pelas elites. Creio que a abordagem da Malu Fontes é nesse sentido.
Pena que essa livre exposição de ideias que ela realiza , não ganhe destaque na grande mídia e seja alvo constante ataques. Assim, assino embaixo do que Elenilson escreveu a respeito das dificuldades de expressão da livre opinião, seja em blogues ou outros meios midiaticos. Parece que vivemos sob a égide de uma censura bem mais cruel do que a da época da ditadura, pois essa é de certa forma velada, ocultando-se sobre a tendência da globalização e universalização do pensamento. Nesse sentido quaisquer críticas a um governo popular ,por exemplo, é condenada. Elogios a respeito da obra de um artista, realizada por um reles desconhecido do meio das celebridades , podem ser igualmente rechaçada ou ridicularizada. E qualquer manifestação em prol do debate inteligente de ideias e da utilização de um mínimo de critério ético no julgamento do que quer que seja, então nem se fala. Onde está a liberdade de opinião que a nossa constituição apresenta como uma das prerrogativas fundamentais em um estado democrático? Infelizmente , tudo leva a crer que passados mais de duzentos de instituição das ideias iluministas de liberdade, tolerância e igualdade, a humanidade progrediu muito pouco
Andreia M. de Oliveira

DJ ADRIANO BARBOUS disse...

Não gosto muito de Saramago, mas achei as indicações pertinentes.

Daniel Aguiar disse...

Não é exagero dizer que a televisão fabrica consumidores potenciais, onde a lei predominante é a do “consumo, logo existo”. Desde crianças somos literalmente conduzidos a enxergar uma realidade onde o consumo exacerbado é a todo o momento evidenciado e induzido.

Anônimo disse...

O que dizer das mazelas cotidianas exibidas a qualquer hora, de qualquer forma, sem a menor ética, sem a menor descrição?

rafael - ba disse...

Elenilson, Natal é o nascimento de Cristo. Ano Novo é o nascimento de uma nova esperança. Que o seu Natal seja brilhante de alegria, iluminado de amor. Feliz Natal e o seu Ano Novo cheio de esperança. Muita paz pra vc irmão. Rezando aqui pelo nosso amigo tb.

Sandro C. Carvalho disse...

A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe. Fósforo que foi riscado. Nunca mais acenderá. Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar as velas em festa de aniversario, se uma vela acesa é símbolo de vida, uma vez apagada ela se torna símbolo de morte. Faça as contas para saber quantos anos não tem. Que "não tem", sim; porque o número que você vai encontrar se refere aos anos que não tem mais, para sempre perdidos no passado. Os que ainda terá, não saberá, ninguém sabe. rsrsrsr... sem mais delongas. aquele abraço e muita musica pra vc!

J. GILBERTO disse...

OI CARA AMIGO
QUE VC MANDASER PARA O CD QUE VC GARVOU SOL COM MUSICA DE AXE DA BAHIA QUE NOME DO CD É AXE BABA DO ANOS DE 2005 PARA MIM MEU ENDEREÇO É SANTO AMORA BAHIA NOME JOÃO GILBERTO SOARES DE OLIVEIRA

renato disse...

"Tristeza. Tragédia. Fim de ano pesadinho. Vamos rezar."