quarta-feira, 28 de outubro de 2009

UM NOVO JEITO DE LER

“O Kindle é considerado um agente subversivo capaz de mudar a relação que estabelecemos com o papel.”
Por Elenilson Nascimento
As revistas Época e Veja da semana passada, deram como manchete de capa a chegada do tão falado Kindle, o leitor digital de textos da Amazon que já vendeu mais de um milhão de unidades nos EUA, onde é comercializado desde 2007. O modelo que chega por aqui é o Kindle 2.
Na revista Época, por exemplo, a matéria pergunta: “Quantos livros, revistas e jornais você carrega na bolsa ou na mochila? Quantas vezes você não se arrependeu de ter deixado um deles em casa, por causa do peso? E com que frequência quis lembrar de algum artigo que leu em algum lugar e não consegue mais localizar?”. Pois é. Eu nem mesmo sei.
Mas, o que parece, é que o Kindle representa uma possível união entre a universalidade prometida pela internet e a privacidade oferecida pelo livro. E consegue fazer isso com um modelo de negócio – herdado do mundo da música – que facilita a disseminação de conteúdo, mas garante a remuneração do criador (e, portanto, o incentivo à produção). Assim como nos iPods, da Apple (e nas lojas de música da Nokia e outras), o usuário compra um aparelho e ganha o direito de usufruir um serviço de compra de conteúdo. No caso do Kindle, é possível comprar mais de 200 mil títulos do próprio aparelho, que recebe os arquivos por uma rede 3G (a mesma usada no celular).
Para adquiri-lo é preciso fazer um cadastro no site da Amazon, ter cartão de crédito internacional e desembolsar mais de mil reais. O aparelho dá acesso a mais de 200.000 livros digitalizados à venda no site da Amazon. Para comprá-los, o usuário se conecta ao site via 3G, internet móvel rápida, ou na ausência dessa, via Edge, mais lenta. A transação é feita via cartão de crédito e leva cerca de 60 segundos. Também é possível transferir arquivos em PDF e Word.
Já nas próximas duas semanas, os brasileiros poderão experimentar a mesma sensação que os americanos desfrutam desde 2007: carregar sua estante de livros dentro de um aparelho de 290 gramas e as dimensões de um gibi. Se bem que eu não sei se isso vai ter alguma importância num país como o nosso: onde boa parte da população não tem nem dinheiro para tirar xerox de livros quanto mais para comprar um aparelho de leitura, mas a outra parcela menor, com certeza, vai comprá-lo só para passear no shopping e mostrar o quanto é inteligente, informado e tecnológico, da mesma forma que fizeram com os aparelhos celulares na época onde falar no celular era coisa chique.
A revista Época, com o Paulo Coelho, plagiando a capa da americana Newsweek.
Segundo a revista Época, o Kindle é considerado um agente subversivo capaz de mudar a relação que estabelecemos com o papel. Quem já experimentou garante que você demora um pouco a se acostumar e ser seduzido pelo papel digital. Além disso, como toda tecnologia iniciante, parece cheio de detalhes a ser melhorados. Mas o grande trunfo é de poder levar uma biblioteca com você e poder ler todos eles sem carregar um grande peso. Outra vantagem do Kindle é sua e-ink, ou tinta digital em que a tela não reflete luz, sendo possível que ler à beira da piscina. No Brasil, ainda há poucos livros disponíveis para compra e as editoras não parecem muitos dispostas a apostar no formato logo de imediato. Porém, os principais concorrentes do Kindle são readers da Sony.
Com mecanismo de busca e espaço para anotação. A Amazon, maior livraria do mundo, anunciou que está ampliando a venda do Kindle, seu leitor de livros eletrônicos, para mais cem países do mundo. Mais do que um equipamento munido de uma tela e capaz de guardar 1.500 arquivos digitalizados, o Kindle representa uma revolução no modo como lemos. O escritor Paulo Coelho, amante das tecnologias, já liberou todos os seus livros publicados para download. Agora oferece os inéditos em formato eletrônico.fotos: divulgação

1 comentários:

Johnny disse...

Pôxa, um brinquedo desse me daria uma ajuda massa no curso de Direito, só um Vade Mecum digitalizado já seria o máximo