“Ator, repórter, internauta e até poliglota. Eles moram nas ruas.”
Por Elenilson Nascimento
É uma raridade encontrar matérias bacanas nos jornais e revistas, principalmente na Bahia, mas, enfim, recentemente foi publicado no Correio da Bahia um texto assinado por Alexandre Lyrio chamado “Talentos de Rua”, sobre artistas sem-teto que usam internet, tem blogs e vida social na rede. Segundo o texto: “A maioria os enxerga como os restos do mundo. Mas, entre aqueles que vivem sob marquises, viadutos e comunidades de rua, há talentos admiráveis. Quem disse que o povo das ruas não pode falar outros idiomas, fazer teatro, poesia ou acessar a Internet?”.
Mas esse assunto não é novidade aqui no blog, pois já tinha postado algo parecido - Você já viu mendigos usando laptops nas ruas? – porém, nessa nova matéria do Correio é apresentado o artista de rua Jackson Leandro, que o pessoal insiste em chamá-lo de “Catinga”, que vira-se nas ruas de Salvador como guia turístico. Segundo a reportagem, Catinga, um menino plurilíngue, fala inglês e discorre a respeito da Catedral Basílica, no Terreiro de Jesus, interpela um visitante catalão e fala em espanhol sobre as belezas do Centro Histórico, volta-se para um turista de Gênova e arranha em italiano, e ainda garante se comunicar em francês e, claro, em bom português. “Sua veia poliglota, aprendida no contato com os “gringos”, é abafada pela falta de oportunidades e pelas baforadas diárias de crack. O jovem se tornou um sujeito arredio, a ponto de não se deixar fotografar pela equipe de reportagem, que saiu ás ruas à procura de sujeitos diferenciados entre os que não têm onde morar”.
A reportagem vai mais além e pergunta: quantos dos que perambulam por aí guardam um talento como o de Catinga? Quantos poderiam ser artistas singulares? Então, nos é apresentado Runa, Maria Lúcia e Carlos – mais três moradores de rua que fazem da vida nas praças e viadutos fontes de inspiração. O primeiro, ator formado, estudioso de filosofia, mas que hoje vive em situação de rua e faz performances para outros moradores. Lúcia, por sua vez, saiu das escolas particulares para a vida debaixo das marquises, e de lá para a redação de um jornal. E, por fim, Carlos, o excluído social que insiste em ser incluído digital. Em comum, a perda dos laços familiares e o inferno e o céu de viver nas ruas.
fonte: Alexandre Lyrio/Correio da Bahia
É uma raridade encontrar matérias bacanas nos jornais e revistas, principalmente na Bahia, mas, enfim, recentemente foi publicado no Correio da Bahia um texto assinado por Alexandre Lyrio chamado “Talentos de Rua”, sobre artistas sem-teto que usam internet, tem blogs e vida social na rede. Segundo o texto: “A maioria os enxerga como os restos do mundo. Mas, entre aqueles que vivem sob marquises, viadutos e comunidades de rua, há talentos admiráveis. Quem disse que o povo das ruas não pode falar outros idiomas, fazer teatro, poesia ou acessar a Internet?”.
Mas esse assunto não é novidade aqui no blog, pois já tinha postado algo parecido - Você já viu mendigos usando laptops nas ruas? – porém, nessa nova matéria do Correio é apresentado o artista de rua Jackson Leandro, que o pessoal insiste em chamá-lo de “Catinga”, que vira-se nas ruas de Salvador como guia turístico. Segundo a reportagem, Catinga, um menino plurilíngue, fala inglês e discorre a respeito da Catedral Basílica, no Terreiro de Jesus, interpela um visitante catalão e fala em espanhol sobre as belezas do Centro Histórico, volta-se para um turista de Gênova e arranha em italiano, e ainda garante se comunicar em francês e, claro, em bom português. “Sua veia poliglota, aprendida no contato com os “gringos”, é abafada pela falta de oportunidades e pelas baforadas diárias de crack. O jovem se tornou um sujeito arredio, a ponto de não se deixar fotografar pela equipe de reportagem, que saiu ás ruas à procura de sujeitos diferenciados entre os que não têm onde morar”.
A reportagem vai mais além e pergunta: quantos dos que perambulam por aí guardam um talento como o de Catinga? Quantos poderiam ser artistas singulares? Então, nos é apresentado Runa, Maria Lúcia e Carlos – mais três moradores de rua que fazem da vida nas praças e viadutos fontes de inspiração. O primeiro, ator formado, estudioso de filosofia, mas que hoje vive em situação de rua e faz performances para outros moradores. Lúcia, por sua vez, saiu das escolas particulares para a vida debaixo das marquises, e de lá para a redação de um jornal. E, por fim, Carlos, o excluído social que insiste em ser incluído digital. Em comum, a perda dos laços familiares e o inferno e o céu de viver nas ruas.
fonte: Alexandre Lyrio/Correio da Bahia









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