Por Elenilson Nascimento
A história de escutas telefônicas clandestinas no Brasil é espantosamente farta. Mas nunca se viu um caso de escuta ilegal como o que veio a público na Bahia no ano passado e que, agora, parece que surgiram novamente. A grampolândia clandestina, instalada em pleno aparelho estatal, atingiu nada menos que 190 linhas telefônicas e operou durante mais de cinco meses, do fim de março ao princípio de setembro do ano passado.
Fiquei sabendo através da poetisa Andréia de Oliveira que, por sua vez, ficou sabendo através da indignação do radialista da Rádio Metrópole FM (Salvador-BA), Mário Kertèsz, que citou o ocorrido e também o texto do jornalista Samuel Celestino como título “A Bahia e a sua Central de Grampos”, publicado no dia 26/11, no portal Bahia Notícias, conforme abaixo:
“Há uma central de grampos montada na Bahia, ao que se informa, a pleno vapor, escutando ligações telefônicas de diversas personalidades políticas e empresariais, profissionais liberais, além de formadores de opinião. É pena que a decência e a ética tenha dobrado a esquina deste Estado, quando se imaginava, se verdadeira for a informação, que este tempo tinha passado para dar espaço ao respeito e à cidadania. Dentre os formadores de opinião, ainda segundo as informações, constariam o meu nome e o do apresentador Mário Kertèsz. Devo dizer que, da minha parte, podem até grampear, já que voltou o insulto desavergonhado, canalha e calhorda. Que grampeiem também a mãe do guarda, a baiana da acarajé, o flanelinha das sinaleiras, o engraxate e quem serve cafezinho na Secretaria de Segurança Pública. Só não façam grampo nos telefones do governador Jaques Wagner.”
O festival de grampos já captou disputas paroquiais, articulações eleitorais e rivalidades públicas. Mas, ao contrário da esmagadora maioria das escutas incrustadas no aparelho estatal, a grampolândia baiana teve uma peculiaridade: flagrou ameaças pessoais, juras de amor, encontros românticos, e tudo movido, aparentemente, por ancestrais sentimentos humanos - a traição, o ciúme, a vingança.
Até a revista Veja (e outras do gênero) já teceu vários comentários sobre o assunto. Promotores e polícia disputam direito de investigar. Ontem a noite, no Jornal da Cidade, da Rádio Metrópole, Mário Kertész leu essa nota postada acima. Ao final do texto, Kertész fez um desabafo pessoal, já que mais uma vez ele aparece entre os formadores de opinião que são alvos de escutas telefônicas ilegais na Bahia. “Nós pensávamos que a época de ACM havia passado. Mas, pelo visto hoje ele tem seguidores ainda mais duros e cruéis. A mim vocês não podem calar, não. Esse é meu direito constitucional como cidadão (...) Eu já havia denunciado isso há mais de um ano. Na época, interlocutores do Governo me ligaram para dizer que isso não era verdade, que o Estado não havia me grampeado. MENTIRA! Estou envergonhado com a Bahia! Morro de vergonha de vocês, que não sabem vencer sem golpe baixo”, lamentou.
Por fim, com a mesma ironia de sempre, ele mandou um recado a seus perseguidores: “Vocês são canalhas, calhordas e desavergonhados. Pode vim quente que eu estou fervendo. Nem venha de garfo que hoje é dia de sopa”. E nós aqui da LITERATURA CLANDESTINA assinamos em baixo. Confira o comentário de Mário Kertész:
>>> Mário Kertész fala sobre denúncia de grampos <<< Mas a discussão sobre os limites do poder de investigação do Ministério Público, tema de um questionamento que tramita no Supremo Tribunal Federal, divide opiniões. Pela legislação brasileira, a instituição é titular exclusiva da ação penal pública e cabe a ela mover a ação penal, todavia a investigação é de responsabilidade da polícia judiciária. O Ministério Público entende que a polícia tem dificuldade para investigar alguns crimes - os crimes organizados que envolvem a própria polícia ou pessoas ligadas aos governos a quem a polícia está subordinada. E depois que Veja denunciou o abuso do uso de escutas telefônicas praticado pela polícia brasileira no ano passado – CLIQUE AQUI, tramitou a passos largos no Congresso o projeto de lei que pretende alterar a regulamentação sobre o grampo no Brasil. Mas parece que a coisa não mudou muita coisa! E do jeito que a coisa anda eles provavelmente já devem ter pego as minhas gravações no sexyfone nas madrugadas! Meu Deus, que meda!
foto 1: Veja; foto 2: Jornal Opção
podcast: Rádio Metrópole
fonte: Samuel Celestino/ Bahia Notícias
foto 1: Veja; foto 2: Jornal Opção
podcast: Rádio Metrópole
fonte: Samuel Celestino/ Bahia Notícias





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