Por Elenilson Nascimento
Você pode até ter achado o título neste post meio sem sentido, ou meio "cabeça" demais. Porém, mesmo que você não queria admitir, ele faz parte de um mundo que eu gosto muito: CINEMA. Na última quinta-feira, 30/04, fui assistir duas produções absurdamente opostas. A primeira, o filme “Che”, dirigido por Steven Soderbergh (*de “Traffic”, “Erin Brockovich” e “Solaris”), com a excelente caracterização do ator Benicio Del Toro interpretando o lendário guerrilheiro. O longa tem um atrativo extra para o público acostumado a vestir aquelas camisetas com a cara de Che Guevera: a participação super-mínima de Rodrigo Santoro, no papel de Raul Castro, irmão do guerrilheiro que se tornou o ditador Fidel. “Che” é um f ilme morno com mais de 4 horas de duração, mas que foi dividido em duas partes: “Che - O argentino”, e “Che - A Guerrilha”, ainda sem data definida.
Nesta primeira parte, acompanhamos a construção do mito. O médico Ernesto Che Guevara encontra-se com Fidel para traçar as diretrizes daquilo que seria a Revolução Cubana. De cara, encontramos um Guevara dividido entre o homem impetuoso e sua formação intelectual - tem até cenas do cara dando uma de educador tipo Paulo Freire: "Migelito, já foi fazer a lição de matemática?". Tal nuance foi muito bem encaminhada por Del Toro, mas o filme peca muito em só mostrar o lado positivo da vida de Guevara: o lado humano, compassivo, educado, amoroso (*até com os “companheiros”), enfim, o mito que Hollywood quer vender mais uma vez, através de histéria e panfletarismo (*vide “Diários de Motocicleta”), transformando-o em deus na cabeça dos já alienados.

A elitista revista “Veja” já mostrou em suas páginas quem foi o homem a partir do qual se formou o mito que renitentes ideólogos do marxismo usam como instrumento facilitador da doutrinação que continuam a fazer em escolas e universidades – já tive vários alunos seguidores dessas mentiras. Depois de escalar repórteres para conversar com pessoas que conviveram com Che, incluindo um companheiro seu de guerrilha, de ouvir seis historiadores, de analisar biografias e textos escritos pelo guerrilheiro, a revista conclui que “o mito esconde uma verdade pouco palatável” e que esse novo “produto” cinematográfico não foi capaz de desvendar.
E embora admitindo que “Che era um visionário, decerto”, a “Veja” assegura (*como muitos outros historiadores sérios já o fizeram) que ele foi, sobretudo, “um homem feroz, que enxergava na violência um fim em si, e não apenas um meio para atingir seus objetivos”. A reportagem surpreende (*coisa muito rara) com inúmeras revelações. Exemplo: não há registro de que a famosa frase atribuída a Che Guevara – “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás” – tenha saído de sua boca.

Contudo, o filme “Che” já bateu a bilheteria dos blockbusters na Espanha e, nos Estados Unidos. Em Los Angeles, por exemplo, as partes foram lançadas simultaneamente. "O filme foi bem nos EUA", regozijou-se Santoro, que atualmente não faz outra coisa há não ser acompanhar a performance de “Che” ao redor do mundo. Ele sabe que a primeira parte do filme é polêmica. "Para muita gente, Che é um herói; para outros, um assassino. Steven (* o diretor) não quis reforçar uma visão nem a outra. Ele buscou o homem, o ser humano". Hum, tá bom Xerxes.
A continuação de “Che” não deve demorar a estrear nas salas brasileiras. No próximo filme, veremos um Che tentando repetir o êxito da revolução cubana na Bolívia. Ainda assim, os dois filmes podem ser vistos como obras independentes. Quanto a mim, não vou perder meu tempo para conferir o
obvio!Porém, nem tudo foi decepção nesse dia, pois sai do cinema emocionado com a produção nacional “Divã”. Mais um lançamento brasileiro que promete levar muitas pessoas ao cinema, assim espero. “Divã” é uma maravilhosa comédia (*ou seria drama?) protagonizada pela excelente – em tudo – Lília Cabral e que, aparentemente, tem muito a ver com o cotidiano de muitas pessoas, porém com forte pitada de humor e o jeitinho brasileiro de atuação. Para Lilia Cabral, interpretar a mesma personagem nos palcos e nas telas foi um desafio de reviver, agora no cinema, as dores e delícias de Mercedes, protagonista da peça "Divã", baseada no romance de Martha Medeiros, que ficou três anos em cartaz e foi vista por mais de 175 mil pessoas. No filme homônimo, de José Alvarenga, Lilia volta a viver a mulher de 40 anos que, sem saber bem o porquê, procura um analista.
E em uma visão bem freudiana, com direito a não querer falar sobre a mãe morta, pode-se dizer que o filme vai trazer uma mudança no pensamento de muitos cinéfilos, e seu efeito não vai deixar de ser provocado de forma proposital, ainda que a maior parte daqueles que participa disso não o saiba.Mercedes não tem do que reclamar da vida, porém, por algum motivo que nem ela mesma sabe explicar, sente uma grande curiosidade de se consultar com um psicanalista – coisa que também já tive. A terapia, que seria apenas algo banal, faz uma revolução e traz também um monte de indagações. Ao se deitar no divã, ela questiona sua vida, seu casamento e suas escolhas, e passa a ter um comportamento completamente diferente do que esperaríamos de uma balzaquiana normal. Mas o que seria realmente esse normal?
Grande amiga de Mercedes, Mônica (interpretada por Alexandra Richter - do "Zorra Total") acompanha de perto as mudanças que a psicanálise causa. A paciente entra em jogos de sedução com outros homens (Reynando Gianecchini e Cauã Reymond), além de Gustavo (José Mayer), seu marido. Principalmente depois de descobrir que ele a está traindo – coisa que não ficou comprovada no filme. Assim, Mercedes vai percebendo que quanto mais ela se analisa e se conhece, mais nota que não era feliz. A melhor cena do filme é quando a Mônica desfalecendo numa cama de hospital... ai, não vou contar! O filme é lindo! E enquanto você ainda não foi conferir o filme no cinema, veja um pedacinho:
* Na última foto, a atriz Lília Cabral com a apresentadora Érica Saraiva, no programa Circulando, na Rádio Metrópole (Salvador – BA).
>>> CLIQUE AQUI também e leia a reportagem especial da Veja: “Che - Há Quarenta Anos Morria o Homem e Nascia a Farsa”.
fotos: divulgação





10 comentários:
Fato pouco comum no cinema brasileiro, “Divã” teve mais espectadores em seu segundo final de semana em cartaz do que em sua estreia, segundo dados do site FilmeB. Houve um aumento de 6% em renda e 7% em público. O filme de José Alvarenga ficou em primeiro lugar na bilheteria deste fim de semana no Brasil, com 162 mil espectadores, à frente de “Velozes e Furiosos 4″, com 119 mil. Sempre podemos lembrar do peso do marketing da Globo Filmes. Mas, nesse caso, a razão do sucesso parece ser outra: o velho boca a boca.
Elenilson, com todo respeito, mas Divã é filme de mulherzinha!
Acho que a campanha do filme Divã começou bem antes do lançamento e não deixou claro qual era a data de estreia. Muita gente não viu no primeiro final de semana porque não soube que o filme entrou em cartaz.
André , vc é um imbecil!
quem acha que é filme de mulherzinha,tem que olhar o
os homens do velozes e furiosos, eu prefiro ver mulheres e uma
historia que faz parte da vida real.(viva o cinema brasileiro.)
Foi um dos melhores filmes que eu já assisti, e a todas as pessoas que eu converso recomendo vão assistir o filme é simplesmente 10, é um filme emocionante , fala de amor, amizade , da relação a dois e do ser humano conhecer a sí próprio.Parabéns para as atrizes, os atores e diretor. Parabéns vocês foram demais.
Elenilson, sou estudante de marketing e concordo plenamente com você sobre a alienação e torno do nome de Che Guevara e o boca a boca para promover o filme Divã , porém ao contrario do comentário acima, o filme teve muita divulgação antes de estrear. Os flash que passavam sobre ele ,despertava curiosidade neste nicho de mulheres que muitas vezes não é feliz no casamento. Ainda não vi o filme , porém só de ver os flash e saber que há uma profissional competente como Lilian Cabral, fico anciosa.
Durante muito tempo me iludir com aquilo que ouvi sobre o comunismo e seus herois. Creio que no seu tempo, Che teve sua importancia, mas não podemos deixar de enxergar a realidade como ela é, popis no fundo ele foi mais um que sucumbiu diante da realidade.Mudar alguma realidade atraves da força e da violência pode ter resultado no começo, mas depois é só ver a historia, que chegaremos a conclusão logica de que a força predomina por algum tempo, mas chega ao fim.Parabéns pela cronica, gostei muito.
Grande, Elenilson!
Ja falei pra Érica sobre a ft que você "pegou emprestada" do nosso blog e postou aqui rsrs.
Estaremos atualizando a nossa página aos poucos, pode deixar.
Quanto ao programa, é bom demais fazer parte dessa turma.
E você ouvinte, continue ligado com a gente!
Abração,
Gustavo Lago - Programa Circulando
Olha a polêmica! rsr. Filme de mulherzinha é filme cheio de homens! Que a propósito, curto!
Divã ainda não vi e não quero criar muitas expectativas pra nao estragar a surpresa que o filme promete ser. Depois de "ouvir" vc falar tão bem, terei que antecipar minha ida ao cine. Não sou do tipo que curte filmes brasileiros, prefiro os franceses. Mas alguns se salvam nesse mar de lama. E quando se salvam....transcendem!
P.S: Adorei a montagem! rsrs
P.S: Che não quero comentar, tbm o considero como um falso herói. Ver o filme pode "embonitar" tudo isso.
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